segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Exercício: Zona decisão e construção



Porque não queremos apenas apontar os defeitos do futebol de Paulo Fonseca, deixamos um exercício que pode ser executável pelo treinador do Porto, e não só. Visa a zona de decisão e construção, procurando intensidade máxima e a criação de dinâmicas colectivas que podem ser ganhas através de situações padrão nas condicionantes ou do simples ganho de rotinas através das próprias movimentações colectivas a fim de resolução do problema.

Ficamos a aguardar comentários.

Ainda a zona de criação do Porto


No seguimento de um artigo que colocámos mais atrás sobre o insucesso do futebol do Porto de Paulo Fonseca, e olhando rapidamente para o jogo de Coimbra, resta-nos dizer que mais uma vez se confirmou que a equipa está muito longe de apresentar um futebol colectivo de qualidade, e que o mesmo se deve única e exclusivamente ao modelo de jogo e más decisões que têm sido tomadas pelo treinador.

Foi estranho ver Quintero neste jogo e perceber o quão alheado está no jogo da equipa. A sua qualidade é inquestionável quanto a nós, mas aflige-nos ver um jogador da sua dimensão ter de receber a bola e não saber o que lhe fazer. Ou porque a equipa não se movimenta como ele espera. Ou porque os colegas dão más opções. Ou porque ele está num lugar que não devia estar. Muita coisa haveria para questionar acerca do posicionamento dele em Coimbra: Extremo esquerdo? Terá tentado Paulo Fonseca colocá-lo à força no onze de forma a calar a crítica?

Quintero andou desaparecido do jogo e raramente pisou as zonas onde pode realmente fazer a diferença: corredor central ou flanco direito em penetrações interiores. Até o pode ter feito algumas vezes mas inserido num modelo de jogo inexistente de dinâmicas colectivas e sem qualquer tipo de criatividade na zona de construção e decisão. Mais uma vez se prova que posse de bola em excesso quando não objectiva e direccionada para a criação de espaços e superioridades numéricas dá nisto: futebol horrível.

E hoje, vimos jogar Juan Iturbe. Já o tinhamos visto em outros jogos da Série A este ano mas sobretudo temos algumas notas do seu desempenho na pré-época. Apesar das decisões não serem as melhores em alguns lances, o Porto necessita de um jogador com este perfil. Capaz de pegar no jogo e assumi-lo, encarar adversários sem receio do erro e procurar o desequilíbrio através de armas que a equipa não dispõe.

Iturbe fez um golaço à Fiorentina, no seguimento de outros excelentes apontamentos que teve na pré-temporada, e a única questão com a sua não inclusão no plantel só se pode dever a algum caso de dificuldade em inserir-se como uma alternativa no grupo de trabalho ou qualquer outro handicap que tenha em relação ao perfil psicológico ou de trabalho para o que o Porto pretende. Não encontro outra razão, porque futebol Iturbe tem muito para dar a vender.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Como o modelo de jogo evidencia os talentos



E as notas mais relevantes do futebol europeu, passando pelo novo Bayern Munique, o modelo do CSKA, uma curta de Madrid e o que importa realmente falar: Rodrigo.

Basta escrever o nome de Rodrigo Moreno no nosso item de pesquisa para perceber o que achamos sobre o espanhol que joga no Benfica. Não estamos a escrever este texto para voltar a evidenciar as qualidades que acreditamos que tem, neste momento muito positivo para ele, mas sim procurar dissecar o porquê de ter voltado a aparecer num momento decisivo, assim como outras notas sobre o futebol actual.

Entrando aos 87 minutos de um jogo que está empatado, e que só é aceitável a vitória e, sem querer dar qualquer tipo de amadorismo a Jorge Jesus, é óbvio que por muitas indicações que sejam dadas, o avançado que entra só pretende ter uma bola de golo para ficar na história. Em detrimento das missões colectivas e dos posicionamentos desejados pelo técnico, o jogador quer acima de tudo evidenciar-se.

E Rodrigo entrou para fazer o que mais gosta e que tanta vez é proibido de fazer no Benfica: jogar como elemento mais ofensivo e experimentar alguns movimentos de ruptura sem bola pedindo bola nas costas da defesa. Continuamos a dizer que é o melhor avançado do Benfica no seu todo e entrou para a história ao marcar o golo decisivo da primeira vitória de sempre no terreno do Anderlecht. Não se espante, contudo, se nos próximos 2 ou 3 jogos, apenas vir Rodrigo a aquecer sem ter qualquer minuto de jogo.



Olhando para o CSKA-Bayern. Os russos somos fãs do seu futebol. Jogo apoiado, um misto de posse e transições, quase sempre bem definido pelo seu cabeça de cartaz - o japonês Honda - com outro tipo de argumentos a nível ofensivo, sobretudo se estivessem em jogo Dzagoev e Dumbia a história podia ter sido outra. 

Parece-me que ganharão com relativa facilidade o campeonato e continuarão a ser a equipa mais forte da Rússia. Bom treinador, equipa bem organizada e com processos muito interessantes, modelo agradável para os fãs da posse e aqueles que procuram um futebol mais vertical e objectivo. Para continuar a seguir.

Guardiola continua a colocar o seu cunho pessoal na equipa que me parece, neste momento, mais forte do que alguma vez foi o "seu" Barcelona. Sobretudo pelas individualidades que dão dinâmicas ao modelo de jogo impossíveis dos espanhóis terem. Refiro-me naturalmente à aceleração do jogo e à objectividade dos alemães em processos rápidos e que exploram muito mais o desequilíbrio do adversário.

Mas continuo sem perceber a fixação de Guardiola em alguns momentos. Bater cantos curtos, todos os que dispõe, quando tem jogadores fortíssimos no jogo aéreo? Não pode cair no exagero sob pena de tornar a equipa mais fraca do que poderia ser. É que fazê-lo num Barcelona onde a média é o metro e setenta e cinco, é aceitável. Neste Bayern não.

E para os fãs de um futebol "barcelonizado", basta ver a forma como surge o primeiro golo. Velocidade, explorar o desequilíbrio do adversário, cruzamento (muito criticado) e finalização. Processos eficazes que não podem cair no campo do exagero.



Falando de Bale. Sou defensor que um jogador quando atinge patamares de excelência não deve mudar o contexto. Quero com isto dizer que se o fez, tirando excepções, é porque o modelo da equipa o potenciou e as dinâmicas colectivas foram criadas para lhe dar situações de sucesso e em que ele fez toda a diferença pela qualidade individual.

Foi assim com Bale no Tottenham. Arrisco dizer que em termos de desempenho individual foi top3 na temporada passada, daquilo que eu vi. Números excelentes para o rendimento global do colectivo e sempre a ser chamado nas alturas das decisões num colectivo sem grandes argumentos e em que ele tinha de tirar coelhos da cartola de forma regular e foram tantas as vezes que o conseguiu...

Mas no Real o futebol é outro e sobretudo a equipa está mecanizada de outra forma. Ronaldo é e tem de ser o centro das atenções mas Bale, apesar da qualidade e do acrescento de qualidade que pode originar, acabará por estar menos em foco e com um rendimento individual menor face ao que poderia estar se, porventura, estivesse numa equipa moldada em seu redor.

domingo, 24 de novembro de 2013

Prospecção: Ángel Correa



Muita atenção a este jogador que actua no campeonato argentino. Promessa... e das grandes. Correa tem imenso futebol nos pés e promete dar muito que falar. Joga solto no ataque ou numa posição mais recuada, que lhe permita progredir com bola, é nesse movimento que faz muita diferença. Veloz (bastante), forte na penetração, é intenso e joga com ambos os pés o que lhe facilita imenso a definição dos lances. Com apenas 18 anos e já a um nível muito interessante, precisa crescer na tomada de decisão (o que será um processo contínuo, visto a tenra idade) mas é um jogador que promete muito. Para seguir com atenção.



Nacionalidade: Argentina
Data de Nascimento: 09-03-1995 (18 anos)
Altura/Peso: 176 cm / 70 kg
Posição: Médio Ofensivo/Avançado
Clube: San Lorenzo

Época               Clube           Jogos           Golos
2013            San Lorenzo       16                  4
2012            San Lorenzo       13                  4

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Continuamos a acertar...

...e a esperar pelo dia que o Japão surpreenda o Mundo... e pode ser já em 2014. A forma personalizada com que jogam e vencem a poderosa Bélgica pode ser vista aqui.

     

Futebol de alta qualidade, colectivo, apoiado, intenso. E com golos de Osako e Kakitani

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Adivinhe quem vimos hoje...



Sim, ele mesmo. Lisandro Lopez ao serviço do Al Gharafa do Qatar. Parado, paradinho. E aos 30 anos. Pergunto-me, pela sua qualidade, em quantas equipas de nível médio/alto na Europa poderia estar a jogar. Talento puro e qualidade técnica em quase tudo o que fazia. E aqui conjugamos no passado pois não acreditamos que volte ao que era.

Sobretudo porque o jogador de futebol vive da competição. Das suas exigências, das suas ambições, dos seus objectivos. Não é preciso pensar muito para perceber qual a actual motivação do argentino no médio oriente. Mas custa vê-lo tão longe do que já foi. E com tanto para dar. Vamos recordá-lo pelo que já foi (num tempo não muito distante).

domingo, 17 de novembro de 2013

Problemas na Selecção: Vamos mais longe



Não é surpresa para ninguém as discussões nos bastidores em relação às escolhas de Paulo Bento e aos problemas que tem tido com alguns jogadores. Este texto não pretende apenas esmiuçar o rendimento e as escolhas de alguns jogadores, mas também falar sobre o que (não) joga a selecção de Portugal.

É confrangedor ver jogar esta equipa 90 minutos. Não é exagero. Portugal joga pouco, joga mal, e depende sempre de um lance individual bem definido para superar problemas. Não esperamos que existam grandes rotinas ou um modelo de jogo apelativo do nosso país. Impossível esperá-lo. Basta olhar para a nossa Liga e para as divisões secundárias. Quantos treinadores partilham das mesmas ideias? Quantas equipas têm um modelo de jogo semelhante? Qual é a base formativa da FPF nas suas diversas equipas? Modelos de jogo transversais? Sistemas tácticos semelhantes? 

Bem, a resposta é quase sempre o número mais baixo possível. E basta olhar para a selecção sub-21. É uma boa geração de jogadores, é verdade, sobretudo para o rendimento que oferecem em idade ainda prematura. A margem de alguns não é elevada, ressalve-se. Nunca fomos a favor da corrente e sempre encontramos problemas em Ivan Cavaleiro para ser jogador de Benfica (basta pesquisar no blog). Mas justifica-se jogar uma selecção num 4x4x2 quando todas as outras o fazem em 4x3x3?

Que dinâmicas são transversais ou adaptáveis a um e outro sistema? Falando em modelos. E pegando no Paulo Oliveira, dos sub-21 e do Vitória de Guimarães. Como queremos que o modelo do sair a jogar, do passe curto e futebol apoiado transversal às selecções seja interpretado por um jogador que todos os dias encarna um modelo no clube onde o futebol directo é prioridade e passa a sua acção específica a bater bolas longas na figura do avançado (primeiro Amido Baldé e agora Maazou)?

Aqui entraríamos na forma como o jogo é visto em Portugal pelos seus intervenientes e pelos media/adeptos mas deixemos para uma outra oportunidade ou para a caixa de comentários. Vamos para as escolhas de Paulo Bento.

O povo não reclama, e a imprensa pouco fala. Mas um jogador, que é claramente top3 em termos de qualidade do jogador português, não entrar numa lista de 18/20 jogadores de uma selecção é brincar ao futebol e a outros interesses instalados. Sim, falamos de Danny do Zenit. As pessoas não acompanham o futebol russo e por isso desconhecem muitas delas o seu futebol. Mas vamos apresentá-lo, só pelo que fez esta época. 15 jogos, 10 golos. Sim, como extremo.



É um jogador tremendo quando joga entre-linhas. Por vezes peca em querer adornar em demasia mas em tudo o resto é fortíssimo. Tomada de decisão, qualidade em progressão, técnica, drible. É muito mais jogador do que Nani. E falamos em top3 exactamente para falar sobre o extremo do Manchester United.

O que faz actualmente para justificar o estatuto? Poucas são as vezes que vence uma situação de 1x1 ou cruza com qualidade. As decisões continuam a não estar ao nível do exigível e em termos físicos parece algo desgastado e longe da forma que o notabilizou. Quando oiço comentadores dizer que Varela já merecia o lugar de Nani na selecção, não referindo Danny, é indesculpável.

Mas há mais. Manuel Fernandes tem sempre lugar em qualquer selecção. Pelo que joga e faz jogar. Passou ao lado de uma carreira brilhante muito pelo feitio e más decisões que tomou, mas tem qualidade que sobre para jogar em muitos clubes da elite europeia. Estará a regularidade (nível médio/baixo) do Miguel Veloso acima do que poderia acrescentar o Manuel Fernandes ao futebol da equipa? Até como 6?

A questão do avançado. Postiga é o tipo de jogador que faz tudo bem menos marcar. Não vale a pena continuar a encontrar teorias e explicações para o seu insucesso na finalização. A verdade é que Nelson Oliveira está a fazer uma época muito boa e desapareceu das escolhas. Problemas, dizem alguns...

As internacionalizações de Licá e Josué são questionáveis. Razão pela qual perguntamos nunca foi Vítor chamado enquanto brilhava no Paços. É preciso atingir um certo estatuto para integrar as escolhas? É que o rendimento parece continuar a ser deixado de parte.

O nosso melhor 11 da selecção seria, hoje, este: Rui Patrício; Sílvio, Pepe, Bruno Alves e Coentrão; Manuel Fernandes, Moutinho e Meireles; Danny, Vieirinha e Ronaldo.

sábado, 16 de novembro de 2013

Prospecção: Yuya Osako



Osako é actualmente uma das grandes referências do futebol japonês. Este tem sido o seu ano de afirmação sobretudo pelos golos que tem feito. Não é um jogador de área mas tem a frieza e a serenidade destes na hora de finalizar. Participa na construção do jogo ofensivo da equipa, é um jogador móvel que gosta de pisar outros espaços que não exclusivamente a área e fá-lo com qualidade. Tem um bom jogo de costas para a baliza, segura e passa com qualidade. Mas tem sido na área que se mostrou esta época. Forte de cabeça, muito rápido a responder a solicitações, é na aceleração que se destaca pela forma como se antecipa aos defesas. É ambidestro, o que facilita imenso situações de finalização. Bom jogador para dar o salto.


Nacionalidade: Japão
Data de Nascimento: 18-05-1990 (23 anos)
Altura/Peso: 182 cm / 70 kg
Posição: Avançado
Clube: Kashima Antlers

Época               Clube           Jogos           Golos
2013               Kashima          30                 18
2012               Kashima          32                  9
2011               Kashima          25                  5

O futebol apoiado do Japão


Há muito que os acompanhamos. Os talentos nipónicos começam a aparecer em grande destaque na Europa e agora será a sua selecção que promete surpreender o Mundo no Brasil. Quando aqui falámos em alguns dos nomes ainda escondidos naquele campeonato (OgiharaKakitaniNagai), sabíamos ao que íamos.

Quem acompanhou como fizemos os últimos jogos nipónicos frente à Sérvia e à Holanda percebe que há ali muito futebol para mostrar. Sobretudo pela continuidade que existe entre o jogo realizado no campeonato local e o transfer que há para a sua selecção. Uma clara amostra de que investir e desenvolver a sua formação trás resultados.

O Japão é uma equipa muito próxima do futebol europeu, sobretudo do futebol espanhol e alemão. Não é por acaso que muitos nipónicos estão na Bundesliga. Zona de construção ao nível dos melhores. Futebol apoiado, criatividade, dinâmicas colectivas, e tudo sempre em alta rotação (o que mais surpreende). Tem ainda intervenientes de grande nível no 1x1 e na forma como pensam o jogo.

Hoje o Japão empatou a Holanda e ridicularizou os europeus na 2ª parte. Domínio absoluto de todos os momentos do jogo. Com Uchida, Nagatomo, Hasebe, Okazaki, Honda, Kiyotake e Kagawa fica mais fácil. Continuem a seguir que vai valer a pena.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O ADN que Fonseca desligou



Não tem tido vida fácil no campeão nacional Paulo Fonseca. Depois de um trajecto brilhante ao serviço do Paços de Ferreira, a sua mudança para o Porto não tem sido tão produtiva como seria de esperar. Alguns maus resultados, poucas exibições conseguidas, e uma desconfiança em relação ao novo modelo do Porto começa a ser evidente nas hostes azuis e brancas.

Este artigo e o eventual sucesso que Fonseca venha a ter, passa por interligar factores, alguns tópicos que têm ligação óbvia, mas o técnico ainda não os conseguiu ligar: Hulk, James, Lucho e Quintero. Confusos? Vamos desenvolver.

O modelo de jogo do Porto parece transversal a treinadores e jogadores. Os anos passam e algumas nuances vão surgindo, lógico que com jogadores diferentes são criadas dinâmicas e pequenas alterações, mas a base prolonga-se época após época.

O 4x3x3 do Porto continua a ser de posse, mas incaracterístico face ao passado. Isto porque desapareceu a criatividade na zona de decisão. E é aí que o Porto tem sentido as principais dificuldades. Fonseca deu o seu cunho pessoal a um Porto que não pressiona tão alto, não privilegia tanto a posse, mas joga mais largo e de forma mais vertical.

O sucesso passado do Porto deveu-se a uma nuance do seu modelo, interpretada pelos seus melhores intérpretes, que este ano ainda não apareceu. Falamos da posição de extremo direito. Mas antes de falar desse lugar específico, falemos de Lucho.

Com mobilidade, capacidade de progressão e agilidade, foi sempre um dos melhores do campeonato. Continua a ser, mas menos. Hoje não é um jogador tão móvel, e o modelo ressente-se disso. Já se ressentia antes, mas Vítor Pereira é muito melhor treinador do que a maioria julga.

Lucho não consegue estar tão disponível para ligar o sector intermediário ao ofensivo, não consegue ser rápido o suficiente para criar desequilíbrios na zona de decisão, para fazer com que a equipa adversária não tenha tempo para se posicionar, e para conseguir entrar em transições de forma mais recorrente colocando os avançados em contextos de menor inferioridade face à linha defensiva.

O espaço entre os três médios e os três avançados, sobretudo pelo corredor central, mesmo que ocupado a espaços, é fundamental neste modelo, e a capacidade que o Porto tinha em o preencher e o desequilibrar, desequilibrando os adversários, fazia o seu sucesso.

E tudo começou com Hulk. Diagonais venenosas, penetrações interiores a colocar igualdade ou superioridade numérica pelo corredor central. O transporte que fazia, a criatividade que acrescentava, deixava os defesas em situações de igualdade ou superioridade zonal de apenas um elemento. Com o talento individual a vir ao de cima, o sucesso era inevitável para os dragões.

Passou para James. O colombiano desequilibrava o sistema ofensivo de forma propositada. Em organização ofensiva eram inúmeras as vezes que se colocava entre os três médios e o avançado, diminuindo o espaço, permitindo-lhe jogar de frente e pelo corredor central: James e o Avançado contra 2 defesas centrais e um trinco.

Este Porto demora a entender isso. Paulo Fonseca até o tenta pensar, mas não executa nem há adaptabilidade possível com Josué. Falta-lhe repentismo, agilidade e mobilidade para isso. O tempo que demora a chegar, a pouca aceleração, o 1x1 que não é tão imprevisível, facilita a tarefa de quem defende.

E o sucesso estará dependente de Quintero. O jogador que o Porto foi buscar a Itália será, se Fonseca quiser, a chave do puzzle. Repentismo, criatividade, inteligência, qualidade passe, capacidade de remate, capacidade de drible...tudo ao dispor, mas sobretudo, ao dispor do colectivo e elevando o seu nível para outra eficácia. É que Danilo é fortíssimo na zona de decisão, e com Quintero a vir sempre dentro, vai abrir-lhe todo o espaço, também, para aparecer. Jackson não estará tão sozinho, terá mais companhia, menos pressão zonal, menos inferioridade face aos defesas. Com isto, Fonseca resolverá o problema.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Prospecção: Minhoca



Nélson Estrela, mais conhecido por Minhoca, vai despertando nos Açores e mostra que há muito talento nas divisões secundárias. Vindo da 3ª divisão está a impor-se aos poucos nos encarnados e este é o seu ano de afirmação. Já leva 2 golos em 15 partidas mas fundamentalmente é o grande destaque da sua equipa. Joga pelo corredor central, como médio, mas é na zona de decisão que se destaca. Forte em progressão, é rápido e agressivo na forma como parte para cima dos defesas, tem qualidade técnica e poder de drible e uma facilidade de remate assinalável. Jogador para seguir.

Nacionalidade: Portugal
Data de Nascimento: 29-04-1988 (25 anos)
Altura/Peso: 175 cm / 67 kg
Posição: Médio Ofensivo Centro
Clube: Santa Clara

Época               Clube           Jogos           Golos
2012/13       Santa Clara         39                  1
2011/12       Santa Clara         22                  2
2010/11       U.Micaelense      28                  6

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O padrão no jogo grego



O Benfica joga amanhã na Grécia cartada decisiva na época num ambiente que se espera de grande dificuldade para os portugueses. Mas não é só com o ambiente que os homens de Jorge Jesus têm de se preocupar. O Olympiakos é uma equipa muito organizada e para Jesus não correr o risco de voltar a ser surpreendido, como diz ter sido pela movimentação de Ibrahimovic no jogo em França, vamos de forma muito sintética abordar a fase ofensiva do jogo dos gregos.

O Olympiakos é uma equipa muito inteligente e com um futebol bastante objectivo. Jogue quem jogar, há 3 jogadores e 3 movimentações que são transversais ao jogo da equipa e ao seu modelo. Acreditamos que não seja por acaso e que seja uma padronização em ataque posicional fácil de identificar. Weiss, Mitroglou e Saviola.

Após recuperação de bola, o Olympiakos lateraliza normalmente o jogo, de forma directa. Não preveligia a posse no corredor central ou a criação de desequilíbrios a partir daí. Joga de forma simples e objectiva no corredor lateral. Objectivo: desposicionar o adversário e distanciar sectores/posicionamentos. Aí entram em cena 2 jogadores: O jogador no corredor lateral que recebe - normalmente Weiss -, e a chave deste processo, Saviola.

Já sabemos que o argentino é temível entre-linhas e Michel também o sabe. Aparece normalmente pelo corredor central no espaço morto, fruto do desposicionamento que os gregos procuram criar, e aí, com espaço para decidir, é letal. Normalmente surge uma penetração com bola, ou uma combinação directa com o outro elemento fundamental: Mitroglou.

O jogo grego é eficaz e assertivo nesta situação. Há muitas situações de cruzamentos a partir do corredor lateral, e de 2x1 após entrada no corredor central na zona de finalização. O Benfica tem de ter especial atenção ao espaço à frente do seu sector defensivo onde o Olympiakos é muito forte pela facilidade com que coloca 2 ou 3 jogadores em condições de combinar com o elemento mais avançado ou procurar a penetração/meia distância.

Outra situação a ter em conta são as bolas paradas. Os gregos apesar de não terem uma equipa especialmente forte do ponto de vista físico, trabalham-nas bem e criam boas situações através de esquemas tácticos bem definidos e com alguns lances estudados que podem surpreender. Veremos como o Benfica se adapta a tudo isto. Pelo menos surpreendido, não acredito que volte a ser.

domingo, 3 de novembro de 2013

Os "outros": Melhor 11 da Liga



Chegados à jornada 9, é possível fazer já um primeiro balanço do campeonato português. Muitas têm sido as notas positivas, outras negativas, das equipas e jogadores até ao momento. Já vimos três treinadores cederem os seus lugares, outros a cimentar - e de que maneira - os seus, algumas surpresas, outras desilusões. Mas é de jogadores que vamos falar. Tirando os três grandes, que jogadores têm tido um rendimento acima da média em relação aos restantes? Este será o nosso onze, quando partimos para a jornada 10, dispondo os jogadores num 4x4x2, com treinador à altura.

Guarda-Redes: O Rio Ave é a equipa menos batida do campeonato. Conta para isso com um guarda-redes que não sendo surpresa para ninguém, vai cimentando o seu estatuto como um dos jogadores mais valiosos da prova. Falamos de Salin. O francês tem sido decisivo a evitar alguns dissabores aos vila condenses. Contudo, a nossa escolha, apesar de difícil, vai para Adriano Facchini. Falamos dele pela primeira vez aqui ainda estava ele na 2ª Divisão B. Forte entre os postes, líder de equipa, muito seguro também nas saídas e na forma como aborda situações de finalização. Tem presença e elegância. Já sabíamos da sua qualidade, mas tem reforçado o estatuto.

Defesa-Direito: Apesar de estar nivelada por baixo, esta posição específica tem mostrado um jogador a ter em conta em Vila do Conde. Lionn, um velho conhecido do futebol português, apesar de ter apenas 24 anos, atingiu a maturidade futebolística e vem-se destacando com bons desempenhos. Ágil, veloz, importante na forma como dá profundidade ao corredor e apoia o ataque, tem crescido também defensivamente e é uma das boas confirmações da prova.

Defesa-Esquerdo: A boa campanha dos gilistas na prova fá-los ter lugar de destaque em qualquer menção honrosa que se faça do campeonato. Luis Martins tem sido um dos seus maiores destaques. Está um jogador maduro, confiante e muito seguro de si. Fortíssimo nas bolas paradas e na meia distância, tem crescido sob o ponto de vista defensivo, continuando a oferecer qualidade no jogo ofensivo da sua equipa. Já leva 2 golos, e promete mais.

Defesa-Central: Aderllan Santos. Já o tinhamos referenciado na pré-época e está a assumir o destaque. Jogador de potencial elevado, já se destacou pelos dois golos que marcou e segurança que tem oferecido à equipa. Forte no desarme e na leitura dos lances, muito forte no jogo aéreo e na forma como sai com bola em progressão. Jogador para continuar a seguir, veremos se muito mais tempo em Braga.

Defesa-Central: Paulo Oliveira. Mantém o nível que nos habituou nos últimos anos. Jogador de qualidade, muito forte na marcação e na antecipação, tem de melhorar sob o ponto de vista da forma como sai com bola, mas tem margem para crescer. Mantém-se sempre  regular e certo em todos os aspectos de jogo.

Médio-Centro: Miguel Rosa. É o destaque habitual de um jogador que se assume como destaque ano após ano. Leva 3 golos, é a cara deste Belenenses e tem assumido papel de destaque em todos os jogos que realiza. Pela maturidade e irreverência, pela capacidade de finalização e de sair vencedor de situações de 1x1, vamos ver os números com que termina este campeonato.

Médio-Centro: Evandro. Uma das principais peças do Estoril. Jogador temível no último passe, boa leitura de jogo e tomada de decisão ao nível dos melhores. Tecnicamente também dotado e que aparece com facilidade em zonas de finalização. Parece ter encontrado a fase de rendimento do seu jogo e promete continuar o bom momento.

Médio-Direito: Avto. Já sabíamos da sua qualidade, falámos dele aqui, e está a confirmar as referências que demos dele quando estava na 2ª B. Jogador muito veloz, forte no 1x1, objectivo e muito intenso, promete continuar a dar que falar na equipa sensação da Liga.

Médio-Esquerdo: Marco Matias. Nunca fomos especialmente fãs do seu jogo, mas está este ano a atingir números interessantes. É a peça de maior destaque do ataque do Guimarães e os 3 golos que leva justificam o estatuto. Muito veloz, embora nem sempre com as melhores decisões, tem assumido o jogo e está num bom momento o que lhe dá confiança para continuar a crescer.

Avançado: Não é novidade, já na 2ª Liga o referenciámos aqui, e não desilude em nada. Jogador importante na zona de finalização, veloz, com uma facilidade de remate tremenda, tem ganho experiência e sabedoria no posicionamento para aparecer a finalizar. Jogador para outros voos, e veremos até onde chega este ano. Falamos claro de Luis Leal.

Avançado: Derley, do Marítimo. Numa má época dos insulares, o destaque vai inteirinho para o seu avançado. Jogador móvel, tecnicamente com qualidade, sabe movimentar-se e jogar também de costas para o golo. Contudo, é forte e letal na finalização, onde já leva 6 golos em 9 jogos. Se o volume ofensivo do Marítimo crescer, e a sua equipa melhorar, até onde chegará?

Treinador: João de Deus e Marco Silva são talvez os dois mais promissores treinadores da Liga. O prémio tem de ser dado a Marco Silva pelo que tem feito, mas vamos mais além, e damos a João de Deus. Já tinhamos perspectivado o sucesso aqui e damos ênfase ao que tem feito. Remodelação total do plantel, encontrou rapidamente uma grande adaptabilidade dos jogadores às suas ideias e os resultados falam por si. Perdeu apenas com Benfica e Porto, e o Gil para além da segurança e eficácia do seu jogo, joga um futebol de qualidade em muitos momentos do jogo. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Os talentos fora do modelo de jogo



O Benfica ganhou 3-0 em Coimbra. Quem não viu o jogo, aceita este bom resultado com o agrado normal de uma vitória num terreno que se tem tornado difícil para os encarnados. Quem o viu, não pode nunca deixar de lembrar-se do nome de três jogadores que acrescentariam uma qualidade enorme ao jogo do Benfica. Jogo esse sempre a um ritmo baixo, com poucas ideias, com falta de mobilidade, com poucas dinâmicas colectivas aparentes - ou que pelo menos tenham efeito prático. Esses três nomes são o de Djuricic, Rodrigo e Ola John.

Começando pelo sérvio, é evidente que o seu rendimento, quando chamado, não tem estado ao nível expectável. Mas é fácil perceber. Djuricic é um jogador de zona de construção, com visão de jogo e qualidade de passe, que tem de jogar de frente para o jogo. Tem actuado num modelo que em nada o beneficia ou lhe permite encaixar, obrigando-o a jogar quase sempre de costas, sem espaço para recuar e participar numa fase de menor pressão do ataque organizado, sempre com poucas linhas para jogar e num colectivo com poucas ideias. A desconfiança vai-se apoderando do jogador, o que afecta a tomada de decisão e a sua própria execução e esse descontentamento coloca em risco um dos jogadores mais talentosos que o Benfica tem nas suas fileiras nos últimos anos.

Rodrigo é outro caso bicudo. Criticado pelos adeptos, a realidade é que é outro jogador em que as suas características em nada se exploram no actual modelo da equipa. O cliché de ser um jogador móvel, rápido, até franzino, logo, não pode jogar como elemento mais avançado da equipa, tem destruído o seu rendimento e adiado a sua explosão enquanto grande jogador que é. Rodrigo é um avançado de top e tem características que todos os jogadores de top da sua posição têm: qualidade finalização, mobilidade, velocidade, capacidade técnica e de drible. Só Jesus vai insistindo na ideia de o tirar da posição 9 e obrigando-o a jogar longe da área e da zona de finalização, participando em demasia na organização colectiva da fase ofensiva, desgastando-se e não explorando a sua capacidade de ler o jogo e movimentar-se em ruptura onde faz a diferença. Depois é um atleta lançado a jogo com pouca continuidade, sem ritmo, de forma quase surpreendente, e reflecte-se no seu desempenho. Basta dizer que o ano passado só por uma vez não marcou, quando jogou 90 minutos.

Outro patinho feio neste momento do grupo é Ola John. O extremo holandês é a antítese da ideia de jogo e do modelo que Jesus incute neste Benfica. É criticado comparativamente aos outros extremos do plantel por não entrar nas correrias sem fim destes. Mas quem está certo é o holandês. É o melhor extremo do plantel a temporizar e perceber os lances, pode crescer na tomada de decisão fruto da confiança que pode adquirir, é forte no 1x1 como nenhum outro do plantel, e é claramente jogador para muito mais do que tem dado no Benfica. Outro jogador que aparece e desaparece da equipa e assim dificilmente ganha ritmo, confiança e consistência nas exibições. De qualquer forma, sabe mais do jogo, e tem mais qualidade num pé, do que Ivan Cavaleiro no corpo todo.




terça-feira, 22 de outubro de 2013

Prospecção: Renato Sanches


Renato Sanches é uma das maiores promessas da formação do Benfica. Depois de na temporada passada já se ter sagrado campeão nacional de Juvenis A, volta este ano a tentar repetir o feito. Jogador de zona de construção, destaca-se pela tomada de decisão e qualidade de progressão com bola. Tem uma excelente cultura posicional, protege bem a bola, sabe acelerar o jogo e jogar em situações de 1x1. Agressivo, bom recuperador de bolas, auxilia defensivamente, da mesma forma que gosta de aparecer na zona de finalização para oferecer a sua qualidade técnica ao processo ofensivo da equipa. Jogador com uma ampla margem de progressão e enorme qualidade. Para seguir de perto.



Nacionalidade: Portugal
Data de Nascimento: 18-08-1997 (16 anos)
Altura/Peso: 170 cm / 65 kg
Posição: Médio Centro
Clube: SL Benfica

Época               Clube           Jogos           Golos
2013/14        Benfica (Juv.A)




sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Prospecção: Nathan


O Atlético Paranaense tem nas suas fileiras um jogador que promete dar muito que falar nos próximos anos. Quem o vê jogar, rapidamente pensa já ter visto este jogador em alguma parte do planeta. Facilmente chegamos a Oscar, do Chelsea. Nathan joga pelo corredor central, procurando bola desde atrás para partir em progressão, ou directamente no apoio ao avançado. Apesar de forte em ataque posicional, é em ataques rápidos que se destaca pela qualidade que apresenta na condução. Tecnicamente é muito dotado, joga com ambos os pés, tem uma tomada de decisão muito boa e inteligência acima da média nas opções que toma. Recursos também elevados ao nível do drible, joga e faz jogar, acelerando quando é necessário. Aborda muitas vezes o 1x1 de onde sai muitas vezes vitorioso. Jogador que pode atingir um nível muito alto assim continue a crescer ao nível da intensidade que coloca em campo. A seguir com muita atenção. 

Nacionalidade: Brasil
Data de Nascimento: 13-03-1996 (17 anos)
Altura/Peso: 177 cm / 73 kg
Posição: Médio Ofensivo Centro
Clube: Atlético Paranaense

Época               Clube           Jogos           Golos
2013        Atlético PR (Sub-23)




sábado, 5 de outubro de 2013

Prospecção: Rithiely



Aos 22 anos, Rithiely assume-se como um dos destaques do Sport na Série B do Brasileirão. Candidato à subida, o Sport tem nas suas fileiras um jovem em destaque que promete em breve subir de escalão para outra equipa de maior nomeada. Rithiely joga como médio de transição, num sistema de 4x2x2x2, sendo um dos "volantes", ou seja, um dos médios mais defensivos da equipa. Denota agressividade e qualidade no desarme, lê bem o jogo e destaca-se pela forma como ganha bolas em antecipação e procura acelerar o jogo da equipa. Tecnicamente é dotado, passa bem e chega com facilidade a terrenos de finalização onde vem ganhando preponderância. Jogador interessante para acompanhar a evolução que tem.

Nacionalidade: Brasil
Data de Nascimento: 27-01-1991 (22 anos)
Altura/Peso: 173 cm / 72 kg
Posição: Médio Centro
Clube: Sport Recife

Época               Clube           Jogos           Golos
2013                 Sport              41                 6
2012                 Sport              35                 3
2011                 Sport              26                 1

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Prospecção: Hakan Çalhanoglu



Depois de uma grande temporada no terceiro escalão do futebol alemão, Hakan deu este ano o salto para a Bundesliga onde promete continuar a surpreender. Jogador que se destaca fundamentalmente pela enorme capacidade de execução em lances de bola parada, é forte tecnicamente, pensa bem o jogo e demonstra uma enorme apetência para a finalização. Trabalha os espaços e procura a solução mais simples. É aguerrido e gosta de chamar a si as decisões. Para acompanhar.


Nacionalidade: Turquia
Data de Nascimento: 08-02-1994 (19 anos)
Altura/Peso: 178 cm / 69 kg
Posição: Médio Ofensivo Centro
Clube: Hamburgo

Época               Clube           Jogos           Golos
2012/13        Karlsruher          31                 14                      

Prospecção: Zakaria Bakkali



O PSV tem nas suas fileiras um dos próximos grandes talentos do futebol europeu. Bakkali é um extremo moderno, mais um produto da infindável escola de talentos belga que se transferiu ainda muito jovem para o PSV. Jogador de corredores laterais, distancia-se de quase todos os outros da sua geração. Jogador de tremenda intensidade, assume o jogo e revela uma maturidade acima da média. É irreverente, parte para cima, tem um vasto leque de recursos ao nível do drible e é muito forte em todos os aspectos técnicos do jogo. Tem facilidade em jogar 1x1 e procurar o remate. Faz golos. Para seguir com muita atenção um ano que promete muito na Holanda.


Nacionalidade: Bélgica/Marrocos
Data de Nascimento: 26-01-1996 (17 anos)
Altura/Peso: 173 cm / 62 kg
Posição: Extremo Esquerdo/Direito
Clube: PSV

Época               Clube           Jogos           Golos
2013/14             PSV              5                   3

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Prospecção: Yoichiro Kakitani



Há muito que o Japão vem prometendo começar a lançar talentos para o futebol europeu. São já muitos os casos de jogadores nipónicos a alinhar nos principais campeonatos e nas principais equipas pela sua qualidade e não, exclusivamente, pelos partidos financeiros que podem causar. Kakitani pode ser um dos próximos. Jogador em fase de rendimento, é maduro e tem nos pés futebol europeu. Jogador que ocupa a faixa esquerda, sempre em penetrações para o corredor central, ou partindo de uma posição de apoio directa ao avançado, é um quebra-cabeças para qualquer defesa. Destaca-se por jogar com igual facilidade com ambos os pés, é tecnicamente muito dotado e pensa muito bem o jogo em zonas de finalização. Tem recursos a nível de drible que nunca mais acabam e uma facilidade tremenda na hora de finalizar. Para acompanhar.


Nacionalidade: Japão
Data de Nascimento: 03-01-1990 (23 anos)
Altura/Peso: 173 cm / 62 kg
Posição: Extremo Esquerdo/Médio Ofensivo Centro
Clube: Cerezo Osaka

Época               Clube           Jogos           Golos
2013                Cerezo            26                15  
2012                Cerezo            30                11
2011                T.Vortis           36                 6

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A componente estratégica e o modelo de jogo


João de Deus será, em perspectiva, uma das melhores surpresas da Liga deste ano. Para quem não o conhecia, até pode surpreender o trajecto que o Gil vem fazendo. Para quem teve oportunidade de privar com ele, ficam os elogios e a forma como nos faz pensar sobre muitas das questões relacionadas com o jogo. Acima de tudo porque as principais respostas vêm com os resultados e ele alcança-os.

Ontem Vítor Pereira faz uma declaração curiosa: "Benfica paga caro alteração do ADN quando defronta o FC Porto". Hoje, João de Deus, em antevisão à partida no Porto, diz o seguinte: "Temos de ser fiéis às nossas ideias, temos de ter confiança que temos capacidade para ser competentes e discutir o resultado, seja qual for o adversário".

Este tem sido um dos grandes trunfos de João de Deus ao longo da carreira. Em quase todos os clubes por onde passou, tem tido a felicidade de conforme o planeamento da época, conseguir encontrar e ter espaço de manobra para procurar os jogadores que se adequam ao seu modelo. Foi assim no Atlético, acabou por acontecer também na Oliveirense e agora no Gil Vicente.

João de Deus é metódico, tem um modelo de jogo muito definido e um modelo de treino muito direccionado para as suas ideias. É muito forte neste sentido e acaba por ter algumas questões que nos fazem pensar sobre a perspectiva mais "bonita" que aprendemos a olhar para aquilo que se faz nos clubes de topo. Quem assistir a determinados exercícios estratégicos do treino, vemos bastantes condicionantes. Pode ser criticável mas é extremamente direccionado para o objectivo e sobretudo prático para assimilar ideias e comportamentos.

E não é por acaso que as suas equipas jogam praticamente todas da mesma maneira. Não igual, porque são os jogadores que dão as dinâmicas ao colectivo, mas os princípios estão lá: bloco médio/baixo, linhas próximas, retirar largura ao jogo do adversário e apostar na profundidade do seu próprio jogo em saídas rápidas mas num futebol apoiado e com combinações colectivas muito interessantes, sobretudo através de jogo exterior (laterais, interiores e extremos).

Isto para referir que é fundamental não existir desvios àquilo que é a identidade e as ideias de um colectivo, seja qual for o adversário. Trabalhar uma componente estratégica com o objectivo de limitar ou anular determinados pontos do adversário, acabará por nos levar a comportamentos não habituais no nosso jogo e que nos levará a ter pouca eficácia no momento em que conseguimos (fruto da repetição e da estratégia) anular algum ponto forte. É um jogo incompleto e sem sequência.

É possível definir certo tipo de comportamentos que alterem um modelo de jogo, mas sem o radicalizar. Baixar zonas de pressão, ou subi-las, ou introduzir um determinado comportamento táctico ou combinação entre 1 ou 2 jogadores. Fácil de assimilar. Não se pode mudar a ideia e a base da equipa em termos posicionais, de movimentações e combinações colectivas com e sem bola.

É isso que o Benfica tem feito em quase todos os jogos que exigem mais à equipa e ao próprio treinador. Se temos confiança total no nosso modelo e nas nossas ideias não o podemos radicalizar seja qual for o adversário. Jorge Jesus tem insistido nestas mudanças de forma constante sempre que defronta o Porto. Apenas por uma vez lhe correu bem, num jogo em que ganha por 2-0 no Dragão e que teve a inclusão de César Peixoto como Interior. Um caso em muitos outros. Não pode ser suficiente.

O Gil Vicente vai ao Dragão jogar dentro das suas próprias ideias. Forte e coesos defensivamente, mesmo sem os 2 centrais titulares, mas uma equipa solidária, unida e muito focalizada no objectivo. Será interessante ver a forma como se comportarão os gilistas neste grande desafio. E veremos dois dos melhores treinadores portugueses da actualidade em confronto. Para analisar aqui, posteriormente.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Prospecção: Memphis Depay



Conheci este jogador quando aos 12 anos veio a Portugal representar a formação holandesa do PSV num Torneio Infantil em Lisboa e desde logo despertou muita curiosidade. Esta parece que pode ser a sua época de afirmação nos holandeses. Jogador de corredor lateral, é um quebra-cabeças pela capacidade técnica e de drible. Jogador extremamente vertical, é destro mas joga muito com o pé esquerdo, parte sempre para cima e tem uma percepção do jogo acima da média. Isto permite-lhe pisar muitas vezes o corredor central onde procura explorar a forte meia distância. Nem sempre toma a melhor decisão fruto da irreverência de quem procura partir sempre para cima, mas é um jogador que tem uma margem de progressão muito interessante, sendo ainda forte do ponto de vista físico. Jogador muito completo para acompanhar.

Nacionalidade: Holanda
Data de Nascimento: 13-02-1994 (19 anos)
Altura/Peso: 178 cm / 67 kg
Posição: Extremo Esquerdo/Direito
Clube: PSV

Época               Clube           Jogos           Golos
2012/13             PSV            7(23)               3
2011/12             PSV            1(10)               5

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A esperança (em) Ivan Cavaleiro


Ivan Cavaleiro assume-me como uma das principais figuras da nova geração de jogadores dos sub-21 portugueses. Por aqui vimos o Ivan jogar pela primeira vez quando tinha 13 anos ao serviço do Benfica. O seu futebol mudou muito, passou por uma dispensa e repescagem, mas mantém a génese do poderio físico e da entrega em cada lance que disputa. Parte para a sua segunda época como Senior e a experiência adquirida na temporada passada ao serviço do Benfica B foi muito positiva para a sua afirmação. Mas vamos explorar a nossa opinião.

A irregularidade exibicional, fruto da idade e de estar ainda longe da fase de rendimento enquanto jogador, faz com que as opiniões que surgem sobre ele sejam de enorme discrepância. É também por isso que o próprio Rui Jorge o vem testando como Avançado, procurando também perceber o que ele tem para dar nas várias formas possíveis de jogar. 

Numa altura em que se vai falando na falta do talento, o Ivan tem de ser um deles. Não o é pelos enormes recursos técnicos (que não tem), ou pela genialidade que (não) apresenta. É um jogador que vai moldando o talento. Velocidade, explosão, capacidade física, irreverência... Ivan quanto a mim não será, a curto prazo, jogador para equipa grande. Não tem ainda tomada de decisão de nível aceitável para outras exigências. Falta-lhe alguma qualidade a jogar com menos espaço e em ataque posicional declarado. Contudo, assume-me para já como um jogador muito forte em transição, com espaço nas costas da defesa, em situações que propiciem situações de 1x1 quer pelo corredor lateral ou pelo central.

Numa altura em que se reclama a falta de jogadores da formação no plantel do Benfica, o Ivan Cavaleiro assume-se como um dos possíveis futuros seleccionáveis, embora não acredite que possa atingir o nível de titular do Benfica, num futuro próximo. É um jogador para explorar e que pode continuar a crescer porque tem uma margem ainda, aparentemente, grande à sua frente. Contudo, tem de ter outro tipo de exigências e estar inserido noutros níveis competitivos. Este ano, mais uma época na 2ª Liga, pode ser atrasar o crescimento de um jogador que precisa claramente de ir subindo degraus até se ver o que pode alcançar.

Da nova geração dos sub-21, já aqui falei no Lucas João ainda não fazia parte dos seleccionáveis. Tomem atenção a este jogador que tem condições para crescer muito dentro de Portugal. E jogadores de equipa grande, figuras, terão de ser Rafa Silva, João Mário e Tiago Silva. Portugal e o futebol nacional agradecem.

Vamos continuar de olho neles...

Alguns dos últimos jogadores, alguns em campeonatos de menor dimensão, espalhados pelo globo, foram alvo dos olheiros espalhados pelos tubarões da Europa. Acreditamos que não tivemos nada a ver com isso, apesar do esforço.

Juan Quintero, do Pescara para o FC Porto.
Florian Thauvin, do Bastia para o Marselha.
Jesus Corona, do Monterrey para o Twente.
Diego Laxalt, do Defensor para o Bolonha (via Inter).
Ante Rebic, do HNK Split para a Fiorentina.


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Prospecção: Vinicius Araujo



Está a aparecer na primeira equipa do Cruzeiro um dos produtos da sua formação que mais promete para os adeptos do actual líder do campeonato brasileiro. Vinicius Araujo tem apenas 20 anos mas já se vai destacando na equipa. Jogador de área, é dotado fisicamente, imponente com bola, agressivo, parte para cima e tem faro muito apurado para o golo. Boa leitura dos lances, bom poder de movimentação e qualidade técnica nas suas acções. Tem um bom poder de salto e cabeceia bem. Leva 5 golos, jogando de forma intermitente, num grupo experiente e apostado em dar o título aos adeptos, mas tem condições para marcar o seu espaço e evidenciar-se ainda mais. Para seguir.

Nacionalidade: Brasil
Data de Nascimento: 22-02-1993 (20 anos)
Altura/Peso: 176 cm / 76 kg
Posição: Avançado
Clube: Cruzeiro

Época           Clube           Jogos           Golos
2013          Cruzeiro            19                 7

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O talento puro e a sua lapidação


Portugal enfrenta uma crise nos dias que correm na formação em Portugal. Esta é uma realidade evidente aos olhos de quem observa o actual estado do futebol de formação no nosso país. A culpa é transversal à própria sociedade e aos clubes e aos elementos que acabam por a ele estar ligados nas mais diversas áreas. A enfatização dos modelos de treino e jogo, a obrigatoriedade de cumprir determinados pressupostos e objectivos, os perfis de jogador, o modelo de jogo transversal, são tudo questões que podem ser discutidas num futuro próximo mas que originam uma só coisa: a perda do talento.

Olhar para as equipas Sub-19, Sub-18 e Sub-17 do nosso futebol e procurar talentos é uma missão difícil e de pouco sucesso. Mas nos escalões inferiores, Portugal continua no topo. E fá-lo porque há uma necessidade clara de explorar o talento individual e de permitir situações complexas aos atletas. Ainda há alguma competitividade e percepção dos dirigentes para colocar os atletas em níveis de dificuldade adequados ao seu patamar qualitativo.

O Benfica tem nas suas fileiras um jogador a que se pode chamar o verdadeiro talento. Chama-se João Filipe e tem 14 anos. Desde sempre ao serviço do Benfica tem crescido de forma sustentada e teve o ano passado uma prova muito interessante: ainda de primeiro ano, era peça importante da equipa sub-15 (Escalão acima do seu) o que lhe garantiu níveis de complexidade superiores, fruto da diferença física que o obrigou a procurar outras ferramentas para obter sucesso.

Hoje é um prazer vê-lo jogar. Classe pura, elegância, cabeça levantada sempre com o olhar sobre o jogo, irreverência, requinte técnico, qualidade em todos os seus movimentos. É um craque na verdadeira acepção da palavra. Este ano, aparentemente, vai continuar no escalão que estava o ano passado. Será tudo fácil para ele, é certo. Fisicamente ainda não deu o pulo, relativamente aos outros atletas do seu escalão. Talvez nem fosse totalmente proveitoso voltar a subi-lo de escalão. Mas é uma hipótese que tem de ser considerada.

E para lapidar este tipo de talento, é preciso deixá-lo errar, tomar decisões, procurar ultrapassar limites, permitir-lhe alguma anarquia na tomada de decisão. É fruto do erro que a aprendizagem aparece. E o escalão de Iniciados do Benfica tem sido um sucesso ano após ano pelo trabalho realizado pelo seu treinador Luis Nascimento. É que os resultados competitivos aparecem, a equipa joga bem, e muito bem, mas os talentos expressam-se e divertem-se a jogar futebol.

No sentido inverso vem Mesaque Dju. Faz toda a diferença actualmente. Veloz, tecnicista... não há forma de o parar quando tem espaço nas costas da defesa ou parte em situações de 1x1. A questão é a forma fácil como efectua tudo o que lhe é pedido e a forma como resolve qualquer problema que lhe aparece. Certamente que será um ano de muito sucesso individual, mas tenho dúvidas que isto se converta numa evolução clara e que possa estar aqui um jogador de possível integração num lote de jogadores a ter em conta para o futebol profissional.

Noutra óptica, Jordan Van der Gaag faz lembrar Bernardo Silva. Pé esquerdo de grande qualidade, tomada de decisão sempre certa, irreverência, assume o jogo. A nível físico está ainda abaixo dos restantes, mas com tempo, e mesmo não tendo muitos minutos nos jogos mais difíceis, está aqui um jogador para seguir com atenção.

domingo, 8 de setembro de 2013

A ver os futuros "talentos"


Hoje fomos ver ao Restelo o jogo de Juniores entre o Belém e o Benfica. Vou ser rápido a dizer o que sinto em relação ao que vi. Desde 2006 que ano após ano vejo as equipas de Juniores do Benfica jogar e esta é provavelmente a equipa mais fraca de que me lembro. Jogadores sem qualidade, colectivo fraco, pouca inspiração, é mau de mais assistir a um Benfica claramente abaixo do normal e onde o nível perspectivável de jogadores para a primeira liga, de um plantel inteiro, são 3, no máximo 4.

Assisti ao jogo com o Oeiras e naturalmente a perspectiva não era a melhor. Hoje confirmou-se. O Benfica ao longo de todo o jogo, embora tenha ficado cedo em inferioridade numérica, fez possivelmente 2 remates à baliza e lances de perigo? Só com erros do Belenenses. Por falar nos azuis, uma geração longe de outras que batia o pé aos grandes, mas com um jogador de qualidade evidente. André Galamba, 18 anos, médio centro, joga de cabeça levantada pelo miolo, qualidade técnica, de passe a curta e média distância, boa tomada de decisão. Gostei.

Por falar em decisão. Romário Baldé tem contrato profissional com o Benfica. É uma das coqueluches. Pergunto porquê? Um jogador que toma quase sempre a decisão errada, não aproveita um lance de um contra um, não se sabe posicionar... Tudo bem, corre mais que os outros, mas a balança está mais equilibrada e nota-se as evidentes dificuldades técnicas que tem e de pensamento do jogo conforme ele se vai tornando mais complexo (subida de escalão, aumento da complexidade e do equilíbrio físico).

Do Benfica o claro destaque positivo é de Nuno Santos, jogador recrutado ao Rio Ave que tem um pé esquerdo muito interessante e que pode fazer uma carreira digna no principal escalão do nosso futebol. Joga sem receio, aborda sempre os adversários, parte para cima, forte em progressão...

Mas é curto e chega a ser triste perceber que o nível da formação em Portugal vai caindo ano após ano e este campeonato de Juniores vai ficar marcado pelo baixo nível dos seus intervenientes. Arrisco dizer que há titulares do Benfica e do Belenenses que tenho dúvidas que façam carreira numa 2ª B, sequer.

Não se pode ter expectativas de todos os anos ter gerações fortes, ao nível das melhores. Certo. Mas os responsáveis têm de perceber que há certos jogadores que nunca jogarão sequer numa 2ªB, e são titulares dos Juniores de um clube como o Benfica. Não pode. Têm de sair, não vale a pena o investimento, e dar-se espaço a Juvenis de qualidade que possam crescer, jogando em níveis mais exigentes e complexos e que possam fazer deles jogadores com mais argumentos para num futuro próximo jogarem numa liga profissional.

O Benfica não perdia competitivamente porque a balança do recrutamento é gigantesca a favor dos clubes grandes. O Benfica consegue sempre, mas sempre, os melhores, e nesse sentido tem obrigação de fazer muito mais. Os resultados que ficam não podem ser os desportivos (títulos) nem o número de convocáveis para as selecções. Têm de ser o número de jogadores aproveitados para as suas equipas profissionais. Esta tem de ser a meta.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Liga Record: A Vida do Futebol


Está prestes a começar mais uma edição da Liga Record, jogo patrocionado pelo Jornal Record e que conta com milhares de participantes. Como qualquer bom olheiro e apaixonado por futebol, o nosso blog quer juntar-se, uma vez mais, a esta iniciativa que para além da sorte de escolher o cavalo certo na hora decisiva, é essencialmente uma forma de acompanhar equipas/jogadores da nossa Liga e estar atento aos nossos talentos dentro de portas.

Sendo assim, e também contando com a expansão do blog, queremos organizar uma Liga Record interna do blog, a fim de se perceber o conhecimento dos visitantes do blog e criar uma competição saudável e divertida entre todos nós.

O objectivo, para apimentar a "disputa", é criar prémios para os 5 primeiros classificados (variável de acordo com os participantes na Liga). Sendo assim, a inscrição seria de 10 euros - por transferência bancária e envio do respectivo comprovativo por e-mail - (número ilimitado de equipas por participante) e os prémios seriam divididos da seguinte forma: 50% do valor total das inscrições para o 1º lugar; 25% para o 2º lugar; 15% para o 3º lugar; 5% para o 4º lugar; 5% para o 5º lugar;

Para participar na Liga Record necessita de comprar a revista que tem um custo de 3€ a fim de lhe ser dado o código para a inscrição global da Liga. Os prémios este ano são mais uma vez muito aliciantes.

Fico à espera da reacção dos participantes a este desafio na caixa de comentários.

Em breve mais novidades.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O triângulo do centro de jogo: Versão sucesso

Quem leu o post anterior sobre a primeira parte do Benfica na Madeira percebeu que houve um conjunto de erros de entendimento do jogo da parte dos jogadores do Benfica. Uma questão de não cumprir princípios e de um momento de jogo (organização ofensiva) totalmente fora do contexto que o Benfica tem habituado quem os assiste. Muitas pessoas podem ter-se perguntado do porquê da necessidade de certos jogadores terem de cumprir determinados procedimentos ou posicionarem-se noutros espaços. Hoje, numa óptica semelhante, e em versão sucesso, analisamos o golo do Barcelona.

Sou adepto do futebol que Tata Martino. Já no Newell's tinha uma proposta de jogo muito interessante face à realidade que costuma ser possível ver na Argentina. Hoje vimos um Barcelona em alguns momentos de jogo procurar acelerar o seu ataque posicional como não fazia de forma regular. Mas centremos-nos no golo.


Fabregas é quem define o início do lance. Em poucos segundos a equipa acaba por fazer golo, mas tudo começa aqui. O centro de jogo está bem definido, com o triângulo evidente. Duas coberturas ofensivas ou apoios, e fora do centro de jogo, jogadores a garantir largura e possíveis movimentos de ruptura para o sucesso da circulação. Esta imagem em que o Atlético se posiciona com uma linha bem definida em termos defensivos não é muito diferente do que fez o Marítimo. A diferença está em quem ataca.


Xavi recebeu o passe. Fabregas prepara-se para dar nova dimensão ao centro de jogo da equipa porque o passe de Xavi vai para o lado direito onde um elemento garante a largura. O jogador que se encontra à direita da imagem é também importante, para impedir o encurtamento do espaço por parte do Atlético.


O lateral do Barcelona recebeu a bola. Há um espaço aberto neste lance porque o Atlético saiu com 2 jogadores ao portador. Esse espaço será fundamental no lance, mas será fundamental não pelo passe ter saído para lá, mas sim porque Fabregas (assinalado na imagem) percebeu que era ali que devia estar para garantir o centro de jogo com um triângulo e fixar ali os defesas, abrindo também a possibilidade da linha de passe. Xavi, inteligente como é, progride para receber e jogar de frente.


O passe entrou em Xavi, e Fabregas já está na zona decisiva de todo o processo. Decisiva porque o seu posicionamento abre duas hipóteses à decisão de Xavi. Ou faz passe de ruptura para Fabregas, ou lateraliza para o lateral. Quem não sabe e fica na dúvida é o defesa do Atlético. Essa dúvida faz com que se posicione num lugar intermédio e abra as duas hipóteses tentando ainda interceptar qualquer uma das hipóteses, obrigando Xavi à decisão de risco. No outro lado da imagem vemos a forma como Neymar (inteligente) vai percebendo onde pode intrometer-se no lance. É que o triângulo continua a ser realizado perto da bola, mas o seu garante são os movimentos exteriores a ele, também.


O lateral recebeu a bola. O defesa do Atlético tenta fechar a possibilidade de passe mais próxima mas toda a equipa está em basculação num sentido. Um passe longo, na zona morta, e para onde Neymar se prepara para atacar, pode ser fatal. E foi. O Barcelona percebeu em todos os momentos do jogo onde estava o ganho, e os jogadores foram complementando entre si os posicionamentos de forma a criarem dúvida no adversário mas garantirem sempre o sucesso ao seu portador da bola, o fundamental para a manutenção da posse e a progressão.

Veja tudo isto em velocidade real:

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Contrastes tácticos: Erros básicos

A primeira parte do Benfica no Funchal foi, provavelmente, a pior a que me lembro de ter assistido uma equipa de Jorge Jesus fazer sob o ponto de vista do ataque posicional. Um momento de jogo em que o treinador encarnado sempre habitou a fazer a diferença e onde as suas equipas eram claramente acima da média. Sobretudo em termos das dinâmicas criadas, fruto de posicionamentos certos e muito trabalhados. O que assistimos na Madeira foi uma equipa do Marítimo extremamente bem posicionada e concentrada, e um Benfica a pecar em momentos capitais, com erros típicos que já não se usam a este nível.


Matic tem bola e procura linhas para jogar. O Marítimo fecha de forma evidente qualquer entrada pelo corredor central, obrigando o Benfica a lateralizar e tentar entrar por fora. O espaço entre-linhas simplesmente foi abafado pelos verde-rubros mas Matic tem duas opções: passe de ruptura nos corredores laterais. Enzo Pérez, um dos mais esclarecidos, aponta-lhe o caminho. O sérvio faz isto.


Progressão (aceitável, para fixar um dos defesas) mas o posicionamento e movimentação que Djuricic fez retira-lhe uma das opções: má leitura do 10 do Benfica a posicionar-se num espaço que elimina uma das linhas de passe possíveis, mas que liberta a de Lima. Contudo, numa fracção de segundos, Matic já tinha tomado a decisão, difícil de alterar a meio da execução, e mais um passe errado. Repare-se ainda no posicionamento de Enzo Pérez. A culpa não é sua, claro. Neste momento tem de descentralizar a zona de pressão do Marítimo. Colocar-se fora do centro de jogo (triângulo então definido pelo Djuricic) e dar largura pelo seu corredor. Fica no meio. Facilita o Marítimo.


Imagem 3. Matic com bola e tem junto a si Gaitán, que veio pedir jogo. Amorim, simplesmente a olhar, quando podia procurar oferecer uma solução. Cortez sem sentido de ruptura, e Maxi, quando devia estar aberto, perto do colega, facilitando a tarefa de Sami que na imagem já está completamente dentro do corredor central a fechar uma linha de passe entre-linhas (para Djuricic). Erros atrás de erros.


Amorim com bola. Matic a 2 metros, linha de passe possível para Gaitán que dá largura mas vejam o posicionamento de Enzo Pérez. Mais uma vez, só pode ser do hábito. A largura e profundidade dada pelo corredor devia ser dele. Devia também largar aquele espaço, levar com ele o defesa, e permitir um apoio frontal de Djuricic ou Lima. 


Princípio básico do jogo. Matic com bola, Amorim perto. Uma vez mais. Já percebemos que este erro foi constante. Mas o triângulo de circulação para definir o centro de jogo onde está? O garante da progressão? O jogador que procura receber para jogar de frente? O apoio frontal? A pergunta fica explícita no ponto de interrogação. E Matic, claro, sem outra opção, tem de jogar para trás.


Djuricic, uma vez mais, mal posicionado, e o centro de jogo que mais uma vez não existiu. Matic não tem outra opção se não voltar a lateralizar o jogo. Mas pelo corredor central conto 4 jogadores do Marítimo prontos a bascular e o Benfica apenas com o portador da bola. Impossível.


Primeiro lance em que Djuricic aparece entre-linhas e consegue receber e rodar. O problema é que o posicionamento de Lima é o que vemos. Limita-se a olhar, e a sombra na imagem do lado direito é um jogador do Marítimo. Alguém adivinha? Djuricic lateralizou, o Marítimo basculou, e o Benfica não conseguiu penetrar uma vez mais.


Imagem que define tudo o que foi possível ver. Djuricic está com Enzo numa zona perigosa, abrem-se 2 possibilidades de fechar o centro de jogo, com o posicionamento de alguém, quer em ruptura, quer em apoio. As zonas definidas permitem-nos pensar o que estaria o resto da equipa à espera para oferecer uma opção. Os 2 jogadores do Benfica que aparece na imagem foram obrigados a tentar uma combinação directa contra 4 elementos e acabaram por perder o lance.

Tantos erros não são normais em jogadores que à pouco tempo eram tão inteligentes e fortes nestes processos. Parece-me claro que há um desgaste, e grande, em relação a tudo o que é o processo e o cansaço existente é sobretudo psicológico. As decisões não podem ser boas, o pensamento não pode ser o melhor, quando não estamos focados e disponíveis nas acções que realizamos.