domingo, 28 de dezembro de 2014

O Mito Nani - versão 2

Vamos voltar a um dos temas que já nos fez abordar aqui o internacional português Nani. Esta semana fomos citados por um blog, que em tempos era visita diária para nós pela qualidade e capacidade de observação dos seus autores. Ora, referem os actuais proprietários do espaço, que devíamos "cortar os dedinhos para não voltar a escrever".

Não lhes fazemos a vontade, e por isso vamos tecer algumas considerações. O blog é actualmente gerido por algumas pessoas que temos estima mas outras não as conhecemos. E não conhecemos (referimo-nos ao nickname que nos citou) até pela ausência de qualquer mérito ou crédito no panorama desportivo nacional. Não fizeram nada, não demonstraram nada, não deram provas de nada e os resultados apresentados são até agora 0. No entanto, sentem-se no direito de atacar pessoas com outras opiniões, como se os seus paradigmas e conceitos fossem uma ciência exacta de certeza no futebol. Querem reinventar o jogo e fazem ataques pessoais e cerrados a imensas personalidades - algumas destaque não só na 1ª liga como em outros países do Mundo - que já deram mais ao futebol do que eles alguma vez darão na vida.

Mas vamos passar à fase seguinte. Nani. É este o jogador que nos leva a escrever este texto. Respeitamos a pessoa em si e o seu valor enquanto jogador. Contudo, está muito longe do que já foi outrora e do que se quer fazer dele. Desaproxima a equipa do golo, toma decisões más a maioria das vezes, coloca-se em situações de perda de bola e desprotege constantemente a equipa. Um jogador assim, como vamos descrever em vídeos, porque as imagens valem mais do que mil palavras, não pode nunca ser considerado top.



Ora é escrito no referido espaço, algumas pérolas em relação a este jogo:

"Nani é o melhor jogador da Liga porque é muito superior a todos porque finaliza melhor, cria mais e... sendo um extremo, é decisivo até no processo de construção.

Não é pelos dribles, remates e macacadas. É pelo que desconheces que Nani é estratosférico na Liga Portuguesa. De cada vez que toca na bola, cria situações muito mais vantajosas para a sua equipa. Ao nível a que se vem apresentando, em Portugal, só Deco.P.S. - Um desafio a quem tiver tempo. Escolher qualquer jogo da Liga dos Campeões do Sporting, FC Porto e SL Benfica, e montar um video com todas as acções na partida de Nani, Brahimi, Salvio e Gaitán. Enviar para o mail que partilharemos."

A verdade é que já enviámos o email. Vamos ver se partilham.

A observar o "tango" na Argentina

O blog tem estado inactivo mas a observação de jogos continua a ser uma coisa prioritária para nós. Hoje demos um salto à Argentina, e em altura de mercado de inverno, vamos falar sobre alguns dos jogadores que mais nos saltaram à vista nas últimas observações feitas.

Marcus Acuña (Racing)

É um caso do tipo de jogador que só atinge a maturidade no seu futebol mais tarde do que os restantes. Mas Acuña ainda é jovem. Tem apenas 21 anos, mas foi passando despercebido aos principais clubes e só agora chegou ao primeiro escalão. Pé esquerdo que tem "olhos", joga sobre as duas faixas, sempre com o esférico colado ao pé da mesma forma como imagina o jogo e executa com a qualidade que o seu cérebro idealiza os lances. Muito agressivo no 1x1, cruza com muita qualidade e é bastante intenso também sem bola. Um talento, que se for aposta, pode crescer muito.


Gustavo Bou (Racing)




Ponta-de-lança de área, um matador, tem 24 anos e está a atingir um patamar de qualidade que exige o futebol europeu. Tem 10 golos nesta edição do campeonato argentino e é um dos grandes destaques do campeonato. Apesar de não ser muito alto (1,78cm) é exímio no jogo de cabeça. Excelente impulsão e técnica de cabeceamento, sabe pressionar também no processo defensivo e nunca se esconde do jogo. Finaliza com serenidade, tem qualidade técnica também para procurar ele as situações de finalização. Qualidade.


Lucas Romero (Velez)

Aos 20 anos é um dos principais talentos a sair do país em breve, certamente. A formiguinha do meio-campo do Velez é um jogador muito culto a nível táctico, sabe e compreende cada momento do jogo mas também com bola se destaca com qualidade no passe e na progressão. Não é um jogador potente a nível físico e a baixa estatura pode fazer com que muitas pessoas na Europa o olhem de lado pelo facto de jogar na zona defensiva do meio-campo mas o talento que tem e a intensidade que mete no jogo dissipam qualquer dúvida.

                                                       
Joaquin Correa (Estudiantes)



O médio criativo dos Estudiantes já foi associado ao Benfica e é um dos jogadores mais fortes a actuar no campeonato. 20 anos, tem todo o perfume e requinte de um jogador que se pode tornar de alto nível. Pensa o jogo de forma anormal para a sua idade, pode jogar na faixa ou por dentro, decide quase sempre bem e tem uma qualidade técnica muito alta. Vasto leque de recursos, finaliza muito bem de longe, imagina lances e sai de situações à partida impossíveis. Um jogador de alto quilate.


Jonathan Calleri (Boca)

É impossível não olhar para ele e ver os últimos grandes nomes que saíram do futebol argentino na posição de ponta-de-lança. Jogador que pode atingir um patamar muito alto na Europa. Tem a bravura dos grandes e isso nota-se quando entra em campo.Apenas 21 anos já é a referência do histórico argentino. Grande capacidade de finalização e de ler o jogo, o espaço onde tem de aparecer e com frieza na finalização. Forte de cabeça, marca de toda a forma e dá muito trabalho às defesas. Craque.





Jaime Ayovi (Godoy)


Joga numa equipa modesta mas é um dos grandes destaques do campeonato. Já tem 26 anos e um percurso "estranho" pois já andou por vários campeonatos secundários, mas ainda vai a tempo de poder fazer estragos na Europa. É um finalizador nato, tem compleição física assinalável e um instinto incrível para o golo. Para além disso, deve ser dos melhores cabeceadores na América. Técnica de cabeceamento incrível, parecem que põe a bola com a mão, grande capacidade de impulsão e frieza na hora de encarar a finalização. Jogador de equipa grande que trabalhe para ele.



Emanuel Insua (Boca)



Lateral esquerdo, posição tão desejada em Portugal, e que qualidade tem este jogador de 23 anos. Fisicamente é um "bicho". Robusto, tem aceleração e velocidade de ponta e é muito agressivo nas abordagens. Sobe bem no terreno, dá profundidade ao jogo da equipa, gosta de entrar por dentro e por fora e tem qualidade técnica para se integrar no processo ofensivo. Uma locomotiva.


Kranevitter (River)



Jogador incrível do ponto de vista da recuperação de bolas. Joga na posição 6 com cultura táctica, elegância, e uma qualidade absurda na forma como usa o corpo - e bem - na recuperação e desarme aos seus adversários. Para além disso assume com qualidade a 1ª fase e construção do jogo da equipa e é um jogador agressivo e forte também pelo ar. Qualidade para voar para o futebol europeu.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Anderson Talisca



Já aqui tínhamos atestado a sua qualidade. Jogador que dentro da anarquia que ainda oferece pode acrescentar muito ao jogo ofensivo do Benfica. Mas o perfil psicológico que parece apresentar poderá atrasar a sua adaptação a uma posição mais recuada que acreditamos ter tudo o que as suas características físicas e técnicas pedem.

Talisca tem jogado, e bem, no apoio ao avançado, como elemento sem grande capacidade posicional como gosta Jesus mas tem aparecido muito bem em zonas de finalização o que lhe tem dado destaque grande neste Benfica. É de realçar que vem de um campeonato diferente e a forma como se está a impor é um facto de assinalar.

Contudo vamos tentar perspectivar o futuro. Talisca pela capacidade que tem de progredir com bola, jogando de frente, é um elemento muito perigoso para as equipas contrárias. Exemplo disso é o golo ao Estoril e o lance que origina a expulsão frente ao Moreirense. Vendo o jogo de frente, partindo em penetração, é difícil de parar e a qualidade na progressão que apresenta, também a passada larga que queima metros e junta sectores, tem de ser explorada.

O modelo do Benfica pode ganhar com as características que o ex-Bahia vem dar à equipa, mas é importante também que Talisca compreenda as missões - sobretudo defensivas - que não deve descurar a este nível competitivo. Ainda é lento a recuperar e pouco pro-activo na recuperação. Pela agilidade e estrutura física pode ser facilmente uma "aranha" nas recuperações, capaz de se destacar também aí.

A frieza na hora de finalização tem sido de assinalar e podem-nos levar a perceber que Talisca tem também golo. Mas pode muito bem, conforme for crescendo, ir ganhando rotinas de jogar mais por trás, acrescentando a este Benfica movimentações e posicionamentos de nº10, coisa que Jesus tem insistido em não ter ao longo dos anos, mas que pode com o brasileiro ser uma obrigatoriedade face à sua afirmação na equipa encarnada.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Uma questão de contextos




Jorge Jesus permite um Benfica mais forte e mais capaz de defrontar qualquer equipa. Contudo, noutro contexto competitivo, as fragilidades individuais de alguns jogadores demonstram as fraquezas que o conjunto tem para patamares mais elevados de exigência. O Zenit para além de ser uma equipa muito completa e de muita valia individual, é extremamente bem organizada e bem conhecedora de todos os momentos do jogo. Para além disso, os seus jogadores interpretam perfeitamente a questão qualidade vs experiência e assume-se este ano como o grupo mais forte do projecto milionário dos russos dos últimos anos.

O Benfica não pode ambicionar a triunfar na Europa e jogar com Artur, Jardel e Eliseu. Artur não tem condições para jogar em Portugal quanto mais fora de portas. Jardel a nível defensivo faz quase tudo bem e oferece garantias de top naquilo que se pretende para um plantel. Assumir a titularidade neste contexto é outra conversa, e as dificuldades porque passou hoje no momento da saída de bola, revelam falta de qualidade dele para este nível competitivo. Eliseu é outro caso. Em Portugal vai disfarçar as suas limitações mas apanhando pela frente um jogador da valia de Hulk sente enormes dificuldades e muita sorte acabou por ter o Benfica pelo Zenit ser uma equipa de organização ofensiva e não saber jogar de outra forma.

Noutro âmbito, importa falar do Mónaco. Bernardo Silva teve direito a meia hora e encantou os franceses. Bola colada ao pé, o jogo ganha dimensão quando o pequenino jogador ex-Benfica assume a batuta. Criatividade, imprevisibilidade, tomada de decisão, capacidade de penetração, condução, qualidade passe...enfim, esgotam-se os elogios. O que será preciso para Leonardo Jardim dar-lhe a titularidade e oferecer qualidade a esta equipa francesa que bem necessita?

No lado oposto está Ivan Cavaleiro. A vitória do Corunha frente ao Eibar esta segunda-feira não apaga a paupérrima exibição do extremo português. Muitas dificuldades na recepção, problemas técnicos evidentes para se catapultar para outro nível competitivo. Saiu, e bem, pelo pouco que deu ao jogo. Rapidamente, a continuar assim, perderá o lugar para Cuenca. Quanto a Sidnei, foi o melhor em campo e é um case study. Pode até nem ser preciso chegar a muitas conclusões, mas custa entender o porquê da sua carreira não estar noutro patamar. O treinador gosta dele e é fácil perceber porquê: lê o jogo como poucos, sai a jogar com qualidade de nº10, antecipa-se e recupera bolas de todas as formas e a continuar assim, mantendo o nível exibicional, vamos ver se ainda haverá tempo para ele. Numa equipa com bloco baixo, que não o exponha a situações de metros nas costas para correr, pode ser top.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Prospecção: N'Jie




Está a começar a aparecer na primeira equipa do Lyon um jogador que promete dar que falar. Já internacional A pelos Camarões, já brilha e marca (2) à Costa do Marfim. Jogador com mudança de velocidade explosiva, gosta de jogar solto no ataque aparecendo nos espaços que lhe permitam situações de simples resolução para ele: um contra-um, invariavelmente. Jogador dotado tecnicamente, poder de drible, capacidade de jogar com os dois pés e excelente equilíbrio. Finaliza bem e é muito forte em penetração. Para acompanhar.


Nacionalidade: Camarões
Data de Nascimento: 15-08-1993 (21 anos)
Altura/Peso: 170 cm / 64 kg
Posição: Avançado
Clube: Ol.Lyon

domingo, 7 de setembro de 2014

O mito Nani


Chega. O nível dos jogadores portugueses decresce cada vez mais e valoriza-se em demasia certos jogadores pelo que em tempos fizeram ou pela atenção que lhes é despendida pela comunicação social. Os últimos 2 anos de Nani em Manchester e o facto de quase nunca ser utilizado não acontece por acaso.

É pela fraca utilidade actual do jogador face ao que já fez no passado. Nani estagnou como jogador e adoptou vícios que o tornaram pior jogador. Não compreende o jogo, pensa mal e sobretudo executa quase sempre mal. É um jogador demasiado inconsequente, sem critério nas suas acções, pouco regular e que tem uma taxa de sucesso dos seus lances a rondar o horrivelmente.

Nani deixou de ser o jogador que era e é necessário alguém o apontar de forma assertiva. O futebol não é fazer umas fintas e dar uns toques giros na bola. Nani mesmo a nível técnico demonstra limitações grandes sobretudo ao nível do cruzamento, situação que explora muito no seu jogo. Dos imensos que tira, poucos são aproveitados não só por não haver quem os finalize, mas essencialmente porque despejar bolas para a área é diferente de encontrar a melhor situação para permitir finalização a um colega.

Prospecção: Garry Rodrigues



Chegou à principal montra do futebol aos 22 anos e promete agora não ficar por aqui. Garry Rodrigues é um dos principais talentos do futebol cabo-verdiano e tem tido um percurso de clara ascenção. Formado no Feyenoord, terminou o seu percurso no Real Massamá, tendo jogado nas divisões secundárias da Holanda e Alemanha nos primeiros anos de Senior. A transferência para o Levski Sofia foi o passo decisivo do seu percurso, de onde se mudou no mercado de Inverno do ano passado para o Elche.

Garry é um extremo potente, agressivo nas abordagens e que parte invariavelmente para cima em situações de 1x1. Joga sobretudo descaído sobre o flanco esquerdo onde gosta de flectir para dentro e aplicar o seu venenoso pontapé, mas sabendo também jogar no lado contrário, onde tem uma taxa de sucesso grande e explora a sua velocidade e capacidade de drible para desequilibrar.


Ainda não é um jogador de processo terminado e tem margem para crescer. Sabe jogar sobretudo com bola e desenvolve o seu futebol através da força física e capacidade de drible onde consegue criar várias situações de finalização para si ou para os seus companheiros.. Um jogador para seguir.


Nacionalidade: Cabo Verde
Data de Nascimento: 27-11-1990 (23 anos)
Altura/Peso: 170 cm / 64 kg
Posição: Extremo Esquerdo/Direito
Clube: Elche

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Bryan Cristante




O Benfica, no último dia de mercado, fecha um objectivo antigo, apenas agora concretizável face à lesão de Ruben Amorim e ao empréstimo de Van Ginkel ao Milan. Cristante vem para o Benfica e vamos procurar perspectivar aquilo que acrescentará.

Cristante inicia esta temporada o seu primeiro ano como Senior. Formado no Ac Milan, estreou-se a temporada passada ainda enquanto Junior na 1ª equipa do grande de Milão onde participou em três partidas e marcou um golo à Atalanta.


Jogador da posição 6, é a referência da primeira fase de construção, embora também possa jogar mais à frente, como 8. Contudo, é a jogar mais recuado, assumindo o jogo desde trás que se sente mais confortável. Tem capacidade de desarme e recuperação de bola pela excelente capacidade física que tem. Protege bem a bola, sabe usar o corpo, mas é nos argumentos técnicos que se destaca.

Dotado a nível de recepção, assume o passe curto, médio e longo com qualidade, sendo forte no drible e na capacidade de manter a posse. Apenas tem ainda alguns problemas ao nível da intensidade de jogo e na execução quando pressionado, daí gostar de pisar terrenos menos "preenchidos" de jogadores adversários.


É culto tacticamente e tem excelente sentido posicional. Assume o jogo, gosta de ter bola e nunca se esconde. Oferece constantemente opções para manter a posse e progredir - é aliás aqui que se destaca sobremaneira, na forma como oferece coberturas ofensivas ao portador da bola e toma opções seguras.

Cristante fruto da capacidade física e técnica que tem pode também ser olhado para a posição 8 pois é forte em progressão e chega bem à área contrária. É um jogador parecido a André Gomes até na fisionomia mas com maiores argumentos a nível técnico e que pode atingir outra dimensão. O Benfica ganha aqui um jogador de valia para as duas posições do meio-campo, tal como Samaris.

sábado, 30 de agosto de 2014

Falando de Samaris



O derby de amanhã vai trazer muitos aliciantes e um dos principais é a possível estreia do grego Samaris com a camisola do Benfica. Teoricamente um desconhecido para o público português, vamos tentar perspetivar o que vale, onde encaixa e o que pensar sobre ele.

A expectativa é grande, até pelos 10 milhões de € pagos para garantir o seu concurso, após uma época ao serviço do Olympiacos. E importa analisar o contexto: o campeonato grego é nivelado por baixo, sendo o Olympiacos de um nível muito superior ao dos seus adversários. Os 17 pontos de avanço para o 2º classificado assim o revelam, e por isso é importante perceber em que situação se inseria Samaris.

Numa equipa de muita propensão ofensiva, com bastante volume atacante e num modelo que prioriza a posse de bola e o jogo apoiado, jogava normalmente numa das posições de médio interior (tanto à direita como à esquerda). É um jogador com porte atlético (1,89cm), muito disponível fisicamente, rápido sobre a bola, agressivo no desarme, bom recuperador, mas com argumentos a nível técnico na recepção e especialmente no passe curto, médio e longo.

Sabe jogar simples a um/dois toques, sendo bastante prático de processos, mas gosta por vezes de adornar e dar um toque de classe na forma como sai a jogar. Pela robustez física e capacidade de protecção de bola, pode ser utilizado na posição 6 (onde acreditamos que se vá fixar no Benfica) porque apesar de gostar de subir e ser usual aparecer em zonas mais adiantadas, não é forte na penetração e no drible em progressão, característica importante para a posição 8 do modelo de Jorge Jesus.

Contudo, a passada que tem, capacidade de preenchimento do espaço, qualidade táctica e desarme, aliando à forma como sabe jogar de costas e também decidir de frente para o jogo, utilizando a excelente capacidade de passe que detém, pode fixar-se de caras no onze da equipa e tornar-se uma figura importante da estrutura do Benfica.

Importa contudo analisar que a pressão adversária existente na sua zona de acção no tempo que passou no Olympiacos era praticamente nula fruto das equipas baixarem normalmente o bloco quando jogavam contra o campeão grego, pelo que não é ainda possível perceber ao nível da tomada de decisão e execução sob pressão de que forma se pode comportar, daí fazer sentido enquadrá-lo sobretudo para o lugar 6 do Benfica onde teoricamente teria um maior transfer daquilo que foi habituado a fazer não só no Olympiacos como também no Panionios.

Samaris é ainda um excelente executante de bolas paradas, tendo uma meia distância de qualidade, gostando de tentar visar, sempre que com espaço, a baliza contrária, com ambos os pés. O Benfica ganha aqui também um jogador muito importante na cobrança de bolas paradas e na meia distância, embora pela sua estatura possa ser utilizado dentro da área para finalizar este tipo de situações.

sábado, 16 de agosto de 2014

Prospecção: Bernard Mensah


Recrutado ao Feyenoord do Gana, muita atenção a este jovem que desponta na equipa principal do Vitória de Guimarães. Joga pelo corredor central como 10 mas pode também jogar mais atrás. Grande capacidade física, tem passada larga e boa capacidade técnica. Gosta de ter bola e partir para cima, é agressivo a penetrar e a tentar situações de 1x1. Jogador para continuar a seguir.

domingo, 10 de agosto de 2014

O risco envolvido na posse



Numa equipa que priorize o jogo na máxima largura, com posse, é fundamental ter jogadores capazes de interpretar os momentos, decidir bem, quase sempre sem risco de perda de bola garantido a manutenção da posse. É uma obsessão cada vez mais evidente da nova escola dos treinadores espanhóis este paradigma e esta atitude em campo.

Não é por acaso que vemos poucas situações de cruzamento, fruto da envolvência do jogo de posse pelo corredor central e do facto de serem situações que colocam os avançados em situação de inferioridade numérica e que tem uma taxa de sucesso, na maioria das vezes (dependendo da zona de onde é efectuado) baixa.


Olhando para o jogo do Benfica de Jorge Jesus, podemos perceber a importância que um jogador capaz de ter bola oferece à dinâmica da equipa. As situações de transição que tanto caracterizam o modelo de JJ não teriam a mesma qualidade se não houvesse um jogador como Enzo Pérez para transportar e ser agressivo na penetração pelo corredor central mas também, essencialmente, um jogador de passe, de tomada de decisão muito acima da média e que consegue fruto da posse manter a equipa equilibrada sem risco de perda e desequilíbrio associado.


Daí não ser possível compreender a não aposta no talento de Bernardo Silva, um jogador ainda com algumas fragilidades fruto da maturidade que ainda não atingiu devido às poucas experiências e estímulos mais elevados que o Benfica não lhe deu no seu processo de formação. Mas o talento com que joga, com que pensa e executa no jogo, como liga a equipa, como assume situações de desequilíbrio, iriam dar um jeitão a este Benfica, ainda para mais numa equipa que está a necessitar de um jogador com estas características como de pão para a boca.


E é na mesma linha que vamos falar de Quintero. O jogo do Porto, de envolvência, de posse e circulação, de segurança e adverso ao desequilíbrio com bola, tem de estar à volta do colombiano. Como dissemos no post anterior, seja no trio do meio-campo, seja a partir de uma ala, ele acabará por ir dar à zona central para decidir.


E Quintero é um dos jogadores de maior qualidade que há no futebol em Portugal porque consegue juntar acções simples e eficazes para a segurança da posse e a irreverência de assumir o jogo e partir para cima tendo invariavelmente sucesso na maioria das situações com que se depara.

Não é fácil encontrar jogadores que sejam um alicerce do treinador que pense o jogo pela posse mas que ao mesmo tempo conseguem criar situações de risco eminente mas ter sucesso em grande parte delas. Quintero e Bernardo Silva são dois jogadores dessa dimensão, que talvez não estejam a ser olhados da forma como o futebol português deveria olhar para eles.

Já aqui defendemos que o critério mais importante na avaliação de um jogador é o seu perfil/aptidão psicológica. E Quintero tem de ser top também aí. Pela forma como pega e assume o jogo das equipas onde joga, sempre à procura de soluções por muito difíceis que se tornem, e não tem problema em errar, só podem ser indícios que estamos perante um jogador de qualidade diferenciada.

sábado, 9 de agosto de 2014

WBA x Porto



- Notas muito positivas dos azuis e brancos. Equipa joga muito alto, com sectores muito próximos e bastantes coberturas para manter a posse. Largura dada quase sempre pelos laterais e/ou Tello, com bastante mobilidade pelo corredor central de Brahimi muito agressivo a penetrar o corredor central.

- Equipa bastante agressiva após perda, equilibrados e sempre à procura de retirar tempo à decisão do oponente. Herrera forte na transição defensiva pela capacidade de ocupar o espaço, mas mais lento que os companheiros de sector na tomada decisão em posse.

- Danilo e Alex Sandro neste modelo têm tudo para fazer um ano grande no Porto. A equipa joga de forma paciente para explorar combinações tácticas explorando a sua largura e o movimento interior dos alas abrindo-lhes o corredor.

- Brahimi é um craque. Muito forte com bola, excelente na tomada de decisão, criativo e com capacidade no 1x1. Vai ser difícil não ser figura neste Porto.

- Tello apesar de não sermos fãs pela fraca tomada de decisão e partir invariavelmente para situações de 1x1 e finalização quando tem melhores opções, pode ser importante neste Porto se crescer também mentalmente e em termos de maturidade do seu jogo. Mudança de velocidade que pode desbloquear muitos problemas.

- Jackson muito incorporado no momento de organização ofensiva, nunca estático e sempre à procura de bola para jogar de frente - na senda dos modelos espanhóis de não haver avançado posicional nesse momento do jogo.

- Quaresma vai ser sempre um jogador diferente deste modelo de Lopetegui. Menos combinações colectivas, menos integração nos lances ofensivos, menos situações de manutenção da passe, mais passes de risco, mais situações individuais...mas é isto: qualidade de improvisação e de execução como ninguém. O Porto vai ter mais situações de perda de bola com ele, mas também pode ganhar se contar com a sua inspiração.

- Quintero é um jogador de uma qualidade absurda. Tomada de decisão, execução, a forma como pensa e interpreta o jogo, a qualidade de tudo o que faz... a equipa tem de jogar muito daquilo que pode oferecer o colombiano. Seja como ponto de partida na ala ou pelo corredor central - ele acaba por ir lá dar de qualquer das formas.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O antagónico Mourinho


Já aqui foi muito discutido sobre as visões actuais existentes sobre o jogo e sobre as (in)coerências de algumas ideias vigentes actualmente pela nova geração de treinadores que procura impor a sua competência nas equipas, juntamente com as ideias já assimiladas e experimentadas de treinadores com traquejo e resultados comprovados no nosso futebol.


De que forma pode ser alvo de análise estes pontos referidos como traços da ideia de José Mourinho? Até que ponto não será esta também uma forma lúcida e concreta de se analisar o jogo e de que forma devem as equipas gerir os seus momentos? Em que contextos podem ser estas bases praticadas?

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Prospecção: Lucas Andersen



O Ajax recrutou com 17 anos na Dinamarca um jogador que denotou um crescimento muito interessante nos últimos dois anos. Lucas Andersen andou pela equipa de reservas dos holandeses no ano transacto mas promete este ano dar-se a conhecer definitivamente na alta roda do futebol europeu. Jogador claramente diferenciado que vai enfrentar forte concorrência mas que promete assustar os mais velhos. Destro, embora com facilidade de jogar com o pé não dominante, é muito elegante nas suas acções.


Joga pelo corredor central ou encostado numa faixa. Tem passada larga, é forte em progressão, gosta de ir para cima, é e culto posicionalmente, tem um drible curto muito fácil e procura sempre a melhor solução para jogar. Denota grande inteligência em campo, é eficaz na tomada de decisão e tem um vasto recurso de argumentos para jogar. Tem facilidade de aparecer em zonas de finalização. Um jogador de equipa com grande qualidade técnica. Muita atenção.


Nacionalidade: Dinamarca
Data de Nascimento: 19-09-1994 (19 anos)
Altura/Peso: 185 cm / 72 kg
Posição: Médio Ofensivo
Clube: Ajax

Como sabe bem ver João Mário



O Sporting está quase a terminar a sua pré-temporada e apesar dos sinais serem positivos, há ainda algumas coisas a melhorar. Sobretudo a forma como a equipa vai passar a articular um meio-campo diferente, até pela entrada imediata de William nas contas. Mas em qualquer onze que se faça da equipa de Marco Silva tem de estar João Mário. O jogo de ontem no Egipto é só mais uma demonstração cabal daquilo que pode acrescentar à equipa. Destaco-o como o melhor jogador sub-21 português e dentro de campo mostra porquê. Tecnicamente é uma coisa absurda, a forma como pensa o jogo também o é. O Sporting ganha com André Martins alguma irreverência na terceira fase, mas com João Mário ganha uma criatividade e controlo da posse que mais nenhum jogador da equipa consegue oferecer.

domingo, 3 de agosto de 2014

As referências de Benito



Loris Benito chegou ao Benfica praticamente como um desconhecido. Ainda há algumas dúvidas relativamente ao seu valor mas a nossa opinião está formada. Não é questão dos restantes companheiros do sector defensivo não ajudarem. Há casos de fracasso colectivo. E há outros de completo desajuste individual face às exigências. O lance do 5-0 de Sanogo ontem é um exemplo disso.

A principal preocupação de um jogador de futebol tem de ser a bola. É a base de todos os princípios do jogo. Um jogador que está neste contexto não pode ter um desconhecimento tão grande sobre o jogo como o suiço demonstra. Senão vejamos:



Passe longo para a sua zona de acção e Benito esquece a bola. Deixa de olhar para ela, não a ataca, sequer. Procura posicionar-se. A recepção de Campbell a antecipar-se deixou-o aos papéis e fora de qualquer chance para jogar. Estando em superioridade numérica, devia fechar o espaço e posicionar-se de forma a dificultar a decisão do jogador do Arsenal. O que faz? Sai ao portador desprotegendo as costas, originando uma situação de finalização para os ingleses. Quais são as referências dele, afinal?



Atentem na forma como posiciona os apoios e sai na bola. É um grande lance de Cazorla, mas é também demasiado infantil a forma como Benito aborda o espanhol e procura fazer não se sabe bem o quê. Lembrar que este lance terminou com um remate ao poste.

O suiço pode até ter disfarçado nos primeiros jogos ser um jogador aparentemente competente, por ter alguma velocidade, e ser forte a nível físico. Mas um jogador com uma escassez tão grande de argumentos a nível ofensivo e com tantos problemas nas abordagens defensivas (algumas a roçar o distrital, como esta) não auguram nada de positivo para a sua carreira em Portugal.

E agora Lopetegui?



É indiscutível que o FC Porto está a construir o melhor plantel em Portugal. Com a qualidade dos nomes e as opções à disposição, provavelmente um dos melhores dos últimos anos do nosso futebol, apenas de possível comparação ao do Benfica 09/10 e 13/14 e ao FC Porto de André Villas Boas. Tal é a qualidade e a imensidão de opções para o treinador.

A questão está na ideia de jogo e na sua forma de gerir recursos. É fácil trabalhar com tanta qualidade mas é difícil gerir tantos egos. E um deles é Quaresma. Não é possível ficar indiferente ao seu talento, mas é também notório que os seus melhores anos já passaram e se tornou um jogador descontextualizado da exigência actual do futebol de alta roda pelas fracas decisões que toma e dificuldade em se inserir num jogo colectivo que naturalmente terá de ser este.

O Porto faz hoje um jogo de qualidade, sobretudo na 2ª parte, no terreno do Everton, e quando não esteve Quaresma. O exemplo do golo é o ADN que pretende o técnico espanhol de futebol controlado pela posse com opções várias para jogar próximo do centro de jogo e em constante mobilidade. Sempre com opções.



E com a qualidade ofensiva destes laterais tudo se torna mais fácil. É difícil nesta altura perspectivar um onze azul e branco, mas estes nomes têm de ser peças fundamentais na manobra da equipa: Danilo, Alex Sandro, Herrera, Brahimi, Quintero, Oliver, Adrián e Jackson. Com tanta qualidade individual, o Porto parte claramente muito à frente dos outros rivais.

sábado, 2 de agosto de 2014

Emirates Cup day 1



Não se pode dissociar as fases do jogo nem os seus momentos uns dos outros, mas a verdade é que este Benfica parece quase uma equipa de duas caras e de dois níveis distintos. Mas tudo é fácil perceber e de ser explicado pelo nível individual dos jogadores dos diferentes sectores da equipa.


Tinha sido possível observar dificuldades do Benfica no processo ofensivo e na inexistência de mobilidade e dinâmicas que permitissem jogo entre-linhas e combinações directas em progressão como as equipas de Jesus sempre nos habituaram. Hoje foi possível ver melhorias nesse aspecto e graças à inclusão de Gaitán sempre pelo corredor central, algo que já aqui vem sendo dito desde o primeiro dia de pré-época. É realmente o jogador mais forte da equipa no corredor central na penetração e agressividade com bola e qualidade de critério e decisão.

Com as rotinas já criadas e pelos lances que foi inventando com Lima e Salvio, que mesmo ainda a níveis baixos de produtividade face ao que já mostraram em outra altura, foi possível ver um Benfica mais ligado entre sectores na fase ofensiva e a permitir alguns lances interessantes. Mesmo gostando de Ola John, não agarrando estas oportunidades, fica difícil para ele. Quase sempre a decidir mal (coisa que não é normal) e a ter problemas em combinar com os colegas.


Mas o que explica os números e o baixíssimo grau colectivo da equipa no dia de hoje é o processo defensivo. Não é normal em Jesus, mas explica-se pelos nomes. Artur, Maxi, Sidnei, César e Eliseu. São 4 elementos novos, mais Maxi que nem sempre jogou o ano passado. Sidnei e César não controlam o espaço e não conseguem ter referências espaciais para jogar, abrindo constantemente espaços e tendo problemas na reacção aos maus posicionamentos que ocupam. O próprio Eliseu, que revela qualidade com bola, tem problemas graves a nível defensivo, coisa que já se sabia, mas que é possível melhorar com Jesus.

Basicamente este quarteto nunca se encontrou nem consegue jogar de forma coesa e concentrada, algo que existia o ano passado. Não é pelo trabalho nem pelo modelo, é pela (não) qualidade dos elementos citados para perceber o que é a exigência do jogar de Jorge Jesus. Mais, com Artur a revelar tantos problemas na comunicação e controlo da área, o Benfica jogando tão subido e com tantos metros nas costas arrisca-se a ter problemas face à sua improdutividade e pouca confiança também fora dos postes.


Anderson Talisca. Hoje como 6, algo que acredito sempre esteve na mente do treinador pelas condições atléticas e técnicas do jogador. Perdido, também, sem rotinas para o lugar, a demorar a compreender o que o jogo exigia, e claramente desaparecido. É um talento e se continuar a trabalhar pode crescer muito, mas o Benfica terá problemas a atacar jogos de exigência altos com ele neste ou no outro lugar do meio-campo.

Salvio. O Benfica vai ser diferente com o argentino. Certo é que Markovic é um super talento e um jogador claramente nível mais. Mas Salvio terá problemas para dar à equipa o que o sérvio se habituou a dar. Desde logo na transição defensiva e na forma como o sérvio equilibrava a equipa. E sobretudo a inexistência de capacidade do argentino para progredir para o corredor central e dar superioridades numéricas em progressão. O Benfica perderá aqui e sem 2 alas capazes de perceber e jogar como poucos pelo corredor central (Nico e Markovic) as dinâmicas colectivas serão naturalmente muito diferentes.

4x3x3. Tem de ser olhado por Jesus com outros olhos porque não tem neste momento jogadores para interpretar o seu modelo e jogar da forma como gosta. Sobretudo garantir uma capacidade e coesão defensiva em inferioridade top como existia o ano passado, e também qualidade no processo ofensivo com a inclusão de vários jogadores pelo corredor central. Essa deve ser a sua principal preocupação neste momento. Os melhores jogadores deste Benfica actual são os jogadores que conseguem ter bola e controlar o jogo pela posse. E sem um avançado de grande nível que consiga ligar sectores e jogar entre-linhas, Nico Gaitán não pode andar a jogar encostado ao corredor lateral muito mais tempo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Formação e as vitórias das selecções



Portugal voltou a realizar uma grande campanha ao nível das selecções jovens, depois do Mundial de sub-20 onde se sagraram vice-campeões. Desta vez foram os sub-19 na Hungria que apenas foram batidos pela Alemanha na final. Estes são, contudo, resultados que não nos mostram a realidade do que se passa no nosso futebol.

O talento de rua está cada vez em mais risco de desaparecer. Mas a culpa não é só das novas modas e da nova sociedade. A culpa é também dos clubes, dos treinadores, dos dirigentes, dos modelos competitivos, da cultura do próprio país. Em Portugal continua a brincar-se à formação, às vitórias e ao sucesso, quando se devia desenvolver um trabalho sério ao nível da formação de jovens talentos e da preparação das suas competências para o futebol profissional.

São poucos os clubes que abdicam de uma vitória esporádica para potenciar um jogador. O problema não está só na questão de "saltar etapas", ou como defendemos, preparar o jogador no contexto competitivo que lhe permite maiores estímulos e que coloca o jogador perante as dificuldades ideais para uma maior evolução. Está também nos modelos que os treinadores praticam actualmente. Coisas fechadas, sem espaço para o improviso, para a liberdade, para o erro, porque o resultado final continua a ditar processos no nosso futebol.


Portugal hoje jogou com a Alemanha na final de uma prova europeia que se deu ao luxo de não convocar os 5 melhores jogadores da idade (Leon Goretzka, Serge Gnabry, Timo Werner, Max Meyer e Jonathan Tah) por considerarem que estão já em outro patamar. Não se importaram com o resultado final. Quiseram formar, e acabaram a ganhar. Jogadores já noutro patamar, como alguns dos seleccionados, já com bagagem de 1ª e 2ª Liga alemã.

Honra feita ao FC Porto por ter Ivo Rodrigues e Tomás Podstawski todo o ano a competir na 2ª Liga, tal como esporadicamente Rafa e André Silva, ou Riquicho no Sporting. Do outro lado é um iate, onde as máximas exigências são num campeonato nacional de Juniores que prepara muito pouco os jogadores para outros patamares de exigência.

Desengane-se quem pensar que este resultado fará as pessoas mudar a sua forma de dirigir ou de apostar no jovem talento nacional. Vamos analisar os 11's de Portugal e Brasil que disputaram a final do Mundial sub-20 e perceber onde estão os jogadores nos dias de hoje:


Há comparação possível? Tendo em conta que falta, ainda, por exemplo, Phillipe Coutinho, do Liverpool, que acabou por ser substituído neste jogo? Não é só questão de falta de aposta, é questão de em Portugal se preveligiar modelos resultadistas em vez de modelos que permitam a evolução dos atletas.

Chega-se a estes momentos e as selecções até acabam por ter alguns resultados de qualidade mas pelo facto dos seus atletas raramente serem colocados em níveis de exigência que lhe permitam outros níveis de maturação e reais possibilidades de evolução, o seu talento momentâneo a certo momento acaba por se diluir e perder no tempo.


O que teria sido desta geração de 2011 na Colômbia com outro trabalho de base e outra continuidade de aposta neles? Hoje é fácil apontar pouca qualidade a quase todos os seus intervenientes. Pois. Depois do mal estar feito, realmente não há como voltar atrás.

Portugal precisa urgentemente reformular todos os seus modelos e todas as ideias impostas na nossa sociedade, que por vezes são o que define e condiciona qualquer tipo de trabalho que se pretenda fazer a nível de clubes e selecções.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Benfica x Bilbao



Jogo exigente para o Benfica, uma vez mais, acrescentando dificuldade pela proximidade do jogo anterior e os problemas já notados.
- Cansaço evidente na tomada de decisão e nas dinâmicas colectivas. Jogadores quase sempre a demorarem eternidades a pensar e a soltar bola. Pouca capacidade de oferecer opções de progressão em posse na 1ª fase construção sob pressão. O Bilbao é extremamente organizado e sobe muito as linhas mas o Benfica sempre foi das melhores equipas a sair dessas situações. Sem a qualidade individual de outros tempos, as coisas complicam-se.

- Falta de um 6 de qualidade inegável. André Almeida é um jogador normal, sem qualidade, que se torna competente e não compromete numa equipa do nível de trabalho e qualidade que tem o Benfica. É curto na ocupação de espaço, na qualidade e segurança na saída sob pressão e no pensamento/criatividade de resolução de problemas. Fortíssimo nesse aspecto é Amorim mas perde imenso defensivamente. João Teixeira não pode ser opção para o lugar.

- Sem criatividade e mobilidade ofensiva. Neste modelo o jogador de ligação na 3ª fase, o chamado 9,5 é fundamental. No Benfica actual não há esse jogador. O Benfica precisa de se reforçar fortemente aqui, ou esperar que Bebé ganhe rotinas para jogar ali ou Pizzi revele apetência perspectivada para jogar nesse lugar. Equipa dependente dos movimentos interiores de Gaitán como já referido.

- Primeiros minutos a sério para Bernardo Silva e é o que se sabe. Qualidade técnica, na decisão e no transporte como poucos. Mas um jogador com tamanha qualidade com bola não pode jogar tão longe da área, sobretudo pela dificuldade que tem depois na recuperação fruto da limitação física que tem. Aqui não se percebe o facto de Djuricic nunca ter sido aposta na posição 8, e Bernardo não estar a ser na 9,5.

- Derley. Ainda não vimos nada do que mostrou no Marítimo. Talvez dificuldade de adaptação, talvez problemas de afirmação fruto de um volume ofensivo muito curto do Benfica face ao normal. Ainda assim é um jogador com qualidade mas precisa de se encontrar e esperar que este Benfica comece a carburar.

- Oscar Cardozo. Não pode continuar a ser opção neste Benfica. Podia até ser fruto de uma lesão o paupérrimo rendimento que demonstrou no final do ano passado. Mas parece que é para continuar. A equipa perde porque não tem ligação com ele em campo.

Os próximos jogos serão conclusivos relativamente a algumas situações. Serão também os primeiros de um Benfica mais próximo daquilo que poderemos ver em competição. Mas não se perspectivam coisas nada boas, nomeadamente para o primeiro jogo com o Arsenal.

Prospecção: Michal Zyro



Joga na Polónia, pelos corredores laterais, um Matic em potência. No Légia de Varsóvia, Michal Zyro apareceu definitivamente na última época com bons números e a merecer nota de destaque. Jogador de estampa física, o seu quase 1,90cm não o torna estático. É relativamente rápido, mas é nos capítulos técnicos que se destaca.

Qualidade em quase todas as vertentes, no passe curto, médio ou longo, recebe com qualidade e sai a jogar sempre de forma eficiente, apesar de ser esquerdino joga também bem com o pé direito e tem uma excelente capacidade de aparecer em zonas de finalização ou tentar a meia distância onde é muito perigoso.

Apesar de ser actualmente um extremo e se destacar também nas bolas paradas, num contexto mais exigente, e fruto das capacidades físicas e qualidade de passe que denota, pode ter uma margem grande para evoluir a jogar pelo corredor central, onde tem tudo para se fixar e tornar-se um jogador de grande nomeada.


Nacionalidade: Polónia
Data de Nascimento: 20-09-1992 (21 anos)
Altura/Peso: 189 cm / 77 kg
Posição: Extremo Esquerdo
Clube: Légia Varsóvia

Benfica na Suiça



- Equipa ainda longe da capacidade de outros tempos, sobretudo devido à falta de jogadores cruciais na manobra ofensiva da mesma. Pouca capacidade de ligação intersectorial e dinâmica ofensiva apenas a espaço quando Nico Gaitán aparece de frente com bola pelo corredor central.

- Amorim é um jogador tremendo do ponto de vista da manutenção da posse e de oferecer linhas para jogar curto, mas não pode ser um jogador para a posição 6 de um Benfica a nível de Europa pela pouca capacidade que oferece a nível do preenchimento de espaços e das coberturas que oferece.


- Eliseu está pesado mas continua a notar-se a capacidade que tem de entrar por dentro e procurar jogo interior com os companheiros. Um jogador mais do ponto de vista da compreensão do jogo e que pode ser muito útil.



- Franco Jara continua a ser uma decepção pelos minutos que continua a ter. Um jogador com a sua pouca competência ao nível da compreensão e tomada de decisão em jogo não pode jogar numa equipa da dimensão do Benfica, sobretudo se também não for especialmente forte em mais nenhum aspecto.

- João Teixeira, tal como escrevemos atrás, é ali que pode acrescentar algo à equipa, na posição 8. Pela agilidade, capacidade de acelerar e de progredir com bola. Mas atenção, é um teste com o Sion. No entanto, tem qualidade.


- Bebé voltou a jogar encostado à faixa mas parece-nos que crescerá muito jogado pelo corredor central. Tem de perceber mais o jogo e saber que espaços pisar e de que forma jogar mas tem muitas condições pela capacidade de jogar entre-linhas e na forma como sai do drible para a finalização.

- Ola John teve um jogo apagado, ao contrário do que vinha fazendo, mas a qualidade está lá. Há um lance na 2ª parte que parte em progressão pelo corredor central, com a movimentação fixa o defesa e cria o espaço para a entrada do médio que isola com um passe letal. Definidor do que pode acrescentar.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Prospecção: Ary Papel




O Girabola tem um talento a despontar nas suas fileiras. O nome até pode parecer estranho mas com a bola nos pés o talentoso jogador angolano dá uma vida diferente ao ataque da sua equipa. Joga descaído numa ala, sobretudo a esquerda de onde gosta de flectir para espaços interiores, com grande qualidade no um contra um e na forma como toma decisões e interage no jogo colectivo. Gosta de receber direccionado para partir para cima, mas sabe também jogar apoiado e procurar espaços para finalizar. Um jogador que já é internacional A e que promete dar que falar se olharem para ele.

Tem um leque de dribles que nunca mais acaba mas não se torna dependente dessas acções individuais. É regular nas suas decisões e tem a anarquia própria do jogador africano. Um talento.


Nacionalidade: Angola
Data de Nascimento: 03-03-1994 (20 anos)
Altura/Peso: 170 cm / 71 kg
Posição: Extremo Esquerdo
Clube: 1º de Agosto

Benfica pré-época 2



Ola John. Basta pesquisar na caixa do blog pelo nome do holandês para ser fácil perceber a ideia que temos dele. Extremo de qualidade, forte em largura mas também por dentro, tem tomada de decisão como nenhum e talento para arranjar espaços como poucos. É descredibilizado por não ser um jogador repentista como os colegas, mas a temporização, tomada de decisão e capacidade de jogar 1x1 tornam-no um elemento que tem de ganhar destaque na equipa do Benfica.
Eliseu vai ser figura da equipa a breve espaço. Primeiro pela qualidade que tem, segundo pela confiança que o treinador deposita nele. Pode até ter alguns kilos a mais mas um jogador tão rotinado a jogar numa das ligas mais competitivas do Mundo, semana após semana, vai facilmente fazer a diferença. E porque encaixa na perfeição no que o treinador pede. Capacidade de jogar por dentro e por fora, velocidade, um leque de opções vasto a nível de drible e uma meia distância que pode ser um upgrade a esta equipa.

Franco Jara é a antítese do que vemos em Ola John. Qualidades físicas mas perdeu muito do que mostrou nos primeiros anos na Argentina. A irreverência e capacidade individual quase anárquica de resolver lances foi-se diluindo no tempo e é agora um jogador sempre em esforço, com péssima tomada de decisão e extremamente irregular nas suas acções. Um pouco à imagem do que achamos de Urreta.

sábado, 26 de julho de 2014

As primeiras notas da pré-época



Talisca - Jogador que no Brasil era um avançado, sem responsabilidades defensivas, que jogava também por vezes no apoio directo a um jogador mais fixo ou descaído numa ala. As suas qualidades são muitas e JJ está a tentar ensinar-lhe como jogar a 8 no modelo do Benfica. Competência tem para isso. Qualidade técnica, agressividade, potência em progressão e penetração e uma passada que queima imensos metros e junta sectores com uma facilidade incrível. Pode até demorar, mas é um grande jogador em perspectiva.

César - O jogador que mais tem impressionado. Ainda algo verde em termos posicionais e com algumas dificuldades em perceber certos posicionamentos mas com uma margem muito grande. Muito forte em antecipação, tanto por baixo ou pelo ar, tem qualidade técnica e atrevimento de jogador de equipa grande. Precisa trabalhar e dosear a necessidade de sair com bola em todas as situações. Pode vir a ser uma excelente surpresa.

Luis Filipe - É o que já tínhamos visto dele no Palmeiras. Dá profundidade pelo corredor mas sem grandes argumentos técnicos. Baseia-se na agressividade e atitude. Alguns problemas a nível defensivo e terá dificuldade em assumir-se no Benfica.

Derley - Jogador diferente dos restantes do plantel. Um "bicho" de área, agressivo, forte tecnicamente, bom de cabeça e com sentido de baliza. Sabe jogar de costas, segurar e sair também em drible direccionado para a baliza. Pode ter alguns problemas de adaptação inicialmente por ter muito menos espaço e metros até à baliza mas tem perfil de equipa grande.

Bebé - O mais recente reforço do Benfica é um jogador de qualidade que pode crescer muito no Benfica. Assume o jogo como poucos e chama a si os momentos do jogo. Deixou de ser um extremo para passar a ser um jogador interior, anarca, ainda, mas com capacidade como poucos para partir no um contra um e dotado de enorme capacidade de remate com ambos os pés. 

João Teixeira - Nunca foi um 6 mas percebe-se a ideia por alguma escassez de capacidade ofensiva e drible. Ainda assim muito forte em progressão e na forma como pega no jogo e assume o mesmo. É ainda algo cru em termos posicionais e na tomada de decisão.

Loris Benito - Um bom lateral mas não para titular. Dá alguma qualidade ofensiva, embora sem grande talento. Não é forte por dentro, mas dá largura e sabe cruzar com qualidade. Defensivamente pode ter problemas quando apanhar jogador rápidos.

Candeias - Sempre pensei que o iríamos ver como lateral. É curto para a posição de ala, mas um jogador perfeitamente adaptado ao nosso campeonato e em fase de rendimento total. Cruza bem e aparece em zonas de finalização, mas parece-nos que enfrentará problemas para se assumir no clube.

Víctor Andrade - Não compreendo o sentido da contratação de um jogador com a sua (não) qualidade. Algo preso de movimentos e sem a capacidade de ter jogo de outrora.

João Cancelo - Um jogador que embora tenha uma margem enorme continua a tornar-se banal. Tomada de decisão horrível, não só com bola, mas na forma como desprotege todo o sector defensivo da sua equipa. Com Jesus vai ter muita dificuldade.

Jardel - Continua a ser descredibilizado por muita gente que não compreende a qualidade que acrescenta a esta equipa. Extremamente rápido, inteligente nas abordagens, muito forte na antecipação e que dá qualidade nas bolas paradas. Um jogador que se pode assumir no Benfica e que discutirá com César uma das vagas da defesa caso Lisandro não conte.

Noutra vertente, parece-nos fundamental que o Benfica volte a contar com Nico Gaitán para a nova época. Jogador a atingir o auge da sua carreira, um virtuoso, capaz de dar qualidade extra ao Benfica neste modelo pela forma como se incorpora por dentro e se torna um terceiro médio a ligar sectores. Já para não falar de Enzo e de tudo o que seria diferente no Benfica sem ele. Mesmo após as muitas saídas, o sucesso do Benfica este ano pode estar na permanência, ou não, destes dois jogadores.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Prospecção: Kamer Qaka



Ainda com idade de Junior, a Noruega tem nas suas equipas um talento que promete dar que falar assim apostem nas suas qualidades. Qaka é a principal figura da selecção sub-19 do seu país e joga actualmente na 2ª Liga Norueguesa depois de ter passado pelas camadas jovens do Valerenga. Joga na posição 6 a pautar os ritmos de jogo da equipa, sempre com grande intensidade e dinamismo. Tecnicamente é um jogador dotado, ambidestro, com qualidade no drible e no transporte, o que faz parecer que pode também jogar como médio de ligação, mais à frente.

Tacticamente compreende os momentos do jogo, ainda não é um jogador muito forte em termos de desarme, mas compensa pela inteligência posicional e capacidade de antecipação.

Nacionalidade: Noruega
Data de Nascimento: 11-04-1995 (19 anos)
Altura/Peso: 170 cm / 65 kg
Posição: Médio Defensivo/Médio Centro
Clube: Honefoss

Época               Clube           Jogos           Golos
2014               Honefoss          11                  0

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Yannick Gerhardt



Importa analisar primeiramente o contexto. O Colónia joga num 4-3-3 onde Yannick Gerhardt se assume como o interior esquerdo, sendo o médio com maior liberdade na 2ª e 3ª fase da equipa. Futebol de transição, de organização defensiva e saída rápida. Gerhardt tem de se adaptar ao contexto mas vendo o futebol que pratica na selecção percebe-se o porquê do destaque que faz o Benfica pagar por ele.

Jogador elegante, fino recorte, tem passada larga e capacidade física. Cerca de 1,84cm, queima metros com facilidade, embora não seja muito intenso ou dinâmico nas suas acções, sobretudo em termos de aceleração. É um jogador pausado, que pensa o jogo, joga de forma muito prática e simples, quase sempre a um/dois toques. É aqui que se destaca. Recebe, já de cabeça levantada e com opção tomada. Raramente perde bola neste tipo de acções, pois define bem, e com qualidade.

Em termos técnicos é muito forte. Em todas as acções. Tem poder de elevação e vai lá acima embora não com muita frequência. Apesar de ser algo frágil no choque, tem técnica de desarme, pois sabe posicionar-se e ler os lances. Recupera algumas bolas. Em termos de passe é forte no curto, médio e longo, embora não estique com frequência, porque o seu ADN é outro.

Jogador que se assume no jogo, nunca se escondendo. É fácil observá-lo a baixar à 1ª fase de construção para ter bola. Passa e movimenta-se rapidamente para receber novamente. Jogador de posse, de jogo apoiado, de toque curto e progressão em manutenção da posse. Tem pormenores de qualidade e joga também com o pé não dominante.

Apesar de o ter visto sempre numa posição de interior, como médio de ligação ou 8, percebe-se que pelas aptidões que apresenta pode ser um jogador facilmente adaptável à posição 6 de uma equipa grande. Pela qualidade de passe, pela forma como joga (vem sempre buscar jogo), pela tomada de decisão e interpretação do jogo, pode ser um 6 de nível de selecção alemã. Jogador de muita qualidade que o Benfica foi à Alemanha contratar.

Prospecção: Lukas Spalvis



Está a crescer na Dinamarca um jogador que promete dar que falar. Já tinha ficado na retina no recente europeu sub-19, mas o seu final de época pelo AaB, com a subida à equipa principal, tornaram-no numa das maiores surpresas dos últimos meses.

Avançado de posição, jogador na senda dos que vão aparecendo naquele país, e de muita qualidade. Não é muito móvel em termos posicionais, mas tem velocidade e muita capacidade de antecipação. É bom a nível técnico, joga bem de cabeça, sabe jogar de costas e trabalhar os lances, aparecendo com muita qualidade a finalizar onde se torna letal. Pé esquerdo de qualidade, remata quase sempre forte, não faz cerimónia. 

Já opção na selecção A da Lituânia, reservando-se para ele um futuro brilhante. Tem o seu passe avaliado em cerca de 200 mil €. Um jogador para seguir com atenção.



Nacionalidade: Lituânia
Data de Nascimento: 27-07-1994 (19 anos)
Altura/Peso: 185 cm / 75 kg
Posição: Avançado
Clube: AaB

Época               Clube           Jogos           Golos
2013/14            AaB               17                  8

Prospecção: João Mário


Basta pesquisar no arquivo do blog para perceber a nossa admiração por este jogador. Promete ser uma das grandes confirmações na próxima temporada se olharem para ele como tal. João Mário é um jogador que pode construir uma carreira brilhante no nosso futebol. Atingiu a maturidade futebolística e está num patamar de rendimento muito elevado.

Jogador de uma compreensão do jogo e capacidade posicional de grande nível, assume-se sempre como uma referência na 1ª fase de construção das suas equipas. Qualidade técnica, capacidade de passe curta, média e longa, joga em combinações directas curtas ou assume ele próprio um esticar de jogo que lhe revela uma enorme aptidão no passe. Pode jogar como 6, 8 ou 10, acaba por ser um jogador que pelo talento que tem compreende e executa qualquer missão que lhe é pedida no corredor central. Chega bem à frente e é letal no último passe. É um jogador para surpreender ainda mais quem tem andado desatento. Para seguir de perto.


Nacionalidade: Portugal
Data de Nascimento: 19-01-1993 (21 anos)
Altura/Peso: 179 cm / 72 kg
Posição: Médio Centro
Clube: Sporting

Época               Clube           Jogos           Golos
2013/14  SCP B/Vit.Setúbal    28                 0
2012/13      Sporting A/B         32                 1

terça-feira, 3 de junho de 2014

Prospecção: Michy Batshuayi




Nascido em Bruxelas, com nacionalidade congolesa, Michy Batshuayi é um dos avançados do momento do panorama do futebol Europeu. Cumpriu uma época de muita qualidade ao serviço do Standard de Liége e assume-se num estado de maturação futebolística que lhe permitirá certamente dar o salto neste mercado de verão.

Jogador de corredor central, é sobretudo forte fisicamente e denota uma enorme facilidade de remate, fruto de ser ambidestro. Sabe segurar bem, joga de costas para a baliza com qualidade, é intenso e muito potente. Essas características inatas não lhe fazem perder mobilidade, embora não seja um jogador muito veloz. Gosta de jogar por fora, tem capacidade técnica acima da média e é muito frio em situações de finalização. Tem um óptimo sentido de oportunidade e antecipação. Precisa crescer ao nível do cabeceamento mas é um jogador que pode atingir um nível muito alto. Para seguir.



Nacionalidade: Bélgica
Data de Nascimento: 02-10-1993 (20 anos)
Altura/Peso: 180 cm / 78 kg
Posição: Avançado
Clube: Standard

Época               Clube           Jogos           Golos
2013/14          Standard           38                21
2012/13          Standard           34                12
2011/12          Standard           23                6

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Prospecção: Kevin Kampl




O Red Bull foi uma das surpresas da época sobretudo pela forma como jogou na Europa. Nas suas fileiras joga um jogador todo o terreno de enorme qualidade. Kampl é um dos talentos emergentes do futebol europeu. Nascido na Alemanha e com nacionalidade eslovena, foi formado nas escolas do Leverkusen e assume-se agora como um jogador de muita qualidade.

Joga por dentro ou por fora, embora seja pelo corredor central que potencia as suas qualidades. Muito forte em progressão e penetração, dribla com qualidade e é muito intenso na forma como parte para cima e executa as suas acções. É culto, percebe o jogo, gosta de entrar em combinações directas e aparece com muita qualidade a finalizar. Um jogador de imensa qualidade que vai dar o salto.


Nacionalidade: Eslovénia
Data de Nascimento: 09-10-1990 (23 anos)
Altura/Peso: 180 cm / 63 kg
Posição: Médio Ofensivo/Extremo
Clube: RedBull Salzburg

Época               Clube           Jogos           Golos
2013/14           RedBull            33                9
2012/13           RedBull            23                4
2011/12           Osnabruck       35                2      

terça-feira, 20 de maio de 2014

A convocatória e sobretudo Vieirinha e Rafa


Paulo Bento divulgou hoje a lista de convocados para o Mundial do Brasil. Apesar de haver um seleccionador em cada português esta é uma lista que apoiamos a 100%. Sobretudo pelo facto de Danny e Tiago, dois titulares de caras na nossa óptica, não estarem dentro do enquadramento de possíveis seleccionáveis.

Mas este post é para falar dos nomes mais discutidos no dia de hoje: Vieirinha e Rafa. Vamos começar pelo segundo. Rafa fez uma grande época ao serviço do Braga. É o elemento mais jovem a par de William Carvalho dos eleitos. Mas leva-nos a uma discussão muito mais abrangente do que questionar ou não a sua qualidade para estar nos eleitos.


Rafa é um jogador de muita qualidade e com características ainda abertas ao trabalho. Pode jogar por dentro ou por fora com o mesmo rendimento e oferece diversas possibilidades ao seleccionador. Mas como é possível um talento tão grande como acreditamos ser o seu, ter andado pelo pelado do Alverca e pelo Povoense, sem ter despertado à atenção dos grandes?

Já aqui e aqui abordámos esta questão e voltamos a fazê-lo. Porque motivo este jogador em contextos teoricamente onde cresceria menos, não teria os melhores treinadores, os melhores treinos, os melhores colegas, as melhores condições, evoluiu mais que todos os outros da sua geração ao ponto de estar nos convocados para o Mundial? E aqui sempre acreditámos nele para isto. Leia aqui

Outro assunto é o de Vieirinha e importa perceber esta escolha. Sabemos que um grupo não se faz de 23 titulares. E Vieirinha ambiciona sê-lo mas sabe, primeiramente, qual o seu lugar. E o seu discurso após a chamada revela isso mesmo:

"Sinceramente não esperava ser convocado. Só tenho de agradecer a Paulo Bento e prometer-lhe que vou dar o máximo para justificar esta aposta".


Paulo Bento sabe que Nani e Ronaldo serão os titulares. Sabe que tem Varela, até Rafa. Mas tirou o joker Vieirinha. Um jogador que enfrentou uma grave lesão, ninguém dava nada por ele esta época, e agora é convocado? Paulo Bento faz uma jogada de mestre a nível psicológico e sabe que pelo menos Vieirinha, dará tudo o que tiver e não tiver em campo em forma de agradecimento por esta aposta. Ah! E qualidade tem mais que muita!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Relatório Sevilha: ao cuidado de JJ



Onze esperado:
Beto; Diogo Figueiras, Pareja, Fazio e Navarro; Carriço e Mbia; Vitolo, Reyes, Rakitic; Bacca.

Organização Ofensiva

- Equipa organizada em 4x3x3 ou 4x2x3x1. Esquema inconsistente do ponto de vista da rigidez posicional mas com bons resultados. Grande espírito e muito abnegados. Vocação ofensiva, bastante verticais e objectivos. Construção de jogo rápida e intensa, procuram apoios frontais e combinações directas em ritmo alto. Intensidade constante. Muito eficientes na zona de decisão. Se tiverem espaço para decidir são letais.

- 1ª fase de construção é lenta mas segura. Centrais circulam a bola procurando situações para explorar jogo vertical em Bacca ou Vitolo. Um dos interiores (normalmente o que joga com Mbia) equilibra a zona defensiva, subindo um dos laterais para a zona onde a bola é batida (procuram estar em vantagem numérica para a 2ª bola). Objectivo é chegar rápido ao meio-campo adversário e aí tentar combinações para explorar movimentos interiores dos extremos.

- 2ª fase de construção não apresenta qualquer tipo de padrão. Modelo de jogo com os extremos constantemente por dentro e com liberdade. Procuram através desses movimentos superioridades numéricas pelo corredor central. Apenas laterais são garantia de largura no jogo mas são utilizados apenas como suporte (se jogar Alberto pode ser mais perigoso em progressão).

- Pelo modelo de jogo que apresentam, um dos interiores (normalmente Mbia) incorpora-se em penetrações pelo corredor central. Rakitic não tem posição fixa, procura jogar livre, explorando espaços para poder decidir último passe (faz muitos movimentos de dentro para fora procurando espaço deixado pelos extremos).

- Fazem um jogo de paciência na 1ª fase mas que altura completamente na 3ª fase onde tentam acelerar e explorar movimentos de Bacca. O colombiano é muito chato e procura sempre movimentar-se oferecendo linhas para progressão aos três que o apoiam ou movimenta-se no sentido de receber em ruptura nas costas dos centrais (muito perigosos nesta situação!).

- Equipa que não primazia profundidade pelos corredores laterais. Tenta sempre oferecer opções para jogar por dentro em progressões ou combinações directas. Situações de cruzamentos a partir dos corredores laterais muito pouco frequentes.

- Jogo muito vertical na 1ª fase de construção. Raramente arriscam e preferem sempre adoptar uma postura de segurança. Exploram jogo directo em Bacca ou na tentativa de um apoio frontal de Rakitic.

- Muita liberdade dada aos extremos e a Rakitic que posicionam-se um pouco por toda a frente de ataque procurando jogo rápido, intenso e imprevisível de combinações directas. Bacca fortíssimo neste aspecto pela inteligência posicional e Rakitic pela qualidade na decisão e no passe.

Transição ofensiva

- Muito rápidos e objectivos. Procuram imediatamente explorar Bacca em profundidade. Quando não conseguem, entram em posse e jogo de paciência, embora invariavelmente procurem acelerar o jogo rapidamente.

- Movimentos dos extremos sempre a procurar receber e acelerar para o corredor central tendo como referências Bacca e Rakitic que oferecem linhas de passe. Tentam criar situação de 3x3 ou 3x2 pelo corredor central com progressão de um dos extremos.

- Reyes e Vitolo sempre por dentro, Marin também. Navarro dá muito pouco apoio neste tipo de situações e tem muita dificuldade em recuperar (Alberto é muito mais forte). Figueiras também mais forte que Coke aqui.

- Muito perigosos neste momento do jogo. Bacca pela capacidade de movimentar-se e acelerar se tiver espaço nas costas. Rakitic pela decisão. Reyes e Vitolo ou Marin pela qualidade a jogar por dentro e mecanização de combinações com Bacca. Muita mobilidade.

Organização Defensiva

- Equipa organizada em 4x2x3x1 ou 4x1x3x2. Bloco médio. Vocação ofensiva e mobilidade dos 4 jogadores mais ofensivos deixa-os muito desprotegidos posicionalmente e é usual terem vários jogadores fora de posição. Procuram pressionar rápido e retirar tempo ao portador mas de forma pouco controlada e equilibrada. Muitos problemas. Tanto pressionam procurando abafar como temporizam e entram em contenção. Pouco critério.

- Numa primeira fase Rakitic baixa evitando entradas por dentro de passes. Quando a equipa se equilibra sai de posição e junta-se a Bacca para pressionar. Extremos fecham completamente por dentro, como interiores, ao lado de Mbia e Carriço. O português quando isto acontece posiciona-se quase como 3º central ou directamente na posição 6.

- Equipa muito forte a fechar espaços no corredor central, obrigando o adversário a tentar entrar sempre por fora. Muito consistentes aqui, embora hajam desconcentrações e saídas de posição de jogadores para pressionar sem ter complementaridade colectiva. Alguns problemas aqui.

- Muito espaço concedido nos corredores laterais e nas costas dos seus defesas laterais. Importante para quebrar oferecer linhas de passe constantes ao jogador do corredor lateral para garantir situações de 2x1 porque alguém acaba por ter de sair ao portador da bola.

- Muitas dificuldades dos defesas laterais em bolas aéreas, sobretudo em cruzamentos ao 2º poste. Sobretudo Diogo Figueiras é muito hesitante e erra frequentemente aqui. Demora muito a fechar e tem dificuldade em fazê-lo (marca mal, normalmente sempre perto do homem - dá espaço no corredor central). Navarro o melhor dos defesas laterais a defender.

- Dupla de centrais altamente consistente. Fazio raramente perde um lance pelo ar, muito agressivo e forte fisicamente, joga bem em antecipação. Pareja mais forte posicionalmente, mais móvel e mais forte nas dobras.

Transição defensiva

- Equipa partida e inconsistente. Se jogar Navarro, explorar muito, é fraco e tem muita dificuldade em recuperar o seu espaço. Laterais com vocação ofensiva e extremos muito por dentro abrem muito espaço nos corredores para saídas rápidas.

- Muito agressivos e impetuosos na tentativa de evitar contra-ataque do adversário. Demoram a posicionar-se e acabam por correr muito atrás do portador tentando retirar-lhe tempo e espaço para decidir.

- São altamente inconsistentes aqui. Se houver saídas rápidas pelos corredores laterais com linhas de passe oferecidas pelos avançados em ruptura podem ter muitos problemas. Tentar tirar o jogo da zona de pressão, pois procuram fechar todos os caminhos para não serem apanhados em inferioridades numéricas.

- Bacca e Rakitic praticamente não defendem. Vitolo e Reyes muito disponíveis para auxiliar defensivamente mas sempre sem grande critério posicional.

Bolas paradas a favor

- Padrão total. Todos os lances são para Fazio. Rakitic marca cantos e livres de qualquer zona do campo. Têm uma particularidade. Procuram colocar sempre algum jogador a fazer bloqueio, de forma a evitar acompanhamento do marcador directo de Fazio. Normalmente são bem sucedidos e consegue aparecer em boa situação para finalizar.

- Cantos e livres laterais sempre batidos para a marca de penalty onde Fazio aparece vindo de trás para tentar cabecear. Mbia também forte neste aspecto mas a referência é o argentino. 

- Rakitic muita qualidade de execução. Evitar faltas em zonas próximas da área.

Bolas paradas contra

- Marcação H-H em quase todas as situações. Bastante agressivos neste tipo de situações (tentar explorar eventuais agarrões).

- Cantos contra, deixam um homem no 1º poste e outro na linha da pequena área, no seu primeiro terço em relação ao lado onde a bola é batida. Os outros marcam individualmente.

- Livres frontais colocam 5 ou 6 homens na barreira e saltam sempre (pode-se explorar).

Notas a destacar

- Muita qualidade na 3ª e 4ª fase. Mobilidade ofensiva de grande nível. Bacca muito perigoso quando tem espaço nas costas. Rakitic e os extremos muito perigosos quando conseguem penetrações pelo corredor central.

- Fortes na transição ofensiva. Altamente motivados e consistentes.

- Fazio muito forte em quase todos os momentos. Jogador muito difícil de ultrapassar e imperial nas alturas.

- Altamente inconsistentes em transição defensiva. Podem ser muito explorados por aqui. Desposicionam-se, não têm critério a sair ao portador da bola e dão espaços que podem vir a ser letais.



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