domingo, 15 de agosto de 2010

Desmistificar o "falhar tantos golos" e os apontamentos Caetano e Simão


- O Sporting apareceu hoje na Mata Real dentro daquilo que é a minha perspectiva para este sistema de Paulo Sérgio. Sobretudo nas alas da 2ª linha da equipa. Matias Fernandéz e Jaime Valdés tornam-se clientes obrigatórios deste sistema, permitindo à equipa maior proximidade entre o seu duplo pivot central a meio-campo e os dois avançados. Sobretudo pelo critério e capacidade de progressão que eles conseguem dar, com e sem bola. Até porque uma equipa que parece querer jogar num bloco subido, não pode explorar constantemente o passe directo nos dois avançados pela falta de elementos de ligação na zona de construção, sob o risco das transições rápidas sem a defesa do Sporting estar equilibrada serem uma constante.

- Não percebi a opção de jogar Carriço ao meio, independentemente das poucas opções. Tal como não percebo a insistência em Polga e Liedson, dois jogadores que já mostraram estar longe do seu auge e fundamentalmente fora do que é necessário para a alta roda competitiva que se pede a dois jogadores de um clube que luta para o título (justiça lhe seja feita).

- A anarquia final de um sistema com Postiga a servir Liedson, Saleiro, Djaló e Vukcevic, parece-me natural pois poucos foram ainda os espaços, essencialmente no treino, em que a equipa teve de procurar estratégias alternativas e variantes mais extremas daqueles que têm de ser os processos fundamentais apreendidos e exaustivamente repetidos para se assimilar um modelo e coesão de linhas orientadoras deste novo Sporting.

- Em relação às palavras finais do jogo, parece-me importante questionar onde estão as oportunidades de golo que Paulo Sérgio reclama não terem sido concretizadas. É que o Paços tem pelo menos Mário Rondon 2 vezes na cara de Rui Patrício e desperdiçou. O Sporting apresentou sim dificuldade na zona de construção e na forma como poucos foram os jogadores que conseguiram surgir em condições de desequilibrar e causar desequilíbrios na boa organização defensiva dos pacenses.

- Apesar deste sistema poder ser bem trabalhado com dois jogadores nas alas com capacidade de construção em terrenos mais interiores, é fundamental ter um avançado rápido, com mobilidade, sobretudo explorando as costas de outro avançado mais fixo, e que apareça nas faixas e no apoio directo ao duplo pivot. E é aqui que não percebo a não titularidade de Djaló.

- O bom jogo do Paços é uma realidade, sobretudo em termos organizacionais e de consolidação de processos, sobretudo na fase ofensiva, mas é efémero quanto a mim. Uma equipa com tantos jovens, e a ser esta a aposta estrutural de Rui Vitória, parece-me que frente aos velhotes manhosos que há no nosso futebol, as diferenças irão aparecer.

- Rui Caetano mostrou bons apontamentos e aos 19 anos parece ter levado muita gente a ficar entusiasmada com ele. Face à sua capacidade física (1,65cm, 56 kg) desproporcional às exigências de uma liga madura, por não ser muito veloz e muito explosivo, terá algumas dificuldades em assumir-se assim tão facilmente como se parece fazer crer.

- David Simão tem realmente um futebol acima da média, sobretudo na hora de decisão, saindo do seu pé esquerdo bolas quase sempre certas e rupturas perigosas, mas não aumentando a sua dinâmica e intensidade, terá dificuldades.

- Boas surpresas Olimpio e Rondon. Atenção a este avançado com espaço para correr.

sábado, 14 de agosto de 2010

A ausência confrangedora de Maxi


Os adeptos do Benfica têm esta peculiaridade e os portugueses no geral também o manifestam. Um jogo bastou para os receios e os problemas voltarem a assolar a casa benfiquista. Aliás, custa entender como é possível a derrota com o Porto criar tantas questões na cabeça das pessoas. Certo é que já existiam dúvidas e pistas para este culminar... as vendas, a preparação, o planeamento, os reforços... algo não está a corresponder ao esperado.

Contudo, eu aponto baterias na forma como se descartou a possibilidade de integrar Maxi Pereira o mais cedo possível na pré-época. Fucile, chegou uma semana antes de Maxi. É necessário referir a importância extrema que o uruguaio tem neste sistema do Benfica. Considero-o inclusivamente um dos melhores laterais direitos do Mundo. E os laterais assumem, neste futebol moderno, um dos pontos estratégicos fundamentais de qualquer equipa.

Maxi assume-se muito forte no aspecto defensivo, mas acima de tudo na fase ofensiva do jogo. Defensivamente é muito forte na ocupação do espaço e na leitura da forma como tem de se posicionar em organização, dar equilíbrio em outros espaços, ou sair em pressing, quase sempre correctamente. Para além disso é muito agressivo na abordagem e na disputa física.

Ofensivamente assume-se como um dos principais jogadores deste Benfica. Não pelas fintas maravilhosas que não tem, mas sim pelos constantes movimentos de ruptura e de mobilidade que apresenta pelo seu flanco. Para além disso, apresenta-se muito forte em progressão, o que permite à equipa subir linhas e ter opções mais próximas em transição. No espaço interior, e em espaço curto, faz a diferença.

Neste 4x1x3x2, a forma como equilibra constantemente as saídas em pressão de Ramires, ou aparece como referência posicional no corredor lateral direito em profundidade, segurando bem e partindo melhor em progressão, faz com que o Benfica jogue mais próximo e mais forte no típico jogo do passe curto e ruptura rápida posicional.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Bebé para adulto pensar


Não poderia deixar de fugir ao assunto do dia. Primeiro porque sou adepto extremo da tese "os jogadores dos pequenos é que vão ser jogadores, os dos grandes não têm hipótese". E passo a explicar.

Alguém consideraria, por exemplo, Diogo Salomão ou Bebé, há dois anos atrás, mais promissores do que um Bruno Matias ou André Carvalhas? A razão é clara. Os jogadores dos grandes, em fim citados, com pouco espaço e pouca aposta da parte dos seus clubes, foram coleccionando empréstimos e esquecendo a génese de uma expectativa grande em relação a dois nomes (entre tantos outros) que geram imenso potencial. Os "pequeninos", foram passo a passo, com espaço e fundamentalmente aposta, construindo uma carreira interessante e a dar os seus frutos.

Bebé é um jovem com muito potencial e com características muito interessantes para o futebol moderno. Naturalmente, totalmente capacitado e "peixe na água" no futebol inglês. Mas reparemos, estamos a falar de um menino da rua, sem qualquer experiência ou base de futebol de alto rendimento.

É a prova provada que o talento inato, supera todas as perspectivas de trabalho baseado no estudo e na especialização juvenil. As qualidades físicas nasceram com ele, a forma como alia a potência muscular, à velocidade, à coordenação, à capacidade de drible, à imprevisibilidade e facilidade de remate de longa distância, fazem todos os adeptos de futebol perguntar onde começou e acabou o trabalho evolutivo com este jovem.

"Bebé (20 anos) - Muito forte fisicamente, veloz e com excelente poder de drible, vai ser uma das grandes revelações desta prova. Joga em ambas as alas ofensivas, pode jogar também por dentro, assume-se como um jovem muito promissor.", de 23 de Julho 2010.

Não esquecendo, nesta análise, mais uma vez, um dos temas já aqui abordados: O factor JM. Está em todas, e o seu crédito parece não ter fim seja em que clube for.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O potencial tremendo dos Meninos da Vila e cia.


O novo Brasil estreou-se esta madrugada frente aos Estados Unidos e venceu o teste por 2-0. Mano Menezes, aposta de recurso, ou não, entrou com o pé direito à frente do escrete e venceu sem margem para dúvidas.

Os Estados Unidos foram presa fácil ao longo de todo o encontro, parecendo-me uma equipa totalmente desfasada da alta roda competitiva a que qualquer equipa que chegue aos oitavos-de-final de um recente Mundial deveria apresentar.

Ainda assim, o destaque da noite vai para o potencial tremendo dos brasileiros, sobretudo a apontar baterias para a próxima década de grandes competições internacionais ao nível de selecções. O destaque vai para a terceira geração dos meninos da vila, com o capitão da segunda, incógnita constante pela irregularidade, mas para quem gosta do estilo, fundamental em qualquer sistema. Falo de Robinho.

O mais velho em campo (27 anos), lidera uma equipa de meninos com imenso talento. O Brasil dispôs-se num 4-1-2-3, com triângulo invertido a meio-campo, com muita mobilidade. O típico futebol canarinho, de toque curto e imprevisibilidade, muito assente no princípio fundamental da posse de bola e circulação.

É um regalo ver Paulo Henrique Ganso, o futuro grande médio centro mundial dos próximos dez anos. Não é uma questão de jogar muito bonito e por vezes pouco eficiente, mas a forma como trata a bola, como joga no espaço curto e, sobretudo, como dá dimensão ao sentido pensar-decidir-executar, juntando a forma como executa e dá início rapidamente ao seu processo seguinte (movimentação), fazem-me acreditar que está aqui um dos melhores do Mundo para os próximos anos.

Neymar está a crescer a olhos vistos. Começa a perceber cada vez mais a eficiência e objectividade que tem de dar ao seu futebol. Velocidade de ponta com e sem bola, muito virtuoso, dono da bola, assume aos 18 anos sem receio ir para cima de qualquer adversário, tendo especial apetite pelo golo. Que talento.

Alexandre Pato até nem é surpresa, não foi ao Mundial, mas promete continuar a crescer e a afirmar-se. Tecnicamente muito dotado, frio e eficaz na hora de decidir, muito talento. Apenas 20 anos.

Lucas Leiva (23 anos), sob o ponto de vista dos equilíbrios que este sistema tem de ter, assumiu com Ramires (23 anos) um papel de critério e qualidade importante no primeiro toque em transição, fundamental também pelos apoios exteriores dos jogadores dos corredores laterais, nomeadamente André Santos (27 anos) e Daniel Alves (27 anos).

A forma como este Brasil procura o seu primeiro elemento de transição constantemente no corredor lateral a partir de um movimento de ruptura de um lateral, abrindo espaço no flanco oposto, e tendo jogadores capazes de decidir rápido na zona de construção explorando esses espaços com elementos muito fortes no drible e na criatividade, não deixam dúvidas quanto ao potencial deste novo Brasil, se a filosofia se mantiver. É que faltam 4 anos para a Copa 2014 e faz todo o sentido escolher o lote base e trabalhar-se sobre ele com o sentido de o fazer crescer conjuntamente.

Está aí a nova vaga de talentos dos próximos cabeças de série a nível Mundial: Ganso (Brasil - 20 anos), Neymar (Brasil - 18 anos), Ozil (Alemanha - 21 anos), Thomas Muller (Alemanha - 20 anos), Sergio Canales (Espanha - 19 anos) e Dani Pacheco (Espanha - 19 anos).

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Supertaça: Os momentos de ligação


Nem tudo foi assim tão fantástico no FC Porto da Supertaça. Estrategicamente mais fortes do que o Benfica e, sobretudo, com mais eficiência, embora sem fazer um jogo extraordinário, os dragões são justos vencedores, até porque ou por demérito do Benfica ou por mérito da sua organização defensiva, os encarnados foram preza fácil para a conquista de mais uma Supertaça.

Contudo, para este jogo, chamo a factor principal de diferenciação entre as duas equipas os momentos de ligação nas suas fases do jogo. Sobretudo pela forma como as realizaram e a eficácia dos intervenientes com que as executaram.

Transição Positiva:

- A disponibilidade de Varela em assumir-se como a principal referência na transição ofensiva do Porto, até porque teve espaço para o fazer. A forma como o Porto baixou e basculou o seu flanco direito, deu metros e metros às arrancadas de Varela. E a sua velocidade e cada vez mais eficiência nas suas acções, fizeram a diferença.

- Belluschi. Foi capaz de ocupar quase sempre bem os espaços e de ter sempre uma palavra a dizer na zona de construção, onde se vem revelando um dos principais elementos deste Porto. Parece-me actualmente bem mais decisivo que Micael.

- Fernando foi batido apenas uma vez, no lance em que vai no carrinho e faz falta (perigosa) sobre Coentrão. Excelente na forma como equilibra os vários momentos da equipa e não permite que ela se divida. Posicionalmente perfeito.

- Porque Falcão é um avançado de topo. Permite à equipa jogar mais subida, explora bem as costas da defesa, aparece quase sempre em zonas de finalização com engenho para o fazer. Dos melhores em Portugal dos últimos anos.

- David Luiz é cada vez mais jogador de topo. Preenchimento de espaços avassalador, ainda mais pela forma como saiu em transição inúmeras vezes a carregar o jogo ofensivo do Benfica às suas costas.

Transição Negativa:

- Carlos Martins nunca será um jogador de ligação. Jogando como Interior contra um adversário forte, e sobretudo, estando fisicamente desgastado, acaba por errar logicamente. O Benfica quebrou-se em dois pelo seu pouco sentido posicional em transição defensiva (até porque era ele que perdia a maioria das bolas).

- A posição (espaço) 6 e 10 em organização defensiva. Foi lógico que o Benfica perdeu a luta no corredor central e sobretudo despovoou-o. Se Airton baixou causando equilíbrios defensivos, e Aimar procurava cumprir posicionalmente o papel do trinco brasileiro, existia um fosso grande entre a zona de ligação do Benfica e os seus elementos mais adiantados. Quase que a equipa partida em 2 em organização defensiva e transição ofensiva. Até porque Martins nunca ocupou bem os espaços.

- Hulk foi dos piores de Aveiro. Muito mal sob o capítulo da decisão que emprestou às suas acções. Quase sempre batido, poucas vezes revelador dos seus atributos, muitas vezes ridicularizado.

domingo, 8 de agosto de 2010

Fábio Coentrão, Jorge Jesus e a banalidade


Continuo a ficar surpreendido e estupefacto com a opinião pública (leia-se, adeptos) nos momentos seguintes aos desaires ou exibições menos conseguidas dos jogadores do seu clube. O Benfica acabou por perder ontem - e bem - pois o Porto revelou-se mais forte em todos os momentos do jogo, o que torna realmente surpreendente o desfecho do jogo, porque uma equipa com os processos tão bem consolidados em relação às novidades dos azuis e brancos, não pode ser tão inofensiva como o Benfica ontem foi, independentemente dos jogadores que ontem faltaram, pois as dinâmicas que eles imprimem, não podem suplantar a organização estrutural e funcional da equipa.

Mas o meu comentário de hoje recai sobre Fábio Coentrão e mais propriamente sobre a sua utilização como Médio Ala Esquerdo no jogo de ontem. A "descoberta" de Jorge Jesus, surge por um ponto fundamental: Coentrão, o ano passado, estava a ser dos jogadores mais fortes do Benfica numa altura em que Dí Maria crescia a olhos vistos. E como não poderia, nem um nem outro, ser opção de recurso, conciliou-se os dois pelo elevado volume ofensivo do jogo do Benfica.

Ou seja, partimos para um ponto inicial: Coentrão a Médio Esquerdo reclamou na época passada o lugar de titular ao novo galáctico do Real Madrid. Talvez por não ser assim tão banal a Ala Esquerdo. E comparações com Miguel do Valência... o que têm em comum? Miguel sempre foi um extremo curto, cresceu muito como lateral... Coentrão é um jogador de topo quer como lateral quer como extremo.

A qualidade dos jogadores e o espaço que ocupam são dois factores que não se dissociam e Coentrão pela forma agressiva como aborda as zonas de pressão, a facilidade e integração em momentos ofensivos, o drible e a velocidade que imprime nos seus lances, e sobretudo, em termos estratégicos, a forma como explora e dá largura e profundidade ao corredor, foi o que levou Jesus a colocá-lo ontem como extremo.

Face a uma organização funcional e estrutural que pretendeu ser equivalente ao ano anterior, frente a uma equipa muito forte a meio-campo (o recente 4-3-3 poderia ter problemas), Coentrão surgia como elemento fundamental na forma como puxaria Hulk para trás e obrigava invariavelmente em transição o centro de jogo a mudar daquela zona, explorando o corredor contrário.

Acontece que do outro lado esteve um super Varela. Em termos estratégicos percebo exactamente o que quis ter Jesus, obrigando os médios em acção de pressão e cobertura do Porto a caírem no seu flanco direito, caindo Saviola no flanco oposto de forma a explorar esses espaços.

Foi tudo certo sob a minha forma de observação. Acontece que as dinâmicas colectivas, sobretudo pelas acções individuais, não corresponderam ao esperado no plano táctico. César Peixoto foi dos melhores ontem. E por aí se vê a mediania em que esteve o Benfica ontem. Uma falta gritante de ocupação do espaço central entre a zona de construção e zona de decisão, pois como Saviola foi um intenso explorador de outros espaços, era necessário mais de Aimar nessa zona. E o argentino não o conseguiu fazer por uma falta de fulgor que me surpreendeu. Com a entrada de Jara o Benfica mudou e cresceu, pois essa foi uma debilidade evidente e corrigida.

Contas feitas, parece-me evidente que o Benfica necessita de outro jogador, quem sabe dois. Um Médio Interior, capaz de ocupar os espaços de ligação entre fase defensiva e ofensiva do jogo com a mesma eficiência de Ramires, forte nas transições e com poder de largura no jogo. E, se for possível, um jogador com as características que tem um dos nomes que mais se fala... Ben Arfa. Jogador de corredor central capaz de ocupar também uma faixa, de criação e velocidade. Sobretudo, a expectativa de Jesus foi essa. Pois Coentrão, jogue onde jogar, é um jogador de topo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Danilo e Élton, o novo gverreiro


A imprensa italiana dá conta da possibilidade de Danilo Pereira, ex-Junior do Benfica e internacional sub-19, estar a ser disputado entre a Udinese e o AC Milan que acreditam no valor do jogador e ficaram bastante agradados com o seu desempenho no recente europeu sub-19 em que a selecção portuguesa venceu a congénere italiana.

Em final de contrato, Danilo é um trinco alto, possante, forte no preenchimento de espaços pela sua capacidade física e com bons recursos técnicos ao nível do passe curto e do drible. Não é um jogador muito forte ao nível do desarme e da leitura táctica e antecipação. Não me parece, e sempre o referi, jogador para o Benfica, embora acredite que possa construir uma carreira interessante em Portugal.

Entretanto foi com imensa surpresa que li o presidente do Vasco dar como certo o empréstimo de Élton ao Braga. Até porque sou um admirador das qualidades do jogador e porque já o referi aqui no blog a possibilidade de ser um bom reforço para o Benfica, na altura que se falava na compra de mais um avançado (antes de Kardec).

Em Dezembro:

http://vidadofutebol.blogspot.com/2009/12/club-de-regatas-vasco-da-gama.html
Foi, talvez, a figura maior dos cariocas na época agora finda. Marcou 27 golos, arrecadou o prémio de melhor marcador da prova e resolveu muitas partidas para os vascaínos. Aos 24 anos assumiu-se seriamente como uma das próximas figuras do brasileirão. Tem um pé esquerdo mortífero na hora de finalizar. Apesar de possuir capacidade técnica assinalável, não é um jogador muito forte no poder de finta, concentrando-se em espaços centrais, onde procura com rápidos movimentos explosivos o pé esquerdo para visar a baliza. Tem um porte físico invulgar para tanta agilidade (185cm, 84kg), joga bem de cabeça, muito frio a executar grandes penalidades e com óptimo sentido de posicionamento na altura de aparecer em espaços de finalização. Um Cardozo à brasileira... sem dúvida o melhor avançado da Série B no ano agora findo.


A instabilidade Postiga


Hélder Postiga deu hoje um pontapé na crise e parece, finalmente, ter agradado à maioria dos adeptos do Sporting, anos depois. É verdade! O facto de um ponta-de-lança, que vive de golos, passar meses e meses sem facturar, um jogador internacional e com carreira em clubes de nomeada, deixa toda a gente expectante em relação ao que se passa realmente com este jogador.

A mim parece-me natural que o grande entrave à afirmação de Hélder Postiga se deveu sempre ao acompanhamento e à confiança que os treinadores depositavam sobre si. O seu aparecimento com José Mourinho foi de altos e baixos, mas o special one sempre disse: Tem tudo para ser craque, mas vai ter de ouvir muita coisa que não gosta.

A falta de capacidade mental de Postiga em saber lidar com as adversidades e responder sobre os problemas, apareceu como um obstáculo alto de mais para o saber ultrapassar sozinho. Simplesmente alterou características, afastou-se da zona de finalização quase que como obrigado por si próprio, deixou de ser irreverente e empenhado.

Aliás, a forma como o jogador natural de Vila do Conde, no Euro 2004, marca um penalty decisivo "à panenka" contra a Inglaterra, faz-nos ver que algo não está correcto com ele sob o ponto de vista mental. É certo que correu bem. E se tivesse falhado? Não pensou nisso, naquele momento? A irreverência de um jovem com então 22 anos explica tudo? Não creio.

Postiga é um jogador que devidamente acompanhado e potencializado, pode dar bem mais ao futebol nacional do que aquilo que tem feito. Aos 28 anos aparece num Sporting remodelado e onde parece capaz de se impor. Para mim, ele e Saleiro são os dois jogadores mais aptos para integrar este 4x4x2 clássico de Paulo Sérgio. Sim, com Liedson de fora.

Sempre foi inteligente e apto em recursos técnicos para resolver problemas, bom com ambos os pés e prático na hora de finalizar. Foi perdendo algumas coisas ao longo dos anos, foi conquistando outras, embora acredite que as tenha escondido no meio da desconfiança e desacreditar com que todos - incluindo ele - foram olhando para o seu futebol.

Pode ser o seu ano, o tal pontapé na crise na instabilidade Postiga.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

E foi-se o queniano...


Recuperando o texto de Fevereiro "Com e sem Ramires":

Já aqui escrevi muitas vezes que Saviola é, neste Benfica, o jogador mais eficaz e decisivo no processo ofensivo e na definição dos momentos e métodos com que a equipa define a sua fase ofensiva.

Contudo, neste Benfica, há outro jogador que mexe com toda a estrutura na forma como joga e permite aos seus colegas jogarem. Acho que já ficou bem patente, e nem é pelo facto de hoje (vs. Vit. Setúbal) não ter sido titular, que o Benfica demolidor sob o ponto de vista da pressão e ocupação de espaços com bloco subido e a eliminar consecutivamente as zonas de transição do adversário, precisa de ter Ramires, e precisa que o queniano esteja ao seu nível em termos físicos para haver o Benfica capaz de vencer a qualquer equipa.

Ramires dentro dos processos de jogo do Benfica, desempenha funções essenciais quer na fase defensiva, quer na fase ofensiva. A forma como preenche os espaços e permite os equilíbrios defensivos, a quantidade de bolas que ganha ainda os adversários estão a procurar fazer uma transição correcta respeitando a sua filosofia ofensiva, a forma como deambula entre linhas e joga em penetração com constantes apoios quer em ligação com a subida do seu lateral (Maxi) quer com os movimentos entre-linhas de Saviola e, sobretudo, a necessidade de Aimar o ter a seu lado para conseguir progredir em espaços curtos e no jogo do "toca e foge", fazem dele, neste Benfica, um jogador essencial para as águias conseguirem potenciar os seus processos de jogo.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O pragmatismo-cinismo de Mourinho


Ao ler hoje as declarações de Casillas, o novo capitão do Real Madrid, fiquei com um pensamento bem mais claro em relação ao que tem sido o mais importante de todos os empregos de José Mourinho: a preparação.

Em termos de transferências sonantes, pouca coisa, como vem sendo seu hábito. Há sim, algumas alterações de fundo, e essas passaram pela saída das velhas raposas Guti e Raúl. Certo... tem havido uma onda de elogios e um recordar das inquestionáveis qualidades da personalidade Raúl e a aquilo que vou escrever é antagónico ao que todo o Mundo diz. Mas vou dizê-lo.

Mourinho cedo percebeu que para contrariar as rotinas e os hábitos de um clube gigante com resultados perdedores, tinha de mexer na base. E a base chamar-se-iam os donos do balneário, os jogadores capazes de virar os jogadores contra o treinador e, inquestionavelmente, fazerem com que o transfer seja nulo relativamente ao passado por qualquer técnico.

Mourinho é o melhor do Mundo pela humildade que tem em perceber que não consegue tudo sozinho e que é preciso mexer pois, por vezes, há pessoas mais fortes do que ele. Com as saídas de Guti e Raúl (e eu digo já que não acredito que os antigos treinadores do Real são tão maus como têm sido apregoados), Mourinho tem controlo total no balneário, pois a figura principal do clube passou a ser ele e não os pesos pesados da casa.

Retirou de cena, com glória, com despedidas gigantes, saudades imensas, os donos do clube. E ele, rindo-se na retaguarda, assumiu a liderança. Mourinho é, sobretudo, um génio pela forma simples como transforma o difícil no fácil. E fê-lo, uma vez mais.

Num clube de topo, com imensos títulos, a precisar de recuperar a história, Raul e Guti já nada têm a vencer no Mundo do futebol. Eles próprios o disseram. A ambição que já não têm, a determinação que se perdeu um pouco por todos os títulos que foram conquistando, fez Mourinho perceber que no seu balneário os líderes têm de querer ganhar, ganhar muito e muitas vezes.

Foi assim com o núcleo duro Vitor Baía, Jorge Costa, Deco e Derlei, foi assim com os então pouco galardoados John Terry, Frank Lampard e Drogba, e vai ser agora com um colosso ainda à procura das suas maiores façanhas a nível individual.

A saída da mística


Primeiro do que tudo, referir-me aos valores do negócio. O FC Porto acaba de vender o seu capitão de 28 anos para a Rússia por um valor cifrado em 22 milhões de € a pronto. O Zenit, clube onde já militam Fernando Meira e Danny, parece não ter grandes receios em dispensar grandes quantias pelos seus reforços. Mais uma vez, o Porto assume a dianteira... tem sido muito o dinheiro lucrado em vendas.

O futebol português sofre um rombo grande com esta saída. É certo que se torna complicado gostar do feitio e do estilo, sobretudo pela agressividade desmedida de Bruno Alves. Mas ele é um capitão. Não admite falhas e muito menos desleixos. Foi assim com Tomás Costa, um dia no treino.

Sempre fui um dos grandes admiradores do seu futebol. Não é um jogador ao nível de um Luisão ou David Luiz, na leitura e ocupação do espaços, fazendo valer sem dúvida alguma a sua grande capacidade aérea onde é, possivelmente, o melhor jogador do Mundo na impulsão, assim como a complementaridade com a qualidade na execução de livres directos.

Há quem diga tempo de salto mas engana-se. O tempo de salto de Bruno Alves é bom, certo, mas a impulsão com que sobe ao 2º e 3ºs andar é inacreditável. Talvez se explique pelos inúmeros jogos de futvolley que executa na areia da praia da Póvoa de Varzim que tem potenciado, ao longo dos anos, a sua aptidão para o jogo aéreo.

Mais uma vez se prova que havendo capacidade inata, juntamente com treino, a performance é facilmente potenciável. O FC Porto perde o seu melhor jogador, pelo menos o mais influente e fundamental, até porque a sua defesa dependia muito de si e do seu estatuto.
Recuperando o que escrevi sobre ele em Dezembro quando o elegi melhor jogador do ano de 2009 em Portugal:

Tive algumas dúvidas neste item. Por um lado, pensei em escolher alguém que pelo seu virtuosismo e qualidade resolvesse encontros e chamasse adeptos para o futebol. Por outro, acho justo dar esta nomeação a alguém que pela sua entrega, espírito e qualidade - mesmo que desagrade aos rivais - marcou um ano, também pela sua constante evolução. E o meu prémio para melhor do ano vai para Bruno Alves, do Porto. Um jogador viril, que nos anos anteriores fez capa (ou deveria ter feito) por bárbaras agressões aos adversários, mas que tem revelado um índice evolutivo fora do normal para alguém que vai caminhando já para as vinte e oito primaveras. Bruno Alves representa a mística de um clube vencedor, é um jogador muito forte na antecipação de lances, na leitura de jogo, nos lances aéreos (onde para mim é o jogador no Mundo com melhor capacidade de impulsão), que bate livres, e marca golos. Bruno Alves tornou-se um caso sério e é neste momento a grande bandeira do Porto. Sendo um defesa, e congregando tantos atributos positivos, que lhe conferem um sentido "completo" ao seu futebol, também aproveitando a nomeação da UEFA para a equipa do ano (o único a jogar no nosso campeonato), dou-lhe esta nomeação.

domingo, 1 de agosto de 2010

Breves do Benfica - Aston Villa


Os encarnados voltam a vencer o troféu do Guadiana e mais do que isso dão uma prova cabal em 45 minutos de que estão prontos para os primeiros desafios exigentes da temporada, a olhar já para a supertaça frente ao FC Porto.

PELA POSITIVA

- A dinâmica estrutural ofensiva da equipa. Com um sistema diferente, alternando um 4-1-2-3 com um 4-1-2-1-2 ao 4-3-3 com uma linha de 3 médios, por tudo passou este Benfica sobretudo pela dinâmica dos jogadores e capacidade de mobilidade que apresentaram.

- Franco Jara pareceu-me claramente o MVP de hoje. Para lerem o que escrevi sobre ele antes de se falar no Benfica visitem http://vidadofutebol.blogspot.com/2009/12/prospeccao-internacional-avancados_29.html. Fantástico pulmão, excelente abordagem na pressão (embora precise de ser mais comedido em algumas situações), muito forte no poder de receber de forma orientada e desequilibrar imediatamente em velocidade. Vai certamente crescer no poder de decisão e quando o fizer...

- Saviola e Cardozo. Entendem-se às mil maravilhas e a subtileza e eficiência de um, conjugando com a eficácia do outro, tornam este ataque do Benfica num dos mais demolidores dos últimos largos anos.

- Airton. Atenção ao desenvolvimento desta autêntica carraça. Sempre ele a assumir as coberturas e o preenchimento posicional ao avanço dos homens que o Benfica colocou em desequilíbrio ofensivo, contando-se inúmeras recuperações de bola (quase sempre em antecipação) e com uma facilidade de processos muito acima da média.

- David Luiz. É um senhor central e hoje viu-se, como a parceria com Luisão, o coloca a um nível que ele ainda não detém ao lado de qualquer outro jogador. Grande alma, grande qualidade.

MEDIANO

- Luis Filipe está a surpreender. Bom sob o aspecto ofensivo, forte a desequilibrar pelo seu corredor, embora cometa ainda alguns erros infantis. Normal face à qualidade (que não tem).

- Coentrão está a carregar baterias, parece-me evidente. O cansaço físico está agora a verificar-se sobre ele. Ainda assim, raros são os erros que cometeu em jogo.

- Exibição sem mácula, uma ou duas intervenções de bom nível, ainda a precisar de ser mais assertivo quando opta pelo pontapé longo. Falo de Roberto. A subir.

PELA NEGATIVA

- Sidnei. A minha opinião sobre ele mantém-se, mas a displicência com que aborda a bola (ou não o faz) e permite o golo ao Aston Villa, é característico da desconcentração e do pouco empenho que vem demonstrando.

- César Peixoto não deu seguimento ao crescimento que tem tido. Alheado do jogo e fisicamente muito em baixo.