quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Como foi mau ver este Depor


Jogou-se hoje o V Troféu Antonio Puerta, que opôs Sevilha e Deportivo. Oportunidade para ver duas equipas de primeira liga espanhola, com alguns nomes interessantes, e poder ver a que nível se prometem projectar para esta nova temporada. Quando se procura ver as individualidades, não podemos nunca esquecer o colectivo e o modelo em que se inserem. Daí ser injusto tecer opinião sobre qualquer jogador do conjunto que nesta altura da época, se candidata a ser um dos despromovidos: Deportivo. Dinâmica quase inexistente. Mobilidade e profundidade, são princípios quase invisíveis no jogo dos espanhóis. Torna-se então impossível ver qualquer combinação táctica digna desse registo. Previsível. Não ajuda também a forma como Nelson Oliveira joga. Não basta esperar que a bola seja colocada no espaço para ele entrar em jogo.

Neste modelo baseado no 4x2x3x1, com variante de 4x4x2 em organização ofensiva, que o Depor joga, o avançado tem de ser muito mais do que aquilo que fez o português. Sobretudo não pode jogar na zona dos centrais do adversário sob o risco de acontecer aquilo que é evidente: a quase inutilidade de estar em campo. Há que sair daquela zona, baixar para a zona de construção da sua equipa, arrastar os defesas do adversário, abrir espaço através de movimentos procurando a bola. Defensivamente tem de procurar fechar linhas de passe para um futebol espanhol cada vez mais pré-definido para a manutenção e circulação de bola através da 1ª fase de construção. Procurar lutar com os defesas. Assim, será difícil que Riki (o melhor do Depor) ou Bodipo não sejam as principais apostas para aquela posição.

O outro português esteve ligado ao primeiro golo do Sevilha. Concentração, um dos princípios fundamentais do jogo. Roderick parece esquecê-lo, por vezes. Pouco fez para evitar que Negredo fizesse um dos golos mais fáceis que certamente marcou nos últimos tempos. Quando o português pensava que o espanhol estava nas suas costas, já ele estava na marca de penalty a atirar para o golo. Outros lances em que mostrou pouca certeza e presença no seu raio de acção. 

André Santos continua a basear as suas acções naquilo que tornam o seu futebol pouco produtivo. Apesar de se posicionar bem e ter uma cultura táctica interessante, quando tem a bola nos pés, usa quase sempre o passe, e com 2 condicionantes: ou é para o lado, ou para trás. Não desequilibra. Não assume o jogo. Não explora os corredores. Não cria situações de penetração para libertar bola. Contudo, repito: resta perceber se esta falta de dinâmica colectiva, de mobilidade, de confiança dos jogadores do Depor é porque ainda estão numa fase de conhecimento e com poucas rotinas, ou longe ainda de compreender o modelo de jogo a que o clube se predispõe a jogar, ou realmente não têm condições, nesta fase, para elevar o nível de um Depor que não deve fugir à 2ª metade, e para baixo, da tabela esta época.

O Sevilha, atenção, pouco mais mostrou. Medel é um jogador interessante, tal como foi bom ver Cicinho novamente a carburar pelo corredor. Jesus Navas continua sem esconder a razão porque não sai de Sevilha. Irregular nas decisões e na forma como assume o que tem de fazer. Produtividade é relativa, nele. Bom foi ver Baba, quase sempre esclarecido, o jogador que passou pelo Marítimo.

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