domingo, 3 de novembro de 2013

Os "outros": Melhor 11 da Liga



Chegados à jornada 9, é possível fazer já um primeiro balanço do campeonato português. Muitas têm sido as notas positivas, outras negativas, das equipas e jogadores até ao momento. Já vimos três treinadores cederem os seus lugares, outros a cimentar - e de que maneira - os seus, algumas surpresas, outras desilusões. Mas é de jogadores que vamos falar. Tirando os três grandes, que jogadores têm tido um rendimento acima da média em relação aos restantes? Este será o nosso onze, quando partimos para a jornada 10, dispondo os jogadores num 4x4x2, com treinador à altura.

Guarda-Redes: O Rio Ave é a equipa menos batida do campeonato. Conta para isso com um guarda-redes que não sendo surpresa para ninguém, vai cimentando o seu estatuto como um dos jogadores mais valiosos da prova. Falamos de Salin. O francês tem sido decisivo a evitar alguns dissabores aos vila condenses. Contudo, a nossa escolha, apesar de difícil, vai para Adriano Facchini. Falamos dele pela primeira vez aqui ainda estava ele na 2ª Divisão B. Forte entre os postes, líder de equipa, muito seguro também nas saídas e na forma como aborda situações de finalização. Tem presença e elegância. Já sabíamos da sua qualidade, mas tem reforçado o estatuto.

Defesa-Direito: Apesar de estar nivelada por baixo, esta posição específica tem mostrado um jogador a ter em conta em Vila do Conde. Lionn, um velho conhecido do futebol português, apesar de ter apenas 24 anos, atingiu a maturidade futebolística e vem-se destacando com bons desempenhos. Ágil, veloz, importante na forma como dá profundidade ao corredor e apoia o ataque, tem crescido também defensivamente e é uma das boas confirmações da prova.

Defesa-Esquerdo: A boa campanha dos gilistas na prova fá-los ter lugar de destaque em qualquer menção honrosa que se faça do campeonato. Luis Martins tem sido um dos seus maiores destaques. Está um jogador maduro, confiante e muito seguro de si. Fortíssimo nas bolas paradas e na meia distância, tem crescido sob o ponto de vista defensivo, continuando a oferecer qualidade no jogo ofensivo da sua equipa. Já leva 2 golos, e promete mais.

Defesa-Central: Aderllan Santos. Já o tinhamos referenciado na pré-época e está a assumir o destaque. Jogador de potencial elevado, já se destacou pelos dois golos que marcou e segurança que tem oferecido à equipa. Forte no desarme e na leitura dos lances, muito forte no jogo aéreo e na forma como sai com bola em progressão. Jogador para continuar a seguir, veremos se muito mais tempo em Braga.

Defesa-Central: Paulo Oliveira. Mantém o nível que nos habituou nos últimos anos. Jogador de qualidade, muito forte na marcação e na antecipação, tem de melhorar sob o ponto de vista da forma como sai com bola, mas tem margem para crescer. Mantém-se sempre  regular e certo em todos os aspectos de jogo.

Médio-Centro: Miguel Rosa. É o destaque habitual de um jogador que se assume como destaque ano após ano. Leva 3 golos, é a cara deste Belenenses e tem assumido papel de destaque em todos os jogos que realiza. Pela maturidade e irreverência, pela capacidade de finalização e de sair vencedor de situações de 1x1, vamos ver os números com que termina este campeonato.

Médio-Centro: Evandro. Uma das principais peças do Estoril. Jogador temível no último passe, boa leitura de jogo e tomada de decisão ao nível dos melhores. Tecnicamente também dotado e que aparece com facilidade em zonas de finalização. Parece ter encontrado a fase de rendimento do seu jogo e promete continuar o bom momento.

Médio-Direito: Avto. Já sabíamos da sua qualidade, falámos dele aqui, e está a confirmar as referências que demos dele quando estava na 2ª B. Jogador muito veloz, forte no 1x1, objectivo e muito intenso, promete continuar a dar que falar na equipa sensação da Liga.

Médio-Esquerdo: Marco Matias. Nunca fomos especialmente fãs do seu jogo, mas está este ano a atingir números interessantes. É a peça de maior destaque do ataque do Guimarães e os 3 golos que leva justificam o estatuto. Muito veloz, embora nem sempre com as melhores decisões, tem assumido o jogo e está num bom momento o que lhe dá confiança para continuar a crescer.

Avançado: Não é novidade, já na 2ª Liga o referenciámos aqui, e não desilude em nada. Jogador importante na zona de finalização, veloz, com uma facilidade de remate tremenda, tem ganho experiência e sabedoria no posicionamento para aparecer a finalizar. Jogador para outros voos, e veremos até onde chega este ano. Falamos claro de Luis Leal.

Avançado: Derley, do Marítimo. Numa má época dos insulares, o destaque vai inteirinho para o seu avançado. Jogador móvel, tecnicamente com qualidade, sabe movimentar-se e jogar também de costas para o golo. Contudo, é forte e letal na finalização, onde já leva 6 golos em 9 jogos. Se o volume ofensivo do Marítimo crescer, e a sua equipa melhorar, até onde chegará?

Treinador: João de Deus e Marco Silva são talvez os dois mais promissores treinadores da Liga. O prémio tem de ser dado a Marco Silva pelo que tem feito, mas vamos mais além, e damos a João de Deus. Já tinhamos perspectivado o sucesso aqui e damos ênfase ao que tem feito. Remodelação total do plantel, encontrou rapidamente uma grande adaptabilidade dos jogadores às suas ideias e os resultados falam por si. Perdeu apenas com Benfica e Porto, e o Gil para além da segurança e eficácia do seu jogo, joga um futebol de qualidade em muitos momentos do jogo. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Os talentos fora do modelo de jogo



O Benfica ganhou 3-0 em Coimbra. Quem não viu o jogo, aceita este bom resultado com o agrado normal de uma vitória num terreno que se tem tornado difícil para os encarnados. Quem o viu, não pode nunca deixar de lembrar-se do nome de três jogadores que acrescentariam uma qualidade enorme ao jogo do Benfica. Jogo esse sempre a um ritmo baixo, com poucas ideias, com falta de mobilidade, com poucas dinâmicas colectivas aparentes - ou que pelo menos tenham efeito prático. Esses três nomes são o de Djuricic, Rodrigo e Ola John.

Começando pelo sérvio, é evidente que o seu rendimento, quando chamado, não tem estado ao nível expectável. Mas é fácil perceber. Djuricic é um jogador de zona de construção, com visão de jogo e qualidade de passe, que tem de jogar de frente para o jogo. Tem actuado num modelo que em nada o beneficia ou lhe permite encaixar, obrigando-o a jogar quase sempre de costas, sem espaço para recuar e participar numa fase de menor pressão do ataque organizado, sempre com poucas linhas para jogar e num colectivo com poucas ideias. A desconfiança vai-se apoderando do jogador, o que afecta a tomada de decisão e a sua própria execução e esse descontentamento coloca em risco um dos jogadores mais talentosos que o Benfica tem nas suas fileiras nos últimos anos.

Rodrigo é outro caso bicudo. Criticado pelos adeptos, a realidade é que é outro jogador em que as suas características em nada se exploram no actual modelo da equipa. O cliché de ser um jogador móvel, rápido, até franzino, logo, não pode jogar como elemento mais avançado da equipa, tem destruído o seu rendimento e adiado a sua explosão enquanto grande jogador que é. Rodrigo é um avançado de top e tem características que todos os jogadores de top da sua posição têm: qualidade finalização, mobilidade, velocidade, capacidade técnica e de drible. Só Jesus vai insistindo na ideia de o tirar da posição 9 e obrigando-o a jogar longe da área e da zona de finalização, participando em demasia na organização colectiva da fase ofensiva, desgastando-se e não explorando a sua capacidade de ler o jogo e movimentar-se em ruptura onde faz a diferença. Depois é um atleta lançado a jogo com pouca continuidade, sem ritmo, de forma quase surpreendente, e reflecte-se no seu desempenho. Basta dizer que o ano passado só por uma vez não marcou, quando jogou 90 minutos.

Outro patinho feio neste momento do grupo é Ola John. O extremo holandês é a antítese da ideia de jogo e do modelo que Jesus incute neste Benfica. É criticado comparativamente aos outros extremos do plantel por não entrar nas correrias sem fim destes. Mas quem está certo é o holandês. É o melhor extremo do plantel a temporizar e perceber os lances, pode crescer na tomada de decisão fruto da confiança que pode adquirir, é forte no 1x1 como nenhum outro do plantel, e é claramente jogador para muito mais do que tem dado no Benfica. Outro jogador que aparece e desaparece da equipa e assim dificilmente ganha ritmo, confiança e consistência nas exibições. De qualquer forma, sabe mais do jogo, e tem mais qualidade num pé, do que Ivan Cavaleiro no corpo todo.




terça-feira, 22 de outubro de 2013

Prospecção: Renato Sanches


Renato Sanches é uma das maiores promessas da formação do Benfica. Depois de na temporada passada já se ter sagrado campeão nacional de Juvenis A, volta este ano a tentar repetir o feito. Jogador de zona de construção, destaca-se pela tomada de decisão e qualidade de progressão com bola. Tem uma excelente cultura posicional, protege bem a bola, sabe acelerar o jogo e jogar em situações de 1x1. Agressivo, bom recuperador de bolas, auxilia defensivamente, da mesma forma que gosta de aparecer na zona de finalização para oferecer a sua qualidade técnica ao processo ofensivo da equipa. Jogador com uma ampla margem de progressão e enorme qualidade. Para seguir de perto.



Nacionalidade: Portugal
Data de Nascimento: 18-08-1997 (16 anos)
Altura/Peso: 170 cm / 65 kg
Posição: Médio Centro
Clube: SL Benfica

Época               Clube           Jogos           Golos
2013/14        Benfica (Juv.A)




sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Prospecção: Nathan


O Atlético Paranaense tem nas suas fileiras um jogador que promete dar muito que falar nos próximos anos. Quem o vê jogar, rapidamente pensa já ter visto este jogador em alguma parte do planeta. Facilmente chegamos a Oscar, do Chelsea. Nathan joga pelo corredor central, procurando bola desde atrás para partir em progressão, ou directamente no apoio ao avançado. Apesar de forte em ataque posicional, é em ataques rápidos que se destaca pela qualidade que apresenta na condução. Tecnicamente é muito dotado, joga com ambos os pés, tem uma tomada de decisão muito boa e inteligência acima da média nas opções que toma. Recursos também elevados ao nível do drible, joga e faz jogar, acelerando quando é necessário. Aborda muitas vezes o 1x1 de onde sai muitas vezes vitorioso. Jogador que pode atingir um nível muito alto assim continue a crescer ao nível da intensidade que coloca em campo. A seguir com muita atenção. 

Nacionalidade: Brasil
Data de Nascimento: 13-03-1996 (17 anos)
Altura/Peso: 177 cm / 73 kg
Posição: Médio Ofensivo Centro
Clube: Atlético Paranaense

Época               Clube           Jogos           Golos
2013        Atlético PR (Sub-23)




sábado, 5 de outubro de 2013

Prospecção: Rithiely



Aos 22 anos, Rithiely assume-se como um dos destaques do Sport na Série B do Brasileirão. Candidato à subida, o Sport tem nas suas fileiras um jovem em destaque que promete em breve subir de escalão para outra equipa de maior nomeada. Rithiely joga como médio de transição, num sistema de 4x2x2x2, sendo um dos "volantes", ou seja, um dos médios mais defensivos da equipa. Denota agressividade e qualidade no desarme, lê bem o jogo e destaca-se pela forma como ganha bolas em antecipação e procura acelerar o jogo da equipa. Tecnicamente é dotado, passa bem e chega com facilidade a terrenos de finalização onde vem ganhando preponderância. Jogador interessante para acompanhar a evolução que tem.

Nacionalidade: Brasil
Data de Nascimento: 27-01-1991 (22 anos)
Altura/Peso: 173 cm / 72 kg
Posição: Médio Centro
Clube: Sport Recife

Época               Clube           Jogos           Golos
2013                 Sport              41                 6
2012                 Sport              35                 3
2011                 Sport              26                 1

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Prospecção: Hakan Çalhanoglu



Depois de uma grande temporada no terceiro escalão do futebol alemão, Hakan deu este ano o salto para a Bundesliga onde promete continuar a surpreender. Jogador que se destaca fundamentalmente pela enorme capacidade de execução em lances de bola parada, é forte tecnicamente, pensa bem o jogo e demonstra uma enorme apetência para a finalização. Trabalha os espaços e procura a solução mais simples. É aguerrido e gosta de chamar a si as decisões. Para acompanhar.


Nacionalidade: Turquia
Data de Nascimento: 08-02-1994 (19 anos)
Altura/Peso: 178 cm / 69 kg
Posição: Médio Ofensivo Centro
Clube: Hamburgo

Época               Clube           Jogos           Golos
2012/13        Karlsruher          31                 14                      

Prospecção: Zakaria Bakkali



O PSV tem nas suas fileiras um dos próximos grandes talentos do futebol europeu. Bakkali é um extremo moderno, mais um produto da infindável escola de talentos belga que se transferiu ainda muito jovem para o PSV. Jogador de corredores laterais, distancia-se de quase todos os outros da sua geração. Jogador de tremenda intensidade, assume o jogo e revela uma maturidade acima da média. É irreverente, parte para cima, tem um vasto leque de recursos ao nível do drible e é muito forte em todos os aspectos técnicos do jogo. Tem facilidade em jogar 1x1 e procurar o remate. Faz golos. Para seguir com muita atenção um ano que promete muito na Holanda.


Nacionalidade: Bélgica/Marrocos
Data de Nascimento: 26-01-1996 (17 anos)
Altura/Peso: 173 cm / 62 kg
Posição: Extremo Esquerdo/Direito
Clube: PSV

Época               Clube           Jogos           Golos
2013/14             PSV              5                   3

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Prospecção: Yoichiro Kakitani



Há muito que o Japão vem prometendo começar a lançar talentos para o futebol europeu. São já muitos os casos de jogadores nipónicos a alinhar nos principais campeonatos e nas principais equipas pela sua qualidade e não, exclusivamente, pelos partidos financeiros que podem causar. Kakitani pode ser um dos próximos. Jogador em fase de rendimento, é maduro e tem nos pés futebol europeu. Jogador que ocupa a faixa esquerda, sempre em penetrações para o corredor central, ou partindo de uma posição de apoio directa ao avançado, é um quebra-cabeças para qualquer defesa. Destaca-se por jogar com igual facilidade com ambos os pés, é tecnicamente muito dotado e pensa muito bem o jogo em zonas de finalização. Tem recursos a nível de drible que nunca mais acabam e uma facilidade tremenda na hora de finalizar. Para acompanhar.


Nacionalidade: Japão
Data de Nascimento: 03-01-1990 (23 anos)
Altura/Peso: 173 cm / 62 kg
Posição: Extremo Esquerdo/Médio Ofensivo Centro
Clube: Cerezo Osaka

Época               Clube           Jogos           Golos
2013                Cerezo            26                15  
2012                Cerezo            30                11
2011                T.Vortis           36                 6

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A componente estratégica e o modelo de jogo


João de Deus será, em perspectiva, uma das melhores surpresas da Liga deste ano. Para quem não o conhecia, até pode surpreender o trajecto que o Gil vem fazendo. Para quem teve oportunidade de privar com ele, ficam os elogios e a forma como nos faz pensar sobre muitas das questões relacionadas com o jogo. Acima de tudo porque as principais respostas vêm com os resultados e ele alcança-os.

Ontem Vítor Pereira faz uma declaração curiosa: "Benfica paga caro alteração do ADN quando defronta o FC Porto". Hoje, João de Deus, em antevisão à partida no Porto, diz o seguinte: "Temos de ser fiéis às nossas ideias, temos de ter confiança que temos capacidade para ser competentes e discutir o resultado, seja qual for o adversário".

Este tem sido um dos grandes trunfos de João de Deus ao longo da carreira. Em quase todos os clubes por onde passou, tem tido a felicidade de conforme o planeamento da época, conseguir encontrar e ter espaço de manobra para procurar os jogadores que se adequam ao seu modelo. Foi assim no Atlético, acabou por acontecer também na Oliveirense e agora no Gil Vicente.

João de Deus é metódico, tem um modelo de jogo muito definido e um modelo de treino muito direccionado para as suas ideias. É muito forte neste sentido e acaba por ter algumas questões que nos fazem pensar sobre a perspectiva mais "bonita" que aprendemos a olhar para aquilo que se faz nos clubes de topo. Quem assistir a determinados exercícios estratégicos do treino, vemos bastantes condicionantes. Pode ser criticável mas é extremamente direccionado para o objectivo e sobretudo prático para assimilar ideias e comportamentos.

E não é por acaso que as suas equipas jogam praticamente todas da mesma maneira. Não igual, porque são os jogadores que dão as dinâmicas ao colectivo, mas os princípios estão lá: bloco médio/baixo, linhas próximas, retirar largura ao jogo do adversário e apostar na profundidade do seu próprio jogo em saídas rápidas mas num futebol apoiado e com combinações colectivas muito interessantes, sobretudo através de jogo exterior (laterais, interiores e extremos).

Isto para referir que é fundamental não existir desvios àquilo que é a identidade e as ideias de um colectivo, seja qual for o adversário. Trabalhar uma componente estratégica com o objectivo de limitar ou anular determinados pontos do adversário, acabará por nos levar a comportamentos não habituais no nosso jogo e que nos levará a ter pouca eficácia no momento em que conseguimos (fruto da repetição e da estratégia) anular algum ponto forte. É um jogo incompleto e sem sequência.

É possível definir certo tipo de comportamentos que alterem um modelo de jogo, mas sem o radicalizar. Baixar zonas de pressão, ou subi-las, ou introduzir um determinado comportamento táctico ou combinação entre 1 ou 2 jogadores. Fácil de assimilar. Não se pode mudar a ideia e a base da equipa em termos posicionais, de movimentações e combinações colectivas com e sem bola.

É isso que o Benfica tem feito em quase todos os jogos que exigem mais à equipa e ao próprio treinador. Se temos confiança total no nosso modelo e nas nossas ideias não o podemos radicalizar seja qual for o adversário. Jorge Jesus tem insistido nestas mudanças de forma constante sempre que defronta o Porto. Apenas por uma vez lhe correu bem, num jogo em que ganha por 2-0 no Dragão e que teve a inclusão de César Peixoto como Interior. Um caso em muitos outros. Não pode ser suficiente.

O Gil Vicente vai ao Dragão jogar dentro das suas próprias ideias. Forte e coesos defensivamente, mesmo sem os 2 centrais titulares, mas uma equipa solidária, unida e muito focalizada no objectivo. Será interessante ver a forma como se comportarão os gilistas neste grande desafio. E veremos dois dos melhores treinadores portugueses da actualidade em confronto. Para analisar aqui, posteriormente.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Prospecção: Memphis Depay



Conheci este jogador quando aos 12 anos veio a Portugal representar a formação holandesa do PSV num Torneio Infantil em Lisboa e desde logo despertou muita curiosidade. Esta parece que pode ser a sua época de afirmação nos holandeses. Jogador de corredor lateral, é um quebra-cabeças pela capacidade técnica e de drible. Jogador extremamente vertical, é destro mas joga muito com o pé esquerdo, parte sempre para cima e tem uma percepção do jogo acima da média. Isto permite-lhe pisar muitas vezes o corredor central onde procura explorar a forte meia distância. Nem sempre toma a melhor decisão fruto da irreverência de quem procura partir sempre para cima, mas é um jogador que tem uma margem de progressão muito interessante, sendo ainda forte do ponto de vista físico. Jogador muito completo para acompanhar.

Nacionalidade: Holanda
Data de Nascimento: 13-02-1994 (19 anos)
Altura/Peso: 178 cm / 67 kg
Posição: Extremo Esquerdo/Direito
Clube: PSV

Época               Clube           Jogos           Golos
2012/13             PSV            7(23)               3
2011/12             PSV            1(10)               5

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A esperança (em) Ivan Cavaleiro


Ivan Cavaleiro assume-me como uma das principais figuras da nova geração de jogadores dos sub-21 portugueses. Por aqui vimos o Ivan jogar pela primeira vez quando tinha 13 anos ao serviço do Benfica. O seu futebol mudou muito, passou por uma dispensa e repescagem, mas mantém a génese do poderio físico e da entrega em cada lance que disputa. Parte para a sua segunda época como Senior e a experiência adquirida na temporada passada ao serviço do Benfica B foi muito positiva para a sua afirmação. Mas vamos explorar a nossa opinião.

A irregularidade exibicional, fruto da idade e de estar ainda longe da fase de rendimento enquanto jogador, faz com que as opiniões que surgem sobre ele sejam de enorme discrepância. É também por isso que o próprio Rui Jorge o vem testando como Avançado, procurando também perceber o que ele tem para dar nas várias formas possíveis de jogar. 

Numa altura em que se vai falando na falta do talento, o Ivan tem de ser um deles. Não o é pelos enormes recursos técnicos (que não tem), ou pela genialidade que (não) apresenta. É um jogador que vai moldando o talento. Velocidade, explosão, capacidade física, irreverência... Ivan quanto a mim não será, a curto prazo, jogador para equipa grande. Não tem ainda tomada de decisão de nível aceitável para outras exigências. Falta-lhe alguma qualidade a jogar com menos espaço e em ataque posicional declarado. Contudo, assume-me para já como um jogador muito forte em transição, com espaço nas costas da defesa, em situações que propiciem situações de 1x1 quer pelo corredor lateral ou pelo central.

Numa altura em que se reclama a falta de jogadores da formação no plantel do Benfica, o Ivan Cavaleiro assume-se como um dos possíveis futuros seleccionáveis, embora não acredite que possa atingir o nível de titular do Benfica, num futuro próximo. É um jogador para explorar e que pode continuar a crescer porque tem uma margem ainda, aparentemente, grande à sua frente. Contudo, tem de ter outro tipo de exigências e estar inserido noutros níveis competitivos. Este ano, mais uma época na 2ª Liga, pode ser atrasar o crescimento de um jogador que precisa claramente de ir subindo degraus até se ver o que pode alcançar.

Da nova geração dos sub-21, já aqui falei no Lucas João ainda não fazia parte dos seleccionáveis. Tomem atenção a este jogador que tem condições para crescer muito dentro de Portugal. E jogadores de equipa grande, figuras, terão de ser Rafa Silva, João Mário e Tiago Silva. Portugal e o futebol nacional agradecem.

Vamos continuar de olho neles...

Alguns dos últimos jogadores, alguns em campeonatos de menor dimensão, espalhados pelo globo, foram alvo dos olheiros espalhados pelos tubarões da Europa. Acreditamos que não tivemos nada a ver com isso, apesar do esforço.

Juan Quintero, do Pescara para o FC Porto.
Florian Thauvin, do Bastia para o Marselha.
Jesus Corona, do Monterrey para o Twente.
Diego Laxalt, do Defensor para o Bolonha (via Inter).
Ante Rebic, do HNK Split para a Fiorentina.