segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Uma questão de adaptabilidade


O futebol profissional comporta diferenças grandes em relação ao que acontecia no campeonato nacional de juniores. Ver as equipas B é ver isso mesmo. Nesta fase inicial, vê-se com expectativa alguns jogadores de quem se diziam maravilhas na formação, mas que por variadas razões estão a demorar a manter o mesmo nível de rendimento. O sentido oposto está bem presente, e a equipa B do Benfica que ontem jogou em Santa Maria da Feira tem dois jogadores de que importa falar.

Conheço o Ivan Cavaleiro desde os seus 13 anos quando jogava nos Iniciados do Benfica. O seu nível de rendimento era insuficiente, a margem que parecia apresentar também, e por isso acabou por ser dispensado. O Belenenses teve um papel importantíssimo no seu renascer, abrindo-lhe novamente as portas do Benfica, anos mais tarde.

Ivan Cavaleiro é um jogador com upgrade muito grande em relação ao que fazia nos Juniores. Fisicamente está mais forte, fruto disso aumenta a confiança de abordar os lances e partir para cima em iniciativas individuais. Drible, velocidade, explosão, simplicidade de processos. Vai crescendo neste Benfica B e as exibições que tem feito catapultaram-no para um dos melhores extremos da liga até ao momento. Joga em ambos os flancos com a mesma qualidade e está a conseguir aparecer muito bem em zonas de finalização.

Outro é Luciano Teixeira. Já Internacional A pela Guiné era um dos mal-amados da equipa de Juniores, porque era muito mau tecnicamente, dizia-se. A posição 6 na formação, sobretudo de um clube grande, é um lugar totalmente despreparado para aquilo que vai acontecer no futebol senior. Diria mesmo que é um futebol diferente. Isto porque uma equipa grande na formação detém um poderio muito grande em relação a todas as outras equipas. Essa diferença de qualidade faz com que os blocos defensivos e as zonas de pressão sejam, maioritariamente, em terrenos mais recuados, que ofereçam mais liberdade à 1ª fase de construção da equipa que em teoria vai assumir o jogo na sua posse e circulação.

Não é preciso ir muito longe para ver Zezinho, do Sporting. Na formação quando colocado como 6, como o faz até nesta própria equipa B do Sporting como pivot defensivo ao lado de João Mário, tem níveis de rendimento completamente diferentes. Nos Juniores podia receber, esperar, pensar, e executar. Essa dimensão não existe no futebol profissional e a pouca dinâmica e intensidade que apresenta deixam-no um nível abaixo daquilo que vai acontecendo nos leões com Chaby, Bruma, Esgaio e João Mário, por exemplo.

Luciano Teixeira tem tudo aquilo que é necessário um 6, de futebol senior, ter. E a competência que detém está a elevar, e muito, o seu status neste Benfica. Os níveis de agressividade têm de estar patentes, tem de lutar, ir lá acima disputar bolas, saber utilizar o corpo em situações de choque, encostar no seu opositor directo e não deixar rodar. Para além dessas situações, Luciano sabe preencher o seu espaço, sabe interpreta-lo e tem demonstrado imensa qualidade na forma como persegue o portador da bola e anulando-lhe a progressão consegue rouba-la e recupera-la para uma zona de posse.

O facto de não ser um portento a nível do passe, não tem de ser um impeditivo para limitar o seu jogo. É tudo uma questão de modelo da equipa, em função das características em que se insere. O Benfica joga com um meio-campo a 3, com 2 interiores. Luciano jogando na posição 6, na 1ª fase de construção, recua e faz uma linha a 3 com os centrais (que dão largura), dando imensas linhas de passe disponíveis para progressão com o aparecimento dos interiores a pedir jogo. Assim, mesmo nessa fase, está protegido pois tem de fazer passes de 5 metros para os lados ou para a frente em situações mais confortáveis de pressão, do que o 6 que tem de receber de costas para a baliza, rodar sob oposição e ter de entregar com qualidade. E ontem, dentro do seu meio-campo, fez um passe de 20 metros a rasgar a defesa do Feirense e a isolar João Mário.

Duas belas surpresas nesta equipa B do Benfica que ontem tem um resultado muito interessante na casa de um dos assumidos candidatos à subida de divisão.

domingo, 19 de agosto de 2012

Prospecção: Imoh Ezekiel



Sabe-se muito pouco deste jogador, mas basta ver a forma desinibida como joga ao serviço do Standard para ver que está ali algo de especial. Pormenores técnicos de valia, aliados a uma velocidade supersónica, em constantes movimentos verticais a rasgar em direcção à baliza. Apetite pelo golo, e pelas zonas de finalização, surge aos 18 anos como uma estrela emergente do candidato ao título belga, o Standard. Para acompanhar com muita atenção.

Nacionalidade: Nigéria
Data de Nascimento: 24-10-1993 (18 anos)
Altura/Peso: 178 cm / 80 kg
Posição: Extremo Direito/Esquerdo
Clube: Standard

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12          Standard              4(3)                    1


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Prospecção: Jordy Clasie



A famosa escola do Feyenoord continua a dar que falar. Não foi só Cabral, de quem aqui falei, que impressionou na eliminatória com o D.Kyev. Curioso e muito interessante, foi ver um pequeno Xavi, embora com características diferentes, a dar os primeiros passos na formação holandesa. Jordy Clasie é o cabeça de área, a referência na 1ª fase de construção do processo dos holandeses. Grande cultura posicional, tomada de decisão quase sempre correcta, procura jogar curto, simples e sempre eficaz. Rendimento e regularidade são palavras chave do seu jogo. Defensivamente, apesar de não ser muito robusto fisicamente, é agressivo, intenso e um excelente recuperador de bolas. Depois do empréstimo proveitoso ao Excelsior,  o holandês afirmou-se o ano passado na equipa mãe. Clasie e a sua equipa, prometem um ano muito interessante na Eredivise.


Nacionalidade: Holanda
Data de Nascimento: 27-06-1991 (21 anos)
Altura/Peso: 169 cm / 64 kg
Posição: Médio Defensivo/Interior
Clube: Feyenoord

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12          Feyenoord           33                      3
2010/11          Excelsior              30(2)                 2

Prospecção: Nicklas Helenius



A Dinamarca parece estar a fazer crescer outro talento para o ataque na linha daqueles que foram os últimos grandes nomes escandinavos para a posição. Este internacional sub-21, de quem se vem falando muito, denota características muito interessantes, atendendo à compleição física de referência que detém. São 1,95cm de bons pormenores, capacidade física, facilidade e espontaneidade de remate, a fazer lembrar mesmo outro escandinavo, que marca agora uma era no PSG. Ele que em 5 internacionalizações pelo seu país, já conta com 4 golos. Joga fixo no ataque, ou gosta de sair, podendo ter espaço, para tabelar e criar ele próprio as situações de finalização. Tecnicamente dotado, joga com ambos os pés com a mesma facilidade. A seguir com atenção o seu ano de afirmação na Dinamarca, pois não deve por lá continuar muito mais tempo.

Nacionalidade: Dinamarca
Data de Nascimento: 08-05-1991 (21 anos)
Altura/Peso: 195 cm / 83 kg
Posição: Avançado
Clube: Aalborg BK



Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12          Aalgorg BK         29(3)                14
2010/11          Aalborg BK         12(16)               5

domingo, 12 de agosto de 2012

Os B: Braga e Benfica


- É certo que o jogo era entre duas equipas carregadas de jovens, mas ficou evidente as diferenças que existem entre um campeonato de juniores e uma liga profissional, para a esmagadora maioria destes jogadores. Basta para isso dizer que a 2ª parte foi amplamente diferente da 1ª, a nível de mobilidade e acções tácticas, porque simplesmente foi jogada na base de um jogo partido e sem referências.

- O Benfica não pode abordar esta liga com um central junior e um lateral esquerdo adaptado a central. É demasiado arriscado e pode causar dissabores. Até porque parece o sector mais frágil neste momento, também porque todos os atletas têm idades inferiores a 22 anos e não existe uma referência, pelo perfil apresentado de todos eles. 

- Pouca maturidade apresentaram os encarnados em algumas situações. Equipa curta sob o ponto de vista de rendimento, e da própria margem. O Braga fez-se apresentar por jovens nas mesmas circunstâncias dos encarnados, uns com experiência de campeonatos seniores, outros a começar a despontar, mas as circunstâncias foram semelhantes entre as duas formações.

- O Braga tem dois dos centrais mais fortes das equipas B, e da própria Liga. Gonçalo Silva e Aníbal Capela têm jogos nas pernas entre os adultos, e essa rotina e exigência nota-se. Para além disso são dois jogadores que encaixam bem nos ideais dos minhotos: guerreiros. Assumiram-se no jogo em quase todos os momentos.

- Manoel e Zé Luís foram os jogadores mais, pelo upgrade de serem jogadores superiores aos demais em quase tudo. Nível de maturidade diferente do resto da miudagem, outra agressividade e experiência. O Braga pode ter a ganhar com esta aposta de jogadores a necessitar de minutos.

- Continuo a achar que Guilherme é um jogador que não tem grandes fãs pelo minho, mas parece-me jogador a mais para esta equipa B. Faz lateral, interior, extremo, trinco, e sempre com a mesma competência. Cultura táctica, agressividade, poder no desarme, sabe utilizar o corpo em tudo o que faz, e um pé esquerdo de grande valia. 

- João Cancelo foi o jogador mais de todo o jogo de ontem. Apesar dos erros que comete, fruto de inexperiência, de achar que pode fazer todo o jogo a mil, com constantes subidas pelo corredor, de esquecer-se de defender em algumas alturas fulcrais, é um talento como o Benfica tem demonstrado poucos. Capacidade técnica, abnegação pelo jogo, irreverência, tem tudo para ser jogador do plantel principal dentro de algum tempo.

- Miguel Rosa e Ivan foram dos melhores dos encarnados. Pelo ritmo e decisões que foram evidenciado durante o jogo, por não se contentarem com o resultado. Miguel Rosa merecia mais, para poder mostrar o que pode render ao Benfica. Ivan continua a ser uma boa surpresa e a crescer. Vamos ver o que esperar dele este ano.

Os talentos dos leões


Ontem foi dia de futebol a toda a escala, mas Benfica e Sporting apresentaram a nível oficial as suas equipas B em dois jogos distintos, mas que permitiram para tirar as ilações que teoricamente já se esperavam.

- Vendo o Oliveirense-Sporting, há que realçar a inteligência demonstrada pelos caseiros pela forma como entregaram o jogo ao Sporting. Não seria possível manter o ritmo e a capacidade de mobilidade que os jovens leões demonstraram na 1ª parte, durante os 90 minutos. Foram inteligentes os nortenhos, que acabaram por ganhar 1-0.

- O Sporting revelou qualidade, mais do que o seu rival da 2ª circular, por esta altura. Assente num 4-3-3 com algumas variantes, conforme os momentos de jogo, está a basear o seu jogo naquilo que é os anos de formação que todos estes atletas têm: respeitam os princípios da largura e profundidade, posse e circulação, mobilidade, bloco médio de pressão. Falta experiência e alguma maturidade, mas esta equipa do Sporting tem coisas positivas para dar. Imagino este grupo com Ié e Cá, que entretanto saíram para o Barça.

- Bruma à cabeça. Parece que o aparecimento no futebol senior o catapultou para outra dimensão. Tem de ganhar outro sentido de objectividade, mas a velocidade e aceleração com e sem bola, os pormenores técnicos, a forma irreverente como aborda os adversários, como chama a si o poder do jogo, vai fazer dele um caso sério desta divisão.

- Filipe Chaby. Que pé esquerdo! Assim comece a entrar nas rotinas e dimensão do futebol de adultos, tem tudo para chegar onde quiser. Capacidade técnica muito acima da média, bola sempre colada ao pé, decisões simples e tremendamente eficazes. Muita atenção.

- João Mário. Já se sabia que iria chegar e vencer, pelo simples facto de ser um jogador com uma maturidade no seu jogo muito desenvolvida, desde sempre. O pêndulo de todo o jogo ofensivo, a referência da 1ª fase de construção. Qualidade de passe e visão de jogo fora do normal.

- Do outro lado esteve Avto. Principal desequilibrador da zona de decisão dos homens de João de Deus, que já tinha avisado para este talento. Dinâmica e intensidade, repentismo, drible e segurança nas suas acções. Vamos continuar a acompanhar.

sábado, 11 de agosto de 2012

Melga e Ola John: Tomada decisão x execução


Dois dos casos mais bicudos desta pré-época do Benfica chamam-se Melgarejo e Ola John. Se a adaptação a lateral do paraguaio parece-me bastante inteligente da parte do treinador, assim ele aprenda os aspectos tácticos e as missões defensivas que terá de executar dentro deste modelo do Benfica, não deixa de ser evidente algumas lacunas que ainda apresenta no seu jogo.

Partindo desta dimensão da tomada de decisão, é bom ver que Melgarejo toma quase sempre a opção mais correcta. É inteligente na abordagem aos lances e sempre que é chamado a decidir. Pensa rápido e toma a decisão, normalmente, mais simples, mas sempre a mais eficaz. Contudo, demora a ganhar consistência nas suas execuções. Em transição ofensiva, ou mesmo em situações de organização, sem grande densidade do adversário em pressão, erra em passe, sobretudo curto. Muitas vezes por dificuldade de comunicação ou de interpretação semelhante com os colegas. Mas não deixa de ser algo duvidoso, nesta altura, ver Melgarejo ter dificuldade a executar quase tudo o que é lance com bola no pé. Vai a tempo de melhorar, e muito.

Ola John, na mesma dimensão, é o oposto. Jogador que denota margem de progressão elevada, rendimento ainda curto, mas muito para dar. Contudo, há alguns factores que condicionam a tomada de decisão, nomeadamente a confiança. Ola John parece pouco confiante, pouco irreverente, pouco decidido. Isso reflecte-se no seu jogo, e de que maneira.

Raras são as vezes que aborda o adversário no um contra um. Quando o faz, fruto de boa progressão com bola, executa bem, mas poucas vezes toma a decisão mais correcta. Ou deriva para dentro quando deveria manter a largura. Ou faz passes a pedir movimentos de ruptura em profundidade para Cardozo, o que mostra desconhecimento absoluto do modelo de jogo e características dos colegas. Ou temporiza quando deve acelerar, chegando coberturas e perdendo a bola.

Dois produtos em bruto, para Jesus trabalhar, com enorme margem, mas que o rendimento actual está muito condicionado.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Como foi mau ver este Depor


Jogou-se hoje o V Troféu Antonio Puerta, que opôs Sevilha e Deportivo. Oportunidade para ver duas equipas de primeira liga espanhola, com alguns nomes interessantes, e poder ver a que nível se prometem projectar para esta nova temporada. Quando se procura ver as individualidades, não podemos nunca esquecer o colectivo e o modelo em que se inserem. Daí ser injusto tecer opinião sobre qualquer jogador do conjunto que nesta altura da época, se candidata a ser um dos despromovidos: Deportivo. Dinâmica quase inexistente. Mobilidade e profundidade, são princípios quase invisíveis no jogo dos espanhóis. Torna-se então impossível ver qualquer combinação táctica digna desse registo. Previsível. Não ajuda também a forma como Nelson Oliveira joga. Não basta esperar que a bola seja colocada no espaço para ele entrar em jogo.

Neste modelo baseado no 4x2x3x1, com variante de 4x4x2 em organização ofensiva, que o Depor joga, o avançado tem de ser muito mais do que aquilo que fez o português. Sobretudo não pode jogar na zona dos centrais do adversário sob o risco de acontecer aquilo que é evidente: a quase inutilidade de estar em campo. Há que sair daquela zona, baixar para a zona de construção da sua equipa, arrastar os defesas do adversário, abrir espaço através de movimentos procurando a bola. Defensivamente tem de procurar fechar linhas de passe para um futebol espanhol cada vez mais pré-definido para a manutenção e circulação de bola através da 1ª fase de construção. Procurar lutar com os defesas. Assim, será difícil que Riki (o melhor do Depor) ou Bodipo não sejam as principais apostas para aquela posição.

O outro português esteve ligado ao primeiro golo do Sevilha. Concentração, um dos princípios fundamentais do jogo. Roderick parece esquecê-lo, por vezes. Pouco fez para evitar que Negredo fizesse um dos golos mais fáceis que certamente marcou nos últimos tempos. Quando o português pensava que o espanhol estava nas suas costas, já ele estava na marca de penalty a atirar para o golo. Outros lances em que mostrou pouca certeza e presença no seu raio de acção. 

André Santos continua a basear as suas acções naquilo que tornam o seu futebol pouco produtivo. Apesar de se posicionar bem e ter uma cultura táctica interessante, quando tem a bola nos pés, usa quase sempre o passe, e com 2 condicionantes: ou é para o lado, ou para trás. Não desequilibra. Não assume o jogo. Não explora os corredores. Não cria situações de penetração para libertar bola. Contudo, repito: resta perceber se esta falta de dinâmica colectiva, de mobilidade, de confiança dos jogadores do Depor é porque ainda estão numa fase de conhecimento e com poucas rotinas, ou longe ainda de compreender o modelo de jogo a que o clube se predispõe a jogar, ou realmente não têm condições, nesta fase, para elevar o nível de um Depor que não deve fugir à 2ª metade, e para baixo, da tabela esta época.

O Sevilha, atenção, pouco mais mostrou. Medel é um jogador interessante, tal como foi bom ver Cicinho novamente a carburar pelo corredor. Jesus Navas continua sem esconder a razão porque não sai de Sevilha. Irregular nas decisões e na forma como assume o que tem de fazer. Produtividade é relativa, nele. Bom foi ver Baba, quase sempre esclarecido, o jogador que passou pelo Marítimo.

Prospecção: Jerson Cabral



Este jogador de ascendência cabo-verdiana foi uma das principais atracções da eliminatória de apuramento para a LC que opôs Feyenoord e D.Kiev. Interessante ver a forma desinibida com que joga, a margem de progressão que denota, fruto de uma irreverência e certeza que coloca em todas as acções. É raro vê-lo optar pelo passe sem antes tentar o 1 vs 1, de onde deriva normalmente para o centro do terreno (partindo pela direita), procurando penetrações interiores ou tentativas de finalização a curta ou média distância. Encara sempre o adversário e isso define o seu jogo. Finta curta, bola colada ao pé, difícil de roubar. Leque infindável de dribles. Se ganhar consistência na zona de decisão, vai ser um dos destaques desta Eredivise. Uma transferência para um clube maior parece assentar-lhe bem.



Nacionalidade: Holanda
Data de Nascimento: 03-01-1991 (21 anos)
Altura/Peso: 177 cm / 70 kg
Posição: Extremo Direito
Clube: Feyenoord

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12          Feyenoord          22(6)                  7
2010/11          Feyenoord          6(17)                  1

Prospecção: Ogihara



O apetite pelo mercado asiático começa a ser cada vez maior. Contudo, está a cair o mito que o mesmo se deve, apenas, a questões comerciais e de exponenciação de marketing. Exemplo disso mesmo é a selecção olímpica japonesa, cheia de jogadores com qualidade e que merecem um olhar mais atento. É o caso deste Ogihara. Jogador cerebral do meio-campo japonês, é um pêndulo de todas as acções das fases de jogo dos japonenses. Primeira referência na zona de construção, pé esquerdo de elevada qualidade, procura jogar prático e quase sempre bem. Joga a um, dois toques, mas gosta de se incorporar em acções ofensivas. Denota ainda uma cultura táctica e posicional interessante. Dada a sua idade e compleição física, aliada a uma margem potencialmente elevada, não deve demorar a saltar para a Europa.

Nacionalidade: Japão
Data de Nascimento: 05-10-1991 (20 anos)
Altura/Peso: 180 cm / 63 kg
Posição: Médio Defensivo
Clube: Cerezo Osaka (Japão)

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2012              C.Osaka                17                    1
2011              C.Osaka                13                    4

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Montpellier: Uma questão de identidade


Numa altura em que o futebol mundial vai sendo invadido pelas novas tendências económicas e desportivas, em que as empresas de investimento tomam posse dos clubes e investem neles, à procura de os tornar uma referência, esta é uma discussão que está muito em voga nos dias de hoje e faz algum sentido olhar para ela. Podia ser feita uma retrospectiva daquilo que está a acontecer em Málaga, onde os habitantes daquela cidade não esparariam ver o seu clube a ingressar na Liga dos Campeões, fruto do investimento do dinheiro árabe, ou do renascimento do gigante adormecido Paris St Germain que se assume actualmente como o clube mais poderoso do Mundo. É que já nem o Manchester City, recuperado pelo mesmo dinheiro árabe, parece ter andamento para as loucuras de mercado dos franceses e, estabilizou as suas compras, depois de ter gasto quase 500 milhões de euros, num espaço de tempo curto, naquilo que foi a expansão de um clube, então refugiado ao potencial e rendimento do rival de Manchester, o United.

Mas hoje, o que me leva a escrever, é uma questão muito delicada. Envolve investimento. Aposta na formação. Aposta no produto nacional. Boa gestão e organização. Factores fundamentais, claro, difíceis de dissociar da ideia do adepto de futebol, mas quase impossíveis de os interligar. O Montpellier, veio, na época passada, e num mercado com concorrentes de peso (PSG, Marselha, Lyon, Lille), dar um exemplo claro daquilo que pode ser a gestão bem operacionalizada de um clube de futebol.

Chegámos ao final e viu-se festa. O clube da cidade francesa, fundado apenas em 1974, sagrou-se pela primeira vez na sua história campeão de França, quando em 2009 andava pela 2ª divisão do campeonato. O presidente do clube apostou em Rene Girard para comandar a equipa e construí-la à sua imagem. Fundamentalmente deu-lhe tempo e liberdade para colocar o seu plano em prática. Desde logo a aposta no perfil de Girard, um ex-técnico das selecções jovens francesas, portanto um homem apto a trabalhar jovens talentos e poder rentabilizar o investimento feito nos mesmos.

Logo na sua primeira época, apostou, da formação do clube, em alguns jogadores que se viriam a revelar fundamentais para o seu sucesso. Foram eles Yanga-Mbiwa, Stambouli, Cabella e Belhanda e ficou logo no 5º lugar. No ano seguinte voltou a manter a aposta na prata da casa, tendo terminado numa modesta 14ª posição. A confiança e o crédito manteve-se. O perfil estava encontrado e era uma questão de tempo, acreditavam todos.

Nesta época que agora findou, o clube francês, dos 18 jogadores mais utilizados ao longo do ano, que lhe valeu o seu primeiro título francês, 7 foram produtos da formação do clube, 7 foram recrutados fora (como Giroud), mas os dois mais caros, juntos, custaram 4 milhões de €, e mais 4 reforços a custo 0. A base estava montada, e em termos de contratações, o plantel custou 7 milhões de € nessa época.


O onze titular era quase sempre o mesmo, com uma base bastante bem definida. O guarda-redes Jourdren era da formação do clube. Bocaly aparece no futebol senior no Montpellier. Yanga-Mbiwa, da formação, era o esteio defensivo. O interior Stambouli era outro produto da formação. Belhanda, Saihi e Ait-Fana, outros três produtos da formação. E as cartas todas lançadas na contratação de um jogador às divisões secundárias: Olivier Giroud, que aqui falei dele quando ainda se encontrava no Tours, tendo sido transferido este ano para o Arsenal.

O Montpellier fez um percurso impressionante, mesclando um plantel com experiência, e uma base jovem, irreverente, ambiciosa e de muita qualidade, e construiu um grupo sem grandes nomes, mas muito rendimento e, acima de tudo, bastante aceitação dos papéis de cada um, construindo uma filosofia e identidade bem patentes num trabalho fantástico do técnico francês Girard.

Construir um grupo vencedor está muitas vezes, ou quase sempre, associado aquilo que são os valores de grupo, aceitação dos seus elementos, e ambição dos mesmos. O Montpellier exempleficou na perfeição o que significa a mentalidade de um clube, direccionada para a sua identidade, que lhe permitiu, com tempo de espera, com confiança e com uma boa gestão e rentabilização de activos, fazer a Europa render-se aos seus resultados.

Prospecção: Jeremain Lens



Preparem-se para o grande ano de Jeremain Lens na Eredivise. Este holandês que apareceu no AZ Alkmaar, com Van Gaal, tem tido uma ascenção bastante interessante e que revela a margem de progressão que vem evidenciando. Este parece ser o ano do tudo ou nada para ele, no que a uma transferência para um clube de outra nomeada europeia diz respeito. Assume-se como uma das referências dos holandeses do PSV, a dar de Winaljdum e Toivonen, mas com características para poder jogar pelo corredor central no apoio a um jogador de área, mas especialmente nos corredores, em constantes movimentos e penetrações interiores. Tem uma velocidade de ponta, tanto em progressão com bola, como em movimentos de ruptura sem ela, forte na finalização e, essencialmente, muito forte fisicamente. É difícil pará-lo. Este é o seu ano. Vamos ver até onde pode chegar.



Nacionalidade: Holanda
Data de Nascimento: 24-11-1987 (24 anos)
Altura/Peso: 178 cm / 80 kg
Posição: Extremo Direito/Esquerdo/Avançado
Clube: PSV

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12             PSV                  46                   18
2010/11             PSV                  46                   13
2009/10         AZ Alkmaar           28                   16
2008/09         AZ Alkmaar            8                     1