sexta-feira, 25 de Abril de 2014

Duelo táctico na Luz: Padrão vs Adaptação



Assistimos hoje na Luz a um jogo soberbo a nível táctico entre duas equipas tremendas. Sobretudo a um jogo de enorme exigência para ambos os conjuntos e seus treinadores de forma a procurar maior equilíbrio e maior controlo do espaço. Sistemas em tudo diferentes e que colocavam a nu as principais debilidades colectivas de cada um dos conjuntos sempre que havia sucesso no momento em que as equipas chegavam à zona de decisão. Arrisco dizer que se tivesse existido maior qualidade individual em alguns momentos o jogo de hoje teria ficado com 5 ou 6 golos no placar.

Juventus, a padronização

A Juve é uma equipa totalmente padronizada no seu momento ofensivo. À primeira vista poderia permitir uma maior facilidade ao adversário em encaixar nessas combinações tácticas mas a dificuldade é tanta que seria necessário mudar de tal forma que permitiria aos italianos terem sucesso noutra das opções que poderiam assumir na zona de construção.

Abordaram o jogo com um momento ofensivo muito organizado, sobretudo, em duas combinações padronizadas. Jogando com três defesas pelo corredor central, garantido equilíbrio posicional, e duas referências de largura pelo corredor lateral (Lichtsteiner e Asamoah), a definição era sempre pelos três médios. Normalmente Pirlo e Marchisio a esticar jogo no outro médio, Pogba.

Para isso a referência de largura de um dos corredores abria no máximo procurando arrastar consigo o defesa lateral do lado contrário à bola. Esse espaço deixado entre o central/lateral era atacado pelo médio interior, quase sempre Pogba, que ao receber procurava uma combinação directa com um dos avançados de forma a conseguir uma situação de 2x1.


Benfica, a adaptação

Jesus correu o risco e teve sucesso. Não abdicou da sua identidade nem virou a cara à filosofia da equipa. Pressionou alto e deu-se bem. Podia ter garantido equilíbrio espacial não pressionando 3x3 na 1ª fase de construção dos italianos. Mas fê-lo. Para isso adaptou André Gomes, que passou a acompanhar sempre os movimentos de ruptura dos interiores (quase sempre Pogba). Recuou Enzo para esse lugar e baixou também Rodrigo fechando a linha para rodar rápido por fora - que normalmente Pirlo oferecia.


A Juve tornou-se mais pragmática e mais fácil de controlar pelo corredor mais perigoso: o central. Quase não construiu momentos de perigo através desse tipo de combinações onde é mais forte que os adversários e potencia o seu futebol.

Juventus, a re-adaptação ao Padrão

Podemos até chamar plano B. Não estava fácil entrar da forma padrão, foram pela segunda via: explorar a referência de largura do lado contrário que era deixado sem marcação. Foi por isso muito evidente, sobretudo na 2ª parte, situações de superioridade numérica pelo corredor lateral em que o jogador que dava maior largura recebia só e tinha espaço para progredir e cruzar.

O Benfica confiou na capacidade de antecipação dos centrais e teve de sofrer mas evitava situações de penetração pelo corredor central onde os seus centrais fizeram também um grande jogo. Foi um jogo muito exigente a nível defensivo para os laterais do Benfica que foram gigantes também na forma como apoiaram a equipa em termos ofensivos.

Não tivesse existido o erro de Markovic a esquecer-se de fechar o espaço interior e a evitar que a Juventus entrasse por dentro, hoje os italianos teriam criado ocasiões de golo (por imensa qualidade colectiva e individual), mas dificilmente seria um resultado tão curto para o Benfica como se tornou este.

Foi um prazer assistir a tudo isto no Estádio da Luz.


quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Beckenbauer, fala quem sabe



«A posse de bola de nada serve se o adversário consegue criar tantas ocasiões de golo. Devemos dar-nos por satisfeitos por só termos sofrido um golo».

Não é que esteja de acordo que se fale assim da equipa neste momento. A protecção ao treinador deve ser total de qualquer figura de um clube. No entanto, não posso estar mais de acordo com a ideia do Kaiser.

Já por aqui referi várias vezes que é um crime ensinar isto aos miúdos. Sobretudo porque os prepara para um contexto que não será possível realizar na maioria dos contextos, ou seja, é estar a prepará-los para o insucesso porque um modelo tão exigente de variados pontos de vista só é possível quando se é claramente melhor que os outros a nível individual.

E quando essa capacidade não surge e há tão pouco espaço para se jogar, acontece o que se passou hoje. Um Bayern totalmente fora daquilo que são as suas capacidades e uma equipa totalmente padronizada num tipo de futebol completamente contrário às ideias do seu treinador.

Lançamentos longos para a área? Cruzamentos atrás de cruzamentos à procura de superioridades do avançado ao 2º poste no futebol aéreo? 

Será isto que os novos teóricos do futebol têm nos seus apontamentos como o certo e o errado sobre o jogo?

Sou a favor da adaptabilidade e do facto do Bayern encontrar forma de potenciar aquilo que tem de melhor. E isso é o jogo aéreo do seu avançado Mandzukic. A criação de espaço para Robben decidir em situações de 1x1. A capacidade de Muller estar entre-linhas e acelerar jogo. Um futebol rápido e de intensidade do seu sector ofensivo. Mas nada disto se vê actualmente porque a própria equipa parece estar a entrar em choque com as ideias do treinador.

Do 8 ao 80, ou o extremo, que conseguimos encontrar no futebol que Guardiola mete as suas equipas a jogar, está longe de ser modelo certo e universal para o futebol. O segredo do jogo está na eficácia e na capacidade de criar mais momentos de finalização do que a equipa adversária.

O Real não tendo bola, jogando quase sempre em organização defensiva e em transição ofensiva, conseguiu criar mais oportunidades de golo e situações de finalização que o Bayern que passou o jogo entre passes à entrada da área adversária e cruzamentos ao 2º poste, não encontrando outro tipo de solução para os problemas que lhe eram criados.

Será o controle do jogo através da posse a forma mais segura de se ser superior em jogo? Retirando liberdade de processos aos seus principais jogadores de forma a padronizá-los num jogo que não estão habituados ou simplesmente projectados para tal?

Os assassínios a Mourinho



O título do post é forte. Mas olhando para a globalidade do "falar futebol" do mundo cibernáutico vemos críticas imensas ao treinador mais marcante dos últimos anos a par de Guardiola.

Vamos ver Mourinho. A incapacidade ofensiva do Chelsea nos jogos mais difíceis vem sendo criticada de forma sistemática. Eu critico Mourinho no discurso. Na forma como se está constantemente a colocar abaixo dos rivais. Como perdeu o interesse pela guerra e se dá por vencido à partida. Como entra numa postura de choramingas sem evidenciar o espírito lutador e vencedor que sempre mostrou. Está diferente.

Mas futebolisticamente falando continua no auge. Porque ganha. Mourinho é o treinador mais forte do Mundo na componente estratégica do jogo. Não é só sorte. Nos momentos cruciais raramente desilude e mesmo partindo em inferioridade perante os adversários consegue superiorizar-se pela forma como a sua equipa se dispõe em campo e consegue estar nos variados momentos do jogo.

O futebol não pode ser apenas dominar todos esses momentos mas sim ser globalmente mais forte. O futebol é um jogo de eficácia e nem sempre quem tem uma filosofia inquebrável ganha. Mourinho adapta e adequa em função do momento e no contexto que o jogo lhe coloca. E consegue resultados.

Foi a Madrid jogar completamente a defender mas até para isso ele tem de ser bom. Anulou todas e quaisqueres valências do futebol do Atlético e simplesmente colocou-os em situações em que não estão habituados e não sabiam como sair delas. Mourinho saiu com um 0-0 que lhe pode ser muito útil. De que interessava jogar bem, de forma atraente e a permitir um grande espectáculo e não partir em vantagem para a 2ª mão junto dos seus adeptos?

Para além disso a sua obsessão pelo momento defensivo é deveras interessante. O Chelsea é a equipa da Liga Inglesa com menos golos sofridos (26 em 35 jogos) e consegue oferecer uma segurança e um controle do jogo muito grande, mesmo sem a bola. Abdicando em grande parte de muitos momentos de organização ofensiva, consegue nesse momento ou em transição ser das equipas mais venenosas e eficazes e possivelmente das que melhor taxa de aproveitamento têm relativamente ao número de situações de finalização que criam (mesmo sem um avançado de top).

Este Chelsea de Mourinho pode ser odiado mas a filosofia do português não se tem alterado e ela já era visível em Madrid. Um futebol mais seguro, de maior controle especial e de menos posse, mas muito cínico e direccionado para o objectivo máximo do jogo: Vencer. Mesmo que no jogo de Londres o Chelsea volte a fraquejar do ponto de vista do espectáculo, saberá ser extremamente competitivo o suficiente para marcar presença em mais uma final da Champions.

terça-feira, 15 de Abril de 2014

A campionite do futebol de formação



Hoje voltamos a postar. Sobretudo porque tivemos a assistir à final da Youth League e achámos pertinente dizer algo.

O jogo que colocou frente-a-frente Benfica e Barcelona foi muito mais do que um jogo de futebol entre duas equipas de esperanças. Foi o colocar a nu tudo o que se passa no futebol de formação pelo mundo. As ideias, as práticas, as necessidades, as políticas.

Não queremos entrar em abordagens ao jogo mas sim falar de formação. Mais importante do que qualquer título neste ou noutro escalão é ver jogadores a atingir a equipa principal dos clubes. Essa é a meta e deve ser para isso que todo o trabalho é canalizado.

Não vale de nada os investimentos e os títulos ganhos na formação se não houver aproveitamento dos jogadores no futebol profissional. O Benfica é o clube dos três grandes em Portugal o que menos atletas tem a competir nas divisões dos campeonatos europeus formados por si.

Hoje a sua formação parece evidenciar-se a nível europeu mas um dos factores que leva muitos jogadores a não dar o salto continua bem presente na sua equipa que hoje disputou a final da Youth League. É que nenhum dos jogadores presentes tem qualquer minuto pela sua equipa B esta temporada.


Olhemos para o Barcelona e a sua equipa. Os 5 principais nomes da mesma nem estiveram na Suiça. Falamos de Jean Marie Doungou, Bagnack, Grimaldo, Campins e Sergi Samper. Dos que hoje jogaram, alguns já somam muitos minutos pela sua equipa B. Um deles, Adama, já tem minutos na Champions dos adultos.

Olhamos para os outros grandes e vemos Riquicho e Ponde no Sporting, André Silva, Rafa, Tomás e Ivo Rodrigues no Porto, todos Juniores a jogar nas suas equipas B e na 2ª Liga portuguesa. Porque é que o Benfica é o único a não seguir essa política?

Olhamos ainda mais para fora e vemos o Schalke 04, semi-finalista da prova, com Max Mayer e Leon Goretzka a jogar na equipa principal, na Champions dos adultos, e nem a esta competição foram. Vemos Adrien Rabiot do PSG a jogar na Luz ao lado de Cavani, Lavezzi, Ibra e outros, e nem uma vez foi a esta prova. Vemos o Marcos Lopes do City, ex-Benfica, a fazer jogos pela equipa principal.


Será que todos os outros estão bem e só em Portugal, nomeadamente no Benfica, é que se faz diferente? Será que os atletas estarão assim melhor preparados? Será que o seu salto para o futebol profissional é facilitado desta forma? Terão os atletas estímulos suficientes para evoluir a competir de forma fixa no seu escalão, ganhando 99% dos jogos, sem grande tipo de dificuldades e problemas criados pelos adversários?

Estará o futebol português e os clubes dependentes de resultados para carimbar o sucesso de projectos, metodologias, ideias e modelos do futebol de formação?


segunda-feira, 2 de Dezembro de 2013

Exercício: Zona decisão e construção



Porque não queremos apenas apontar os defeitos do futebol de Paulo Fonseca, deixamos um exercício que pode ser executável pelo treinador do Porto, e não só. Visa a zona de decisão e construção, procurando intensidade máxima e a criação de dinâmicas colectivas que podem ser ganhas através de situações padrão nas condicionantes ou do simples ganho de rotinas através das próprias movimentações colectivas a fim de resolução do problema.

Ficamos a aguardar comentários.

Ainda a zona de criação do Porto


No seguimento de um artigo que colocámos mais atrás sobre o insucesso do futebol do Porto de Paulo Fonseca, e olhando rapidamente para o jogo de Coimbra, resta-nos dizer que mais uma vez se confirmou que a equipa está muito longe de apresentar um futebol colectivo de qualidade, e que o mesmo se deve única e exclusivamente ao modelo de jogo e más decisões que têm sido tomadas pelo treinador.

Foi estranho ver Quintero neste jogo e perceber o quão alheado está no jogo da equipa. A sua qualidade é inquestionável quanto a nós, mas aflige-nos ver um jogador da sua dimensão ter de receber a bola e não saber o que lhe fazer. Ou porque a equipa não se movimenta como ele espera. Ou porque os colegas dão más opções. Ou porque ele está num lugar que não devia estar. Muita coisa haveria para questionar acerca do posicionamento dele em Coimbra: Extremo esquerdo? Terá tentado Paulo Fonseca colocá-lo à força no onze de forma a calar a crítica?

Quintero andou desaparecido do jogo e raramente pisou as zonas onde pode realmente fazer a diferença: corredor central ou flanco direito em penetrações interiores. Até o pode ter feito algumas vezes mas inserido num modelo de jogo inexistente de dinâmicas colectivas e sem qualquer tipo de criatividade na zona de construção e decisão. Mais uma vez se prova que posse de bola em excesso quando não objectiva e direccionada para a criação de espaços e superioridades numéricas dá nisto: futebol horrível.

E hoje, vimos jogar Juan Iturbe. Já o tinhamos visto em outros jogos da Série A este ano mas sobretudo temos algumas notas do seu desempenho na pré-época. Apesar das decisões não serem as melhores em alguns lances, o Porto necessita de um jogador com este perfil. Capaz de pegar no jogo e assumi-lo, encarar adversários sem receio do erro e procurar o desequilíbrio através de armas que a equipa não dispõe.

Iturbe fez um golaço à Fiorentina, no seguimento de outros excelentes apontamentos que teve na pré-temporada, e a única questão com a sua não inclusão no plantel só se pode dever a algum caso de dificuldade em inserir-se como uma alternativa no grupo de trabalho ou qualquer outro handicap que tenha em relação ao perfil psicológico ou de trabalho para o que o Porto pretende. Não encontro outra razão, porque futebol Iturbe tem muito para dar a vender.

quinta-feira, 28 de Novembro de 2013

Como o modelo de jogo evidencia os talentos



E as notas mais relevantes do futebol europeu, passando pelo novo Bayern Munique, o modelo do CSKA, uma curta de Madrid e o que importa realmente falar: Rodrigo.

Basta escrever o nome de Rodrigo Moreno no nosso item de pesquisa para perceber o que achamos sobre o espanhol que joga no Benfica. Não estamos a escrever este texto para voltar a evidenciar as qualidades que acreditamos que tem, neste momento muito positivo para ele, mas sim procurar dissecar o porquê de ter voltado a aparecer num momento decisivo, assim como outras notas sobre o futebol actual.

Entrando aos 87 minutos de um jogo que está empatado, e que só é aceitável a vitória e, sem querer dar qualquer tipo de amadorismo a Jorge Jesus, é óbvio que por muitas indicações que sejam dadas, o avançado que entra só pretende ter uma bola de golo para ficar na história. Em detrimento das missões colectivas e dos posicionamentos desejados pelo técnico, o jogador quer acima de tudo evidenciar-se.

E Rodrigo entrou para fazer o que mais gosta e que tanta vez é proibido de fazer no Benfica: jogar como elemento mais ofensivo e experimentar alguns movimentos de ruptura sem bola pedindo bola nas costas da defesa. Continuamos a dizer que é o melhor avançado do Benfica no seu todo e entrou para a história ao marcar o golo decisivo da primeira vitória de sempre no terreno do Anderlecht. Não se espante, contudo, se nos próximos 2 ou 3 jogos, apenas vir Rodrigo a aquecer sem ter qualquer minuto de jogo.



Olhando para o CSKA-Bayern. Os russos somos fãs do seu futebol. Jogo apoiado, um misto de posse e transições, quase sempre bem definido pelo seu cabeça de cartaz - o japonês Honda - com outro tipo de argumentos a nível ofensivo, sobretudo se estivessem em jogo Dzagoev e Dumbia a história podia ter sido outra. 

Parece-me que ganharão com relativa facilidade o campeonato e continuarão a ser a equipa mais forte da Rússia. Bom treinador, equipa bem organizada e com processos muito interessantes, modelo agradável para os fãs da posse e aqueles que procuram um futebol mais vertical e objectivo. Para continuar a seguir.

Guardiola continua a colocar o seu cunho pessoal na equipa que me parece, neste momento, mais forte do que alguma vez foi o "seu" Barcelona. Sobretudo pelas individualidades que dão dinâmicas ao modelo de jogo impossíveis dos espanhóis terem. Refiro-me naturalmente à aceleração do jogo e à objectividade dos alemães em processos rápidos e que exploram muito mais o desequilíbrio do adversário.

Mas continuo sem perceber a fixação de Guardiola em alguns momentos. Bater cantos curtos, todos os que dispõe, quando tem jogadores fortíssimos no jogo aéreo? Não pode cair no exagero sob pena de tornar a equipa mais fraca do que poderia ser. É que fazê-lo num Barcelona onde a média é o metro e setenta e cinco, é aceitável. Neste Bayern não.

E para os fãs de um futebol "barcelonizado", basta ver a forma como surge o primeiro golo. Velocidade, explorar o desequilíbrio do adversário, cruzamento (muito criticado) e finalização. Processos eficazes que não podem cair no campo do exagero.



Falando de Bale. Sou defensor que um jogador quando atinge patamares de excelência não deve mudar o contexto. Quero com isto dizer que se o fez, tirando excepções, é porque o modelo da equipa o potenciou e as dinâmicas colectivas foram criadas para lhe dar situações de sucesso e em que ele fez toda a diferença pela qualidade individual.

Foi assim com Bale no Tottenham. Arrisco dizer que em termos de desempenho individual foi top3 na temporada passada, daquilo que eu vi. Números excelentes para o rendimento global do colectivo e sempre a ser chamado nas alturas das decisões num colectivo sem grandes argumentos e em que ele tinha de tirar coelhos da cartola de forma regular e foram tantas as vezes que o conseguiu...

Mas no Real o futebol é outro e sobretudo a equipa está mecanizada de outra forma. Ronaldo é e tem de ser o centro das atenções mas Bale, apesar da qualidade e do acrescento de qualidade que pode originar, acabará por estar menos em foco e com um rendimento individual menor face ao que poderia estar se, porventura, estivesse numa equipa moldada em seu redor.

domingo, 24 de Novembro de 2013

Prospecção: Ángel Correa



Muita atenção a este jogador que actua no campeonato argentino. Promessa... e das grandes. Correa tem imenso futebol nos pés e promete dar muito que falar. Joga solto no ataque ou numa posição mais recuada, que lhe permita progredir com bola, é nesse movimento que faz muita diferença. Veloz (bastante), forte na penetração, é intenso e joga com ambos os pés o que lhe facilita imenso a definição dos lances. Com apenas 18 anos e já a um nível muito interessante, precisa crescer na tomada de decisão (o que será um processo contínuo, visto a tenra idade) mas é um jogador que promete muito. Para seguir com atenção.



Nacionalidade: Argentina
Data de Nascimento: 09-03-1995 (18 anos)
Altura/Peso: 176 cm / 70 kg
Posição: Médio Ofensivo/Avançado
Clube: San Lorenzo

Época               Clube           Jogos           Golos
2013            San Lorenzo       16                  4
2012            San Lorenzo       13                  4

quinta-feira, 21 de Novembro de 2013

Continuamos a acertar...

...e a esperar pelo dia que o Japão surpreenda o Mundo... e pode ser já em 2014. A forma personalizada com que jogam e vencem a poderosa Bélgica pode ser vista aqui.

     

Futebol de alta qualidade, colectivo, apoiado, intenso. E com golos de Osako e Kakitani

segunda-feira, 18 de Novembro de 2013

Adivinhe quem vimos hoje...



Sim, ele mesmo. Lisandro Lopez ao serviço do Al Gharafa do Qatar. Parado, paradinho. E aos 30 anos. Pergunto-me, pela sua qualidade, em quantas equipas de nível médio/alto na Europa poderia estar a jogar. Talento puro e qualidade técnica em quase tudo o que fazia. E aqui conjugamos no passado pois não acreditamos que volte ao que era.

Sobretudo porque o jogador de futebol vive da competição. Das suas exigências, das suas ambições, dos seus objectivos. Não é preciso pensar muito para perceber qual a actual motivação do argentino no médio oriente. Mas custa vê-lo tão longe do que já foi. E com tanto para dar. Vamos recordá-lo pelo que já foi (num tempo não muito distante).

domingo, 17 de Novembro de 2013

Problemas na Selecção: Vamos mais longe



Não é surpresa para ninguém as discussões nos bastidores em relação às escolhas de Paulo Bento e aos problemas que tem tido com alguns jogadores. Este texto não pretende apenas esmiuçar o rendimento e as escolhas de alguns jogadores, mas também falar sobre o que (não) joga a selecção de Portugal.

É confrangedor ver jogar esta equipa 90 minutos. Não é exagero. Portugal joga pouco, joga mal, e depende sempre de um lance individual bem definido para superar problemas. Não esperamos que existam grandes rotinas ou um modelo de jogo apelativo do nosso país. Impossível esperá-lo. Basta olhar para a nossa Liga e para as divisões secundárias. Quantos treinadores partilham das mesmas ideias? Quantas equipas têm um modelo de jogo semelhante? Qual é a base formativa da FPF nas suas diversas equipas? Modelos de jogo transversais? Sistemas tácticos semelhantes? 

Bem, a resposta é quase sempre o número mais baixo possível. E basta olhar para a selecção sub-21. É uma boa geração de jogadores, é verdade, sobretudo para o rendimento que oferecem em idade ainda prematura. A margem de alguns não é elevada, ressalve-se. Nunca fomos a favor da corrente e sempre encontramos problemas em Ivan Cavaleiro para ser jogador de Benfica (basta pesquisar no blog). Mas justifica-se jogar uma selecção num 4x4x2 quando todas as outras o fazem em 4x3x3?

Que dinâmicas são transversais ou adaptáveis a um e outro sistema? Falando em modelos. E pegando no Paulo Oliveira, dos sub-21 e do Vitória de Guimarães. Como queremos que o modelo do sair a jogar, do passe curto e futebol apoiado transversal às selecções seja interpretado por um jogador que todos os dias encarna um modelo no clube onde o futebol directo é prioridade e passa a sua acção específica a bater bolas longas na figura do avançado (primeiro Amido Baldé e agora Maazou)?

Aqui entraríamos na forma como o jogo é visto em Portugal pelos seus intervenientes e pelos media/adeptos mas deixemos para uma outra oportunidade ou para a caixa de comentários. Vamos para as escolhas de Paulo Bento.

O povo não reclama, e a imprensa pouco fala. Mas um jogador, que é claramente top3 em termos de qualidade do jogador português, não entrar numa lista de 18/20 jogadores de uma selecção é brincar ao futebol e a outros interesses instalados. Sim, falamos de Danny do Zenit. As pessoas não acompanham o futebol russo e por isso desconhecem muitas delas o seu futebol. Mas vamos apresentá-lo, só pelo que fez esta época. 15 jogos, 10 golos. Sim, como extremo.



É um jogador tremendo quando joga entre-linhas. Por vezes peca em querer adornar em demasia mas em tudo o resto é fortíssimo. Tomada de decisão, qualidade em progressão, técnica, drible. É muito mais jogador do que Nani. E falamos em top3 exactamente para falar sobre o extremo do Manchester United.

O que faz actualmente para justificar o estatuto? Poucas são as vezes que vence uma situação de 1x1 ou cruza com qualidade. As decisões continuam a não estar ao nível do exigível e em termos físicos parece algo desgastado e longe da forma que o notabilizou. Quando oiço comentadores dizer que Varela já merecia o lugar de Nani na selecção, não referindo Danny, é indesculpável.

Mas há mais. Manuel Fernandes tem sempre lugar em qualquer selecção. Pelo que joga e faz jogar. Passou ao lado de uma carreira brilhante muito pelo feitio e más decisões que tomou, mas tem qualidade que sobre para jogar em muitos clubes da elite europeia. Estará a regularidade (nível médio/baixo) do Miguel Veloso acima do que poderia acrescentar o Manuel Fernandes ao futebol da equipa? Até como 6?

A questão do avançado. Postiga é o tipo de jogador que faz tudo bem menos marcar. Não vale a pena continuar a encontrar teorias e explicações para o seu insucesso na finalização. A verdade é que Nelson Oliveira está a fazer uma época muito boa e desapareceu das escolhas. Problemas, dizem alguns...

As internacionalizações de Licá e Josué são questionáveis. Razão pela qual perguntamos nunca foi Vítor chamado enquanto brilhava no Paços. É preciso atingir um certo estatuto para integrar as escolhas? É que o rendimento parece continuar a ser deixado de parte.

O nosso melhor 11 da selecção seria, hoje, este: Rui Patrício; Sílvio, Pepe, Bruno Alves e Coentrão; Manuel Fernandes, Moutinho e Meireles; Danny, Vieirinha e Ronaldo.

sábado, 16 de Novembro de 2013

Prospecção: Yuya Osako



Osako é actualmente uma das grandes referências do futebol japonês. Este tem sido o seu ano de afirmação sobretudo pelos golos que tem feito. Não é um jogador de área mas tem a frieza e a serenidade destes na hora de finalizar. Participa na construção do jogo ofensivo da equipa, é um jogador móvel que gosta de pisar outros espaços que não exclusivamente a área e fá-lo com qualidade. Tem um bom jogo de costas para a baliza, segura e passa com qualidade. Mas tem sido na área que se mostrou esta época. Forte de cabeça, muito rápido a responder a solicitações, é na aceleração que se destaca pela forma como se antecipa aos defesas. É ambidestro, o que facilita imenso situações de finalização. Bom jogador para dar o salto.


Nacionalidade: Japão
Data de Nascimento: 18-05-1990 (23 anos)
Altura/Peso: 182 cm / 70 kg
Posição: Avançado
Clube: Kashima Antlers

Época               Clube           Jogos           Golos
2013               Kashima          30                 18
2012               Kashima          32                  9
2011               Kashima          25                  5