quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O outro lado do futebol: Factor JM


O futebol é feito do talento, da eficácia, da qualidade que este ou aquele jogador coloca no seu jogo. Há tantos craques a brilhar no relvado, dentro do rectângulo mágico, e outros tantos a brilhar fora dele. Antigamente era muito usual a expressão que "atrás de um grande homem, está sempre uma grande mulher", como suporte à sua vida profissional e à sua estabilidade em termos emocionais.

Podemos hoje em dia verificar que no futebol actual, muito jogado nos bastidores, a "mulher", "mãe", chama-se hoje em dia empresários e há um que supera todos os outros naquilo que faz. Se no relvado brilham o R9, CR7, ZZ10, fora dele, cada vez mais assume lugar e espaço, em analogia, JM... o mestre!

Quando em 1996 Jorge Mendes iniciou a sua carreira com a abertura da GESTIFUTE, estava longe de imaginar o tremendo sucesso e, sobretudo, influência que tem hoje em dia no futebol.

Vamos começar pelo princípio. Jorge Mendes, nesse mesmo ano de 96, colocou Costinha a treinar no Valência, em período experimental com o então modesto Villareal a interessar-se pelo médio português. Mendes recusou e colocou o atleta no Mónaco, contam os críticos, o seu primeiro grande parceiro de negócio. Ficou assim selada a sua primeira mexida no mercado.

A ascensão é vertiginosa. Entrou em choque com José Veiga, conta-se que lutou com ele em pleno aeroporto por um desentendimento face ao negócio com um jogador, era quase totalitário dos jogadores do FC Porto campeão europeu e vencedor da taça uefa, empresário preferido de Pinto da Costa em negócios, começou a gerir a carreira de José Mourinho e bateu, hoje em dia, todos os records possíveis e imagináveis.

Mais do que qualquer transferência milionária que efectua, destaca-se pela influencia que detém nos mais poderosos clubes do Mundo. É inegável a forma eficaz com que trabalha e com que o referenciam como o homem certo para definir estratégias. Há quem diga que assiste a reuniões de colossos europeus com frequência na hora de definirem alvos de mercado.

E não é para menos. Cristiano Ronaldo bateu todos os marcos históricos e Mendes colocou a fasquia em 94 milhões. É justo que assim se diga, foi Jorge Mendes quem meteu a barreira em tão elevado número. Se não, vejamos.

Consegue algo único em Portugal. Nani e Anderson custam ao Man Utd quase 60 milhões de euros, Jorge Mendes mediou a transferência. Costinha, Maniche e Derlei ultrapassaram os 30 milhões de euros para o Dinamo de Moscovo e Jorge Mendes esteve presente. Ricardo Quaresma foi para o Inter por mais de 20 milhões e Jorge Mendes esteve presente. Simão abandonou o Benfica por 25 milhões e Jorge Mendes mediou o negócio. Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira e Deco renderam quase 70 milhões de euros ao Porto e Jorge Mendes fechou os negócios. Mais tarde, Danny chega por 30 milhões ao Zenit e adivinhe-se... o homem dos grandes negócios, Jorge Mendes está lá.

Os números dos lucros da empresa que gere são inimagináveis. Alguns dizem que ele nem consulta os extractos. Mas, o que mais impressiona em tudo isto, é a forma como catapulta carreiras. Dificilmente se compreendem alguns negócios, e vamos apontar nomes.

Alípio, jovem promessa do Rio Ave, transfere-se para o Real Madrid, batendo record de valor pago em Portugal por um juvenil. Fábio Faria, agora a despontar no Rio Ave, transfere-se para o Benfica por 2 milhões de euros, quando o clube da Luz encontra imensas soluções internas. Fábio Paim, que não joga em Paços de Ferreira, subitamente transfere-se para o Chelsea de Scolari. Hilário muda-se para Londres, Chelsea, saindo do Nacional da Madeira. Manuel Fernandes, sem jogar no Valência, transfere-se hoje para o Inter de Milão. Pelé, dispensado do Benfica nos escalões de formação, chega ao Inter de Mourinho. Sem espaço no Porto, acaba no Portsmouth (um entreposto de jogadores, por onde também passou Manuel Fernandes). Manucho transfere-se do Petro de Luanda para o Man Utd, em transferência relâmpago.

Os feitos negociais são sobejamente conhecidos mas mais incrível se torna a forma como alguns nomes desproporcionais em termos qualitativos à realidade dos clubes que os contratam, chegam ao topo do futebol europeu pela mão do empresário lisboeta. Hoje em dia, chega-se à conclusão, ter talento não sobra.

Quantos e quantos são os miúdos que com 13 ou 14 anos já pertencem ao empresário x e y, que muitas vezes os faz andar a saltitar de clube para clube. É que, nem todos são Jorges Mendes. Muitos só querem o jogador se lhe render lucro. E assim se perdem muitos e bons jogadores.

Sou defensor que a FIFA e a UEFA deveriam por limite a este tipo de situações. Os mais velhos, dizem que os empresários estragaram o mundo do futebol. São eles hoje que mediam tudo, fazem transferências, negoceiam jogadores, escolhem plantéis, catapultam carreiras, fazem aparecer ou desaparecer talentos emergentes. Mas claro, será que a FIFA e a UEFA também não lucram com tudo isto?

Um fenómeno que devia merecer outra atenção da parte dos clubes, sobretudo ao nível da formação. Os jovens candidatos a futebolistas de topo devem ser alertados para os factores positivos e negativos que os empresários oferecem. É que nem tudo são rosas. E a forma descontrolada como o "polvo" das negociatas se mexe em tudo o que é futebol, vem estragar o que de genuíno, natural e belo tem o jogo. Vamos ver, até quando...

Balboa, um case study


O tormento de Javier Balboa no Benfica parece ter, finalmente, chegado ao fim. Os jornais desportivos acabam de noticiar o seu empréstimo ao Cartagena, um clube da 2ª Liga Espanhola que procura neste mercado bons reforços para atacar a luta pela subida de divisão (encontra-se no terceiro lugar).

Os adeptos do Benfica rejubilam com esta transferência, pois lá se livraram de mais um. Alguns pontos em relação a isto. 1- Balboa não se ofereceu para vir para o Benfica. 2- Balboa custou 4 milhões de euros. 3- Balboa é pago a peso de ouro. 4- Balboa entrou em 15 jogos, perfazendo pouco mais de 20 minutos por jogo. 5- Balboa foi aguentado apenas um ano e poucos meses mais no clube, custando o que custou.

Alguns assobiam para o lado e apontam as responsabilidades para o jogador, que de facto as tem, mas eu prefiro olhar para as coisas de outra forma. O Benfica contratou um treinador, Quique Flores, e deu-lhe plenos poderes (como está a dar a Jorge Jesus) para por e dispor de nomes e opções negociais.

Não me parece razoável e muito menos boa política. O Benfica tem de ter uma linha estruturada que precavem essas situações. Se um dos investimentos actuais e recentes é um Departamento de Prospecção para o futebol profissional, então porque um ano volvido as contratações de Binya, Halliche, Sepsi, Adu, Di Maria, Andrés Diaz, jogadores vindos na óptica do que se chama prospecção e trabalho de observação, se muda completamente a política e passam a ser os treinadores a ditar os recursos do clube e quem querem e não querem nos quadros?

Regressando ao assunto Balboa, é de facto confrangedor ver um jogador passar pela situação que o madrileno (com nacionalidade da Guiné Equatorial) passou em Lisboa. Desde aposta inegável, a barrado pelos seguranças do Estádio para ver um jogo da sua equipa, a reclamar salários em atraso, foi uma viagem extremamente rápida na vida de Balboa e certamente não guardou boas recordações desta nova experiência na sua carreira.

Não nos podemos esquecer que os jogadores não são mercadorias. E possivelmente Balboa não foi tratado da forma que um ser humano merece. Não o considero mau jogador. Acho que Balboa tem um problema muito grande para o futebol actual. Gosta pouco de trabalhar e é muito fraco a reagir às adversidades e momentos de maior pressão. Foi na tragédia grega frente ao Olympiakos, com o resultado já feito (goleada sofrida pelo Benfica) que quando entrou fez os seus melhores minutos de águia ao peito - sintomático.

É um jogador de flanco com bons recursos técnicos, não é mau tecnicamente, gosto do seu poder no drible e facilidade em ir à linha, muito veloz, falta-lhe claramente o psicológico e a vontade de triunfar, leia-se ambição, para ser alguém no futebol. Se algum dia o ganhar, poderá escrever uma história diferente na sua carreira. Caso contrário, irá manter esta triste e pálida imagem de si próprio.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Na rota da CAN: Gedo


Gedo (Ittihad)
Idade: 26 anos
Peso: 70kg
Altura: 178cm
Nacionalidade: Egípcio

Mohamed Gedo surge como uma das, se não mesmo a maior, surpresas da CAN. Chegou à selecção quase como um desconhecido para alguns dos principais jogadores do Egipto e cedo tem revelado todo o seu talento. Não é opção inicial de Shehata, muito por culpa da valia de Mohammed Zidan mas, Gedo, sempre que entrou, mostrou argumentos muito interessantes e lidera, actualmente, a lista de melhores marcadores da CAN com 3 golos.

Avançado de posição, pode jogar no apoio directo a outro jogador ou sozinho na frente, completando-se bem com outro elemento lado a lado. Jogador veloz, agressivo, muito interessante tecnicamente (ambidestro) e com boa frieza na finalização e na forma como aparece em espaços de decisão, parece-me, até pelos seus 26 anos e pelo trabalho táctico que o Egipto sempre oferece, um jogador totalmente preparado para o futebol europeu. A seguir.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Prospecção Nacional (Médios) - Insa Sagna


Insa Sagna (Estrela da Amadora)
Idade: 20 anos
Peso: 68kg
Altura: 176cm
Nacionalidade: Senegalês

Depois de alguns anos a acompanhar de forma muito próxima os campeonatos de formação em Portugal, e referindo-me ao escalão de Juniores, este jogador, também conhecido como Zazá foi, provavelmente, o melhor que vi extra-grandes e que mais preparado estaria para o futebol profissional no curto espaço de tempo (e aqui incluindo os grandes).

Zazá é um atleta nascido no Senegal mas que veio muito cedo para Portugal. Fez praticamente toda a formação no Belenenses e surpreendeu-me imenso nos jogos que vi dele. Jogador da posição 6, com grande qualidade de movimentos e preenchimento de espaços, sempre sobressaiu pela cultura evidenciada e talento na recuperação de bolas. Muito forte na forma como abordava os adversários e conseguia recuperar, igualmente talentoso na ocupação de território que faz de toda a sua área de jurisdição, assume-se como um número 6 de equipa grande, sem a qualidade de passe de outros, mas com o sentido posicional, a cultura, inteligência, dotado nas recuperações, para permitir mais liberdade aos jogadores mais criativos do meio-campo.

Está emprestado ao Estrela da Amadora, neste que é o seu primeiro ano como Sénior, onde começou a época como titular indiscutível mas actualmente pouco o tenho visto nas fichas de jogo (não sei se está lesionado). Com tempo, com espaço, com uma aposta séria e oportunidade, está aqui um grandíssimo jogador.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Prospecção Internacional (Guarda-Redes) - Ruffier


Stephane Ruffier (Mónaco)
Idade: 23 anos
Peso: 85kg
Altura: 188cm
Nacionalidade: Francês

Ao assistir ao já longínquo Marselha-Mónaco em que Ruffier conseguiu sair, praticamente, sozinho do Velódrome com o empate, que tenho procurado seguir com mais atenção a evolução deste jogador. Impressiona, primeiramente, pela segurança e liderança que os seus 23 anos trazem à baliza do Mónaco.

É um guarda-redes muito programado, parece até algo "desenhado" nos seus movimentos, mas com um grande sentido de baliza, excelentes reflexos e muita agilidade. É rápido nas mudanças de direcção e na forma segura e eficaz como sai dos postes a cruzamentos e bolas aéreas. Precisa melhorar o seu jogo de pés, mas está aqui um guarda-redes interessante para discutir com Hugo Lloris a titularidade da baliza francesa nos próximos anos.


Prospecção Nacional (Médios) - Lassana Camará


Lassana Camará (SL Benfica)
Idade: 18 anos
Peso: 63kg
Altura: 172cm
Nacionalidade: Português (nascido na Guiné)

Hoje desloquei-me ao Seixal para ver o derby de Juniores e, durante alguns instantes, tive a nostalgia de voltar a ver um jogador que tantas alegrias me deu e tanto abrilhanta os olhos de um amante do futebol. O verdadeiro Saná, que eu pensei estar adormecido, apareceu aos poucos, ainda sem o mesmo nível de brilhantismo, mas com rasgos do seu verdadeiro futebol.

Vi o Saná chegar ao Benfica com 15 anos e entrar como titular no meio-campo da equipa A então todo poderoso (Leandro Pimenta, David Simão e Vítor Pacheco) e impor-se como titular absoluto, num papel preponderante da ligação de sectores pela dimensão fantástica que tem o seu futebol ao nível do preenchimento de espaços.

Lassana é um jogador de grandes recursos técnicos, pode jogar como 8 ou 10, sendo que é mesmo no papel de box-to-box que melhor exponencia o seu talento. Jogador de espaços curtos, de grande qualidade a deambular com bola e na forma como vai ultrapassando adversários em progressão, denota grande cultura táctica e sentido posicional, devendo melhorar, contudo, a forma como alonga o seu jogo, sobretudo no passe longo e na forma como visa a baliza.

Apesar da sua baixa estatura é um jogador muito forte no contacto físico e na forma como trabalha e luta pela bola a meio-campo. Recupera muitas bolas e sabe sair a jogar. Grande talento, mas que se eclipsou e não teve a evolução esperada nestes últimos 18 meses. Vamos ver se regressa o génio...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Prospecção Internacional (Extremos) - Marcelinho


Marcelinho (São Paulo)
Idade: 17 anos
Peso: 66kg
Altura: 174cm
Nacionalidade: Brasileiro

Juntamente com Lucas Gaúcho, assume-se como a principal figura ofensiva dos tricolores no ataque à Copinha Junior de 2010. Marcelinho é um jogador muito virtuoso, com grande capacidade de drible e poder na penetração. Joga em qualquer uma das faixas ou no apoio mais próximo ao ponta-de-lança. Tenho gostado muito de o ver e estou curioso para seguir a sua evolução. Para rever já daqui a dois dias na Meia-Final contra a Juventude.

O Mercado - Job, Micael, Nelson Oliveira e Alan



Job, o Palanca Brasileiro

Fez ontem capa de Jornal, como possível reforço do Benfica. Ainda há cerca de duas semanas um amigo meu angolano me falou deste jogador. Depois de ver algo dele, cedo concluí que apesar da baixa estatura é, de facto, um grande portento técnico, muito forte em drible e na manutenção da posse de bola, mas um jogador que traduz exactamente aquilo que é o futebol de rua e o anarquismo táctico que no futebol europeu pouca expressão consegue.

Jogador de público e para o público, é daqueles que faz vibrar as bancadas pelos malabarismos e fintas infindáveis mas tem de melhorar muito enquanto jogador de níveis mais exigentes, sobretudo em termos de objectividade e eficiência do seu jogo. Por alguma razão o Manuel José pouco tempo lhe tem dado na CAN (20 e poucos minutos, entrou apenas no último jogo).

Contudo, é o que já disse. Se algum treinador estiver disposto a perder um ano, dois anos, seja o que for, com ele, a trabalhá-lo, a dar-lhe outros ritmos e dinâmicas, mais exigência táctica, está aqui um jogador muito interessante para ser aproveitado no futebol português. Mas, ainda é muito cedo, e logo para um clube como o Benfica... parece-me mais medida popular do que propriamente outra coisa.

O factor RM

O jogo do FC Porto esta época tem enfrentado problemas grandes sob o ponto de vista do último terço do terreno. São notórias as dificuldades dos azuis e brancos na fase decisiva da sua zona de construção, pois a perda de Lucho González veio abrir um caminho por vezes demasiado distante entre os jogadores do trio ofensivo e do resto da equipa.

O Porto este ano tem disfarçado, de certa forma, esse problema nas investidas de Raúl Meireles por terrenos que não são os seus, nos movimentos de ruptura de Hulk e, claro, quando Belluschi, e volto a dizer, não compreendo porque não é opção de caras neste onze de Jesualdo, joga e faz jogar, traduzindo o jogo ofensivo do Porto numa perspectiva bem mais orientada e qualitativa do seu processo ofensivo de organização ou transição.


Daí que Ruben Micael, até pela aposta de que é alvo, tem claramente um factor decisivo no resto da época do Porto e parece-me claramente o jogador mais indicado para a função e sem dúvida o melhor reforço que o Porto poderia ter neste mercado de inverno.

Pela capacidade de progressão com bola, pela forma como dá verticalidade ao seu jogo, pelos ritmos e dinâmicas que consegue imprimir no jogo, será certamente factor essencial na mudança de rumo dos azuis e brancos. Aquele que é até agora um jogo muito directo sempre à procura dos desequilíbrios de Falcão, Bruno Alves e, em último caso, Farías ou em rasgos de Varela, o Porto irá certamente ligar melhor os sectores e transmitir uma ideia mais coesa nos seus processos, o que lhe permitirá fazer um futebol mais curto, mais rápido, mais dinâmico e com elevados níveis de concretização. Parece-me contudo que com Ruben Micael o jogo ofensivo do Porto ficará menos dotado para as qualidades de Falcão. É uma previsão...

Não compensa o risco

Vem hoje no Jornal "A Bola" uma notícia que dá conta do empréstimo de Nélson Oliveira ao Rio Ave, avançado dos Juniores do Benfica. Depois de Yero e Abdoulaye no Porto para o Portimonense e Olhanense respectivamente, é a vez do Benfica se mexer e libertar aquela que é, na perspectiva geral, a próxima grande promessa a emergir do Caixa Futebol Campus.

Estou bastante céptico face a esta perspectiva. Por um lado, um dos problemas actuais do Nélson Oliveira é a dinâmica pouco intensa que produz no seu jogo. Realmente, só com um empréstimo, que deveria ter acontecido no início da época, é que terá outras exigências e jogará sob outros ritmos que o Nacional de Juniores claramente não lhe empresta.


Por outro lado, parece-me um erro claro este empréstimo. O Rio Ave está a fazer uma das melhores campanhas de sempre, tem um ataque consolidado, eficaz, e jogadores ofensivos a fazer, possivelmente, e em alguns casos, a sua melhor época desportiva. Sidnei joga na esquerda, está em grande ascensão e a mostrar bons apontamentos. João Tomás é o melhor marcador da equipa e faz golos, decisivos, é experiente, forte em todos os capítulos do jogo... há também Bruno Gama, o talentoso jogador portuense, muito forte a nível técnico e num dos princípios básicos do processo ofensivo, a penetração. Existem ainda dois jogadores que são chamados e correspondem frequentemente: Chidi e Fogaça. Foram ainda buscar dois miúdos sul americanos: O Felipe Alberto e o Parodi.

Agora eu pergunto, e sem questionar o facto do Nélson Oliveira exponenciar, actualmente, muito melhor as suas características na faixa esquerda do ataque, onde ele irá encaixar? Estarão a pensar os responsáveis encarnados demasiado acima? É que não se empresta um jogador a uma equipa que está bem, com os seus processos bem definidos e a dar frutos, com jogadores experientes e novas soluções à vista para entrar... já disse no outro dia: O Nélson Oliveira, por exemplo, para quem defendia o seu empréstimo ao Fátima, não me parece que fosse titular indiscutível. Iria discutir a titularidade com o André Carvalhas na esquerda porque ao trintão Nuno Sousa (E o Nélson se quiser ser jogador de top tem, SEMPRE, de ser trabalhado na posição 9) não lhe daria hipótese. E já que falámos em André Carvalhas... os responsáveis do Benfica não aprenderam nada?

"Alan é o melhor jogador da Liga"

Como tive oportunidade de dizer aqui na semana passada, para mim, Alan, do Braga, é o jogador mais valioso da Liga. Ontem ao ler a entrevista que Manuel Cajuda deu ao Jornal "A Bola" li que ele elogiou quase todos os jogadores mais falados do campeonato, mas partilha da mesma opinião: Alan é, de facto, ao serviço da equipa e da eficiência que produz aos seus processos, o grande jogador deste campeonato. Como disse também, eu, o mais valioso, porque o melhor é Saviola. E são coisas distintas.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Na rota da CAN: Pitroipa


Pitroipa (Hamburgo)
Idade: 23 anos
Peso: 56kg
Altura: 176cm
Nacionalidade: Burkinense

Surpreendeu-me nesta CAN o melhor jogador da equipa de Paulo Duarte, o Burkina Faso. Jogador de corredor lateral, tanto direito como esquerdo, está actualmente a jogar na Alemanha, onde de resto, tem feito grande parte da sua carreira. Talvez por isso mesmo apresente um futebol diferente dos seus colegas em termos de maturação. Rápido, explosivo no drible, muito perigoso em situações de contra-ataque em que a sua equipa joga em bloco baixo, tem-me parecido um jogador objectivo e muito incisivo sobre o último reduto do adversário. Para observar novamente.

Um plantel grande, ou um grande plantel?


Cada vez mais vou formulando uma ideia que finalmente começa a transparecer como um motivo de discussão correcto sob o ponto de vista daquilo que é a principal qualidade que um treinador tem de demonstrar: preparação. Um dos pontos fundamentais de uma boa preparação, que se faz normalmente antes do início dos trabalhos de campo, ou seja, na pré-época, prende-se com a necessidade que o treinador tem de escolher um plantel.

Já lá vai o tempo em que os clubes definiam a meta de 25 a 26 jogadores por temporada. No entanto, hoje em dia, ainda sou surpreendido com notícias que dão conta de 31 (!) jogadores num treino do FC Porto neste mês de Janeiro, ou na quantidade de jogadores que todos os dias estão à disposição de Jorge Jesus no Benfica: 32 jogadores.

São realmente números absurdos para aquela que é, na minha óptica, a forma mais correcta de se preparar uma equipa de futebol sénior. Hoje em dia, os espaços são curtos, a dimensão de futebol dos jogadores tem de ser cada vez mais forte sob o ponto de vista das dinâmicas e intensidades em reduzidos espaços de jogo, e os plantéis não devem fugir à regra.

Um treinador que tenha no seu plantel cerca de 21 ou 22 jogadores (o que lhe confere 2 atletas por posição) irá centrar o seu trabalho, primeiro do que tudo, em exercícios mais completos e mais exigentes nas dinâmicas e intensidades que lhes imprime pelo facto de, imaginando, num exercício de repetições, os jogadores estarem mais vezes em "treino" e o treinador possa estar mais atento e disponível para correcções ou atenções para com eles.

Torna-se, por outro lado, mais fácil a integração de jogadores jovens nos trabalhos. Não só nos treinos (o que é essencial para o seu desenvolvimento pois integram espaços mais fortes, que lhes conferem mais motivação e empenho sob as suas exigências) como também possivelmente em jogo, caso alguém falhe por lesão ou castigo.

É também bem mais fácil formar um grupo forte, unido e coeso se houverem poucos elementos e todos tiverem de demonstrar, naturalmente, um conhecimento maior entre si. 20 jogadores terão mais oportunidades de conviver juntos, criar laços entre si, do que 30 ou 32...

Também no compromisso que eles próprios traçam não só com eles, como com os treinadores, com os colegas, ou com o grupo. 22 jogadores é um número curto, onde a qualquer momento todos podem ser chamados a desempenhar qualquer função e isso garante-lhes não só maior motivação, como maior interesse e espírito de entre-ajuda entre todos.

Há também um outro factor que mais salta à vista. Devido ao reduzido número de jogadores, todos os integrantes terão naturalmente maiores oportunidades, logo maior competitividade e uma modelagem evolutiva muito maior, não só ao nível da metodologia do treino como em termos de ritmos e intensidades competitivas, estando sempre prontos a qualquer altura para desempenharem funções do interesse do grupo, com resultados mais positivos.

O melhor exemplo de tudo isto é o Barcelona de Guardiola, que tem no seu plantel, e antes de somar, escrever: Valdés e José Pinto; Dani Alves, Piqué, Marquéz, Puyol, Milito, Maxwell, Chygrynsky e Abidal; Xavi, Iniesta, Keita, Sergio e Touré; Ibrahimovic, Messi, Bojan, Henry e Pedro. Eu contei 20. Juntando os miúdos da cantera que aos poucos vão integrando os trabalhos: Jeffrén, Thiago Alcantara e Assulin, chegamos ao número de 23 jogadores, já contando, portanto, com os atletas que muitas vezes nem com o plantel principal trabalham.

É sem dúvida um óptimo exemplo. Guardiola quando lança um suplente, ele entra sempre com perspectivas de poder resolver. E é isso que não vemos nem no Benfica, nem no Porto, nem em Portugal de uma forma geral. Tudo bem que a qualidade é naturalmente diferente. Mas a diferença está exactamente na forma como se prepara psicologica e metodologicamente um jogador para uma competição, ou para um simples treino.

Uma questão para reflectir...

Prospecção Internacional (Médios) - Ramos


Ramos (Palmeiras)
Idade: 18 anos
Peso:
Altura:
Nacionalidade: Brasileiro

Está a dar os primeiros passos, não é figura mediática (e tanto procurei por uma foto sua) mas o seu talento está apenas ao alcance dos verdadeiros craques. Ramos é o camisa 10 da equipa do Palmeiras na Copinha de 2010 e está a mostrar pormenores dignos de um verdadeiro "dono da bola". Ramos assume-se como um 10, o verdadeiro cérebro da organização ofensiva da equipa, revelando grande maturidade na leitura de jogo e na forma como gere os ritmos da partida.

O seu pé esquerdo é extremamente dotado, forte no drible curto, no remate de longe e exímio lançador de ataques, com passes de ruptura muito venenosos. Foi, sem dúvida, um dos jogadores que mais me chamaram à atenção nos últimos tempos, ao ponto de um jogador da equipa principal do Palmeiras, Sacconi, ter vindo a público elogiar o seu rendimento: "Tenho visto alguns jogos e o Ramos tem muita qualidade. É importante dar chance à garotada!". Se evoluir sob o ponto de vista da dinâmica que imprime nos seus movimentos, terá tudo para brilhar ao mais alto nível.

Nesta Copinha, há 2 que, se o futuro futebolístico não sofrer contrapartidas e possibilidades inesperadas estarão, em breve, a brilhar no Brasileirão. Ele, e o grande craque, um Jardel, Lucas Gaúcho, que a cada jogo que passa, vai marcando mais golos, de todas as formas e feitios, e revelando todo o seu potencial.


A partir dos 3 minutos...

Prospecção Internacional (Extremos) - Nikão


Nikão (Santos)
Idade: 17 anos
Peso: 73kg
Altura: 174cm
Nacionalidade: Brasileiro

Reza a lenda que foi Pelé a recomendar Nikão à directoria do Santos para melhor o observarem. Assim foi. O jogador natural de Belo Horizonte chegou e cumpriu, sendo um dos principais destaques da equipa santista na Copinha Junior. Jogador de corredores laterais, destaca-se pela grande capacidade de explosão e progressão com bola em drible. É actualmente um dos jogadores mais promissores da formação de um clube que tantos craques já lançou e tantos aguardam por nova chamada para mostrarem o seu talento. Nikão pela maturidade que apresenta no seu jogo, até em termos físicos, parece-me que terá essa oportunidade num curto espaço de tempo.