sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A instabilidade Postiga


Hélder Postiga deu hoje um pontapé na crise e parece, finalmente, ter agradado à maioria dos adeptos do Sporting, anos depois. É verdade! O facto de um ponta-de-lança, que vive de golos, passar meses e meses sem facturar, um jogador internacional e com carreira em clubes de nomeada, deixa toda a gente expectante em relação ao que se passa realmente com este jogador.

A mim parece-me natural que o grande entrave à afirmação de Hélder Postiga se deveu sempre ao acompanhamento e à confiança que os treinadores depositavam sobre si. O seu aparecimento com José Mourinho foi de altos e baixos, mas o special one sempre disse: Tem tudo para ser craque, mas vai ter de ouvir muita coisa que não gosta.

A falta de capacidade mental de Postiga em saber lidar com as adversidades e responder sobre os problemas, apareceu como um obstáculo alto de mais para o saber ultrapassar sozinho. Simplesmente alterou características, afastou-se da zona de finalização quase que como obrigado por si próprio, deixou de ser irreverente e empenhado.

Aliás, a forma como o jogador natural de Vila do Conde, no Euro 2004, marca um penalty decisivo "à panenka" contra a Inglaterra, faz-nos ver que algo não está correcto com ele sob o ponto de vista mental. É certo que correu bem. E se tivesse falhado? Não pensou nisso, naquele momento? A irreverência de um jovem com então 22 anos explica tudo? Não creio.

Postiga é um jogador que devidamente acompanhado e potencializado, pode dar bem mais ao futebol nacional do que aquilo que tem feito. Aos 28 anos aparece num Sporting remodelado e onde parece capaz de se impor. Para mim, ele e Saleiro são os dois jogadores mais aptos para integrar este 4x4x2 clássico de Paulo Sérgio. Sim, com Liedson de fora.

Sempre foi inteligente e apto em recursos técnicos para resolver problemas, bom com ambos os pés e prático na hora de finalizar. Foi perdendo algumas coisas ao longo dos anos, foi conquistando outras, embora acredite que as tenha escondido no meio da desconfiança e desacreditar com que todos - incluindo ele - foram olhando para o seu futebol.

Pode ser o seu ano, o tal pontapé na crise na instabilidade Postiga.

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