quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O Mercado - Job, Micael, Nelson Oliveira e Alan



Job, o Palanca Brasileiro

Fez ontem capa de Jornal, como possível reforço do Benfica. Ainda há cerca de duas semanas um amigo meu angolano me falou deste jogador. Depois de ver algo dele, cedo concluí que apesar da baixa estatura é, de facto, um grande portento técnico, muito forte em drible e na manutenção da posse de bola, mas um jogador que traduz exactamente aquilo que é o futebol de rua e o anarquismo táctico que no futebol europeu pouca expressão consegue.

Jogador de público e para o público, é daqueles que faz vibrar as bancadas pelos malabarismos e fintas infindáveis mas tem de melhorar muito enquanto jogador de níveis mais exigentes, sobretudo em termos de objectividade e eficiência do seu jogo. Por alguma razão o Manuel José pouco tempo lhe tem dado na CAN (20 e poucos minutos, entrou apenas no último jogo).

Contudo, é o que já disse. Se algum treinador estiver disposto a perder um ano, dois anos, seja o que for, com ele, a trabalhá-lo, a dar-lhe outros ritmos e dinâmicas, mais exigência táctica, está aqui um jogador muito interessante para ser aproveitado no futebol português. Mas, ainda é muito cedo, e logo para um clube como o Benfica... parece-me mais medida popular do que propriamente outra coisa.

O factor RM

O jogo do FC Porto esta época tem enfrentado problemas grandes sob o ponto de vista do último terço do terreno. São notórias as dificuldades dos azuis e brancos na fase decisiva da sua zona de construção, pois a perda de Lucho González veio abrir um caminho por vezes demasiado distante entre os jogadores do trio ofensivo e do resto da equipa.

O Porto este ano tem disfarçado, de certa forma, esse problema nas investidas de Raúl Meireles por terrenos que não são os seus, nos movimentos de ruptura de Hulk e, claro, quando Belluschi, e volto a dizer, não compreendo porque não é opção de caras neste onze de Jesualdo, joga e faz jogar, traduzindo o jogo ofensivo do Porto numa perspectiva bem mais orientada e qualitativa do seu processo ofensivo de organização ou transição.


Daí que Ruben Micael, até pela aposta de que é alvo, tem claramente um factor decisivo no resto da época do Porto e parece-me claramente o jogador mais indicado para a função e sem dúvida o melhor reforço que o Porto poderia ter neste mercado de inverno.

Pela capacidade de progressão com bola, pela forma como dá verticalidade ao seu jogo, pelos ritmos e dinâmicas que consegue imprimir no jogo, será certamente factor essencial na mudança de rumo dos azuis e brancos. Aquele que é até agora um jogo muito directo sempre à procura dos desequilíbrios de Falcão, Bruno Alves e, em último caso, Farías ou em rasgos de Varela, o Porto irá certamente ligar melhor os sectores e transmitir uma ideia mais coesa nos seus processos, o que lhe permitirá fazer um futebol mais curto, mais rápido, mais dinâmico e com elevados níveis de concretização. Parece-me contudo que com Ruben Micael o jogo ofensivo do Porto ficará menos dotado para as qualidades de Falcão. É uma previsão...

Não compensa o risco

Vem hoje no Jornal "A Bola" uma notícia que dá conta do empréstimo de Nélson Oliveira ao Rio Ave, avançado dos Juniores do Benfica. Depois de Yero e Abdoulaye no Porto para o Portimonense e Olhanense respectivamente, é a vez do Benfica se mexer e libertar aquela que é, na perspectiva geral, a próxima grande promessa a emergir do Caixa Futebol Campus.

Estou bastante céptico face a esta perspectiva. Por um lado, um dos problemas actuais do Nélson Oliveira é a dinâmica pouco intensa que produz no seu jogo. Realmente, só com um empréstimo, que deveria ter acontecido no início da época, é que terá outras exigências e jogará sob outros ritmos que o Nacional de Juniores claramente não lhe empresta.


Por outro lado, parece-me um erro claro este empréstimo. O Rio Ave está a fazer uma das melhores campanhas de sempre, tem um ataque consolidado, eficaz, e jogadores ofensivos a fazer, possivelmente, e em alguns casos, a sua melhor época desportiva. Sidnei joga na esquerda, está em grande ascensão e a mostrar bons apontamentos. João Tomás é o melhor marcador da equipa e faz golos, decisivos, é experiente, forte em todos os capítulos do jogo... há também Bruno Gama, o talentoso jogador portuense, muito forte a nível técnico e num dos princípios básicos do processo ofensivo, a penetração. Existem ainda dois jogadores que são chamados e correspondem frequentemente: Chidi e Fogaça. Foram ainda buscar dois miúdos sul americanos: O Felipe Alberto e o Parodi.

Agora eu pergunto, e sem questionar o facto do Nélson Oliveira exponenciar, actualmente, muito melhor as suas características na faixa esquerda do ataque, onde ele irá encaixar? Estarão a pensar os responsáveis encarnados demasiado acima? É que não se empresta um jogador a uma equipa que está bem, com os seus processos bem definidos e a dar frutos, com jogadores experientes e novas soluções à vista para entrar... já disse no outro dia: O Nélson Oliveira, por exemplo, para quem defendia o seu empréstimo ao Fátima, não me parece que fosse titular indiscutível. Iria discutir a titularidade com o André Carvalhas na esquerda porque ao trintão Nuno Sousa (E o Nélson se quiser ser jogador de top tem, SEMPRE, de ser trabalhado na posição 9) não lhe daria hipótese. E já que falámos em André Carvalhas... os responsáveis do Benfica não aprenderam nada?

"Alan é o melhor jogador da Liga"

Como tive oportunidade de dizer aqui na semana passada, para mim, Alan, do Braga, é o jogador mais valioso da Liga. Ontem ao ler a entrevista que Manuel Cajuda deu ao Jornal "A Bola" li que ele elogiou quase todos os jogadores mais falados do campeonato, mas partilha da mesma opinião: Alan é, de facto, ao serviço da equipa e da eficiência que produz aos seus processos, o grande jogador deste campeonato. Como disse também, eu, o mais valioso, porque o melhor é Saviola. E são coisas distintas.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Na rota da CAN: Pitroipa


Pitroipa (Hamburgo)
Idade: 23 anos
Peso: 56kg
Altura: 176cm
Nacionalidade: Burkinense

Surpreendeu-me nesta CAN o melhor jogador da equipa de Paulo Duarte, o Burkina Faso. Jogador de corredor lateral, tanto direito como esquerdo, está actualmente a jogar na Alemanha, onde de resto, tem feito grande parte da sua carreira. Talvez por isso mesmo apresente um futebol diferente dos seus colegas em termos de maturação. Rápido, explosivo no drible, muito perigoso em situações de contra-ataque em que a sua equipa joga em bloco baixo, tem-me parecido um jogador objectivo e muito incisivo sobre o último reduto do adversário. Para observar novamente.

Um plantel grande, ou um grande plantel?


Cada vez mais vou formulando uma ideia que finalmente começa a transparecer como um motivo de discussão correcto sob o ponto de vista daquilo que é a principal qualidade que um treinador tem de demonstrar: preparação. Um dos pontos fundamentais de uma boa preparação, que se faz normalmente antes do início dos trabalhos de campo, ou seja, na pré-época, prende-se com a necessidade que o treinador tem de escolher um plantel.

Já lá vai o tempo em que os clubes definiam a meta de 25 a 26 jogadores por temporada. No entanto, hoje em dia, ainda sou surpreendido com notícias que dão conta de 31 (!) jogadores num treino do FC Porto neste mês de Janeiro, ou na quantidade de jogadores que todos os dias estão à disposição de Jorge Jesus no Benfica: 32 jogadores.

São realmente números absurdos para aquela que é, na minha óptica, a forma mais correcta de se preparar uma equipa de futebol sénior. Hoje em dia, os espaços são curtos, a dimensão de futebol dos jogadores tem de ser cada vez mais forte sob o ponto de vista das dinâmicas e intensidades em reduzidos espaços de jogo, e os plantéis não devem fugir à regra.

Um treinador que tenha no seu plantel cerca de 21 ou 22 jogadores (o que lhe confere 2 atletas por posição) irá centrar o seu trabalho, primeiro do que tudo, em exercícios mais completos e mais exigentes nas dinâmicas e intensidades que lhes imprime pelo facto de, imaginando, num exercício de repetições, os jogadores estarem mais vezes em "treino" e o treinador possa estar mais atento e disponível para correcções ou atenções para com eles.

Torna-se, por outro lado, mais fácil a integração de jogadores jovens nos trabalhos. Não só nos treinos (o que é essencial para o seu desenvolvimento pois integram espaços mais fortes, que lhes conferem mais motivação e empenho sob as suas exigências) como também possivelmente em jogo, caso alguém falhe por lesão ou castigo.

É também bem mais fácil formar um grupo forte, unido e coeso se houverem poucos elementos e todos tiverem de demonstrar, naturalmente, um conhecimento maior entre si. 20 jogadores terão mais oportunidades de conviver juntos, criar laços entre si, do que 30 ou 32...

Também no compromisso que eles próprios traçam não só com eles, como com os treinadores, com os colegas, ou com o grupo. 22 jogadores é um número curto, onde a qualquer momento todos podem ser chamados a desempenhar qualquer função e isso garante-lhes não só maior motivação, como maior interesse e espírito de entre-ajuda entre todos.

Há também um outro factor que mais salta à vista. Devido ao reduzido número de jogadores, todos os integrantes terão naturalmente maiores oportunidades, logo maior competitividade e uma modelagem evolutiva muito maior, não só ao nível da metodologia do treino como em termos de ritmos e intensidades competitivas, estando sempre prontos a qualquer altura para desempenharem funções do interesse do grupo, com resultados mais positivos.

O melhor exemplo de tudo isto é o Barcelona de Guardiola, que tem no seu plantel, e antes de somar, escrever: Valdés e José Pinto; Dani Alves, Piqué, Marquéz, Puyol, Milito, Maxwell, Chygrynsky e Abidal; Xavi, Iniesta, Keita, Sergio e Touré; Ibrahimovic, Messi, Bojan, Henry e Pedro. Eu contei 20. Juntando os miúdos da cantera que aos poucos vão integrando os trabalhos: Jeffrén, Thiago Alcantara e Assulin, chegamos ao número de 23 jogadores, já contando, portanto, com os atletas que muitas vezes nem com o plantel principal trabalham.

É sem dúvida um óptimo exemplo. Guardiola quando lança um suplente, ele entra sempre com perspectivas de poder resolver. E é isso que não vemos nem no Benfica, nem no Porto, nem em Portugal de uma forma geral. Tudo bem que a qualidade é naturalmente diferente. Mas a diferença está exactamente na forma como se prepara psicologica e metodologicamente um jogador para uma competição, ou para um simples treino.

Uma questão para reflectir...

Prospecção Internacional (Médios) - Ramos


Ramos (Palmeiras)
Idade: 18 anos
Peso:
Altura:
Nacionalidade: Brasileiro

Está a dar os primeiros passos, não é figura mediática (e tanto procurei por uma foto sua) mas o seu talento está apenas ao alcance dos verdadeiros craques. Ramos é o camisa 10 da equipa do Palmeiras na Copinha de 2010 e está a mostrar pormenores dignos de um verdadeiro "dono da bola". Ramos assume-se como um 10, o verdadeiro cérebro da organização ofensiva da equipa, revelando grande maturidade na leitura de jogo e na forma como gere os ritmos da partida.

O seu pé esquerdo é extremamente dotado, forte no drible curto, no remate de longe e exímio lançador de ataques, com passes de ruptura muito venenosos. Foi, sem dúvida, um dos jogadores que mais me chamaram à atenção nos últimos tempos, ao ponto de um jogador da equipa principal do Palmeiras, Sacconi, ter vindo a público elogiar o seu rendimento: "Tenho visto alguns jogos e o Ramos tem muita qualidade. É importante dar chance à garotada!". Se evoluir sob o ponto de vista da dinâmica que imprime nos seus movimentos, terá tudo para brilhar ao mais alto nível.

Nesta Copinha, há 2 que, se o futuro futebolístico não sofrer contrapartidas e possibilidades inesperadas estarão, em breve, a brilhar no Brasileirão. Ele, e o grande craque, um Jardel, Lucas Gaúcho, que a cada jogo que passa, vai marcando mais golos, de todas as formas e feitios, e revelando todo o seu potencial.


A partir dos 3 minutos...

Prospecção Internacional (Extremos) - Nikão


Nikão (Santos)
Idade: 17 anos
Peso: 73kg
Altura: 174cm
Nacionalidade: Brasileiro

Reza a lenda que foi Pelé a recomendar Nikão à directoria do Santos para melhor o observarem. Assim foi. O jogador natural de Belo Horizonte chegou e cumpriu, sendo um dos principais destaques da equipa santista na Copinha Junior. Jogador de corredores laterais, destaca-se pela grande capacidade de explosão e progressão com bola em drible. É actualmente um dos jogadores mais promissores da formação de um clube que tantos craques já lançou e tantos aguardam por nova chamada para mostrarem o seu talento. Nikão pela maturidade que apresenta no seu jogo, até em termos físicos, parece-me que terá essa oportunidade num curto espaço de tempo.

Prospecção Internacional (Extremos) - Koutsianikoulis


Koutsianikoulis (PAOK)
Idade: 21 anos
Peso: 60kg
Altura: 168cm
Nacionalidade: Grego

Lembro-me de o ver jogar ainda como internacional jovem pelas selecções gregas. Ao observar o Paok - Asteras, notei uma evolução sustentada e sobretudo um acréscimo de objectividade que por vezes faltava ao seu jogo. É uma das principais esperanças helénicas para os próximos anos e tem, com Vieirinha, alternado a titularidade no clube de Fernando Santos. Koutsianikoulis é um jogador ambidestro, com qualidade de finta curta que se assemelha, e daí a comparação, a Messi, veloz e com bom sentido de baliza. Um nome a ter em conta...


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A eficiência e eficácia ao serviço do espectáculo


A beleza do futebol traduz-se nas fintas, nos rasgos, no brilho que os intervenientes trazem para o jogo. Sem dúvida. Numa versão mais adequada às necessidades actuais, não existe nada no mundo do futebol que substitua o significado de uma palavra: eficiência. Ela resume, no meio de tantas nuances que podem existir num jogo de futebol, as necessidades obrigatórias que qualquer jogador tem de trazer para dentro das quatro linhas: eficácia.

Acontece que, o mais difícil nos dias de hoje, é encontrar jogadores que dentro do seu rendimento totalmente virado para a equipa e para o sentido objectivo do jogo, conseguem inserir-se na raíz do espectáculo puro do futebol técnico e brilhante, realizando esses movimentos sem a exuberância dos grandes artistas, mas que encarnam o papel dos verdadeiros realizadores do mundo dos espectáculos que o futebol pode produzir.

A sua forma de estar em campo, a subtileza e inteligência de todos os movimentos, a dimensão qualidade-eficiência-eficácia que acrescentam em todos os momentos do seu jogo, faz deles jogadores indispensáveis para qualquer treinador direccionado para as vitórias e sentido qualitativo do jogo.

Existem na Liga Portuguesa dois jogadores que são o espelho de toda esta situação que me venho referindo.

Alan, jogador do Sporting de Braga assume-se, na minha opinião, como o jogador mais valioso a actuar em Portugal. Não pelos malabarismos - que não faz -, não pelo mediatismo - que não tem - e muito menos pelas capaz de revista que, nunca, produziu. Alan é o expoente máximo do extremo clássico com raízes modernas, capaz de perceber todos os movimentos inerentes à sua metodologia de jogo, conhecedor dos terrenos laterais de profundidade e verticalidade do seu futebol, mas que vem denotando ao longo dos anos uma grande evolução sob o ponto de vista do jogo interior, de espaços curtos, da progressão e ruptura de espaços.


Vem, de forma sustentada, num nível qualitativo extremamente interessante e, actualmente, parece-me a peça chave de todo o futebol do Braga. Não descurando a importância de Vandinho em toda a estrutura do bloco bracarense, ele sim, o grande definidor de ritmos e momentos do jogo da equipa do Minho, mas Alan surge como principal jogador na organização ofensiva da equipa, pela capacidade de criar desequilíbrios e dar à equipa diferentes formas de se posicionar em campo e esticar o jogo ofensivo, quer por profundidade e em consonância com o cada vez mais culto Paulo César, quer em movimentos interiores de um dois toques e eficiência na hora de fazer golos.

Quanto a mim, aos 30 anos, surge no auge da carreira que possivelmente conhece esta temporada o seu percurso de maior glória. Se em termos físicos, e porque é um jogador profissional e sem histórico de lesões ao longo da carreira, aparenta estar na sua plenitude, não serão os seus 30 anos que o impedirão de subir um patamar em termos qualitativos na sua carreira. Eu acredito ainda que o estigma idade tem de ser desvalorizado.

O outro exemplo mais do claro cabe no corpo de Javier Saviola. Como já tive oportunidade de dizer em várias circunstâncias, o argentino do Benfica aparece neste momento como o principal jogador de toda a manobra ofensiva do Benfica, pela inteligência e subtileza de todo o seu futebol. Arrisco-me a dizer que é o argentino que define a forma como o Benfica sai em ataque ou organiza o seu processo ofensivo.


A extrema inteligência para perceber todos os momentos do jogo e conseguir posicionar-se de forma muito importante nos espaços entre-linhas concedidos pelo adversário, arrastando zonas de pressão e abrindo espaços para os seus companheiros, ou com bola, denotando enorme capacidade de progressão com bola e de furar, na sua espectacular finta curta e capacidade técnica individual, aliando isso à forma como aparece em zonas de finalização nos espaços então "esquecidos" pelo adversário, constituem um dos melhores jogadores que já vi actuar neste campeonato.

E atenção que eu faço uma distinção. Javier Saviola o melhor. Alan o mais valioso. São situações diferentes. No entanto, e tenho a certeza que Domingos e Jesus partilham a mesma opinião do que eu, se um clube da dimensão do Braga tivesse a possibilidade de escolher um dos dois, a hipótese recairia em Alan. Ao tratar-se do Benfica, Saviola sem dúvida.

Isto porque a equipa bracarense que dá importância percentual à dimensão transição ofensiva e eficiência de processos ofensivos e aí, um jogador como Alan é completamente preponderante pelas facilidades e qualidades que oferece ao futebol da sua equipa.

Num futebol de ataque organizado, de ruptura de espaços, de finalização e inteligência em progressão e basculação, sem dúvida que Saviola surge como um dos jogadores mais magníficos do futebol mundial actualmente. Daí escolher-se Saviola.

Como é bonito este futebol que se mistura o brilhantismo das capacidades técnicas individuais com a qualidade de processos e talento sob o ponto de vista colectivo e inteligência táctica. Se todos fossem assim...

domingo, 17 de janeiro de 2010

Na rota da CAN: Gilberto


Gilberto (Petro Luanda)
Idade: 27 anos
Peso: 70kg
Altura: 176cm
Nacionalidade: Angolano

Manuel José sabia o que dizia. Quando referiu ser este um jogador que teria lugar em qualquer clube em Portugal, Gilberto sempre o provou e exponenciou totalmente o seu futebol nesta CAN. Jogador de linha, tem uma cultura táctica acima da média para jogador africano. Conhecedor de todos os momentos do jogo e com inequívoca frieza de movimentos europeia, tem a fantasia do mais belo futebol africano nos pés, revelando-se principal artista com bola nos pés, em progressão e em constantes movimentos de ruptura entre linhas do adversário.

Joga também bem colado ao corredor, como possível lateral esquerdo ou a fazer todo o corredor, mas é na posição 11 que mais se destaca. Está numa fase de maturação futebolística já avançada, o que faz dele, actualmente, um jogador feito. Sem dúvida um bom reforço para qualquer emblema de nível médio da Europa.

Na rota da CAN: Bougherra


Bougherra (Rangers)
Idade: 27 anos
Peso: 89kg
Altura: 189cm
Nacionalidade: Argelino

O patrão da defesa argelina surge nesta altura da sua carreira, provavelmente, no pique de qualidade máxima que irá ter como jogador de futebol. Defesa central de grande porte físico, destaca-se pela notável leitura e sentido de antecipação que oferece ao seu jogo. Gosta de sair com bola, em progressão, cai muito bem nos corredores para dobrar, mostra-se forte nas alturas e muito seguro de todos os seus movimentos. Já passou por Inglaterra (Charlton) e vive agora os seus melhores dias na Escócia. Selo de qualidade.

Na rota da CAN: Mabiná


Mabiná (Petro Luanda)
Idade: 22 anos
Peso: 73kg
Altura: 178cm
Nacionalidade: Angolano

Surpreendeu-me o "novo Zé Kalanga" de Angola. Mabiná, contudo, até pela idade e margem de progressão que apresenta, pode crescer bem mais como jogador do que o então estrela do público angolano. Mabiná cresce muito no seu futebol encostado ao flanco direito, onde lhe dá dimensão e profundidade. Denota uma grande capacidade de aceleração e velocidade com bola, destacando-se pela facilidade que tem em ir à linha e efectuar cruzamentos certeiros.

A seguir.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Prospecção Nacional (Defesas) - Kanu


Kanu (Beira-Mar)
Idade: 25 anos
Peso: 77kg
Altura: 188cm
Nacionalidade: Brasileiro

Nos jogos que tenho visto deste novo Beira-Mar de Leonardo Jardim, um treinador que na minha óptica vai chegar longe no futebol em Portugal, tem-se destacado, em todos os momentos, um jogador que, salvaguardando as distâncias, assume um pouco a cara de "Bruno Alves" de Aveiro. Kanu é o patrão da defesa do actual líder da Liga Vitalis em Portugal, joga de cabeça levantada, é muito forte nas disputas físicas, quer em marcação ou antecipação, praticamente intransponível nas alturas e, ainda, com relativa velocidade que lhe permite fazer dobras e posicionar-se sempre muito bem tacticamente.

Face aos problemas financeiros do clube aveirense e à boa época que estão a realizar, certamente que muitos serão os bons produtos a dar nas vistas para poderem dar o salto. Kanu parece-me um jogador totalmente conhecedor das dimensões do jogo e com qualidade para fazer boa carreira nos clubes médios-altos da Liga Sagres.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Porquê o 2-3-1 na formação?


Sou, desde sempre, defensor que o 2-3-1 é o sistema fundamental para os miúdos jogarem nos escalões de formação. Talvez por também ter jogado nele, quando pratiquei, sempre me acostumei a observar o 2-3-1 como o sistema mais equilibrado não só ao nível do preenchimento dos espaços e das dinâmicas de jogo no futebol 7, como essencialmente pelo desenvolvimento e experiências que os miúdos vão adquirir para o futebol de 11, que começa logo a fazer algumas selecções e a mostrar quem está, e quem não está, preparado para seguir o futebol de nível mais exigente.

Começando pelos 2 defesas, podemos chamar-lhes defesa direito e defesa esquerdo, defesa central direito e defesa central esquerdo. Só por este simples pormenor já faz um pouco da diferença. Um miúdo em 2-3-1, saber-se-à posicionar de forma correcta quer o adversário jogue com 1 ou 2 avançados, e irá aprender as nuances básicas da posição e imprimi-las em jogo. Tem de saber marcar, saber sair a jogar (será sempre a 1ª fase de transição), saber abordar o desarme, cair no corredor, bascular ao centro (caso o seu companheiro de sector descaia num dos lados) e dobrar exactamente o médio lateral de um dos lados.

Confesso que fico "doido" quando vejo equipas de 7 a jogarem com líberos, que os ensinamentos que esses miúdos têm ao longo do jogo é apenas fazer o desarme. Tudo bem a equipa ganha e tem uma linha defensiva intransponível. E o que acrescentará esse miúdo no escalão seguinte, com miúdos de outra faixa etária, mais desenvolvidos e com outra capacidade? E naturalmente aplicando a lei do fora de jogo e a incapacidade do miúdo para perceber todos os momentos do jogo...

Quanto aos 3 da linha do meio. Um na direita, outro na esquerda. Serão, muitas vezes, os primeiros elementos de construção, irão saber marcar, abordar o desarme, procurar o drible e superioridade numérica em desequilíbrios, irão aparecer sempre em zonas de finalização e criação. Saberão bascular dentro, e procurar roturas pelo flanco ou pelo corredor central. Tanto defensivamente como ofensivamente terão uma "formação" completa. O médio centro, de forma igual. Aprenderá a marcar ao homem ou à zona, saberá pegar no jogo desde trás e aparecer em finalização, combinar com os corredores e criar desequilibrios pelos corredores (central ou laterais)... vai-lhe permitir adquirir as experiências necessárias para desempenhar os papéis de 6, 8 ou 10 no futebol de 11.

O avançado não foge à regra do resto da equipa. Pode fazer o papel de jogador mais recuado, criador de espaços, tem de saber tabelar com os colegas, finalizar, estimular-lhe o sentido de pressionar na linha defensiva contrária, procurando saber aparecer entre linhas para jogar ofensivamente... no futuro poderá desempenhar qualquer posição ofensiva.

Esta é a minha visão sobre o melhor sistema a adoptar para a formação. Para além das vivências individuais e experiências adquiridas, os jogadores saberão desta forma encontrar dentro do 2-3-1 um conjunto de nuances ao nível da sua metodologia de jogo possíveis que se enquadrarão de forma perfeita no futebol de 11. Falo do passe de ruptura e espaço entre linhas entre médio centro e avançado ou médio ala, falo das combinações pelos corredores entre médio ala e defesa de um dos eixos com superioridade numérica na linha, falo de linhas de passe oferecidas pelo médio para virar jogo no lado contrário e o avançado fazer apoio próximo para arrastar o bloco defensivo contrário...

Formar, é muito mais do que apenas ganhar...