sábado, 3 de julho de 2010

E venceu a zona de decisão


Confesso que não me surpreendi pelo resultado, mas estava expectante para observar as naturais dificuldades que os holandeses iriam enfrentar hoje frente ao Brasil. Sempre foi uma velha máxima: se não podes marcar, tenta não sofrer. Se estás por baixo, tenta não descer ainda mais. Até que haja uma mudança.

Como todas estas expressões fazem sentido observando um Holanda-Brasil do Mundial, duas selecções favoritas, longe de ser um jogo empolgante de quem entra na frente nas casas de apostas rumo à vitória neste Mundial.

O Brasil de Dunga apareceu muito equivalente à Selecção Holandesa onde os seus jogadores da zona de decisão parecem ser donos e senhores de uma mecânica bem oleada pelos seus principais jogadores mas com claros défices sobretudo na sua fase defensiva.

Ambos num 4-5-1 em organização defensiva, embora existissem nuances desse sistema passando para um 4-2-3-1 em transição defensiva. Aqui, Van Bommel numa pressão mais subida, também com missões de maior apoio na fase de construção e circulação, exactamente o mesmo do outro lado, desta vez orquestrado por Gilberto Silva ou Felipe Melo, conforme as suas zonas de acção.

Primeira parte, sistemas iguais, formas semelhantes, diferentes nas dinâmicas e posturas. Um Brasil mais mastigado, de maior segurança, maior controlo, claramente surpreendente na forma como conseguiu incorporar Robinho e Dani Alves em zonas de finalização com frequência, o que facilmente poderia ter transformado em golo por mais do que uma ocasião. A Holanda explorando as costas dos brasileiros, numa estratégia mais de contenção com saídas rápidas pelos seus principais elementos (Robben e Van Persie em ataque rápido), apenas faltava a tal mudança, o clique para funcionar: E ele residia na libertação de Sneijder.

O técnico holandês baralhou ao intervalo e conseguiu explorar mais eficientemente o potencial de Sneijder. Foi então que a zona de decisão holandesa fez toda a diferença. Incrível como Sneijder e Robben, na minha opinião, a par de Messi, o top 3 forma/rendimento da época 2009/2010, parecem ser capazes de ganhar jogos sozinhos.

Pela sua mestria e qualidade técnica, irreverência e enorme inteligência de processos, derrotaram um Brasil com muito pouca irreverência no último reduto, talvez sofrendo a perda de Elano mas, claramente, sem o brilho e o virtuosismo de outrora. O futebol e organização defensiva nas diferentes fases de jogo de ambas as selecções pareciam o seu elo mais fraco, claramente do lado brasileiro Michel Bastos e Juan (apesar do grande Mundial) foram muitas vezes alvo de opção prioritária para penetrar, do outro lado, Ooijer e Van der Wiel, sem pedalada para estas andanças.

Ganhou o futebol ofensivo, criativo e irreverente, veloz, essencialmente esta última a chave do encontro. E claro, a posse e a capacidade de penetração de Robben, o que permitiu à Holanda muitos metros conforto pela facilidade que ele tem de explorar zonas fechadas do jogo, permitindo à equipa subir e fechar rapidamente as zonas de cobertura aos seus lances. O Brasil perdeu, aqui, pela forma como se deixou ir na onda, o que libertou Sneijder para começar a aparecer com a sua batuta de ritmos frenéticos, sempre com um vasto leque de recursos para decidir.

Estou bastante expectante para ver o que vai acontecer no Alemanha-Argentina. Por um lado, o cinismo, a organização e a tremenda eficácia dos alemães fazem-me crer que se tornam os principais favoritos. Mas, a relação de amor infinito que os pupilos de Maradona têm pelo seu Deus, fazem-me crer que o jogo e o poder psicológico conseguem ultrapassar todas as barreiras organizacionais e estruturais de uma selecção e jogadores claramente acima nos aspectos tácticos e posicionais do jogo. Excelente duelo, futebol total vs. futebol eficaz. Quem sairá vencedor?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Que confusão Mister...


Os portugueses têm o dom de esquecer rápido, viver depressa, e avaliar tudo pelos momentos. Hoje, todos querem ver Queiroz pelas costas. Algum dia, mostrou, ser seleccionador à altura de representar todos os portugueses e colocar a selecção - ou mantê-la - no ponto em que tem todas as condições para lá estar? Estamos a falar da 3ª classificada do ranking Fifa que sai deste Mundial desta forma triste e desrespeitosa para com o seu habitual bom futebol e bons executantes.

Agora é fácil falar e fazer conjecturas face ao que de errado correu, mas vamos por pontos. Como é possível alguém entender que o menino mimado e irresponsável Cristiano Ronaldo tem perfil de capitão? Eu até defendo a escolha no timming em que foi, pois nós nunca sabemos que tipo de postura e respeito existe entre ele e os restantes colegas. Hoje viu-se, é nula. Ronaldo como líder e como "voz de comando", simplesmente, não existe. Portugal nunca teve um líder. Nem no banco, nem dentro de campo. Porque não atribuir a braçadeira a Ricardo Carvalho ou a Bruno Alves? Ou mesmo ao próprio Simão?

A confusão de sistemas e de formas de jogar deixaram-me, também, bastante confuso. Como pode Queiroz ter explorado ao longo da fase de qualificação um sistema sem alas, com grande preponderância de futebol pelo corredor central, quando o melhor e mais consagrado ADN de jogador português é o extremo rápido, irreverente, técnicista e desequilibrador?

Portugal até chegou ao Mundial, ainda a perguntar-se como, e enfrentou uma Costa do Marfim onde fez um jogo muito aquém das expectativas, e que não é uma goleada frente a uma fragilizada Coreia que apaga a má imagem deixada, sobretudo ao nível de processos e metodologias de jogo. Pois a qualidade está lá, mas se ela não for guiada... dificilmente se retira algo do potencial dos jogadores.

Outro aspecto: Ronaldo não bateu os pontapés de baliza porquê? A selecção foi para o Mundial para o menino mimado e birrento brilhar e fazer coisas boas, aparecer nas revistas, ser capa de jornal, ou para juntos, enquanto grupo, revelarem toda a sua qualidade e vontade de cumprimento de objectivos?

Queiroz foi muito forte numa coisa: a união de grupo. Soube juntar todos os atletas e criar um espírito muito forte entre eles. Agora, a relação com o técnico? O acreditar nas suas opções? O respeito e o sentido de liderança que um treinador tem de colocar, sempre, em qualquer grupo?

Portugal tem de mudar rapidamente. A começar, pelo Seleccionador. A terminar, nas ideias e nas concepções. Somos realistas, ou pelo menos temos de o ser. A equipa das quinas vai enfrentar um período de alguns anos de grande dificuldade. As últimas gerações são fracas e sem talento para aspirar a seleccionáveis. É dar oportunidade a alguns nomes de cimentarem o seu lugar e criarem bases sustentadas para um futuro que tem de ser melhor do que este.

Nomes a reter: Eduardo, Raul Meireles, Hugo Almeida, Fábio Coentrão, Cristiano Ronaldo, Nani, Varela, Ruben Micael, Manuel Fernandes, Miguel Veloso, Bosingwa, Ruben Amorim, Danny e Vieirinha... poderá ser por aqui.

Coentrão fundamental


Pela primeira vez, vejo um jogador colocar a possibilidade de poder sair do Benfica e gostar das suas declarações. Ao contrário de outros (ex: Di Maria e Luisão), Fábio Coentrão mostrou respeito pelo clube e bastante interesse e paixão em vestir aquela camisola.

«Quero aproveitar bem as férias e depois vou apresentar-me no Benfica. Tenho contrato até 2015. Não sei se há clubes a querer pagar os 30 milhões da cláusula, mas acredito que, se o fizerem, será bom para o Benfica. E se for bom para o Benfica, será bom para mim», notou, transparecendo um misto de sentimentos: «Estou num grande clube e é um sonho representar o Benfica, mas os jogadores sonham sempre com patamares mais altos».

Entretanto, para quem duvidava, 25 milhões por Di Maria. Sendo que só entram nos cofres da Luz 17,5 milhões de €, resultantes dos 70% que o Benfica detinha. Se duvidas houvessem...

domingo, 27 de junho de 2010

Thomas Muller, o melhor do Mundial


É quase um contra-senso fazer esta análise e não escolher como cartaz principal um jogador de brilhantismos e números artísticos de fazer encher estádios. Desde o primeiro jogo frente à Austrália que me chamou a atenção aquele que estava, juntamente com Ozil, a dar a dimensão seguinte ao futebol germânico em termos de eficácia e qualidade de processos no último terço.

Jogando num 4-2-3-1 em organização defensiva, desdobrando rapidamente num 4-1-4-1, tendo como principal elemento de decisão e e aceleração na transição ofensiva Mezut Ozil, com o acompanhamento de Schweinsteiger no critério e batuta dos ritmos dos alemães, a verdade é que Thomas Muller vem-se apresentando como um elemento chave da selecção alemã e, quanto a mim, o melhor até ao momento do Mundial.

Muito forte em organização defensiva e no auxílio que oferece em zonas de pressing, pela sua grande capacidade física, muito importante em lances de bola parada, denota ainda uma imensa capacidade física capaz de o fazer percorrer kilómetros e kilómetros (sempre bem) ao longo do jogo. Muito inteligente e sempre certo em todos os seus movimentos, forte em progressão e na criação de espaços através de situações de toque rápido e desmarcação, já conta com 3 golos na prova, e vem aparecendo cada vez mais na ribalta deste Mundial.

Não tem a mestria de outros nem a elegância dos grandes nomes, mas ao nível da simplicidade e eficácia dos seus processos, aliando ainda a qualidade técnica que realmente é assinalável, pode estar aqui um sério candidato ao prémio de melhor da prova - nem que seja dos mais jovens. É que tem apenas 21 anos.

sábado, 26 de junho de 2010

Decisão 1: Febre sul americana vs. ?


Muita atenção a este Uruguai. Já o tinha referido em conversas informais que estas selecções sul americanas estavam a ser as que mais água na boca tinham deixado nestes primeiros jogos de Mundial. A sua irreverência táctica, embora sempre bem organizados e estruturados nos processos básicos dos seus métodos de jogo, aliando a qualidade técnica e de criatividade de algumas das suas principais peças, estavam a colocar estas selecções nas bolsas de apostas como confirmação de outsiders a levar em conta na prova.

A selecção chilena vem demonstrando muita qualidade e ontem voltou a fazê-lo frente à Espanha. Os espanhóis tiraram o pé do acelerador, geriram o jogo a seu belo prazer no segundo tempo, mas a forma como os chilenos pressionaram e ousaram discutir o jogo com a Espanha - e que teve os seus custos numa fase prematura de jogo - adivinham que se numa altura de maior decisão e abdicando da "febre" sul americana e adoptando os processos mais "europizados" da selecção Uruguaia, por exemplo, podem ser um caso sério.

O Uruguai, com uma das frentes de ataque mais temíveis da prova, ou não fosse Luis Suárez um dos melhores pontas-de-lança mundiais do momento e Diego Forlán um génio na batuta e decisão dos lances, isto aliando à sua excelente organização e experiência de jogadores como Diego Lugano, Eguren ou Diego Perez, não esquecendo que de um momento para o outro há dois jovens jogadores prestes a explodir em posições de decisão dos momentos ofensivos... Cavani e Lodeiro.

Está nesta altura a começar o outro jogo dos oitavos de final, Estados Unidos - Gana, eu aposto na vitória da organização e da estrutura americana, até porque jogadores como Dempsey e Donovan têm muito futebol nos pés... O Gana surpreendeu-me do que vi, embora não lhe reconheça a qualidade de outrora, até pelas baixas que apresenta. Mas muito futebol tem no pé esquerdo André Ayew...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Semi-balanço Mundial

Confesso que ainda não vi um jogo deste Mundial. Talvez vá ver hoje o primeiro, se estiver emotivo, entre o Brasil e a Costa do Marfim. Não está a ser uma prova repleta da espectacularidade e irreverência que têm de ter estas provas. Muito alarido, muita palhaçada, muito mercado, e pouco futebol, a essência de tudo isto estar reunido.

Estou farto das vuvuzelas. A barulheira e confusão que fazem a quem quer observar os jogos e ouvir os cânticos das bancadas e as emoções do relvado, faz-me crer que vou ter de desligar o som do televisor para poder assistir a 90 minutos desta prova africana... Mundial, perdão!

Sinal +

- Uruguai: Não é surpresa para mim. Bom seleccionador, boas ideias, bom futebol de culto, boas estratégias. Estão a ser a equipa que - do que vi - mais está a aliar a capacidade de sacrifício com os rasgos de bom futebol. E quem tem Lugano, Maxi Pereira, Suarez e Forlan, só pode ambicionar a ser uma boa surpresa.

- México: Se os deixarem, vão ser a maior surpresa desta prova. Mesclam experiência com irreverência, e tem uma geração de "meninos da bola" cheia de talento. Gio dos Santos, Javier Hernandez (que falei nele há uns meses na coluna "prospecção") ou Carlos Vela... muita atenção.

- Holanda: Não estão a defraudar as expectativas de ninguém. Para mim, no top 3 dos favoritos. Quem tem Sneidjer, Robben, Van Persie... habilita-se a ter muitas probabilidades de sucesso. E a laranja mecânica, se garantir uma solidez e coesão defensiva que ainda não tem, vai chegar muito longe neste Mundial.

- Alemanha: Apesar da última derrota, surgem no mesmo top que a Holanda, na minha opinião. Excelente futebol que apresentaram no primeiro jogo, souberam esconder os ritmos e a mestria de Ballack para ter um Ozil estonteante no drible e na classe das suas acções, com a certeza e tremenda eficácia dos mesmos do costume: Schweinsteiger, Klose, Podolski, Lahm,


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Metade de Ramires para ter Rodriguez?


Mais uma vez, no seguimento do meu anterior post relativamente ao ilusionismo que os adeptos do Benfica vão tendo com os principais jogadores da sua equipa e os seus valores de mercado, o Sport Lisboa e Benfica enviou ontem um comunicado à CMVM onde anuncia a venda de 50% dos direitos económicos do passe de Ramires por 6 milhões de euros a uma empresa completamente desconhecida.

Se os contornos da compra do internacional brasileiro eram já muito estranhos, então esta anunciada venda a uma empresa estrangeira fazem-nos pensar se a sua própria venda será também algo invisível aos olhos de todos os adeptos do Benfica. Os mais cépticos já estão a ver o clube prescindir deste excelente atleta por um valor absurdo face aquele que se falava (6 milhões de € é quase o seu valor de compra), enquanto os mais confiantes parecem estar já a perspectivar esta entrada fresca de dinheiro que servirá para fechar a contratação de James Rodriguez do Banfield, que o ano passado falei dele aqui neste espaço.

http://vidadofutebol.blogspot.com/2009/12/prospeccao-internacional.html

domingo, 20 de junho de 2010

Quaresma à CR7


Numa altura que as conversas do mercado se fazem em volta da irrealidade - expressa no meu anterior post - com que se coloca o valor de transferência dos principais jogadores do Benfica, eis que um português dá um pontapé na monotonia e espanta tudo e todos com a sua capacidade de mobilizar ao estádio da sua nova equipa mais de 20 mil adeptos para o receber.

Ricardo Quaresma foi apresentado como novo jogador do Besiktas e parece que foi amor à primeira vista. Lembro-me de ter várias conversas comparando Quaresma e Di Maria e a minha opinião mantém-se a mesma: o cigano é mais e melhor jogador do que Di Maria. E nem é pelas fracas exibições que o argentino vem fazendo no Mundial, é, sobretudo, pela sua irregularidade e pouca preponderância na zona de decisão o que num colosso (tal como sofreu na pele Quaresma) faz toda a diferença.

Jogando num ambiente completamente favorável a si próprio, Quaresma vai assumir papel principal numa equipa, como tão bem ele gosta. Sempre fui adepto do seu futebol, penso inclusivamente ser o jogador português em actividade com maior talento, muitas das vezes desperdiçado pela sua pouca entrega e pouca vontade de trabalhar, relacionando com a ambição que pouco revela e um comodismo com um estrelato aquém do que poderia atingir que está claramente a cortar o seu desenvolvimento como grande jogador de futebol que é.

Com Nihat, Nobre e Bobô para servir, acompanhado pela criatividade de Matias Delgado e pela segurança de Ernst, estes turcos parecem-me um outsider muito interessante na próxima janela competitiva europeia.


quarta-feira, 2 de junho de 2010

Do inferno (visual) à ilusão num ápice


Tenho assistido com tranquilidade e com muita ironia aos desenvolvimentos (quais?) relativamente ao mercado de transferências no que ao Sport Lisboa e Benfica diz respeito. Os adeptos do Benfica, muitos deles sem estarem já habituados às conquistas, e pensando que a grandeza do Benfica se compara com a de outros clubes nacionais, vaticinaram durante semanas atrás de semanas uma limpeza geral dos "colossos" ao plantel campeão nacional, que fez uma boa campanha na Europa, mas nada ao nível de valorização a que já assistimos todos outra equipa em Portugal fazer.

E é aqui que pego o primeiro ponto. Como é possível falar-se em valores a rondar os 30 milhões de euros por jogadores como o Óscar Cardozo, Ramires, ou Fábio Coentrão. 40 milhões - e para cima - custariam o passe de David Luiz e Di Maria. Mas está tudo louco??

Primeiro ponto. É fundamental os benfiquistas pensarem que o Benfica já vendeu algumas fatias do bolo relativamente aos passes dos seus principais jogadores com a entrada das "estrelas" no Benfica Stars Found. Logo, caso hipoteticamente o Di Maria saia por 40 milhões, o Benfica terá direito a qualquer coisa como 30 e poucos milhões.

Indo agora ponto por ponto:

Di Maria - É, sem dúvida, o jogador mais valorizado do Benfica. Fez uma excelente época (a primeira como Sénior), cheia de brilhantismo e irreverência. Continua a ser titular indiscutível e uma das principais estrelas da selecção argentina. É, de longe, um jogador com mercado e muito potencial. Contudo, continuo a apontar-lhe a mesma irregularidade e ineficácia na zona de decisão, ao contrário do que pensa o grande Mister. Di Maria é um jogador extremamente veloz, com grande capacidade de drible e improvisação em espaços curtos ou em lances de transições. Contudo, a inteligência e eficiência aprimoram-se, de facto, mas ou nasceram connosco, ou dificilmente as encontraremos. E Di Maria não me parece jogador para um colosso Mundial. Ah, e mais ridículo ainda é compará-lo a Robben. O holandês, para mim, um dos melhores do Mundo, com a idade deste, já jogava de 3 em 3 dias contra os melhores do Mundo. E não contra os Paços e Navais desta vida. Daí, e olhando para o mercado, 30 a 35 milhões é o que se pode oferecer por ele. Por mim, pode sair.

Fábio Coentrão - Mourinho foi claro. Contratar Coentrão para quê, se já tem um Marcelo e um Drenthe? São jogadores em tudo equivalentes ao Fábio, e eu que sou um grande fã dele. São maus defensivamente? Mas em que contextos, em que ambientes, e contra que adversários? Já teve Coentrão testes sistemáticos exigentes às suas capacidades como defesa lateral esquerdo? Marcelo e Drenthe, no ano passado no Benfica, seriam duas figuras colossais na nova época. Não tenho dúvidas. Coentrão é para manter, sem dúvida.

David Luiz - Um dos melhores defesas centrais do Mundo da actualidade. Aqui, sou totalmente a favor da opinião da generalidade das pessoas. Tem todas as condições para ser um jogador fabuloso, sobretudo pelos argumentos técnicos que apresenta, o que o torna num central moderno, claramente adaptado às circunstâncias de futebol de topo que se joga nos grandes clubes europeus. Os defesas centrais do futuro são os principais desequilibradores das equipas, pois criam situações de superioridade numérica e jogam num centro de pressão baixo o que lhes permite pensar e executar com maior tempo/eficácia. Para mim, é fundamental mantê-lo. Mas 50 milhões??? Pepe saiu do FC Porto por 30 milhões, Carvalho campeão europeu saiu por 30 milhões e para um clube então milionário... têm noção do que significa 30 milhões num mercado actual? É quase o mesmo que se dá por um avançado que faz golos jogos e jogos. E tem cotações totalmente diferentes dos defesas em termos de mercado.

Ramires - É o que dá menos nas vistas, tal e qual como dentro de campo. Para mim, o mais essencial de se manter. Fabuloso no preenchimento de espaços e no rigor táctico que oferece à equipa. Também com bola muito forte em penetração e progressão. 30 milhões? Mais uma vez, só por quem não tem noção dos valores de mercado, sobretudo por jogadores assim. Ramires é fantástico. Mas não brilha, não faz golos, não faz fintas bonitas, não vende camisolas, não é irreverente nem aparece nas revistas cor de rosa. É para manter no Benfica, primordial. Mas tenham noção do preço e do valor de mercado que protagoniza.

Oscar Cardozo - Fala-se em 25 milhões, 30 milhões? Então vendam-no na hora. Cardozo é um jogador com 27 anos, sem valor de mercado por uma só razão. Não é rápido, aparenta pouca técnica, pouco mexido, pouco brilhantismo, fraco no um contra um, fraco em transição. É um jogador usado única e exclusivamente para o ataque organizado. E mesmo aí, peca em algumas situações. Logo por esse ponto, perde 5 a 10 milhões de valor de mercado. Por alguma razão Jardel, amplamente mais jogador e com melhores recursos técnicos do que o paraguaio, não passou do Galatasaray. Jogadores de ataque organizado e apenas de zona de finalização, a não ser que tenham 2 metros e uma mestria posicional soberba (tal como Luca Toni), nunca passarão de Kollers, Cardozos, Jardeis... e valerão 10/15 milhões. Até porque Cardozo no Paraguai é 3ª ou 4ª opção. Sim, Santa Cruz, Nelson Valdez e sobretudo Lucas Barrios, prometem dar pouco tempo de jogo ao nosso Tacuara no Mundial. Para mim, e a julgar pelas suas declarações, pode sair.

Essencial sim é manter Maxi Pereira, David Luiz, Luisão, Javi Garcia e Saviola. Ramires, Amorim e Coentrão. Essa é a base da estrutura campeã e a base estrutural de um Benfica à Benfica, conquistador, de valores, de raça, de ambição, sobretudo... de paixão pelo clube!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Como José vai ganhar a Champions


Estou a escrever este texto dia 21 de Maio, um dia antes de José Mourinho e o seu Inter se sagrarem campeões europeus. Não pela grande equipa e pela espectacularidade do seu futebol - que fica a alguma distância da equipa do Bayern Munique - mas sim por tudo aquilo que faz de Mourinho o melhor do Mundo, e que nem Van Gaal, que o conhece tão bem, tem conseguido entender.

A forma como a equipa do Inter se sagrou campeã na última jornada do campeonato italiano e a reacção de Mourinho ao sucedido fez ver a todos os amantes das loucuras do génio português que algo estava ele a preparar por detrás da expressão sobranceira e fria que denotou assim que o árbitro italiano apitou para o fim da partida.

A mensagem foi clara: "Para a semana temos uma competição para ganhar, não vou festejar e desviar atenções do nosso principal objectivo". Os jogadores foram os primeiros a entende-la e certamente que esta semana encararam com a máxima intensidade e obrigatoriedade competitiva. Certamente que Mourinho já deve ter dito para um dos seus fiéis escudeiros que compõe a sua equipa técnica: "Estes tipos estão no máximo, todos querem jogar!". Já o tinha dito em Sevilha, num Celtic-Porto, final da Uefa.

A forma de encarar a pressão e a exposição mediática de uma final europeia são um pré-match essencial na preparação e estruturação não só de abordagem ao jogo em termos tácticos, estratégicos, e tudo o que advém dos comportamentos utilizados em jogo da parte de uma equipa, mas sobretudo no campo psicológico e motivacional, cada vez mais essencial hoje em dia.

A um dia da final da competição, e com uma semana passada, não se vê um único comentário ao jogo. Uma única palavra em relação a jogadores do Inter, a sistemas, a onzes, a estratégias. Toda as pessoas falam numa só coisa: Mourinho vai para o Real. E foi a forma que o técnico português encontrou de dispersar atenções, chamar para si os holofotes, e libertar os seus jogadores de um dos momentos mais tensos da sua vida desportiva.

Mourinho não faz as coisas por acaso. Seria um rude golpe para o seu grupo, o seu plantel, a sua equipa, saber que num dia em que todos têm de estar unidos e fortes para ultrapassar as adversidades, o seu líder ameaça sair e expressa-o claramente. Estratégico. Está a usar, mais uma vez, a Comunicação Social e o seu poder em seu proveito.

Eu digo-o sinceramente. Vão jogar os dois melhores jogadores do ano de 2009/2010 em termos de rendimento. Tirando Messi que é extra-terrestre. Wesley Sneijder e Arjen Robben. E será uma extraordinária final. Mas, Mourinho vencerá. Sim, Mourinho! E no final, chegará ao pé dos jornalistas e exclamará bem alto: "Já ganhei tudo o que tinha para ganhar em Itália. Vou sair!". À campeão!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O livro Mourinho


É certo que o pré-sucesso do Inter de Milão nesta temporada se deve a um nome: Wesley Sneijder. Também é uma realidade que Eto'o tem feito esquecer Zlatan Ibrahimovic, ou que Lúcio deu uma segurança e liderança defensiva que não existia. Mas hoje, e também na primeira mão, há um nome incontornável a vencer o jogo do Nou Camp: Claro, o special one!

Todos erram. Mas ele, acerta muito mais vezes do que os outros. A forma como abordou a estratégia para os dois encontros e, essencialmente, as noções de espaço e de leitura dos variados momentos do jogo que enfrentaram e a adaptação simples e lógica a todos esses factores, fazem-me pensar de que forma Mourinho fez a antevisão destes dois jogos: Terá treinado todas as condicionantes possíveis e imaginárias que poderiam acontecer neste jogo?

Tal como referiu, e tocou num ponto fundamental, estes jogadores estão, a um nível de idade, no auge dos seus momentos áureos no futebol. Mourinho tem uma equipa adulta, rotinada, coesa, muito inteligente, capaz de compreender os delírios - fantásticos - do seu maestro. Mourinho fez do Inter, uma equipa desapaixonada pelo jogo e sem a criatividade dos fantasistas, um grupo metódico, tremendamente eficaz, e com as peças que ele encontrou para compor o seu puzzle. Milito, Eto'o, Lúcio, Sneijder, são os exemplos mais crassos. Está longe Mourinho de ter os fantasistas da bola, mas muito perto de atingir o expoente máximo dos fantasistas do futebol. E são coisas diferentes. Estes últimos, os instintivamente magos dos espaços, das movimentações, dos momentos, das vivências, das rotinas, dos processos... Uma equipa desenhada por Mourinho.

E como dizia Jesus, enquanto o futebol não for um desporto de nota artística, será totalmente plausível que Eto'o volte a fechar como lateral esquerdo a funcionar como primeiro elemento de transição ofensiva (que raramente existiu), ou Zanetti e Cambiasso a fazer de tampões única e exclusivamente das triângulações ofensivas dos catalães. Mourinho, a jogar com 10, fechou um bloco de 5-3-1, a desdobrar-se num 4-4-1, que em organização defensiva mais se assemelhava a um 6-2-1. Foi, do ponto de vista táctico, estratégico e organizacional, um dos melhores jogos que me lembro de ter assistido no futebol. Tudo bem que fez um remate ao longo do jogo e teve 26% de posse de bola.

Quando o árbitro apitou, correu fulgurante, festejou exuberantemente, abraçou os seus heróis, que também o acham a si um dos seus... e ele foi esse, o do jogo feio, do autocarro, da retranca... eu chamo-lhe mestria: José Mourinho, abriu o livro! E fechou-o, imediatamente, para o Bernabéu.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A gestão Benfica 2010/2011



Já entrámos, à muito, na fase de todas as decisões. É inegável que o Benfica, com maior ou menor dificuldade, se irá sagrar campeão nacional pela 32ª vez na sua gloriosa história. Um título muito saboroso pela forma como foi conseguido, inteiramente justo pela superioridade demonstrada perante os adversários e mais vivido ainda pela campanha despropositada que foi feita praticamente semanalmente pelos "outros", com o receio e a estupefacção de ver o monstro acordar.

Contudo, é desde o mês de Dezembro que o Benfica, Jesus, e seus pares, preparam a próxima temporada. Contratados, para a próxima época, e apostas de futuro, estão Franco Jara e Fábio Faria. Em relação ao avançado argentino, parece-me uma das melhores apostas que o Benfica poderia fazer na Argentina. É um jogador - e que já aqui manifestei a minha opinião várias vezes -, diga-mos, fantástico. Tem todas as condições para escrever uma página de muitos sucessos de águia ao peito. Fábio Faria, até porque o conheço bem, não me parece minimamente capaz de entrar de caras neste Benfica, a não ser que venha como "reserva" para a lateral esquerda da defesa. Vamos ver.

Em relação a saídas, e esse sim, o tema mais preocupante, eu não encaro as coisas da mesma forma que a maioria dos benfiquistas. Gastam imensas horas a pensar em saídas, em valores, em negócios, mas muitos esquecem-se que o poder negocial e histórico de um clube como o Benfica, não se assemelha a um Porto ou a um Sporting que anualmente vêm sair as suas principais peças em caso de sucesso.

Parece-me natural que no final desta época o Benfica irá ver sair Di Maria (e nem me preocupa assim tanto), e possivelmente um outro jogador. A dúvida padece na vontade de David Luiz rumar para outras paragens. Acho que tinha todas as condições para o Benfica renovar-lhe o contrato por mais 5 ou 6 épocas, a ganhar muito mais do que agora, e fazer uma carreira brilhante no Benfica. Porque jogadores destes, com ligação e carisma com os adeptos, não aparecem sempre.

Para sair, eu apontaria alguns nomes: Quim, ou titular ou nada. E parece-me que o Benfica precisa de assegurar um grande nome para a baliza. E já não é sem tempo...; Luis Filipe, Jorge Ribeiro e Éder Luiz (empréstimo), para mim, teriam e deveriam ter nesta altura os dias contados. Éder Luiz ainda acredito que mostrará bem mais do que o que tem feito. Dêem tempo ao tempo e adaptação a jogar com regularidade.

Para reforçar a equipa, Jara e Faria estão certos, seria necessário um guarda-redes de topo, e aqui apontaria o nome de Marchetti ou Victor, um lateral esquerdo e falo no nome de Ramon, novamente, um Médio Interior e aponto o nome de Colman, o regresso de Urreta, e não seria necessário mais, a não ser que... Simão ou Miccoli pudessem entrar nas cogitações.

Estou expectante!