domingo, 12 de agosto de 2012

Os B: Braga e Benfica


- É certo que o jogo era entre duas equipas carregadas de jovens, mas ficou evidente as diferenças que existem entre um campeonato de juniores e uma liga profissional, para a esmagadora maioria destes jogadores. Basta para isso dizer que a 2ª parte foi amplamente diferente da 1ª, a nível de mobilidade e acções tácticas, porque simplesmente foi jogada na base de um jogo partido e sem referências.

- O Benfica não pode abordar esta liga com um central junior e um lateral esquerdo adaptado a central. É demasiado arriscado e pode causar dissabores. Até porque parece o sector mais frágil neste momento, também porque todos os atletas têm idades inferiores a 22 anos e não existe uma referência, pelo perfil apresentado de todos eles. 

- Pouca maturidade apresentaram os encarnados em algumas situações. Equipa curta sob o ponto de vista de rendimento, e da própria margem. O Braga fez-se apresentar por jovens nas mesmas circunstâncias dos encarnados, uns com experiência de campeonatos seniores, outros a começar a despontar, mas as circunstâncias foram semelhantes entre as duas formações.

- O Braga tem dois dos centrais mais fortes das equipas B, e da própria Liga. Gonçalo Silva e Aníbal Capela têm jogos nas pernas entre os adultos, e essa rotina e exigência nota-se. Para além disso são dois jogadores que encaixam bem nos ideais dos minhotos: guerreiros. Assumiram-se no jogo em quase todos os momentos.

- Manoel e Zé Luís foram os jogadores mais, pelo upgrade de serem jogadores superiores aos demais em quase tudo. Nível de maturidade diferente do resto da miudagem, outra agressividade e experiência. O Braga pode ter a ganhar com esta aposta de jogadores a necessitar de minutos.

- Continuo a achar que Guilherme é um jogador que não tem grandes fãs pelo minho, mas parece-me jogador a mais para esta equipa B. Faz lateral, interior, extremo, trinco, e sempre com a mesma competência. Cultura táctica, agressividade, poder no desarme, sabe utilizar o corpo em tudo o que faz, e um pé esquerdo de grande valia. 

- João Cancelo foi o jogador mais de todo o jogo de ontem. Apesar dos erros que comete, fruto de inexperiência, de achar que pode fazer todo o jogo a mil, com constantes subidas pelo corredor, de esquecer-se de defender em algumas alturas fulcrais, é um talento como o Benfica tem demonstrado poucos. Capacidade técnica, abnegação pelo jogo, irreverência, tem tudo para ser jogador do plantel principal dentro de algum tempo.

- Miguel Rosa e Ivan foram dos melhores dos encarnados. Pelo ritmo e decisões que foram evidenciado durante o jogo, por não se contentarem com o resultado. Miguel Rosa merecia mais, para poder mostrar o que pode render ao Benfica. Ivan continua a ser uma boa surpresa e a crescer. Vamos ver o que esperar dele este ano.

Os talentos dos leões


Ontem foi dia de futebol a toda a escala, mas Benfica e Sporting apresentaram a nível oficial as suas equipas B em dois jogos distintos, mas que permitiram para tirar as ilações que teoricamente já se esperavam.

- Vendo o Oliveirense-Sporting, há que realçar a inteligência demonstrada pelos caseiros pela forma como entregaram o jogo ao Sporting. Não seria possível manter o ritmo e a capacidade de mobilidade que os jovens leões demonstraram na 1ª parte, durante os 90 minutos. Foram inteligentes os nortenhos, que acabaram por ganhar 1-0.

- O Sporting revelou qualidade, mais do que o seu rival da 2ª circular, por esta altura. Assente num 4-3-3 com algumas variantes, conforme os momentos de jogo, está a basear o seu jogo naquilo que é os anos de formação que todos estes atletas têm: respeitam os princípios da largura e profundidade, posse e circulação, mobilidade, bloco médio de pressão. Falta experiência e alguma maturidade, mas esta equipa do Sporting tem coisas positivas para dar. Imagino este grupo com Ié e Cá, que entretanto saíram para o Barça.

- Bruma à cabeça. Parece que o aparecimento no futebol senior o catapultou para outra dimensão. Tem de ganhar outro sentido de objectividade, mas a velocidade e aceleração com e sem bola, os pormenores técnicos, a forma irreverente como aborda os adversários, como chama a si o poder do jogo, vai fazer dele um caso sério desta divisão.

- Filipe Chaby. Que pé esquerdo! Assim comece a entrar nas rotinas e dimensão do futebol de adultos, tem tudo para chegar onde quiser. Capacidade técnica muito acima da média, bola sempre colada ao pé, decisões simples e tremendamente eficazes. Muita atenção.

- João Mário. Já se sabia que iria chegar e vencer, pelo simples facto de ser um jogador com uma maturidade no seu jogo muito desenvolvida, desde sempre. O pêndulo de todo o jogo ofensivo, a referência da 1ª fase de construção. Qualidade de passe e visão de jogo fora do normal.

- Do outro lado esteve Avto. Principal desequilibrador da zona de decisão dos homens de João de Deus, que já tinha avisado para este talento. Dinâmica e intensidade, repentismo, drible e segurança nas suas acções. Vamos continuar a acompanhar.

sábado, 11 de agosto de 2012

Melga e Ola John: Tomada decisão x execução


Dois dos casos mais bicudos desta pré-época do Benfica chamam-se Melgarejo e Ola John. Se a adaptação a lateral do paraguaio parece-me bastante inteligente da parte do treinador, assim ele aprenda os aspectos tácticos e as missões defensivas que terá de executar dentro deste modelo do Benfica, não deixa de ser evidente algumas lacunas que ainda apresenta no seu jogo.

Partindo desta dimensão da tomada de decisão, é bom ver que Melgarejo toma quase sempre a opção mais correcta. É inteligente na abordagem aos lances e sempre que é chamado a decidir. Pensa rápido e toma a decisão, normalmente, mais simples, mas sempre a mais eficaz. Contudo, demora a ganhar consistência nas suas execuções. Em transição ofensiva, ou mesmo em situações de organização, sem grande densidade do adversário em pressão, erra em passe, sobretudo curto. Muitas vezes por dificuldade de comunicação ou de interpretação semelhante com os colegas. Mas não deixa de ser algo duvidoso, nesta altura, ver Melgarejo ter dificuldade a executar quase tudo o que é lance com bola no pé. Vai a tempo de melhorar, e muito.

Ola John, na mesma dimensão, é o oposto. Jogador que denota margem de progressão elevada, rendimento ainda curto, mas muito para dar. Contudo, há alguns factores que condicionam a tomada de decisão, nomeadamente a confiança. Ola John parece pouco confiante, pouco irreverente, pouco decidido. Isso reflecte-se no seu jogo, e de que maneira.

Raras são as vezes que aborda o adversário no um contra um. Quando o faz, fruto de boa progressão com bola, executa bem, mas poucas vezes toma a decisão mais correcta. Ou deriva para dentro quando deveria manter a largura. Ou faz passes a pedir movimentos de ruptura em profundidade para Cardozo, o que mostra desconhecimento absoluto do modelo de jogo e características dos colegas. Ou temporiza quando deve acelerar, chegando coberturas e perdendo a bola.

Dois produtos em bruto, para Jesus trabalhar, com enorme margem, mas que o rendimento actual está muito condicionado.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Como foi mau ver este Depor


Jogou-se hoje o V Troféu Antonio Puerta, que opôs Sevilha e Deportivo. Oportunidade para ver duas equipas de primeira liga espanhola, com alguns nomes interessantes, e poder ver a que nível se prometem projectar para esta nova temporada. Quando se procura ver as individualidades, não podemos nunca esquecer o colectivo e o modelo em que se inserem. Daí ser injusto tecer opinião sobre qualquer jogador do conjunto que nesta altura da época, se candidata a ser um dos despromovidos: Deportivo. Dinâmica quase inexistente. Mobilidade e profundidade, são princípios quase invisíveis no jogo dos espanhóis. Torna-se então impossível ver qualquer combinação táctica digna desse registo. Previsível. Não ajuda também a forma como Nelson Oliveira joga. Não basta esperar que a bola seja colocada no espaço para ele entrar em jogo.

Neste modelo baseado no 4x2x3x1, com variante de 4x4x2 em organização ofensiva, que o Depor joga, o avançado tem de ser muito mais do que aquilo que fez o português. Sobretudo não pode jogar na zona dos centrais do adversário sob o risco de acontecer aquilo que é evidente: a quase inutilidade de estar em campo. Há que sair daquela zona, baixar para a zona de construção da sua equipa, arrastar os defesas do adversário, abrir espaço através de movimentos procurando a bola. Defensivamente tem de procurar fechar linhas de passe para um futebol espanhol cada vez mais pré-definido para a manutenção e circulação de bola através da 1ª fase de construção. Procurar lutar com os defesas. Assim, será difícil que Riki (o melhor do Depor) ou Bodipo não sejam as principais apostas para aquela posição.

O outro português esteve ligado ao primeiro golo do Sevilha. Concentração, um dos princípios fundamentais do jogo. Roderick parece esquecê-lo, por vezes. Pouco fez para evitar que Negredo fizesse um dos golos mais fáceis que certamente marcou nos últimos tempos. Quando o português pensava que o espanhol estava nas suas costas, já ele estava na marca de penalty a atirar para o golo. Outros lances em que mostrou pouca certeza e presença no seu raio de acção. 

André Santos continua a basear as suas acções naquilo que tornam o seu futebol pouco produtivo. Apesar de se posicionar bem e ter uma cultura táctica interessante, quando tem a bola nos pés, usa quase sempre o passe, e com 2 condicionantes: ou é para o lado, ou para trás. Não desequilibra. Não assume o jogo. Não explora os corredores. Não cria situações de penetração para libertar bola. Contudo, repito: resta perceber se esta falta de dinâmica colectiva, de mobilidade, de confiança dos jogadores do Depor é porque ainda estão numa fase de conhecimento e com poucas rotinas, ou longe ainda de compreender o modelo de jogo a que o clube se predispõe a jogar, ou realmente não têm condições, nesta fase, para elevar o nível de um Depor que não deve fugir à 2ª metade, e para baixo, da tabela esta época.

O Sevilha, atenção, pouco mais mostrou. Medel é um jogador interessante, tal como foi bom ver Cicinho novamente a carburar pelo corredor. Jesus Navas continua sem esconder a razão porque não sai de Sevilha. Irregular nas decisões e na forma como assume o que tem de fazer. Produtividade é relativa, nele. Bom foi ver Baba, quase sempre esclarecido, o jogador que passou pelo Marítimo.

Prospecção: Jerson Cabral



Este jogador de ascendência cabo-verdiana foi uma das principais atracções da eliminatória de apuramento para a LC que opôs Feyenoord e D.Kiev. Interessante ver a forma desinibida com que joga, a margem de progressão que denota, fruto de uma irreverência e certeza que coloca em todas as acções. É raro vê-lo optar pelo passe sem antes tentar o 1 vs 1, de onde deriva normalmente para o centro do terreno (partindo pela direita), procurando penetrações interiores ou tentativas de finalização a curta ou média distância. Encara sempre o adversário e isso define o seu jogo. Finta curta, bola colada ao pé, difícil de roubar. Leque infindável de dribles. Se ganhar consistência na zona de decisão, vai ser um dos destaques desta Eredivise. Uma transferência para um clube maior parece assentar-lhe bem.



Nacionalidade: Holanda
Data de Nascimento: 03-01-1991 (21 anos)
Altura/Peso: 177 cm / 70 kg
Posição: Extremo Direito
Clube: Feyenoord

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12          Feyenoord          22(6)                  7
2010/11          Feyenoord          6(17)                  1

Prospecção: Ogihara



O apetite pelo mercado asiático começa a ser cada vez maior. Contudo, está a cair o mito que o mesmo se deve, apenas, a questões comerciais e de exponenciação de marketing. Exemplo disso mesmo é a selecção olímpica japonesa, cheia de jogadores com qualidade e que merecem um olhar mais atento. É o caso deste Ogihara. Jogador cerebral do meio-campo japonês, é um pêndulo de todas as acções das fases de jogo dos japonenses. Primeira referência na zona de construção, pé esquerdo de elevada qualidade, procura jogar prático e quase sempre bem. Joga a um, dois toques, mas gosta de se incorporar em acções ofensivas. Denota ainda uma cultura táctica e posicional interessante. Dada a sua idade e compleição física, aliada a uma margem potencialmente elevada, não deve demorar a saltar para a Europa.

Nacionalidade: Japão
Data de Nascimento: 05-10-1991 (20 anos)
Altura/Peso: 180 cm / 63 kg
Posição: Médio Defensivo
Clube: Cerezo Osaka (Japão)

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2012              C.Osaka                17                    1
2011              C.Osaka                13                    4

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Montpellier: Uma questão de identidade


Numa altura em que o futebol mundial vai sendo invadido pelas novas tendências económicas e desportivas, em que as empresas de investimento tomam posse dos clubes e investem neles, à procura de os tornar uma referência, esta é uma discussão que está muito em voga nos dias de hoje e faz algum sentido olhar para ela. Podia ser feita uma retrospectiva daquilo que está a acontecer em Málaga, onde os habitantes daquela cidade não esparariam ver o seu clube a ingressar na Liga dos Campeões, fruto do investimento do dinheiro árabe, ou do renascimento do gigante adormecido Paris St Germain que se assume actualmente como o clube mais poderoso do Mundo. É que já nem o Manchester City, recuperado pelo mesmo dinheiro árabe, parece ter andamento para as loucuras de mercado dos franceses e, estabilizou as suas compras, depois de ter gasto quase 500 milhões de euros, num espaço de tempo curto, naquilo que foi a expansão de um clube, então refugiado ao potencial e rendimento do rival de Manchester, o United.

Mas hoje, o que me leva a escrever, é uma questão muito delicada. Envolve investimento. Aposta na formação. Aposta no produto nacional. Boa gestão e organização. Factores fundamentais, claro, difíceis de dissociar da ideia do adepto de futebol, mas quase impossíveis de os interligar. O Montpellier, veio, na época passada, e num mercado com concorrentes de peso (PSG, Marselha, Lyon, Lille), dar um exemplo claro daquilo que pode ser a gestão bem operacionalizada de um clube de futebol.

Chegámos ao final e viu-se festa. O clube da cidade francesa, fundado apenas em 1974, sagrou-se pela primeira vez na sua história campeão de França, quando em 2009 andava pela 2ª divisão do campeonato. O presidente do clube apostou em Rene Girard para comandar a equipa e construí-la à sua imagem. Fundamentalmente deu-lhe tempo e liberdade para colocar o seu plano em prática. Desde logo a aposta no perfil de Girard, um ex-técnico das selecções jovens francesas, portanto um homem apto a trabalhar jovens talentos e poder rentabilizar o investimento feito nos mesmos.

Logo na sua primeira época, apostou, da formação do clube, em alguns jogadores que se viriam a revelar fundamentais para o seu sucesso. Foram eles Yanga-Mbiwa, Stambouli, Cabella e Belhanda e ficou logo no 5º lugar. No ano seguinte voltou a manter a aposta na prata da casa, tendo terminado numa modesta 14ª posição. A confiança e o crédito manteve-se. O perfil estava encontrado e era uma questão de tempo, acreditavam todos.

Nesta época que agora findou, o clube francês, dos 18 jogadores mais utilizados ao longo do ano, que lhe valeu o seu primeiro título francês, 7 foram produtos da formação do clube, 7 foram recrutados fora (como Giroud), mas os dois mais caros, juntos, custaram 4 milhões de €, e mais 4 reforços a custo 0. A base estava montada, e em termos de contratações, o plantel custou 7 milhões de € nessa época.


O onze titular era quase sempre o mesmo, com uma base bastante bem definida. O guarda-redes Jourdren era da formação do clube. Bocaly aparece no futebol senior no Montpellier. Yanga-Mbiwa, da formação, era o esteio defensivo. O interior Stambouli era outro produto da formação. Belhanda, Saihi e Ait-Fana, outros três produtos da formação. E as cartas todas lançadas na contratação de um jogador às divisões secundárias: Olivier Giroud, que aqui falei dele quando ainda se encontrava no Tours, tendo sido transferido este ano para o Arsenal.

O Montpellier fez um percurso impressionante, mesclando um plantel com experiência, e uma base jovem, irreverente, ambiciosa e de muita qualidade, e construiu um grupo sem grandes nomes, mas muito rendimento e, acima de tudo, bastante aceitação dos papéis de cada um, construindo uma filosofia e identidade bem patentes num trabalho fantástico do técnico francês Girard.

Construir um grupo vencedor está muitas vezes, ou quase sempre, associado aquilo que são os valores de grupo, aceitação dos seus elementos, e ambição dos mesmos. O Montpellier exempleficou na perfeição o que significa a mentalidade de um clube, direccionada para a sua identidade, que lhe permitiu, com tempo de espera, com confiança e com uma boa gestão e rentabilização de activos, fazer a Europa render-se aos seus resultados.

Prospecção: Jeremain Lens



Preparem-se para o grande ano de Jeremain Lens na Eredivise. Este holandês que apareceu no AZ Alkmaar, com Van Gaal, tem tido uma ascenção bastante interessante e que revela a margem de progressão que vem evidenciando. Este parece ser o ano do tudo ou nada para ele, no que a uma transferência para um clube de outra nomeada europeia diz respeito. Assume-se como uma das referências dos holandeses do PSV, a dar de Winaljdum e Toivonen, mas com características para poder jogar pelo corredor central no apoio a um jogador de área, mas especialmente nos corredores, em constantes movimentos e penetrações interiores. Tem uma velocidade de ponta, tanto em progressão com bola, como em movimentos de ruptura sem ela, forte na finalização e, essencialmente, muito forte fisicamente. É difícil pará-lo. Este é o seu ano. Vamos ver até onde pode chegar.



Nacionalidade: Holanda
Data de Nascimento: 24-11-1987 (24 anos)
Altura/Peso: 178 cm / 80 kg
Posição: Extremo Direito/Esquerdo/Avançado
Clube: PSV

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12             PSV                  46                   18
2010/11             PSV                  46                   13
2009/10         AZ Alkmaar           28                   16
2008/09         AZ Alkmaar            8                     1

Prospecção: André Claro



Este jovem formado no FC Porto está a crescer a pulso, no panorama das divisões secundárias em Portugal, e parece estar a fazê-lo de forma muito sustentada e com grande regularidade. Terminou a formação no dragão e à imagem de tantos outros, seguiu o seu caminho, sem ligação ao clube de sempre. Continuou pelo Norte, tendo despontado para o futebol dos adultos no Famalicão, com duas épocas onde se revelou uma das principais figuras dos nortenhos. Claro é um avançado moderno, com alguma robustez física, gosta de jogar nos corredores ou na frente de ataque. Procura bem o espaço, é veloz e com qualidade técnica para situações de um-contra-um. Deu o salto este ano para as ligas profissionais e promete um ano de estreia a grande nível. Não deve continuar muito mais tempo no anonimato.

Nacionalidade: Portugal
Data de Nascimento: 31-03-1991 (21 anos)
Altura/Peso: 179 cm / 71 kg
Posição: Extremo Direito/Esquerdo/Avançado
Clube: Arouca

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12         Famalicão              30                   10
2010/11         Famalicão              31                   14

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Prospecção: Kuca



As divisões secundárias da zona norte têm sido pródigas no lançamento de jogadores de valia para a primeira liga. Mais atenção deve ser dada, aqueles que de fora aparecem, e singram de imediato, fazendo chamar a atenção de outros nomes em relação às suas mais valias. É assim que se define Kuca. Extremo, ou apoio do avançado, a jogar pelo corredor central, é um autêntico desequilibrador, pela sua velocidade e leque de dribles. Tem feito a cabeça em água aos defesas com que tem jogado, e há quem garanta que não demorará muito a chegar à 1ª Liga. Parece ser um valor seguro, com muito futebol para dar a exigências mais altas. Ouviremos falar dele em breve.

Nacionalidade: Cabo Verde
Data de Nascimento: 02-08-1989 (23 anos)
Altura/Peso: 181 cm / 63 kg
Posição: Extremo Direito/Esquerdo/Avançado
Clube: Desp.Chaves

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12        Desp.Chaves         9(5)                   7
2011/12        Mirandela              14                      7
2010/11        Mirandela              17(10)               4

O outro fenómeno: Luc Nilis


Já ouviu falar em Luc Nilis? Ronaldo e Nistelrooy, dois dos melhores avançados de sempre do futebol, apresentam-no como um dos melhores com que já jogaram. Segundo ambos, foi o jogador que mais prazer tiveram em partilhar o ataque das suas equipas, a mesma, neste caso: PSV da Holanda. A verdade, é que tanto o brasileiro como o holandês tiveram uma carreira brilhante, enquanto Luc Nilis foi vivendo no anonimato, numa liga com menos expressão do que as outras, que lhe permitiu brilhar a grande altura e fazer crescer o rendimento dos seus companheiros.

Luc Nilis define-se numa só palavra: classe. Jogador de infindáveis recursos técnicos, jogava no ataque, mais solto, vagabundeando pela frente de ataque, apoiando os corredores e o elemento mais fixo da fase ofensiva. Tornou-se um jogador de trabalho, de criação de espaços, mas acima de tudo, de momentos mágicos. A sua sublime capacidade de execução valeram-lhe alguns dos golos mais bonitos marcados pela Europa nos anos 90. Aliás, o seu rendimento, fica patente nos números que atingiu.

Iniciou a carreira ao serviço dos belgas do Winterslag, saindo para o todo poderoso Anderlecht, onde se afirmou definitivamente e lhe valeu a transferência para o PSV. Foi nos holandeses que o seu futebol se tornou conhecido, atingindo números dignos de um dos melhores avançados da década de 90. Foi duas vezes melhor marcador do campeonato (1996 e 1997), e uma vez melhor jogador da Liga (1995). Quando a sua carreira prometia poder atingir uma expansão igual à dos companheiros que ajudou a brilhar, aquando da sua transferência para o Aston Villa, partiu a perna no 3º jogo e terminou a carreira. Actualmente é treinador das camadas jovens do PSV.


Nacionalidade: Bélgica
Data de Nascimento: 25-05-1967
Altura/Peso: 185 cm / 76 kg
Posição: Avançado

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2000               Aston Villa             3                      1
1994/00          PSV                     164                  110
1986/94          Anderlecht            224                  127
1984/86          Winterslag              47                   17

Melgarejo a lateral


Melgarejo impressiona. Tornou-se evidente, pela época que fez no Paços, que se trata de um jogador com muito para dar ao futebol português. No Benfica, encontra algo totalmente novo. Modelo de jogo. Disposição dos adversários. Exigência competitiva. Jesus reconhece-lhe o talento e tornou-o numa das polémicas de pré-época deste Benfica ao estar a querer torná-lo lateral esquerdo. Melgarejo não é um jogador muito forte tecnicamente, a nível da recepção e da condução. Também em termos de drible não é nada de especial. Contudo, é fortíssimo na velocidade, especialmente de ponta. Acelera bem, mas é com metros para correr que faz essa diferença. 

E, como extremo, no Benfica, poucas seriam as vezes que teria esse espaço, poucas as vezes que não jogaria 1x2, com superioridade para o adversário, e que teria espaço, sobretudo, para poder correr pelo corredor. A adaptação de Jesus parece formidável se, e se, o paraguaio for inteligente e conseguir reter com brevidade as noções defensivas e posicionais que terá de aprender, pode rapidamente assumir-se como  lateral esquerdo titular do novo Benfica. Jesus pode até não conseguir. Mas se o fizer, Melgarejo tem talento que sobre para se assumir como um dos melhores do campeonato naquele lugar, e ambicionar outros voos.