segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Prospecção Internacional (Médios) - Semir Stilic


Semir Stilic (Lech Poznán)
Idade: 22 anos
Peso: 72kg
Altura: 185cm
Nacionalidade: Bósnio

O "Filipe F" relembrou-me a memória sobre este jogador. Ao assistir aos jogos do Lewandowski e a ficar extremamente surpreendido com a qualidade que sempre apresentou, não deixei de reparar no estratega de todo o futebol ofensivo do Lech. Chama-se Stilic, é um 10 disfarçado de 8 pelas características de puro organizador de jogo.

Grande pé esquerdo, extremamente dotado nos passes de rotura e na zona de decisão (marca muitos golos), também de bola parada e em situações de um para um demonstra excelente qualidade técnica. É um jogador que quando vi me fez lembrar David Simão, ambos sem a dinâmica e intensidade para a rigidez e exigência do futebol actual, mas com uma fantasia incrível no pé esquerdo. Para não perder de vista.


Prospecção Internacional (Médios) - Leroy Fer


Leroy Fer (Feyenoord)
Idade: 20 anos
Peso: 79kg
Altura: 188cm
Nacionalidade: Holandês

A equipa do Feyenoord apresenta alguns dos maiores talentos holandeses da nova geração. São os casos de Wijnaldum, Biseswar, Bruins (irei falar dos dois últimos em breve) e Leroy Fer, o jogador de que hoje escreverei algumas linhas.

Comecei a ver mais atentamente os jogos do Feyenoord por culpa de Wijnaldum e de tudo o que falavam dele. Surpreendi-me, contudo, pela grande valia de um médio até algo desengonçado em alguns movimentos mas muito certo e eficaz em todos os seus processos. Forte na ocupação de espaços e na leitura de jogo, é como um íman direccionado para a bola, carregando a equipa em progressão pela enorme envergadura física (altura, força, resistência) e grande capacidade de trabalho. Aliando isso a um pé esquerdo venenoso nos passes de rotura e talento na zona de decisão, está aqui um nome para seguir com muita atenção.


Prospecção Internacional (Extremos) - Wijnaldum


Georginio Wijnaldum (Feyenoord)
Idade: 19 anos
Peso: 68kg
Altura: 172cm
Nacionalidade: Holandês

A já extremamente consagrada escola holandesa tem nomes muito interessantes para o futuro. Wijnaldum surge no topo da lista e promete espalhar classe por essa Europa fora nos anos que aí se seguem. Jogador de corredor lateral, tanto direito ou esquerdo, é um extremo moderno de características muito interessantes.

Sabe ocupar bem o espaço lateral e fazer venenosas diagonais para o centro mas também consegue dar largura e profundidade ao flanco. É extremamente veloz e apresenta um nível de objectividade interessante no seu jogo, sobretudo muito forte em progressão e penetração fazendo uso da sua excelente capacidade técnica e de drible. Parece-me um jogador para, em breve, subir degraus na carreira.


domingo, 31 de janeiro de 2010

Prospecção Internacional (Extremos) - Bryan Ruiz


Bryan Ruiz (Twente)
Idade: 24 anos
Peso: 70kg
Altura: 186cm
Nacionalidade: Costa Riquenho

De promessa adiada a uma confirmação inequívoca do seu talento. Ruiz apareceu este ano, finalmente, a potenciar todo o seu futebol e a mostrar que a Holanda é muito curta para tanta qualidade. Esquerdino, pode actuar em ambas as faixas do ataque ou numa zona mais central, sendo um autêntico quebra-cabeças para as defesas contrárias.

O jogador natural da Costa Rica e num dos clubes que melhor talento jovem forma na Europa, Ruiz é fantástico sob o ponto de vista da penetração e drible curto, aparecendo com enorme qualidade em zonas de finalização. É o segundo melhor marcador da Liga Holandesa com 14 golos marcados... o que para um jogador de corredor lateral, é elucidativo de todo o seu talento.

Relembrando...


Actualizando os nomes que aqui vou abordando na minha secção de observação e prospecção, para se situarem da sua condição e sucesso ou não que irão ter, em 2009 falei em... e agora estão em:

Wanderson do GAIS da Suécia, transferiu-se para o Feyenoord da Holanda.
Alex Teixeira do Vasco da Gama, transferiu-se para o Shakthar Donetsk da Ucrânia.
Aleksic do Vojvodina da Sérvia, transferiu-se para o Génova de Itália.
Milan Jeremic do Zemun da Sérvia, transferiu-se para o Estrela Vermelha da Sérvia.
Seferovic do Grasshopers da Suiça, transferiu-se para a Fiorentina de Itália.
Lodeiro do Nacional do Uruguai, transferiu-se para o Ajax da Holanda.

Franco Jara, de mecânico em sublime poeta


A analogia não poderia ser mais correcta. São raros, muito raros até, os jogadores no futebol de hoje que conseguem juntar as características de guerreiros e trabalhadores sacrificados, a uma subtileza e qualidade técnica apenas ao alcance dos grandes artistas.

Quando há uns meses comecei a falar neste jogador e em Boghossian, que estão no top 3 de avançados da montra argentina, completando o lote Mauro Boselli que ainda ontem tive oportunidade de ver actuar frente a Franco Jara, estava já ciente que Portugal poderia ser um destino possível, até pela grande influência que os clubes nacionais têm nos dias de hoje no mercado sul americano.

O Arsenal de Sarandí tem tido nos últimos anos nomes interessantes ao nível da formação e Franco Jara surpreendeu meio Mundo no torneio de Toulon onde participou e tive oportunidade de o conhecer.

Desde logo me saltou à vista como poderia ser o avançado o jogador mais aguerrido e mais disponível para o pressing que a Argentina tinha. Depois comecei a constatar ser uma situação frequente nele. Corre kilómetros, é incessante na luta pela bola, os defesas com ele dificilmente terão sossego caso seja opção do treinador fazer uma pressão alta como o Benfica tão bem executa.

Jara com bola, é também algo muito raro de se encontrar. É um jogador culto, com expressão de avançado completo. Pode jogar sozinho na frente, ou no apoio a outro jogador mais fixo, jogando ele em movimentos de rotura a partir de espaços mais recuados. Dotado tecnicamente, utiliza ambos os pés em drible ou finalização, bom no passe e nos movimentos nas entre-linhas do adversário, é muito espontâneo e inteligente na hora de abordar o drible, a assistência ou a finalização.

É muito forte de cabeça e rápido na procura de espaços, também veloz em progressão e na forma como sabe segurar a bola e procurar que a equipa suba e lhe propicie um apoio mais próximo. Os últimos três grandes nomes que na minha opinião a Argentina deu para o futebol mundial como avançados chamam-se Carlitos Tevez, Sergio Aguero e Lisandro Lopez. Não esquecendo Higuain. Jara tem um pouco de Tevez na forma de abordar a pressão e a garra com que vai a todos os lances, denota a inteligência e mestria técnica de Aguero e a frieza e qualidade de movimentos de Lisandro.

Não tenho qualquer receio em dizer que Franco Jara se evoluir, se ganhar outra dimensão, pois o seu futebol é actualmente extremamente completo, se tiver espaço e com certeza que o terá, é um jogador que o Benfica poderá ver-se na eminência de efectuar muitos esforços para o segurar nas suas fileiras mais do que 3 ou 4 temporadas. Claramente um jogador para vingar e ser cabeça de cartaz. Eu aprovo, e muito, aliás, desde sempre quis ver o Benfica confirmar, como o fez hoje, à CMVM, esta contratação.

Recomendo este vídeo, para quem quiser perder (não é perca de tempo) 20 minutos a ver Jara.


sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Franco Jara para "rebentar", Kléber namoro antigo e um senhor dilema em Alvalade


Muito mais do que compreender certo tipo de negócios, como por exemplo o empréstimo de Rentería ao Braga pelo Porto (o terceiro classificado a emprestar e a reforçar o primeiro é algo que nunca vi) é importante olhar para o nível de preparação antecipado que o Benfica vem demonstrando esta época e que finalmente começa a dar os seus frutos.

O trabalho preparatório, de pré-época, até antes dela se começar a desenrolar, surge como 50% dos fundamentos necessários para a realização de uma época de qualidade, na minha opinião. Aliás, basta olhar para este simples exercício: Benfica com um Verão de tranquilidade, finalmente, e os resultados são estes. Um Braga estruturado e sem mudanças (equipa base), aí está. Porto e Sporting com "receio" de dar um abanão - necessário -, sobretudo pelas perdas dos primeiros e pela fraca qualidade dos segundos, vêm-se agora numa situação delicada de ter de despender grandes quantias, pois nenhum clube gosta de ver os seus melhores intérpretes sair a meio da época, e um Porto à deriva, que pelo que trarão Ruben Micael e Kléber ao jogo dos azuis a metodologia de jogo da equipa terá de ser naturalmente diferente, até o próprio sistema táctico, que se deverá fixar agora num possível 4-4-2 em Losango (é o que melhor potencia os jogadores) mas são formas e conteúdos completamente inatingíveis numa altura tão essencial da fase competitiva em que nos encontramos.

Conheço bem o Kléber e o Porto garantiu, sem sombra de dúvida, um grande jogador. No entanto, tenho algumas dúvidas. Elas prendem-se com o baixo ritmo de jogo a que está habituado e desenvolve o seu futebol. É certo que é um jogador mexido (a espaços), de desequilíbrios, um quebra-cabeças, jogador de corredor central para jogar no apoio ao avançado ou a municiá-lo, não tanto um 9, mas que vai ter de jogar na frente, ao lado de Falcão. São dois jogadores que se poderão complementar bem, mas estão longe de serem gémeos perfeitos ou, sobretudo, parceiros ideais. Neste Porto encaixava que nem uma luva um jogador ao estilo de Jankauskas. E parece-me má gestão de activos a forma como se desprendem de Farias, possivelmente, o jogador mais sub-aproveitado dos últimos anos em Portugal.


Quanto ao Sporting, a péssima gestão de Bettencourt conhece agora, finalmente, aqui e ali frutos positivos. Os mais cépticos questionam a origem do dinheiro, muitos falam no contrato com a Sagres, outros na dependência financeira que obtiveram com o empréstimo da câmara do dinheiro para o pavilhão que pode estar a ser usado neste mercado.

Para já, mais de 6 milhões de euros por Pongolle é uma brutidade. Gosto do jogador, tem talento, mas está longe de ser um jogador a valer tamanha franquia e até questiono se será um jogador assim tão superior a Yannick Djaló ou Liedson. Djaló é outro problema, não o acho mau jogador, mas adiante.

Pedro Mendes surge como alternativa a Ruben Micael e sem dúvida alguma um grande reforço. É um estratega, um jogador de espaços recuados na zona de construção, de critério e qualidade do passe. Hoje em dia, é um 6, num Losango pode ser um Interior. Como encaixará com Moutinho e Veloso? Parece-me lógica a medida do Sporting precavendo a saída de Veloso no final do ano.

E para o imediato? Como coabitarão Veloso e Mendes no mesmo espaço de terreno? É que Pedro Mendes até pelos seus ritmos e conhecimentos do jogo, procurará um espaço muitas vezes pisado pela batuta que Miguel Veloso gosta de por no jogo. Um caso para Carvalhal resolver, e vamos ver de que forma (Se isto não obrigará à fixação do 4-3-3).



A Bola Branca assegura hoje que Franco Jara é reforço do Benfica. Já aqui tive oportunidade de falar nele e nesta altura parece-me, de longe, o jogador mais forte que o Benfica ou qualquer outro clube em Portugal poderia fechar para a frente de ataque. Eu quando vejo Jara actuar continuo à procura de défices no seu jogo. Não encontro pontos fracos. É um jogador demasiado completo para a idade, penso ter tudo para fazer uma grande carreira de águia ao peito.

Para o Benfica, que parece que terá uma debandada de nomes fortes no final do ano, o futuro começa a ser visível. Só gostaria que o colega de equipa de Jara, Ivan Marcone, tivesse a possibilidade de seguir viagem com ele. O Benfica ganharia um jogador para 10 anos ao mais alto nível.

Manuel Fernandes, o melhor do Mundo


O título não é sugestivo, eu aceito, muito menos condizente com a realidade, também é verdade, mas Manuel Fernandes, no dia que quiser ser o melhor do Mundo na sua posição, vai sê-lo. Desde sempre fui um grande admirador das suas qualidades e a sua última passagem por Inglaterra potenciou por completo o seu futebol.

Ninguém fica indiferente à forma como um ainda Junior chega aos Séniores do Benfica e marca um golo da vitória no habitualmente difícil Adelino Ribeiro Novo. Um médio todo o terreno, que Camacho muito quis trabalhar, ganhou expressão no Benfica mas tem demonstrado uma falta de tanta coisa exterior ao seu futebol, que ficaríamos aqui o resto do dia a enumerar...

Manuel Fernandes pouco fez em termos de gestão da sua carreira, tomou quase sempre as opções erradas e a forma como forçou, duplamente, as suas saídas do Benfica, espelham a forma como muitos se perdem e passam ao lado de grandes carreiras. Até pela idade dele, estou em crer que ainda vai a tempo. Mas só dele depende.

A sua passagem pelo Inter espera-se que não seja efémera. Espera-se também que não seja mais um Pelé (ex-Vit. Guimarães) e seja realmente Manuel Fernandes. Ambos têm em comum o facto de terem realizado a sua formação no Benfica e opções de carreira pouco felizes que andam a adiar a sua explosão. E dois jogadores tão semelhantes...



Manuel Fernandes, como médio, considero-o um jogador excepcional. Jogador da posição 8, Médio Interior, excelente no preenchimento de espaços, no capítulo técnico e da progressão, na facilidade de recuperação de bolas, e na meia distância. Perde fora do campo, na pouca inteligência que tem demonstrado em gerir a sua carreira e falta de humildade em momentos chave.

No dia que Manuel Fernandes tiver um treinador que o chame à Terra e lhe faça crer que ou muda radicalmente de comportamento, ou passará ao lado de uma grande carreira, ao nível dos predestinados como realmente sempre ambicionou, ele será o Melhor do Mundo. O também best of the World José Mourinho, reza a lenda, não terá muita paciência para indefinições deste tipo. Gosta de jogadores feitos, de homens de carácter e responsabilidade.

Manuel Fernandes no Inter terá o desafio mais decisivo da sua carreira. Não só em termos de personalidade, como em termos de seguimento futuro da sua vida profissional. A forma como vai ser encarado, "apenas mais um", ou neste caso, o "tal", o último, em nada é condizente com a personalidade e ambição do jogador português, que gosta de assumir riscos e ser cabeça de cartaz.

Estou em crer que esta será a sua derradeira oportunidade. Uma de se tornar um jogador de equipa, um homem realmente, um senhor jogador, e deixar o rótulo de eterna promessa, e outra na forma como pode ou não singrar numa das mais fortes equipas do Mundo. O tapete é curto, pois Manuel Fernandes é "reserva" e apenas para o Calcio. Já não pode actuar na Europa, e será sempre um recurso, ainda para mais entrado já no fim de Janeiro.

Como sempre, e ainda mais neste caso, tudo está nas suas mãos. Finalizando, digo: Um dia espero contar a história de um jogador formado no Benfica que tomou muitas opções erradas e se restabeleceu e tornou-se o melhor do Mundo naquilo que fazia. Contudo, a história encarregou-se, ao longo dos tempos, de mostrar um role de nomes e nomes nas mesmas condições e que invariavelmente passaram ao lado de grandes carreiras. Será Manuel Fernandes a escrever a sua história. Não perca os próximos capítulos.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O outro lado do futebol: Factor JM


O futebol é feito do talento, da eficácia, da qualidade que este ou aquele jogador coloca no seu jogo. Há tantos craques a brilhar no relvado, dentro do rectângulo mágico, e outros tantos a brilhar fora dele. Antigamente era muito usual a expressão que "atrás de um grande homem, está sempre uma grande mulher", como suporte à sua vida profissional e à sua estabilidade em termos emocionais.

Podemos hoje em dia verificar que no futebol actual, muito jogado nos bastidores, a "mulher", "mãe", chama-se hoje em dia empresários e há um que supera todos os outros naquilo que faz. Se no relvado brilham o R9, CR7, ZZ10, fora dele, cada vez mais assume lugar e espaço, em analogia, JM... o mestre!

Quando em 1996 Jorge Mendes iniciou a sua carreira com a abertura da GESTIFUTE, estava longe de imaginar o tremendo sucesso e, sobretudo, influência que tem hoje em dia no futebol.

Vamos começar pelo princípio. Jorge Mendes, nesse mesmo ano de 96, colocou Costinha a treinar no Valência, em período experimental com o então modesto Villareal a interessar-se pelo médio português. Mendes recusou e colocou o atleta no Mónaco, contam os críticos, o seu primeiro grande parceiro de negócio. Ficou assim selada a sua primeira mexida no mercado.

A ascensão é vertiginosa. Entrou em choque com José Veiga, conta-se que lutou com ele em pleno aeroporto por um desentendimento face ao negócio com um jogador, era quase totalitário dos jogadores do FC Porto campeão europeu e vencedor da taça uefa, empresário preferido de Pinto da Costa em negócios, começou a gerir a carreira de José Mourinho e bateu, hoje em dia, todos os records possíveis e imagináveis.

Mais do que qualquer transferência milionária que efectua, destaca-se pela influencia que detém nos mais poderosos clubes do Mundo. É inegável a forma eficaz com que trabalha e com que o referenciam como o homem certo para definir estratégias. Há quem diga que assiste a reuniões de colossos europeus com frequência na hora de definirem alvos de mercado.

E não é para menos. Cristiano Ronaldo bateu todos os marcos históricos e Mendes colocou a fasquia em 94 milhões. É justo que assim se diga, foi Jorge Mendes quem meteu a barreira em tão elevado número. Se não, vejamos.

Consegue algo único em Portugal. Nani e Anderson custam ao Man Utd quase 60 milhões de euros, Jorge Mendes mediou a transferência. Costinha, Maniche e Derlei ultrapassaram os 30 milhões de euros para o Dinamo de Moscovo e Jorge Mendes esteve presente. Ricardo Quaresma foi para o Inter por mais de 20 milhões e Jorge Mendes esteve presente. Simão abandonou o Benfica por 25 milhões e Jorge Mendes mediou o negócio. Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira e Deco renderam quase 70 milhões de euros ao Porto e Jorge Mendes fechou os negócios. Mais tarde, Danny chega por 30 milhões ao Zenit e adivinhe-se... o homem dos grandes negócios, Jorge Mendes está lá.

Os números dos lucros da empresa que gere são inimagináveis. Alguns dizem que ele nem consulta os extractos. Mas, o que mais impressiona em tudo isto, é a forma como catapulta carreiras. Dificilmente se compreendem alguns negócios, e vamos apontar nomes.

Alípio, jovem promessa do Rio Ave, transfere-se para o Real Madrid, batendo record de valor pago em Portugal por um juvenil. Fábio Faria, agora a despontar no Rio Ave, transfere-se para o Benfica por 2 milhões de euros, quando o clube da Luz encontra imensas soluções internas. Fábio Paim, que não joga em Paços de Ferreira, subitamente transfere-se para o Chelsea de Scolari. Hilário muda-se para Londres, Chelsea, saindo do Nacional da Madeira. Manuel Fernandes, sem jogar no Valência, transfere-se hoje para o Inter de Milão. Pelé, dispensado do Benfica nos escalões de formação, chega ao Inter de Mourinho. Sem espaço no Porto, acaba no Portsmouth (um entreposto de jogadores, por onde também passou Manuel Fernandes). Manucho transfere-se do Petro de Luanda para o Man Utd, em transferência relâmpago.

Os feitos negociais são sobejamente conhecidos mas mais incrível se torna a forma como alguns nomes desproporcionais em termos qualitativos à realidade dos clubes que os contratam, chegam ao topo do futebol europeu pela mão do empresário lisboeta. Hoje em dia, chega-se à conclusão, ter talento não sobra.

Quantos e quantos são os miúdos que com 13 ou 14 anos já pertencem ao empresário x e y, que muitas vezes os faz andar a saltitar de clube para clube. É que, nem todos são Jorges Mendes. Muitos só querem o jogador se lhe render lucro. E assim se perdem muitos e bons jogadores.

Sou defensor que a FIFA e a UEFA deveriam por limite a este tipo de situações. Os mais velhos, dizem que os empresários estragaram o mundo do futebol. São eles hoje que mediam tudo, fazem transferências, negoceiam jogadores, escolhem plantéis, catapultam carreiras, fazem aparecer ou desaparecer talentos emergentes. Mas claro, será que a FIFA e a UEFA também não lucram com tudo isto?

Um fenómeno que devia merecer outra atenção da parte dos clubes, sobretudo ao nível da formação. Os jovens candidatos a futebolistas de topo devem ser alertados para os factores positivos e negativos que os empresários oferecem. É que nem tudo são rosas. E a forma descontrolada como o "polvo" das negociatas se mexe em tudo o que é futebol, vem estragar o que de genuíno, natural e belo tem o jogo. Vamos ver, até quando...

Balboa, um case study


O tormento de Javier Balboa no Benfica parece ter, finalmente, chegado ao fim. Os jornais desportivos acabam de noticiar o seu empréstimo ao Cartagena, um clube da 2ª Liga Espanhola que procura neste mercado bons reforços para atacar a luta pela subida de divisão (encontra-se no terceiro lugar).

Os adeptos do Benfica rejubilam com esta transferência, pois lá se livraram de mais um. Alguns pontos em relação a isto. 1- Balboa não se ofereceu para vir para o Benfica. 2- Balboa custou 4 milhões de euros. 3- Balboa é pago a peso de ouro. 4- Balboa entrou em 15 jogos, perfazendo pouco mais de 20 minutos por jogo. 5- Balboa foi aguentado apenas um ano e poucos meses mais no clube, custando o que custou.

Alguns assobiam para o lado e apontam as responsabilidades para o jogador, que de facto as tem, mas eu prefiro olhar para as coisas de outra forma. O Benfica contratou um treinador, Quique Flores, e deu-lhe plenos poderes (como está a dar a Jorge Jesus) para por e dispor de nomes e opções negociais.

Não me parece razoável e muito menos boa política. O Benfica tem de ter uma linha estruturada que precavem essas situações. Se um dos investimentos actuais e recentes é um Departamento de Prospecção para o futebol profissional, então porque um ano volvido as contratações de Binya, Halliche, Sepsi, Adu, Di Maria, Andrés Diaz, jogadores vindos na óptica do que se chama prospecção e trabalho de observação, se muda completamente a política e passam a ser os treinadores a ditar os recursos do clube e quem querem e não querem nos quadros?

Regressando ao assunto Balboa, é de facto confrangedor ver um jogador passar pela situação que o madrileno (com nacionalidade da Guiné Equatorial) passou em Lisboa. Desde aposta inegável, a barrado pelos seguranças do Estádio para ver um jogo da sua equipa, a reclamar salários em atraso, foi uma viagem extremamente rápida na vida de Balboa e certamente não guardou boas recordações desta nova experiência na sua carreira.

Não nos podemos esquecer que os jogadores não são mercadorias. E possivelmente Balboa não foi tratado da forma que um ser humano merece. Não o considero mau jogador. Acho que Balboa tem um problema muito grande para o futebol actual. Gosta pouco de trabalhar e é muito fraco a reagir às adversidades e momentos de maior pressão. Foi na tragédia grega frente ao Olympiakos, com o resultado já feito (goleada sofrida pelo Benfica) que quando entrou fez os seus melhores minutos de águia ao peito - sintomático.

É um jogador de flanco com bons recursos técnicos, não é mau tecnicamente, gosto do seu poder no drible e facilidade em ir à linha, muito veloz, falta-lhe claramente o psicológico e a vontade de triunfar, leia-se ambição, para ser alguém no futebol. Se algum dia o ganhar, poderá escrever uma história diferente na sua carreira. Caso contrário, irá manter esta triste e pálida imagem de si próprio.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Na rota da CAN: Gedo


Gedo (Ittihad)
Idade: 26 anos
Peso: 70kg
Altura: 178cm
Nacionalidade: Egípcio

Mohamed Gedo surge como uma das, se não mesmo a maior, surpresas da CAN. Chegou à selecção quase como um desconhecido para alguns dos principais jogadores do Egipto e cedo tem revelado todo o seu talento. Não é opção inicial de Shehata, muito por culpa da valia de Mohammed Zidan mas, Gedo, sempre que entrou, mostrou argumentos muito interessantes e lidera, actualmente, a lista de melhores marcadores da CAN com 3 golos.

Avançado de posição, pode jogar no apoio directo a outro jogador ou sozinho na frente, completando-se bem com outro elemento lado a lado. Jogador veloz, agressivo, muito interessante tecnicamente (ambidestro) e com boa frieza na finalização e na forma como aparece em espaços de decisão, parece-me, até pelos seus 26 anos e pelo trabalho táctico que o Egipto sempre oferece, um jogador totalmente preparado para o futebol europeu. A seguir.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Prospecção Nacional (Médios) - Insa Sagna


Insa Sagna (Estrela da Amadora)
Idade: 20 anos
Peso: 68kg
Altura: 176cm
Nacionalidade: Senegalês

Depois de alguns anos a acompanhar de forma muito próxima os campeonatos de formação em Portugal, e referindo-me ao escalão de Juniores, este jogador, também conhecido como Zazá foi, provavelmente, o melhor que vi extra-grandes e que mais preparado estaria para o futebol profissional no curto espaço de tempo (e aqui incluindo os grandes).

Zazá é um atleta nascido no Senegal mas que veio muito cedo para Portugal. Fez praticamente toda a formação no Belenenses e surpreendeu-me imenso nos jogos que vi dele. Jogador da posição 6, com grande qualidade de movimentos e preenchimento de espaços, sempre sobressaiu pela cultura evidenciada e talento na recuperação de bolas. Muito forte na forma como abordava os adversários e conseguia recuperar, igualmente talentoso na ocupação de território que faz de toda a sua área de jurisdição, assume-se como um número 6 de equipa grande, sem a qualidade de passe de outros, mas com o sentido posicional, a cultura, inteligência, dotado nas recuperações, para permitir mais liberdade aos jogadores mais criativos do meio-campo.

Está emprestado ao Estrela da Amadora, neste que é o seu primeiro ano como Sénior, onde começou a época como titular indiscutível mas actualmente pouco o tenho visto nas fichas de jogo (não sei se está lesionado). Com tempo, com espaço, com uma aposta séria e oportunidade, está aqui um grandíssimo jogador.