segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O outro fenómeno: Luc Nilis


Já ouviu falar em Luc Nilis? Ronaldo e Nistelrooy, dois dos melhores avançados de sempre do futebol, apresentam-no como um dos melhores com que já jogaram. Segundo ambos, foi o jogador que mais prazer tiveram em partilhar o ataque das suas equipas, a mesma, neste caso: PSV da Holanda. A verdade, é que tanto o brasileiro como o holandês tiveram uma carreira brilhante, enquanto Luc Nilis foi vivendo no anonimato, numa liga com menos expressão do que as outras, que lhe permitiu brilhar a grande altura e fazer crescer o rendimento dos seus companheiros.

Luc Nilis define-se numa só palavra: classe. Jogador de infindáveis recursos técnicos, jogava no ataque, mais solto, vagabundeando pela frente de ataque, apoiando os corredores e o elemento mais fixo da fase ofensiva. Tornou-se um jogador de trabalho, de criação de espaços, mas acima de tudo, de momentos mágicos. A sua sublime capacidade de execução valeram-lhe alguns dos golos mais bonitos marcados pela Europa nos anos 90. Aliás, o seu rendimento, fica patente nos números que atingiu.

Iniciou a carreira ao serviço dos belgas do Winterslag, saindo para o todo poderoso Anderlecht, onde se afirmou definitivamente e lhe valeu a transferência para o PSV. Foi nos holandeses que o seu futebol se tornou conhecido, atingindo números dignos de um dos melhores avançados da década de 90. Foi duas vezes melhor marcador do campeonato (1996 e 1997), e uma vez melhor jogador da Liga (1995). Quando a sua carreira prometia poder atingir uma expansão igual à dos companheiros que ajudou a brilhar, aquando da sua transferência para o Aston Villa, partiu a perna no 3º jogo e terminou a carreira. Actualmente é treinador das camadas jovens do PSV.


Nacionalidade: Bélgica
Data de Nascimento: 25-05-1967
Altura/Peso: 185 cm / 76 kg
Posição: Avançado

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2000               Aston Villa             3                      1
1994/00          PSV                     164                  110
1986/94          Anderlecht            224                  127
1984/86          Winterslag              47                   17

Melgarejo a lateral


Melgarejo impressiona. Tornou-se evidente, pela época que fez no Paços, que se trata de um jogador com muito para dar ao futebol português. No Benfica, encontra algo totalmente novo. Modelo de jogo. Disposição dos adversários. Exigência competitiva. Jesus reconhece-lhe o talento e tornou-o numa das polémicas de pré-época deste Benfica ao estar a querer torná-lo lateral esquerdo. Melgarejo não é um jogador muito forte tecnicamente, a nível da recepção e da condução. Também em termos de drible não é nada de especial. Contudo, é fortíssimo na velocidade, especialmente de ponta. Acelera bem, mas é com metros para correr que faz essa diferença. 

E, como extremo, no Benfica, poucas seriam as vezes que teria esse espaço, poucas as vezes que não jogaria 1x2, com superioridade para o adversário, e que teria espaço, sobretudo, para poder correr pelo corredor. A adaptação de Jesus parece formidável se, e se, o paraguaio for inteligente e conseguir reter com brevidade as noções defensivas e posicionais que terá de aprender, pode rapidamente assumir-se como  lateral esquerdo titular do novo Benfica. Jesus pode até não conseguir. Mas se o fizer, Melgarejo tem talento que sobre para se assumir como um dos melhores do campeonato naquele lugar, e ambicionar outros voos.

3 anos a falar de futebol


Este blog caminha para o seu terceiro ano de existência. Nem sempre, por motivos profissionais, foi possível mantê-lo actualizado com regularidade. Contudo, é muito interessante observar as estatísticas de visualizações, que dizem que mesmo quase um ano após o ultimo post escrito, o mesmo continua a ter uma média diária de visitas bastante interessante.

Um dos temas que me tem levado a escrever, é a prospecção de jogadores. Não necessariamente com algum critério de compra, para determinados clubes ou possibilidades, mas sim numa perspectiva global de olhar aqueles que pelo seu talento mais qualidade vão acrescentando no futebol actual. Interessante também, torna-se, esta lista de atletas que referenciei, e passados todos estes meses, onde estão, e de que forma, nos seus clubes. Vamos ver:

Dezembro 2009 falei em:

Gervinho do Lille. Está no Arsenal.

James Rodriguez, do Banfield. Actualmente encontra-se no FC Porto, como um dos mais cotados atletas da sua posição a nível nacional.

Alex Teixeira, do Vasco da Gama. Actualmente brilha na Ucrânia ao serviço do Shakthar.

Romelu Lukaku, do Anderlecht. Actualmente está no Chelsea.

Olivier Giroud, do Tours. Actualmente, e depois de ser campeão francês pelo Montpellier, transferiu-se para o Arsenal de Wenger.

Javier Hernandez, do Chivas. Actualmente é uma das figuras do Manchester United.

Rudnevs, do Zalaegerzseg. Actualmente está no Hamburgo da Alemanha.

Hazard do Lille. Novo reforço do Chelsea.

Lodeiro, do Montevideo. Actualmente no Ajax.

Aleksic, do Vojvodina. Actualmente encontra-se no St Etienne, histórico francês.

Doumbia, do Young Boys. Brilha pelo CSKA da Rússia.

Franco Jara, Arsenal Sarandi. Depois de Benfica, está no San Lorenzo.

Seferovic, Grasshopers. Actualmente está na Fiorentina.

Diego Lopes, juvenil do Benfica. Actualmente no Rio Ave.

Bruno Gama, Rio Ave. Reforço do Deportivo.

Yartei do Beira-Mar. Está no Sochaux de França.

Ruben Micael, Nacional. Está no Braga, depois de FC Porto e Atlético de Madrid.

Janeiro 2010 falei em:

Lucas Gaúcho, do São Paulo. Actualmente está no Espanyol.

Lewandowski do Lech Poznan. Brilha pelo campeão alemão Dortmund.

Bryan Ruiz do Twente. Cabeça de cartaz do Fulham de Inglaterra.

Djalma, do Marítimo. Actualmente no FC Porto.

Maio 2011 falei em:

Rudy, do Atlético CP. Brilha no Cercle Brugge da Bélgica.

Adriano, U.Madeira. Titular do Gil Vicente.

domingo, 5 de agosto de 2012

Prospecção: Avto


Atenção a este georgiano a jogar em Portugal. Veio para o nosso país aos 16 anos, e os problemas burocráticos adiaram a expansão deste talento não só em Portugal, como posteriormente em Espanha, onde esteve próximo de assinar pelo Getafe. Joga pelos dois flancos, é extremamente veloz e com um capacidades técnicas muito interessantes, gosta de assumir o jogo e chamar a si as decisões de um desafio. Este ano na Oliveirense, pode começar a sua ascenção.

Nacionalidade: Geórgia
Data de Nascimento: 03-10-1991 (20 anos)
Altura/Peso: 178 cm / 67 kg
Posição: Extremo Direito/Esquerdo
Clube: Oliveirense

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2011/12         Juv.Évora              27                     2
2010/11         Esp.Lagos           15(2)                  4

terça-feira, 31 de julho de 2012

Prospecção: Kensuke Nagai


Confesso que não me entusiasmava tanto por um jogador há algum tempo. Japonês da selecção olímpica, dizimou a defesa espanhola, e fez o mesmo contra os marroquinos. Tem um poder de aceleração fantástico, ao nível de top mundial. Para além da velocidade é muito agressivo sobre a bola, bom tecnicamente, e com um poder de resistência física fora do normal. Chega facilmente a zonas de finalização. Aposta muito interessante para qualquer equipa europeia.


Nacionalidade: Japão
Data de Nascimento: 05-03-1989 (23 anos)
Altura/Peso: 177 cm / 74 kg
Posição: Extremo Direito/Esquerdo/Avançado
Clube: Nagoya Grampus

Histórico:

Época               Clube               Jogos               Golos
2012         Nagoya Grampus      20(5)                  9
2011         Nagoya Grampus      13(21)                5

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Como jogou o Porto no Mónaco




Em pressão alta, com bloco subido e procurando recuperação de bola o mais rapidamente possível. Lembrando o que aqui escrevi sobre a forma como jogou o Real Madrid e em comparação...


"O Barça dava largura máxima, parecia quase uma equipa de futebol de 7 a sair desde o pontapé de baliza. Essas eram as duas únicas opções que o Real deixava livre, os 2 centrais. A partir daí, fechada todas as linhas. Não em basculação defensiva, mas sim subindo as várias linhas de pressão."


O Porto não. Procurava imediatamente subir os seus médios de forma a pressionar a saída de bola a partir do corredor central. Kléber saia ao central de um lado, quando havia variação, ou Guarín ou Moutinho pressionavam imediatamente tentando reduzir o tempo de decisão e procurando o erro. Boa estratégia e pensamento do treinador procurando que a bola fosse chegando consecutivamente em condições desfavoráveis aos médios do Barça. E também ao contrário do que fez o Real, o Porto defendeu em basculação defensiva, não jogando ao homem e anulando as opções através do homem, procurando através do espaço. Aqui o Barça sentiu-se mais à vontade pois o Porto procurou retirar profundidade, mas o Barça imprimiu largura, colando Dani Alves e Pedro em cima da linha lateral, obrigando o Porto e o seu bloco defensivo, caso os movimentos de equilíbrio não fossem suficientemente rápidos, a dar espaço para penetração através desse corredor.


"O Real procurou ganhar sempre a bola o mais à frente possível pois só assim conseguiria retirar metros e espaço para pensar ao Barça. O Barça é a melhor equipa do Mundo a jogar sob pressão. Mas sentiu muitas dificuldades. Erraram alguns passes (coisa rara) em transição e em organização. O Real recuperou muitas bolas dentro do meio-campo do Barça através da sua 2ª e 3ª linha de pressão."


O Porto não o conseguiu. Enquanto o Real procurou recuperar em todas as zonas do campo, dando menos ênfase ao corredor central em transição (defesas centrais), focando a sua área nos jogadores seguintes, da 2ª fase de construção, procurando então o desequilíbrio defensivo que o Barça poderia ter através da recuperação da 1ª zona de construção do Barça, o Porto tentou anular logo essa 1ª zona, pressionando os centrais, o que deixou a equipa mais exposta, menos junta, o que acabou também por dar mais espaço ao Barça para sair. Mesmo que o primeiro passe saia deficitário (o que aconteceu algumas vezes), a superior capacidade técnica e de movimentação de Dani Alves, Xavi, Iniesta, resolveriam os problemas.


"O difícil de tudo isto foi a forma como os jogadores se conseguiam manter próximos e com grande equilíbrio entre si. Raramente se desposicionaram. Quando recuperavam havia rapidamente junto a si várias opções de passe para sair rápido em ataque rápido."


O Porto também não o conseguiu. A linha defensiva esteve subida, mas a saída em pressão de um dos médios interiores, acompanhando o movimento do avançado, fez com que os extremos do Porto, o seu 6, e o outro interior, estivessem algo longe desses 2 primeiros elementos na saída de pressão. Foi uma zona desarticulada e sobretudo longíncua, o que fez com que sempre que houve recuperação de bola, em vez de passe de ruptura ou em apoio frontal, ou penetração, tenha existido quase sempre uma temporização, ou para trás, ou para o lado, o que fez com que o Barça rapidamente se posicionasse.

PS1: Não quero com este post dizer que o Porto deveria ter jogado como o Real, mas sim realçar que dentro do mesmo princípio, podem haver várias formas de o interpretar, através dos seus sub-princípios, e colocar em práctica a estratégia posicional dessa forma de jogar. A estratégia das equipas é sempre diferente, porque os jogadores são diferentes, as características diferentes, as necessidades diferentes, as armas e respostas diferentes, tudo isso diferente, mesmo defendendo as mesmas formas de jogar.

PS2: O Porto precisa de um avançado de topo, no imediato. Mesmo que Kléber venha a ser, daqui por 1 ou 2 anos, um grande avançado do nosso campeonato.

domingo, 21 de agosto de 2011

Onde estão e onde estarão...


Num país onde o talento nasce de dia para dia, o Brasil volta a ser campeão mundial de sub-20. Vamos para o plantel dos últimos vencedores pelo Brasil da segunda competição mais importante da FIFA.

2003:

Jefferson (Botafogo)
Dani Alves (Barcelona)
Alcides (Dnipro)
Adaílton (FC Sion)
Daniel Carvalho (Atlético Mineiro)
Dudu Cearense (Atlético Mineiro)
Adriano (Barcelona)
Juninho (Daegu depois de passagem pelo Nacional da Madeira)
Jardel (Caldense, passagem pelo Estrela e Penafiel)
Nilmar (Villarreal)
Kléber (Palmeiras)
Fernando (Ceará)
Andrey (Criciuma)
Coelho (Karabukspor)
Gabriel Santos (América Mineiro)
Renato Silva (Vasco)
Carlos Alberto (Góias)
Andrezinho (Internacional)
Fernandinho (Shakthar)
Dagoberto (São Paulo)

PS: Não se espantem os leitores que daqui por 8 anos, dos 28 jogadores que hoje disputaram a final do Mundial sub-20, apenas se lembre dos nomes de Mika, Danilo (Brasil), Philippe Coutinho, Óscar e Nelson Oliveira.

Abram alas para...


Nelson Oliveira, o melhor jogador da selecção nacional sub-20, vice-campeã mundial, ele que foi bola de prata da competição e o melhor marcador de Portugal com 4 golos. Jogadores com as suas características e sobretudo qualidade, terão o futuro que quiserem. Nelson vai chegar ao plantel principal do Benfica e com atenção ao talento que tem, o Benfica, dentro de alguns anos, será curto para ele.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A pressão alta em Camp Nou


Devia ser escrito um livro sobre a primeira parte do Barça-Real para a Supertaça Espanhola para entrar nos manuais de como defender alto, próximo, de forma sufocante, anulando opções do adversário, e saindo quase sempre em superioridade numérica para o contra-ataque! E a grande dificuldade está aqui.

Já ouvi muitos treinadores dizerem que jogar em pressão alta com o Barcelona é suicídio, porque eles conseguem arranjar facilmente soluções e se está a desproteger a zona defensiva e a dar espaço entre-linhas para os grandes criativos do Barça se superiorizarem.

Mourinho foi genial. O Barça dava largura máxima, parecia quase uma equipa de futebol de 7 a sair desde o pontapé de baliza. Essas eram as duas únicas opções que o Real deixava livre, os 2 centrais. A partir daí, fechada todas as linhas. Não em basculação defensiva, mas sim subindo as várias linhas de pressão. 1ª - Benzema e Ozil. Com o francês a sair sempre à zona da bola no primeiro passe e o alemão a tentar dificultar imediatamente na recepção do portador quando havia passe vertical, a procurar progressão. 2ª - Di Maria, Ronaldo, Khedira e Xabi Alonso com uma diferença: nos corredores laterais, procuraram antecipação, agressivos (Dí Maria nos primeiros minutos ganhou algumas bolas) Khedira e Alonso no corredor central mais em contenção, não deixando virar, procurando evitar que Xavi ou Iniesta tivessem tempo para pensar. 3ª, junto ao meio-campo, de igual forma. Sérgio Ramos e Coentrão agressivos e procurando antecipar. Carvalho e Pepe igual.

O Real procurou ganhar sempre a bola o mais à frente possível pois só assim conseguiria retirar metros e espaço para pensar ao Barça. O Barça é a melhor equipa do Mundo a jogar sob pressão. Mas sentiu muitas dificuldades. Erraram alguns passes (coisa rara) em transição e em organização. O Real recuperou muitas bolas dentro do meio-campo do Barça através da sua 2ª e 3ª linha de pressão.

O difícil de tudo isto foi a forma como os jogadores se conseguiam manter próximos e com grande equilíbrio entre si. Raramente se desposicionaram. Quando recuperavam havia rapidamente junto a si várias opções de passe para sair rápido em ataque rápido. E aqui o princípio de Mourinho preconizado em treino é muito difícil de se parar.

Mesmo em pressão e garantido o equilíbrio - o tal homem dos equilíbrios - (ler este post de Maio http://vidadofutebol.blogspot.com/2011/05/tera-mourinho-errado.html), o jogador próximo do centro de jogo era rapidamente solicitado aquando da recuperação de bola procurando ser ele a decidir o lançamento do ataque rápido desposicionando a cobertura ofensiva do Barça e explorando alguma má organização da última linha do Barça (o que acontece muito poucas vezes).

O Barcelona dando muita largura fez com que os seus jogadores estivessem algo afastados, e quando procuravam os apoios para progredir, aproximando-se, fossem rapidamente abafados pela zona de pressão do Real, procurando a antecipação.

Ainda hoje li um texto sobre a questão da pressão alta e este jogo no dia de hoje fez todo o sentido. Sem dúvida que o principal para se efectuar é haver uma boa ocupação do espaço e proximidade entre sectores e linhas. É o mais importante pois permite a cada jogador correr menos, mas de forma mais eficiente. Contudo nesta altura da época, a dimensão física é fundamental, e estar em grande ritmo na fase defensiva e ofensiva do jogo, torna-se papel extremamente difícil. O tempo que o Real aguentou fazê-lo, foi a melhor equipa a jogar contra este Barcelona que me lembro de ter visto jogar.

PS: Claro que numa equipa onde pontificam jogadores como Messi, Iniesta e Xavi, por muito que se jogue bem, por muito que se cresça tacticamente, por muito bons que também se seja, é quase missão extra-terrestre superiorizar-se a eles.

PS2: O Real precisa urgentemente de um avançado de classe Mundial. Hoje tinha feito golos em Camp Nou e a Taça era de Mourinho.

PS3: Estou farto de ver Busquets e Dani Alves constantemente no chão a pedir faltas e cartões. De ver Messi a chutar bolas para longe e a enervar os adversários. E de ver o Barça a vitimizar-se.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O erro na posição 6 de Jesus


Em transição defensiva. E vão 3 anos que a equipa sofre golos, ou se desequilibra, sempre da mesma forma. E quem estuda bem o Benfica de Jesus, torna-se fácil explorar uma das poucas debilidades notórias que tem dentro do seu modelo de jogo. Continuo a defender que o erro é seu, porque apesar da forma como estuda e entende a fase defensiva, no momento da transição defensiva, o princípio que escolhe, apesar de ser acertado, é muito difícil de colocar em prática.

Fruto do envolvimento ofensivo dos laterais, em transição defensiva, Javi equilibra a linha de 4 na zona em que falta um jogador (normalmente o defesa lateral). É difícil equilibrar rápido e sair da mesma forma ao portador da bola conseguindo fechar rápido o corredor central e garantir proximidade e cobertura defensiva correcta. Jesus consegue-o. Continua sem o conseguir é equilibrar a zona 6, de onde saiu Javi. Normalmente porque a velocidade do contra-ataque é elevada. Javi não é propriamente veloz. E demora eternidades alguém a equilibrar a zona 6. E o golo do Twente hoje acontece novamente fruto disso (lentidão de Javi, ou alguém, a fechar o espaço 6 próximo dos centrais).


szólj hozzá: Twente 1-0 Benfica

É pena não dar para ver no vídeo o momento anterior em que o Benfica tentava o ataque rápido. Com um passe vertical o Twente consegue ultrapassar as 2 primeiras linhas de pressão do Benfica. Em apoio frontal os holandeses conseguem situação de 3x4. Impensável. Maxi aberto permitiu espaço. E Javi foi muito lento a recuperar e estar próximo dos centrais (movimento fundamental em organização defensiva). E a linha de 4 defensiva nem estava com muitos metros atrás de si. Demoraram os 4 jogadores a fechar o corredor central. Errou no posicionamento Javi que permite que o jogador do Twente receba de frente para os 2 centrais, no corredor central. E erra também Luisão que abre espaço interior para a penetração ou o remate como se viu. Tentando remediar o erro primário de Maxi, não pode nunca descurar a proximidade do outro central, no caso Garay. E Luisão fê-lo.

Desconcentração e erro básico que a outro nível ditaria certamente muitas dificuldades do Benfica frente a um adversário frágil como os holandeses desta noite.

domingo, 14 de agosto de 2011

Uma estreia nada especial


A pouca irreverência dos jogadores ofensivos não explica tudo. Ver este Chelsea foi como ver uma equipa bem organizada, forte no passe, mas lenta, pragmática e sem capacidade de encontrar soluções na zona de decisão. Sempre sem recursos, sem ideias...

Uma organização ofensiva capaz a nível posicional mas muito fraca em termos de mobilidade. Tanto que nem foi possível perceber a quem assistiu ao encontro descortinar que tipo de combinações tácticas o Chelsea fazia. A pouca capacidade dos laterais penetrarem com qualidade, aliada a uma zona de construção sem irreverência, sem lances de rasgos, sem capacidade para penetrar na última linha defensiva do Stoke.

A nota da estreia é negativa para Villas Boas. Mas não só porque este Chelsea precisa urgentemente de um extremo e de um avançado de classe mundial.

Jeffrén e Nolito: Levem a bola para casa


Os processos são em tudo idênticos. A formatização dos extremos da cantera do Barcelona é centrada nisto. Desengane-se o leitor que pensa que o título reproduz algum sentimento negativo quanto ao individualismo dos dois jogadores. Errado. Centramos sim a nossa visão na casa pródiga do jogo de futebol, o corredor central, onde os 2 espanhóis definem como meta quase todos os seus lances.

Jeffrén terá certamente um espaço de claro destaque no Sporting. Mais do que Capel, sem qualquer tipo de dúvida. E talvez mais do que qualquer outro jogador do actual plantel dos leões, apenas a par do rendimento grande que certamente Domingos saberá retirar de Izmailov e Rinaudo.

A forma como o jogador dos leões desenvolveu o seu futebol hoje frente ao Olhanense deixou os adeptos do Sporting, certamente, com um grande sorriso. O corredor central não é a sua casa de partida mas a sua finalidade. Procurou-o vezes sem conta. No entanto é capaz também de oferecer verticalidade e largura. Velocidade de ponta, grande aceleração. Certamente que o Sporting há muitos anos não tinha um extremo com esta qualidade. Arrisco-me mesmo a dizer desde a vaga Quaresma/Ronaldo/Nani.

Já Nolito, sem a velocidade de ponta do leão, continua a assumir-se como um dos grandes destaques do Benfica. O corredor central e a facilidade com que executa no mesmo, são estonteantes. Já se sabe que quando Nolito recebe aborda a penetração. Vira-se sempre para a baliza e vai para cima. Aí procura o apoio frontal, lateral, ou a cobertura ofensiva. Raras vezes o drible como Jesus até já quis fazer crer. Mas quando o faz, também é difícil de parar. Acima de tudo é a sua intensidade, dinâmica e constante capacidade de mobilidade que fazem a diferença.

PS: Por falar em Mobilidade, um princípio fundamental na fase ofensiva do jogo, alguém me explica se o meio-campo da selecção nacional de sub-20 com Júlio Alves, Pelé e Danilo conhece esse princípio?