terça-feira, 26 de julho de 2011

Prospecção Nacional (Defesas) - Luis Dias


Luis Dias (Atlético CP)

Idade: 30 anos
Peso: 73kg
Altura: 176cm
Nacionalidade: Português

Depois de formação no Odivelas, com passagem pelos Juniores do Sporting, Luis Dias tem construído uma carreira em crescendo e que atingiu o seu auge no histórico da Tapadinha. Na temporada passada foi uma das grandes figuras dos alcantarenses na subida à Orangina e promete ser, de toda a prova, um dos jogadores em maior destaque.

Ambidestro, joga como lateral direito ou esquerdo, com igual competência. Jogador de grande rotação e intensidade, muito veloz, agressivo, culto tacticamente e com grande poder de antecipação, fruto da sua capacidade de aceleração. Tecnicamente é um jogador dotado, capaz de jogar no um contra um e desequilibrar em penetração ou procurando os apoios frontais.

Já jogou na Roménia, ao serviço do Gloria Buzau. Aos 30 anos e pelo futebol que apresenta poderá ter uma época de grande nível na Liga Orangina.


Relembrar...

Este blog já leva mais de 2 anos, e foram muitos os jogadores de quem falei na secção de Prospecção Nacional e Internacional. Vou tentar fazer um apanhado para relembrar a altura em que falei dos mesmos, e onde se encontram de momento.

Bony Wilfried, (Jan 11) - Sparta Praga para Vitesse

Robert Lewandowski, (Jan 10) - Lech para Dortmund

Ben Khalifa, (Jan 10) - Grasshopers para Wolfsburg

Seferovic, (Jan 10) - Grasshopers para Fiorentina

Franco Jara, (Dez 09) - A.Sarandí para Benfica

Doumbia, (Dez 09) - Young Boys para CSKA

Rudnevs, (Dez 09) - Zalaegerzseg para Lech

Javier Hernandez, (Dez 09) - Chivas para Man Utd

Dejan Lekic, (Dez 09) - Red Star para Osasuna

James Rodriguez, (Dez 09) - Banfield para FC Porto

Lodeiro, (Dez 09) - Nacional para Ajax

Formica, (Dez 09) - Newells para Blackburn

Otamendi, Velez para FC Porto

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A Orangina (Belenenses)


O Belenenses volta a ter uma época onde só pode ser candidato à subida. Pelo seu historial, pela experiência do técnico, por grande parte do plantel ser transitório do ano anterior, e pelo investimento feito.

Ainda assim é uma equipa com lacunas, sem grandes rasgos criativos e ainda com muito trabalho pela frente. Nomeadamente em organização ofensiva são poucas as opções mecanizadas pelos jogadores, ainda à procura de conseguir aumentar o seu nível exibicional em relação a momentos anteriores.

Na baliza Coelho, emprestado pelo Paços de Ferreira, deverá ter tarefa difícil perante a concorrência do brasileiro Paulo César. No sector defensivo, Pedro Ribeiro, ex-Trofense, com formação no FC Porto, pode ser um dos líderes do grupo. Jogador de qualidade. Léo Kanu ex-Benfica não me parece que venha a ser opção. Fraco tecnicamente, denota problemas posicionais, é também lento de movimentos. Faz valer a sua estrutura física (1,96 cmg e 88kg) e pouco mais. André Pires, um dos produtos de mais valia da formação do Belém, tem ainda muito que trabalhar para ser uma opção clara do onze. Até para explicar isso o Belém acaba de garantir Igor Pita (ex-Nacional, Beira-Mar e Marítimo).

No sector intermediário, Rodrigo António, ex-Marítimo, pode assumir um papel de destaque, denotando ainda assim os problemas de dinâmica e intensidade de jogo que faz com que o Belém em transição ofensiva pareça uma equipa lenta sempre que a 1ª fase de construção começa na sua zona de acção. Zázá quanto a mim seria uma opção mais forte para o lugar de 6. Celestino e Miguel Rosa são dois jogadores para outras andanças e vão assumir papel fundamental na equipa.

Ofensivamente, atenção à irreverência e velocidade do ex-Junior Ricardo Viegas, mas será na já experiência de azul de Fredy e Abel Camará que o Belém procurará resolver problemas. Os reforços Tomané (ex-Sporting e Tourizense) e Maranhão procuram ser opções claras para o técnico José Mota.

À partida parece-me que as possibilidades de subida dos azuis do Restelo não são as maiores, ainda assim, a aposta na juventude portuguesa, aliada à experiência do seu treinador, fundamental para estas divisões, podem valer uma surpresa no final da temporada.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O desarticulado campo curto do Benfica


"Defensivamente fomos muito mais capazes. Chegaram alguns jogadores que actuam nas devidas posições e isso notou-se".

A frase é de Jorge Jesus em comentário ao jogo de apresentação frente ao Toulouse.

Não concordo em nada com o treinador do Benfica. A equipa encarnada continua com muitos problemas no seu sector defensivo e esses mesmos problemas dependem exclusivamente das opções do técnico. E continua a ter 2 pontos chaves: falta de redução de espaços entre-linhas e pouca capacidade posicional da linha defensiva.

Se a importância de Javi Garcia na posição 6 era extrema, e continua a sê-lo, facilmente percebemos que não há nenhum jogador na equipa do Benfica capaz de compreender a necessidade posicional que um 6 de um sistema totalmente balanceado para o ataque e com os laterais a oferecer constante profundidade tem de ter.

O 6 neste Benfica tem de ser aquilo que é o médio espanhol. Um jogador de contenção, inteligente na fase ofensiva, que procure muitas vezes fazer uma linha de 3, com os laterais a fazer campo grande, mas essencialmente que em transição defensiva procure equilibrar a linha de 4, reduzindo os espaços no corredor central.

Quem vê este Benfica em transição defensiva é como ver um mapa da batalha naval com as águias a mostrar-nos a zona onde estão os submarinos. Nestes jogos de pré-época, qualquer que seja o jogador criativo da equipa adversária que consiga penetrar no corredor central, vê um Benfica demasiado preocupado em correr para trás, e pouco preocupado em fazer a saída ao portador da bola, fechando o corredor central, e eliminado as suas linhas de passe em rotura.

Chega a ser confrangedor o distanciamento que a linha defensiva tem do seu 6, ou do primeiro jogador que em transição defensiva venha a ocupar o espaço deixado pelo mesmo (entramos novamente no erro constante da época passada).

Olhando para o jogo de hoje com o Toulouse, percebe-se o porquê de Emerson ter feito, em todo o jogo, talvez, duas ou três recuperações de bola. O seu posicionamento esteve ao nível de qualquer Escola ou Infantil de um clube da AF Lisboa. Nunca fechou o corredor central. Raramente dobrou em cobertura defensiva o central do seu lado. Poucas vezes ganhou, pela inteligência, a posição. Hoje contra Hulk ou Varela o resultado era favorável em 9 em cada 10 arrancadas para os portistas.

1- Jesus tem de perceber rapidamente que Matic não é opção para a posição 6, apesar de ser um óptimo reforço, não tem cultura posicional defensiva para desempenhar papel tão importante de um sistema como este.

2- Emerson vai a tempo de melhorar, e muito, claro! Mas se Jesus dizia que ele valia pela sua capacidade defensiva, então nem preciso de ver mais nada do mesmo ofensivamente (Nem um treino fez, porque jogou? Com tempo parece-me ter potencial).

3- André Almeida não faz nada de correcto ao longo do tempo que está em campo. Vai ficar no plantel?

4- Este post não pretende justificar a falta de criatividade ofensiva e de opções que os jogadores detêm em campo na zona de decisão.

5- Javi García, Gaitán, Aimar, Witsel e Nolito são os 5 pilares do Benfica de momento. Se lhes juntarmos, Luisão, Garay, Maxi, Capdevilla, sobra apenas um elemento de campo para o onze. E eu apostaria ou Jara, ou Saviola.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A Orangina (Leixões)


Leixões - A força dos Bebés

O Leixões é, apesar da permanência ao longo dos anos pelas divisões secundárias do nosso futebol, um dos clubes mais acarinhados do norte do país. Uma força que os seus responsáveis quiseram agora recuperar com a aposta clara em produtos da casa. E com uma política que deveria ser seguida por alguns dos grandes. Se não reparem:

Para a baliza, tem 2 portugueses, formados no Leixões, e um brasileiro, Waldson, 21 anos, que se acredita poder ser uma mais valia. Sector defensivo conta com Zé Pedro e Paulinho (20 anos, vieram dos Juniores do clube depois de toda a formação no FC Porto), Nuno Silva (7 anos de casa), Nélson Sampaio e Sequeira (produtos dos Juniores do clube, resultantes da aposta do Dep. Prospecção) e Joel, aos 31 anos, com toda a formação no Leixões. Hanin, ex-jogador do Le Havre e William, recrutado ao Boavista, são os 2 estrangeiros do sector defensivo.

O sector intermediário é também elucidativo. Capela foi recrutado ao Milhoeirense. André Carvalho ao Varzim. Jean Sony cumpre o 4º ano de clube e Tiago Borges o 2º depois de formação no FC Porto. Pedro Santos recrutado ao Casa Pia continua a experiência em Matosinhos, a passo que Paulo Tavares, João Patrão e Pedro Seabra fizeram toda a formação no clube a que se junta o ex-junior Luís Silva.

Wesllem foi recrutado ao Penafiel. Diego Mourão ao Vizela e Hernâni ao União da Madeira. Fangueiro, produto da casa, continua, tal como Tiago Cintra, que fez toda a formação no Leixões até sair enquanto Juvenil para o FC Porto. João Beirão é outro ex-Junior com formação nos bebés.

No final do ano faremos contas.

O que nos diz a experiência da saúde financeira do Porto

Confesso que foi com alguma surpresa que vejo o FC Porto confirmar a contratação de Danilo por um valor de 13 milhões de €. Da mesma forma como ficarei surpreendido quando confirmarem oficialmente a compra de Alex Sandro por 9,5 milhões de €. Com isto, o FC Porto gasta quase o mesmo, com dois jogadores para o sector defensivo, que, por exemplo, o Benfica pagou por Witsel, Enzo Pérez, Bruno César e Garay... juntos!

Pode ser uma nova forma de o Benfica abordar as guerras de verão com os azuis e brancos. Inflacionando o passe de jogadores que, do meu ponto de vista, em nada viriam acrescentar mais valias desportivas aos encarnados.

Mas vai uma aposta que até final do Mercado o FC Porto igualará, ou mesmo duplicará, em vendas, o valor que agora dispendeu? Nomes: Álvaro Pereira, Cristian Rodriguez e Fucile. Secalhar Falcão.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Urretaviscaya


Testes a sério. Este não foi o primeiro. O primeiro acontece na Luz, num dia de chuva, sem extremos disponíveis, e com o uruguaio a rubricar uma grande exibição frente ao FC Porto. Hoje voltou, pela segunda vez, desde que Jesus é treinar, a integrar-se num grupo já rotinado e com experiência, excepção feita a Bruno César.

Tem sido uma odisseia a carreira de Urretaviscaya na Luz. Se o primeiro empréstimo ao Peñarol é discutível, o segundo ao Deportivo compreende-se e aplaude-se, novo empréstimo ao Peñarol é não mais se não voltar a atrasar a adaptação europeia do jogador. No meio desta indefinição, com o Benfica ao barulho, também, brilha pelas selecções jovens do Uruguai.

Novamente no Benfica, e numa pré-época carregada de jogadores, um dos destaques tem de ser ele. Pela diferença que trás à equipa. É o único extremo do plantel. Extremo na verdadeira acepção da palavra. Jogador vertical, de corredor lateral, predominância clara de linha, procura da linha de fundo e capacidade de servir os colegas na área.

Poucos existem na equipa com a sua velocidade. Ainda por cima Urreta vem mostrando também uma grande capacidade de jogar ao primeiro toque e procurar acelerar o processo ofensivo. Em transição está-se a revelar também importante pela forma como consegue rapidamente descortinar uma boa opção (a imaturidade leva-o por vezes a perder algumas bolas por ser prático nas suas acções).

Se compreendo a vinda de Witsel, claramente necessário, até pelo jogador que é, se Enzo Pérez é um jogador claramente mais, de qualquer equipa, já não se pode perceber a não permanência do uruguaio no plantel. Porque em qualquer que seja o sistema, ele cabe. Até porque é o único do plantel com características únicas para dar largura e profundidade ao jogo da equipa pelos corredores laterais. E se Jesus o pede em várias fases do jogo, tem de ter alguém que o faça.

Aimar é dono do 10. Witsel espreita, também podendo jogar na direita. Gaitán faz os 4 lugares ofensivos. Bruno César (que vem decrescendo) idem. Nolito na esquerda. Enzo Pérez na direita e também a 10. E Urreta, diferente de todos, ou na direita ou na esquerda. Há lugar para todos e tem de haver espaço para o uruguaio.

domingo, 17 de julho de 2011

Guadiana dia 3


- Dois Benficas. Um a partir de Witsel e Matic para a frente, e destes para trás. Uma linha ofensiva com qualidade técnica muito acima da média (o facto de não jogar Cardozo dá outra mobilidade e outra qualidade de movimentação à fase ofensiva do Benfica), com bons apontamentos, bom entendimento, bons lances, e uma linha defensiva fraca, para além de não ter rotinas a falhar situações básicas de ocupação de espaço.

- Urreta acaba por ser o melhor da segunda metade. Muito veloz, um quebra-cabeças para a defesa belga, apesar de algumas más decisões que resultaram em perdas de bola, fez um bonito golo, criou dois ou três lances de perigo para a sua equipa. Assim não se entende o seu empréstimo. Tem de ficar.

- David Simão adaptado não pode dar mais do que aquilo. Ainda assim, certinho, excelente lance na assistência para o golo de Urreta.

- Nolito e Aimar algo afastados do jogo. Ainda assim bons apontamentos quando chamados a intervir. Bruno César viu-se mais em decisões erradas do que outra coisa.

- Artur mostrou o que falei no outro dia. Lento de movimentos e pouco capaz no 1x0. Assim se viu no primeiro e segundo golo dos belgas. De qualquer forma seguro e sereno nas restantes vezes que foi chamado a intervir, muito bem em algumas acções na 2ª parte.

- André Almeida é muito fraco. Continua a fazer quase tudo mal. A atacar e a defender (inexistente). E Wass?

- Matic é reforço, já se sabia. No 4-4-2 que o Benfica apresentou na primeira parte ganha outra capacidade em progressão por não jogar a 6. No 2º tempo a sua capacidade física e inteligência posicional fizeram com que recuperasse inúmeras bolas.

- Witsel sem bola é um dos melhores dos últimos anos da Liga. Fantástico na cobertura ofensiva e equilíbrio, recuperou muitas bolas na primeira zona de construção dos belgas, tecnicamente dotado, muito bom na forma como protege a bola em progressão. É craque!

- Enzo Perez fez os melhores 45 minutos da pré-época. Muito veloz, aqui e ali com uma ou outra má decisão, mas outro portento físico para Jesus explorar.

- Gaitán é isto. Muita classe, excelente visão e leitura. Bons apontamentos ao nível do passe. Parece quase desaproveitado encostado ao corredor lateral.

- Jara tem de melhorar urgentemente no primeiro toque e depois será um dos melhores do Benfica. Saviola continua muito preso de movimentos, lento e pouco astuto nas decisões. De qualquer forma, capacidade de movimento e leitura posicional ao nível dos melhores do Mundo.

Ídolos: Fábio Coentrão


A vida e história de Fábio Coentrão serve, nos dias de hoje, como um exemplo para todos aqueles que um dia aspiram ser jogadores profissionais de futebol. Olhando para o seu trajecto e para o quase esquecimento que foi alvo, em determinada altura da sua carreira, a verdade é que graças ao seu esforço e dedicação tornou-se num dos melhores laterais esquerdos do futebol mundial.

Foi em 2004, ainda com 16 anos, que Carlos Brito o lançou na primeira divisão ao serviço do seu clube de sempre, o Rio Ave. Sendo então um extremo, de inegáveis recursos técnicos e uma imensa criatividade no seu pé esquerdo, foi na época seguinte que se afirmou na Liga de Honra, tendo saído em 2007 para o Benfica, falando-se com alguma insistência, na altura, numa transferência já certa para o Sporting, e dias depois, com o Chelsea a intrometer-se na jogada.

A verdade é que Coentrão, um extremo irreverente, veloz, não teve espaço (fez apenas 2 jogos como titular) num Benfica à procura de títulos e sem espaço para experiências, foi emprestado em Janeiro, nessa época ao Nacional, onde se destacou como titular e uma das figuras dos insulares, tendo realizado inclusivamente uma exibição de sonho no Dragão onde fez 2 golos.



A experiência seguinte passou por novo empréstimo, desta vez aos espanhóis do Saragoça, recém promovidos à Liga BBVA. E aqui, muitas dúvidas se colocaram sobre a sua possibilidade de singrar ao mais alto nível. No seu primeiro teste de fogo, vacilou, nada jogou, e em Janeiro estava de regresso ao seu clube de sempre, o Rio Ave, para novo empréstimo. Em Espanha falava-se de pouca capacidade de sacrifício, muitas saídas nocturnas, saudades de casa, e Coentrão regressou.

Poucos jogos realizou completos, apesar de novo golo no Dragão (tendo apontado mais 2 na Liga em 16 jogos) e a dúvida mantinha-se. Os bons apontamentos eram evidentes mas até que ponto estaria preparado para o mais alto nível?

Em 2009/10, tudo muda. O seu interesse em regressar ao Benfica até nem era muito, pois acreditava que poucas oportunidades teria, mas tudo Jesus mudou. Coentrão foi aposta como reserva do argentino Dí Maria e o Benfica ganhava uma ala esquerda terrível. Foram vários os jogos que o caxineiro entrou já com as defesas adversárias desgastadas e partia a loiça toda, como se diz na gíria.



Começava a ser curto para tanto futebol apresentado o papel de 2ª escolha e Jesus começou a pensar numa forma de conciliar Dí Maria (na sua melhor época de sempre) e Coentrão no onze. César Peixoto não era uma opção tão consistente como o homem das Caxinas e é na 8ª jornada do campeonato, frente ao Nacional, que Jesus o testa pela primeira vez como lateral. O Benfica ganhou 6-1 e a ala esquerda com Dí Maria e Coentrão foi avassaladora.

Desde esse momento, não mais perdeu o posto. Com grande capacidade física para fazer autênticas piscinas pelo flanco, sempre em alta rotação, agressivo defensivamente, aprendeu durante mais algum tempo a forma de aperfeiçoar características defensivas, coberturas, equilíbrios, saídas em pressão, e tornou-se um dos elementos chaves da equipa de Jesus que se tornou campeã nacional.



Fez, ao todo, 31 jogos como titular, dos 47 disputados pelo Benfica. Sem surpresa, vai ao Mundial da África do Sul e assume a titularidade como Lateral Esquerdo. É, de forma destacada, considerado o melhor jogador da selecção nacional, surpreendendo tudo e todos, sobretudo pela forma como para além da segurança defensiva demonstrada ao mais alto nível, se tornou em quase todos os momentos o principal desequilibrador ofensivo da selecção.

Na época de toda a afirmação a nível europeu, foi o grande ídolo dos adeptos do Benfica, numa temporada que mais uma vez não conseguiram o título nacional, mas Coentrão a ser o ganha pão do grupo em muitos desafios, pela raça, vontade, e qualidade que demonstrou em todos os momentos. Sem férias e sem descanso, foi a grande figura da equipa e um dos melhores jogadores portugueses da actualidade. Em 50 jogos em todas as competições, foi titular em 49 (!!) o que demonstra a confiança do técnico e importância que tinha na equipa.



No Verão de 2011 sai para o Real Madrid pelo valor da cláusula de rescisão, 30 milhões de euros, e apesar das dúvidas dos espanhóis e da imprensa quanto aos números do negócio, ontem, na estreia frente ao LA Galaxy, foi considerado o melhor em campo, e levou os adeptos madrilenos a fazer comentários como "Assim Coentrão tira lugar até ao Casillas" ou "Ficámos com um Lamborghini".

Vai ser um dos melhores do Mundo!


sábado, 16 de julho de 2011

Trabzonspor


Uma história recente (clube fundado em 1967) mas em claro crescimento. Não é surpresa para ninguém o aparecimento desta equipa turca nas competições europeias. Já na temporada passada, as dificuldades que o Liverpool sentiu para garantir o apuramento para a Europe League, faziam crer uma temporada de sucesso para a equipa comandada por Senol Gunes, técnico que comandou a equipa nos anos 90 e que depois de uma passagem pelo comando da selecção nacional e por terras nipónicas, regressou para fazer crescer o clube.

Na temporada anterior venceram inclusivamente a Supertaça Turca. No campeonato, tudo se decidiu até ao último encontro. Cedendo apenas duas derrotas em toda a competição, terminaram com os mesmos 82 pontos que deram o título ao Fenerbahçe por vantagem no confronto directo. Sofreram apenas 23 golos, sendo a melhor defesa da prova.

É uma equipa madura e experiente, coesa no seu sector defensivo, com muitos argumentos ofensivos, mesmo apesar das saídas de Jajá e Yattara para as Arábias e Umur Bulut para França. Irreverente e com grande poder de decisão do meio-campo para a frente, promete criar dificuldades aos encarnados.

As figuras

Onur Kivrak (Guarda-Redes)


É ainda um jovem, como datam os seus 23 anos, mas é um dos esteios desta equipa. Excêntrico e algo louco na sua forma de abordar os lances, é um guarda-redes de amplos recursos, com grandes reflexos e excelente capacidade no um contra um. Não é um monstro físico na baliza, mas a sua elasticidade faz crer isso mesmo aos avançados contrários.

Hrvoje Cale (Defesa Central/Lateral Esquerdo)


Formado nas escolas do Dinamo Zagreb, assume-se aos 26 anos como uma das referências do campeonato turco. Jogador alto, agressivo no desarme, inteligente na ocupação do espaço defensivo, sobe também com alguma qualidade pelo seu flanco.

Serkan Balci (Lateral/Médio Direito)


Uma locomotiva pelo corredor direito. Turco de 27 anos, muito regular (fez 2875 minutos na temporada passada), é um jogador com uma intensidade e dinâmica impressionante, sempre a alta rotação, veloz, com qualidade técnica e poder de drible. Jogador muito semelhante a Maxi Pereira.

Didier Zokora (Médio Defensivo/Interior)


Um dos nomes mais credenciados que aos 30 anos conta com passagem por Sevilla e Tottenham. Jogador de preenchimento de espaços, muito rápido, é em transição ofensiva que mais desequilibra pela sua capacidade de progressão e velocidade com bola.

Gustavo Colman (Médio Centro/Ofensivo)


O jogador mais parecido com Deco que me lembro de ter visto jogar. Amplos recursos técnicos, excelente nas bolas paradas, muita qualidade no passe e visão de jogo. O rei do jogo dos turcos e um dos seus principais artistas.

Alanzinho (Extremo Esquerdo)



A fragilidade física explica o seu afastamento dos principais palcos europeus. De resto, tem muito futebol. Extremamente veloz com e sem bola, forte no drible curto e com muito critério na zona de decisão é, a par de Colman, a figura da equipa.

Adrian Mierzjewski (Médio Ofensivo/Extremo)


O grande reforço para a nova temporada. Aos 24 anos, o ex-capitão do Polónia Varsóvia, pode jogar em qualquer posição do meio-campo ofensivo, destacando-se pela sua capacidade em progressão, raça, dinâmica, e facilidade de remate com ambos os pés. É um jogador feito, muito dotado tecnicamente, e que pode aspirar a outros voos.

Burak Yilmaz (Avançado)


A referência ofensiva dos turcos. Aos 26 anos, é outro jogador feito. Na temporada passada apontou 19 golos na Liga, não sendo um jogador de área. É sobretudo forte em transição, explorando a sua velocidade e irreverência com bola, demonstra grande facilidade de remate e poder de fogo com espaço para finalizar. Muito forte a aparecer vindo de trás.


Ídolos: Ricardo Quaresma


Já é conhecida a minha admiração por este jogador desde o tempo que escrevo neste espaço, pelas linhas que lhe dediquei, aqui e aqui, sendo que numa altura em que se fala por esses blogs fora de um hipotético regresso a Portugal, a verdade é que dá vontade de lhe guardar algumas linhas em revisão de todos os momentos que enfrentou na sua carreira.

Como se do seu enorme talento estivéssemos a falar, em analogia, muito grande foi também a discrepância que o extremo português tem atingido ao longo da carreira. Nos momentos maus, alguns que passou, apelidam-no de demasiado inconsequente e pouco regular.

A verdade é que Ricardo Quaresma bem, confiante, motivado, é um jogador tremendamente eficaz, e um dos melhores na forma como alia espectáculo, diversão, virtuosismo, a eficiência e qualidade de decisão das suas acções.



Quaresma estreou-se aos 17 anos na equipa principal do Sporting pela mão de Boloni, onde começou desde logo a mostrar toda a sua irreverência e sentido criativo. Nas camadas jovens do clube leonino teve inclusivé algumas situações caricatas com alguns treinadores, que não gostavam do seu gesto técnico, a trivela, por este ir contra os ensinamentos base de um bom gesto técnico, mas a verdade é que o "cigano" vezes sem conta a utilizava e sempre com efeitos produtivos.

A transferência para Barcelona aparece numa altura ainda inacabada da sua formação enquanto jogador, sendo imediatamente aposta numa equipa em reformulação e em anos de poucos festejos na Catalunha.

Aos 20 anos, durou apenas uma época a passagem de Quaresma por terras espanholas, onde participou em pouco mais de 20 jogos pelos culés, tendo marcado apenas um golo, ele que entretanto se incompatibilizou de forma irremediável com Rijkaard.

Em 2004 transfere-se para o Porto e é nos dragões que assina os principais momentos de magia da sua carreira. Começou imediatamente a fazer furor nos azuis e brancos, ajudando o Porto à conquista da Supertaça (com um golo seu frente ao Benfica), marcando também na Supertaça Europeia frente ao Valência.



Desde aí, tudo é história, tudo são números. Mesmo sem ser coroado com o título nacional, faz 5 golos na época de estreia na Liga e é considerado o melhor jogador do campeonato. No ano seguinte, com Adriaanse, o Porto ganha tudo o que há para ganhar em Portugal, e Quaresma é novamente eleito o melhor jogador do campeonato, também com 5 golos em 29 jogos.

A produção do extremo na hora de finalizar ainda estava aquém daquilo que dele era esperado. Apesar das inúmeras assistências, dos excelentes golos, e de carregar uma equipa às costas, pedia-se ainda mais face ao talento que Quaresma apresentava.

Os dois anos seguintes, corresponderam exactamente ao esperado. 2006/2007, estabelece a marca de 6 golos e 17 assistências, novo record do campeonato, então pertencente a Drulovic na dupla com Jardel. Quaresma assistia e contribuía para muitos dos golos dos dragões. Brilha na Champions, faz golos decisivos, e melhor ainda está no ano seguinte, com 10 golos na Liga sendo eleito o 12º melhor jogador do Mundo pela FIFA.



Em 2008, a sua carreira muda de direcção e numa altura que se previa de verdadeira ascenção face ao seu talento, a curva foi descendente. Transferido para o Inter de Mourinho, não expressou dentro de um futebol táctico e maduro a sua irreverência, sentido dificuldades para se assumir dentro de uma equipa inclusivamente com alguma falta de virtuosismo na zona de decisão.

É então emprestado ao Chelsea onde também não convenceu e acabou por participar em poucos jogos pelos blues. Também a nível de Selecção ressentiu-se e depois de 2008 foram poucos os jogos que efectuou pela selecção numa altura que Ronaldo, Nani e Simão assumiam os lugares de extremos na equipa das Quinas.

Foi então que ao transferir-se para o Besiktas, teve a sua grande prova de fogo. E não desiludiu. Participou num total de 35 jogos pelos turcos, fez golos, 10 ao todo, e alguns de belo efeito, assumiu a liderança de uma equipa em construção com momentos de grande classe e virtuosismo.

Aos 27 anos é um produto inacabado do futebol português. O seu talento é monstruoso. Quer se goste, ou não, do estilo, foi, durante anos, um dos grandes jogadores portugueses. A qualidade técnica, o inúmero menú de dribles, recursos infindáveis de penetrar nas defesas contrárias e as coisas que inventa dentro de campo, fazem dele um jogador com uma carreira ainda aquém daquela que poderia ter atingido.

É que nunca perdeu as suas características e a sua forma de jogar, ao contrário de Cristiano Ronaldo, que se foi moldando num tipo de perfil mais completo e cirúrgico, Quaresma sempre foi classe e espectáculo, e continua nessa linha lógica que fazem dele um dos grandes extremos do futebol europeu. Não é tarde para Quaresma, não é tarde!


Guadiana dia 1


Há coisas por de mais evidentes e mesmo que a insistência na utilização massiva dos mesmos jogadores, quando, talvez, se pretendia, uma maior observação de alguns atletas ainda a necessitar de mostrar o que valem, vale sim a ideia de Jesus que já mostrou que todos os jogos para ele são finais de Liga dos Campeões e não abdica da vitória e de jogar com aqueles que mais confiança lhe dão. No entanto tem de haver espaço para algumas observações e os insistentes, que continuam a mostrar ao técnico serem merecedores de um lugar de relevo.

Os insistentes:

- Nolito foi o melhor jogador em campo no Estádio do Algarve. E ainda não foi hoje que se estreou inserido num grupo rotinado e com outra experiência. Grande intensidade em todas as suas acções, agressividade na procura da bola, pressão alta, grande qualidade técnica e poder de drible, inteligente, e com mentalidade. Esteve nos 2 golos da segunda metade. Muita atenção!

- Jara continua a somar pontos. Atabalhoado em algumas circunstâncias, mas com um pulmão gigante, rápido, tecnicamente forte, e com muita classe. Excelente golo.

- Urreta. Recuperou bolas, lançou situações de ataque, bons atributos técnicos, verticalidade no seu jogo. Tem de merecer lugar neste plantel.

Outros:

- Artur tem tido uma pré-época muito descansada em comparação, por exemplo, ao que foi a do ano passado com Roberto. Segurança e muita serenidade acima de tudo. Algo lento de movimentos quando enfrenta situações de 1x1. Vamos ver.

- André Almeida faz uma primeira parte ao nível do jogador que é. Desenganem-se os que acharam que esteve em bom plano na 2ª parte. O PSG com a expulsão abdicou do flanco esquerdo e abriu-se uma passadeira para o português.

- Fábio Faria continua sem comprometer mas não dá para mais do que o razoável. Miguel Vítor assinou o jogo mais completo da temporada e talvez tenha ganho um lugar, apesar dos erros de posicionamento aqui e ali que ainda apresenta. Para nº4 do sector defensivo parece-me a melhor escolha.

- Matic nunca será um 6. Bruno César nunca será um extremo. Dois jogadores fora de posição, com talento para muito mais, mas fora de contexto natural.

- Gaitán jogou hoje num lugar por onde poderá passar com alguma regularidade ao longo da época face às muitas opções de qualidade para o meio-campo. Tem de jogar mais sem bola e mostrar mais inteligência na leitura de jogo para explorar as debilidades posicionais dos adversários. Se o conseguir tem tudo para desempenhar o lugar melhor que Saviola.

- Aimar não sabe jogar mal, critério, na batuta do futebol ofensivo. Enzo fez uma exibição esforçada com um ou outro bom momento mas ainda algo aquém do que pode fazer.

- Witsel fez 45 minutos muito bons face o conhecimento que tem dos colegas. Sem comprometer, recuperou algumas bolas, forte na transição ofensiva, sentiu-se um Benfica ligado nos seus momentos o que numa altura de cansaço físico foi notório. Um problema resolvido para Jesus.

- Saviola. O excelente golo não espelha uma exibição muito apagada do argentino. Quase sempre lento a pensar e a executar, perdeu algumas bolas, falhou passes, esteve alheado de toda a 2ª parte até ao momento em que fez das suas. Falta de confiança? Motivação?