sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Anarquia globalizada


Disputa-se por esta altura na Argentina o Sudamericano sub-20, prova onde têm despontado alguns dos jogadores sul-americanos que nos últimos tempos têm transitado para a Europa. Quem teve a oportunidade de assistir ao primeiro tempo do Argentina-Paraguai, até por curiosidade de observar alguns dos nomes que vêm sendo ligados aos grandes em Portugal, fica muito desiludido não com a qualidade individual dos atletas, mas com o nível em que se encontram, isto se tivermos em conta as indubitáveis qualidades técnicas que denotam.

Ver o jogo da Argentina é o que não se deve mostrar a quem pretende aprender sobre futebol. Um primeiro tempo com cerca de 75% posse de bola a favor e 1 remate à baliza. 2, talvez. Isto porque o jogo da selecção azul assenta num estilo rendilhado, de muitos adornos, e uma objectividade a transpor para o nulo, também devido à pouca qualidade na tomada de decisão. Contudo, ela está intimamente ligada ao aparente desconhecimento de processos de jogo, fluidez  padronização colectiva, organização sectorial concreta. Tudo se dilui em lances individuais sem expressão e quase sempre com erros nessa mesma tomada de decisão.

Uma equipa que tem, no ataque, Centurión, Alan Ruiz, Vietto ou Iturbe, tem de ser capaz de dar mais. Capaz de assegurar uma referência posicional de progressão em posse. Ser capaz de garantir um posicionamento entre-linhas do adversário de forma a permitir penetrações interiores. Referência para fixar os defesas contrários e garantir uma maior liberdade dos jogadores que caem nas faixas de forma a penetrarem para o espaço interior e garantir, aí, soluções de 2x1. Largura aceitável do jogo e não uma tendência desmesurada de pisar terrenos interiores sempre que a bola chega ao corredor lateral, não existindo, depois, a referência numa linha avançada para progredir, apoiar-se, ou criar as situações de 2x1 na zona de finalização a fim de visar a baliza, tal como citado.

A Argentina joga bem, de facto, mas falta-lhe muita coisa, e acima de tudo, muito trabalho colectivo. A desorganização dificilmente vence uma prova, vai dando para ganhar uns jogos, pois a qualidade individual dos jogadores é acima da média. Custa ver Alan Ruiz sempre a procurar apoio, sempre a procurar uma referência, sempre bem posicionado e a gerir os momentos da equipa, mas com pouco (de colectivo) a acompanhar o seu pensamento. Assim, a tomada de decisão está condenada ao fracasso.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

As mais valias da 2ª Liga

Terminada está a primeira volta da competitiva segunda liga portuguesa, importa olhar com atenção para o que de bom vai aparecendo no nosso futebol e que parece ter capacidade para passos mais ambiciosos em carreiras individuais que se perspectivam de bom nível.


Tiago Silva (Belenenses)
Posição: Médio Ofensivo
Idade: 19 anos

Imprevisibilidade, versatilidade e irreverência. Tiago Silva, produto das escolas do Benfica, está em Belém desde os 16 anos e assim chegou aos profissionais. Jogador dotado técnicamente, boa capacidade de drible, assume o um contra um, espelha irreverência nas acções que desenvolve. Pode jogar nas faixas mas também pelo corredor central em apoio a um jogador mais fixo. Boa qualidade de passe e para a idade excelente tomada de decisão.


João Mário (Sporting)
Posição: Médio Defensivo
Idade: 19 anos

João Mário é o cérebro da equipa B dos leões. Jogador da posição 6, características modernas. Visão de jogo, qualidade de passe, tomada de decisão, cultura táctica, classe na execução. Jogador de recursos técnicos altíssimos, tem qualidade que sobra para dentro de algum tempo estar nas escolhas principais da equipa principal do Sporting.


Filipe Chaby (Sporting)
Posição: Médio Centro
Idade: 19 anos

Chaby, na senda dos pés-esquerdos de qualidade a aparecer no nosso futebol (David Simão, Josué ou Rosado) tem algo que chama à vista dos que observam o seu jogo. Rapidez na execução, boas decisões, eficácia e objectividade no jogo, tem realmente um pé esquerdo de grandíssima qualidade.


Bruma (Sporting)
Posição: Extremo
Idade: 18 anos

É a grande pérola dos leões. Joga de igual forma nos dois corredores laterais. Excelente capacidade técnica e de improvisação. Vasto leque de recursos ao nível do drible, acima de tudo, veloz em condução e imprevisível na decisão que toma. Um perigo à solta na zona de finalização.


Rabiola (Aves)
Posição: Avançado
Idade: 23 anos

Uma das promessas do futebol português, tardou em demonstrar todo o futebol que se lhe previa. Hoje, Rabiola, demonstra nas Aves todas as credenciais que prometeu dar ao futebol português: golos. Leva 12 na Liga mais 5 na Taça da Liga. Faro de golo, qualidade técnica e de execução, ainda vai a tempo de construir uma boa carreira.


João Cancelo (Benfica)
Posição: Lateral Direito
Idade: 18 anos

Cancelo é a grande promessa do conjunto secundário do Benfica. Jogador irreverente, veloz, muito perigoso embalado, tem de crescer a nível posicional, mas tem todas as condições físicas e técnicas para ser jogador do Benfica. Talento tem, e muito, que bem direccionado, pode até ser curto para o emblema da Luz.

Sebá (Porto)
Posição: Extremo
Idade: 20 anos

O mini-Hulk dos dragões vai-se estreando pela equipa principal e promete. Jogador veloz, fisicamente dotado, agressivo, é explosivo em aceleração e detém um remate muito forte. Precisa crescer a nível das decisões no último terço, mas tem muita qualidade.


Fábio Martins (Porto)
Posição: Extremo
Idade: 19 anos

É a grande surpresa dos azuis e brancos. Vai crescendo de forma sustentada e promete. Jogador que ocupa ambos os corredores, tem passada larga, velocidade e uma técnica apurada. Muito objectivo e seguro nas suas acções, tem criatividade e sentido de improviso. Gosta de aparecer em zonas de finalização. Jogador interessante.


Paulo Oliveira (Guimarães)
Posição: Defesa Central
Idade: 21 anos

Muita maturidade. Paulo Oliveira promete liderar em breve a defesa dos vitorianos. Capacidade física (1,88cm), bom jogo de cabeça, agressivo q.b., excelente sentido posicional e presença em progressão com bola, vai-se destacando na Orangina.


Guilherme (Braga)
Posição: Médio Centro
Idade: 21 anos

Custa perceber como ainda não se assumiu em Braga. Jogador com excelente pé esquerdo, joga em terrenos interiores, sempre com o mesmo ritmo, intensidade, e qualidade na tomada de decisão. Agressivo e auxílio importante em terrenos defensivos, cresce com bola, em progressão, ou em tabelas. Jogador valioso.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Prospecção: Mansur


Muita atenção ao Vitória, clube recém promovido à Série A do Brasil. Nas suas fileiras mora um lateral esquerdo que faz lembrar o último dos grandes laterais a sair de Portugal. Joelinton Santos, conhecido por Mansur, é um jogador que deixa água na boca. Ocupando a faixa esquerda é uma autêntica locomotiva pelo seu corredor. Sem uma velocidade de ponta excepcional, é um jogador de elevada rotação e com grande embalagem quando vem de trás com bola. Forte no drible e na imprevisibilidade que coloca nas suas acções, aborda os adversários sem receio e assume a zona de decisão para si. Denota uma capacidade de passe interessante, excelente entre-linhas, sendo também agressivo e útil defensivamente, com um posicionamento interessante e capacidade de desarme, embora sejam, claramente, ofensivas as suas mais valias. Tem ainda o upgrade de ter um remate forte e colocado. Muita atenção. 


Nacionalidade: Brasil
Data de Nascimento: 17-04-1993 (19 anos)
Altura/Peso: 181 cm / 81 kg
Posição: Lateral Esquerdo
Clube: Vitória

 Histórico:

 Época           Clube           Jogos           Golos
2012          Vitória               21(1)              1
2011         Bahia (sub-20)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Os novos internacionais: Quem formou?


No seguimento do artigo anterior, onde se procurou analisar e desmistificar alguns temas relacionados com a formação de jovens talentos, convém deixar de olhar para o passado e o que outrora foi feito, para vermos o presente e analisarmos se os mesmos paradigmas se mantêm, ou por outro lado, outros fenómenos surgem e vão desmistificando alguns conceitos pré-concebidos.

E a realidade parece ser essa. Olhando para o percurso da selecção nacional, ninguém esconde que a actual geração está a alguma distância daquelas que foram, outrora, algumas das melhores equipas de sempre do futebol nacional. Ainda assim, e sem procurar os responsáveis ou apontar causas, vamos observar a última convocatória de Paulo Bento para a Selecção Nacional, no jogo amigável que Portugal disputou no Gabão.

6 são o número de jogadores convocados na casa dos 25 anos, ou menos. Entre eles estão Éderzito (Braga), Pizzi (Corunha), Ruben Ferreira (Marítimo), Luís Neto (Siena), Hélder Barbosa (Braga) e Sílvio (Atlético de Madrid). 

Este último, Sílvio, foge à regra, mas tem uma história curiosa para contar. Fez toda a formação ao serviço do Benfica mas, tal como acontece à grande maioria dos jogadores que chegam aos Juniores de equipa grande, dificilmente conseguem transitar para o plantel principal. Sílvio fez um ponto de ruptura completo na carreira. Tentou aventurar-se no estrangeiro mas foi recusado. Iria então para o Atlético do Cacém na III Divisão Nacional.

Fez lá uma época completa antes de se transferir para o Odivelas na II B. Mais um passo acima daria no ano seguinte. Rio Ave, primeira liga. Foi curto o caminho, mais curto do que supostamente pensou. Dois anos em Vila do Conde bastaram para ganhar bilhete para o Braga e desafios mais exigentes, ao ser vendido no final do ano para o Atlético de Madrid. Hoje é internacional português.

Hélder Barbosa agradece à Académica a sua formação. Foi de lá que se transferiu para o Porto com 17 anos. Jogaria ainda pela equipa B dos dragões antes de sair. Sucessivos empréstimos. Académica (2 anos), Trofense e Vitória Setúbal, uma época, antes da saída definitiva para Braga onde se vai fixando. Internacional português.

Neto chegou à Selecção aos 24 anos. Formação interessante: Sempre no Varzim, clube da terra. Acabaria por não aguentar ver o decréscimo de estruturas na Póvoa e saiu para o Nacional na 1ª Liga. Um ano bastou-lhe para convencer os responsáveis do Siena a pagarem por ele.

Rúben Ferreira, 22 anos. Jogador do Marítimo, com toda a formação completa no União da Madeira. Está a aparecer a grande nível e Paulo Bento premiou-o. Pizzi, um caso enigmático. Andou "escondido" e aparentemente perdido, pela opinião pública, no modestíssimo Bragança. Foi para o Braga com 18 anos, tendo sido emprestado 3 anos seguidos: Ribeirão, Covilhã e Paços de Ferreira. Evoluiu de forma assombrosa, faz um ano em grande no Braga, dividido por Paços novamente, acabando por sair para o Atlético de Madrid. Actualmente joga no Corunha e é uma das principais figuras da equipa.

Éderzito é outro caso curioso. Jogou toda a vida no Adémia, sendo recusado pela Académica, a mesma briosa que acabaria por o contratar já com idade adulta ao Tourizense, onde completou duas épocas, após uma passagem pelo Oliveira do Hospital.

Fica a questão: Onde andam os jogadores destas gerações de 1987, 1988, 1989, por exemplo, que jogaram no SLB, SCP e FCP durante a sua formação?

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Quem faz afinal formação?


No seguimento do estudo realizado pelo site Mais Futebol, sobre os jovens da formação que integram os plantéis dos chamados três grandes em Portugal (link que deixo no fim deste artigo - 1), faz sentido lançar outro olhar sobre a real formação que se realiza em Portugal. Os estigmas e os paradoxos existentes, que clubes realmente melhor formam, o mito de mais de metade da selecção nacional ter sido formada no Sporting, entre outros assuntos para abordar.

O que é afinal ser formado num clube. Para os regulamentos de inscrição na Federação Portuguesa de Futebol, um jogador conta como formado no clube, se entre os 15 e os 21 anos cumprir 3 épocas desportivas inscrito nesse clube. 

Este é um dado redutor e enganoso na maioria das situações. Tendo em conta que os jovens atletas iniciam a sua prática desportiva e competitiva, na maioria dos casos, entre os 7 e os 8 anos, temos de esperar quase o dobro do tempo para que se comece realmente a olhar para os dados de formação de um jovem atleta. Contudo, o seu percurso é muito mais do que o "dar uns toques e fazer uns jogos" até atingir os 15 anos.

A competição e o resultadismo existe mesmo logo a partir da idade de início, com a pressão de pais e dirigentes, mas fundamentalmente perpetuada por quem faz uma campeonite exacerbada com a venda de sonhos e ilusões que não passam de um meio para atingir os seus fins administrativos, financeiros e burocráticos de tudo o que envolve pertencer à formação de futebol no nosso país.

Vamos olhar para o passado. Longe dos grandes centros de treino de alto rendimento, com condições de topo a nível do processo de optimização de competências, os clubes iam sendo competitivos e iam abrindo espaço aos jovens que transitavam dos Juniores para a equipa principal. 

No último Europeu de Futebol realizado em 2012, fez-se ecos em Portugal e no estrangeiro dos méritos que o Sporting Clube de Portugal efectuou na formação de atletas. Escreveu-se que os leões eram o clube com mais jogadores formados no clube no Europeu de 2012 (link que deixo no fim do artigo - 2).

Olhando para os nomes citados, todos cumprem a regra de formado no clube. Dos 15 aos 21 anos estiveram efectivamente na formação de um grande. Contudo, sabemos que, tal como já foi dito anteriormente, esse é um processo demoroso, difícil, e muito turbulento. Não podemos olhar com normalidade para a campeonite de recrutamento que faz com que vejamos clubes com cerca de 40 atletas por ano de nascimento, cerca de 10 a 15, por época, novos no clube. Esta situação ocorre dos 7 aos 13 anos de uma forma cíclica.

Olhando para os nomes apresentados pelo artigo espanhol, saltam alguns nomes à vista. Vejamos então o percurso de alguns destes nomes, como Custódio, Nani ou Varela. Custódio, nascido em Guimarães, iniciou o seu percurso em Guimarães. Iniciou e concluiu, praticamente, Viajou para Lisboa aos 18 anos para jogar no Sporting B e iniciar o seu percurso como profissional. Estreou-se na equipa principal do Sporting aos 20 anos. Contudo, o facto de ter entrado com 18 anos, permitiu-lhe cumprir a regra e contar como formado no clube.

Silvestre Varela, ou o Drogba da Caparica, foi na terra de pescadores que fez o seu percurso. A jogar no Costa da Caparica era um jovem em grande momento, tendo sido contratado pelo Sporting para jogar na sua equipa de Juniores. Tinha Varela, na altura, 17 anos.

Nani é mais um dos casos de grande perspicácia da formação do Sporting para formar talentos. Um jogador de inegáveis qualidades, que está no top de atletas formados pelos lisboetas. Contudo, olhar para o trajecto de Nani é perceber, que mais uma vez, as coisas não são tão assim como nos pareciam. Nani, nascido num bairro problemático da Amadora, começa a jogar futebol no clube próximo de casa que melhores condições lhe oferecia: o Real Massamá. É lá que cresce, que evoluiu e que enfrenta o início da vida adulta. O Sporting conseguiu chegar até ele. Com 17 anos, Nani aparece de leão ao peito.

O que têm os responsáveis de Guimarães, Costa da Caparica e Real Massamá em comum? Um orgulho pelos seus atletas, que ajudaram a crescer e praticamente os empurraram para a vida adulta, estarem a brilhar na alta roda do futebol, mas também uma mágoa por neste tipo de conceitos e trabalhos não verem citados os seus nomes pelo trabalho que desenvolveram.

(continua...)

Link 1: http://www.maisfutebol.iol.pt/espanha/benfica-sporting-fc-porto-porto-formacao-jovens-formados/1389153-1486.html

Link 2: http://www.marca.com/2012/06/14/futbol/eurocopa_2012/portugal/1339669077.html

domingo, 2 de setembro de 2012

Matic sem Javi na sombra


"Melhorámos porque o Matic entrou para a posição 6, apesar do Witsel saber jogar ali, não tem tantas rotinas, estávamos a sofrer muitos contra-ataques e o Matic equilibrou a equipa e permitiu-nos ter mais segurança". Rodrigo no flash-interview.

Excelente leitura. Mas quem pensa que o erro de Jesus foi ter colocado Witsel a 6 em detrimento de Matic, tem de perceber que o sérvio não tinha ritmo nem aguentaria, provavelmente, mais do que uma parte. Foi notório que o Benfica procurou manter-se fiel ao seu modelo e fê-lo, mas as características dos jogadores dão-lhe toda a sua dimensão. Matic é um jogador que está a aprender muito sob o ponto de vista posicional com Jesus. Não é tão agressivo como Javi Garcia, é certo. Não vai ganhar tantas bolas nas alturas (equipa obrigatoriamente tem de descer o bloco da 1ª zona de pressão) evitando o "chutão", de recurso, para fazer com que Matic não vá andar a disputar sempre as primeiras bolas como fazia o espanhol.

Matic vai ser um grande recuperador de bolas pela forma como equilibra e posiciona a equipa. Em processo ofensivo da-lhe outra capacidade. Leitura, tomada de decisão, qualidade técnica e de passe. Matic vai ser uma boa surpresa, mas o Benfica tem de adaptar o seu modelo a esta nova circunstância, potenciado o sérvio naquilo que ele tem de melhor.

Prospecção: Isael



O Nacional tem este ano um jogador que anda a dar nas vistas, e de que maneira. Pé esquerdo de enorme valia, assim como as decisões que toma e a forma como aparece a finalizar. Não baixa na construção, mas assume numa zona de decisão, onde com opções certas, rápidas e eficazes, dá rotação e elevado ritmo ao jogo da sua equipa. Assume o jogo e gosta de chamar a si todos os seus momentos. Formado pelo Grémio, destaca-se pela intensidade que coloca no que faz. Os seus números são uma incógnita até aqui. Mas este ano vai ser muito interessante seguir o que pode este valor fazer no campeonato nacional.

Nacionalidade: Brasileira
Data de Nascimento: 13-05-1988 (24 anos)
Altura/Peso: 171 cm / 71 kg
Posição: Médio Ofensivo
Clube: Nacional da Madeira

Histórico:

Época               Clube            
2012              São Caetano
2011              Fortaleza
2010              Giresunspor
2009              Sport
2008              Sport
2007              Grémio

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Gémeos na classe, distintos nas acções


É fácil vir elogiar o Braga. Torna-se cliché dizer que os comandados de José Peseiro, ao criarem uma das histórias mais gloriosas das suas jornadas europeias, se encontram neste momento a um nível muito alto. E a verdade é que isso acontece e foi hoje evidente em Udine. Importa olhar com atenção para aquilo que foi a inteligência do treinador ao gerir os recursos.

Chegou a um clube com uma ideia de jogo pré-concebida e um modelo que procurou implementar. Diferente, em quase tudo, das ideias gerais que jogadores influentes do grupo tinham há vários anos enraizados ao serviço dos bracarenses. A pré-época não foi muito conseguida e existiu alguma demora a assimilar processos.

Hoje, vemos um Braga a desdobrar-se em organização ofensiva naquilo que é o seu sistema de há anos, mas compacto, com princípios de jogo interior, de mobilidade e rupturas pelo corredor central, de ênfase dos apoios exteriores a surgirem pelos laterais, ou seja, assistimos a uma mistura, se quisermos, das ideias existentes, às ideias que Peseiro vai procurando impor.

A verdade é que o treinador natural de Coruche colecciona bons trabalhos por quase todos os sítios onde passou. A inteligência e abordagem, a sensibilidade que parece demonstrar, vão voltar a fazer deste Braga uma das surpresas maiores do campeonato.

Mas este texto é para falar dos dois cérebros do jogo dos bracarenses. Não vou falar de Custódio que pela sua capacidade posicional, inteligência e percepção dos momentos e simplicidade de processos, é o melhor 6 para jogar na selecção portuguesa. Vou falar de Hugo Viana e Mossoró.

O português é um autêntico craque para uma equipa da dimensão do Braga. Custa entender como muitas vezes é desvalorizado. A forma como gere todo o processo de construção dos bracarenses, como assume as suas fases, os seus ritmos, as suas decisões, mas acima de tudo, a qualidade com que o faz, é de um jogador de outro andamento. Andamento esse que não tem a nível de intensidade. Mas para que o precisa? Pensa e executa rápido. Quase sempre bem, com uma eficácia tremenda. Lê e cria espaços em zonas que procura para receber e poder optar. Viana, em final de contrato, pode assinar o contrato da sua vida na próxima época.

E Mossoró, claro. Um Braga que vive da mobilidade e ruptura dos seus elementos, com e sem bola, pelo corredor central. Também pelas penetrações à procura de apoios frontais. Cabe em qualquer lugar deste sistema pela qualidade que tem. Se quando tem bola e procura o apoio, ou procura a progressão, e não há solução, arrisca, desequilibra, explora espaços difíceis de penetrar, mas sai vivo deles. É outro jogador a fazer anos de muita qualidade ao serviço do Braga, e que também aos 29 anos - como Viana - promete dar o rendimento total a um grupo que pela forma impressionante como está a fazer a recuperação após a perca de bola e fecha as opções para o adversário iniciar uma transição ofensiva, promete, neste nosso campeonato, uma época de alto nível, como as outras que tem realizado.

Prospecção: Lucas Mugni



O Colon lidera o actual campeonato da Argentina. Nota de destaque na sua equipa, vai sendo o aparecimento de um jovem com um pé esquerdo de muita valia. Mugni gosta ter bola, e de lhe dar vida. Não se esconde do jogo, segura bem, temporiza, e define com critério e qualidade. Um 10 diferente do que tem surgido no futebol actual, pela capacidade de vir buscar jogo numa fase de construção mais recuada, lutar pela bola e aparecer a finalizar. Boa qualidade de passe, prático nas decisões que toma. Vamos ver como continua a crescer, mas parece ter nível mais para o actual primeiro classificado na Argentina.

Nacionalidade: Argentina
Data de Nascimento: 12-01-1992 (20 anos)
Altura/Peso: 182 cm / 76 kg
Posição: Médio Ofensivo
Clube: Colon

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12            Colon              13(3)                    1

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Uma questão de adaptabilidade


O futebol profissional comporta diferenças grandes em relação ao que acontecia no campeonato nacional de juniores. Ver as equipas B é ver isso mesmo. Nesta fase inicial, vê-se com expectativa alguns jogadores de quem se diziam maravilhas na formação, mas que por variadas razões estão a demorar a manter o mesmo nível de rendimento. O sentido oposto está bem presente, e a equipa B do Benfica que ontem jogou em Santa Maria da Feira tem dois jogadores de que importa falar.

Conheço o Ivan Cavaleiro desde os seus 13 anos quando jogava nos Iniciados do Benfica. O seu nível de rendimento era insuficiente, a margem que parecia apresentar também, e por isso acabou por ser dispensado. O Belenenses teve um papel importantíssimo no seu renascer, abrindo-lhe novamente as portas do Benfica, anos mais tarde.

Ivan Cavaleiro é um jogador com upgrade muito grande em relação ao que fazia nos Juniores. Fisicamente está mais forte, fruto disso aumenta a confiança de abordar os lances e partir para cima em iniciativas individuais. Drible, velocidade, explosão, simplicidade de processos. Vai crescendo neste Benfica B e as exibições que tem feito catapultaram-no para um dos melhores extremos da liga até ao momento. Joga em ambos os flancos com a mesma qualidade e está a conseguir aparecer muito bem em zonas de finalização.

Outro é Luciano Teixeira. Já Internacional A pela Guiné era um dos mal-amados da equipa de Juniores, porque era muito mau tecnicamente, dizia-se. A posição 6 na formação, sobretudo de um clube grande, é um lugar totalmente despreparado para aquilo que vai acontecer no futebol senior. Diria mesmo que é um futebol diferente. Isto porque uma equipa grande na formação detém um poderio muito grande em relação a todas as outras equipas. Essa diferença de qualidade faz com que os blocos defensivos e as zonas de pressão sejam, maioritariamente, em terrenos mais recuados, que ofereçam mais liberdade à 1ª fase de construção da equipa que em teoria vai assumir o jogo na sua posse e circulação.

Não é preciso ir muito longe para ver Zezinho, do Sporting. Na formação quando colocado como 6, como o faz até nesta própria equipa B do Sporting como pivot defensivo ao lado de João Mário, tem níveis de rendimento completamente diferentes. Nos Juniores podia receber, esperar, pensar, e executar. Essa dimensão não existe no futebol profissional e a pouca dinâmica e intensidade que apresenta deixam-no um nível abaixo daquilo que vai acontecendo nos leões com Chaby, Bruma, Esgaio e João Mário, por exemplo.

Luciano Teixeira tem tudo aquilo que é necessário um 6, de futebol senior, ter. E a competência que detém está a elevar, e muito, o seu status neste Benfica. Os níveis de agressividade têm de estar patentes, tem de lutar, ir lá acima disputar bolas, saber utilizar o corpo em situações de choque, encostar no seu opositor directo e não deixar rodar. Para além dessas situações, Luciano sabe preencher o seu espaço, sabe interpreta-lo e tem demonstrado imensa qualidade na forma como persegue o portador da bola e anulando-lhe a progressão consegue rouba-la e recupera-la para uma zona de posse.

O facto de não ser um portento a nível do passe, não tem de ser um impeditivo para limitar o seu jogo. É tudo uma questão de modelo da equipa, em função das características em que se insere. O Benfica joga com um meio-campo a 3, com 2 interiores. Luciano jogando na posição 6, na 1ª fase de construção, recua e faz uma linha a 3 com os centrais (que dão largura), dando imensas linhas de passe disponíveis para progressão com o aparecimento dos interiores a pedir jogo. Assim, mesmo nessa fase, está protegido pois tem de fazer passes de 5 metros para os lados ou para a frente em situações mais confortáveis de pressão, do que o 6 que tem de receber de costas para a baliza, rodar sob oposição e ter de entregar com qualidade. E ontem, dentro do seu meio-campo, fez um passe de 20 metros a rasgar a defesa do Feirense e a isolar João Mário.

Duas belas surpresas nesta equipa B do Benfica que ontem tem um resultado muito interessante na casa de um dos assumidos candidatos à subida de divisão.

domingo, 19 de agosto de 2012

Prospecção: Imoh Ezekiel



Sabe-se muito pouco deste jogador, mas basta ver a forma desinibida como joga ao serviço do Standard para ver que está ali algo de especial. Pormenores técnicos de valia, aliados a uma velocidade supersónica, em constantes movimentos verticais a rasgar em direcção à baliza. Apetite pelo golo, e pelas zonas de finalização, surge aos 18 anos como uma estrela emergente do candidato ao título belga, o Standard. Para acompanhar com muita atenção.

Nacionalidade: Nigéria
Data de Nascimento: 24-10-1993 (18 anos)
Altura/Peso: 178 cm / 80 kg
Posição: Extremo Direito/Esquerdo
Clube: Standard

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12          Standard              4(3)                    1


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Prospecção: Jordy Clasie



A famosa escola do Feyenoord continua a dar que falar. Não foi só Cabral, de quem aqui falei, que impressionou na eliminatória com o D.Kyev. Curioso e muito interessante, foi ver um pequeno Xavi, embora com características diferentes, a dar os primeiros passos na formação holandesa. Jordy Clasie é o cabeça de área, a referência na 1ª fase de construção do processo dos holandeses. Grande cultura posicional, tomada de decisão quase sempre correcta, procura jogar curto, simples e sempre eficaz. Rendimento e regularidade são palavras chave do seu jogo. Defensivamente, apesar de não ser muito robusto fisicamente, é agressivo, intenso e um excelente recuperador de bolas. Depois do empréstimo proveitoso ao Excelsior,  o holandês afirmou-se o ano passado na equipa mãe. Clasie e a sua equipa, prometem um ano muito interessante na Eredivise.


Nacionalidade: Holanda
Data de Nascimento: 27-06-1991 (21 anos)
Altura/Peso: 169 cm / 64 kg
Posição: Médio Defensivo/Interior
Clube: Feyenoord

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12          Feyenoord           33                      3
2010/11          Excelsior              30(2)                 2