Hoje voltamos a postar. Sobretudo porque tivemos a assistir à final da Youth League e achámos pertinente dizer algo.
O jogo que colocou frente-a-frente Benfica e Barcelona foi muito mais do que um jogo de futebol entre duas equipas de esperanças. Foi o colocar a nu tudo o que se passa no futebol de formação pelo mundo. As ideias, as práticas, as necessidades, as políticas.
Não queremos entrar em abordagens ao jogo mas sim falar de formação. Mais importante do que qualquer título neste ou noutro escalão é ver jogadores a atingir a equipa principal dos clubes. Essa é a meta e deve ser para isso que todo o trabalho é canalizado.
Não vale de nada os investimentos e os títulos ganhos na formação se não houver aproveitamento dos jogadores no futebol profissional. O Benfica é o clube dos três grandes em Portugal o que menos atletas tem a competir nas divisões dos campeonatos europeus formados por si.
Hoje a sua formação parece evidenciar-se a nível europeu mas um dos factores que leva muitos jogadores a não dar o salto continua bem presente na sua equipa que hoje disputou a final da Youth League. É que nenhum dos jogadores presentes tem qualquer minuto pela sua equipa B esta temporada.
Olhemos para o Barcelona e a sua equipa. Os 5 principais nomes da mesma nem estiveram na Suiça. Falamos de Jean Marie Doungou, Bagnack, Grimaldo, Campins e Sergi Samper. Dos que hoje jogaram, alguns já somam muitos minutos pela sua equipa B. Um deles, Adama, já tem minutos na Champions dos adultos.
Olhamos para os outros grandes e vemos Riquicho e Ponde no Sporting, André Silva, Rafa, Tomás e Ivo Rodrigues no Porto, todos Juniores a jogar nas suas equipas B e na 2ª Liga portuguesa. Porque é que o Benfica é o único a não seguir essa política?
Olhamos ainda mais para fora e vemos o Schalke 04, semi-finalista da prova, com Max Mayer e Leon Goretzka a jogar na equipa principal, na Champions dos adultos, e nem a esta competição foram. Vemos Adrien Rabiot do PSG a jogar na Luz ao lado de Cavani, Lavezzi, Ibra e outros, e nem uma vez foi a esta prova. Vemos o Marcos Lopes do City, ex-Benfica, a fazer jogos pela equipa principal.
Será que todos os outros estão bem e só em Portugal, nomeadamente no Benfica, é que se faz diferente? Será que os atletas estarão assim melhor preparados? Será que o seu salto para o futebol profissional é facilitado desta forma? Terão os atletas estímulos suficientes para evoluir a competir de forma fixa no seu escalão, ganhando 99% dos jogos, sem grande tipo de dificuldades e problemas criados pelos adversários?
Estará o futebol português e os clubes dependentes de resultados para carimbar o sucesso de projectos, metodologias, ideias e modelos do futebol de formação?












