sábado, 21 de agosto de 2010

Drenthe mas não para solucionar


O Benfica está a um passo de assinar a contratação do holandês do Real Madrid Drenthe. Dispensado por José Mourinho, tal como já tinham sido dispensados do clube madrileno Javi Garcia ou Saviola, parece que o destino do holandês será mesmo o Benfica.

O reforço de Drenthe vem encaixar numa política de fortalecimento do plantel, sendo claramente um acréscimo de qualidade. Atenção a um ponto. O Benfica não garante com Drenthe um titular absoluto mas é um jogador com todas as condições para ser figura aqui. É que ser dispensado do Real não é necessariamente um mau predicado. Um plantel de topo, onde só os melhores dos melhores têm lugar. E qualquer dispensável daquele grupo, é figura de cartaz de uma equipa do nosso campeonatozinho.

A grande diferença do Benfica do ano passado para este prende-se com a falta de equilíbrios e de ligação entre linhas nos vários momentos do jogo do Benfica. Será um dos próximos posts, provavelmente depois do jogo na Madeira onde mais uma vez essas debilidades ficarão a nu (em menor expressão se jogar Amorim).

Drenthe é um jogador de faixa esquerda, capaz de jogar como lateral esquerdo ou extremo esquerdo. Será como Extremo que poderá potenciar de forma mais eficaz o que tem. Aliás, não creio que a expectativa seja de o colocar como lateral. Drenthe virá fazer duo com Gaitán e ambos encaixam bem no mesmo sistema e na mesma forma de jogar. Drenthe é um jogador de maior largura, de profundidade, um jogo mais vertical, capaz de esticar e proporcionar outras opções que Gaitán não dá em certo tipo de jogos.

Gaitán pela forma equilibrada como desenvolve as suas acções, pelo futebol mais de posse e circulação e de inteligência posicional, sobretudo em roturas com e sem bola, irá jogar muitas vezes neste Benfica na faixa direita e no apoio aos dois avançados, não tenho grandes dúvidas. Com Drenthe, o Benfica ganha uma opção à imagem de Di Maria. Com a mesma qualidade? Eu digo que não em perspectiva, mas com potencial para equiparar.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O muito mau contagiante


Numa altura de nova descrença absoluta no reino leonino, em que depois da derrota em Paços, voltam a perder, e logo em casa, frente aos dinamarqueses do Brondby, por 2-0, complicando e muito as contas do acesso às competições europeias esta temporada, resta-me fazer uma análise fria e objectiva aos grandes problemas do actual Sporting.

Muito Mau (Colectivo):

- Incapacidade de criar zonas de pressão e fazê-lo de forma colectiva. A pressão do Sporting é esporádica e espaçada. Ainda não entendi de que forma o bloco se organiza em pressão de acordo com os momentos do adversário. Sai um jogador em pressão correcta para encurtar espaço e queimar linhas aqui e ali, e o culpado é ele, pois não houve seguimento, e ele criou um espaço para o adversário progredir.

- Distância de linhas. Incompreensível a forma como o Sporting não encontra soluções na sua transição ofensiva. Jogam muito distantes, sobretudo o duplo pivot a meio-campo dos avançados. Os movimentos interiores dos jogadores dos corredores laterais que o técnico exploram não são aproveitados pois não existe um apoio frontal imediato de um dos dois avançados, e quando o há, a bola morre ali. Solicitação quase sempre (perdida) do passe longo directo nos homens da frente. O bloco está muito recuado e as segundas bolas são uma miragem.

- Transição defensiva. Péssimo, péssimo, péssimo! Maniche e André Santos demoram eternidades a recuperar, não existindo um ponto fixo de equilíbrio do jogo da equipa em transição defensiva que deveria permitir aos colegas recuperar. Sobem de forma descoordenada e encontram-se quase sempre mal posicionados. Já para não falar dos laterais. A equipa está quase sempre partida em 2 em contra-pé.

- Não será certamente do treino mas o Sporting é das piores equipas do Mundo na zona de finalização. Raramente existem soluções, e quando elas aparecem, alguém as desperdiça. Mal sob o ponto de vista de criação e mobilidade no último reduto. Isto é trabalho e potenciação do modelo de jogo.

Muito Mau (Individual):

- Os sportinguistas adoram a raça e as correrias de João Pereira. Para mim, é mau demais como jogador. Primeiramente instável e sem estofo mental para estas competências. Em adversidade já sabemos quem erra e faz asneira ao nível disciplinar. Depois, muito mau em termos de ocupação do espaço interior e da cobertura defensiva. Fecha mal o seu espaço e é frequentemente batido por mau posicionamento.

- Nuno André Coelho é jovem, tem a sua qualidade, mas longe de ser um jogador de uma equipa que se considera grande. Mediano em quase tudo. A compleição física ajuda a disfarçar mas em antecipação é nulo, em leitura nem se fala.

- Maniche parece não querer assumir nada neste Sporting. Lento a recuperar, mal sob o ponto de vista posicional, sem fôlego para queimar metros entre linhas, fraco no último terço e na organização, tenta invariavelmente os mesmos desequilíbrios: passe para o lateral. Muito curto.

- Postiga é dos melhores avançados da Liga na recepção, no drible sob pressão, na protecção da bola. Apesar de continuar a achar que se trata de um problema de confiança e instabilidade, é o pior da Liga a finalizar. Muito mau.

- Liedson até subiu de rendimento, mas não chega. Não pressiona, não apresenta mobilidade, não cria desequilíbrios, não ganha vantagem em quase nada, e ainda finaliza mal. O que se passa?

Ainda assim...

- É o capitão e está em quase tudo o que existe de correcto no jogo do Sporting. Luta, essencialmente compreende o seu papel dentro de campo, muito inteligente nas abordagens e na forma como consegue fazer subir a equipa a partir de trás. Falo de Carriço.

- Vukcevic já se cansou de ser segunda opção. Vinha a ser dos melhores do Sporting e insiste-se em colocá-lo como reserva. Alguém explique a Paulo Sérgio que ele como segundo avançado e com mobilidade de exploração entre linhas, ia dar que falar.

- Jaime Valdés é o melhor jogador do Sporting. Muito forte no critério, na forma como assume o jogo e encara de frente os adversários. Normalmente jogadores assim, de fino recorte, só correm com bola. Errado. Jaime Valdés também vai atrás dela e luta pela sua posse. Uma surpresa.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eduardo Salvio em 4x3x3


O país voltou a ficar agitado mas, desta vez, bastaram apenas dois segundos para uma decisão ser tomada. Salvio assina pelo Benfica, um empréstimo válido por uma temporada sem opção de compra aparente no contrato de cedência.

Parece-me agora lógico que o Benfica vai estruturar um 4-3-3 posicional em organização ofensiva com a entrada deste jogador. Não faz sentido Jesus pensar nele como avançado, no 4-1-3-2, pois para além de existirem já opções de sobra (e com qualidade evidente), Salvio assume-se como 2ª opção em termos qualitativos para já. Aqui colocaria-o na mesma escala de Jara, pois ambos desempenhariam as mesmas funções e as mesmas perspectivas de opção.

Num 4-3-3 as coisas mudam de figura. Salvio é um jogador agressivo, muito mexido. É um dos avançados da nova linhagem argentina de pressão alta e qualidade técnica no espaço curto. Pode servir bem descaído numa das alas em constantes movimentos de ruptura interiores. Não me parece que possa ser opção no 4-1-3-2 como extremo direito ou extremo esquerdo, até porque o Benfica nesse sistema (e em qualquer outro) precisa obrigatoriamente de um jogador de equilíbrios e esse ainda está para vir, ou de largura e profundidade, e esse será Gaitán ou o próprio Coentrão.

Salvio vem acrescentar qualidade, parece-me notório, não se perspectiva comparação possível com Urreta, pois Salvio no imediato é melhor opção, pensamos sim no facto de existir um empréstimo de ambos os atletas com o Benfica a perder hipótese de explorar o seu produto para importar um jogador que, à primeira vista, fará apenas um ano na Luz.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Um Real a carborar


O Real Madrid fez hoje novo jogo de preparação frente aos belgas do Standard Liége com um nível de preparação mais adiantado em relação aos espanhóis. Foi interessante observar alguns dos aspectos fundamentais que Mourinho parece querer implementar na sua equipa:

- 4x4x2 com variante de 4x2x3x1 em organização defensiva e 4x1x3x2 em organização ofensiva.

- Abordando o ponto de partida de um 4x2x3x1 em transição ofensiva, com Lass Diarra a assumir papel de destaque por ser focado como primeiro elemento de construção, no passe curto e apoio rápido à lateral.

- Variantes posicionais de ruptura dos avançados em transição, dependendo do corredor em que a bola se encontra. Aqui Ronaldo vai explorar muito em transição ofensiva o flanco esquerdo e aparecerá na zona de finalização com facilidade.

- Foco principal do seu futebol em passe curto e basculação posicional de todos os elementos quer em acção de posse, quer em acção de equilíbrio e organização defensiva.

- Pressão média/alta, equilibrando-se com os duplos pivots defensivos, um em zonas de pressão e de transição do adversário, e outro no apoio ao quarteto defensivo, não permitindo que a equipa se parta em 2.

- Liberdade do elemento de apoio aos 2 da frente para fazer movimentos de ruptura constante, com e sem bola. Aqui Ozil e Kaka vão rebentar com as defesas contrárias.

Alguém diga a Quaresma que ainda não é tarde


Está em grande na Turquia. Não é tarde para vir a ser figura do futebol Mundial como capacidades - de sobra - que tem. Com 26 anos e a viver uma experiência nova na sua carreira, parece que a corda está esticada ao máximo e ele vai escolher para que lado quer que se parte.

Nunca duvidei do seu talento e da capacidade que oferece a uma equipa na zona de decisão pela tremenda eficácia e genialidade com que idealiza as suas acções. Goste-se ou não do estilo, critique-se ou não o profissionalismo, a prova de fogo de Quaresma está aí. Ou vinga, e dá o salto - e prova que ainda tem muito para dar -, ou fica-se pelos malabarismos e golos bonitos, num contexto médio-europeu, e não passa disso. Muito curto, para tudo o que tem.



domingo, 15 de agosto de 2010

Já chega de(ste) Liedson


Os adeptos do Sporting passam hoje mais um dia de mágoa e desilusão com a sua equipa. Daquilo que foi possível apurar à primeira vista, poucos são os que mantém a esperança de ver a sua equipa ser campeã nacional. Por incrível que pareça. E bastou apenas um jogo.

Não creio que seja necessário mandar tudo fora e trazer-se 25 jogadores novos. Contudo, há um caso que me parece arrastar-se já desde a temporada anterior e que teima em ser solucionado pelos responsáveis. É, passe-se o termo, o Nuno Gomes do Sporting, aí por volta das épocas 2005/2006, 2006/2007, 2007/2008, onde o capitão do Benfica assumia papel de destaque no ataque das águias e era criticado por quase todos.

Liedson vai a caminho dos 33 anos mas esse nem é o aspecto fundamental da crítica em relação às suas exibições. A pouca agressividade que vem emprestando ao jogo, o pouco querer, inclusivamente a inacreditável forma como parece ter desaprendido os posicionamentos da dinâmica ofensiva da equipa em organização ou em transição, fazem-me acreditar que caso Paulo Sérgio queira dar a volta ao seu problema, tem de começar a encostar alguns dos notáveis.

Caso Liedson não tivesse tanto peso no balneário, e ele faz gosto em dizê-lo, não sei até que ponto esta poderia ser uma medida assertiva da direcção. O pouco apetite pelos golos que tem evidenciado deixa-me a pensar o que lhe devem Postiga e Saleiro.

Mais fortes na organização, melhores tecnicamente, mais capazes fisicamente, e com uma coisa em comum: não sabem fazer golos frequentemente. Postiga por fraca capacidade mental. Saleiro porque não acerta, e não tem qualidade para mais. E Liedson porque... já deu o que tinha para dar no Sporting.

Desmistificar o "falhar tantos golos" e os apontamentos Caetano e Simão


- O Sporting apareceu hoje na Mata Real dentro daquilo que é a minha perspectiva para este sistema de Paulo Sérgio. Sobretudo nas alas da 2ª linha da equipa. Matias Fernandéz e Jaime Valdés tornam-se clientes obrigatórios deste sistema, permitindo à equipa maior proximidade entre o seu duplo pivot central a meio-campo e os dois avançados. Sobretudo pelo critério e capacidade de progressão que eles conseguem dar, com e sem bola. Até porque uma equipa que parece querer jogar num bloco subido, não pode explorar constantemente o passe directo nos dois avançados pela falta de elementos de ligação na zona de construção, sob o risco das transições rápidas sem a defesa do Sporting estar equilibrada serem uma constante.

- Não percebi a opção de jogar Carriço ao meio, independentemente das poucas opções. Tal como não percebo a insistência em Polga e Liedson, dois jogadores que já mostraram estar longe do seu auge e fundamentalmente fora do que é necessário para a alta roda competitiva que se pede a dois jogadores de um clube que luta para o título (justiça lhe seja feita).

- A anarquia final de um sistema com Postiga a servir Liedson, Saleiro, Djaló e Vukcevic, parece-me natural pois poucos foram ainda os espaços, essencialmente no treino, em que a equipa teve de procurar estratégias alternativas e variantes mais extremas daqueles que têm de ser os processos fundamentais apreendidos e exaustivamente repetidos para se assimilar um modelo e coesão de linhas orientadoras deste novo Sporting.

- Em relação às palavras finais do jogo, parece-me importante questionar onde estão as oportunidades de golo que Paulo Sérgio reclama não terem sido concretizadas. É que o Paços tem pelo menos Mário Rondon 2 vezes na cara de Rui Patrício e desperdiçou. O Sporting apresentou sim dificuldade na zona de construção e na forma como poucos foram os jogadores que conseguiram surgir em condições de desequilibrar e causar desequilíbrios na boa organização defensiva dos pacenses.

- Apesar deste sistema poder ser bem trabalhado com dois jogadores nas alas com capacidade de construção em terrenos mais interiores, é fundamental ter um avançado rápido, com mobilidade, sobretudo explorando as costas de outro avançado mais fixo, e que apareça nas faixas e no apoio directo ao duplo pivot. E é aqui que não percebo a não titularidade de Djaló.

- O bom jogo do Paços é uma realidade, sobretudo em termos organizacionais e de consolidação de processos, sobretudo na fase ofensiva, mas é efémero quanto a mim. Uma equipa com tantos jovens, e a ser esta a aposta estrutural de Rui Vitória, parece-me que frente aos velhotes manhosos que há no nosso futebol, as diferenças irão aparecer.

- Rui Caetano mostrou bons apontamentos e aos 19 anos parece ter levado muita gente a ficar entusiasmada com ele. Face à sua capacidade física (1,65cm, 56 kg) desproporcional às exigências de uma liga madura, por não ser muito veloz e muito explosivo, terá algumas dificuldades em assumir-se assim tão facilmente como se parece fazer crer.

- David Simão tem realmente um futebol acima da média, sobretudo na hora de decisão, saindo do seu pé esquerdo bolas quase sempre certas e rupturas perigosas, mas não aumentando a sua dinâmica e intensidade, terá dificuldades.

- Boas surpresas Olimpio e Rondon. Atenção a este avançado com espaço para correr.

sábado, 14 de agosto de 2010

A ausência confrangedora de Maxi


Os adeptos do Benfica têm esta peculiaridade e os portugueses no geral também o manifestam. Um jogo bastou para os receios e os problemas voltarem a assolar a casa benfiquista. Aliás, custa entender como é possível a derrota com o Porto criar tantas questões na cabeça das pessoas. Certo é que já existiam dúvidas e pistas para este culminar... as vendas, a preparação, o planeamento, os reforços... algo não está a corresponder ao esperado.

Contudo, eu aponto baterias na forma como se descartou a possibilidade de integrar Maxi Pereira o mais cedo possível na pré-época. Fucile, chegou uma semana antes de Maxi. É necessário referir a importância extrema que o uruguaio tem neste sistema do Benfica. Considero-o inclusivamente um dos melhores laterais direitos do Mundo. E os laterais assumem, neste futebol moderno, um dos pontos estratégicos fundamentais de qualquer equipa.

Maxi assume-se muito forte no aspecto defensivo, mas acima de tudo na fase ofensiva do jogo. Defensivamente é muito forte na ocupação do espaço e na leitura da forma como tem de se posicionar em organização, dar equilíbrio em outros espaços, ou sair em pressing, quase sempre correctamente. Para além disso é muito agressivo na abordagem e na disputa física.

Ofensivamente assume-se como um dos principais jogadores deste Benfica. Não pelas fintas maravilhosas que não tem, mas sim pelos constantes movimentos de ruptura e de mobilidade que apresenta pelo seu flanco. Para além disso, apresenta-se muito forte em progressão, o que permite à equipa subir linhas e ter opções mais próximas em transição. No espaço interior, e em espaço curto, faz a diferença.

Neste 4x1x3x2, a forma como equilibra constantemente as saídas em pressão de Ramires, ou aparece como referência posicional no corredor lateral direito em profundidade, segurando bem e partindo melhor em progressão, faz com que o Benfica jogue mais próximo e mais forte no típico jogo do passe curto e ruptura rápida posicional.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Bebé para adulto pensar


Não poderia deixar de fugir ao assunto do dia. Primeiro porque sou adepto extremo da tese "os jogadores dos pequenos é que vão ser jogadores, os dos grandes não têm hipótese". E passo a explicar.

Alguém consideraria, por exemplo, Diogo Salomão ou Bebé, há dois anos atrás, mais promissores do que um Bruno Matias ou André Carvalhas? A razão é clara. Os jogadores dos grandes, em fim citados, com pouco espaço e pouca aposta da parte dos seus clubes, foram coleccionando empréstimos e esquecendo a génese de uma expectativa grande em relação a dois nomes (entre tantos outros) que geram imenso potencial. Os "pequeninos", foram passo a passo, com espaço e fundamentalmente aposta, construindo uma carreira interessante e a dar os seus frutos.

Bebé é um jovem com muito potencial e com características muito interessantes para o futebol moderno. Naturalmente, totalmente capacitado e "peixe na água" no futebol inglês. Mas reparemos, estamos a falar de um menino da rua, sem qualquer experiência ou base de futebol de alto rendimento.

É a prova provada que o talento inato, supera todas as perspectivas de trabalho baseado no estudo e na especialização juvenil. As qualidades físicas nasceram com ele, a forma como alia a potência muscular, à velocidade, à coordenação, à capacidade de drible, à imprevisibilidade e facilidade de remate de longa distância, fazem todos os adeptos de futebol perguntar onde começou e acabou o trabalho evolutivo com este jovem.

"Bebé (20 anos) - Muito forte fisicamente, veloz e com excelente poder de drible, vai ser uma das grandes revelações desta prova. Joga em ambas as alas ofensivas, pode jogar também por dentro, assume-se como um jovem muito promissor.", de 23 de Julho 2010.

Não esquecendo, nesta análise, mais uma vez, um dos temas já aqui abordados: O factor JM. Está em todas, e o seu crédito parece não ter fim seja em que clube for.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O potencial tremendo dos Meninos da Vila e cia.


O novo Brasil estreou-se esta madrugada frente aos Estados Unidos e venceu o teste por 2-0. Mano Menezes, aposta de recurso, ou não, entrou com o pé direito à frente do escrete e venceu sem margem para dúvidas.

Os Estados Unidos foram presa fácil ao longo de todo o encontro, parecendo-me uma equipa totalmente desfasada da alta roda competitiva a que qualquer equipa que chegue aos oitavos-de-final de um recente Mundial deveria apresentar.

Ainda assim, o destaque da noite vai para o potencial tremendo dos brasileiros, sobretudo a apontar baterias para a próxima década de grandes competições internacionais ao nível de selecções. O destaque vai para a terceira geração dos meninos da vila, com o capitão da segunda, incógnita constante pela irregularidade, mas para quem gosta do estilo, fundamental em qualquer sistema. Falo de Robinho.

O mais velho em campo (27 anos), lidera uma equipa de meninos com imenso talento. O Brasil dispôs-se num 4-1-2-3, com triângulo invertido a meio-campo, com muita mobilidade. O típico futebol canarinho, de toque curto e imprevisibilidade, muito assente no princípio fundamental da posse de bola e circulação.

É um regalo ver Paulo Henrique Ganso, o futuro grande médio centro mundial dos próximos dez anos. Não é uma questão de jogar muito bonito e por vezes pouco eficiente, mas a forma como trata a bola, como joga no espaço curto e, sobretudo, como dá dimensão ao sentido pensar-decidir-executar, juntando a forma como executa e dá início rapidamente ao seu processo seguinte (movimentação), fazem-me acreditar que está aqui um dos melhores do Mundo para os próximos anos.

Neymar está a crescer a olhos vistos. Começa a perceber cada vez mais a eficiência e objectividade que tem de dar ao seu futebol. Velocidade de ponta com e sem bola, muito virtuoso, dono da bola, assume aos 18 anos sem receio ir para cima de qualquer adversário, tendo especial apetite pelo golo. Que talento.

Alexandre Pato até nem é surpresa, não foi ao Mundial, mas promete continuar a crescer e a afirmar-se. Tecnicamente muito dotado, frio e eficaz na hora de decidir, muito talento. Apenas 20 anos.

Lucas Leiva (23 anos), sob o ponto de vista dos equilíbrios que este sistema tem de ter, assumiu com Ramires (23 anos) um papel de critério e qualidade importante no primeiro toque em transição, fundamental também pelos apoios exteriores dos jogadores dos corredores laterais, nomeadamente André Santos (27 anos) e Daniel Alves (27 anos).

A forma como este Brasil procura o seu primeiro elemento de transição constantemente no corredor lateral a partir de um movimento de ruptura de um lateral, abrindo espaço no flanco oposto, e tendo jogadores capazes de decidir rápido na zona de construção explorando esses espaços com elementos muito fortes no drible e na criatividade, não deixam dúvidas quanto ao potencial deste novo Brasil, se a filosofia se mantiver. É que faltam 4 anos para a Copa 2014 e faz todo o sentido escolher o lote base e trabalhar-se sobre ele com o sentido de o fazer crescer conjuntamente.

Está aí a nova vaga de talentos dos próximos cabeças de série a nível Mundial: Ganso (Brasil - 20 anos), Neymar (Brasil - 18 anos), Ozil (Alemanha - 21 anos), Thomas Muller (Alemanha - 20 anos), Sergio Canales (Espanha - 19 anos) e Dani Pacheco (Espanha - 19 anos).

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Supertaça: Os momentos de ligação


Nem tudo foi assim tão fantástico no FC Porto da Supertaça. Estrategicamente mais fortes do que o Benfica e, sobretudo, com mais eficiência, embora sem fazer um jogo extraordinário, os dragões são justos vencedores, até porque ou por demérito do Benfica ou por mérito da sua organização defensiva, os encarnados foram preza fácil para a conquista de mais uma Supertaça.

Contudo, para este jogo, chamo a factor principal de diferenciação entre as duas equipas os momentos de ligação nas suas fases do jogo. Sobretudo pela forma como as realizaram e a eficácia dos intervenientes com que as executaram.

Transição Positiva:

- A disponibilidade de Varela em assumir-se como a principal referência na transição ofensiva do Porto, até porque teve espaço para o fazer. A forma como o Porto baixou e basculou o seu flanco direito, deu metros e metros às arrancadas de Varela. E a sua velocidade e cada vez mais eficiência nas suas acções, fizeram a diferença.

- Belluschi. Foi capaz de ocupar quase sempre bem os espaços e de ter sempre uma palavra a dizer na zona de construção, onde se vem revelando um dos principais elementos deste Porto. Parece-me actualmente bem mais decisivo que Micael.

- Fernando foi batido apenas uma vez, no lance em que vai no carrinho e faz falta (perigosa) sobre Coentrão. Excelente na forma como equilibra os vários momentos da equipa e não permite que ela se divida. Posicionalmente perfeito.

- Porque Falcão é um avançado de topo. Permite à equipa jogar mais subida, explora bem as costas da defesa, aparece quase sempre em zonas de finalização com engenho para o fazer. Dos melhores em Portugal dos últimos anos.

- David Luiz é cada vez mais jogador de topo. Preenchimento de espaços avassalador, ainda mais pela forma como saiu em transição inúmeras vezes a carregar o jogo ofensivo do Benfica às suas costas.

Transição Negativa:

- Carlos Martins nunca será um jogador de ligação. Jogando como Interior contra um adversário forte, e sobretudo, estando fisicamente desgastado, acaba por errar logicamente. O Benfica quebrou-se em dois pelo seu pouco sentido posicional em transição defensiva (até porque era ele que perdia a maioria das bolas).

- A posição (espaço) 6 e 10 em organização defensiva. Foi lógico que o Benfica perdeu a luta no corredor central e sobretudo despovoou-o. Se Airton baixou causando equilíbrios defensivos, e Aimar procurava cumprir posicionalmente o papel do trinco brasileiro, existia um fosso grande entre a zona de ligação do Benfica e os seus elementos mais adiantados. Quase que a equipa partida em 2 em organização defensiva e transição ofensiva. Até porque Martins nunca ocupou bem os espaços.

- Hulk foi dos piores de Aveiro. Muito mal sob o capítulo da decisão que emprestou às suas acções. Quase sempre batido, poucas vezes revelador dos seus atributos, muitas vezes ridicularizado.

domingo, 8 de agosto de 2010

Fábio Coentrão, Jorge Jesus e a banalidade


Continuo a ficar surpreendido e estupefacto com a opinião pública (leia-se, adeptos) nos momentos seguintes aos desaires ou exibições menos conseguidas dos jogadores do seu clube. O Benfica acabou por perder ontem - e bem - pois o Porto revelou-se mais forte em todos os momentos do jogo, o que torna realmente surpreendente o desfecho do jogo, porque uma equipa com os processos tão bem consolidados em relação às novidades dos azuis e brancos, não pode ser tão inofensiva como o Benfica ontem foi, independentemente dos jogadores que ontem faltaram, pois as dinâmicas que eles imprimem, não podem suplantar a organização estrutural e funcional da equipa.

Mas o meu comentário de hoje recai sobre Fábio Coentrão e mais propriamente sobre a sua utilização como Médio Ala Esquerdo no jogo de ontem. A "descoberta" de Jorge Jesus, surge por um ponto fundamental: Coentrão, o ano passado, estava a ser dos jogadores mais fortes do Benfica numa altura em que Dí Maria crescia a olhos vistos. E como não poderia, nem um nem outro, ser opção de recurso, conciliou-se os dois pelo elevado volume ofensivo do jogo do Benfica.

Ou seja, partimos para um ponto inicial: Coentrão a Médio Esquerdo reclamou na época passada o lugar de titular ao novo galáctico do Real Madrid. Talvez por não ser assim tão banal a Ala Esquerdo. E comparações com Miguel do Valência... o que têm em comum? Miguel sempre foi um extremo curto, cresceu muito como lateral... Coentrão é um jogador de topo quer como lateral quer como extremo.

A qualidade dos jogadores e o espaço que ocupam são dois factores que não se dissociam e Coentrão pela forma agressiva como aborda as zonas de pressão, a facilidade e integração em momentos ofensivos, o drible e a velocidade que imprime nos seus lances, e sobretudo, em termos estratégicos, a forma como explora e dá largura e profundidade ao corredor, foi o que levou Jesus a colocá-lo ontem como extremo.

Face a uma organização funcional e estrutural que pretendeu ser equivalente ao ano anterior, frente a uma equipa muito forte a meio-campo (o recente 4-3-3 poderia ter problemas), Coentrão surgia como elemento fundamental na forma como puxaria Hulk para trás e obrigava invariavelmente em transição o centro de jogo a mudar daquela zona, explorando o corredor contrário.

Acontece que do outro lado esteve um super Varela. Em termos estratégicos percebo exactamente o que quis ter Jesus, obrigando os médios em acção de pressão e cobertura do Porto a caírem no seu flanco direito, caindo Saviola no flanco oposto de forma a explorar esses espaços.

Foi tudo certo sob a minha forma de observação. Acontece que as dinâmicas colectivas, sobretudo pelas acções individuais, não corresponderam ao esperado no plano táctico. César Peixoto foi dos melhores ontem. E por aí se vê a mediania em que esteve o Benfica ontem. Uma falta gritante de ocupação do espaço central entre a zona de construção e zona de decisão, pois como Saviola foi um intenso explorador de outros espaços, era necessário mais de Aimar nessa zona. E o argentino não o conseguiu fazer por uma falta de fulgor que me surpreendeu. Com a entrada de Jara o Benfica mudou e cresceu, pois essa foi uma debilidade evidente e corrigida.

Contas feitas, parece-me evidente que o Benfica necessita de outro jogador, quem sabe dois. Um Médio Interior, capaz de ocupar os espaços de ligação entre fase defensiva e ofensiva do jogo com a mesma eficiência de Ramires, forte nas transições e com poder de largura no jogo. E, se for possível, um jogador com as características que tem um dos nomes que mais se fala... Ben Arfa. Jogador de corredor central capaz de ocupar também uma faixa, de criação e velocidade. Sobretudo, a expectativa de Jesus foi essa. Pois Coentrão, jogue onde jogar, é um jogador de topo.