quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O potencial tremendo dos Meninos da Vila e cia.


O novo Brasil estreou-se esta madrugada frente aos Estados Unidos e venceu o teste por 2-0. Mano Menezes, aposta de recurso, ou não, entrou com o pé direito à frente do escrete e venceu sem margem para dúvidas.

Os Estados Unidos foram presa fácil ao longo de todo o encontro, parecendo-me uma equipa totalmente desfasada da alta roda competitiva a que qualquer equipa que chegue aos oitavos-de-final de um recente Mundial deveria apresentar.

Ainda assim, o destaque da noite vai para o potencial tremendo dos brasileiros, sobretudo a apontar baterias para a próxima década de grandes competições internacionais ao nível de selecções. O destaque vai para a terceira geração dos meninos da vila, com o capitão da segunda, incógnita constante pela irregularidade, mas para quem gosta do estilo, fundamental em qualquer sistema. Falo de Robinho.

O mais velho em campo (27 anos), lidera uma equipa de meninos com imenso talento. O Brasil dispôs-se num 4-1-2-3, com triângulo invertido a meio-campo, com muita mobilidade. O típico futebol canarinho, de toque curto e imprevisibilidade, muito assente no princípio fundamental da posse de bola e circulação.

É um regalo ver Paulo Henrique Ganso, o futuro grande médio centro mundial dos próximos dez anos. Não é uma questão de jogar muito bonito e por vezes pouco eficiente, mas a forma como trata a bola, como joga no espaço curto e, sobretudo, como dá dimensão ao sentido pensar-decidir-executar, juntando a forma como executa e dá início rapidamente ao seu processo seguinte (movimentação), fazem-me acreditar que está aqui um dos melhores do Mundo para os próximos anos.

Neymar está a crescer a olhos vistos. Começa a perceber cada vez mais a eficiência e objectividade que tem de dar ao seu futebol. Velocidade de ponta com e sem bola, muito virtuoso, dono da bola, assume aos 18 anos sem receio ir para cima de qualquer adversário, tendo especial apetite pelo golo. Que talento.

Alexandre Pato até nem é surpresa, não foi ao Mundial, mas promete continuar a crescer e a afirmar-se. Tecnicamente muito dotado, frio e eficaz na hora de decidir, muito talento. Apenas 20 anos.

Lucas Leiva (23 anos), sob o ponto de vista dos equilíbrios que este sistema tem de ter, assumiu com Ramires (23 anos) um papel de critério e qualidade importante no primeiro toque em transição, fundamental também pelos apoios exteriores dos jogadores dos corredores laterais, nomeadamente André Santos (27 anos) e Daniel Alves (27 anos).

A forma como este Brasil procura o seu primeiro elemento de transição constantemente no corredor lateral a partir de um movimento de ruptura de um lateral, abrindo espaço no flanco oposto, e tendo jogadores capazes de decidir rápido na zona de construção explorando esses espaços com elementos muito fortes no drible e na criatividade, não deixam dúvidas quanto ao potencial deste novo Brasil, se a filosofia se mantiver. É que faltam 4 anos para a Copa 2014 e faz todo o sentido escolher o lote base e trabalhar-se sobre ele com o sentido de o fazer crescer conjuntamente.

Está aí a nova vaga de talentos dos próximos cabeças de série a nível Mundial: Ganso (Brasil - 20 anos), Neymar (Brasil - 18 anos), Ozil (Alemanha - 21 anos), Thomas Muller (Alemanha - 20 anos), Sergio Canales (Espanha - 19 anos) e Dani Pacheco (Espanha - 19 anos).

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Supertaça: Os momentos de ligação


Nem tudo foi assim tão fantástico no FC Porto da Supertaça. Estrategicamente mais fortes do que o Benfica e, sobretudo, com mais eficiência, embora sem fazer um jogo extraordinário, os dragões são justos vencedores, até porque ou por demérito do Benfica ou por mérito da sua organização defensiva, os encarnados foram preza fácil para a conquista de mais uma Supertaça.

Contudo, para este jogo, chamo a factor principal de diferenciação entre as duas equipas os momentos de ligação nas suas fases do jogo. Sobretudo pela forma como as realizaram e a eficácia dos intervenientes com que as executaram.

Transição Positiva:

- A disponibilidade de Varela em assumir-se como a principal referência na transição ofensiva do Porto, até porque teve espaço para o fazer. A forma como o Porto baixou e basculou o seu flanco direito, deu metros e metros às arrancadas de Varela. E a sua velocidade e cada vez mais eficiência nas suas acções, fizeram a diferença.

- Belluschi. Foi capaz de ocupar quase sempre bem os espaços e de ter sempre uma palavra a dizer na zona de construção, onde se vem revelando um dos principais elementos deste Porto. Parece-me actualmente bem mais decisivo que Micael.

- Fernando foi batido apenas uma vez, no lance em que vai no carrinho e faz falta (perigosa) sobre Coentrão. Excelente na forma como equilibra os vários momentos da equipa e não permite que ela se divida. Posicionalmente perfeito.

- Porque Falcão é um avançado de topo. Permite à equipa jogar mais subida, explora bem as costas da defesa, aparece quase sempre em zonas de finalização com engenho para o fazer. Dos melhores em Portugal dos últimos anos.

- David Luiz é cada vez mais jogador de topo. Preenchimento de espaços avassalador, ainda mais pela forma como saiu em transição inúmeras vezes a carregar o jogo ofensivo do Benfica às suas costas.

Transição Negativa:

- Carlos Martins nunca será um jogador de ligação. Jogando como Interior contra um adversário forte, e sobretudo, estando fisicamente desgastado, acaba por errar logicamente. O Benfica quebrou-se em dois pelo seu pouco sentido posicional em transição defensiva (até porque era ele que perdia a maioria das bolas).

- A posição (espaço) 6 e 10 em organização defensiva. Foi lógico que o Benfica perdeu a luta no corredor central e sobretudo despovoou-o. Se Airton baixou causando equilíbrios defensivos, e Aimar procurava cumprir posicionalmente o papel do trinco brasileiro, existia um fosso grande entre a zona de ligação do Benfica e os seus elementos mais adiantados. Quase que a equipa partida em 2 em organização defensiva e transição ofensiva. Até porque Martins nunca ocupou bem os espaços.

- Hulk foi dos piores de Aveiro. Muito mal sob o capítulo da decisão que emprestou às suas acções. Quase sempre batido, poucas vezes revelador dos seus atributos, muitas vezes ridicularizado.

domingo, 8 de agosto de 2010

Fábio Coentrão, Jorge Jesus e a banalidade


Continuo a ficar surpreendido e estupefacto com a opinião pública (leia-se, adeptos) nos momentos seguintes aos desaires ou exibições menos conseguidas dos jogadores do seu clube. O Benfica acabou por perder ontem - e bem - pois o Porto revelou-se mais forte em todos os momentos do jogo, o que torna realmente surpreendente o desfecho do jogo, porque uma equipa com os processos tão bem consolidados em relação às novidades dos azuis e brancos, não pode ser tão inofensiva como o Benfica ontem foi, independentemente dos jogadores que ontem faltaram, pois as dinâmicas que eles imprimem, não podem suplantar a organização estrutural e funcional da equipa.

Mas o meu comentário de hoje recai sobre Fábio Coentrão e mais propriamente sobre a sua utilização como Médio Ala Esquerdo no jogo de ontem. A "descoberta" de Jorge Jesus, surge por um ponto fundamental: Coentrão, o ano passado, estava a ser dos jogadores mais fortes do Benfica numa altura em que Dí Maria crescia a olhos vistos. E como não poderia, nem um nem outro, ser opção de recurso, conciliou-se os dois pelo elevado volume ofensivo do jogo do Benfica.

Ou seja, partimos para um ponto inicial: Coentrão a Médio Esquerdo reclamou na época passada o lugar de titular ao novo galáctico do Real Madrid. Talvez por não ser assim tão banal a Ala Esquerdo. E comparações com Miguel do Valência... o que têm em comum? Miguel sempre foi um extremo curto, cresceu muito como lateral... Coentrão é um jogador de topo quer como lateral quer como extremo.

A qualidade dos jogadores e o espaço que ocupam são dois factores que não se dissociam e Coentrão pela forma agressiva como aborda as zonas de pressão, a facilidade e integração em momentos ofensivos, o drible e a velocidade que imprime nos seus lances, e sobretudo, em termos estratégicos, a forma como explora e dá largura e profundidade ao corredor, foi o que levou Jesus a colocá-lo ontem como extremo.

Face a uma organização funcional e estrutural que pretendeu ser equivalente ao ano anterior, frente a uma equipa muito forte a meio-campo (o recente 4-3-3 poderia ter problemas), Coentrão surgia como elemento fundamental na forma como puxaria Hulk para trás e obrigava invariavelmente em transição o centro de jogo a mudar daquela zona, explorando o corredor contrário.

Acontece que do outro lado esteve um super Varela. Em termos estratégicos percebo exactamente o que quis ter Jesus, obrigando os médios em acção de pressão e cobertura do Porto a caírem no seu flanco direito, caindo Saviola no flanco oposto de forma a explorar esses espaços.

Foi tudo certo sob a minha forma de observação. Acontece que as dinâmicas colectivas, sobretudo pelas acções individuais, não corresponderam ao esperado no plano táctico. César Peixoto foi dos melhores ontem. E por aí se vê a mediania em que esteve o Benfica ontem. Uma falta gritante de ocupação do espaço central entre a zona de construção e zona de decisão, pois como Saviola foi um intenso explorador de outros espaços, era necessário mais de Aimar nessa zona. E o argentino não o conseguiu fazer por uma falta de fulgor que me surpreendeu. Com a entrada de Jara o Benfica mudou e cresceu, pois essa foi uma debilidade evidente e corrigida.

Contas feitas, parece-me evidente que o Benfica necessita de outro jogador, quem sabe dois. Um Médio Interior, capaz de ocupar os espaços de ligação entre fase defensiva e ofensiva do jogo com a mesma eficiência de Ramires, forte nas transições e com poder de largura no jogo. E, se for possível, um jogador com as características que tem um dos nomes que mais se fala... Ben Arfa. Jogador de corredor central capaz de ocupar também uma faixa, de criação e velocidade. Sobretudo, a expectativa de Jesus foi essa. Pois Coentrão, jogue onde jogar, é um jogador de topo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Danilo e Élton, o novo gverreiro


A imprensa italiana dá conta da possibilidade de Danilo Pereira, ex-Junior do Benfica e internacional sub-19, estar a ser disputado entre a Udinese e o AC Milan que acreditam no valor do jogador e ficaram bastante agradados com o seu desempenho no recente europeu sub-19 em que a selecção portuguesa venceu a congénere italiana.

Em final de contrato, Danilo é um trinco alto, possante, forte no preenchimento de espaços pela sua capacidade física e com bons recursos técnicos ao nível do passe curto e do drible. Não é um jogador muito forte ao nível do desarme e da leitura táctica e antecipação. Não me parece, e sempre o referi, jogador para o Benfica, embora acredite que possa construir uma carreira interessante em Portugal.

Entretanto foi com imensa surpresa que li o presidente do Vasco dar como certo o empréstimo de Élton ao Braga. Até porque sou um admirador das qualidades do jogador e porque já o referi aqui no blog a possibilidade de ser um bom reforço para o Benfica, na altura que se falava na compra de mais um avançado (antes de Kardec).

Em Dezembro:

http://vidadofutebol.blogspot.com/2009/12/club-de-regatas-vasco-da-gama.html
Foi, talvez, a figura maior dos cariocas na época agora finda. Marcou 27 golos, arrecadou o prémio de melhor marcador da prova e resolveu muitas partidas para os vascaínos. Aos 24 anos assumiu-se seriamente como uma das próximas figuras do brasileirão. Tem um pé esquerdo mortífero na hora de finalizar. Apesar de possuir capacidade técnica assinalável, não é um jogador muito forte no poder de finta, concentrando-se em espaços centrais, onde procura com rápidos movimentos explosivos o pé esquerdo para visar a baliza. Tem um porte físico invulgar para tanta agilidade (185cm, 84kg), joga bem de cabeça, muito frio a executar grandes penalidades e com óptimo sentido de posicionamento na altura de aparecer em espaços de finalização. Um Cardozo à brasileira... sem dúvida o melhor avançado da Série B no ano agora findo.


A instabilidade Postiga


Hélder Postiga deu hoje um pontapé na crise e parece, finalmente, ter agradado à maioria dos adeptos do Sporting, anos depois. É verdade! O facto de um ponta-de-lança, que vive de golos, passar meses e meses sem facturar, um jogador internacional e com carreira em clubes de nomeada, deixa toda a gente expectante em relação ao que se passa realmente com este jogador.

A mim parece-me natural que o grande entrave à afirmação de Hélder Postiga se deveu sempre ao acompanhamento e à confiança que os treinadores depositavam sobre si. O seu aparecimento com José Mourinho foi de altos e baixos, mas o special one sempre disse: Tem tudo para ser craque, mas vai ter de ouvir muita coisa que não gosta.

A falta de capacidade mental de Postiga em saber lidar com as adversidades e responder sobre os problemas, apareceu como um obstáculo alto de mais para o saber ultrapassar sozinho. Simplesmente alterou características, afastou-se da zona de finalização quase que como obrigado por si próprio, deixou de ser irreverente e empenhado.

Aliás, a forma como o jogador natural de Vila do Conde, no Euro 2004, marca um penalty decisivo "à panenka" contra a Inglaterra, faz-nos ver que algo não está correcto com ele sob o ponto de vista mental. É certo que correu bem. E se tivesse falhado? Não pensou nisso, naquele momento? A irreverência de um jovem com então 22 anos explica tudo? Não creio.

Postiga é um jogador que devidamente acompanhado e potencializado, pode dar bem mais ao futebol nacional do que aquilo que tem feito. Aos 28 anos aparece num Sporting remodelado e onde parece capaz de se impor. Para mim, ele e Saleiro são os dois jogadores mais aptos para integrar este 4x4x2 clássico de Paulo Sérgio. Sim, com Liedson de fora.

Sempre foi inteligente e apto em recursos técnicos para resolver problemas, bom com ambos os pés e prático na hora de finalizar. Foi perdendo algumas coisas ao longo dos anos, foi conquistando outras, embora acredite que as tenha escondido no meio da desconfiança e desacreditar com que todos - incluindo ele - foram olhando para o seu futebol.

Pode ser o seu ano, o tal pontapé na crise na instabilidade Postiga.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

E foi-se o queniano...


Recuperando o texto de Fevereiro "Com e sem Ramires":

Já aqui escrevi muitas vezes que Saviola é, neste Benfica, o jogador mais eficaz e decisivo no processo ofensivo e na definição dos momentos e métodos com que a equipa define a sua fase ofensiva.

Contudo, neste Benfica, há outro jogador que mexe com toda a estrutura na forma como joga e permite aos seus colegas jogarem. Acho que já ficou bem patente, e nem é pelo facto de hoje (vs. Vit. Setúbal) não ter sido titular, que o Benfica demolidor sob o ponto de vista da pressão e ocupação de espaços com bloco subido e a eliminar consecutivamente as zonas de transição do adversário, precisa de ter Ramires, e precisa que o queniano esteja ao seu nível em termos físicos para haver o Benfica capaz de vencer a qualquer equipa.

Ramires dentro dos processos de jogo do Benfica, desempenha funções essenciais quer na fase defensiva, quer na fase ofensiva. A forma como preenche os espaços e permite os equilíbrios defensivos, a quantidade de bolas que ganha ainda os adversários estão a procurar fazer uma transição correcta respeitando a sua filosofia ofensiva, a forma como deambula entre linhas e joga em penetração com constantes apoios quer em ligação com a subida do seu lateral (Maxi) quer com os movimentos entre-linhas de Saviola e, sobretudo, a necessidade de Aimar o ter a seu lado para conseguir progredir em espaços curtos e no jogo do "toca e foge", fazem dele, neste Benfica, um jogador essencial para as águias conseguirem potenciar os seus processos de jogo.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O pragmatismo-cinismo de Mourinho


Ao ler hoje as declarações de Casillas, o novo capitão do Real Madrid, fiquei com um pensamento bem mais claro em relação ao que tem sido o mais importante de todos os empregos de José Mourinho: a preparação.

Em termos de transferências sonantes, pouca coisa, como vem sendo seu hábito. Há sim, algumas alterações de fundo, e essas passaram pela saída das velhas raposas Guti e Raúl. Certo... tem havido uma onda de elogios e um recordar das inquestionáveis qualidades da personalidade Raúl e a aquilo que vou escrever é antagónico ao que todo o Mundo diz. Mas vou dizê-lo.

Mourinho cedo percebeu que para contrariar as rotinas e os hábitos de um clube gigante com resultados perdedores, tinha de mexer na base. E a base chamar-se-iam os donos do balneário, os jogadores capazes de virar os jogadores contra o treinador e, inquestionavelmente, fazerem com que o transfer seja nulo relativamente ao passado por qualquer técnico.

Mourinho é o melhor do Mundo pela humildade que tem em perceber que não consegue tudo sozinho e que é preciso mexer pois, por vezes, há pessoas mais fortes do que ele. Com as saídas de Guti e Raúl (e eu digo já que não acredito que os antigos treinadores do Real são tão maus como têm sido apregoados), Mourinho tem controlo total no balneário, pois a figura principal do clube passou a ser ele e não os pesos pesados da casa.

Retirou de cena, com glória, com despedidas gigantes, saudades imensas, os donos do clube. E ele, rindo-se na retaguarda, assumiu a liderança. Mourinho é, sobretudo, um génio pela forma simples como transforma o difícil no fácil. E fê-lo, uma vez mais.

Num clube de topo, com imensos títulos, a precisar de recuperar a história, Raul e Guti já nada têm a vencer no Mundo do futebol. Eles próprios o disseram. A ambição que já não têm, a determinação que se perdeu um pouco por todos os títulos que foram conquistando, fez Mourinho perceber que no seu balneário os líderes têm de querer ganhar, ganhar muito e muitas vezes.

Foi assim com o núcleo duro Vitor Baía, Jorge Costa, Deco e Derlei, foi assim com os então pouco galardoados John Terry, Frank Lampard e Drogba, e vai ser agora com um colosso ainda à procura das suas maiores façanhas a nível individual.

A saída da mística


Primeiro do que tudo, referir-me aos valores do negócio. O FC Porto acaba de vender o seu capitão de 28 anos para a Rússia por um valor cifrado em 22 milhões de € a pronto. O Zenit, clube onde já militam Fernando Meira e Danny, parece não ter grandes receios em dispensar grandes quantias pelos seus reforços. Mais uma vez, o Porto assume a dianteira... tem sido muito o dinheiro lucrado em vendas.

O futebol português sofre um rombo grande com esta saída. É certo que se torna complicado gostar do feitio e do estilo, sobretudo pela agressividade desmedida de Bruno Alves. Mas ele é um capitão. Não admite falhas e muito menos desleixos. Foi assim com Tomás Costa, um dia no treino.

Sempre fui um dos grandes admiradores do seu futebol. Não é um jogador ao nível de um Luisão ou David Luiz, na leitura e ocupação do espaços, fazendo valer sem dúvida alguma a sua grande capacidade aérea onde é, possivelmente, o melhor jogador do Mundo na impulsão, assim como a complementaridade com a qualidade na execução de livres directos.

Há quem diga tempo de salto mas engana-se. O tempo de salto de Bruno Alves é bom, certo, mas a impulsão com que sobe ao 2º e 3ºs andar é inacreditável. Talvez se explique pelos inúmeros jogos de futvolley que executa na areia da praia da Póvoa de Varzim que tem potenciado, ao longo dos anos, a sua aptidão para o jogo aéreo.

Mais uma vez se prova que havendo capacidade inata, juntamente com treino, a performance é facilmente potenciável. O FC Porto perde o seu melhor jogador, pelo menos o mais influente e fundamental, até porque a sua defesa dependia muito de si e do seu estatuto.
Recuperando o que escrevi sobre ele em Dezembro quando o elegi melhor jogador do ano de 2009 em Portugal:

Tive algumas dúvidas neste item. Por um lado, pensei em escolher alguém que pelo seu virtuosismo e qualidade resolvesse encontros e chamasse adeptos para o futebol. Por outro, acho justo dar esta nomeação a alguém que pela sua entrega, espírito e qualidade - mesmo que desagrade aos rivais - marcou um ano, também pela sua constante evolução. E o meu prémio para melhor do ano vai para Bruno Alves, do Porto. Um jogador viril, que nos anos anteriores fez capa (ou deveria ter feito) por bárbaras agressões aos adversários, mas que tem revelado um índice evolutivo fora do normal para alguém que vai caminhando já para as vinte e oito primaveras. Bruno Alves representa a mística de um clube vencedor, é um jogador muito forte na antecipação de lances, na leitura de jogo, nos lances aéreos (onde para mim é o jogador no Mundo com melhor capacidade de impulsão), que bate livres, e marca golos. Bruno Alves tornou-se um caso sério e é neste momento a grande bandeira do Porto. Sendo um defesa, e congregando tantos atributos positivos, que lhe conferem um sentido "completo" ao seu futebol, também aproveitando a nomeação da UEFA para a equipa do ano (o único a jogar no nosso campeonato), dou-lhe esta nomeação.

domingo, 1 de agosto de 2010

Breves do Benfica - Aston Villa


Os encarnados voltam a vencer o troféu do Guadiana e mais do que isso dão uma prova cabal em 45 minutos de que estão prontos para os primeiros desafios exigentes da temporada, a olhar já para a supertaça frente ao FC Porto.

PELA POSITIVA

- A dinâmica estrutural ofensiva da equipa. Com um sistema diferente, alternando um 4-1-2-3 com um 4-1-2-1-2 ao 4-3-3 com uma linha de 3 médios, por tudo passou este Benfica sobretudo pela dinâmica dos jogadores e capacidade de mobilidade que apresentaram.

- Franco Jara pareceu-me claramente o MVP de hoje. Para lerem o que escrevi sobre ele antes de se falar no Benfica visitem http://vidadofutebol.blogspot.com/2009/12/prospeccao-internacional-avancados_29.html. Fantástico pulmão, excelente abordagem na pressão (embora precise de ser mais comedido em algumas situações), muito forte no poder de receber de forma orientada e desequilibrar imediatamente em velocidade. Vai certamente crescer no poder de decisão e quando o fizer...

- Saviola e Cardozo. Entendem-se às mil maravilhas e a subtileza e eficiência de um, conjugando com a eficácia do outro, tornam este ataque do Benfica num dos mais demolidores dos últimos largos anos.

- Airton. Atenção ao desenvolvimento desta autêntica carraça. Sempre ele a assumir as coberturas e o preenchimento posicional ao avanço dos homens que o Benfica colocou em desequilíbrio ofensivo, contando-se inúmeras recuperações de bola (quase sempre em antecipação) e com uma facilidade de processos muito acima da média.

- David Luiz. É um senhor central e hoje viu-se, como a parceria com Luisão, o coloca a um nível que ele ainda não detém ao lado de qualquer outro jogador. Grande alma, grande qualidade.

MEDIANO

- Luis Filipe está a surpreender. Bom sob o aspecto ofensivo, forte a desequilibrar pelo seu corredor, embora cometa ainda alguns erros infantis. Normal face à qualidade (que não tem).

- Coentrão está a carregar baterias, parece-me evidente. O cansaço físico está agora a verificar-se sobre ele. Ainda assim, raros são os erros que cometeu em jogo.

- Exibição sem mácula, uma ou duas intervenções de bom nível, ainda a precisar de ser mais assertivo quando opta pelo pontapé longo. Falo de Roberto. A subir.

PELA NEGATIVA

- Sidnei. A minha opinião sobre ele mantém-se, mas a displicência com que aborda a bola (ou não o faz) e permite o golo ao Aston Villa, é característico da desconcentração e do pouco empenho que vem demonstrando.

- César Peixoto não deu seguimento ao crescimento que tem tido. Alheado do jogo e fisicamente muito em baixo.

Breves do Bordéus - Porto


Os azuis e brancos voltaram a perder no Torneio de Paris e ficaram no último lugar do grupo. Nada de assolador pois não são esses os pressupostos fundamentais do trabalho de pré-temporada de qualquer equipa. O Bordéus até jogou com uma equipa de segunda linha durante a primeira hora de jogo - tal como o Porto -, com destaque pela positiva para Saivet, um jovem em ascensão na equipa comandada por Tigana.

PELA POSITIVA

- Entrega e qualidade de Belluschi. Com forte concorrência parece lutar para ganhar o seu espaço. Sempre criativo e com critério, capaz na forma como executa rápido e a apresentar bons índices físicos.

- Afirmação de Varela. A época anterior não foi um oásis certamente. Jogador explosivo, inteligente, forte no um contra um e sobretudo bastante objectivo.

- A arma do processo de transição do Porto pelo flanco direito ganha muito com Fucile. Está em boa condição física e a sair, é uma grande perda para os azuis.

MEDIANO

- Souza. Poucas são as perspectivas de se assumir neste 4-1-2-3 de Villas Boas na posição 6 pois Fernando assume-se como uma das referências maiores do Porto, mas os apontamentos até aqui são positivos. Dinâmico q.b., inteligente táctica e posicionalmente, de toque curto e fácil.

- Micael é um jogador muito forte na organização da equipa. Basta assumir a batuta para se ver que define quase sempre bem os lances do encontro.

- Apesar da má condição física o que ajuda a péssima prestação ao nível da pressão e do auxílio defensivo na primeira zona de construção dos franceses, Walter parece ser aqueles "tanques de área" com capacidade de discutir quase tudo o que é lance dividido.

- Fundamental não se desistir de Ukra. Alterna o muito bom com o muito mau.

PELA NEGATIVA

- Falta de ligação entre sectores. Poucas foram as soluções de organização ofensiva apresentadas, muito por culta de um défice dos homens do centro do terreno e dos defesas laterais para constituírem opções úteis. Obrigou quase sempre à variante do jogo directo na frente.

- Muito pouca coordenação e agressividade na abordagem das bolas paradas defensivas. Para se jogar à zona é preciso ser agressivos no ataque à bola e coordenados sob o ponto de vista do posicionamento do colega mais próximo. Estão a demorar a entende-lo os jogadores.

- Apenas aqui e ali algumas demonstrações do pretendido pelo treinador. Futebol muito pouco criativo.

- Com Maicon e Sereno como opções as possibilidades de perigo do adversário crescem exponencialmente. Ambos sem ritmo e andamento para estas andanças.

O salto final


Talvez seja a última grande oportunidade para o eterno promissor (ou que o deixou de ser) Carlitos mostrar numa liga mais competitiva o seu futebol. Depois da quase transferência para a AS Roma, aparece agora num Hannover 96 a um nível semelhante, ou até mais baixo, do que o Basileia em termos europeus, mas numa competição bem mais forte e competitiva do que a Liga da Suiça.

Mais um atraente para se ver a Bundesliga, também para ver de que forma o Bayern Munique volta a arrasar com a concorrência. É que com tanto bom jogador no auge, exceptuando possivelmente Klose, mas com Gomez a aparecer, vamos ter certamente muitas possibilidades de ver a possível nova ascensão alemã ao nível de clubes.
Justificar completamente
Recuperando o post de Janeiro sobre ele:

No início do novo século, o Jornal "A Bola" lançou um livro de retrospectiva dos anos 80 e 90 e das suas previsões para a década seguinte. Na secção dos mais promissores futebolistas, ao lado de nomes como Quaresma ou Cristiano Ronaldo, aparecia o de Carlitos, um jovem a despontar na Liga Vitalis e com transferência firmada para o Benfica. Os seus feitos no Estoril, onde subiu os canarinhos da 2ª B para a Vitalis e da Vitalis para a primeira não ficaram despercebidos.

Jogou o Europeu de sub-21 pela selecção das quinas, sendo o único dos titulares que não jogava na divisão maior do futebol português. Marcou inclusivamente o golo que deu a Portugal o terceiro lugar no Euro 2004 de sub-21 já no prolongamento.
A sua ascensão era vertiginosa. Com carreira firmada na Arrentela, no Amora e no Estoril, era a vez do Benfica. Entrou nos encarnados no ano em que as águias quebraram o longo jejum de títulos. Carlitos iniciou a pré-época em Nyon a receber elogios de toda a gente, inclusivamente de Trapattoni. Há uma história de um treino, em que o italiano o mandou abrandar num exercício que se estava a realizar de sprints e agilidade, pois segundo ele, aquilo era demasiado veloz e poderia lesionar o atleta no caso de não conseguir abrandar da melhor forma nas curvas.

Contudo, teve o primeiro azar ainda nesse estágio. Lesionou-se e perdeu a embalagem que estava a começar a evidenciar. Para surpresa de todos, foi lançado às feras na sua estreia na pré-eliminatória da Liga dos Campeões contra o Anderlecht. O resultado de 3-0 a favor dos belgas e a sua substituição na segunda parte fizeram com que se levantassem algumas vozes críticas. Não se impôs na estreia, e o tribunal da Luz não perdoou.
Trapattoni, castigado pelas fracas exibições e alguns resultados menos conseguidos, não mais apostou no camisola 7 da Luz para o onze inicial. Jogou, quase sempre, não mais de 20 minutos, contrariando a média apenas uma vez, em que foi lançado ao intervalo, na famosa derrota de 4-1 no Restelo.

Tudo lhe corria mal, face à conjuntura da equipa que o dificultava em termos individuais.
No ano a seguir, com Koeman, faz a sua estreia em Alvalade. Sem confiança e com um Benfica aos repelões, que perdeu o jogo, não mais voltou a merecer a convocatória do técnico para o onze inicial. Em Janeiro transferiu-se por empréstimo para o Vitória de Setúbal onde deu uma sapatada na crise e se revelou uma das principais peças dos sadinos que chegaram à final da Taça de Portugal. Carlitos era titular e desfrutava do seu futebol, tendo feito 6 golos nessa segunda metade de época. Em 2006-2007 consumou a sua transferência para o Sion da Suiça onde foi estrela da companhia e marcou 9 golos nessa temporada.

Transfere-se no ano seguinte para o histórico Basileia onde tem alternado momentos de grande influência com outros de pouca utilização. Tem 10 golos ao serviço dos suiços, mais duas mãos cheias de assistências para golo.
Esta temporada chegou a ser alvo do interesse da AS Roma de Itália, (nas passada sdo Lyon de França e falou-se no FC Porto) mas um alegado diferendo de verbas impossibilitou aquele que seria até ao momento o maior passo da sua carreira, pelo menos em termos de exigência e obrigação competitiva. Aos 27 anos ainda tem muito para dar ao futebol, mas está na fase de deixar de ser a eterna promessa para se estabelecer como um bom jogador profissional de alto nível, caso queira deixar de ser visto como mais um dos que se perdeu, e que não soube potenciar em campo a valia individual que detém.

sábado, 31 de julho de 2010

Rosado de vergonha


As críticas de Leonardo Jardim à forma como se está a preparar o plantel do Beira-Mar foram eloquentes. Poucos jogadores prontos para a alta competição, as exigências de uma liga mais valiosa do que a sempre disputada 2ª divisão, e Diogo Rosado não resistiu ao sinal claro do técnico madeirense que quer as coisas como elas têm de ser, ou dele dificilmente terão complacência com actos de incompetência.

Admirei bastante o percurso deste técnico desde o tempo do Chaves e em nada me está a surpreender o seu trajecto. Diogo Rosado sentiu na pele a necessidade de passar para fora que venha ele de onde vier, ou trabalha, ou nada feito. E que apesar de estar à procura de jogadores, quem não encaixa no perfil, salta do barco.

Rosado é um jovem talentoso, excelente pé esquerdo, mas o ego grande que sempre teve parece ter colidido com a postura de Leonardo Jardim. Rosado é capaz de jogar na posição 8 ou 10 de qualquer sistema, pois apesar da pouca dinâmica e intensidade que apresenta (o que parece ser um problema crónico dos jovens portugueses saídos da formação), tem critério e inteligência para superar.

Leonardo Jardim deixou uma mensagem. E este Beira-Mar, mesmo com pouco talento, vai lutar até ao fim.