terça-feira, 10 de Junho de 2014

Prospecção: Kamer Qaka



Ainda com idade de Junior, a Noruega tem nas suas equipas um talento que promete dar que falar assim apostem nas suas qualidades. Qaka é a principal figura da selecção sub-19 do seu país e joga actualmente na 2ª Liga Norueguesa depois de ter passado pelas camadas jovens do Valerenga. Joga na posição 6 a pautar os ritmos de jogo da equipa, sempre com grande intensidade e dinamismo. Tecnicamente é um jogador dotado, ambidestro, com qualidade no drible e no transporte, o que faz parecer que pode também jogar como médio de ligação, mais à frente.

Tacticamente compreende os momentos do jogo, ainda não é um jogador muito forte em termos de desarme, mas compensa pela inteligência posicional e capacidade de antecipação.

Nacionalidade: Noruega
Data de Nascimento: 11-04-1995 (19 anos)
Altura/Peso: 170 cm / 65 kg
Posição: Médio Defensivo/Médio Centro
Clube: Honefoss

Época               Clube           Jogos           Golos
2014               Honefoss          11                  0

sexta-feira, 6 de Junho de 2014

Yannick Gerhardt



Importa analisar primeiramente o contexto. O Colónia joga num 4-3-3 onde Yannick Gerhardt se assume como o interior esquerdo, sendo o médio com maior liberdade na 2ª e 3ª fase da equipa. Futebol de transição, de organização defensiva e saída rápida. Gerhardt tem de se adaptar ao contexto mas vendo o futebol que pratica na selecção percebe-se o porquê do destaque que faz o Benfica pagar por ele.

Jogador elegante, fino recorte, tem passada larga e capacidade física. Cerca de 1,84cm, queima metros com facilidade, embora não seja muito intenso ou dinâmico nas suas acções, sobretudo em termos de aceleração. É um jogador pausado, que pensa o jogo, joga de forma muito prática e simples, quase sempre a um/dois toques. É aqui que se destaca. Recebe, já de cabeça levantada e com opção tomada. Raramente perde bola neste tipo de acções, pois define bem, e com qualidade.

Em termos técnicos é muito forte. Em todas as acções. Tem poder de elevação e vai lá acima embora não com muita frequência. Apesar de ser algo frágil no choque, tem técnica de desarme, pois sabe posicionar-se e ler os lances. Recupera algumas bolas. Em termos de passe é forte no curto, médio e longo, embora não estique com frequência, porque o seu ADN é outro.

Jogador que se assume no jogo, nunca se escondendo. É fácil observá-lo a baixar à 1ª fase de construção para ter bola. Passa e movimenta-se rapidamente para receber novamente. Jogador de posse, de jogo apoiado, de toque curto e progressão em manutenção da posse. Tem pormenores de qualidade e joga também com o pé não dominante.

Apesar de o ter visto sempre numa posição de interior, como médio de ligação ou 8, percebe-se que pelas aptidões que apresenta pode ser um jogador facilmente adaptável à posição 6 de uma equipa grande. Pela qualidade de passe, pela forma como joga (vem sempre buscar jogo), pela tomada de decisão e interpretação do jogo, pode ser um 6 de nível de selecção alemã. Jogador de muita qualidade que o Benfica foi à Alemanha contratar.

Prospecção: Lukas Spalvis



Está a crescer na Dinamarca um jogador que promete dar que falar. Já tinha ficado na retina no recente europeu sub-19, mas o seu final de época pelo AaB, com a subida à equipa principal, tornaram-no numa das maiores surpresas dos últimos meses.

Avançado de posição, jogador na senda dos que vão aparecendo naquele país, e de muita qualidade. Não é muito móvel em termos posicionais, mas tem velocidade e muita capacidade de antecipação. É bom a nível técnico, joga bem de cabeça, sabe jogar de costas e trabalhar os lances, aparecendo com muita qualidade a finalizar onde se torna letal. Pé esquerdo de qualidade, remata quase sempre forte, não faz cerimónia. 

Já opção na selecção A da Lituânia, reservando-se para ele um futuro brilhante. Tem o seu passe avaliado em cerca de 200 mil €. Um jogador para seguir com atenção.



Nacionalidade: Lituânia
Data de Nascimento: 27-07-1994 (19 anos)
Altura/Peso: 185 cm / 75 kg
Posição: Avançado
Clube: AaB

Época               Clube           Jogos           Golos
2013/14            AaB               17                  8

Prospecção: João Mário


Basta pesquisar no arquivo do blog para perceber a nossa admiração por este jogador. Promete ser uma das grandes confirmações na próxima temporada se olharem para ele como tal. João Mário é um jogador que pode construir uma carreira brilhante no nosso futebol. Atingiu a maturidade futebolística e está num patamar de rendimento muito elevado.

Jogador de uma compreensão do jogo e capacidade posicional de grande nível, assume-se sempre como uma referência na 1ª fase de construção das suas equipas. Qualidade técnica, capacidade de passe curta, média e longa, joga em combinações directas curtas ou assume ele próprio um esticar de jogo que lhe revela uma enorme aptidão no passe. Pode jogar como 6, 8 ou 10, acaba por ser um jogador que pelo talento que tem compreende e executa qualquer missão que lhe é pedida no corredor central. Chega bem à frente e é letal no último passe. É um jogador para surpreender ainda mais quem tem andado desatento. Para seguir de perto.


Nacionalidade: Portugal
Data de Nascimento: 19-01-1993 (21 anos)
Altura/Peso: 179 cm / 72 kg
Posição: Médio Centro
Clube: Sporting

Época               Clube           Jogos           Golos
2013/14  SCP B/Vit.Setúbal    28                 0
2012/13      Sporting A/B         32                 1

terça-feira, 3 de Junho de 2014

Prospecção: Michy Batshuayi




Nascido em Bruxelas, com nacionalidade congolesa, Michy Batshuayi é um dos avançados do momento do panorama do futebol Europeu. Cumpriu uma época de muita qualidade ao serviço do Standard de Liége e assume-se num estado de maturação futebolística que lhe permitirá certamente dar o salto neste mercado de verão.

Jogador de corredor central, é sobretudo forte fisicamente e denota uma enorme facilidade de remate, fruto de ser ambidestro. Sabe segurar bem, joga de costas para a baliza com qualidade, é intenso e muito potente. Essas características inatas não lhe fazem perder mobilidade, embora não seja um jogador muito veloz. Gosta de jogar por fora, tem capacidade técnica acima da média e é muito frio em situações de finalização. Tem um óptimo sentido de oportunidade e antecipação. Precisa crescer ao nível do cabeceamento mas é um jogador que pode atingir um nível muito alto. Para seguir.



Nacionalidade: Bélgica
Data de Nascimento: 02-10-1993 (20 anos)
Altura/Peso: 180 cm / 78 kg
Posição: Avançado
Clube: Standard

Época               Clube           Jogos           Golos
2013/14          Standard           38                21
2012/13          Standard           34                12
2011/12          Standard           23                6

quarta-feira, 21 de Maio de 2014

Prospecção: Kevin Kampl




O Red Bull foi uma das surpresas da época sobretudo pela forma como jogou na Europa. Nas suas fileiras joga um jogador todo o terreno de enorme qualidade. Kampl é um dos talentos emergentes do futebol europeu. Nascido na Alemanha e com nacionalidade eslovena, foi formado nas escolas do Leverkusen e assume-se agora como um jogador de muita qualidade.

Joga por dentro ou por fora, embora seja pelo corredor central que potencia as suas qualidades. Muito forte em progressão e penetração, dribla com qualidade e é muito intenso na forma como parte para cima e executa as suas acções. É culto, percebe o jogo, gosta de entrar em combinações directas e aparece com muita qualidade a finalizar. Um jogador de imensa qualidade que vai dar o salto.


Nacionalidade: Eslovénia
Data de Nascimento: 09-10-1990 (23 anos)
Altura/Peso: 180 cm / 63 kg
Posição: Médio Ofensivo/Extremo
Clube: RedBull Salzburg

Época               Clube           Jogos           Golos
2013/14           RedBull            33                9
2012/13           RedBull            23                4
2011/12           Osnabruck       35                2      

terça-feira, 20 de Maio de 2014

A convocatória e sobretudo Vieirinha e Rafa


Paulo Bento divulgou hoje a lista de convocados para o Mundial do Brasil. Apesar de haver um seleccionador em cada português esta é uma lista que apoiamos a 100%. Sobretudo pelo facto de Danny e Tiago, dois titulares de caras na nossa óptica, não estarem dentro do enquadramento de possíveis seleccionáveis.

Mas este post é para falar dos nomes mais discutidos no dia de hoje: Vieirinha e Rafa. Vamos começar pelo segundo. Rafa fez uma grande época ao serviço do Braga. É o elemento mais jovem a par de William Carvalho dos eleitos. Mas leva-nos a uma discussão muito mais abrangente do que questionar ou não a sua qualidade para estar nos eleitos.


Rafa é um jogador de muita qualidade e com características ainda abertas ao trabalho. Pode jogar por dentro ou por fora com o mesmo rendimento e oferece diversas possibilidades ao seleccionador. Mas como é possível um talento tão grande como acreditamos ser o seu, ter andado pelo pelado do Alverca e pelo Povoense, sem ter despertado à atenção dos grandes?

Já aqui e aqui abordámos esta questão e voltamos a fazê-lo. Porque motivo este jogador em contextos teoricamente onde cresceria menos, não teria os melhores treinadores, os melhores treinos, os melhores colegas, as melhores condições, evoluiu mais que todos os outros da sua geração ao ponto de estar nos convocados para o Mundial? E aqui sempre acreditámos nele para isto. Leia aqui

Outro assunto é o de Vieirinha e importa perceber esta escolha. Sabemos que um grupo não se faz de 23 titulares. E Vieirinha ambiciona sê-lo mas sabe, primeiramente, qual o seu lugar. E o seu discurso após a chamada revela isso mesmo:

"Sinceramente não esperava ser convocado. Só tenho de agradecer a Paulo Bento e prometer-lhe que vou dar o máximo para justificar esta aposta".


Paulo Bento sabe que Nani e Ronaldo serão os titulares. Sabe que tem Varela, até Rafa. Mas tirou o joker Vieirinha. Um jogador que enfrentou uma grave lesão, ninguém dava nada por ele esta época, e agora é convocado? Paulo Bento faz uma jogada de mestre a nível psicológico e sabe que pelo menos Vieirinha, dará tudo o que tiver e não tiver em campo em forma de agradecimento por esta aposta. Ah! E qualidade tem mais que muita!

quinta-feira, 8 de Maio de 2014

Relatório Sevilha: ao cuidado de JJ



Onze esperado:
Beto; Diogo Figueiras, Pareja, Fazio e Navarro; Carriço e Mbia; Vitolo, Reyes, Rakitic; Bacca.

Organização Ofensiva

- Equipa organizada em 4x3x3 ou 4x2x3x1. Esquema inconsistente do ponto de vista da rigidez posicional mas com bons resultados. Grande espírito e muito abnegados. Vocação ofensiva, bastante verticais e objectivos. Construção de jogo rápida e intensa, procuram apoios frontais e combinações directas em ritmo alto. Intensidade constante. Muito eficientes na zona de decisão. Se tiverem espaço para decidir são letais.

- 1ª fase de construção é lenta mas segura. Centrais circulam a bola procurando situações para explorar jogo vertical em Bacca ou Vitolo. Um dos interiores (normalmente o que joga com Mbia) equilibra a zona defensiva, subindo um dos laterais para a zona onde a bola é batida (procuram estar em vantagem numérica para a 2ª bola). Objectivo é chegar rápido ao meio-campo adversário e aí tentar combinações para explorar movimentos interiores dos extremos.

- 2ª fase de construção não apresenta qualquer tipo de padrão. Modelo de jogo com os extremos constantemente por dentro e com liberdade. Procuram através desses movimentos superioridades numéricas pelo corredor central. Apenas laterais são garantia de largura no jogo mas são utilizados apenas como suporte (se jogar Alberto pode ser mais perigoso em progressão).

- Pelo modelo de jogo que apresentam, um dos interiores (normalmente Mbia) incorpora-se em penetrações pelo corredor central. Rakitic não tem posição fixa, procura jogar livre, explorando espaços para poder decidir último passe (faz muitos movimentos de dentro para fora procurando espaço deixado pelos extremos).

- Fazem um jogo de paciência na 1ª fase mas que altura completamente na 3ª fase onde tentam acelerar e explorar movimentos de Bacca. O colombiano é muito chato e procura sempre movimentar-se oferecendo linhas para progressão aos três que o apoiam ou movimenta-se no sentido de receber em ruptura nas costas dos centrais (muito perigosos nesta situação!).

- Equipa que não primazia profundidade pelos corredores laterais. Tenta sempre oferecer opções para jogar por dentro em progressões ou combinações directas. Situações de cruzamentos a partir dos corredores laterais muito pouco frequentes.

- Jogo muito vertical na 1ª fase de construção. Raramente arriscam e preferem sempre adoptar uma postura de segurança. Exploram jogo directo em Bacca ou na tentativa de um apoio frontal de Rakitic.

- Muita liberdade dada aos extremos e a Rakitic que posicionam-se um pouco por toda a frente de ataque procurando jogo rápido, intenso e imprevisível de combinações directas. Bacca fortíssimo neste aspecto pela inteligência posicional e Rakitic pela qualidade na decisão e no passe.

Transição ofensiva

- Muito rápidos e objectivos. Procuram imediatamente explorar Bacca em profundidade. Quando não conseguem, entram em posse e jogo de paciência, embora invariavelmente procurem acelerar o jogo rapidamente.

- Movimentos dos extremos sempre a procurar receber e acelerar para o corredor central tendo como referências Bacca e Rakitic que oferecem linhas de passe. Tentam criar situação de 3x3 ou 3x2 pelo corredor central com progressão de um dos extremos.

- Reyes e Vitolo sempre por dentro, Marin também. Navarro dá muito pouco apoio neste tipo de situações e tem muita dificuldade em recuperar (Alberto é muito mais forte). Figueiras também mais forte que Coke aqui.

- Muito perigosos neste momento do jogo. Bacca pela capacidade de movimentar-se e acelerar se tiver espaço nas costas. Rakitic pela decisão. Reyes e Vitolo ou Marin pela qualidade a jogar por dentro e mecanização de combinações com Bacca. Muita mobilidade.

Organização Defensiva

- Equipa organizada em 4x2x3x1 ou 4x1x3x2. Bloco médio. Vocação ofensiva e mobilidade dos 4 jogadores mais ofensivos deixa-os muito desprotegidos posicionalmente e é usual terem vários jogadores fora de posição. Procuram pressionar rápido e retirar tempo ao portador mas de forma pouco controlada e equilibrada. Muitos problemas. Tanto pressionam procurando abafar como temporizam e entram em contenção. Pouco critério.

- Numa primeira fase Rakitic baixa evitando entradas por dentro de passes. Quando a equipa se equilibra sai de posição e junta-se a Bacca para pressionar. Extremos fecham completamente por dentro, como interiores, ao lado de Mbia e Carriço. O português quando isto acontece posiciona-se quase como 3º central ou directamente na posição 6.

- Equipa muito forte a fechar espaços no corredor central, obrigando o adversário a tentar entrar sempre por fora. Muito consistentes aqui, embora hajam desconcentrações e saídas de posição de jogadores para pressionar sem ter complementaridade colectiva. Alguns problemas aqui.

- Muito espaço concedido nos corredores laterais e nas costas dos seus defesas laterais. Importante para quebrar oferecer linhas de passe constantes ao jogador do corredor lateral para garantir situações de 2x1 porque alguém acaba por ter de sair ao portador da bola.

- Muitas dificuldades dos defesas laterais em bolas aéreas, sobretudo em cruzamentos ao 2º poste. Sobretudo Diogo Figueiras é muito hesitante e erra frequentemente aqui. Demora muito a fechar e tem dificuldade em fazê-lo (marca mal, normalmente sempre perto do homem - dá espaço no corredor central). Navarro o melhor dos defesas laterais a defender.

- Dupla de centrais altamente consistente. Fazio raramente perde um lance pelo ar, muito agressivo e forte fisicamente, joga bem em antecipação. Pareja mais forte posicionalmente, mais móvel e mais forte nas dobras.

Transição defensiva

- Equipa partida e inconsistente. Se jogar Navarro, explorar muito, é fraco e tem muita dificuldade em recuperar o seu espaço. Laterais com vocação ofensiva e extremos muito por dentro abrem muito espaço nos corredores para saídas rápidas.

- Muito agressivos e impetuosos na tentativa de evitar contra-ataque do adversário. Demoram a posicionar-se e acabam por correr muito atrás do portador tentando retirar-lhe tempo e espaço para decidir.

- São altamente inconsistentes aqui. Se houver saídas rápidas pelos corredores laterais com linhas de passe oferecidas pelos avançados em ruptura podem ter muitos problemas. Tentar tirar o jogo da zona de pressão, pois procuram fechar todos os caminhos para não serem apanhados em inferioridades numéricas.

- Bacca e Rakitic praticamente não defendem. Vitolo e Reyes muito disponíveis para auxiliar defensivamente mas sempre sem grande critério posicional.

Bolas paradas a favor

- Padrão total. Todos os lances são para Fazio. Rakitic marca cantos e livres de qualquer zona do campo. Têm uma particularidade. Procuram colocar sempre algum jogador a fazer bloqueio, de forma a evitar acompanhamento do marcador directo de Fazio. Normalmente são bem sucedidos e consegue aparecer em boa situação para finalizar.

- Cantos e livres laterais sempre batidos para a marca de penalty onde Fazio aparece vindo de trás para tentar cabecear. Mbia também forte neste aspecto mas a referência é o argentino. 

- Rakitic muita qualidade de execução. Evitar faltas em zonas próximas da área.

Bolas paradas contra

- Marcação H-H em quase todas as situações. Bastante agressivos neste tipo de situações (tentar explorar eventuais agarrões).

- Cantos contra, deixam um homem no 1º poste e outro na linha da pequena área, no seu primeiro terço em relação ao lado onde a bola é batida. Os outros marcam individualmente.

- Livres frontais colocam 5 ou 6 homens na barreira e saltam sempre (pode-se explorar).

Notas a destacar

- Muita qualidade na 3ª e 4ª fase. Mobilidade ofensiva de grande nível. Bacca muito perigoso quando tem espaço nas costas. Rakitic e os extremos muito perigosos quando conseguem penetrações pelo corredor central.

- Fortes na transição ofensiva. Altamente motivados e consistentes.

- Fazio muito forte em quase todos os momentos. Jogador muito difícil de ultrapassar e imperial nas alturas.

- Altamente inconsistentes em transição defensiva. Podem ser muito explorados por aqui. Desposicionam-se, não têm critério a sair ao portador da bola e dão espaços que podem vir a ser letais.



Imagens relevantes (porquê estas referências? Discussão caixa comentários):

















terça-feira, 6 de Maio de 2014

Lopetegui e a oportunidade formação



O Porto oficializou hoje o treinador Lopetegui como a nova aposta da estrutura para o próximo ano. É um treinador experiente ao nível do trabalho com jovens e parece estar aqui encontrada uma oportunidade muito interessante para o Porto começar a dar desenvolvimento ao nível da equipa principal ao bom trabalho que tem realizado na sua formação.

Trabalhar bem na formação não é ganhar campeonatos. O Porto até tem conquistado alguns, mas este ano voltou a provar que essa não é a sua prioridade. Exemplos disso são os jogadores Juniores que lançou na sua equipa B a competir de forma regular com jogadores mais experientes, acelerando o seu processo de maturação e permitindo-lhes estímulos para evoluírem de forma mais sustentada.

Com a entrada de um treinador habituado a lidar com jovens e que parece ter especial interesse e apetência para essa área, o Porto tem aqui uma oportunidade para se destacar, finalmente, como clube que ganha/luta por títulos e que aposta na juventude e prata da casa. Até porque qualidade tem, e o trabalho que tem desenvolvido assim o exige.

A formação do Porto neste momento tem um modelo de jogo transversal, que permite uma continuidade aos seus atletas, pelo menos maior que os outros dois rivais. Faz um trabalho continuado e com bastante critério.

Primeiras notas em relação ao novo treinador: O contexto. Não é por ter ganho títulos jovens pela Espanha que é atestado de competência. Também não é por apenas ter tido sucesso nesse contexto, que é um atestado de incompetência. As primeiras palavras são reveladoras de algo que desde sempre defendemos, a adaptabilidade:

«Primeiro tenho de analisar muitas coisas que passaram este ano e vamos depois tomar decisões. Temos uma ideia de jogo, filosofia, mas também tenho de ver o contexto dos jogadores que vamos encontrar.»


Vamos ver e falar sobre alguns nomes de jogadores que estarão à espreita para a nova cara 2014/15.

Rafa - Lateral esquerdo, ainda Junior, já teve minutos na equipa B dos dragões que lhe permitiu maior maturidade. Jogador culto, fecha bem, agressivo qb, mas sobretudo muito capaz ofensivamente. Dá largura e profundidade ao corredor, cruza muito bem e integra-se bem em todos os momentos do jogo.

Leandro Silva - Tem vindo em crescendo. Pode jogar como 6 ou 8, embora seja como médio de ligação que melhor se exprime. Boa capacidade de desarme, agressivo e uma tremenda meia distância. Jogador intenso e rotativo.

Joris Kayembe - Recrutado ao Standard Liége, é um dos jogadores mais fortes da equipa B do Porto. Pé esquerdo mas que joga pela faixa direita, muito forte no último terço. Capacidade de drible, bastante intenso nas abordagens, parte para cima, dotado técnicamente e muito abnegado. Jogador para acompanhar.

Ivo Rodrigues - Uma das apostas do Porto. Ainda Junior, esteve fixo o ano todo nos B. Tem bastante qualidade, joga em ambos os flancos, veloz, forte no drible e que chega muito bem a zonas de finalização. Um produto de muita qualidade.

Gonçalo Paciência - O jogador que mais esperanças parece reunir. Muito forte fisicamente, regressou bem de lesão e assume-se fundamentalmente como um jogador diferente para a posição. Joga fixo na área, excelente capacidade de movimentação e qualidade técnica, joga bem de cabeça, é agressivo e finaliza bem. Cuidado com ele.

quarta-feira, 30 de Abril de 2014

A não adaptabilidade dá nisto



...4-0 do Real Madrid na sua própria casa. Nada que não tivesse sido já debatido neste espaço nos últimos dias e até mesmo em outros momentos. Este modelo de Guardiola não exequível de acordo com os jogadores que tem à disposição acabaria por dar para o torto e de forma clamorosa. Esta não foi só a derrota mais pesada do técnico espanhol a este nível como foi também a que mais expõe as suas fragilidades.

Qualquer modelo de jogo deve ser direccionado para potenciar as características dos jogadores. Uma equipa como o Bayern que ganha tudo no ano passado, trucidando adversários (inclusivé a geração de Guardiola no Barcelona por 7-0), não pode mudar de forma tão radical como fez este ano apenas para ir ao encontro de um futebol de um treinador que acabou por recolher mais críticas do que propriamente elogios palpáveis num contexto onde seria difícil que isso acontecesse.

A componente estratégica é fundamental no jogo e sobretudo nos momentos das decisões. Jogar num bloco tão subido e em constantes igualdades posicionais nos momentos de transição defensiva frente a uma equipa que tem um jogador a decidir como Modric, um jogador que liga sectores de forma tremenda e que pela sua capacidade de aceleração garante rápidamente vantagem posicional em transição ofensiva chamado Di Maria, e jogadores que com espaço nas costas como Ronaldo e Bale, é garantir suicídio, e garantir a humilhação que se verificou hoje.

Mais grave ainda é abdicar do ADN da equipa, que fazia dos esquemas tácticos um dos seus alicerces, e que sofre três golos dessa forma. Guardiola não soube explorar o que a sua equipa tinha de mais forte, e isto não se resume a um jogo. Ganhar o campeonato alemão onde o único rival actual é o principal fornecedor de jogadores para a própria equipa não pode ser nunca um elogio. É apenas a sua obrigação. E fazer a figura que fez em alguns jogos do campeonato, recolhendo críticas constantes de todos os quadrantes do futebol e do próprio clube, e sair da forma como o fez hoje na Champions, mostrou um Guardiola derrotado e sobretudo demasiado agarrado a ideias que agora (tal como no ano passado no Barcelona x Bayern) se provam estar equivocadas.

O futebol está em constante mudança e a adaptação/evolução de treinadores e seus intérpretes é o garante de sucesso duradouro de estratégias e filosofias daqueles que ganham em todos os contextos possíveis. E se Mourinho, tão criticado nos dias de hoje, vencer este ano em Lisboa com um plantel muito inferior aos demais concorrentes, vamos ver quem tão cedo ganhará 3 champions em 3 países diferentes, 3 contextos diferentes...veremos!

sexta-feira, 25 de Abril de 2014

Duelo táctico na Luz: Padrão vs Adaptação



Assistimos hoje na Luz a um jogo soberbo a nível táctico entre duas equipas tremendas. Sobretudo a um jogo de enorme exigência para ambos os conjuntos e seus treinadores de forma a procurar maior equilíbrio e maior controlo do espaço. Sistemas em tudo diferentes e que colocavam a nu as principais debilidades colectivas de cada um dos conjuntos sempre que havia sucesso no momento em que as equipas chegavam à zona de decisão. Arrisco dizer que se tivesse existido maior qualidade individual em alguns momentos o jogo de hoje teria ficado com 5 ou 6 golos no placar.

Juventus, a padronização

A Juve é uma equipa totalmente padronizada no seu momento ofensivo. À primeira vista poderia permitir uma maior facilidade ao adversário em encaixar nessas combinações tácticas mas a dificuldade é tanta que seria necessário mudar de tal forma que permitiria aos italianos terem sucesso noutra das opções que poderiam assumir na zona de construção.

Abordaram o jogo com um momento ofensivo muito organizado, sobretudo, em duas combinações padronizadas. Jogando com três defesas pelo corredor central, garantido equilíbrio posicional, e duas referências de largura pelo corredor lateral (Lichtsteiner e Asamoah), a definição era sempre pelos três médios. Normalmente Pirlo e Marchisio a esticar jogo no outro médio, Pogba.

Para isso a referência de largura de um dos corredores abria no máximo procurando arrastar consigo o defesa lateral do lado contrário à bola. Esse espaço deixado entre o central/lateral era atacado pelo médio interior, quase sempre Pogba, que ao receber procurava uma combinação directa com um dos avançados de forma a conseguir uma situação de 2x1.


Benfica, a adaptação

Jesus correu o risco e teve sucesso. Não abdicou da sua identidade nem virou a cara à filosofia da equipa. Pressionou alto e deu-se bem. Podia ter garantido equilíbrio espacial não pressionando 3x3 na 1ª fase de construção dos italianos. Mas fê-lo. Para isso adaptou André Gomes, que passou a acompanhar sempre os movimentos de ruptura dos interiores (quase sempre Pogba). Recuou Enzo para esse lugar e baixou também Rodrigo fechando a linha para rodar rápido por fora - que normalmente Pirlo oferecia.


A Juve tornou-se mais pragmática e mais fácil de controlar pelo corredor mais perigoso: o central. Quase não construiu momentos de perigo através desse tipo de combinações onde é mais forte que os adversários e potencia o seu futebol.

Juventus, a re-adaptação ao Padrão

Podemos até chamar plano B. Não estava fácil entrar da forma padrão, foram pela segunda via: explorar a referência de largura do lado contrário que era deixado sem marcação. Foi por isso muito evidente, sobretudo na 2ª parte, situações de superioridade numérica pelo corredor lateral em que o jogador que dava maior largura recebia só e tinha espaço para progredir e cruzar.

O Benfica confiou na capacidade de antecipação dos centrais e teve de sofrer mas evitava situações de penetração pelo corredor central onde os seus centrais fizeram também um grande jogo. Foi um jogo muito exigente a nível defensivo para os laterais do Benfica que foram gigantes também na forma como apoiaram a equipa em termos ofensivos.

Não tivesse existido o erro de Markovic a esquecer-se de fechar o espaço interior e a evitar que a Juventus entrasse por dentro, hoje os italianos teriam criado ocasiões de golo (por imensa qualidade colectiva e individual), mas dificilmente seria um resultado tão curto para o Benfica como se tornou este.

Foi um prazer assistir a tudo isto no Estádio da Luz.


quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Beckenbauer, fala quem sabe



«A posse de bola de nada serve se o adversário consegue criar tantas ocasiões de golo. Devemos dar-nos por satisfeitos por só termos sofrido um golo».

Não é que esteja de acordo que se fale assim da equipa neste momento. A protecção ao treinador deve ser total de qualquer figura de um clube. No entanto, não posso estar mais de acordo com a ideia do Kaiser.

Já por aqui referi várias vezes que é um crime ensinar isto aos miúdos. Sobretudo porque os prepara para um contexto que não será possível realizar na maioria dos contextos, ou seja, é estar a prepará-los para o insucesso porque um modelo tão exigente de variados pontos de vista só é possível quando se é claramente melhor que os outros a nível individual.

E quando essa capacidade não surge e há tão pouco espaço para se jogar, acontece o que se passou hoje. Um Bayern totalmente fora daquilo que são as suas capacidades e uma equipa totalmente padronizada num tipo de futebol completamente contrário às ideias do seu treinador.

Lançamentos longos para a área? Cruzamentos atrás de cruzamentos à procura de superioridades do avançado ao 2º poste no futebol aéreo? 

Será isto que os novos teóricos do futebol têm nos seus apontamentos como o certo e o errado sobre o jogo?

Sou a favor da adaptabilidade e do facto do Bayern encontrar forma de potenciar aquilo que tem de melhor. E isso é o jogo aéreo do seu avançado Mandzukic. A criação de espaço para Robben decidir em situações de 1x1. A capacidade de Muller estar entre-linhas e acelerar jogo. Um futebol rápido e de intensidade do seu sector ofensivo. Mas nada disto se vê actualmente porque a própria equipa parece estar a entrar em choque com as ideias do treinador.

Do 8 ao 80, ou o extremo, que conseguimos encontrar no futebol que Guardiola mete as suas equipas a jogar, está longe de ser modelo certo e universal para o futebol. O segredo do jogo está na eficácia e na capacidade de criar mais momentos de finalização do que a equipa adversária.

O Real não tendo bola, jogando quase sempre em organização defensiva e em transição ofensiva, conseguiu criar mais oportunidades de golo e situações de finalização que o Bayern que passou o jogo entre passes à entrada da área adversária e cruzamentos ao 2º poste, não encontrando outro tipo de solução para os problemas que lhe eram criados.

Será o controle do jogo através da posse a forma mais segura de se ser superior em jogo? Retirando liberdade de processos aos seus principais jogadores de forma a padronizá-los num jogo que não estão habituados ou simplesmente projectados para tal?