quarta-feira, 21 de julho de 2010

O que dará Nico Gaitán?


Até ao momento, na preparação da nova época «encarnada», tem sido visível de que forma o substituto de Di Maria pode fazer esquecer a nova contratação do Real Madrid. Não é fácil nem pode ser comparável o momento de adaptação de um e de outro, face ao ponto que Di Maria chegou com 19 anos, e Gaitán chega agora com 21.

Ambos são esquerdinos, mas confesso que na minha análise é esse o único ponto em que ambos podem ser considerados equivalentes. O futebol dos dois difere em tudo o resto. Conhecia Gaitán do Boca mas pouco. Fiquei extremamente agradado com o seu futebol.

Não é um extremo puro, parece-me francamente forte nos movimentos interiores de ruptura, com ou sem bola. Jogador de zona de criação e decisão, exímio nos pormenores técnicos em espaço curto, quer em drible ou em passe em acção de progressão, sem dúvida um jogador com um nível de inteligência muito acima da média e aqui, bem mais preponderante do que Di Maria num sistema mais rígido e menos flexível para as arrancadas do agora jogador do Real.

Di Maria é um jogador explosivo (Gaitán parece-me mais forte na aceleração) mas com uma velocidade de ponta muito superior ao agora reforço do Benfica. Di Maria, num sistema coeso e com poucas alterações estruturais de mobilidade dos seus jogadores, com a excepção do elemento fulcral de todo o processo ofensivo do Benfica - Javier Saviola - a equipa dependeu, sempre, muito da irreverência e da anarquia propositada dos movimentos de Di Maria.

Gaitán vem dar algo diferente. Mais previsível em termos posicionais e de movimentação, muito mais forte em espaços curtos e zonas de pressão mais intensas, sem tanto poder de velocidade no corredor e de desequilíbrio em largura, mas com mais qualidade no último terço e sobretudo maior qualidade de eficácia e eficiência na zona de decisão/finalização.

Tecnicamente parece-me um jogador muito dotado, forte no drible, algo natural nele, e que vai poder desempenhar as funções de 11, 7, 8 e inclusivamente a posição 10. Claramente um acréscimo em termos de eficácia e funcionalidade dentro de vários esquemas e sistemas de jogo.

domingo, 18 de julho de 2010

Martins para Carlos ver...


Quando lia um treinador na semana passada referir-se a vários jogadores como craques apenas do pescoço para baixo e isso os fez passar ao lado de grandes carreiras, recordo-me das imensas vezes que o futebol de Carlos Martins se torna inconsequente pela sua incapacidade de perceber que não se trata de um Zidane do pescoço para baixo, e que tem de o esquecer do pescoço para cima para ser o Carlos, o Carlos Martins, capaz de deixar o outro Carlos, o Queiróz, a fazer muitas contas e com bastantes dores do pescoço para cima para tentar explicar como não apostou neste Carlos... o Martins!

A ascenção da carreira de Carlos Martins dá-se com a sua passagem pelo Huelva e pelo aparecimento de Jorge Jesus na sua carreira. É difícil de compreender alguns jogadores com adornos excessivos e pensamentos incorrectos das suas acções de jogo, que comprometem toda a sua qualidade individual, capaz de empregar bem mais ao jogo colectivo das suas equipas. Carlos Martins é um desses casos.

Arrisco-me a dizer tratar-se de um médio de ligação, de decisão (embora em espaços mais recuados, de construção e exploração dessas zonas em vez da zona de decisão e finalização propriamente dita) de top europeu. Digo-o sem reservas, pois é dos mais fortes nesses espaços, pela inteligência e qualidade de processos, pela irreverência e sentido de agressividade e empenho no seu jogo.

Contudo, não o é, actualmente, de forma clara, até porque nem no Benfica assume estatuto de titular indiscutível, por alguma irregularidade que ainda apresenta, fruto de uma inconsequência por vezes gritante da sua excessiva confiança e desleixos - momentâneos - que apresenta nas suas acções.

É preciso saber lidar com a sua personalidade, com o seu estilo, com a sua imagem. Não tem nada a ver com outro médio português que já aqui falei, também enorme do pescoço para baixo, mas que tarda em dar o salto, e que pode já ser tarde. Falo de Manuel Fernandes. Martins e Fernandes, dois excluídos do Mundial, claramente dos melhores médios portugueses da actualidade, preteridos por jogadores certos, eficazes, trabalhadores e regulares, sem muito do seu talento: Raul Meireles, Ruben Amorim, Pedro Mendes... só para dar alguns exemplos.

Carlos Martins é capaz de carregar a decisão de um jogo às costas, capaz de a colocar na bancada, ou no fundo das redes, também na sala de troféus. É um jogador com um dom natural, por vezes, demasiado desaproveitado para tanto talento que tem. Até porque um dia, pressionado, ou não, pelas circunstâncias, Rui Costa garantiu ser ele o seu sucessor natural.

Talvez Martins apareça como o expoente máximo da nova vaga dos 10 do futebol actual, com o Benfica a ter nos seus quadros dois jogadores capazes de encarnar na perfeição as distâncias entre o romantismo do passado e a tremenda exigência do futuro no que à posição 10 diz respeito: Aimar, o fim dos 10 românticos, e Martins, a nova vaga dos poderosos preenchedores de espaços nas zonas de construção/decisão.

Se Martins continuar a crescer sob o ponto de vista físico e da agressividade e potência da sua condição atlética, aliando a excelente qualidade técnica, de passe e visão de jogo, também muito forte em progressão e no espaço curto, pode ainda dar muitas alegrias na batuta da construção de um futebol ofensivo de primeira água deste Benfica.

sábado, 17 de julho de 2010

Roberto Jiménez, o senhor 8,5 milhões


Esta é uma análise escrita e totalmente pensada imediatamente após o final do Benfica-Groningen relativo ao Torneio de Guimarães. Jogo esse em que Roberto sofreu três remates no alvo convertidos em três golos dos holandeses. Não será um texto de reflexão, mas sim de constatação de alguns factos, sem qualquer tipo de avaliação momentânea.

A entrada de Roberto no Benfica surge como uma lufada de ar fresco no nível de guarda-redes que o Benfica vem apresentando nos últimos largos anos, talvez com excepção de um grande senhor das balizas, honra à sua memória, de nome Robert Enke.

A aposta inequívoca de Jesus na contratação de um verdadeiro nº1, capaz de dar pontos, dentro da dimensão europeia de um Benfica conquistador, agradou a todos. Ninguém esperaria, contudo, a aposta no espanhol Roberto, um guarda-redes vindo do Saragoça, que a nível individual realizou uma excelente temporada.

Primeiro ponto de discussão: avaliação de qualidade do jogador, 6 a 8 meses. Roberto vinha então como dispensado do Atlético de Madrid, onde Sérgio Asenjo, Leo Franco ou mesmo David de Gea eram prioritários em relação a ele, embora reze a lenda que não fosse uma lesão que sofreu na era Abel Resino - que comentou a transferência para a Luz com um irónico "a crise não chegou a Portugal?" - pudesse ter agarrado o lugar nos colchoneros.

Chegado ao Benfica, desde logo o valor de 8,5 milhões de euros espantou tudo e todos. Primeiro por se tratar de um valor quase desconhecido a nível europeu. Depois, pelo montante exorbitante capaz de catapultar a sua transferência para o top 10 das mais caras a nível Mundial no que a guarda-redes diz respeito. Seguindo-se o facto de ser uma incógnita a nível profissional (6 meses a 8 de carreira numa liga de alto nível), concluindo no facto da opção de compra do Saragoça ao Atlético pelo seu passe estar cifrada em cerca de 3 milhões de euros, o que teria então acontecido para o preço que o Benfica se dispôs a pagar ser tão elevado?

Este é um ponto fulcral. Roberto tem todas as condições físicas e atléticas para ser um jogador de referência. Até pode, no futuro, render 20 ou 30 milhões ao Benfica. O cerne da questão prende-se com o montante desajustado que foi pago face ao que era o seu estatuto/rendimento/valor imediato, até pelo mercado pouco alargado que parecia ter.

Começou Roberto a jogar e começaram as desilusões. O jogo com o Sion em que é responsável pelos 2 golos de forma absolutamente incrível, pode ter sido um dia mau pois acontece a todos. Não é justo avaliar e muito menos crucificar por duas falhas em 90 minutos. Muitos menos justo será avaliar a sua prestação no jogo frente ao Groningen que em 3 remates que foram ao alvo, cifraram-se em 3 golos. Ou será justo avaliar pelas grandes penalidades que nem uma adivinhou o seu lado?

Ou como é possível avaliar um guarda-redes nos índices de confiança/segurança/concentração, pois no Saragoça era chamado a intervir constantemente, e no Benfica passam-se largos minutos sem ser chamado a intervir, estando portanto a um nível de performance abaixo do que é naturalmente o seu alto rendimento em termos de ritmo constante?

A questão é: O que esperam os responsáveis do Benfica ou mesmo os seus adeptos do terceiro jogador mais caro da história do clube, e logo um guarda-redes? O senhor das balizas, que viria dar pontos à equipa? A expectativa foi colocada a um ponto totalmente despropositado, quase ao mesmo nível da desconfiança e incerteza rodeada desta transferência.

Fundamental é observar que Roberto não tem responsabilidade directa na maioria dos golos que o Benfica tem sofrido, para os mais justos, enquanto que para os mais detractores, tem sido o grande culpado pelos golos contra os encarnados. E Quim, não era criticado e não foi mandado embora por defender apenas o possível? Por ser incapaz de dar pontos ou defesas impossíveis? Pela sua fraca presença de área?

Tirem as vossas conclusões face a todos estes pontos.

sábado, 3 de julho de 2010

Que se passa Alemanha, alguém falou em nervosismo?


Absolutamente fantástico. Frios, cínicos, eficazes. Estar sentado a ver o Alemanha-Argentina e ver a forma como os alemães escondem as suas ideias, as suas concepções, e sempre que exploram as suas estratégias, fazem estragos, faz-nos pensar na beleza do futebol estratégico e metódico dos treinadores vidrados na organização e no resultado.

Grande capacidade de organização defensiva e estruturação do seu bloco, totalmente intransponível. Tremeram nos minutos finais da primeira parte? Não concordo. Penso que foi um recuo estratégico e claramente à espera de "enervar" e explorar a fraca organização dos argentinos, sobretudo em transição defensiva pela incrível falta de rigor e disciplina táctica de Maradona no seu onze. Onde existia a primeira zona de construção? Em Messi? Como exploravam os argentinos a velocidade e eficácia dos seus homens da frente? Que tipo de organização defensiva e mestria na zona de criação pode existir se nem os próprios jogadores as definiram bem?

A Alemanha baixou o bloco, deu o jogo aos argentinos, e fez aquilo que mais gosta. Qual muro de Berlim, fantásticos sob o ponto de vista da ocupação do espaço e da percepção dos vários momentos do jogo, num 4-2-3-1 totalmente vocacionado para um futebol de basculação e organização, venenoso em transições, onde ganhou realmente o jogo. Schweinsteiger na batuta e a gerir os ritmos, sempre que o seu jogo se encontrava mais pausado e numa fase de organização, Ozil sempre que era necessário esticar e explorar as costas dos argentinos em rápidas transições, Thomas Muller, hoje até nem esteve em grande destaque, mas com as rotações de sempre, ao mais alto nível.

E quem tem um Klose, rápido, veloz, exímio finalizador e com bastante inteligência táctica, aspira claramente a ter a equipa mais forte do Mundial até ao momento. E ainda não falei de Khedira. Que excelente surpresa. Neuer, claramente o nº1 desta prova. Vamos ver a verdadeira final antecipada, entre espanhóis e alemães. O pouco ritmo e a pouca intensidade que os espanhóis parecem apresentar, fazem-me crer que, mais uma vez, os alemães vão triunfar. Até porque Xavi e Iniesta poderão ser facilmente neutralizados, e a Alemanha poderá, ou não, perder essa ligação de criação e transição dos seus pivots. A ver vamos o que nos espera.

E venceu a zona de decisão


Confesso que não me surpreendi pelo resultado, mas estava expectante para observar as naturais dificuldades que os holandeses iriam enfrentar hoje frente ao Brasil. Sempre foi uma velha máxima: se não podes marcar, tenta não sofrer. Se estás por baixo, tenta não descer ainda mais. Até que haja uma mudança.

Como todas estas expressões fazem sentido observando um Holanda-Brasil do Mundial, duas selecções favoritas, longe de ser um jogo empolgante de quem entra na frente nas casas de apostas rumo à vitória neste Mundial.

O Brasil de Dunga apareceu muito equivalente à Selecção Holandesa onde os seus jogadores da zona de decisão parecem ser donos e senhores de uma mecânica bem oleada pelos seus principais jogadores mas com claros défices sobretudo na sua fase defensiva.

Ambos num 4-5-1 em organização defensiva, embora existissem nuances desse sistema passando para um 4-2-3-1 em transição defensiva. Aqui, Van Bommel numa pressão mais subida, também com missões de maior apoio na fase de construção e circulação, exactamente o mesmo do outro lado, desta vez orquestrado por Gilberto Silva ou Felipe Melo, conforme as suas zonas de acção.

Primeira parte, sistemas iguais, formas semelhantes, diferentes nas dinâmicas e posturas. Um Brasil mais mastigado, de maior segurança, maior controlo, claramente surpreendente na forma como conseguiu incorporar Robinho e Dani Alves em zonas de finalização com frequência, o que facilmente poderia ter transformado em golo por mais do que uma ocasião. A Holanda explorando as costas dos brasileiros, numa estratégia mais de contenção com saídas rápidas pelos seus principais elementos (Robben e Van Persie em ataque rápido), apenas faltava a tal mudança, o clique para funcionar: E ele residia na libertação de Sneijder.

O técnico holandês baralhou ao intervalo e conseguiu explorar mais eficientemente o potencial de Sneijder. Foi então que a zona de decisão holandesa fez toda a diferença. Incrível como Sneijder e Robben, na minha opinião, a par de Messi, o top 3 forma/rendimento da época 2009/2010, parecem ser capazes de ganhar jogos sozinhos.

Pela sua mestria e qualidade técnica, irreverência e enorme inteligência de processos, derrotaram um Brasil com muito pouca irreverência no último reduto, talvez sofrendo a perda de Elano mas, claramente, sem o brilho e o virtuosismo de outrora. O futebol e organização defensiva nas diferentes fases de jogo de ambas as selecções pareciam o seu elo mais fraco, claramente do lado brasileiro Michel Bastos e Juan (apesar do grande Mundial) foram muitas vezes alvo de opção prioritária para penetrar, do outro lado, Ooijer e Van der Wiel, sem pedalada para estas andanças.

Ganhou o futebol ofensivo, criativo e irreverente, veloz, essencialmente esta última a chave do encontro. E claro, a posse e a capacidade de penetração de Robben, o que permitiu à Holanda muitos metros conforto pela facilidade que ele tem de explorar zonas fechadas do jogo, permitindo à equipa subir e fechar rapidamente as zonas de cobertura aos seus lances. O Brasil perdeu, aqui, pela forma como se deixou ir na onda, o que libertou Sneijder para começar a aparecer com a sua batuta de ritmos frenéticos, sempre com um vasto leque de recursos para decidir.

Estou bastante expectante para ver o que vai acontecer no Alemanha-Argentina. Por um lado, o cinismo, a organização e a tremenda eficácia dos alemães fazem-me crer que se tornam os principais favoritos. Mas, a relação de amor infinito que os pupilos de Maradona têm pelo seu Deus, fazem-me crer que o jogo e o poder psicológico conseguem ultrapassar todas as barreiras organizacionais e estruturais de uma selecção e jogadores claramente acima nos aspectos tácticos e posicionais do jogo. Excelente duelo, futebol total vs. futebol eficaz. Quem sairá vencedor?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Que confusão Mister...


Os portugueses têm o dom de esquecer rápido, viver depressa, e avaliar tudo pelos momentos. Hoje, todos querem ver Queiroz pelas costas. Algum dia, mostrou, ser seleccionador à altura de representar todos os portugueses e colocar a selecção - ou mantê-la - no ponto em que tem todas as condições para lá estar? Estamos a falar da 3ª classificada do ranking Fifa que sai deste Mundial desta forma triste e desrespeitosa para com o seu habitual bom futebol e bons executantes.

Agora é fácil falar e fazer conjecturas face ao que de errado correu, mas vamos por pontos. Como é possível alguém entender que o menino mimado e irresponsável Cristiano Ronaldo tem perfil de capitão? Eu até defendo a escolha no timming em que foi, pois nós nunca sabemos que tipo de postura e respeito existe entre ele e os restantes colegas. Hoje viu-se, é nula. Ronaldo como líder e como "voz de comando", simplesmente, não existe. Portugal nunca teve um líder. Nem no banco, nem dentro de campo. Porque não atribuir a braçadeira a Ricardo Carvalho ou a Bruno Alves? Ou mesmo ao próprio Simão?

A confusão de sistemas e de formas de jogar deixaram-me, também, bastante confuso. Como pode Queiroz ter explorado ao longo da fase de qualificação um sistema sem alas, com grande preponderância de futebol pelo corredor central, quando o melhor e mais consagrado ADN de jogador português é o extremo rápido, irreverente, técnicista e desequilibrador?

Portugal até chegou ao Mundial, ainda a perguntar-se como, e enfrentou uma Costa do Marfim onde fez um jogo muito aquém das expectativas, e que não é uma goleada frente a uma fragilizada Coreia que apaga a má imagem deixada, sobretudo ao nível de processos e metodologias de jogo. Pois a qualidade está lá, mas se ela não for guiada... dificilmente se retira algo do potencial dos jogadores.

Outro aspecto: Ronaldo não bateu os pontapés de baliza porquê? A selecção foi para o Mundial para o menino mimado e birrento brilhar e fazer coisas boas, aparecer nas revistas, ser capa de jornal, ou para juntos, enquanto grupo, revelarem toda a sua qualidade e vontade de cumprimento de objectivos?

Queiroz foi muito forte numa coisa: a união de grupo. Soube juntar todos os atletas e criar um espírito muito forte entre eles. Agora, a relação com o técnico? O acreditar nas suas opções? O respeito e o sentido de liderança que um treinador tem de colocar, sempre, em qualquer grupo?

Portugal tem de mudar rapidamente. A começar, pelo Seleccionador. A terminar, nas ideias e nas concepções. Somos realistas, ou pelo menos temos de o ser. A equipa das quinas vai enfrentar um período de alguns anos de grande dificuldade. As últimas gerações são fracas e sem talento para aspirar a seleccionáveis. É dar oportunidade a alguns nomes de cimentarem o seu lugar e criarem bases sustentadas para um futuro que tem de ser melhor do que este.

Nomes a reter: Eduardo, Raul Meireles, Hugo Almeida, Fábio Coentrão, Cristiano Ronaldo, Nani, Varela, Ruben Micael, Manuel Fernandes, Miguel Veloso, Bosingwa, Ruben Amorim, Danny e Vieirinha... poderá ser por aqui.

Coentrão fundamental


Pela primeira vez, vejo um jogador colocar a possibilidade de poder sair do Benfica e gostar das suas declarações. Ao contrário de outros (ex: Di Maria e Luisão), Fábio Coentrão mostrou respeito pelo clube e bastante interesse e paixão em vestir aquela camisola.

«Quero aproveitar bem as férias e depois vou apresentar-me no Benfica. Tenho contrato até 2015. Não sei se há clubes a querer pagar os 30 milhões da cláusula, mas acredito que, se o fizerem, será bom para o Benfica. E se for bom para o Benfica, será bom para mim», notou, transparecendo um misto de sentimentos: «Estou num grande clube e é um sonho representar o Benfica, mas os jogadores sonham sempre com patamares mais altos».

Entretanto, para quem duvidava, 25 milhões por Di Maria. Sendo que só entram nos cofres da Luz 17,5 milhões de €, resultantes dos 70% que o Benfica detinha. Se duvidas houvessem...

domingo, 27 de junho de 2010

Thomas Muller, o melhor do Mundial


É quase um contra-senso fazer esta análise e não escolher como cartaz principal um jogador de brilhantismos e números artísticos de fazer encher estádios. Desde o primeiro jogo frente à Austrália que me chamou a atenção aquele que estava, juntamente com Ozil, a dar a dimensão seguinte ao futebol germânico em termos de eficácia e qualidade de processos no último terço.

Jogando num 4-2-3-1 em organização defensiva, desdobrando rapidamente num 4-1-4-1, tendo como principal elemento de decisão e e aceleração na transição ofensiva Mezut Ozil, com o acompanhamento de Schweinsteiger no critério e batuta dos ritmos dos alemães, a verdade é que Thomas Muller vem-se apresentando como um elemento chave da selecção alemã e, quanto a mim, o melhor até ao momento do Mundial.

Muito forte em organização defensiva e no auxílio que oferece em zonas de pressing, pela sua grande capacidade física, muito importante em lances de bola parada, denota ainda uma imensa capacidade física capaz de o fazer percorrer kilómetros e kilómetros (sempre bem) ao longo do jogo. Muito inteligente e sempre certo em todos os seus movimentos, forte em progressão e na criação de espaços através de situações de toque rápido e desmarcação, já conta com 3 golos na prova, e vem aparecendo cada vez mais na ribalta deste Mundial.

Não tem a mestria de outros nem a elegância dos grandes nomes, mas ao nível da simplicidade e eficácia dos seus processos, aliando ainda a qualidade técnica que realmente é assinalável, pode estar aqui um sério candidato ao prémio de melhor da prova - nem que seja dos mais jovens. É que tem apenas 21 anos.

sábado, 26 de junho de 2010

Decisão 1: Febre sul americana vs. ?


Muita atenção a este Uruguai. Já o tinha referido em conversas informais que estas selecções sul americanas estavam a ser as que mais água na boca tinham deixado nestes primeiros jogos de Mundial. A sua irreverência táctica, embora sempre bem organizados e estruturados nos processos básicos dos seus métodos de jogo, aliando a qualidade técnica e de criatividade de algumas das suas principais peças, estavam a colocar estas selecções nas bolsas de apostas como confirmação de outsiders a levar em conta na prova.

A selecção chilena vem demonstrando muita qualidade e ontem voltou a fazê-lo frente à Espanha. Os espanhóis tiraram o pé do acelerador, geriram o jogo a seu belo prazer no segundo tempo, mas a forma como os chilenos pressionaram e ousaram discutir o jogo com a Espanha - e que teve os seus custos numa fase prematura de jogo - adivinham que se numa altura de maior decisão e abdicando da "febre" sul americana e adoptando os processos mais "europizados" da selecção Uruguaia, por exemplo, podem ser um caso sério.

O Uruguai, com uma das frentes de ataque mais temíveis da prova, ou não fosse Luis Suárez um dos melhores pontas-de-lança mundiais do momento e Diego Forlán um génio na batuta e decisão dos lances, isto aliando à sua excelente organização e experiência de jogadores como Diego Lugano, Eguren ou Diego Perez, não esquecendo que de um momento para o outro há dois jovens jogadores prestes a explodir em posições de decisão dos momentos ofensivos... Cavani e Lodeiro.

Está nesta altura a começar o outro jogo dos oitavos de final, Estados Unidos - Gana, eu aposto na vitória da organização e da estrutura americana, até porque jogadores como Dempsey e Donovan têm muito futebol nos pés... O Gana surpreendeu-me do que vi, embora não lhe reconheça a qualidade de outrora, até pelas baixas que apresenta. Mas muito futebol tem no pé esquerdo André Ayew...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Semi-balanço Mundial

Confesso que ainda não vi um jogo deste Mundial. Talvez vá ver hoje o primeiro, se estiver emotivo, entre o Brasil e a Costa do Marfim. Não está a ser uma prova repleta da espectacularidade e irreverência que têm de ter estas provas. Muito alarido, muita palhaçada, muito mercado, e pouco futebol, a essência de tudo isto estar reunido.

Estou farto das vuvuzelas. A barulheira e confusão que fazem a quem quer observar os jogos e ouvir os cânticos das bancadas e as emoções do relvado, faz-me crer que vou ter de desligar o som do televisor para poder assistir a 90 minutos desta prova africana... Mundial, perdão!

Sinal +

- Uruguai: Não é surpresa para mim. Bom seleccionador, boas ideias, bom futebol de culto, boas estratégias. Estão a ser a equipa que - do que vi - mais está a aliar a capacidade de sacrifício com os rasgos de bom futebol. E quem tem Lugano, Maxi Pereira, Suarez e Forlan, só pode ambicionar a ser uma boa surpresa.

- México: Se os deixarem, vão ser a maior surpresa desta prova. Mesclam experiência com irreverência, e tem uma geração de "meninos da bola" cheia de talento. Gio dos Santos, Javier Hernandez (que falei nele há uns meses na coluna "prospecção") ou Carlos Vela... muita atenção.

- Holanda: Não estão a defraudar as expectativas de ninguém. Para mim, no top 3 dos favoritos. Quem tem Sneidjer, Robben, Van Persie... habilita-se a ter muitas probabilidades de sucesso. E a laranja mecânica, se garantir uma solidez e coesão defensiva que ainda não tem, vai chegar muito longe neste Mundial.

- Alemanha: Apesar da última derrota, surgem no mesmo top que a Holanda, na minha opinião. Excelente futebol que apresentaram no primeiro jogo, souberam esconder os ritmos e a mestria de Ballack para ter um Ozil estonteante no drible e na classe das suas acções, com a certeza e tremenda eficácia dos mesmos do costume: Schweinsteiger, Klose, Podolski, Lahm,


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Metade de Ramires para ter Rodriguez?


Mais uma vez, no seguimento do meu anterior post relativamente ao ilusionismo que os adeptos do Benfica vão tendo com os principais jogadores da sua equipa e os seus valores de mercado, o Sport Lisboa e Benfica enviou ontem um comunicado à CMVM onde anuncia a venda de 50% dos direitos económicos do passe de Ramires por 6 milhões de euros a uma empresa completamente desconhecida.

Se os contornos da compra do internacional brasileiro eram já muito estranhos, então esta anunciada venda a uma empresa estrangeira fazem-nos pensar se a sua própria venda será também algo invisível aos olhos de todos os adeptos do Benfica. Os mais cépticos já estão a ver o clube prescindir deste excelente atleta por um valor absurdo face aquele que se falava (6 milhões de € é quase o seu valor de compra), enquanto os mais confiantes parecem estar já a perspectivar esta entrada fresca de dinheiro que servirá para fechar a contratação de James Rodriguez do Banfield, que o ano passado falei dele aqui neste espaço.

http://vidadofutebol.blogspot.com/2009/12/prospeccao-internacional.html

domingo, 20 de junho de 2010

Quaresma à CR7


Numa altura que as conversas do mercado se fazem em volta da irrealidade - expressa no meu anterior post - com que se coloca o valor de transferência dos principais jogadores do Benfica, eis que um português dá um pontapé na monotonia e espanta tudo e todos com a sua capacidade de mobilizar ao estádio da sua nova equipa mais de 20 mil adeptos para o receber.

Ricardo Quaresma foi apresentado como novo jogador do Besiktas e parece que foi amor à primeira vista. Lembro-me de ter várias conversas comparando Quaresma e Di Maria e a minha opinião mantém-se a mesma: o cigano é mais e melhor jogador do que Di Maria. E nem é pelas fracas exibições que o argentino vem fazendo no Mundial, é, sobretudo, pela sua irregularidade e pouca preponderância na zona de decisão o que num colosso (tal como sofreu na pele Quaresma) faz toda a diferença.

Jogando num ambiente completamente favorável a si próprio, Quaresma vai assumir papel principal numa equipa, como tão bem ele gosta. Sempre fui adepto do seu futebol, penso inclusivamente ser o jogador português em actividade com maior talento, muitas das vezes desperdiçado pela sua pouca entrega e pouca vontade de trabalhar, relacionando com a ambição que pouco revela e um comodismo com um estrelato aquém do que poderia atingir que está claramente a cortar o seu desenvolvimento como grande jogador de futebol que é.

Com Nihat, Nobre e Bobô para servir, acompanhado pela criatividade de Matias Delgado e pela segurança de Ernst, estes turcos parecem-me um outsider muito interessante na próxima janela competitiva europeia.