O título do post é forte. Mas olhando para a globalidade do "falar futebol" do mundo cibernáutico vemos críticas imensas ao treinador mais marcante dos últimos anos a par de Guardiola.
Vamos ver Mourinho. A incapacidade ofensiva do Chelsea nos jogos mais difíceis vem sendo criticada de forma sistemática. Eu critico Mourinho no discurso. Na forma como se está constantemente a colocar abaixo dos rivais. Como perdeu o interesse pela guerra e se dá por vencido à partida. Como entra numa postura de choramingas sem evidenciar o espírito lutador e vencedor que sempre mostrou. Está diferente.
Mas futebolisticamente falando continua no auge. Porque ganha. Mourinho é o treinador mais forte do Mundo na componente estratégica do jogo. Não é só sorte. Nos momentos cruciais raramente desilude e mesmo partindo em inferioridade perante os adversários consegue superiorizar-se pela forma como a sua equipa se dispõe em campo e consegue estar nos variados momentos do jogo.
O futebol não pode ser apenas dominar todos esses momentos mas sim ser globalmente mais forte. O futebol é um jogo de eficácia e nem sempre quem tem uma filosofia inquebrável ganha. Mourinho adapta e adequa em função do momento e no contexto que o jogo lhe coloca. E consegue resultados.
Foi a Madrid jogar completamente a defender mas até para isso ele tem de ser bom. Anulou todas e quaisqueres valências do futebol do Atlético e simplesmente colocou-os em situações em que não estão habituados e não sabiam como sair delas. Mourinho saiu com um 0-0 que lhe pode ser muito útil. De que interessava jogar bem, de forma atraente e a permitir um grande espectáculo e não partir em vantagem para a 2ª mão junto dos seus adeptos?
Para além disso a sua obsessão pelo momento defensivo é deveras interessante. O Chelsea é a equipa da Liga Inglesa com menos golos sofridos (26 em 35 jogos) e consegue oferecer uma segurança e um controle do jogo muito grande, mesmo sem a bola. Abdicando em grande parte de muitos momentos de organização ofensiva, consegue nesse momento ou em transição ser das equipas mais venenosas e eficazes e possivelmente das que melhor taxa de aproveitamento têm relativamente ao número de situações de finalização que criam (mesmo sem um avançado de top).
Este Chelsea de Mourinho pode ser odiado mas a filosofia do português não se tem alterado e ela já era visível em Madrid. Um futebol mais seguro, de maior controle especial e de menos posse, mas muito cínico e direccionado para o objectivo máximo do jogo: Vencer. Mesmo que no jogo de Londres o Chelsea volte a fraquejar do ponto de vista do espectáculo, saberá ser extremamente competitivo o suficiente para marcar presença em mais uma final da Champions.












