terça-feira, 12 de julho de 2011

Breves da Suiça


- A equipa do Benfica continua partida em 2 nos seus 4 momentos de jogo. A ligação simplesmente não existe. Até porque Enzo Pérez (o mais cotado para ser "o novo Ramires") parece estar rotinado noutras funções e não pode desempenhar esse papel.

- O Benfica está exactamente a procurar fazer o mesmo das duas épocas transactas. 4-1-3-2, com pressão alta, exploração do corredor central em penetração pelos alas, com os defesas laterais sempre em apoio exterior.

- O excesso de jogadores em estágio que leva a algumas observações fora de contexto, sem grande rotina ou possibilidade de repetição no futuro. É que David Simão a lateral esquerdo é passar um atestado de estupidez ao jogador, e Rodrigo Mora ainda não teve oportunidade face ao excesso de jogadores para o seu lugar.

- Bruno César tem outro ritmo, mas já mostrou ter qualidade. Se conseguir aumentar a velocidade de execução vai ser um jogador a ter em conta neste campeonato, sobretudo se jogar predominantemente pelo corredor central.

- Nolito é reforço e de caras. Muita acutilância, ritmo alto, velocidade a pensar e executar, agressivo sem bola, forte tecnicamente. Tem tudo para ser dos mais fortes deste Benfica.

- A curva descendente de Saviola é por de mais evidente. Ou melhora muito ou será uma época para esquecer semelhante à do ano passado.

- Matic não é 6 e é um excelente reforço. Imponência física, capacidade em progressão, bom tecnicamente e com cultura posicional.

- Aimar é o melhor jogador do Benfica. Impressionante o critério, a classe e a leitura do argentino.

- Gaitán este ano vai explodir e ser dos melhores do campeonato. Muito talento, velocidade, capacidade de improvisação. Um diabo à solta!

- Enzo Pérez já deu para ver o que vale. Agressivo, forte na pressão, recuperador de bolas, e com velocidade e qualidade técnica quer no drible, quer em progressão ou em passe.

- Wass ainda é curto. Fábio Faria está a merecer mais observações, tal como Miguel Vítor. André Almeida, Jardel e Roderick Miranda nunca serão jogadores para o Benfica.

A formação dentro da estrutura


Numa altura que os clubes portugueses se multiplicam em imensas transferências, na sua grande maioria, ou quase totalidade, centradas em jogadores estrangeiros, é notório que os regulamentos começam a fazer mossa e levam alguns clubes a ter de repensar as suas estratégias para poder ter lugar para todos os reforços e forma de inscrever as equipas nas competições europeias sem que para isso tenham de deixar de fora alguns dos nomes que fizeram correr tinta na imprensa sobre as suas contratações.

O tema de hoje é o Futebol Clube do Porto e o potencial adjacente a esse clube vencedor. A sua formação há muito que vinha a dar sinais de poder, a qualquer momento, atirar para a ribalta, nomes consagrados do futebol português. As ameaças de Paulo Machado e Vieirinha, num passado próximo, não passaram disso mesmo, ambos com carreiras interessantes no estrangeiro, ainda que nos últimos anos também Ventura, Castro, Rui Pedro, Ukra ou Hélder Barbosa andem a espreitar o plantel principal dos dragões mas invariavelmente se preparam para rumar a outras paragens.

Numa equipa vencedora como usualmente são as do FC Porto, os jogadores da formação demoram a entrar. Contudo, já há algum tempo que não víamos no plantel dos azuis e brancos tanto potencial para explorar dentro de uma equipa a todos os níveis de grande qualidade. Mantendo as jóias da coroa, Hulk e Falcão, assim como Moutinho ou Fernando, é interessante ver que o trabalho de base já começa a ser preparado.

Da mesma forma que Pinto da Costa agiu com uma naturalidade extrema com a saída de Villas Boas, não deixando qualquer ruído ou sentimento de insegurança quer em adeptos, imprensa ou jogadores, o futuro avizinha-se igual no que diz respeito ao plantel.

É que Hulk e Falcão não vão ficar muito mais tempo no Dragão. E olhando para as suas fileiras, vemos nomes que se podem transformar, uns com maiores certezas do que outros, nas principais figuras dos dragões dentro de 2/3 anos.

Iturbe, o argentino recrutado ao Cerro Porteño, é um dos grandes talentos da geração argentina sub-20, já elevado a comparações com o astro Messi, a verdade é que o Porto tem aqui um talento de inegável qualidade e que pode a breve trecho revelar-se uma das grandes figuras dos Dragões. Já com maiores certezas temos James Rodríguez, o colombiano que sempre que chamado correspondeu e promete, ele também, um futuro brilhante.

O melhor jogador sub-19 em Portugal na época transacta, já fez correr elogios no jogo de estreia dos azuis e brancos na Alemanha. Christian Atsu é um extremo de grande rotação e muitos argumentos técnicos. O brasileiro Kelvin, de 18 anos, vem rotulado do Brasil como futuro craque e os primeiros sinais apontam para isso mesmo.

O Porto prepara-se para fazer mais um ou dois anos de grande qualidade com as suas principais jóias da coroa, preparando já o futuro, que também se pode escrever em Português. Tozé, David Bruno, Tiago Ferreira e Castro continuam à espreita.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Competência e Paciência


O título do post poderia servir para se falar sobre a manutenção da aposta em Jorge Jesus, na arte de Domingos, mas vai incidir sobre o espanhol Roberto. Basta fazer uma compilação com alguns dos seus melhores momentos na baliza do Benfica para se perceber que estamos perante um case-study.

Roberto é um guarda-redes de equipa grande, com formação nesse sentido, mas ainda sem capacidade actual para se encaixar nesse papel. A forma como passa minutos atrás de minutos sem ser chamado a uma intervenção, faz baixar os seus índices de concentração e quem sabe colocar a nu algumas das suas lacunas a nível de posicionamento pois a fracção de segundos para se colocar em posição de intervenção no lance não são suficientes para ele (e nem sempre a sua presença física disfarça).

Não concordo com quem diz que o Benfica está a trabalhar um jogador porque acredita que tem altura e perfil de guarda-redes de top, mas que o espanhol a nível técnico é fraco. Não concordo nada. Roberto a nível técnico é dos melhores guarda-redes da Europa e que passaram pelo Benfica depois de MPH. Só Enke rivaliza com ele. Roberto entre os postes é dos melhores guarda-redes que actuou nos campeonatos europeus este ano. Ágil, excelentes reflexos, um "monstro" no 1 contra 1.

Tudo o que são bolas laterais, cruzamentos (essencialmente), remates, ou seja, todas as bolas que não em posição frontal, Roberto vacila.

Há um jogo esta época de infeliz memória para os encarnados que deveria ser alvo de reflexão. Título do Porto, na Luz, a defesa que faz a terminar o jogo a uma investida de Cristian Rodriguez é monstruosa, e uma hora antes, numa bola de Guarin, faz um dos momentos mais incríveis que um guarda-redes teve na Luz. Falta de confiança? Então como superou o momento?

Há algo mais que não bate certo.

sábado, 21 de maio de 2011

As apostas das 2ªs ligas portuguesas


Se na Liga Orangina, como previsto, pela qualidade colectiva e nível de futebol apresentado ao longo de toda a época, o Feirense garantiu a subida, também na II Divisão a luta está acesa com o União da Madeira a não querer repetir anos anteriores onde não conseguiu dar continuidade a boas 1ªs fases, disputando um playoff com Atlético e Padroense em bom nível.

Foram muitos os jogadores que ao longo desta época se foram destacando nas divisões secundárias e aparecem agora como cabeças de cartaz do mercado em Portugal para as equipas de maior valia.

Rudy (Atlético CP)

Um dos principais destaques dos alcantarenses na prova. Extremo de posição, sente-se confortável em ambas as faixas. Apesar de não ter grande velocidade de ponta, é explosivo, dotado de bons argumentos técnicos, aliando essas qualidades a um poder físico muito interessante. Quase 1 e 90 de altura. Aos 22 anos está no melhor momento da carreira.

Laurindo (Atlético CP)

Posição 6 ou como interior, grande pulmão apresenta este jogador que já fez parte da equipa do Olivais e Moscavide que disputou a liga de honra em 2006. Forte no drible curto, rápido na decisão, inteligente e perigoso em transições rápidas pela qualidade de progressão com bola, é ainda muito culto sob o ponto de vista posicional e das acções de jogo. Depois de uma passagem pelo Chipre, e com 28 anos, vamos ver o que o futuro lhe trás.

Adriano (U. Madeira)

Guarda-redes com porte físico de respeito (1,88 cm, 80 kg), muito ágil, excelente entre os postes, denotando reflexos a pedir outra divisão, bom líder de defesa, claramente um jogador a ter em conta. 28 anos.

Rafael Lopes (Varzim)

Aos 19 anos acaba a época com 10 golos na Orangina. Poderio físico (1,87cm, 75 kg), bom jogo aéreo, capacidade de movimento em zonas de finalização, instinto de baliza, e frio na hora de finalizar. A seguir.

Miguel Rosa (Belenenses)

22 anos, parece reclamar um lugar no próximo plantel do Benfica. Chegou aos 10 golos, muito forte em progressão, excelente capacidade de movimentação, agressivo, forte a finalizar, está um jogador de muita qualidade.

Luis Leal (Estoril)

Pujança física (velocidade, força, explosão), Leal destacou-se no Moreirense, agora no Estoril. Não é um jogador de área, cria muitas situações de finalização, forte no drible e na forma como em roturas com e sem bola desequilibra as defesas contrárias. Para o ano está na 1ª liga.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Brasileirão: Nova Geração nº6


Nome: Paulo Henrique "Ganso"
Idade: 21 anos
Clube: Santos
Posição: Médio
Altura: 1,82 cm
Peso: 75 kg

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Brasileirão: Nova Geração nº5


Nome: Diego Maurício
Idade: 19 anos
Clube: Flamengo
Posição: Avançado
Altura: 1,83 cm
Peso: 79 kg

domingo, 15 de maio de 2011

Brasileirão: Nova Geração nº4


Nome: Lucas "Marcelinho"
Idade: 18 anos
Clube: São Paulo
Posição: Extremo
Altura: 1,72 cm
Peso: 66 kg

Brasileirão: Nova Geração nº3


Nome: Oscar Junior
Idade: 19 anos
Clube: Internacional PA
Posição: Médio Ofensivo
Altura: 1,79 cm
Peso: 66 kg

Brasileirão: Nova Geração nº2


Nome: Leandro Moura
Idade: 18 anos
Clube: Grémio PA
Posição: Médio Ofensivo/Extremo
Altura: 1,77 cm
Peso: 71 kg

Melhor marcador do Grémio no Campeonato Gaúcho com 7 golos.

Brasileirão: Nova Geração nº1


Nome: Leandro Damião
Idade: 21 anos
Clube: Internacional PA
Posição: Ponta-de-Lança
Altura: 1,87 cm
Peso: 84 kg

52 jogos, 31 golos.

domingo, 8 de maio de 2011

Um Feirense a caminho dos grandes


Apesar da derrota esta semana em Penafiel por uma bola a zero, este Feirense caminha a passos largos para o convívio entre os grandes, assim mantenha a toada apresentada neste início de época. Liderando a Liga Orangina e com mais três pontos do que os 3ºs classificados, o conjunto orientado por Quim Machado parece muito bem encaminhado para a subida.

Equipa experiente, com alguns rasgos de juventude e, essencialmente, jogadores portugueses, com a adição de três brasileiros totalmente identificados com o nosso país, apresenta um modelo muito equilibrado e bastante interessante sob o ponto de vista da zona de decisão onde apresenta um avançado finalizador Roberto, e dois extremos, nacionais, com qualidade para jogar numa divisão superior.

Falo de Diogo Cunha, 25 anos, a cumprir a sua terceira época em Santa Maria da Feira, depois de passagens pelo Lixa, Olhanense e Mirandela, é um extremo que pode ocupar os dois flancos, boa capacidade técnica, forte em penetração em movimentos interiores, tem sido dos principais dinamizadores desta equipa.

Outro jogador a levar em conta é Carlos Fonseca, que Quim Machado trouxe do Tirsense (ele que é formado no Gil Vicente), com os seus 23 anos é um jogador tecnicamente forte, denota grande capacidade em espaço curto onde resolve muito bem através de boa dinâmica e capacidade de drible. Pode também jogar na frente de ataque como avançado móvel.

Outro dos grandes destaques desta equipa é o médio costa marfinense Siaka Bamba, 21 anos, boa cultura táctica, excelente capacidade de preenchimento e com alguns recursos técnicos interessantes.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A estratégia dos equilíbrios que Mourinho não soube manter

Mourinho é realmente o melhor treinador do Mundo. Li muitas pessoas criticar abertamente a forma como abordou o último Real-Barça para a LC e a colocação de Pepe no meio-campo, abdicando de Ozil e Kaka. O Real Madrid é a melhor equipa do Mundo em transição ofensiva. Ver o jogo do Mestalla é um regalo para qualquer treinador que gosta de ver a sua equipa ter um controlo sem posse e acima de tudo os mecanismos e combinações colectivas que existem a partir do primeiro momento de recuperação da bola e definição do momento a seguir.



O Real é talvez a melhor equipa da história em transição ofensiva. Jogou frente a um Barcelona que é a melhor equipa da história em ataque posicional. Pensando bem, Mourinho analisou que a principal forma de anular o jogo ofensivo dos culés seria encurtar as linhas e sobretudo permitir sempre um jogador de equilíbrio à pressão no centro de jogo do Barcelona de forma a evitar as suas rápidas variações para criar desequilíbrio noutro espaço em 2x3 ou 1x2. Mourinho só o podia fazer com jogadores fortes defensivamente e disponíveis para correr porque não estando a equipa rotinada nesse sentido os princípios fundamentais, para além da qualidade defensiva, teriam naturalmente de ser a entrega e a disponibilidade para correr metros e metros atrás da evidente superioridade táctica do Barcelona.

A equipa do Barcelona tacticamente é a melhor do Mundo e é por isso que os seus jogadores são os que menos se desgastam, também porque mantêm a bola, e daí a pergunta de com um plantel tão curto se conseguir este ritmo com quase nenhuma rotatividade. Explica-se facilmente. Qualidade táctica + Capacidade de ter bola. O Real estava a realizar um jogo eficiente até à expulsão de Pepe. É contranatura Mourinho querer empatar em casa para resolver na 2ª mão. Naturalmente todos esperariam ao contrário. Mas a estratégia do técnico português era essa. O Real jogar com o melhor de si, transições rápidas, e explorar essa estratégia até ao fim.

A chave do jogo, quanto a mim, não está só na expulsão, está na abordagem errada que Mourinho faz da sua própria estratégia aquando da expulsão de Pepe. O Real altera o seu posicionamento para um 4-4-1, com duas linhas bem definidas de 4, e perde o jogo aí. O Barça é fortíssimo entre-linhas com a capacidade de Messi, Pedro, Villa e sobretudo de Iniesta que nem jogou. A aparecer de frente para os defesas, em velocidade, vence a técnica e o virtuosismo e o Barça está muito rotinado nesse sentido. Posse de bola, posse de bola, posse de bola, até passe de ruptura ou em apoio frontal no espaço entre as linhas do adversário e definição de penetração ou novo passe de ruptura nas costas das defesas. Mourinho com duas linhas bem definidas anulou a sua própria (boa) estratégia até à expulsão de Pepe, onde faz um triângulo com dois pivots muito fortes nos equilíbrios a não permitir espaço para os jogadores do Barça entrarem em zonas de decisão com possibilidade de desequilíbrio.




Erro 1: Lassana sai em pressão e não faz rápida cobertura defensiva ao 1x1 de Afellay vs. Marcelo.




Erro 2: Saída em pressão ao portador da bola de Lassana, desequilíbrio do seu espaço, Messi ganha as costas da 2ª linha e de frente para a linha defensiva, após péssima abordagem de Albiol, resolve.

As duas linhas fizeram com que quem saísse ao portador da bola para fazer o pressing criasse espaço na sua zona, onde aparecia imediatamente outro jogador a causar o desequilíbrio. Quem saía em pressão rapidamente desequilibrava a sua zona. A estratégia dos equilíbrios defensivos estava assim eliminada. O Barça jogou como quis. E o Real queixou-se apenas do árbitro. Quanto a mim, Mourinho foi rei até à expulsão de Pepe. Menos especial, a partir daí.