domingo, 12 de dezembro de 2010

O melhor do Mundo

Li há alguns dias que Iniesta poderia ser considerado o melhor jogador do Mundo do ano de 2010. Olhando para a lista de principais favoritos, iria ficar espantado se Wesley Sneijder não estivesse entre os 3 primeiros pois ganhou... tudo, exceptuando o Campeonato de Mundo, esse ganho com um golo de Iniesta, que amealhou assim pontos importantes na luta pelo título.

Mais estupefacto fiquei com as críticas à sua nomeação como MVP. Iniesta é um jogador com uma capacidade técnica fantástica, com tempo, rigor, critério e decisão em tudo o que faz. É de loucos vê-lo jogar. Confiram:

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A eficácia do "mini Barcelona"


Quando o treinador do Rapid Viena apelidou o Porto de Villas Boas de um "mini Barcelona", não deixou de ter o seu sentido lógico. É que as semelhanças entre uma equipa e outra parecem surgir pela forma como o Porto joga em largura e profundidade e, sobretudo, no momento da transição ofensiva onde o seu tridente ofensivo é extremamente forte.

Continuo a dizer que o Porto vale, sobretudo, pela sua capacidade de jogar em transição e dos seus jogadores ofensivos terem metros para correr e decidir no individual sem serem colocados em situações de demasiada inferioridade numérica que tenham de recorrer a um ataque mais organizado.

A grande diferença está - com toda a gente a ter entendido a grande força do Porto -, a eficácia com que o FC Porto destrói as equipas contrárias nas situações que consegue dar uso às suas principais armas. Jogar num bloco médio em transição ofensiva faz parte do seu quotidiano, incrível sim a forma como as vezes que o fazem, mais de 50% conseguem jogar em contra-ataque ou ataque rápido em situações variadas de 3x4. Aqui, Hulk e Varela pela sua velocidade e capacidade de aceleração, ganham relevância pois com Falcão, as hipóteses de golo são bem mais do que a percentagem normal de qualquer outro jogador em Portugal nos últimos anos.

Para isto não esquecer a dimensão que Moutinho ganhou no meio-campo do Porto pela qualidade de equilíbrio e de decisão que dá ao FC Porto na zona de construção, tal como Belluschi pela capacidade de penetração e de jogar nas entre-linhas do adversário saindo muitas vezes da sua posição natural para explorar zonas fracas da equipa adversária.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Clássico: O ataque rápido do Inter e do Real de Mourinho


Penso que todos os amantes do futebol tiveram particular interesse em assistir ao clássico de ontem. O Barcelona de Guardiola, num processo totalmente finalizado, e que vai procurando, ano após ano, limar arestas e perfis quanto aos seus jogadores e à forma como encaixam dentro do perfil de jogo "blaugrana", e um Real Madrid de Mourinho, a jogar de forma interessante para pouco tempo de trabalho mas ainda a crescer e longe de ter dado provas de eficácia a um nível competitivo mais elevado. Este seria o primeiro teste "a sério" (e quantos mais surgirão a uma equipa quase de outro planeta) do Real de Mourinho.

Primeiramente há que abordar o jogo pela forma inicial como o Real o fez. Abdicou de jogar em ataque organizado, para não permitir ao Barcelona ataques rápidos e, fundamentalmente, metros nas costas da defesa madridista, evitando que jogadores como Pedro, Messi e Villa, extremamente rápidos em todos os capítulos, tanto na velocidade de deslocamento, como na rapidez com que pensam e executam, tivessem espaço para penetrar e criar desequilíbrios ao Real. Acontece que o Barça não é uma equipa de apenas um método e são os melhores do Mundo em alguns deles: Contra-ataque, ataque rápido e ataque organizado. E utilizando os três métodos ofensivos conseguiram dizimar um Real que cometeu imensos erros.

A começar pela forma como não soube interpretar o bloco médio que Mourinho pediu, tentando evitar que a bola chegasse em condições de decisão ao tridente da frente do Barça. O espaço que a os duplos-pivot (Khedira e Alonso) do Real permitiram nas suas entre-linhas com Ronaldo-Ozil-Di Maria e sobretudo com a linha de 4 defensiva, foi fatal. Raramente existiu um encurtamento de espaço correcto e sempre que tal existia, o Barça conseguia rodar rapidamente desposicionando e desequilibrando a equipa do Real pois o centro de jogo era bem conseguido mas as posições de equilíbrio raramente estavam correctas, até porque poucas vezes se viu Benzema em pressão ou a matar linhas de passe.

O Inter de Mourinho na edição da Liga dos Campeões passada fez exactamente uma abordagem semelhante à do Real ontem. A diferença esteve na forma como a equipa italiana soube jogar num bloco, para além de mais baixo, mais junto e com menos espaços nas suas entre-linhas. Uma equipa de topo como o Real, não pode permitir que Xavi, Iniesta, Pedro, Messi e Villa, tenham aparecido tantas vezes nas costas de Alonso e Khedira com espaço para decidir muitas das vezes em situações de 2x3 ou 3x4.

Regressando ao Inter, numa abordagem semelhante, mas com outros argumentos sob o ponto de vista táctico e estratégico. A qualidade de Cambiasso continua a ser muito pouco evidenciada pelos média mas, na minha opinião, foi a peça fundamental de um Inter que muitas das vezes acabou por fechar defensivamente numa linha de 5, com pressão constante de 3 jogadores em zonas de construção e decisão do Barcelona, retirando metros e espaços ao tiki-taka, que se sentiu curto e pouco produtivo. Basta olhar para a ficha de jogo e ver: Maicon, Samuel, Lucio e Chivu; Motta, Cambiasso, Zanetti e Sneidjer; Eto'o e Milito; No processo defensivo Cambiasso e algumas vezes Zanetti equilibravam a linha de 4 tornando-a numa linha de 5, baixando Eto'o no lugar de Zanetti, jogando praticamente com um 5x4x1; Isto aniquilou o Barça não pela defesa massiva mas sobretudo pelo massivo equilibrio defensivo e fecho de linhas de passe na zona de decisão do Barça.

O erro de Mourinho não esteve na forma como abdicou do ataque organizado e deu "o jogo" ao Barça, que é mortífero em ataque organizado. Muito menos teve no escalonamento da sua equipa. Acabou por estar associado à forma como a sua equipa não soube equilibrar-se e jogar como um bloco defensivo único, procurando queimar metros aos catalães para então sair em ataques rápidos. O Real partiu-se sempre num 4x2+3x1, com Ronaldo, Ozil, Di Maria e Benzema sempre longe de Khedira, Alonso e da linha de 4. Fundamentalmente a diferença esteve que Cambiasso e Khedira não são comparáveis a nível de cobertura e equilibrio defensivo, tal como Zanetti e Xabi Alonso não são comparáveis, tal como Motta e Ozil são tudo menos a semelhança defensiva, tal como Eto'o e a agressividade e disponibilidade defensiva que evidenciou sempre com Mourinho não são comparáveis com a que Di Maria ou o próprio Ronaldo mostraram ontem.

Não poderia terminar deixando de evidenciar aqueles que ao longo dos meses que escrevo neste blog são para mim os melhores do Mundo: Xavi e Iniesta. Incrível a forma como seduzem pela capacidade de protecção de bola, pelo critério em tudo o que fazem, pela qualidade técnica soberba. São, sem dúvida, irmãos gémeos, e o espelho real daquilo que é o futebol do Barcelona, que só joga assim porque tem estes dois génios. Sou capaz de dizer que Xavi e Iniesta nos seus dias, dizimam qualquer equipa, independentemente das estratégias técnico-tácticas que qualquer treinador possa ter para os parar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Benfica a insistir nos mesmos erros


Texto recuperado do dia 21 de Agosto, data da derrota do Benfica na Madeira aos pés do Nacional.

Momento Transição Ofensiva:

O Benfica aqui perde. E muito. Primeiro porque não podemos diferenciar de forma estruturada os vários momentos do jogo da equipa. Ambos dependem uns dos outros para subsistir e dar aos jogadores as condicionantes necessárias para os abordarem. O Benfica pela deficiente forma como se equilibra defensivamente actualmente, encontra problemas na forma como efectua as suas transições por um aspecto: não tem capacidade de progressão sustentada em cobertura. Os jogadores são deixados demasiadas vezes soltos em acções individuais de um contra um e o apoio próximo em acção de cobertura ofensiva não existe. Isto porque não há o fôlego do tal jogador de equilíbrios para permitir aos outros elementos sair da sua zona de forma a não terem constante preocupação em caso de perda de bola numa altura em que a equipa não se encontra equilibrada recuarem e preencherem os posicionamentos da organização estrutural defensiva da equipa.


Momento Transição Defensiva:


A grande lacuna do Benfica actual. Completamente partido em 2. E passo a explicar. Quando o Benfica sofre transições rápidas ou contra-ataques dos adversários, normalmente, pelo volume ofensivo que apresenta e pelo seu modelo de jogo incutir imensas subidas e penetrações dos laterais, o 6, jogador de primeiro equilíbrio, acaba por ter de se posicionar numa zona de apoio à ultima linha defensiva, desguarnecendo a zona central, de cobertura ao 10 e aos 2 médios alas agora em acção de médios interiores. Essa zona se for rapidamente ocupada por um deles permite à equipa um equilíbrio maior na zona de pressão e na zona onde existe bola. Caso o centro de jogo seja rapidamente variado, há tempo para a equipa se equilibrar e organizar correctamente. Este Benfica erra vezes sem conta neste aspecto. O 6 vai fazer equilíbrio da organização estrutural defensiva, o 10 tem dificuldade em recuar rápido para essa zona, e nenhum dos interiores fecha o espaço 6 - à frente dos centrais - correctamente. Os adversários exploram-no muitas vezes.


Momento Organização Defensiva:


O Benfica aqui continua bem. Estruturado e com qualidade. O grande problema está na forma como a equipa demora a equilibrar-se. E neste campeonato com contra-ataques rápidos e transições a serem a principal forma das equipas utilizarem o seu método da fase ofensiva, faz com que o Benfica seja vulnerável sob o aspecto da forma como defende. Até porque continua Jesus a jogar num bloco alto e de pressão subida, mas sempre que o adversário se organiza e espera a altura certa para explorar a zona do corredor central em transição ofensiva, cria problemas.


http://vidadofutebol.blogspot.com/2010/08/o-novo-benfica-partido-em-2.html

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Os mesmos princípios em diferentes modelos


Ando há algum tempo a procurar ver jogar Arsenal e Barcelona. É sempre objecto de estudo para qualquer pessoa interessada em observar e estudar o jogo. Para além de dois dos melhores treinadores do Mundo, acredito que a diferença é que um já conseguiu encontrar forma de equilibrar a sua equipa defensivamente, também pela maior qualidade de que dispõe. O outro, propriamente, ainda não.

É que ver Barcelona e Arsenal é ver duas equipas com princípios bem definidos. Um retrato real do futebol simples e bem jogado. Demasiado fácil até, diria. Movimentos quase sempre rotinados, posições de mobilidade definidas, desequilíbrios individuais sempre criados pelo individual na forma como pensa e executa rápido.

Contudo, ambos jogam da mesma forma, com sentidos e objectivos distintos no seu modelo. Ver o Barcelona é observar uma equipa em posse e circulação, de certa forma mais lenta e pensada na fase de transição e construção, mas que acelera, e de que forma, na zona de decisão, em movimentos entre-linhas e de ruptura sem bola dos seus elementos da frente, onde se junta, invariavelmente, um quarto elemento, de nome Iniesta, quando um dos defesas laterais faz penetração no corredor central com bola.

O Barcelona define o corredor lateral como o seu meio preferencial para atingir o golo, através do toque curto e da capacidade de colocar no centro de jogo, quase sempre superioridade numérica em relação ao seu adversário. Não em termos do número, mas da forma como ganham metros e crescem no campo pela dinâmica e intensidade na zona de decisão dos seus mais fantásticos artistas.

O Arsenal difere aqui. O corredor lateral funciona apenas como uma extensão do seu predilecto corredor central. Quase como definindo os corredores laterais como zonas desocupadas onde só entram os "jokers" para fazerem posse de bola. O Arsenal, ao contrário do Barcelona em largura, fazendo "campo grande", joga de forma mais estruturada no corredor central, oferecendo-lhe muita profundidade e num jogo então semelhante ao Barcelona mas com penetração e progressão, invariavelmente, pelo corredor central. O que talvez lhe dê, também, pior capacidade defensiva pois a equipa pouco tempo tem para fazer a recuperação e se equilibrar defensivamente.

Como os mesmos princípios e os mesmos métodos (ataque rápido e ataque posicional), podem ter vivências diferentes dentro dos corredores e sectores de um campo de futebol. O Arsenal joga a todo o gás na zona de construção e decisão, espaçando e pensando mais a sua zona de transição. Algo que daria horas e horas para estudar...

Jorge Jesus de cachecol não é o mesmo


É um Benfica ainda à procura da sua identidade. Não única e exclusivamente pela derrota de hoje, mas também. Independentemente da boa exibição na Madeira e do crescendo motivacional, em grande parte verificado pela vitória frente ao velho rival na semana anterior. O problema está na forma como esta época foi e continua a revelar-se mal preparada.

Como o Benfica procura encontrar um esquema de jogo alternativo para anular, de certa forma, a inexistência de duas peças fundamentais para o seu modelo no esquema anterior (ou actual), a potenciação de Coentrão num lugar onde se revelou realmente muito forte - e como extremo continuo a dizer que também o é -, mas o avançar e recuo de ideias face a esse plano de jogo. É que Coentrão joga onde o Mister quiser, é verdade. Mas o Benfica procura agora disfarçar e atenuar a saída de Dí Maria e encontrar alguém que faça as suas funções. Impossível, digo eu.

Até porque jogar uma Champions debilitando um corredor lateral em constante pedido de auxílio, fazendo Coentrão imensos movimentos de apoio ao defesa esquerdo, pois ter Farfán ou Rakitic em constantes situações de um para um com Peixoto anula qualquer possibilidade de exploração desse flanco em superioridade numérica em transição ofensiva, pois qualquer dos jogadores que abandone o corredor central para intervir no centro de jogo (com bola no corredor), oferece à outra equipa possibilidades várias de desequilibrar no contra golpe.

Está visto que Cardozo não tem perfil para este tipo de jogos. E até pode fazer 3 ou 4 golos no próximo jogo europeu. Mas continuo a dizer que no contexto europeu em que o Benfica tem de ter entre 75 a 85% dos seus lances nos momentos de transição ofensiva e organização defensiva, Cardozo torna-se pouco útil pela forma como raramente oferece possibilidade de desequilíbrio no primeiro toque, e na forma pouco capaz com que dificulta o trabalho dos defesas contrários e essencialmente os obriga a recuar no terreno pelos seus movimentos de ruptura que permitam à equipa ganhar metros e encurtar linhas para não ter os sectores tão distantes como hoje se verificou.

Os grandes também erram e no futebol quem não ganha torna-se alvo fácil da crítica.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Di Maria e Canales: Os elos mais fracos


Hoje ao observar o Maiorca-Real Madrid e a ver o desenrolar das alterações que o jogo foi proporcionando, tenho de referir dois nomes que dentro do que se passou em campo foram, na minha opinião, o grande entrave à vitória de Mourinho na estreia e que não souberam entender o que o jogo precisava na altura que a batata quente lhes chegava aos pés. Não esquecendo a ineficácia de Higuain e a perdida incrível de Ronaldo, Benzema (duvido que com Mourinho volte tão cedo), mas Sergio Canales e Di Maria foram jogadores a mais dentro do jogo, à parte dos companheiros.

O jogo decidiu-se na forma como o Maiorca, inspirado na excelente exibição dos seus dois cérebros a meio-campo, ratos, fortes no preenchimento de espaço, inteligentes na posse e com muita eficácia nos seus processos, falo do canadiano De Guzman e do experiente José Luis Martí, souberam controlar e anular a pouca inteligência que Di Maria e Canales apresentaram no jogo, sobretudo na altura da sua decisão (os primeiros 65 minutos).

Canales parecia estar em todo o lado mas aqui começa a grande diferença entre o correr muito e o correr bem. Para além de posicionalmente demorar a aparecer na sua zona, demorou muito a executar. Pensou muitas vezes bem, soube dar linhas aos colegas, mas demorou a reagir e a decidir. Num jogo onde se pedia velocidade e rapidez de processos, não foi de estranhar que Mourinho o tenha substituído na sua primeira mexida. E isto não retira de Canales o grande valor que ele tem. 19 anos apenas.

Di Maria, a história não é de agora. Mourinho já o disse esta semana, que tacticamente não pensava que ele estivesse tão abaixo do exigível para um jogador de alto nível. Não é novidade para ninguém. Posicionalmente é mau. Eficazmente é mau. Em espaço curto é mau. Tudo bem que é um jogador com uma velocidade de ponta e capacidade de execução totalmente acima da média, mas as minhas reticências quanto a uma transferência para um colosso sempre estiveram aqui: Di Maria não tem ainda a maturidade nas dimensões eficácia/qualidade/regularidade das suas acções para jogar ao mais alto nível de forma constante. A ver vamos.

Mourinho corrigiu e apresentou uma nuance táctica ao seu 4x2x3x1 já aqui explorado, http://vidadofutebol.blogspot.com/2010/08/um-real-carborar.html, fez entrar Ozil para vagabundear à frente do duplo pivot defensivo constituído depois por Xabi Alonso e Khedira, embora fisicamente o alemão contratado ao Werder Bremen por 15 milhões de € não esteja ainda com a intensidade e o fulgor que o caracterizam, sobretudo a forma como consegue pensar e executar rápido, com qualidade, invariavelmente, mudaram o jogo do Real então num 4x2x1x3. Benzema pela lentidão e sobretudo pela pouca agressividade de abordagem aos lances não terá dias fáceis com Mourinho. O Real não ganhou o jogo pela pouca eficácia de Higuaín, que até fez um bom jogo, e por uma perdida incrível de Ronaldo por manifesta pouca coragem na hora da finalização, preferindo abordar o drible perante o guarda-redes.

Mau teste para o Real mas nada de preocupante. A equipa está ainda à procura das suas rotinas e dois jogadores fundamentais na forma de jogar desta equipa estiveram hoje grande parte do tempo de jogo no banco de suplentes, falo de Khedira e Ozil. E falta também ao Real a contratação de um avançado diferente de Higuaín e Benzema. É que o argentino está um jogador de grande classe, e até pode explorar mais de si no apoio directo a outro elemento mais de corredor central e zona de finalização na frente de ataque. Não sei porquê mas acho que Mourinho vai voltar a ir às compras...

domingo, 29 de agosto de 2010

Hleb - Driblando pensando


Apesar de já se arrastarem as negociações há alguns dias, parece que só um volte face grande retiraria ao Benfica a possibilidade de contratar o jogador bielorrusso Alieksandr Hleb ao Barcelona, ele que esteve na época passada emprestado ao Estugarda da Alemanha. Aos 29 anos, depois de uma formação no BATE, colocou o seu talento ao serviço do Estugarda, de onde se transferiu para o Arsenal.

Falar de Hleb é o mesmo que pensar o drible puro e a execução de fintas constantes enquadrando essa acção técnica individual no campo colectivo da decisão e do pensar no momento seguinte da acção ofensiva da equipa. Pensar em Hleb com bola é imaginar um cérebro no último terço, idealizando a zona de decisão, utilizando o drible como necessidade para expor os seus recursos.

Talvez surja como um dos jogadores mais fortes nesta dimensão. Perdeu espaço no Arsenal, primeiro, depois no Barcelona, mas não será por isso que retira a qualidade que este jogador denota. Nem teve das épocas mais felizes, na temporada passada, no "seu" Estugarda, pelo que espera, este ano, relançar a carreira, pois ainda vai a tempo de se sentir útil e importante em algo.

Hleb não é um jogador de curva descendente, pois pela forma como pensa e executa ainda vai perdurar nos próximos anos. Ao contrário do que fazem alguns dos jogadores que utilizam a finta como necessidade e forma de construir e desamarrar, sempre, zonas de pressão defensiva, Hleb utiliza-a como forma de chegar ao que pretende. É como se estivéssemos a imaginar um 10 de construção, mas que aborda o drible para chegar ao espaço que pretende, idealizando o lance que escolheu para definir.

Nos dois sistemas mais utilizados por Jesus esta temporada, o 4-1-3-2 ou o 4-3-3 mais posicional, Hleb poderá fazer a faixa esquerda ou a faixa direita do ataque, dependendo dos objectivos e das necessidades posicionais que Jesus pretenda. Não será nunca um jogador de equilíbrio defensivo, ou de contenção. Hleb é um criativo. Também faz a posição 10, onde considero ser o lugar que mais explora o que tem. Protótipo do 10 moderno.

De qualquer das formas, continuo a pensar que este Benfica necessita de um jogador de maior equilíbrio e que permita ligar de forma mais próxima os variados momentos de jogo do Benfica de acordo com as suas mudanças estruturais derivadas dos equilíbrios e organizações posicionais que apresenta.

Agora, com a possibilidade de Hleb ser reforço, e que reforço, creio que entraria imediatamente para top 3 deste campeonato. Em forma e com poder de decisão, liberdade de mobilidade para pensar e executar nos espaços que ele próprio os constrói, este Benfica cresce muito na sua zona de construção, algo que estava a perder de certa forma com a ainda não explosão de Gaitán. Jogadores totalmente diferentes mas facilmente conciliáveis. Imaginar Hleb é pensar Aimar na cabeça e Di Maria nos pés.

O tosco, e o toscano


Apenas algumas notas em relação aos últimos dias. O Zenit, com um Danny a revelar o porquê de ser dos melhores jogadores portugueses da actualidade em grande parte dos aspectos, acabou por ficar fora da Liga dos Campeões pela forma desactualizada e incrivelmente preparada com que o técnico do Zenit abordou o jogo em França.

Não sei se foi ocasional ou esta é a sua forma de entender o jogo, mas uma equipa de alta roda a fazer marcação individual em lances de bola parada defensiva (nomeadamente, e sobretudo, os cantos), deixa-me a pensar bastante. A defesa à zona, hoje, e sempre, vem resolver muito dos problemas que as equipas enfrentam nas bolas paradas. Há um espaço definido, uma zona de acção que os jogadores defensivos irão preencher e abordar com eficiência - esperada - e quase um bloco colectivo, cada um com a sua missão, de forma a conseguirem retirar o perigo iminente de um lance desse tipo.

Fiquei estupefacto ao ver jogadores como o Bruno Alves e o Fernando Meira, sem olhar para a bola (o principal do jogo), a correrem atrás do seu alvo de marcação. Eu pergunto. Se o jogador que olha exclusivamente a bola, é ou não mais rápido que o adversário, tem ou não melhor tempo de salto, consegue ou não, em movimento, coordenar melhor a sua corrida de forma a chegar à bola em primeiro lugar, cria natural perigo. O Zenit foi eliminado e os dois golos do jogo surgiram de dois cantos a favor do Auxerre. Dá que pensar.

No dia de hoje chamou-me à atenção a gestão vimaranense. Bebé foi vendido por 9 milhões de € ao Manchester United, o maior encaixe de sempre de um clube não-grande em Portugal, e arrisco dizer, o maior valor de sempre pago por um jogador tão desconhecido, e os responsáveis do Vitória, com tudo planeado e com uma velocidade de acção sempre importante nestes casos, assumiram a compra, por 500 mil euros, de um jogador brasileiro, que Manuel Machado era perfeito conhecedor, pois elogiou-o e frisou as suas melhores e principais características antes da compra, 26 anos, de nome Toscano.

Hoje quem viu o jogador brasileiro a vagabundear por toda a frente de ataque e com uma velocidade de processos e acima de tudo qualidade na execução acima da média, ficou com claras certezas que o Guimarães ganhou em todas as vertentes. Eu acho que Bebé iria rebentar neste campeonato como aliás escrevi na pré-época. Ele e João Ribeiro de quem acho Portugal poder aproveitar bem mais nos próximos anos. Mas 9 milhões vs. 500 mil euros, e qualidade semelhante, ou rendimento actual talvez a favor do brasileiro, faz-nos pensar.

Toscano assumiu a batuta e com poucos treinos com os colegas, deitando para trás tempos de adaptação, e mostrando o seu futebol, ganhou um jogo com 3 golos e deu os primeiros pontos à sua equipa. Promete dar mais. E os grandes que comecem a olhar com atenção a este jogador.


Nacional 1-1 V. Guimaraes

Simão | Vídeo do MySpace



Nacional 1-3 V. Guimaraes

Simão | Vídeo do MySpace

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A aposta na formação


Bom Dia. Hoje é dia 26 de Agosto. Faltam 6 dias para o fecho do mercado e os clubes, alguns, já há mais de um mês que têm o plantel fechado. As rotinas começam a ser criadas. O modelo de jogo implementado com aquilo que existe. As políticas e objectivos definidos. Os jogadores ganham o seu espaço e outros perdem-no. Uns cimentam a aposta do técnico, e vão agarrando as oportunidades. E há os outros...

Hoje falo de um dos outros. Considerado aos 16 anos (onde foi internacional sub-19) uma das maiores promessas do futebol português dos últimos anos, Nelson Oliveira, uma das caras que integra o futebol profissional do Benfica, no que ao seu quadro de activos diz respeito, encontra-se sem clube. Ou melhor, tem contrato com o Benfica, mas chega ao dia 26 sem ter colocação.

Nelson Oliveira num possível sistema de 4-3-3 que Jesus está a carborar, teria todas as condições para se assumir como uma opção útil. Não estaria em pé de igualdade com Salvio, Jara, Kardec, Cardozo ou Saviola, é certo, mas pelo menos as mesmas condições face ao talento-potencial teria do que Rodrigo, Weldon ou Nuno Gomes.

O miúdo é bom de bola, e sempre o mostrou. Jogador de movimentos de ruptura interiores, onde explora a sua capacidade física, com qualidade técnica, bom em progressão e com um remate forte na zona de finalização, tem todas as condições para marcar uma geração no protótipo de avançado de futuro, coisa que há muitos anos não existe em Portugal.

A aposta na formação foi feita desta forma. Gastaram-se 6 milhões de € num jogador de fora, com a mesma idade e os mesmos requisitos do Nelson Oliveira, ele treina com o plantel, mantém o ritmo, não se sabe se fica ou se sai, e o português... que é feito dele?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O futuro de África


Todos sabemos que ao longo dos tempos, o grande suporte de algumas das mais fortes selecções europeias têm sido os jogadores que acabam por importar em África, quer seja por raízes coloniais, quer por estes jovens saírem cedo do seu continente e procurarem a sorte na Europa. Acontece que um dos países que tem revelado maior aptidão para o lançamento de talentos no futebol está agora a erguer-se e a mudar de política.

Norton de Matos assume a selecção da Guiné-Bissau e revela uma mudança radical nas perspectivas daquele país. Foi às convocatórias das selecções jovens de Portugal e recrutou os seus melhores jogadores. Com ascendências guineenses e que ficam agora "presos" à Guiné, pois em caso de realizarem a primeira internacionalização, já não poderão jogar por outra selecção.

Na nova lista do técnico português constam os nomes de Éder da Académica, um ponta-de-lança já aqui falado no blog:

Éder (Académica)
Idade: 22 anos
Peso: 81kg
Altura: 188cm
Nacionalidade: Guineense

Formado no Oliveira do Hospital e com passagem pelo Tourizense, Éder aparece como uma das principais apostas da briosa para esta época. Jogador de grande porte físico, veloz e que oferece muito trabalho aos centrais, tem características pouco vistas no nosso futebol e que o podem catapultar para uma carreira interessante no nosso país. Neste segundo ano de Briosa, a aposta é outra, e ele vai fazendo por merecer, sendo uma das peças chaves na estrutura de Villas Boas. Vamos ver a sua evolução, mas que há potencial, isso parece-me indiscutível.

Cícero e Ivanildo, duas promessas adiadas do futebol nacional, com possibilidades de se afirmarem agora na sua selecção natural. Pelé, do Belenenses, um jovem produto de talento que promete construir boa carreira em Portugal. Zezinho do Sporting, estrela dos Juniores. Danilo, o badalado ex-Junior do Benfica transferido para Itália. Baldé, um jovem do Porto. Lassana Camará, ex-Junior do Benfica. Kaby, jogador das camadas jovens do Chelsea. Ednilson do Dinamo Tiblisi e Moreira do Partizan.

Muita atenção a estes nomes e ao crescimento que a Guiné Bissau vai certamente revelar.

sábado, 21 de agosto de 2010

O novo Benfica partido em 2


Não era difícil de adivinhar o que iria acontecer. Não foi uma debilidade assim tão gritante como, por exemplo, no jogo da Supertaça, mas a falta de ligação e de equilíbrios deste Benfica nos seus momentos de jogo é gritante, e os resultados surgem naturalmente para uma equipa que joga num bloco tão alto e de pressão constante sem alguém que lhe confira equilíbrios e permita jogar dessa forma.

O Benfica voltou a apostar no 4-1-3-2, com a variante do 4-1-2-3 em organização ofensiva a meio da primeira parte, melhorou substancialmente, mas com o decorrer dos minutos, e sobretudo nesta fase inicial da época, iria-se colocar a nu as fragilidades de uma equipa que não encontra forma de se equilibrar. Tudo isto por faltar um jogador com características para o fazer. Não porque as dinâmicas colectivas estejam erradas. Erro é mantê-las, não tendo forma de as fazer executar.

Momento Organização Ofensiva:

Até acaba por ser das melhores fases deste Benfica. Será natural pelos jogadores que tem e sobretudo pela qualidade de penetração dos executantes. Saviola, Coentrão, Aimar, por exemplo, garantem imprevisibilidade e qualidade no espaço, dando algo mais à organização estrutural da equipa, com tremenda mobilidade. O Benfica este ano sem a presença de Di Maria, fundamentalmente um jogador de linha, de largura e profundidade, joga demasiado pelo corredor central, não o explorando da melhor forma pois concentra nele, sempre, uma imensidão de jogadores em cobertura defensiva do adversário. Falta um jogador diferente de Gaitán, pois já o disse várias vezes, não será jogador para aquele lugar frente a adversários fechados.

Momento Transição Ofensiva:

O Benfica aqui perde. E muito. Primeiro porque não podemos diferenciar de forma estruturada os vários momentos do jogo da equipa. Ambos dependem uns dos outros para subsistir e dar aos jogadores as condicionantes necessárias para os abordarem. O Benfica pela deficiente forma como se equilibra defensivamente actualmente, encontra problemas na forma como efectua as suas transições por um aspecto: não tem capacidade de progressão sustentada em cobertura. Os jogadores são deixados demasiadas vezes soltos em acções individuais de um contra um e o apoio próximo em acção de cobertura ofensiva não existe. Isto porque não há o fôlego do tal jogador de equilíbrios para permitir aos outros elementos sair da sua zona de forma a não terem constante preocupação em caso de perda de bola numa altura em que a equipa não se encontra equilibrada recuarem e preencherem os posicionamentos da organização estrutural defensiva da equipa.

Momento Transição Defensiva:

A grande lacuna do Benfica actual. Completamente partido em 2. E passo a explicar. Quando o Benfica sofre transições rápidas ou contra-ataques dos adversários, normalmente, pelo volume ofensivo que apresenta e pelo seu modelo de jogo incutir imensas subidas e penetrações dos laterais, o 6, jogador de primeiro equilíbrio, acaba por ter de se posicionar numa zona de apoio à ultima linha defensiva, desguarnecendo a zona central, de cobertura ao 10 e aos 2 médios alas agora em acção de médios interiores. Essa zona se for rapidamente ocupada por um deles permite à equipa um equilíbrio maior na zona de pressão e na zona onde existe bola. Caso o centro de jogo seja rapidamente variado, há tempo para a equipa se equilibrar e organizar correctamente. Este Benfica erra vezes sem conta neste aspecto. O 6 vai fazer equilíbrio da organização estrutural defensiva, o 10 tem dificuldade em recuar rápido para essa zona, e nenhum dos interiores fecha o espaço 6 - à frente dos centrais - correctamente. Os adversários exploram-no muitas vezes.

Momento Organização Defensiva:

O Benfica aqui continua bem. Estruturado e com qualidade. O grande problema está na forma como a equipa demora a equilibrar-se. E neste campeonato com contra-ataques rápidos e transições a serem a principal forma das equipas utilizarem o seu método da fase ofensiva, faz com que o Benfica seja vulnerável sob o aspecto da forma como defende. Até porque continua Jesus a jogar num bloco alto e de pressão subida, mas sempre que o adversário se organiza e espera a altura certa para explorar a zona do corredor central em transição ofensiva, cria problemas.

Momento Bolas Paradas:

A acção e coragem do guarda-redes é fundamental. No primeiro golo há um erro posicional defensivo da equipa. A zona do primeiro poste nunca pode ficar descoberta seja de que forma for. Ainda por cima numa bola que de forma perspectiva iria ser colocada naquela zona. Roberto não está isento de culpas, mas a equipa é culpada pelo golo. O segundo... não há muito a dizer. Incrível, incrível!

Drenthe mas não para solucionar


O Benfica está a um passo de assinar a contratação do holandês do Real Madrid Drenthe. Dispensado por José Mourinho, tal como já tinham sido dispensados do clube madrileno Javi Garcia ou Saviola, parece que o destino do holandês será mesmo o Benfica.

O reforço de Drenthe vem encaixar numa política de fortalecimento do plantel, sendo claramente um acréscimo de qualidade. Atenção a um ponto. O Benfica não garante com Drenthe um titular absoluto mas é um jogador com todas as condições para ser figura aqui. É que ser dispensado do Real não é necessariamente um mau predicado. Um plantel de topo, onde só os melhores dos melhores têm lugar. E qualquer dispensável daquele grupo, é figura de cartaz de uma equipa do nosso campeonatozinho.

A grande diferença do Benfica do ano passado para este prende-se com a falta de equilíbrios e de ligação entre linhas nos vários momentos do jogo do Benfica. Será um dos próximos posts, provavelmente depois do jogo na Madeira onde mais uma vez essas debilidades ficarão a nu (em menor expressão se jogar Amorim).

Drenthe é um jogador de faixa esquerda, capaz de jogar como lateral esquerdo ou extremo esquerdo. Será como Extremo que poderá potenciar de forma mais eficaz o que tem. Aliás, não creio que a expectativa seja de o colocar como lateral. Drenthe virá fazer duo com Gaitán e ambos encaixam bem no mesmo sistema e na mesma forma de jogar. Drenthe é um jogador de maior largura, de profundidade, um jogo mais vertical, capaz de esticar e proporcionar outras opções que Gaitán não dá em certo tipo de jogos.

Gaitán pela forma equilibrada como desenvolve as suas acções, pelo futebol mais de posse e circulação e de inteligência posicional, sobretudo em roturas com e sem bola, irá jogar muitas vezes neste Benfica na faixa direita e no apoio aos dois avançados, não tenho grandes dúvidas. Com Drenthe, o Benfica ganha uma opção à imagem de Di Maria. Com a mesma qualidade? Eu digo que não em perspectiva, mas com potencial para equiparar.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O muito mau contagiante


Numa altura de nova descrença absoluta no reino leonino, em que depois da derrota em Paços, voltam a perder, e logo em casa, frente aos dinamarqueses do Brondby, por 2-0, complicando e muito as contas do acesso às competições europeias esta temporada, resta-me fazer uma análise fria e objectiva aos grandes problemas do actual Sporting.

Muito Mau (Colectivo):

- Incapacidade de criar zonas de pressão e fazê-lo de forma colectiva. A pressão do Sporting é esporádica e espaçada. Ainda não entendi de que forma o bloco se organiza em pressão de acordo com os momentos do adversário. Sai um jogador em pressão correcta para encurtar espaço e queimar linhas aqui e ali, e o culpado é ele, pois não houve seguimento, e ele criou um espaço para o adversário progredir.

- Distância de linhas. Incompreensível a forma como o Sporting não encontra soluções na sua transição ofensiva. Jogam muito distantes, sobretudo o duplo pivot a meio-campo dos avançados. Os movimentos interiores dos jogadores dos corredores laterais que o técnico exploram não são aproveitados pois não existe um apoio frontal imediato de um dos dois avançados, e quando o há, a bola morre ali. Solicitação quase sempre (perdida) do passe longo directo nos homens da frente. O bloco está muito recuado e as segundas bolas são uma miragem.

- Transição defensiva. Péssimo, péssimo, péssimo! Maniche e André Santos demoram eternidades a recuperar, não existindo um ponto fixo de equilíbrio do jogo da equipa em transição defensiva que deveria permitir aos colegas recuperar. Sobem de forma descoordenada e encontram-se quase sempre mal posicionados. Já para não falar dos laterais. A equipa está quase sempre partida em 2 em contra-pé.

- Não será certamente do treino mas o Sporting é das piores equipas do Mundo na zona de finalização. Raramente existem soluções, e quando elas aparecem, alguém as desperdiça. Mal sob o ponto de vista de criação e mobilidade no último reduto. Isto é trabalho e potenciação do modelo de jogo.

Muito Mau (Individual):

- Os sportinguistas adoram a raça e as correrias de João Pereira. Para mim, é mau demais como jogador. Primeiramente instável e sem estofo mental para estas competências. Em adversidade já sabemos quem erra e faz asneira ao nível disciplinar. Depois, muito mau em termos de ocupação do espaço interior e da cobertura defensiva. Fecha mal o seu espaço e é frequentemente batido por mau posicionamento.

- Nuno André Coelho é jovem, tem a sua qualidade, mas longe de ser um jogador de uma equipa que se considera grande. Mediano em quase tudo. A compleição física ajuda a disfarçar mas em antecipação é nulo, em leitura nem se fala.

- Maniche parece não querer assumir nada neste Sporting. Lento a recuperar, mal sob o ponto de vista posicional, sem fôlego para queimar metros entre linhas, fraco no último terço e na organização, tenta invariavelmente os mesmos desequilíbrios: passe para o lateral. Muito curto.

- Postiga é dos melhores avançados da Liga na recepção, no drible sob pressão, na protecção da bola. Apesar de continuar a achar que se trata de um problema de confiança e instabilidade, é o pior da Liga a finalizar. Muito mau.

- Liedson até subiu de rendimento, mas não chega. Não pressiona, não apresenta mobilidade, não cria desequilíbrios, não ganha vantagem em quase nada, e ainda finaliza mal. O que se passa?

Ainda assim...

- É o capitão e está em quase tudo o que existe de correcto no jogo do Sporting. Luta, essencialmente compreende o seu papel dentro de campo, muito inteligente nas abordagens e na forma como consegue fazer subir a equipa a partir de trás. Falo de Carriço.

- Vukcevic já se cansou de ser segunda opção. Vinha a ser dos melhores do Sporting e insiste-se em colocá-lo como reserva. Alguém explique a Paulo Sérgio que ele como segundo avançado e com mobilidade de exploração entre linhas, ia dar que falar.

- Jaime Valdés é o melhor jogador do Sporting. Muito forte no critério, na forma como assume o jogo e encara de frente os adversários. Normalmente jogadores assim, de fino recorte, só correm com bola. Errado. Jaime Valdés também vai atrás dela e luta pela sua posse. Uma surpresa.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eduardo Salvio em 4x3x3


O país voltou a ficar agitado mas, desta vez, bastaram apenas dois segundos para uma decisão ser tomada. Salvio assina pelo Benfica, um empréstimo válido por uma temporada sem opção de compra aparente no contrato de cedência.

Parece-me agora lógico que o Benfica vai estruturar um 4-3-3 posicional em organização ofensiva com a entrada deste jogador. Não faz sentido Jesus pensar nele como avançado, no 4-1-3-2, pois para além de existirem já opções de sobra (e com qualidade evidente), Salvio assume-se como 2ª opção em termos qualitativos para já. Aqui colocaria-o na mesma escala de Jara, pois ambos desempenhariam as mesmas funções e as mesmas perspectivas de opção.

Num 4-3-3 as coisas mudam de figura. Salvio é um jogador agressivo, muito mexido. É um dos avançados da nova linhagem argentina de pressão alta e qualidade técnica no espaço curto. Pode servir bem descaído numa das alas em constantes movimentos de ruptura interiores. Não me parece que possa ser opção no 4-1-3-2 como extremo direito ou extremo esquerdo, até porque o Benfica nesse sistema (e em qualquer outro) precisa obrigatoriamente de um jogador de equilíbrios e esse ainda está para vir, ou de largura e profundidade, e esse será Gaitán ou o próprio Coentrão.

Salvio vem acrescentar qualidade, parece-me notório, não se perspectiva comparação possível com Urreta, pois Salvio no imediato é melhor opção, pensamos sim no facto de existir um empréstimo de ambos os atletas com o Benfica a perder hipótese de explorar o seu produto para importar um jogador que, à primeira vista, fará apenas um ano na Luz.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Um Real a carborar


O Real Madrid fez hoje novo jogo de preparação frente aos belgas do Standard Liége com um nível de preparação mais adiantado em relação aos espanhóis. Foi interessante observar alguns dos aspectos fundamentais que Mourinho parece querer implementar na sua equipa:

- 4x4x2 com variante de 4x2x3x1 em organização defensiva e 4x1x3x2 em organização ofensiva.

- Abordando o ponto de partida de um 4x2x3x1 em transição ofensiva, com Lass Diarra a assumir papel de destaque por ser focado como primeiro elemento de construção, no passe curto e apoio rápido à lateral.

- Variantes posicionais de ruptura dos avançados em transição, dependendo do corredor em que a bola se encontra. Aqui Ronaldo vai explorar muito em transição ofensiva o flanco esquerdo e aparecerá na zona de finalização com facilidade.

- Foco principal do seu futebol em passe curto e basculação posicional de todos os elementos quer em acção de posse, quer em acção de equilíbrio e organização defensiva.

- Pressão média/alta, equilibrando-se com os duplos pivots defensivos, um em zonas de pressão e de transição do adversário, e outro no apoio ao quarteto defensivo, não permitindo que a equipa se parta em 2.

- Liberdade do elemento de apoio aos 2 da frente para fazer movimentos de ruptura constante, com e sem bola. Aqui Ozil e Kaka vão rebentar com as defesas contrárias.

Alguém diga a Quaresma que ainda não é tarde


Está em grande na Turquia. Não é tarde para vir a ser figura do futebol Mundial como capacidades - de sobra - que tem. Com 26 anos e a viver uma experiência nova na sua carreira, parece que a corda está esticada ao máximo e ele vai escolher para que lado quer que se parte.

Nunca duvidei do seu talento e da capacidade que oferece a uma equipa na zona de decisão pela tremenda eficácia e genialidade com que idealiza as suas acções. Goste-se ou não do estilo, critique-se ou não o profissionalismo, a prova de fogo de Quaresma está aí. Ou vinga, e dá o salto - e prova que ainda tem muito para dar -, ou fica-se pelos malabarismos e golos bonitos, num contexto médio-europeu, e não passa disso. Muito curto, para tudo o que tem.



domingo, 15 de agosto de 2010

Já chega de(ste) Liedson


Os adeptos do Sporting passam hoje mais um dia de mágoa e desilusão com a sua equipa. Daquilo que foi possível apurar à primeira vista, poucos são os que mantém a esperança de ver a sua equipa ser campeã nacional. Por incrível que pareça. E bastou apenas um jogo.

Não creio que seja necessário mandar tudo fora e trazer-se 25 jogadores novos. Contudo, há um caso que me parece arrastar-se já desde a temporada anterior e que teima em ser solucionado pelos responsáveis. É, passe-se o termo, o Nuno Gomes do Sporting, aí por volta das épocas 2005/2006, 2006/2007, 2007/2008, onde o capitão do Benfica assumia papel de destaque no ataque das águias e era criticado por quase todos.

Liedson vai a caminho dos 33 anos mas esse nem é o aspecto fundamental da crítica em relação às suas exibições. A pouca agressividade que vem emprestando ao jogo, o pouco querer, inclusivamente a inacreditável forma como parece ter desaprendido os posicionamentos da dinâmica ofensiva da equipa em organização ou em transição, fazem-me acreditar que caso Paulo Sérgio queira dar a volta ao seu problema, tem de começar a encostar alguns dos notáveis.

Caso Liedson não tivesse tanto peso no balneário, e ele faz gosto em dizê-lo, não sei até que ponto esta poderia ser uma medida assertiva da direcção. O pouco apetite pelos golos que tem evidenciado deixa-me a pensar o que lhe devem Postiga e Saleiro.

Mais fortes na organização, melhores tecnicamente, mais capazes fisicamente, e com uma coisa em comum: não sabem fazer golos frequentemente. Postiga por fraca capacidade mental. Saleiro porque não acerta, e não tem qualidade para mais. E Liedson porque... já deu o que tinha para dar no Sporting.

Desmistificar o "falhar tantos golos" e os apontamentos Caetano e Simão


- O Sporting apareceu hoje na Mata Real dentro daquilo que é a minha perspectiva para este sistema de Paulo Sérgio. Sobretudo nas alas da 2ª linha da equipa. Matias Fernandéz e Jaime Valdés tornam-se clientes obrigatórios deste sistema, permitindo à equipa maior proximidade entre o seu duplo pivot central a meio-campo e os dois avançados. Sobretudo pelo critério e capacidade de progressão que eles conseguem dar, com e sem bola. Até porque uma equipa que parece querer jogar num bloco subido, não pode explorar constantemente o passe directo nos dois avançados pela falta de elementos de ligação na zona de construção, sob o risco das transições rápidas sem a defesa do Sporting estar equilibrada serem uma constante.

- Não percebi a opção de jogar Carriço ao meio, independentemente das poucas opções. Tal como não percebo a insistência em Polga e Liedson, dois jogadores que já mostraram estar longe do seu auge e fundamentalmente fora do que é necessário para a alta roda competitiva que se pede a dois jogadores de um clube que luta para o título (justiça lhe seja feita).

- A anarquia final de um sistema com Postiga a servir Liedson, Saleiro, Djaló e Vukcevic, parece-me natural pois poucos foram ainda os espaços, essencialmente no treino, em que a equipa teve de procurar estratégias alternativas e variantes mais extremas daqueles que têm de ser os processos fundamentais apreendidos e exaustivamente repetidos para se assimilar um modelo e coesão de linhas orientadoras deste novo Sporting.

- Em relação às palavras finais do jogo, parece-me importante questionar onde estão as oportunidades de golo que Paulo Sérgio reclama não terem sido concretizadas. É que o Paços tem pelo menos Mário Rondon 2 vezes na cara de Rui Patrício e desperdiçou. O Sporting apresentou sim dificuldade na zona de construção e na forma como poucos foram os jogadores que conseguiram surgir em condições de desequilibrar e causar desequilíbrios na boa organização defensiva dos pacenses.

- Apesar deste sistema poder ser bem trabalhado com dois jogadores nas alas com capacidade de construção em terrenos mais interiores, é fundamental ter um avançado rápido, com mobilidade, sobretudo explorando as costas de outro avançado mais fixo, e que apareça nas faixas e no apoio directo ao duplo pivot. E é aqui que não percebo a não titularidade de Djaló.

- O bom jogo do Paços é uma realidade, sobretudo em termos organizacionais e de consolidação de processos, sobretudo na fase ofensiva, mas é efémero quanto a mim. Uma equipa com tantos jovens, e a ser esta a aposta estrutural de Rui Vitória, parece-me que frente aos velhotes manhosos que há no nosso futebol, as diferenças irão aparecer.

- Rui Caetano mostrou bons apontamentos e aos 19 anos parece ter levado muita gente a ficar entusiasmada com ele. Face à sua capacidade física (1,65cm, 56 kg) desproporcional às exigências de uma liga madura, por não ser muito veloz e muito explosivo, terá algumas dificuldades em assumir-se assim tão facilmente como se parece fazer crer.

- David Simão tem realmente um futebol acima da média, sobretudo na hora de decisão, saindo do seu pé esquerdo bolas quase sempre certas e rupturas perigosas, mas não aumentando a sua dinâmica e intensidade, terá dificuldades.

- Boas surpresas Olimpio e Rondon. Atenção a este avançado com espaço para correr.

sábado, 14 de agosto de 2010

A ausência confrangedora de Maxi


Os adeptos do Benfica têm esta peculiaridade e os portugueses no geral também o manifestam. Um jogo bastou para os receios e os problemas voltarem a assolar a casa benfiquista. Aliás, custa entender como é possível a derrota com o Porto criar tantas questões na cabeça das pessoas. Certo é que já existiam dúvidas e pistas para este culminar... as vendas, a preparação, o planeamento, os reforços... algo não está a corresponder ao esperado.

Contudo, eu aponto baterias na forma como se descartou a possibilidade de integrar Maxi Pereira o mais cedo possível na pré-época. Fucile, chegou uma semana antes de Maxi. É necessário referir a importância extrema que o uruguaio tem neste sistema do Benfica. Considero-o inclusivamente um dos melhores laterais direitos do Mundo. E os laterais assumem, neste futebol moderno, um dos pontos estratégicos fundamentais de qualquer equipa.

Maxi assume-se muito forte no aspecto defensivo, mas acima de tudo na fase ofensiva do jogo. Defensivamente é muito forte na ocupação do espaço e na leitura da forma como tem de se posicionar em organização, dar equilíbrio em outros espaços, ou sair em pressing, quase sempre correctamente. Para além disso é muito agressivo na abordagem e na disputa física.

Ofensivamente assume-se como um dos principais jogadores deste Benfica. Não pelas fintas maravilhosas que não tem, mas sim pelos constantes movimentos de ruptura e de mobilidade que apresenta pelo seu flanco. Para além disso, apresenta-se muito forte em progressão, o que permite à equipa subir linhas e ter opções mais próximas em transição. No espaço interior, e em espaço curto, faz a diferença.

Neste 4x1x3x2, a forma como equilibra constantemente as saídas em pressão de Ramires, ou aparece como referência posicional no corredor lateral direito em profundidade, segurando bem e partindo melhor em progressão, faz com que o Benfica jogue mais próximo e mais forte no típico jogo do passe curto e ruptura rápida posicional.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Bebé para adulto pensar


Não poderia deixar de fugir ao assunto do dia. Primeiro porque sou adepto extremo da tese "os jogadores dos pequenos é que vão ser jogadores, os dos grandes não têm hipótese". E passo a explicar.

Alguém consideraria, por exemplo, Diogo Salomão ou Bebé, há dois anos atrás, mais promissores do que um Bruno Matias ou André Carvalhas? A razão é clara. Os jogadores dos grandes, em fim citados, com pouco espaço e pouca aposta da parte dos seus clubes, foram coleccionando empréstimos e esquecendo a génese de uma expectativa grande em relação a dois nomes (entre tantos outros) que geram imenso potencial. Os "pequeninos", foram passo a passo, com espaço e fundamentalmente aposta, construindo uma carreira interessante e a dar os seus frutos.

Bebé é um jovem com muito potencial e com características muito interessantes para o futebol moderno. Naturalmente, totalmente capacitado e "peixe na água" no futebol inglês. Mas reparemos, estamos a falar de um menino da rua, sem qualquer experiência ou base de futebol de alto rendimento.

É a prova provada que o talento inato, supera todas as perspectivas de trabalho baseado no estudo e na especialização juvenil. As qualidades físicas nasceram com ele, a forma como alia a potência muscular, à velocidade, à coordenação, à capacidade de drible, à imprevisibilidade e facilidade de remate de longa distância, fazem todos os adeptos de futebol perguntar onde começou e acabou o trabalho evolutivo com este jovem.

"Bebé (20 anos) - Muito forte fisicamente, veloz e com excelente poder de drible, vai ser uma das grandes revelações desta prova. Joga em ambas as alas ofensivas, pode jogar também por dentro, assume-se como um jovem muito promissor.", de 23 de Julho 2010.

Não esquecendo, nesta análise, mais uma vez, um dos temas já aqui abordados: O factor JM. Está em todas, e o seu crédito parece não ter fim seja em que clube for.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O potencial tremendo dos Meninos da Vila e cia.


O novo Brasil estreou-se esta madrugada frente aos Estados Unidos e venceu o teste por 2-0. Mano Menezes, aposta de recurso, ou não, entrou com o pé direito à frente do escrete e venceu sem margem para dúvidas.

Os Estados Unidos foram presa fácil ao longo de todo o encontro, parecendo-me uma equipa totalmente desfasada da alta roda competitiva a que qualquer equipa que chegue aos oitavos-de-final de um recente Mundial deveria apresentar.

Ainda assim, o destaque da noite vai para o potencial tremendo dos brasileiros, sobretudo a apontar baterias para a próxima década de grandes competições internacionais ao nível de selecções. O destaque vai para a terceira geração dos meninos da vila, com o capitão da segunda, incógnita constante pela irregularidade, mas para quem gosta do estilo, fundamental em qualquer sistema. Falo de Robinho.

O mais velho em campo (27 anos), lidera uma equipa de meninos com imenso talento. O Brasil dispôs-se num 4-1-2-3, com triângulo invertido a meio-campo, com muita mobilidade. O típico futebol canarinho, de toque curto e imprevisibilidade, muito assente no princípio fundamental da posse de bola e circulação.

É um regalo ver Paulo Henrique Ganso, o futuro grande médio centro mundial dos próximos dez anos. Não é uma questão de jogar muito bonito e por vezes pouco eficiente, mas a forma como trata a bola, como joga no espaço curto e, sobretudo, como dá dimensão ao sentido pensar-decidir-executar, juntando a forma como executa e dá início rapidamente ao seu processo seguinte (movimentação), fazem-me acreditar que está aqui um dos melhores do Mundo para os próximos anos.

Neymar está a crescer a olhos vistos. Começa a perceber cada vez mais a eficiência e objectividade que tem de dar ao seu futebol. Velocidade de ponta com e sem bola, muito virtuoso, dono da bola, assume aos 18 anos sem receio ir para cima de qualquer adversário, tendo especial apetite pelo golo. Que talento.

Alexandre Pato até nem é surpresa, não foi ao Mundial, mas promete continuar a crescer e a afirmar-se. Tecnicamente muito dotado, frio e eficaz na hora de decidir, muito talento. Apenas 20 anos.

Lucas Leiva (23 anos), sob o ponto de vista dos equilíbrios que este sistema tem de ter, assumiu com Ramires (23 anos) um papel de critério e qualidade importante no primeiro toque em transição, fundamental também pelos apoios exteriores dos jogadores dos corredores laterais, nomeadamente André Santos (27 anos) e Daniel Alves (27 anos).

A forma como este Brasil procura o seu primeiro elemento de transição constantemente no corredor lateral a partir de um movimento de ruptura de um lateral, abrindo espaço no flanco oposto, e tendo jogadores capazes de decidir rápido na zona de construção explorando esses espaços com elementos muito fortes no drible e na criatividade, não deixam dúvidas quanto ao potencial deste novo Brasil, se a filosofia se mantiver. É que faltam 4 anos para a Copa 2014 e faz todo o sentido escolher o lote base e trabalhar-se sobre ele com o sentido de o fazer crescer conjuntamente.

Está aí a nova vaga de talentos dos próximos cabeças de série a nível Mundial: Ganso (Brasil - 20 anos), Neymar (Brasil - 18 anos), Ozil (Alemanha - 21 anos), Thomas Muller (Alemanha - 20 anos), Sergio Canales (Espanha - 19 anos) e Dani Pacheco (Espanha - 19 anos).

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Supertaça: Os momentos de ligação


Nem tudo foi assim tão fantástico no FC Porto da Supertaça. Estrategicamente mais fortes do que o Benfica e, sobretudo, com mais eficiência, embora sem fazer um jogo extraordinário, os dragões são justos vencedores, até porque ou por demérito do Benfica ou por mérito da sua organização defensiva, os encarnados foram preza fácil para a conquista de mais uma Supertaça.

Contudo, para este jogo, chamo a factor principal de diferenciação entre as duas equipas os momentos de ligação nas suas fases do jogo. Sobretudo pela forma como as realizaram e a eficácia dos intervenientes com que as executaram.

Transição Positiva:

- A disponibilidade de Varela em assumir-se como a principal referência na transição ofensiva do Porto, até porque teve espaço para o fazer. A forma como o Porto baixou e basculou o seu flanco direito, deu metros e metros às arrancadas de Varela. E a sua velocidade e cada vez mais eficiência nas suas acções, fizeram a diferença.

- Belluschi. Foi capaz de ocupar quase sempre bem os espaços e de ter sempre uma palavra a dizer na zona de construção, onde se vem revelando um dos principais elementos deste Porto. Parece-me actualmente bem mais decisivo que Micael.

- Fernando foi batido apenas uma vez, no lance em que vai no carrinho e faz falta (perigosa) sobre Coentrão. Excelente na forma como equilibra os vários momentos da equipa e não permite que ela se divida. Posicionalmente perfeito.

- Porque Falcão é um avançado de topo. Permite à equipa jogar mais subida, explora bem as costas da defesa, aparece quase sempre em zonas de finalização com engenho para o fazer. Dos melhores em Portugal dos últimos anos.

- David Luiz é cada vez mais jogador de topo. Preenchimento de espaços avassalador, ainda mais pela forma como saiu em transição inúmeras vezes a carregar o jogo ofensivo do Benfica às suas costas.

Transição Negativa:

- Carlos Martins nunca será um jogador de ligação. Jogando como Interior contra um adversário forte, e sobretudo, estando fisicamente desgastado, acaba por errar logicamente. O Benfica quebrou-se em dois pelo seu pouco sentido posicional em transição defensiva (até porque era ele que perdia a maioria das bolas).

- A posição (espaço) 6 e 10 em organização defensiva. Foi lógico que o Benfica perdeu a luta no corredor central e sobretudo despovoou-o. Se Airton baixou causando equilíbrios defensivos, e Aimar procurava cumprir posicionalmente o papel do trinco brasileiro, existia um fosso grande entre a zona de ligação do Benfica e os seus elementos mais adiantados. Quase que a equipa partida em 2 em organização defensiva e transição ofensiva. Até porque Martins nunca ocupou bem os espaços.

- Hulk foi dos piores de Aveiro. Muito mal sob o capítulo da decisão que emprestou às suas acções. Quase sempre batido, poucas vezes revelador dos seus atributos, muitas vezes ridicularizado.

domingo, 8 de agosto de 2010

Fábio Coentrão, Jorge Jesus e a banalidade


Continuo a ficar surpreendido e estupefacto com a opinião pública (leia-se, adeptos) nos momentos seguintes aos desaires ou exibições menos conseguidas dos jogadores do seu clube. O Benfica acabou por perder ontem - e bem - pois o Porto revelou-se mais forte em todos os momentos do jogo, o que torna realmente surpreendente o desfecho do jogo, porque uma equipa com os processos tão bem consolidados em relação às novidades dos azuis e brancos, não pode ser tão inofensiva como o Benfica ontem foi, independentemente dos jogadores que ontem faltaram, pois as dinâmicas que eles imprimem, não podem suplantar a organização estrutural e funcional da equipa.

Mas o meu comentário de hoje recai sobre Fábio Coentrão e mais propriamente sobre a sua utilização como Médio Ala Esquerdo no jogo de ontem. A "descoberta" de Jorge Jesus, surge por um ponto fundamental: Coentrão, o ano passado, estava a ser dos jogadores mais fortes do Benfica numa altura em que Dí Maria crescia a olhos vistos. E como não poderia, nem um nem outro, ser opção de recurso, conciliou-se os dois pelo elevado volume ofensivo do jogo do Benfica.

Ou seja, partimos para um ponto inicial: Coentrão a Médio Esquerdo reclamou na época passada o lugar de titular ao novo galáctico do Real Madrid. Talvez por não ser assim tão banal a Ala Esquerdo. E comparações com Miguel do Valência... o que têm em comum? Miguel sempre foi um extremo curto, cresceu muito como lateral... Coentrão é um jogador de topo quer como lateral quer como extremo.

A qualidade dos jogadores e o espaço que ocupam são dois factores que não se dissociam e Coentrão pela forma agressiva como aborda as zonas de pressão, a facilidade e integração em momentos ofensivos, o drible e a velocidade que imprime nos seus lances, e sobretudo, em termos estratégicos, a forma como explora e dá largura e profundidade ao corredor, foi o que levou Jesus a colocá-lo ontem como extremo.

Face a uma organização funcional e estrutural que pretendeu ser equivalente ao ano anterior, frente a uma equipa muito forte a meio-campo (o recente 4-3-3 poderia ter problemas), Coentrão surgia como elemento fundamental na forma como puxaria Hulk para trás e obrigava invariavelmente em transição o centro de jogo a mudar daquela zona, explorando o corredor contrário.

Acontece que do outro lado esteve um super Varela. Em termos estratégicos percebo exactamente o que quis ter Jesus, obrigando os médios em acção de pressão e cobertura do Porto a caírem no seu flanco direito, caindo Saviola no flanco oposto de forma a explorar esses espaços.

Foi tudo certo sob a minha forma de observação. Acontece que as dinâmicas colectivas, sobretudo pelas acções individuais, não corresponderam ao esperado no plano táctico. César Peixoto foi dos melhores ontem. E por aí se vê a mediania em que esteve o Benfica ontem. Uma falta gritante de ocupação do espaço central entre a zona de construção e zona de decisão, pois como Saviola foi um intenso explorador de outros espaços, era necessário mais de Aimar nessa zona. E o argentino não o conseguiu fazer por uma falta de fulgor que me surpreendeu. Com a entrada de Jara o Benfica mudou e cresceu, pois essa foi uma debilidade evidente e corrigida.

Contas feitas, parece-me evidente que o Benfica necessita de outro jogador, quem sabe dois. Um Médio Interior, capaz de ocupar os espaços de ligação entre fase defensiva e ofensiva do jogo com a mesma eficiência de Ramires, forte nas transições e com poder de largura no jogo. E, se for possível, um jogador com as características que tem um dos nomes que mais se fala... Ben Arfa. Jogador de corredor central capaz de ocupar também uma faixa, de criação e velocidade. Sobretudo, a expectativa de Jesus foi essa. Pois Coentrão, jogue onde jogar, é um jogador de topo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Danilo e Élton, o novo gverreiro


A imprensa italiana dá conta da possibilidade de Danilo Pereira, ex-Junior do Benfica e internacional sub-19, estar a ser disputado entre a Udinese e o AC Milan que acreditam no valor do jogador e ficaram bastante agradados com o seu desempenho no recente europeu sub-19 em que a selecção portuguesa venceu a congénere italiana.

Em final de contrato, Danilo é um trinco alto, possante, forte no preenchimento de espaços pela sua capacidade física e com bons recursos técnicos ao nível do passe curto e do drible. Não é um jogador muito forte ao nível do desarme e da leitura táctica e antecipação. Não me parece, e sempre o referi, jogador para o Benfica, embora acredite que possa construir uma carreira interessante em Portugal.

Entretanto foi com imensa surpresa que li o presidente do Vasco dar como certo o empréstimo de Élton ao Braga. Até porque sou um admirador das qualidades do jogador e porque já o referi aqui no blog a possibilidade de ser um bom reforço para o Benfica, na altura que se falava na compra de mais um avançado (antes de Kardec).

Em Dezembro:

http://vidadofutebol.blogspot.com/2009/12/club-de-regatas-vasco-da-gama.html
Foi, talvez, a figura maior dos cariocas na época agora finda. Marcou 27 golos, arrecadou o prémio de melhor marcador da prova e resolveu muitas partidas para os vascaínos. Aos 24 anos assumiu-se seriamente como uma das próximas figuras do brasileirão. Tem um pé esquerdo mortífero na hora de finalizar. Apesar de possuir capacidade técnica assinalável, não é um jogador muito forte no poder de finta, concentrando-se em espaços centrais, onde procura com rápidos movimentos explosivos o pé esquerdo para visar a baliza. Tem um porte físico invulgar para tanta agilidade (185cm, 84kg), joga bem de cabeça, muito frio a executar grandes penalidades e com óptimo sentido de posicionamento na altura de aparecer em espaços de finalização. Um Cardozo à brasileira... sem dúvida o melhor avançado da Série B no ano agora findo.


A instabilidade Postiga


Hélder Postiga deu hoje um pontapé na crise e parece, finalmente, ter agradado à maioria dos adeptos do Sporting, anos depois. É verdade! O facto de um ponta-de-lança, que vive de golos, passar meses e meses sem facturar, um jogador internacional e com carreira em clubes de nomeada, deixa toda a gente expectante em relação ao que se passa realmente com este jogador.

A mim parece-me natural que o grande entrave à afirmação de Hélder Postiga se deveu sempre ao acompanhamento e à confiança que os treinadores depositavam sobre si. O seu aparecimento com José Mourinho foi de altos e baixos, mas o special one sempre disse: Tem tudo para ser craque, mas vai ter de ouvir muita coisa que não gosta.

A falta de capacidade mental de Postiga em saber lidar com as adversidades e responder sobre os problemas, apareceu como um obstáculo alto de mais para o saber ultrapassar sozinho. Simplesmente alterou características, afastou-se da zona de finalização quase que como obrigado por si próprio, deixou de ser irreverente e empenhado.

Aliás, a forma como o jogador natural de Vila do Conde, no Euro 2004, marca um penalty decisivo "à panenka" contra a Inglaterra, faz-nos ver que algo não está correcto com ele sob o ponto de vista mental. É certo que correu bem. E se tivesse falhado? Não pensou nisso, naquele momento? A irreverência de um jovem com então 22 anos explica tudo? Não creio.

Postiga é um jogador que devidamente acompanhado e potencializado, pode dar bem mais ao futebol nacional do que aquilo que tem feito. Aos 28 anos aparece num Sporting remodelado e onde parece capaz de se impor. Para mim, ele e Saleiro são os dois jogadores mais aptos para integrar este 4x4x2 clássico de Paulo Sérgio. Sim, com Liedson de fora.

Sempre foi inteligente e apto em recursos técnicos para resolver problemas, bom com ambos os pés e prático na hora de finalizar. Foi perdendo algumas coisas ao longo dos anos, foi conquistando outras, embora acredite que as tenha escondido no meio da desconfiança e desacreditar com que todos - incluindo ele - foram olhando para o seu futebol.

Pode ser o seu ano, o tal pontapé na crise na instabilidade Postiga.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

E foi-se o queniano...


Recuperando o texto de Fevereiro "Com e sem Ramires":

Já aqui escrevi muitas vezes que Saviola é, neste Benfica, o jogador mais eficaz e decisivo no processo ofensivo e na definição dos momentos e métodos com que a equipa define a sua fase ofensiva.

Contudo, neste Benfica, há outro jogador que mexe com toda a estrutura na forma como joga e permite aos seus colegas jogarem. Acho que já ficou bem patente, e nem é pelo facto de hoje (vs. Vit. Setúbal) não ter sido titular, que o Benfica demolidor sob o ponto de vista da pressão e ocupação de espaços com bloco subido e a eliminar consecutivamente as zonas de transição do adversário, precisa de ter Ramires, e precisa que o queniano esteja ao seu nível em termos físicos para haver o Benfica capaz de vencer a qualquer equipa.

Ramires dentro dos processos de jogo do Benfica, desempenha funções essenciais quer na fase defensiva, quer na fase ofensiva. A forma como preenche os espaços e permite os equilíbrios defensivos, a quantidade de bolas que ganha ainda os adversários estão a procurar fazer uma transição correcta respeitando a sua filosofia ofensiva, a forma como deambula entre linhas e joga em penetração com constantes apoios quer em ligação com a subida do seu lateral (Maxi) quer com os movimentos entre-linhas de Saviola e, sobretudo, a necessidade de Aimar o ter a seu lado para conseguir progredir em espaços curtos e no jogo do "toca e foge", fazem dele, neste Benfica, um jogador essencial para as águias conseguirem potenciar os seus processos de jogo.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O pragmatismo-cinismo de Mourinho


Ao ler hoje as declarações de Casillas, o novo capitão do Real Madrid, fiquei com um pensamento bem mais claro em relação ao que tem sido o mais importante de todos os empregos de José Mourinho: a preparação.

Em termos de transferências sonantes, pouca coisa, como vem sendo seu hábito. Há sim, algumas alterações de fundo, e essas passaram pela saída das velhas raposas Guti e Raúl. Certo... tem havido uma onda de elogios e um recordar das inquestionáveis qualidades da personalidade Raúl e a aquilo que vou escrever é antagónico ao que todo o Mundo diz. Mas vou dizê-lo.

Mourinho cedo percebeu que para contrariar as rotinas e os hábitos de um clube gigante com resultados perdedores, tinha de mexer na base. E a base chamar-se-iam os donos do balneário, os jogadores capazes de virar os jogadores contra o treinador e, inquestionavelmente, fazerem com que o transfer seja nulo relativamente ao passado por qualquer técnico.

Mourinho é o melhor do Mundo pela humildade que tem em perceber que não consegue tudo sozinho e que é preciso mexer pois, por vezes, há pessoas mais fortes do que ele. Com as saídas de Guti e Raúl (e eu digo já que não acredito que os antigos treinadores do Real são tão maus como têm sido apregoados), Mourinho tem controlo total no balneário, pois a figura principal do clube passou a ser ele e não os pesos pesados da casa.

Retirou de cena, com glória, com despedidas gigantes, saudades imensas, os donos do clube. E ele, rindo-se na retaguarda, assumiu a liderança. Mourinho é, sobretudo, um génio pela forma simples como transforma o difícil no fácil. E fê-lo, uma vez mais.

Num clube de topo, com imensos títulos, a precisar de recuperar a história, Raul e Guti já nada têm a vencer no Mundo do futebol. Eles próprios o disseram. A ambição que já não têm, a determinação que se perdeu um pouco por todos os títulos que foram conquistando, fez Mourinho perceber que no seu balneário os líderes têm de querer ganhar, ganhar muito e muitas vezes.

Foi assim com o núcleo duro Vitor Baía, Jorge Costa, Deco e Derlei, foi assim com os então pouco galardoados John Terry, Frank Lampard e Drogba, e vai ser agora com um colosso ainda à procura das suas maiores façanhas a nível individual.

A saída da mística


Primeiro do que tudo, referir-me aos valores do negócio. O FC Porto acaba de vender o seu capitão de 28 anos para a Rússia por um valor cifrado em 22 milhões de € a pronto. O Zenit, clube onde já militam Fernando Meira e Danny, parece não ter grandes receios em dispensar grandes quantias pelos seus reforços. Mais uma vez, o Porto assume a dianteira... tem sido muito o dinheiro lucrado em vendas.

O futebol português sofre um rombo grande com esta saída. É certo que se torna complicado gostar do feitio e do estilo, sobretudo pela agressividade desmedida de Bruno Alves. Mas ele é um capitão. Não admite falhas e muito menos desleixos. Foi assim com Tomás Costa, um dia no treino.

Sempre fui um dos grandes admiradores do seu futebol. Não é um jogador ao nível de um Luisão ou David Luiz, na leitura e ocupação do espaços, fazendo valer sem dúvida alguma a sua grande capacidade aérea onde é, possivelmente, o melhor jogador do Mundo na impulsão, assim como a complementaridade com a qualidade na execução de livres directos.

Há quem diga tempo de salto mas engana-se. O tempo de salto de Bruno Alves é bom, certo, mas a impulsão com que sobe ao 2º e 3ºs andar é inacreditável. Talvez se explique pelos inúmeros jogos de futvolley que executa na areia da praia da Póvoa de Varzim que tem potenciado, ao longo dos anos, a sua aptidão para o jogo aéreo.

Mais uma vez se prova que havendo capacidade inata, juntamente com treino, a performance é facilmente potenciável. O FC Porto perde o seu melhor jogador, pelo menos o mais influente e fundamental, até porque a sua defesa dependia muito de si e do seu estatuto.
Recuperando o que escrevi sobre ele em Dezembro quando o elegi melhor jogador do ano de 2009 em Portugal:

Tive algumas dúvidas neste item. Por um lado, pensei em escolher alguém que pelo seu virtuosismo e qualidade resolvesse encontros e chamasse adeptos para o futebol. Por outro, acho justo dar esta nomeação a alguém que pela sua entrega, espírito e qualidade - mesmo que desagrade aos rivais - marcou um ano, também pela sua constante evolução. E o meu prémio para melhor do ano vai para Bruno Alves, do Porto. Um jogador viril, que nos anos anteriores fez capa (ou deveria ter feito) por bárbaras agressões aos adversários, mas que tem revelado um índice evolutivo fora do normal para alguém que vai caminhando já para as vinte e oito primaveras. Bruno Alves representa a mística de um clube vencedor, é um jogador muito forte na antecipação de lances, na leitura de jogo, nos lances aéreos (onde para mim é o jogador no Mundo com melhor capacidade de impulsão), que bate livres, e marca golos. Bruno Alves tornou-se um caso sério e é neste momento a grande bandeira do Porto. Sendo um defesa, e congregando tantos atributos positivos, que lhe conferem um sentido "completo" ao seu futebol, também aproveitando a nomeação da UEFA para a equipa do ano (o único a jogar no nosso campeonato), dou-lhe esta nomeação.

domingo, 1 de agosto de 2010

Breves do Benfica - Aston Villa


Os encarnados voltam a vencer o troféu do Guadiana e mais do que isso dão uma prova cabal em 45 minutos de que estão prontos para os primeiros desafios exigentes da temporada, a olhar já para a supertaça frente ao FC Porto.

PELA POSITIVA

- A dinâmica estrutural ofensiva da equipa. Com um sistema diferente, alternando um 4-1-2-3 com um 4-1-2-1-2 ao 4-3-3 com uma linha de 3 médios, por tudo passou este Benfica sobretudo pela dinâmica dos jogadores e capacidade de mobilidade que apresentaram.

- Franco Jara pareceu-me claramente o MVP de hoje. Para lerem o que escrevi sobre ele antes de se falar no Benfica visitem http://vidadofutebol.blogspot.com/2009/12/prospeccao-internacional-avancados_29.html. Fantástico pulmão, excelente abordagem na pressão (embora precise de ser mais comedido em algumas situações), muito forte no poder de receber de forma orientada e desequilibrar imediatamente em velocidade. Vai certamente crescer no poder de decisão e quando o fizer...

- Saviola e Cardozo. Entendem-se às mil maravilhas e a subtileza e eficiência de um, conjugando com a eficácia do outro, tornam este ataque do Benfica num dos mais demolidores dos últimos largos anos.

- Airton. Atenção ao desenvolvimento desta autêntica carraça. Sempre ele a assumir as coberturas e o preenchimento posicional ao avanço dos homens que o Benfica colocou em desequilíbrio ofensivo, contando-se inúmeras recuperações de bola (quase sempre em antecipação) e com uma facilidade de processos muito acima da média.

- David Luiz. É um senhor central e hoje viu-se, como a parceria com Luisão, o coloca a um nível que ele ainda não detém ao lado de qualquer outro jogador. Grande alma, grande qualidade.

MEDIANO

- Luis Filipe está a surpreender. Bom sob o aspecto ofensivo, forte a desequilibrar pelo seu corredor, embora cometa ainda alguns erros infantis. Normal face à qualidade (que não tem).

- Coentrão está a carregar baterias, parece-me evidente. O cansaço físico está agora a verificar-se sobre ele. Ainda assim, raros são os erros que cometeu em jogo.

- Exibição sem mácula, uma ou duas intervenções de bom nível, ainda a precisar de ser mais assertivo quando opta pelo pontapé longo. Falo de Roberto. A subir.

PELA NEGATIVA

- Sidnei. A minha opinião sobre ele mantém-se, mas a displicência com que aborda a bola (ou não o faz) e permite o golo ao Aston Villa, é característico da desconcentração e do pouco empenho que vem demonstrando.

- César Peixoto não deu seguimento ao crescimento que tem tido. Alheado do jogo e fisicamente muito em baixo.

Breves do Bordéus - Porto


Os azuis e brancos voltaram a perder no Torneio de Paris e ficaram no último lugar do grupo. Nada de assolador pois não são esses os pressupostos fundamentais do trabalho de pré-temporada de qualquer equipa. O Bordéus até jogou com uma equipa de segunda linha durante a primeira hora de jogo - tal como o Porto -, com destaque pela positiva para Saivet, um jovem em ascensão na equipa comandada por Tigana.

PELA POSITIVA

- Entrega e qualidade de Belluschi. Com forte concorrência parece lutar para ganhar o seu espaço. Sempre criativo e com critério, capaz na forma como executa rápido e a apresentar bons índices físicos.

- Afirmação de Varela. A época anterior não foi um oásis certamente. Jogador explosivo, inteligente, forte no um contra um e sobretudo bastante objectivo.

- A arma do processo de transição do Porto pelo flanco direito ganha muito com Fucile. Está em boa condição física e a sair, é uma grande perda para os azuis.

MEDIANO

- Souza. Poucas são as perspectivas de se assumir neste 4-1-2-3 de Villas Boas na posição 6 pois Fernando assume-se como uma das referências maiores do Porto, mas os apontamentos até aqui são positivos. Dinâmico q.b., inteligente táctica e posicionalmente, de toque curto e fácil.

- Micael é um jogador muito forte na organização da equipa. Basta assumir a batuta para se ver que define quase sempre bem os lances do encontro.

- Apesar da má condição física o que ajuda a péssima prestação ao nível da pressão e do auxílio defensivo na primeira zona de construção dos franceses, Walter parece ser aqueles "tanques de área" com capacidade de discutir quase tudo o que é lance dividido.

- Fundamental não se desistir de Ukra. Alterna o muito bom com o muito mau.

PELA NEGATIVA

- Falta de ligação entre sectores. Poucas foram as soluções de organização ofensiva apresentadas, muito por culta de um défice dos homens do centro do terreno e dos defesas laterais para constituírem opções úteis. Obrigou quase sempre à variante do jogo directo na frente.

- Muito pouca coordenação e agressividade na abordagem das bolas paradas defensivas. Para se jogar à zona é preciso ser agressivos no ataque à bola e coordenados sob o ponto de vista do posicionamento do colega mais próximo. Estão a demorar a entende-lo os jogadores.

- Apenas aqui e ali algumas demonstrações do pretendido pelo treinador. Futebol muito pouco criativo.

- Com Maicon e Sereno como opções as possibilidades de perigo do adversário crescem exponencialmente. Ambos sem ritmo e andamento para estas andanças.