domingo, 20 de fevereiro de 2011

Derby: Gerações muito peculiares


Quem assistiu ao derby de Juniores de hoje entre Benfica e Sporting, fica mesmo com poucas razões para sorrir. Quem se lembra das gerações de 87, 88, 89 ou 90, e olha para o que existe agora em ambas as equipas, pensa que realmente o decréscimo de qualidade é bastante evidente. Mais preocupante é a falta de capacidade de (quase) todos os jogadores das duas equipas estarem completamente fora do ritmo e da exigência necessária para o futebol profissional.

Equipas maduras e coesas sob o ponto de vista do preenchimento do espaço e dos processos de jogo, contudo, pouca qualidade individual, poucos rasgos, poucos jogadores a dar o clique para merecerem algo mais do que a "pasmaceira" que é ver um jogo neste escalão, um ritmo baixo, pouco dinâmico, pouco intenso, com movimentos colectivos poucas vezes acertados, e uma preocupação excessiva em corresponder tacticamente esquecendo a parte fundamental, o desequilíbrio depois de se equilibrarem.

Olhando para o Benfica, e com alguns negócios e nomes completamente desfasados da exigência que tem de ter um clube como o Benfica, aparecem nomes como Diego Lopes, Alipio, Jean Silva, Francisco Junior e Ruben Pinto. Diego Lopes é um talento nato, jogador de recursos técnicos muito interessantes, ainda em idade juvenil, mas com pouca chama, poucos rasgos de explosão e pouca eficiência nas suas acções ofensivas. Alipio é o protótipo do colega anterior, embora lhe reconheça qualidades de execução extremamente interessantes. Jean está fora de forma e não me parece mais valia em nenhum aspecto. Junior é muito lutador, mas quanto a mim fora do exigível. Raramente joga curto e simples, faz com que a pressão da equipa contrária seja feita de forma que melhor convém, permite à equipa contrária equilibrar. Corre muito mas raramente preenche o espaço correcto. Ruben Pinto é claramente um jogador de outra divisão em relação aos demais, mas há 6 meses que precisa de outra exigência competitiva. Porque a que tem, fá-lo perder muito tempo para estar preparado para o futebol profissional de alto rendimento.

No Sporting, Bruma é claramente o elemento mais, veloz, tecnicista, desequilibrador, embora não sendo tudo o que a comunicação social tem feito dele, parece-me um jogador que a ganhar consistência física, se pode tornar num valor interessante para o Sporting. Zezinho é forte a executar, pensa bem, na zona de construção assume sempre opção válida e de fácil recurso. Contudo, tem de aumentar o seu ritmo de jogo. Esgaio aparece cada vez mais acostumado à lateral direita e parece não ter grandes problemas com isso neste escalão. Contudo, quer-me fazer crer que o Sporting perdeu um potencial médio ala de elevado potencial, para ter um defesa lateral interessante nesta altura mas sem a capacidade física e posicional para voos mais altos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O "novo" Sidnei


Post recuperado do dia 28 de Julho de 2010

http://vidadofutebol.blogspot.com/2010/07/benfica-analise-de-ritmos.html

"Começando por trás. Para mim Sidnei é o melhor defesa central do Mundo. Para ele, do pescoço para cima. E isso atira-o para o banco de suplentes do Benfica. A concorrência é forte, sem dúvida, mas Sidnei é daqueles jogadores que conseguem aliar todas as características fundamentais de um defesa central. Para além disso ultrapassa-as e explora-as melhor do que quase todos os outros. Porque não singra ao mais alto nível? O primeiro ponto de debate está encontrado. "O pescoço para cima". Sidnei tem de se capacitar das suas funções e das suas necessidades.

Faz-me lembrar um pouco David Luiz em alguns lances de abordagem errados. Sidnei é um central rápido (o chamado falso lento, e digam-me quantos o ultrapassam em velocidade?), forte no jogo aéreo, muito forte fisicamente e no corpo a corpo, dotado tecnicamente (central do futuro), forte em transição e na forma como sai em ataque rápido (centralão do futuro), muito inteligente na leitura e ocupação do seu espaço, forte no desarme, e muito difícil de bater no um contra um.
A pouca capacidade de esforço, a forma como se parece "encostar" à sombra das qualidades que tem, a pouca exigência e ambição consigo mesmo, fazem dele um jogador mediano comparativamente ao que poderia ser. Já dizia o seu treinador no Internacional: "Se o Sidnei trabalhasse no duro, era o melhor central do Mundo". Eu corroboro."

Sidnei quis trabalhar. E os resultados estão à vista.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Ramires e Kalou, eis a questão


Numa altura em que, cinco anos depois, o nome de Salomon Kalou volta a surgir como hipótese para ingressar no Benfica, e olhando para a opinião pública geral, existe muito pouca receptividade para que o costa marfinense possa vestir de encarnado. Porque não resolve jogos, dizem alguns.

Tomemos o exemplo de Ramires. Independentemente do ano de adaptação, natural num jogador brasileiro adaptado a uma filosofia de jogo por si só diferente, no Benfica, é quase um peixe fora de água no meio-campo blue. Ramires, pela sua capacidade de ocupação de espaço e de equilíbrios que garante à sua equipa nos 4 momentos do jogo, era elemento fulcral na estratégia do Benfica de Jesus. E o mau início de época deve-se, na minha opinião, à dificuldade que o treinador do Benfica teve em "remendar" essa sua saída. Olhamos para o Chelsea, uma equipa que joga quase sempre em ataque posicional, mas debilitada nas suas transições defensivas pelo volume ofensivo que cria sem equilíbrio da zona de cobertura.

Ramires que até preenche esses requisitos, tem 2 jogadores semelhantes em termos de capacidade com bola, no entanto, já adaptados, com outra bagagem e também outra qualidade, se quisermos. Essien e Obi Mikel não dão muitas possibilidades ao brasileiro. Até porque Lampard já não é o mesmo em progressão e ocupação de espaço e as rotinas já estão criadas.

Tentando estabelecer um ponto de comparação, se Ramires era fundamental no Benfica e no Chelsea é reserva, porque a reserva Kalou, que soma minutos largos, não seria fundamental no Benfica? A mim parece-me claro. Jogador de corredor lateral, forte nas penetrações interiores, drible explosivo, tecnicamente forte, e veloz.

Já todos percebemos que Salvio não vai ficar. Kalou era a peça ideal.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O modernismo de Salvio a Dí Maria


O extremo moderno desaparece cada vez mais do corredor lateral e faz do corredor central o oásis das suas arrancadas e penetrações para conseguir causar desequilíbrios nas estruturas adversárias. Cada vez mais desaparece de moda a possibilidade de um cruzamento largo para a área, e ganha consistência a situação de 1x1 ou 1x2 a partir do corredor lateral para penetração em zona de decisão/finalização.

Uma das grandes irregularidades que se apontava no jogo de Dí Maria era a forma como o argentino tinha dificuldade em decidir bem, e com eficiência, na zona de decisão. Era um dos mais fortes do Mundo na zona de construção através das suas arrancadas e da capacidade de progressão em alta rotação, mas raramente decidia bem na hora decisiva. Hoje, vemos um Dí Maria com grande mestria na zona de decisão e com uma capacidade acima da média para continuar a desequilibrar no um contra um em quase todos os momentos.

Assume-se hoje como um jogador cada vez mais de espaço curto e de desequilíbrio no espaço também sem bola. Sempre que a tem, resolve ou com passes decisivos (não posso deixar de mencionar Ozil como o jogador do futebol actual com mais critério e espectacularidade na zona de decisão a par de Messi) ou com penetrações para a criação de momentos de finalização favoráveis à sua equipa.

Outro argentino, este encarnando a personalidade do "novo jogador argentino", a que Dí Maria foge um pouco, de agressividade no espaço curto e de grande embalagem num jeito meio "atabalhoado", que vem fazendo crescer o Benfica de Jesus é Salvio.

Na direita deste 4-1-3-2 vem apresentando melhorias evidentes sob o ponto de vista posicional nos vários momentos de jogo da equipa, mas é com bola que explode e queima metros de uma forma impressionante. Muito rápido, permite não só à equipa subir e aproximar-se com variadas linhas para a decisão, como também ele próprio em penetração no espaço curto consegue criar desequilíbrios para aparecer.

E como o Benfica tem um dos melhores do Mundo no jogo entre-linhas, de seu nome Saviola, Salvio cresce a olhos vistos pois os espaços que anula em penetração compensam-se imediatamente em outros locais pela movimentação quase sempre certeira de Saviola. E muito têm para dar ao Benfica estes 2 em simultâneo. Tal como Messi e Villa. Tal como Hulk e Falcão. A génese é a mesma.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

domingo, 12 de dezembro de 2010

O melhor do Mundo

Li há alguns dias que Iniesta poderia ser considerado o melhor jogador do Mundo do ano de 2010. Olhando para a lista de principais favoritos, iria ficar espantado se Wesley Sneijder não estivesse entre os 3 primeiros pois ganhou... tudo, exceptuando o Campeonato de Mundo, esse ganho com um golo de Iniesta, que amealhou assim pontos importantes na luta pelo título.

Mais estupefacto fiquei com as críticas à sua nomeação como MVP. Iniesta é um jogador com uma capacidade técnica fantástica, com tempo, rigor, critério e decisão em tudo o que faz. É de loucos vê-lo jogar. Confiram:

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A eficácia do "mini Barcelona"


Quando o treinador do Rapid Viena apelidou o Porto de Villas Boas de um "mini Barcelona", não deixou de ter o seu sentido lógico. É que as semelhanças entre uma equipa e outra parecem surgir pela forma como o Porto joga em largura e profundidade e, sobretudo, no momento da transição ofensiva onde o seu tridente ofensivo é extremamente forte.

Continuo a dizer que o Porto vale, sobretudo, pela sua capacidade de jogar em transição e dos seus jogadores ofensivos terem metros para correr e decidir no individual sem serem colocados em situações de demasiada inferioridade numérica que tenham de recorrer a um ataque mais organizado.

A grande diferença está - com toda a gente a ter entendido a grande força do Porto -, a eficácia com que o FC Porto destrói as equipas contrárias nas situações que consegue dar uso às suas principais armas. Jogar num bloco médio em transição ofensiva faz parte do seu quotidiano, incrível sim a forma como as vezes que o fazem, mais de 50% conseguem jogar em contra-ataque ou ataque rápido em situações variadas de 3x4. Aqui, Hulk e Varela pela sua velocidade e capacidade de aceleração, ganham relevância pois com Falcão, as hipóteses de golo são bem mais do que a percentagem normal de qualquer outro jogador em Portugal nos últimos anos.

Para isto não esquecer a dimensão que Moutinho ganhou no meio-campo do Porto pela qualidade de equilíbrio e de decisão que dá ao FC Porto na zona de construção, tal como Belluschi pela capacidade de penetração e de jogar nas entre-linhas do adversário saindo muitas vezes da sua posição natural para explorar zonas fracas da equipa adversária.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Clássico: O ataque rápido do Inter e do Real de Mourinho


Penso que todos os amantes do futebol tiveram particular interesse em assistir ao clássico de ontem. O Barcelona de Guardiola, num processo totalmente finalizado, e que vai procurando, ano após ano, limar arestas e perfis quanto aos seus jogadores e à forma como encaixam dentro do perfil de jogo "blaugrana", e um Real Madrid de Mourinho, a jogar de forma interessante para pouco tempo de trabalho mas ainda a crescer e longe de ter dado provas de eficácia a um nível competitivo mais elevado. Este seria o primeiro teste "a sério" (e quantos mais surgirão a uma equipa quase de outro planeta) do Real de Mourinho.

Primeiramente há que abordar o jogo pela forma inicial como o Real o fez. Abdicou de jogar em ataque organizado, para não permitir ao Barcelona ataques rápidos e, fundamentalmente, metros nas costas da defesa madridista, evitando que jogadores como Pedro, Messi e Villa, extremamente rápidos em todos os capítulos, tanto na velocidade de deslocamento, como na rapidez com que pensam e executam, tivessem espaço para penetrar e criar desequilíbrios ao Real. Acontece que o Barça não é uma equipa de apenas um método e são os melhores do Mundo em alguns deles: Contra-ataque, ataque rápido e ataque organizado. E utilizando os três métodos ofensivos conseguiram dizimar um Real que cometeu imensos erros.

A começar pela forma como não soube interpretar o bloco médio que Mourinho pediu, tentando evitar que a bola chegasse em condições de decisão ao tridente da frente do Barça. O espaço que a os duplos-pivot (Khedira e Alonso) do Real permitiram nas suas entre-linhas com Ronaldo-Ozil-Di Maria e sobretudo com a linha de 4 defensiva, foi fatal. Raramente existiu um encurtamento de espaço correcto e sempre que tal existia, o Barça conseguia rodar rapidamente desposicionando e desequilibrando a equipa do Real pois o centro de jogo era bem conseguido mas as posições de equilíbrio raramente estavam correctas, até porque poucas vezes se viu Benzema em pressão ou a matar linhas de passe.

O Inter de Mourinho na edição da Liga dos Campeões passada fez exactamente uma abordagem semelhante à do Real ontem. A diferença esteve na forma como a equipa italiana soube jogar num bloco, para além de mais baixo, mais junto e com menos espaços nas suas entre-linhas. Uma equipa de topo como o Real, não pode permitir que Xavi, Iniesta, Pedro, Messi e Villa, tenham aparecido tantas vezes nas costas de Alonso e Khedira com espaço para decidir muitas das vezes em situações de 2x3 ou 3x4.

Regressando ao Inter, numa abordagem semelhante, mas com outros argumentos sob o ponto de vista táctico e estratégico. A qualidade de Cambiasso continua a ser muito pouco evidenciada pelos média mas, na minha opinião, foi a peça fundamental de um Inter que muitas das vezes acabou por fechar defensivamente numa linha de 5, com pressão constante de 3 jogadores em zonas de construção e decisão do Barcelona, retirando metros e espaços ao tiki-taka, que se sentiu curto e pouco produtivo. Basta olhar para a ficha de jogo e ver: Maicon, Samuel, Lucio e Chivu; Motta, Cambiasso, Zanetti e Sneidjer; Eto'o e Milito; No processo defensivo Cambiasso e algumas vezes Zanetti equilibravam a linha de 4 tornando-a numa linha de 5, baixando Eto'o no lugar de Zanetti, jogando praticamente com um 5x4x1; Isto aniquilou o Barça não pela defesa massiva mas sobretudo pelo massivo equilibrio defensivo e fecho de linhas de passe na zona de decisão do Barça.

O erro de Mourinho não esteve na forma como abdicou do ataque organizado e deu "o jogo" ao Barça, que é mortífero em ataque organizado. Muito menos teve no escalonamento da sua equipa. Acabou por estar associado à forma como a sua equipa não soube equilibrar-se e jogar como um bloco defensivo único, procurando queimar metros aos catalães para então sair em ataques rápidos. O Real partiu-se sempre num 4x2+3x1, com Ronaldo, Ozil, Di Maria e Benzema sempre longe de Khedira, Alonso e da linha de 4. Fundamentalmente a diferença esteve que Cambiasso e Khedira não são comparáveis a nível de cobertura e equilibrio defensivo, tal como Zanetti e Xabi Alonso não são comparáveis, tal como Motta e Ozil são tudo menos a semelhança defensiva, tal como Eto'o e a agressividade e disponibilidade defensiva que evidenciou sempre com Mourinho não são comparáveis com a que Di Maria ou o próprio Ronaldo mostraram ontem.

Não poderia terminar deixando de evidenciar aqueles que ao longo dos meses que escrevo neste blog são para mim os melhores do Mundo: Xavi e Iniesta. Incrível a forma como seduzem pela capacidade de protecção de bola, pelo critério em tudo o que fazem, pela qualidade técnica soberba. São, sem dúvida, irmãos gémeos, e o espelho real daquilo que é o futebol do Barcelona, que só joga assim porque tem estes dois génios. Sou capaz de dizer que Xavi e Iniesta nos seus dias, dizimam qualquer equipa, independentemente das estratégias técnico-tácticas que qualquer treinador possa ter para os parar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Benfica a insistir nos mesmos erros


Texto recuperado do dia 21 de Agosto, data da derrota do Benfica na Madeira aos pés do Nacional.

Momento Transição Ofensiva:

O Benfica aqui perde. E muito. Primeiro porque não podemos diferenciar de forma estruturada os vários momentos do jogo da equipa. Ambos dependem uns dos outros para subsistir e dar aos jogadores as condicionantes necessárias para os abordarem. O Benfica pela deficiente forma como se equilibra defensivamente actualmente, encontra problemas na forma como efectua as suas transições por um aspecto: não tem capacidade de progressão sustentada em cobertura. Os jogadores são deixados demasiadas vezes soltos em acções individuais de um contra um e o apoio próximo em acção de cobertura ofensiva não existe. Isto porque não há o fôlego do tal jogador de equilíbrios para permitir aos outros elementos sair da sua zona de forma a não terem constante preocupação em caso de perda de bola numa altura em que a equipa não se encontra equilibrada recuarem e preencherem os posicionamentos da organização estrutural defensiva da equipa.


Momento Transição Defensiva:


A grande lacuna do Benfica actual. Completamente partido em 2. E passo a explicar. Quando o Benfica sofre transições rápidas ou contra-ataques dos adversários, normalmente, pelo volume ofensivo que apresenta e pelo seu modelo de jogo incutir imensas subidas e penetrações dos laterais, o 6, jogador de primeiro equilíbrio, acaba por ter de se posicionar numa zona de apoio à ultima linha defensiva, desguarnecendo a zona central, de cobertura ao 10 e aos 2 médios alas agora em acção de médios interiores. Essa zona se for rapidamente ocupada por um deles permite à equipa um equilíbrio maior na zona de pressão e na zona onde existe bola. Caso o centro de jogo seja rapidamente variado, há tempo para a equipa se equilibrar e organizar correctamente. Este Benfica erra vezes sem conta neste aspecto. O 6 vai fazer equilíbrio da organização estrutural defensiva, o 10 tem dificuldade em recuar rápido para essa zona, e nenhum dos interiores fecha o espaço 6 - à frente dos centrais - correctamente. Os adversários exploram-no muitas vezes.


Momento Organização Defensiva:


O Benfica aqui continua bem. Estruturado e com qualidade. O grande problema está na forma como a equipa demora a equilibrar-se. E neste campeonato com contra-ataques rápidos e transições a serem a principal forma das equipas utilizarem o seu método da fase ofensiva, faz com que o Benfica seja vulnerável sob o aspecto da forma como defende. Até porque continua Jesus a jogar num bloco alto e de pressão subida, mas sempre que o adversário se organiza e espera a altura certa para explorar a zona do corredor central em transição ofensiva, cria problemas.


http://vidadofutebol.blogspot.com/2010/08/o-novo-benfica-partido-em-2.html

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Os mesmos princípios em diferentes modelos


Ando há algum tempo a procurar ver jogar Arsenal e Barcelona. É sempre objecto de estudo para qualquer pessoa interessada em observar e estudar o jogo. Para além de dois dos melhores treinadores do Mundo, acredito que a diferença é que um já conseguiu encontrar forma de equilibrar a sua equipa defensivamente, também pela maior qualidade de que dispõe. O outro, propriamente, ainda não.

É que ver Barcelona e Arsenal é ver duas equipas com princípios bem definidos. Um retrato real do futebol simples e bem jogado. Demasiado fácil até, diria. Movimentos quase sempre rotinados, posições de mobilidade definidas, desequilíbrios individuais sempre criados pelo individual na forma como pensa e executa rápido.

Contudo, ambos jogam da mesma forma, com sentidos e objectivos distintos no seu modelo. Ver o Barcelona é observar uma equipa em posse e circulação, de certa forma mais lenta e pensada na fase de transição e construção, mas que acelera, e de que forma, na zona de decisão, em movimentos entre-linhas e de ruptura sem bola dos seus elementos da frente, onde se junta, invariavelmente, um quarto elemento, de nome Iniesta, quando um dos defesas laterais faz penetração no corredor central com bola.

O Barcelona define o corredor lateral como o seu meio preferencial para atingir o golo, através do toque curto e da capacidade de colocar no centro de jogo, quase sempre superioridade numérica em relação ao seu adversário. Não em termos do número, mas da forma como ganham metros e crescem no campo pela dinâmica e intensidade na zona de decisão dos seus mais fantásticos artistas.

O Arsenal difere aqui. O corredor lateral funciona apenas como uma extensão do seu predilecto corredor central. Quase como definindo os corredores laterais como zonas desocupadas onde só entram os "jokers" para fazerem posse de bola. O Arsenal, ao contrário do Barcelona em largura, fazendo "campo grande", joga de forma mais estruturada no corredor central, oferecendo-lhe muita profundidade e num jogo então semelhante ao Barcelona mas com penetração e progressão, invariavelmente, pelo corredor central. O que talvez lhe dê, também, pior capacidade defensiva pois a equipa pouco tempo tem para fazer a recuperação e se equilibrar defensivamente.

Como os mesmos princípios e os mesmos métodos (ataque rápido e ataque posicional), podem ter vivências diferentes dentro dos corredores e sectores de um campo de futebol. O Arsenal joga a todo o gás na zona de construção e decisão, espaçando e pensando mais a sua zona de transição. Algo que daria horas e horas para estudar...

Jorge Jesus de cachecol não é o mesmo


É um Benfica ainda à procura da sua identidade. Não única e exclusivamente pela derrota de hoje, mas também. Independentemente da boa exibição na Madeira e do crescendo motivacional, em grande parte verificado pela vitória frente ao velho rival na semana anterior. O problema está na forma como esta época foi e continua a revelar-se mal preparada.

Como o Benfica procura encontrar um esquema de jogo alternativo para anular, de certa forma, a inexistência de duas peças fundamentais para o seu modelo no esquema anterior (ou actual), a potenciação de Coentrão num lugar onde se revelou realmente muito forte - e como extremo continuo a dizer que também o é -, mas o avançar e recuo de ideias face a esse plano de jogo. É que Coentrão joga onde o Mister quiser, é verdade. Mas o Benfica procura agora disfarçar e atenuar a saída de Dí Maria e encontrar alguém que faça as suas funções. Impossível, digo eu.

Até porque jogar uma Champions debilitando um corredor lateral em constante pedido de auxílio, fazendo Coentrão imensos movimentos de apoio ao defesa esquerdo, pois ter Farfán ou Rakitic em constantes situações de um para um com Peixoto anula qualquer possibilidade de exploração desse flanco em superioridade numérica em transição ofensiva, pois qualquer dos jogadores que abandone o corredor central para intervir no centro de jogo (com bola no corredor), oferece à outra equipa possibilidades várias de desequilibrar no contra golpe.

Está visto que Cardozo não tem perfil para este tipo de jogos. E até pode fazer 3 ou 4 golos no próximo jogo europeu. Mas continuo a dizer que no contexto europeu em que o Benfica tem de ter entre 75 a 85% dos seus lances nos momentos de transição ofensiva e organização defensiva, Cardozo torna-se pouco útil pela forma como raramente oferece possibilidade de desequilíbrio no primeiro toque, e na forma pouco capaz com que dificulta o trabalho dos defesas contrários e essencialmente os obriga a recuar no terreno pelos seus movimentos de ruptura que permitam à equipa ganhar metros e encurtar linhas para não ter os sectores tão distantes como hoje se verificou.

Os grandes também erram e no futebol quem não ganha torna-se alvo fácil da crítica.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Di Maria e Canales: Os elos mais fracos


Hoje ao observar o Maiorca-Real Madrid e a ver o desenrolar das alterações que o jogo foi proporcionando, tenho de referir dois nomes que dentro do que se passou em campo foram, na minha opinião, o grande entrave à vitória de Mourinho na estreia e que não souberam entender o que o jogo precisava na altura que a batata quente lhes chegava aos pés. Não esquecendo a ineficácia de Higuain e a perdida incrível de Ronaldo, Benzema (duvido que com Mourinho volte tão cedo), mas Sergio Canales e Di Maria foram jogadores a mais dentro do jogo, à parte dos companheiros.

O jogo decidiu-se na forma como o Maiorca, inspirado na excelente exibição dos seus dois cérebros a meio-campo, ratos, fortes no preenchimento de espaço, inteligentes na posse e com muita eficácia nos seus processos, falo do canadiano De Guzman e do experiente José Luis Martí, souberam controlar e anular a pouca inteligência que Di Maria e Canales apresentaram no jogo, sobretudo na altura da sua decisão (os primeiros 65 minutos).

Canales parecia estar em todo o lado mas aqui começa a grande diferença entre o correr muito e o correr bem. Para além de posicionalmente demorar a aparecer na sua zona, demorou muito a executar. Pensou muitas vezes bem, soube dar linhas aos colegas, mas demorou a reagir e a decidir. Num jogo onde se pedia velocidade e rapidez de processos, não foi de estranhar que Mourinho o tenha substituído na sua primeira mexida. E isto não retira de Canales o grande valor que ele tem. 19 anos apenas.

Di Maria, a história não é de agora. Mourinho já o disse esta semana, que tacticamente não pensava que ele estivesse tão abaixo do exigível para um jogador de alto nível. Não é novidade para ninguém. Posicionalmente é mau. Eficazmente é mau. Em espaço curto é mau. Tudo bem que é um jogador com uma velocidade de ponta e capacidade de execução totalmente acima da média, mas as minhas reticências quanto a uma transferência para um colosso sempre estiveram aqui: Di Maria não tem ainda a maturidade nas dimensões eficácia/qualidade/regularidade das suas acções para jogar ao mais alto nível de forma constante. A ver vamos.

Mourinho corrigiu e apresentou uma nuance táctica ao seu 4x2x3x1 já aqui explorado, http://vidadofutebol.blogspot.com/2010/08/um-real-carborar.html, fez entrar Ozil para vagabundear à frente do duplo pivot defensivo constituído depois por Xabi Alonso e Khedira, embora fisicamente o alemão contratado ao Werder Bremen por 15 milhões de € não esteja ainda com a intensidade e o fulgor que o caracterizam, sobretudo a forma como consegue pensar e executar rápido, com qualidade, invariavelmente, mudaram o jogo do Real então num 4x2x1x3. Benzema pela lentidão e sobretudo pela pouca agressividade de abordagem aos lances não terá dias fáceis com Mourinho. O Real não ganhou o jogo pela pouca eficácia de Higuaín, que até fez um bom jogo, e por uma perdida incrível de Ronaldo por manifesta pouca coragem na hora da finalização, preferindo abordar o drible perante o guarda-redes.

Mau teste para o Real mas nada de preocupante. A equipa está ainda à procura das suas rotinas e dois jogadores fundamentais na forma de jogar desta equipa estiveram hoje grande parte do tempo de jogo no banco de suplentes, falo de Khedira e Ozil. E falta também ao Real a contratação de um avançado diferente de Higuaín e Benzema. É que o argentino está um jogador de grande classe, e até pode explorar mais de si no apoio directo a outro elemento mais de corredor central e zona de finalização na frente de ataque. Não sei porquê mas acho que Mourinho vai voltar a ir às compras...