terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Quem faz afinal formação?


No seguimento do estudo realizado pelo site Mais Futebol, sobre os jovens da formação que integram os plantéis dos chamados três grandes em Portugal (link que deixo no fim deste artigo - 1), faz sentido lançar outro olhar sobre a real formação que se realiza em Portugal. Os estigmas e os paradoxos existentes, que clubes realmente melhor formam, o mito de mais de metade da selecção nacional ter sido formada no Sporting, entre outros assuntos para abordar.

O que é afinal ser formado num clube. Para os regulamentos de inscrição na Federação Portuguesa de Futebol, um jogador conta como formado no clube, se entre os 15 e os 21 anos cumprir 3 épocas desportivas inscrito nesse clube. 

Este é um dado redutor e enganoso na maioria das situações. Tendo em conta que os jovens atletas iniciam a sua prática desportiva e competitiva, na maioria dos casos, entre os 7 e os 8 anos, temos de esperar quase o dobro do tempo para que se comece realmente a olhar para os dados de formação de um jovem atleta. Contudo, o seu percurso é muito mais do que o "dar uns toques e fazer uns jogos" até atingir os 15 anos.

A competição e o resultadismo existe mesmo logo a partir da idade de início, com a pressão de pais e dirigentes, mas fundamentalmente perpetuada por quem faz uma campeonite exacerbada com a venda de sonhos e ilusões que não passam de um meio para atingir os seus fins administrativos, financeiros e burocráticos de tudo o que envolve pertencer à formação de futebol no nosso país.

Vamos olhar para o passado. Longe dos grandes centros de treino de alto rendimento, com condições de topo a nível do processo de optimização de competências, os clubes iam sendo competitivos e iam abrindo espaço aos jovens que transitavam dos Juniores para a equipa principal. 

No último Europeu de Futebol realizado em 2012, fez-se ecos em Portugal e no estrangeiro dos méritos que o Sporting Clube de Portugal efectuou na formação de atletas. Escreveu-se que os leões eram o clube com mais jogadores formados no clube no Europeu de 2012 (link que deixo no fim do artigo - 2).

Olhando para os nomes citados, todos cumprem a regra de formado no clube. Dos 15 aos 21 anos estiveram efectivamente na formação de um grande. Contudo, sabemos que, tal como já foi dito anteriormente, esse é um processo demoroso, difícil, e muito turbulento. Não podemos olhar com normalidade para a campeonite de recrutamento que faz com que vejamos clubes com cerca de 40 atletas por ano de nascimento, cerca de 10 a 15, por época, novos no clube. Esta situação ocorre dos 7 aos 13 anos de uma forma cíclica.

Olhando para os nomes apresentados pelo artigo espanhol, saltam alguns nomes à vista. Vejamos então o percurso de alguns destes nomes, como Custódio, Nani ou Varela. Custódio, nascido em Guimarães, iniciou o seu percurso em Guimarães. Iniciou e concluiu, praticamente, Viajou para Lisboa aos 18 anos para jogar no Sporting B e iniciar o seu percurso como profissional. Estreou-se na equipa principal do Sporting aos 20 anos. Contudo, o facto de ter entrado com 18 anos, permitiu-lhe cumprir a regra e contar como formado no clube.

Silvestre Varela, ou o Drogba da Caparica, foi na terra de pescadores que fez o seu percurso. A jogar no Costa da Caparica era um jovem em grande momento, tendo sido contratado pelo Sporting para jogar na sua equipa de Juniores. Tinha Varela, na altura, 17 anos.

Nani é mais um dos casos de grande perspicácia da formação do Sporting para formar talentos. Um jogador de inegáveis qualidades, que está no top de atletas formados pelos lisboetas. Contudo, olhar para o trajecto de Nani é perceber, que mais uma vez, as coisas não são tão assim como nos pareciam. Nani, nascido num bairro problemático da Amadora, começa a jogar futebol no clube próximo de casa que melhores condições lhe oferecia: o Real Massamá. É lá que cresce, que evoluiu e que enfrenta o início da vida adulta. O Sporting conseguiu chegar até ele. Com 17 anos, Nani aparece de leão ao peito.

O que têm os responsáveis de Guimarães, Costa da Caparica e Real Massamá em comum? Um orgulho pelos seus atletas, que ajudaram a crescer e praticamente os empurraram para a vida adulta, estarem a brilhar na alta roda do futebol, mas também uma mágoa por neste tipo de conceitos e trabalhos não verem citados os seus nomes pelo trabalho que desenvolveram.

(continua...)

Link 1: http://www.maisfutebol.iol.pt/espanha/benfica-sporting-fc-porto-porto-formacao-jovens-formados/1389153-1486.html

Link 2: http://www.marca.com/2012/06/14/futbol/eurocopa_2012/portugal/1339669077.html

domingo, 2 de setembro de 2012

Matic sem Javi na sombra


"Melhorámos porque o Matic entrou para a posição 6, apesar do Witsel saber jogar ali, não tem tantas rotinas, estávamos a sofrer muitos contra-ataques e o Matic equilibrou a equipa e permitiu-nos ter mais segurança". Rodrigo no flash-interview.

Excelente leitura. Mas quem pensa que o erro de Jesus foi ter colocado Witsel a 6 em detrimento de Matic, tem de perceber que o sérvio não tinha ritmo nem aguentaria, provavelmente, mais do que uma parte. Foi notório que o Benfica procurou manter-se fiel ao seu modelo e fê-lo, mas as características dos jogadores dão-lhe toda a sua dimensão. Matic é um jogador que está a aprender muito sob o ponto de vista posicional com Jesus. Não é tão agressivo como Javi Garcia, é certo. Não vai ganhar tantas bolas nas alturas (equipa obrigatoriamente tem de descer o bloco da 1ª zona de pressão) evitando o "chutão", de recurso, para fazer com que Matic não vá andar a disputar sempre as primeiras bolas como fazia o espanhol.

Matic vai ser um grande recuperador de bolas pela forma como equilibra e posiciona a equipa. Em processo ofensivo da-lhe outra capacidade. Leitura, tomada de decisão, qualidade técnica e de passe. Matic vai ser uma boa surpresa, mas o Benfica tem de adaptar o seu modelo a esta nova circunstância, potenciado o sérvio naquilo que ele tem de melhor.

Prospecção: Isael



O Nacional tem este ano um jogador que anda a dar nas vistas, e de que maneira. Pé esquerdo de enorme valia, assim como as decisões que toma e a forma como aparece a finalizar. Não baixa na construção, mas assume numa zona de decisão, onde com opções certas, rápidas e eficazes, dá rotação e elevado ritmo ao jogo da sua equipa. Assume o jogo e gosta de chamar a si todos os seus momentos. Formado pelo Grémio, destaca-se pela intensidade que coloca no que faz. Os seus números são uma incógnita até aqui. Mas este ano vai ser muito interessante seguir o que pode este valor fazer no campeonato nacional.

Nacionalidade: Brasileira
Data de Nascimento: 13-05-1988 (24 anos)
Altura/Peso: 171 cm / 71 kg
Posição: Médio Ofensivo
Clube: Nacional da Madeira

Histórico:

Época               Clube            
2012              São Caetano
2011              Fortaleza
2010              Giresunspor
2009              Sport
2008              Sport
2007              Grémio

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Gémeos na classe, distintos nas acções


É fácil vir elogiar o Braga. Torna-se cliché dizer que os comandados de José Peseiro, ao criarem uma das histórias mais gloriosas das suas jornadas europeias, se encontram neste momento a um nível muito alto. E a verdade é que isso acontece e foi hoje evidente em Udine. Importa olhar com atenção para aquilo que foi a inteligência do treinador ao gerir os recursos.

Chegou a um clube com uma ideia de jogo pré-concebida e um modelo que procurou implementar. Diferente, em quase tudo, das ideias gerais que jogadores influentes do grupo tinham há vários anos enraizados ao serviço dos bracarenses. A pré-época não foi muito conseguida e existiu alguma demora a assimilar processos.

Hoje, vemos um Braga a desdobrar-se em organização ofensiva naquilo que é o seu sistema de há anos, mas compacto, com princípios de jogo interior, de mobilidade e rupturas pelo corredor central, de ênfase dos apoios exteriores a surgirem pelos laterais, ou seja, assistimos a uma mistura, se quisermos, das ideias existentes, às ideias que Peseiro vai procurando impor.

A verdade é que o treinador natural de Coruche colecciona bons trabalhos por quase todos os sítios onde passou. A inteligência e abordagem, a sensibilidade que parece demonstrar, vão voltar a fazer deste Braga uma das surpresas maiores do campeonato.

Mas este texto é para falar dos dois cérebros do jogo dos bracarenses. Não vou falar de Custódio que pela sua capacidade posicional, inteligência e percepção dos momentos e simplicidade de processos, é o melhor 6 para jogar na selecção portuguesa. Vou falar de Hugo Viana e Mossoró.

O português é um autêntico craque para uma equipa da dimensão do Braga. Custa entender como muitas vezes é desvalorizado. A forma como gere todo o processo de construção dos bracarenses, como assume as suas fases, os seus ritmos, as suas decisões, mas acima de tudo, a qualidade com que o faz, é de um jogador de outro andamento. Andamento esse que não tem a nível de intensidade. Mas para que o precisa? Pensa e executa rápido. Quase sempre bem, com uma eficácia tremenda. Lê e cria espaços em zonas que procura para receber e poder optar. Viana, em final de contrato, pode assinar o contrato da sua vida na próxima época.

E Mossoró, claro. Um Braga que vive da mobilidade e ruptura dos seus elementos, com e sem bola, pelo corredor central. Também pelas penetrações à procura de apoios frontais. Cabe em qualquer lugar deste sistema pela qualidade que tem. Se quando tem bola e procura o apoio, ou procura a progressão, e não há solução, arrisca, desequilibra, explora espaços difíceis de penetrar, mas sai vivo deles. É outro jogador a fazer anos de muita qualidade ao serviço do Braga, e que também aos 29 anos - como Viana - promete dar o rendimento total a um grupo que pela forma impressionante como está a fazer a recuperação após a perca de bola e fecha as opções para o adversário iniciar uma transição ofensiva, promete, neste nosso campeonato, uma época de alto nível, como as outras que tem realizado.

Prospecção: Lucas Mugni



O Colon lidera o actual campeonato da Argentina. Nota de destaque na sua equipa, vai sendo o aparecimento de um jovem com um pé esquerdo de muita valia. Mugni gosta ter bola, e de lhe dar vida. Não se esconde do jogo, segura bem, temporiza, e define com critério e qualidade. Um 10 diferente do que tem surgido no futebol actual, pela capacidade de vir buscar jogo numa fase de construção mais recuada, lutar pela bola e aparecer a finalizar. Boa qualidade de passe, prático nas decisões que toma. Vamos ver como continua a crescer, mas parece ter nível mais para o actual primeiro classificado na Argentina.

Nacionalidade: Argentina
Data de Nascimento: 12-01-1992 (20 anos)
Altura/Peso: 182 cm / 76 kg
Posição: Médio Ofensivo
Clube: Colon

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12            Colon              13(3)                    1

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Uma questão de adaptabilidade


O futebol profissional comporta diferenças grandes em relação ao que acontecia no campeonato nacional de juniores. Ver as equipas B é ver isso mesmo. Nesta fase inicial, vê-se com expectativa alguns jogadores de quem se diziam maravilhas na formação, mas que por variadas razões estão a demorar a manter o mesmo nível de rendimento. O sentido oposto está bem presente, e a equipa B do Benfica que ontem jogou em Santa Maria da Feira tem dois jogadores de que importa falar.

Conheço o Ivan Cavaleiro desde os seus 13 anos quando jogava nos Iniciados do Benfica. O seu nível de rendimento era insuficiente, a margem que parecia apresentar também, e por isso acabou por ser dispensado. O Belenenses teve um papel importantíssimo no seu renascer, abrindo-lhe novamente as portas do Benfica, anos mais tarde.

Ivan Cavaleiro é um jogador com upgrade muito grande em relação ao que fazia nos Juniores. Fisicamente está mais forte, fruto disso aumenta a confiança de abordar os lances e partir para cima em iniciativas individuais. Drible, velocidade, explosão, simplicidade de processos. Vai crescendo neste Benfica B e as exibições que tem feito catapultaram-no para um dos melhores extremos da liga até ao momento. Joga em ambos os flancos com a mesma qualidade e está a conseguir aparecer muito bem em zonas de finalização.

Outro é Luciano Teixeira. Já Internacional A pela Guiné era um dos mal-amados da equipa de Juniores, porque era muito mau tecnicamente, dizia-se. A posição 6 na formação, sobretudo de um clube grande, é um lugar totalmente despreparado para aquilo que vai acontecer no futebol senior. Diria mesmo que é um futebol diferente. Isto porque uma equipa grande na formação detém um poderio muito grande em relação a todas as outras equipas. Essa diferença de qualidade faz com que os blocos defensivos e as zonas de pressão sejam, maioritariamente, em terrenos mais recuados, que ofereçam mais liberdade à 1ª fase de construção da equipa que em teoria vai assumir o jogo na sua posse e circulação.

Não é preciso ir muito longe para ver Zezinho, do Sporting. Na formação quando colocado como 6, como o faz até nesta própria equipa B do Sporting como pivot defensivo ao lado de João Mário, tem níveis de rendimento completamente diferentes. Nos Juniores podia receber, esperar, pensar, e executar. Essa dimensão não existe no futebol profissional e a pouca dinâmica e intensidade que apresenta deixam-no um nível abaixo daquilo que vai acontecendo nos leões com Chaby, Bruma, Esgaio e João Mário, por exemplo.

Luciano Teixeira tem tudo aquilo que é necessário um 6, de futebol senior, ter. E a competência que detém está a elevar, e muito, o seu status neste Benfica. Os níveis de agressividade têm de estar patentes, tem de lutar, ir lá acima disputar bolas, saber utilizar o corpo em situações de choque, encostar no seu opositor directo e não deixar rodar. Para além dessas situações, Luciano sabe preencher o seu espaço, sabe interpreta-lo e tem demonstrado imensa qualidade na forma como persegue o portador da bola e anulando-lhe a progressão consegue rouba-la e recupera-la para uma zona de posse.

O facto de não ser um portento a nível do passe, não tem de ser um impeditivo para limitar o seu jogo. É tudo uma questão de modelo da equipa, em função das características em que se insere. O Benfica joga com um meio-campo a 3, com 2 interiores. Luciano jogando na posição 6, na 1ª fase de construção, recua e faz uma linha a 3 com os centrais (que dão largura), dando imensas linhas de passe disponíveis para progressão com o aparecimento dos interiores a pedir jogo. Assim, mesmo nessa fase, está protegido pois tem de fazer passes de 5 metros para os lados ou para a frente em situações mais confortáveis de pressão, do que o 6 que tem de receber de costas para a baliza, rodar sob oposição e ter de entregar com qualidade. E ontem, dentro do seu meio-campo, fez um passe de 20 metros a rasgar a defesa do Feirense e a isolar João Mário.

Duas belas surpresas nesta equipa B do Benfica que ontem tem um resultado muito interessante na casa de um dos assumidos candidatos à subida de divisão.

domingo, 19 de agosto de 2012

Prospecção: Imoh Ezekiel



Sabe-se muito pouco deste jogador, mas basta ver a forma desinibida como joga ao serviço do Standard para ver que está ali algo de especial. Pormenores técnicos de valia, aliados a uma velocidade supersónica, em constantes movimentos verticais a rasgar em direcção à baliza. Apetite pelo golo, e pelas zonas de finalização, surge aos 18 anos como uma estrela emergente do candidato ao título belga, o Standard. Para acompanhar com muita atenção.

Nacionalidade: Nigéria
Data de Nascimento: 24-10-1993 (18 anos)
Altura/Peso: 178 cm / 80 kg
Posição: Extremo Direito/Esquerdo
Clube: Standard

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12          Standard              4(3)                    1


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Prospecção: Jordy Clasie



A famosa escola do Feyenoord continua a dar que falar. Não foi só Cabral, de quem aqui falei, que impressionou na eliminatória com o D.Kyev. Curioso e muito interessante, foi ver um pequeno Xavi, embora com características diferentes, a dar os primeiros passos na formação holandesa. Jordy Clasie é o cabeça de área, a referência na 1ª fase de construção do processo dos holandeses. Grande cultura posicional, tomada de decisão quase sempre correcta, procura jogar curto, simples e sempre eficaz. Rendimento e regularidade são palavras chave do seu jogo. Defensivamente, apesar de não ser muito robusto fisicamente, é agressivo, intenso e um excelente recuperador de bolas. Depois do empréstimo proveitoso ao Excelsior,  o holandês afirmou-se o ano passado na equipa mãe. Clasie e a sua equipa, prometem um ano muito interessante na Eredivise.


Nacionalidade: Holanda
Data de Nascimento: 27-06-1991 (21 anos)
Altura/Peso: 169 cm / 64 kg
Posição: Médio Defensivo/Interior
Clube: Feyenoord

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12          Feyenoord           33                      3
2010/11          Excelsior              30(2)                 2

Prospecção: Nicklas Helenius



A Dinamarca parece estar a fazer crescer outro talento para o ataque na linha daqueles que foram os últimos grandes nomes escandinavos para a posição. Este internacional sub-21, de quem se vem falando muito, denota características muito interessantes, atendendo à compleição física de referência que detém. São 1,95cm de bons pormenores, capacidade física, facilidade e espontaneidade de remate, a fazer lembrar mesmo outro escandinavo, que marca agora uma era no PSG. Ele que em 5 internacionalizações pelo seu país, já conta com 4 golos. Joga fixo no ataque, ou gosta de sair, podendo ter espaço, para tabelar e criar ele próprio as situações de finalização. Tecnicamente dotado, joga com ambos os pés com a mesma facilidade. A seguir com atenção o seu ano de afirmação na Dinamarca, pois não deve por lá continuar muito mais tempo.

Nacionalidade: Dinamarca
Data de Nascimento: 08-05-1991 (21 anos)
Altura/Peso: 195 cm / 83 kg
Posição: Avançado
Clube: Aalborg BK



Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12          Aalgorg BK         29(3)                14
2010/11          Aalborg BK         12(16)               5

domingo, 12 de agosto de 2012

Os B: Braga e Benfica


- É certo que o jogo era entre duas equipas carregadas de jovens, mas ficou evidente as diferenças que existem entre um campeonato de juniores e uma liga profissional, para a esmagadora maioria destes jogadores. Basta para isso dizer que a 2ª parte foi amplamente diferente da 1ª, a nível de mobilidade e acções tácticas, porque simplesmente foi jogada na base de um jogo partido e sem referências.

- O Benfica não pode abordar esta liga com um central junior e um lateral esquerdo adaptado a central. É demasiado arriscado e pode causar dissabores. Até porque parece o sector mais frágil neste momento, também porque todos os atletas têm idades inferiores a 22 anos e não existe uma referência, pelo perfil apresentado de todos eles. 

- Pouca maturidade apresentaram os encarnados em algumas situações. Equipa curta sob o ponto de vista de rendimento, e da própria margem. O Braga fez-se apresentar por jovens nas mesmas circunstâncias dos encarnados, uns com experiência de campeonatos seniores, outros a começar a despontar, mas as circunstâncias foram semelhantes entre as duas formações.

- O Braga tem dois dos centrais mais fortes das equipas B, e da própria Liga. Gonçalo Silva e Aníbal Capela têm jogos nas pernas entre os adultos, e essa rotina e exigência nota-se. Para além disso são dois jogadores que encaixam bem nos ideais dos minhotos: guerreiros. Assumiram-se no jogo em quase todos os momentos.

- Manoel e Zé Luís foram os jogadores mais, pelo upgrade de serem jogadores superiores aos demais em quase tudo. Nível de maturidade diferente do resto da miudagem, outra agressividade e experiência. O Braga pode ter a ganhar com esta aposta de jogadores a necessitar de minutos.

- Continuo a achar que Guilherme é um jogador que não tem grandes fãs pelo minho, mas parece-me jogador a mais para esta equipa B. Faz lateral, interior, extremo, trinco, e sempre com a mesma competência. Cultura táctica, agressividade, poder no desarme, sabe utilizar o corpo em tudo o que faz, e um pé esquerdo de grande valia. 

- João Cancelo foi o jogador mais de todo o jogo de ontem. Apesar dos erros que comete, fruto de inexperiência, de achar que pode fazer todo o jogo a mil, com constantes subidas pelo corredor, de esquecer-se de defender em algumas alturas fulcrais, é um talento como o Benfica tem demonstrado poucos. Capacidade técnica, abnegação pelo jogo, irreverência, tem tudo para ser jogador do plantel principal dentro de algum tempo.

- Miguel Rosa e Ivan foram dos melhores dos encarnados. Pelo ritmo e decisões que foram evidenciado durante o jogo, por não se contentarem com o resultado. Miguel Rosa merecia mais, para poder mostrar o que pode render ao Benfica. Ivan continua a ser uma boa surpresa e a crescer. Vamos ver o que esperar dele este ano.

Os talentos dos leões


Ontem foi dia de futebol a toda a escala, mas Benfica e Sporting apresentaram a nível oficial as suas equipas B em dois jogos distintos, mas que permitiram para tirar as ilações que teoricamente já se esperavam.

- Vendo o Oliveirense-Sporting, há que realçar a inteligência demonstrada pelos caseiros pela forma como entregaram o jogo ao Sporting. Não seria possível manter o ritmo e a capacidade de mobilidade que os jovens leões demonstraram na 1ª parte, durante os 90 minutos. Foram inteligentes os nortenhos, que acabaram por ganhar 1-0.

- O Sporting revelou qualidade, mais do que o seu rival da 2ª circular, por esta altura. Assente num 4-3-3 com algumas variantes, conforme os momentos de jogo, está a basear o seu jogo naquilo que é os anos de formação que todos estes atletas têm: respeitam os princípios da largura e profundidade, posse e circulação, mobilidade, bloco médio de pressão. Falta experiência e alguma maturidade, mas esta equipa do Sporting tem coisas positivas para dar. Imagino este grupo com Ié e Cá, que entretanto saíram para o Barça.

- Bruma à cabeça. Parece que o aparecimento no futebol senior o catapultou para outra dimensão. Tem de ganhar outro sentido de objectividade, mas a velocidade e aceleração com e sem bola, os pormenores técnicos, a forma irreverente como aborda os adversários, como chama a si o poder do jogo, vai fazer dele um caso sério desta divisão.

- Filipe Chaby. Que pé esquerdo! Assim comece a entrar nas rotinas e dimensão do futebol de adultos, tem tudo para chegar onde quiser. Capacidade técnica muito acima da média, bola sempre colada ao pé, decisões simples e tremendamente eficazes. Muita atenção.

- João Mário. Já se sabia que iria chegar e vencer, pelo simples facto de ser um jogador com uma maturidade no seu jogo muito desenvolvida, desde sempre. O pêndulo de todo o jogo ofensivo, a referência da 1ª fase de construção. Qualidade de passe e visão de jogo fora do normal.

- Do outro lado esteve Avto. Principal desequilibrador da zona de decisão dos homens de João de Deus, que já tinha avisado para este talento. Dinâmica e intensidade, repentismo, drible e segurança nas suas acções. Vamos continuar a acompanhar.

sábado, 11 de agosto de 2012

Melga e Ola John: Tomada decisão x execução


Dois dos casos mais bicudos desta pré-época do Benfica chamam-se Melgarejo e Ola John. Se a adaptação a lateral do paraguaio parece-me bastante inteligente da parte do treinador, assim ele aprenda os aspectos tácticos e as missões defensivas que terá de executar dentro deste modelo do Benfica, não deixa de ser evidente algumas lacunas que ainda apresenta no seu jogo.

Partindo desta dimensão da tomada de decisão, é bom ver que Melgarejo toma quase sempre a opção mais correcta. É inteligente na abordagem aos lances e sempre que é chamado a decidir. Pensa rápido e toma a decisão, normalmente, mais simples, mas sempre a mais eficaz. Contudo, demora a ganhar consistência nas suas execuções. Em transição ofensiva, ou mesmo em situações de organização, sem grande densidade do adversário em pressão, erra em passe, sobretudo curto. Muitas vezes por dificuldade de comunicação ou de interpretação semelhante com os colegas. Mas não deixa de ser algo duvidoso, nesta altura, ver Melgarejo ter dificuldade a executar quase tudo o que é lance com bola no pé. Vai a tempo de melhorar, e muito.

Ola John, na mesma dimensão, é o oposto. Jogador que denota margem de progressão elevada, rendimento ainda curto, mas muito para dar. Contudo, há alguns factores que condicionam a tomada de decisão, nomeadamente a confiança. Ola John parece pouco confiante, pouco irreverente, pouco decidido. Isso reflecte-se no seu jogo, e de que maneira.

Raras são as vezes que aborda o adversário no um contra um. Quando o faz, fruto de boa progressão com bola, executa bem, mas poucas vezes toma a decisão mais correcta. Ou deriva para dentro quando deveria manter a largura. Ou faz passes a pedir movimentos de ruptura em profundidade para Cardozo, o que mostra desconhecimento absoluto do modelo de jogo e características dos colegas. Ou temporiza quando deve acelerar, chegando coberturas e perdendo a bola.

Dois produtos em bruto, para Jesus trabalhar, com enorme margem, mas que o rendimento actual está muito condicionado.