sábado, 26 de dezembro de 2009

Money United Football Club


Há pelo menos uma coisa no Mundo que não abdico. Seja no futebol, na vida, ou em qualquer outro espaço assim à primeira vista não observável. Pode ser traduzida por muitos adjectivos. Mas há um que encaixa bem: tradição.

Preso muito o espírito humilde, de agradecimento, dos valores e da história. Algo que o dinheiro não compra - ou não o deveria fazer. Esta crónica vem no sentido de falar sobre um caso que assola o Mundo do Desporto faz alguns anos e chegou agora, irremediavelmente, ao futebol. Eu sempre fui um amante do atletismo e vi com alguma mágoa um país de nome Qatar aparecer cada vez mais na linha da frente das corridas de fundo. Os quenianos, craques na matéria, muitos deles sem grandes posses, venderam o nome, o talento, as raízes e a tradição. Ou Bernard Lagat, por exemplo, ex-campeão do Mundo e Olímpico, queniano, naturalizado americano.

O dinheiro não deveria ser tão importante numa coisa tão bonita como é o desporto. Mas ele chegou ao futebol e é disso que vamos falar. Os clubes do médio oriente estão a ser cada vez mais assolados por grandes milionários árabes que tomam conta de clubes sem qualquer expressão mas capazes de pagar tão bem ou melhor do que clubes da alta roda do futebol europeu.

Para além dos investidores de clubes ingleses, muitos são os que querem levar os seus clubes locais, e onde sentem boas oportunidades de negócio, ao topo. Hoje em dia, deixou de ser menos comum observar os grandes talentos dos países sul americanos rumar a paragens arábias para assegurar o seu futuro de vida.

Olhando para o campeonato do Qatar, país apostado em desenvolver o seu sector desportivo, são vários os nomes que saltam à vista, pelo que fizeram na Europa ou pelas esperanças que tinham em lá chegar.

O líder do campeonato, o todo poderoso Al-Sadd, tem como principal referência ofensiva o brasileiro Afonso Alves, lembram-se dele? Fez uma grande época no Hereenven da Holanda, custou bastante dinheiro ao Middlesbrough de Inglaterra, esteve com um pé no Benfica, e aos 28 anos brilha pelas arábias.

Seu companheiro de ataque, mais desconhecido de alguns, mas que vai aparecendo, é Leandro, brasileiro recém chegado das ligas japonesas (onde defrontou Hulk) e melhor marcador da prova. 24 anos, fará o mesmo trajecto do actual jogador do Porto? Pelo seu talento, muitos europeus teriam certamente a ganhar.

Numa viagem vertiginosa até ao último classificado, observamos apenas um estrangeiro a jogar regularmente. É Lima, ex-jogador do Sp. Braga, lembram-se dele? Regressando aos da frente, observamos alguns nomes compreensíveis, em final de carreira. Juninho Pernambucano, ex-Lyon, vai matando o bichinho e ganhando um bom dinheiro, Adil Ramzy, em grande destaque nos PSV's europeus está por lá também aos 32 anos, mas voltamos aos casos (in)compreensíveis: Diane, formado no PSG, aos 27 anos, na sua plenitude, anda pelas arábias. Marcinho, com passagens por Cruzeiro e Flamengo, na flor dos seus 25 anos, ganha a vida. Pisculichi, apontado como o "novo" Messi e com a mesma idade de Marcinho, joga no Al-Arabi e um dos jogadores que tantas vezes falei para o Benfica, quando faltava o badalado Extremo-Direito, Pascal Feindouno, grande craque do St.Etienne, aos 28 anos no Al-Rayyan.


Observando um pouco mais ao lado, os três clubes mais poderosos dos Emirados Árabes Unidos, os nomes são ainda mais surpreendentes. No Al Jazira, clube com tradição local, observamos os nomes de Ricardo Oliveira, ex-jogador do AC Milan, Betis, Zaragoza ou Valência, e que aos 29 anos vai brilhando nos EAU e Rafael Sóbis, uma das maiores promessas brasileiras da nova geração, que aos 24 anos, depois de três anos no Betis, seguiu as pisadas do seu ex-companheiro.

O Al Wadah, apresenta nas suas fileiras Pinga (formado no Torino) e Magrão (um dos melhores do Internacional de PA nos últimos anos), e o Al Ain com um dos matadores dos últimos torneios argentinos, José Sand, e Valdivia, o craque chileno que passou pelo Palmeiras e aos 26 anos está a passar ao lado de uma das carreiras mais promissoras em perspectiva para um chileno depois de Marcelo Salas.

É estranho tentar perceber, ou procurar fazer perceber, a diferença entre uma grande carreira e uma grande carreira. Se perguntarem a qualquer um destes jogadores eles vão-vos responder que tiveram uma grande carreira porque ganharam mais em termos monetários enquanto profissionais de futebol do que muitos craques que brilham nos principais campeonatos da europa. Depois há os que dizem ter tido uma grande carreira com títulos e prémios individuais de nomeada.

As diferenças, no nosso quotidiano, começam a desaparecer. O dinheiro está a comandar o Mundo, e não há tradições ou valores que resistam. Se este caminho se mantiver, o que teremos daqui a 20 anos? O troféu de melhor jogador do Mundo a ser discutido entre os craques do Al-Jazeera e do Al-Said? Ou as grandes marcas de roupa deixaram os patrocínios das equipas de meio da tabela de Portugal, França, Holanda, Grécia, etc, para verem os seus nomes em todos os desíginios das equipas da Qatar Stars League, deixando assim esses clubes em maiores dificuldades?

Prospecção Internacional (Médios)



Mauro Formica (Newell's)
Idade: 21 anos
Peso: 64kg
Altura: 176cm
Nacionalidade: Argentino

O campeonato argentino está actualmente dotado de grandes nomes para o futuro. Formica é, juntamente com Boghossian , o ganha pão de um Newell's que lutou até à última jornada pelo título. Fez 6 golos e encantou. Com 21 anos assume-se como um dos mais promissores camisola 10, modernos, do país das pampas. Moderno, porquê? Tem tudo o que necessita um jogador daquele lugar para o futebol actual, digamos que é um extremo disfarçado de 10. Rápido, muito dinâmico e irrequieto, excelente tecnicamente e no drible, forte no último passe, ambidestro, gosta de assumir e cair nos flancos para desequilibrar. Um jogador preparado para a Europa. Que gozo deu ver tantas vezes ele e Boghossian dizimar as defesas contrárias. Fez 6 golos na prova.





Pedro Morales (NK Dinamo)
Idade: 24 anos
Peso: 72kg
Altura: 177cm
Nacionalidade: Chileno

Ter Pedrito, é sinónimo de ter golos. Na época passada este nº10 do Dinamo de Zagreb terminou a época com 7 golos, este ano explodiu, no seu ano de afirmação na Europa, e leva 13 apontados até ao momento, sendo o melhor marcador da Liga Croata até ao momento. Não é um jogador de grandes rasgos, é sim muito eficaz em todos os seus processos. A sua maior arma é o tiro de meia distância, aparecendo também muitas vezes em zona de finalização onde é temível. Um nome para o futuro próximo do futebol europeu.




Carlos Mendes (Estrela Vermelha)
Idade: 23 anos
Peso: 70kg
Altura: 177cm
Nacionalidade: Brasileiro

Gostei muito de ver. Lidera a organização ofensiva do líder da 1ª Liga Sérvia. É o principal municiador de Lekic. Com bola é muito forte. Gosta de progredir à procura do drible e do momento certo para desequilibrar com um passe de rotura ou mais uma finta. Parece-me que se aumentar a sua dinâmica e objectividade pode fazer carreira interessante na Europa.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Prospecção Internacional (Médios)

Sergey Krivets (Lech Poznan)
Idade: 23 anos
Peso: 77kg
Altura: 177cm
Nacionalidade: Bielorrusso


A Europa de Leste tem lançado grandes nomes para o futebol da alta roda nos últimos anos. Krivets promete ser mais um deles. Já o conhecia antes de defrontar o Benfica na Europe League, mas confirmei todo o seu potencial. Era o melhor jogador do Bate, jogador chave na organização ofensiva da equipa, evoluído táctica e tecnicamente, capaz de perceber e gerir todos os ritmos da partida, com uma impressionante frieza na hora de executar. Tecnicamente forte, exímio no último passe, bate bem bolas paradas e tem muito talento. Acabando o BATE eliminado das provas europeias, venderam o seu passe ao 3º classificado da Liga Polaca. Merece mais!

Fernando Quesada (FC Barcelona)
Idade: 15 anos
Peso:
Altura:
Nacionalidade: Espanhol

Foi eleito o melhor jogador de um Torneio da Pontinha que o Barcelona fez. No final do jogo falei com ele (na altura pedi-lhe declarações para o Jornal Noticias da Manhã) e fiquei impressionado pela maturidade e ambição de um jogador tão jovem. Grande cultura táctica, jogou na posição 6 do meio-campo e coordenou todos os movimentos da sua equipa. Forte no desarme, agressivo, mas com uma impressionante qualidade a jogar de cabeça levantada e a definir tempos de jogo da sua equipa. É sempre uma incógnita mas aquele jogador não passou despercebido na minha cabeça. Conhecendo a qualidade da formação blaugrana, fica o nome... quem sabe se não se irá ouvir novamente muitas mais vezes.

Ivan Marcone (Arsenal Sarandi)
Idade: 19 anos
Peso: 80kg
Altura: 183cm
Nacionalidade: Argentino


É uma das principais surpresas do último torneio de abertura na Argentina. Marcone é um 6 moderno, capaz de fazer também a posição 8. É, no entanto, na primeira fase de construção que se destaca. Muito culto tacticamente, para a idade apresenta já uma maturidade em todos os seus movimentos muito interessante. É duro e agressivo na procura de bola, quando a tem nos pés transforma-se no seu melhor amigo. Tecnicista e com excelente sentido de passe, visão de jogo e critério quando decide esticar. Certamente que não fica muito mais tempo pelo Arsenal. Se evoluir a sua dinâmica e capacidade de aceleração, será certamente, na linhagem de Gago e Mascherano, um dos melhores 6 que a Argentina formou nos últimos anos.

Não existem vídeos na internet destes jogadores mas aconselho que dêem uma vista de olhos pelos próximos jogos destas pérolas!

Prospecção Internacional (Avançados)

Gerard Deulofeu (FC Barcelona)
Idade: 15 anos
Peso:
Altura:
Nacionalidade: Espanhol



Vi-o pela primeira vez em Portugal, no Torneio da Pontinha, e gostei muito. Vi-o no ano seguinte, no Torneio de Arona, e foi o melhor marcador e melhor jogador da prova (onde dizimou o Benfica). Jogador de corredores laterais (tornou-se moda nos avançados da nova geração) pode também fazer o lugar de extremo mas é como avançado móvel que melhor se sente. Não é um artista da finta, mas faz da finta curta e sua eficácia uma das suas principais artes. Veloz e com uma subtileza técnica fora do normal, tem futebol de adulto num corpo tão jovem. Marca golos, para todos os gostos e feitios, e acredito que se a sua evolução corresponder ao esperado, vai dar muito que falar. Fiquem com o nome dele.


Milton Caraglio (Rosário)
Idade: 21 anos
Peso: 89kg
Altura: 187cm
Nacionalidade: Argentino



Chegou mais uma promessa de avançados do futebol argentino, campeonato que nos últimos anos tem sido fértil na formação de nomes grandes para a Europa. Caraglio promete ser o próximo. No antigo clube de Di Maria, destaca-se pelo seu sentido de golo mas, sobretudo, facilidade de remate e velocidade embalado, onde é muito forte. Fisicamente dotado, gosta de ir ao choque e ganhar o seu terreno na área. Fora dela, é muito forte (remata muito bem de fora). Para este Mundial ainda é cedo mas... Maradona já fez de tudo. Bom nome para o médio prazo.

Danijel Aleksic (Vojvodina)
Idade: 18 anos
Peso: 73kg
Altura: 184cm
Nacionalidade: Sérvio


Vi-o no Europeu sub-17 da Turquia. Foi o melhor marcador da sua equipa na competição. Jogador alto, forte fisicamente, mas que sabe explorar a sua velocidade e um temível pé esquerdo. Costuma-se dizer que há os avançados que trabalham para o golo, e os que trabalharam fazendo golo. Aleksic é o segundo caso. A sua casa é a área, e lá encontra todas as ferramentas possíveis e imaginárias para construir o sucesso: o golo. A seguir com muita atenção.

Prospecção Nacional (Avançados)

Nélson Oliveira (SL Benfica)
Idade: 18 anos
Peso: 82kg
Altura: 186cm
Nacionalidade: Português


Nome sobejamente conhecido dos adeptos do futebol de formação em Portugal. Acompanho o Nelson desde o seu 1º ano de Juvenil (quando veio de Braga) e ia entrando aos poucos na equipa A de Juvenis do Benfica. Explodiu no ano seguinte, onde se sagrou campeão nacional e chegou à selecção nacional sub-19 - dois escalões acima do seu. Jogador de qualidade, gosta de explorar as diagonais para a baliza onde utiliza a sua forte velocidade e capacidade de remate para causar estragos. Pela sua compleição física tem tudo para ser um grande ponta-de-lança de área, mas é solto, nos corredores, com liberdade, que se sente melhor. Se optimizar o seu jogo de cabeça e capacidade de recepção, vai ser um avançado de top para o futebol português.

Luís Leal (Moreirense)
Idade: 22 anos
Peso: 72kg
Altura: 177cm
Nacionalidade: São Tomense


Leal cumpre este ano a sua segunda época na II Divisão do campeonato português (depois de passagem pelo Atlético CP). Formado nos escalões jovens do Sporting, foi no Cova da Piedade (à Boa Morte, que depois jogou no Lourinhanense) que deu os primeiros passos como Sénior e ficou ligado a alguns dos melhores momentos desportivos dos últimos anos do clube da margem sul do tejo. Hoje, destaca-se como uma das principais figuras do 1º classificado Moreirense, candidato à subida. Leal é um jogador que procura o espaço lateral, mas sabe aparecer muito bem em zonas de finalização. Detém como principal arma uma grande velocidade e excelente poder de drible no um para um. Um nome a seguir com atenção.

Éder (Académica)
Idade: 22 anos
Peso: 81kg
Altura: 188cm
Nacionalidade: Guineense


Formado no Oliveira do Hospital e com passagem pelo Tourizense, Éder aparece como uma das principais apostas da briosa para esta época. Jogador de grande porte físico, veloz e que oferece muito trabalho aos centrais, tem características pouco vistas no nosso futebol e que o podem catapultar para uma carreira interessante no nosso país. Neste segundo ano de Briosa, a aposta é outra, e ele vai fazendo por merecer, sendo uma das peças chaves na estrutura de Villas Boas. Vamos ver a sua evolução, mas que há potencial, isso parece-me indiscutível.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Prospecção Nacional (Médios)

Portugal, como vem sendo hábito, apresenta ao longo dos anos um variadíssimo leque de escolhas para as posições de meio-campo (ao contrário de Avançados - o meu próximo post - por exemplo), e os últimos anos de formação não fogem à regra. Aparecem pelas nossas divisões jogadores de grande capacidade e com um talento para ser acompanhado bem de perto. Hoje vou falar de três nomes.

André Santos (União de Leiria)
Idade: 20 anos
Peso: 72kg
Altura: 178cm
Nacionalidade: Português

É da mesma idade de Adrien (1989). Deu menos nas vistas do que o seu companheiro enquanto Junior, mas tem aparecido com muita qualidade entre os profissionais. Joga como 6, detém uma excelente capacidade de leitura de jogo e cultura táctica. É forte a perceber todos os momentos do jogo, muito forte na primeira zona de transição e construção, gosta de assumir a batuta da equipa. Tem talento para singrar no Sporting (regressando deste empréstimo).



David Simão (Fátima)
Idade: 19 anos
Peso: 80kg
Altura: 1838cm
Nacionalidade: Português


Na nova linhagem de médios formados em Portugal, e pegando em todos os nomes que apareceram nos últimos quatro a cinco anos, David Simão é o que mais potencial tem. Ao nível da qualidade do pé esquerdo, existem poucos como ele em Portugal. No entanto, tem uma lacuna ao nível da dinâmica e intensidade do seu jogo, o que não lhe permite jogar em ritmos mais exigentes e espaços mais curtos e fortes sob pressão. Se evoluir esse aspecto (que acredito plenamente, embora leve o seu tempo) está aqui uma das jóias da coroa que Portugal vai ver nascer. Simão tem uma qualidade de passe fora do normal, executa muito bem passes de ruptura à distância, como se costuma dizer, "põe a bola onde quer". Forte pontapé, excelente técnica e capacidade na leitura de jogo. Pode jogar a 6 (para fugir a zonas de pressing mais intensas), a 8 (sabendo recuar e chegar com qualidade a zonas de finalização) e a 10 (onde tem muita qualidade no critério do último passe). Só depende dele!



Ishamael Yartei (Beira-Mar)
Idade: 19 anos
Peso: 67kg
Altura: 170cm
Nacionalidade: Ganês


Vi-o chegar a Portugal (apesar de já o ter visto a espaços no Mundial sub-17, ao lado do Osei e do Opare) e no primeiro jogo que fez, lembro-me do meu comentário: "O Zé Roberto rejuvenesceu?!". Yartei é um jogador de ritmos diferentes dos que estamos habituados. Joga sempre numa rotação mais alta do que todos os outros, tem intensidade, dinâmica, velocidade. Executa muito bem com o pé esquerdo, desequilibra muito no um para um. Pela sua cultura táctica (assinalável) pode desempenhar qualquer função do meio-campo, exceptuando a posição 6, com qualidade. Jogando como Interior Esquerdo é onde mais confortável se sente. Na sua primeira época como Sénior tem estado em grande destaque no Beira-Mar, embora Leonardo Jardim continue a atei-mar com ele para as segundas partes (onde juntamente com Wang Gang arrasa com as defesas contrárias). É um jogador muito interessante, não é um primor técnico na finta, mas muito desequilibrador. Internacional jovem pelo Gana, e que vai dar certamente muito que falar.


Prémios: Os melhores do ano

O nosso campeonato parece evoluir de ano para ano. Infelizmente nem sempre foi um percurso exacto ascendente, mas nos últimos anos, graças também à economia de mercado que parece desenvolver-se a bom porto para os "poderosos" nacionais - contra todas as expectativas - temos tido a oportunidade de ver evoluir no nosso campeonato alguns dos grandes jogadores mundiais, ou que pelo menos aspiram a sê-lo.

Esta é uma escolha muito difícil mas que me proponho a realizar consoante algumas categorias. A única condição é serem personalidades que em 2009 estiveram ligadas ao nosso campeonato e por lá brilharam. Em breve, irei abordar outro tema, das minhas escolhas para o próximo e próximos anos estarem a brilhar neste campeonato.

Digam também de vossa justiça.

Melhor Jogador do Ano


Tive algumas dúvidas neste item. Por um lado, pensei em escolher alguém que pelo seu virtuosismo e qualidade resolvesse encontros e chamasse adeptos para o futebol. Por outro, acho justo dar esta nomeação a alguém que pela sua entrega, espírito e qualidade - mesmo que desagrade aos rivais - marcou um ano, também pela sua constante evolução. E o meu prémio para melhor do ano vai para Bruno Alves, do Porto. Um jogador viril, que nos anos anteriores fez capa (ou deveria ter feito) por bárbaras agressões aos adversários, mas que tem revelado um índice evolutivo fora do normal para alguém que vai caminhando já para as vinte e oito primaveras.

Bruno Alves representa a mística de um clube vencedor, é um jogador muito forte na antecipação de lances, na leitura de jogo, nos lances aéreos (onde para mim é o jogador no Mundo com melhor capacidade de impulsão), que bate livres, e marca golos. Bruno Alves tornou-se um caso sério e é neste momento a grande bandeira do Porto. Sendo um defesa, e congregando tantos atributos positivos, que lhe conferem um sentido "completo" ao seu futebol, também aproveitando a nomeação da UEFA para a equipa do ano (o único a jogar no nosso campeonato), dou-lhe esta nomeação.

Craque do Ano


Não se confunda esta categoria com a primeira. Aqui pretendo escolher um jogador, daqueles que vem rotulado como um grande nome para o nosso campeonato e que aqui prova toda a sua qualidade. Os anos têm revelado que nem sempre é fácil fazê-lo, mas El Conejo mostrou-o na sua plenitude. É, na minha opinião, o melhor jogador do campeonato até agora, jogador fantástico no espaço entre linhas, dotado de uma grande leitura de todos os momentos do jogo e uma formidável capacidade de técnica em progressão com bola.

Gosta de tabelar e abrir espaços, desposicionar adversários, desgastar defesas, fazer golos. A tudo isso acrescenta a magia do seu futebol, que proporcionou aos adeptos do futebol grandes momentos de qualidade. A fazer relembrar os seus grandes tempos de River.

Jogador Decisivo do Ano


Um trabalho nem sempre reconhecido, mas que é tudo no futebol. A eficácia, o talento na arte de decidir jogos, mesmo desaparecendo do encontro na maioria dos momentos. O vencedor desta categoria é, na minha opinião, e naturalmente, Oscar Cardozo. Apesar das más épocas que o Benfica tem vindo a fazer, contrariamente a este ano, Cardozo aparece sempre de forma imaculada como o melhor marcador da equipa.

Grande qualidade na hora de finalizar, muitos não apreciam o estilo pois... "só sabe marcar golos", mas não há nada mais valioso do que a arte que o Tacuara é especialista no Mundo do futebol. Esta que tem sido uma segunda metade de ano fantástica para o Benfica, Cardozo apareceu ao seu melhor estilo, com golos para todos os gostos e onde aparece, esta época, totalizando todas as provas, com 19 golos em 18 jogos. Um jogador decisivo, de uma utilidade extrema e talvez... o mais valioso do nosso campeonato.

Revelação do Ano


O vencedor deste prémio parece-me lógico na minha óptica. Ruben Micael surge aos 23 anos como uma das maiores esperanças - já confirmadas - do futebol português. Oito e meio, como gosto de o caracterizar posicionalmente, é um jogador fantástico sob a forma como confere equilíbrios e critério à equipa nos ritmos e decisões do seu jogo.

Para acrescentar à capacidade técnica e qualidade no último passe, Ruben Micael vem-se destacando como um grande marcador de golos (é o 2º melhor da Liga Europa) e muito forte executante nas bolas paradas. Se o ano de 2008 mostrou um Ruben Micael a aparecer, o ano de 2009 confirmou Ruben Micael como um dos melhores nacionais do campeonato (se não mesmo o melhor deste ano) e que merece, indubitavelmente, presença no Mundial da África do Sul.

Promessa do Ano


Havia nomes para todos os gostos. No entanto, decidi escolher um que não o é propriamente, mas que pela evolução que vem demonstrando no seu futebol, e a assertividade com que apareceu a todos os níveis esta temporada, é uma das grandes promessas a nível Mundial para os próximos anos. Chama-se David Luiz, e joga no Benfica.

Jogador de uma capacidade de leitura dos momentos do desafio fantástica, dotado de argumentos técnicos fora do comum para a posição que ocupa, tornou-se este ano ainda mais especialista nos passes longos e na segurança com que efectua desarmes e sai a jogar. É um grande jogador, e vai confirmá-lo nas seguintes temporadas.

'Transferta' do Ano


O jogador que mais pena tive de ver partir do nosso campeonato (mas que pela minha cor clubística me deixou naturalmente satisfeito). Lisandro Lopez é dos melhores jogadores que jogaram na última década no nosso campeonato. Jogador de enorme faro pelo golo, não se limitava a fazer o trabalho de a empurrar lá para dentro.

Era normalmente o primeiro defesa da equipa, que pressionava até à exaustão o último reduto do adversário. Evoluiu muito nos últimos anos sob o ponto de vista de maturidade e objectividade do seu futebol. Muito forte fisicamente, explosivo, desequilibrador, com remate seco e fácil, marcou inúmeros golos e a continuar no Porto, era a minha escolha para jogador do ano. Carrega, hoje, o Lyon às costas, contra os maus resultados.

Contratação do Ano


Ramires - podia ser muito bem Javi, mas fica um aqui, e outro no onze do ano. Na minha opinião, o próximo jogador a sair do nosso campeonato por números astronómicos. É um guerreiro, joga a uma intensidade muito forte, e aparece muito bem em todos os tipos de papéis que se lhe pretende.

Jogador de espaço central, de ocupação de espaços, tem aparecido no Benfica junto a um corredor, onde mostra excelente capacidade de progressão e facilidade de se juntar à acção ofensiva em zona de finalização. Um tremendo jogador, que a este ritmo, será muito difícil segurá-lo.

Onze do Ano

Só de jogadores ainda no nosso campeonato, aqui vai a minha escolha, em 4-4-2, dos melhores de todo o ano 2009 (por isso não aparecem alguns jogadores que entraram no Verão).

Guarda-Redes: Nilson (Vitória SC); Defesa Direito: Maxi Pereira (SL Benfica); Defesas Centrais: Bruno Alves (FC Porto) e David Luiz (SL Benfica); Defesa Esquerdo: Evaldo (SC Braga); Médios Centro: Javi Garcia (SL Benfica) e Ruben Micael (Nacional); Médio Direito: Alan (SC Braga); Médio Esquerdo: Desmarets (Vitória SC); Avançados: Saviola (SL Benfica) e Cardozo (SL Benfica).

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Os meninos prodígios do Santos (vale a pena ver os vídeos)



As categorias de base do Santos têm formado, ao longo dos anos, alguns dos melhores jogadores brasileiros de sempre. É do Vila Belmiro que saem grande parte dos craques das novas gerações da canarinha, como são exemplos Pelé, Chulapa, Coutinho, Pepe e mais recentemente, Diego, Renato e Robinho.

Muitos, ainda com idade de pré-adoloscência, já ganham mais num mês, do que os seus país num ano inteiro de trabalho e sacrifício.

A esperança dos adeptos em terem novos produtos formados na cantera é enorme, e muitos apelidam mesmo a formação santista como a melhor do planeta. Há cerca de três anos, vi uma reportagem pela internet da formação do Santos e a apresentação de algumas das suas pérolas. Uns já os vi brilhar na equipa principal, outros já vi em DVD nas categorias de base, um deles ao vivo, e outros o Youtube faz o enorme favor de os apresentar. Ficam então, os principais candidatos a nova geração dourada no Vila Belmiro...


Nome: Neymar
17 anos
Extremo/Avançado


Neymar aparece já como uma confirmação. Ainda não é maior de idade, mas já joga entre os profissionais do Santos e espalha todo o seu perfume no Brasileirão. É um jogador muito forte tecnicamente, com uma capacidade de drible fora do comum. Faz ambas as faixas, ou apoio ao ponta-de-lança, finaliza bem, aparece muito bem em zonas de golo com bola controlada e em desequilibrio. Sem dúvida um grande nome para a próxima década do futebol Mundial.


Nome: Jean Carlos Chera
14 anos
Médio Ofensivo

Camisa 10 das categorias juvenis do Santos, aparece em tenra idade como um fenómeno de popularidade e talento. Só para se ter uma ideia, aos 13 anos já recebia no Santos qualquer coisa como 7 mil euros mensais, mais patrocínios, escola, e alimentação. Vivia no Paraná e trouxe toda a sua família para Santos, pois a directoria do clube santista evidenciou todos os esforços para contar com ele. Aos 9 anos os vídeos colocados na internet das suas habilidades fizeram sucesso e Chera é um fenómeno de popularidade no Brasil. Jogador com um pé esquerdo muito forte para idade, revela uma enorme maturidade para quem tem ainda tão poucos anos de vida. Marcador de golos, craque enorme, vamos ver se vai evoluir da forma esperada para confirmar todas as expectativas sobre ele.


Nome: Victor Andrade
14 anos
Avançado

Vi o Victor pela primeira vez ao vivo, no Algarve. O Benfica disputou lá o Mundialito e o Santos permitiu que o miúdo talentoso viesse a Portugal defender as cores do Benfica. Foi o melhor jogador da prova, venceu o troféu de melhor marcador, e o Benfica ganhou o seu escalão, a clubes como Ajax, Inter, Chelsea, entre outros. Jogador prodígio, muito faz lembrar as pedaladas de Robinho e Neymar e parece ir na mesma onda. Gosta de se posicionar sobre corredores laterais, ir para cima e fazer estragos. Grande talento.


Nome: Gabriel
12 anos
Avançado



Um dos técnicos que treinou Robinho no Santos, afirma estar aqui um dos maiores prodígios que lhe passaram pelas mãos. Gabriel tem um dom natural, é rápido, tem uma técnica fantástica para idade, muito forte no drible e na hora de finalizar. Em 2005, passou pelo São Paulo onde marcou mais de 100 golos. Tem um talento nato, se corresponder à evolução natural que nem sempre é como se espera, vai ser um jogador de top.

Mercado: Nani? Depressão pelo Benfica? Emprestados?

Veio ontem a público uma notícia que dava conta do interesse de Sir Alex Ferguson em Di Maria e que o Man United estava disponível a ceder o passe do internacional português Nani ao Benfica, mais 10 milhões de euros pela promessa argentina do Benfica. Segundo consta, a proposta chegou mesmo, e Luis Filipe Vieira rejeitou-a de pronto.

Vamos por partes:

- Concordo com a decisão de Vieira, caso ela tenha mesmo acontecido.
- Nani é melhor jogador do que Di Maria.

Em termos desportivos, Nani parece-me um jogador claramente superior ao Di Maria. É um jogador que no nosso campeonato, ainda com tenra idade, conseguiu demonstrar uma qualidade e regularidade pouco normal para um jogador tão jovem e com tão poucas rotinas a nível profissional, o que levou o United a "estourar" vários milhões para o ter.

Muitos acusam Nani de ser um jogador irregular e de não se ter imposto no Manchester. Vamos recordar que até aqui havia Cristiano Ronaldo e Tevez, e ainda há Rooney, Park (que é um jogador de equipa fantástico) ou Berbatov. No entanto, Nani não é o flop que muitos querem fazer passar. É um jogador trabalhador, esforçado, que gosta de aprender e claramente tem muito talento.

Graças à sua elevada cultura táctica e facilidade de perceber os vários momentos do jogo, é um jogador que joga (ou faz parte) numa das melhores equipas do Mundo e que pode encaixar em todos os sistemas e metodologias de jogo. Pode jogar como Extremo em ambos os lados em 4-4-2, pode jogar como Extremo num 4-3-3, pode jogar a 10 num Losango ou a Interior (como fazia no Sporting). Sabe esticar o jogo, é versátil, e tem uma grande qualidade técnica e poder de finta.

Di Maria é, na minha opinião, e como já aqui o referi, um jogador com tremendo potencial mas que no Benfica tem demorado a encontrar a regularidade de exibições e que este ano ficou ainda mais evidente a crispação entre o espectacular, e o inacreditável. Di Maria tem um índice de produtividade muito baixo, é um jogador de linha, de criar espaços, de procurar desequilíbrios, mas a verdade é que muitas vezes se torna um jogador inconsequente e com uma incrível dificuldade para perceber os variados momentos do jogo e tomar as decisões correctas.

Face ao potencial que tem e à valorização que é feita do seu passe, compreendo a decisão e parece-me a mais acertada sob o ponto de vista de gestão de activos e do potencial de mercado. Agora, não pode ninguém dizer que não queriam o Nani nem dado, e que o Di Maria vale muito mais, porque isso não é correcto. Di Maria é o jogador da moda, Nani caiu em desuso por aparecer menos. Mas estou crente que o português (coisa tão rara no Benfica), seria um dos melhores reforços que o Benfica poderia ter. Talvez por 20 ou 25 milhões de € + Nani. Aí acho que todos os benfiquistas racionais aceitariam essa possibilidade, embora duvide plenamente dela, pois o Man Utd gastou ainda nem há 5 anos, 25 milhões de € no Português.

A depressão continua?


Ficou célebre uma frase de Paulo Bento no dia em que abandonou o Sporting. Segundo o ex-treinador do clube de Alvalade, os adeptos do Sporting entraram em depressão e assistiu-se a uma pressão exacerbada interna pelo facto do Benfica estar a ter óptimas exibições. Isso foi, no seu ponto de vista, um dos factores que levaram o clube de Alvalade a ter más prestações esta época. Isso e o facto de em 50 anos só terem vencido 8 títulos nacionais... o que não caiu bem em algumas hostes leoninas.

Porquê o título desta análise? João Pereira acaba de ser anunciado como reforço leonino. O jogador formado no Benfica e responsável por alguns gestos que certamente não caíram nada bem ao clube de Alvalade quando representava o Benfica, envergou um cachecol na sua apresentação que tinha escrito "Benfica é merd*!". Falou-se no Benfica no dia da apresentação à imprensa. E o Benfica voltou a ser o tema principal. Aposta coerente ou facada ao rival, por 3 milhões de €?

João Pereira é, sem dúvida, um óptimo lateral direito, talvez o melhor que o Sporting tinha à disposição neste mercado. Isso é inquestionável. Não me parece que seja contudo problemático para o Benfica, que tem nas suas fileiras Maxi Pereira, aquele que é o melhor lateral do campeonato. Não é vistosos nem dono de grandes momentos de magia, mas é um jogador tremendamente eficaz pela capacidade táctica e defensiva, e facilidade de abrir espaços em progressão. Raçudo e de grande entrega. Algum adepto do Benfica ficou melindrado?

Emprestados


O Porto prepara-se para voltar a receber o novo internacional argentino Mário Bolatti. Quanto a mim, um dos erros da gestão do clube do norte nos últimos anos é a sua incapacidade para recuperar e integrar jogadores emprestados (tantos que são) por esse país fora. Foi assim com Vieirinha que mereceu, claramente, uma aposta no seu talento, pelo que fez fora e dentro do clube, foi assim com Paulo Machado, um jogador à Porto, com mística e qualidade, tem sido assim com Hélder Barbosa, foi assim com Alan, e ficaria aqui o resto do dia a escrever os "desaproveitados" do Dragão.

Bolatti não me parece opção coerente nesta óptica. É um jogador valorizado e que já provou não deter os ritmos e as exigências dimensionais do seu futebol para jogar na Europa. O Porto face ao potencial de mercado do atleta (vem aí o Mundial) deveria vendê-lo e fazer algum dinheiro. Deve, contudo, olhar com outros olhos para os seus próprios valores.

Mariano González é um jogador muito forte sob o ponto de vista táctico e daquilo que pode acrescentar ao jogo em determinados momentos. Na actual filosofia de jogo dos azuis e brancos, Ukra, emprestado ao Olhanense, não poderia ter um papel mais preponderante e acrescentar algo que neste momento não existe no Porto - um Extremo puro, de linha, de desequilíbrios e assistências? Varela é um jogador de espaços mais centrais, Hulk igual, Belluschi é um 10...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Lendas: O melhor da década

Numa altura em que quase todos os sites desportivos online realizam votações para se elegerem os melhores da década nas mais variadas quadrantes do desporto, quero destacar hoje, aqui, neste espaço, aquele que na minha opinião é o melhor desportista da década, o melhor jogador de futebol do Mundo durante, pelo menos, três anos consecutivos, mas que nunca o chegou a ser reconhecido como tal.

Fruto do facto de internacionalmente nada ter ganho ao nível de clubes, de nunca ter sido alvo de excesso de mediatização ou pelo simples facto de não usar penteados extravagantes nem ser notícia pelos piores motivos, a sua carreira fica, para quem o conheceu, como um dos melhores de sempre que viu jogar, mas certamente que em termos de números e reconhecimentos poderia ter, para os que não viram, acrescentado muito mais ao papel.

Já devem ter percebido de quem estou a falar, chama-se Thierry Henry.



Henry nasceu em França há 32 anos, sendo mais um dos muitos franceses com raízes fora do continente europeu. A jogar no US Palaiseau, Henry dava nas vistas e todos falavam de si. Um olheiro do Mónaco deu as melhores referências daquele menino de 13 anos, na altura um prodigio, ao presidente do clube, que evidenciou todos os esforços para garantir o seu concurso, não sendo sequer necessário para Henry fazer os habituais testes no seu novo clube.

Já com idade de Juvenil conheceu Arsene Wenger, então treinador nos monegáscos. O lendário treinador francês tornou-se imediatamente admirador das capacidades do miúdo e chamou-o sem rodeios à equipa principal em 1995, onde Henry se estreou com 18 anos. Em 96-97 conseguiu o seu primeiro título como Sénior, marcando 9 golos nessa temporada, o que o levou a ser chamado à Selecção sub-20 francesa onde disputou o campeonato do Mundo, então ao lado de William Gallás, David Trézeguet, Anelka, Sagnol ou Silvestre, onde foram eliminados nos quartos-de-final frente ao Uruguai.


Henry fez 3 golos e impressionou o seleccionador francês dos 'A', que o convocou quatro meses depois. Estreou-se em grande nível, no ano de 1997, o que levou o técnico a convocá-lo para o Campeonato do Mundo de 1998, precisamente em França, onde se sagrou campeão Mundial ao vencer o Brasil por 3-0, ele que ficou marcado por ter sido substituído ainda muito cedo no jogo face à expulsão de Desailly.

Em 98-99, Henry é um dos principais destaques do Mónaco que chega à Meia-Final da Liga dos Campeões com Tiganá como treinador, onde constavam figuras como Trezeguet, Lamouchi ou Barthez. No final desse ano, a Juventus pagou cerca de 12 milhões de € pelo promissor francês. Henry não se adaptou ao futebol italiano, onde fez apenas três golos e não foi opção na maioria dos jogos dos italianos, pelo que Wenger, profundo apreciador e conhecedor das qualidades do jovem extremo, não hesitou em recuperá-lo pelos mesmos 12 milhões de € na entrada do novo milénio para o Arsenal.


É então que se dá toda a mudança na carreira de Henry. Ele que até aqui era um extremo, passou a ocupar espaços mais centrais e começou aí uma das mais brilhantes carreiras de um jogador estrangeiro na Premier League Inglesa.

Logo no ano de estreia Henry foi insuficiente para levar o Arsenal ao título mas terminou a época com 26 golos apontados. Em grande cotação, Henry sagrou-se campeão da europa no Euro 2000, com um golo de Trezeguet no prolongamento depois de uma grande recuperação dos franceses contra os italianos.

Em 2001-2002, Henry dissipou todas as dúvidas. Marcou 32 golos em todas as competições, levando o Arsenal ao título e à vitória na taça de inglaterra. Em 2002-2003 um dos seus melhores anos de sempre, apesar do Arsenal só ter vencido a FA Cup, fez um total de 42 golos em todas as provas e... 23 assistências... amazing!



Na Taça das Confederações de 2003, levou a França ao título, marcando na final, sagrando-se o melhor marcador da prova e sendo eleito homem do jogo em três dos cinco jogos disputados. Em 2003-2004, no auge da sua forma, Henry fez 30 golos em 37 jogos na Premier League e conseguiu um feito histórico: ao lado de Bergkamp, Vieira, Robert Pires e tantos outros, o Arsenal foi a primeira equipa em mais de um século a vencer a Liga Inglesa sem qualquer derrota.

No ano seguinte, os gunners regressaram à 'seca' de títulos, mas Henry faz 32 golos em todas as competições. Em 2005, depois do abandono internacional de Patrick Vieira, Henry assume a braçadeira da selecção francesa. Bate o record de melhor marcador de sempre do Arsenal, até então record detido por Ian Wright com 185 golos, batendo novo record, desta vez de Cliff Bastin de melhor marcador de sempre do clube na Liga Inglesa, que tinha 151 golos.


O Arsenal voltou a não vencer a Liga no ano seguinte mas Henry levou os gunners à final da Liga dos Campeões, que acabariam por perder para o Barcelona. Dois anos sem títulos, fizeram especular que Henry quereria sair do Arsenal para ser reconhecido todo o seu futebol em termos individuais. A verdade é que o presidente do Arsenal recusou duas propostas (do Barça e do Real na ordem dos 60 milhões de €) e Henry declara fidelidade ao clube renovando por mais quatro temporadas.

Henry leva a França à final do Mundial de 2006, onde perdem nos penaltys para a Itália, e o sonho de repetir o triunfo de 98 desvanece-se. Em 2006-2007 Henry tem então um calvário de lesões (coisa que era rara na sua carreira) e acaba a época em Março, num dos seus piores registos desportivos de sempre. Wenger volta a não vencer nada e em 2007 Henry acaba contratado pelo Barcelona, depois de muita polémica em torno da situação. A gratidão do clube para com o jogador fez com que fossem relutantes em libertá-lo o que deixou os adeptos num estado de nervos.


O seu trajecto no Barcelona tem sido marcado também por títulos, embora não tenha o fulgor individual de outros tempos no Arsenal. É, no entanto, sempre uma das principais figuras dos culés, onde já venceu a Liga Espanhola, a Champions, a Supertaça Europeia e o Mundial de Clubes.

Em termos individuais nunca conquistou o prémio de melhor jogador do Mundo pela FIFA, o que para muitos e, eu afirmo-o plenamente, ter sido uma enorme injustiça. Para mim, é o melhor da década, um dos melhores de sempre.

Henry é o único jogador a ter ganho a Football Writers' Association Footballer of the Year três vezes (2003, 2004, 2006), e já foi eleito o Jogador Francês do Ano quatro vezes, um recorde. Em termos de golos marcados, Henry venceu a Bota de Ouro em 2004 e 2005 (dividindo o prémio com Forlán em 2005), e foi o primeiro jogador na história a ganhar duas vezes seguidas o prémio. Henry também foi o artilheiro da Premiership por quatro temporadas (2002, 2004, 2005, 2006). Em 2006, tornou-se o primeiro jogador a marcar mais de vinte gols na liga por cinco temporadas consecutivas.

Thierry Henry destacou-se por ser um exímio jogador de ataque, capaz de percorrer todos os espaços na fase ofensiva da sua equipa. À esquerda, à direita, ao centro, foi sempre um quebra-cabeças pela sua estonteante velocidade e capacidade de aceleração, um dos jogadores com melhor técnica individual que esteve no mundo do futebol, também dotado de uma grande capacidade de drible. Uma das suas principais virtudes sempre foi a facilidade de remate, encontrando formas e feitios, às vezes inimagináveis, para marcar grandes golos. Era o dono da bola no mítico Highbury Park, antigo estádio do Arsenal, possivelmente o melhor jogador de sempre a actuar naquele relvado. Detém o record de golos pelo Arsenal, com 226 tiros certeiros, algo que dificilmente será quebrado.

Escolham vocês também, num leque de 20, o melhor golo da carreira do internacional francês.

Futebol de Rua: Romarinho


O futebol de rua ganhou um dos seus expoentes máximos e mediáticos no Mundo do futebol com o DVD "Ginga Futebol Brasileiro" onde participou um jovem com a alcunha de Romarinho, que viu o seu "skatch" ser candidato no festival de cinema de Cannes.

As oportunidades para miúdos talentosos que jogam à bola na rua, que fogem às tristezas da pobreza pela alegria de uma bola de futebol e que vivem o seu dia-a-dia atrás dela, a criatividade e talento nato, os esforços e sacrifícios dos miúdos pobres das favelas para realizarem os sonhos comuns a todos, de ser craque no futebol, tudo isto foi abordado naquele DVD e Romarinho foi um dos jogadores que despertou o interesse de alguns clubes europeus, tendo estado inclusivamente no Mallorca de Espanha a prestar provas.



Joga actualmente no Duque de Caxías do Rio de Janeiro, e espera dar o salto para o futebol de alto nível no Brasil, ele que conta actualmente com 20 anos. Já jogou no Chile, onde não se adaptou e está agora a brilhar nas divisões secundárias brasileiras. Lá mostrou grande talento, apesar de um estilo de jogo de futebol pouco apropriado à Europa, devido à pouca dinâmica e intensidade de movimentos, mas com muito perfume e talento no pé esquerdo que potenciado e explorado, pode vir a dar um jogador muito interessante.

Observem por vocês próprios:

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O(s) vencedor(es) lógico(s)


Lionel Messi recebeu hoje das mãos de Blatter e, no fundo, de todos os seleccionadores e capitães das equipas pertencentes à FIFA, o prémio de melhor jogador do Mundo. Não havia dúvidas, muito menos grandes expectativas contrárias, pois desde há muito que se sabia que Messi seria o vencedor do mais desejado galardão para premiar um jogador de futebol.

Messi ganhou tudo o que havia para ganhar, mas mais uma vez insisto na tremenda descredibilização que se faz dos grandes artistas que o Barça tem mais atrás, e que são os verdadeiros motores de todo o jogo ofensivo da equipa e permite moldar toda a fisolofia de jogo e estrutura colectiva em prol de dois nomes: Andrés Iniesta e Xavi.

Na minha opinião, e se me dessem um jogador à escolha para a minha equipa, seria Iniesta. Se me dessem um par, seria Iniesta e Xavi. Iniesta teve o condão de acrescentar a dimensão seguinte ao nível da imprevisiabilidade e qualidade de progressão na organização ofensiva ao futebol do Barcelona, destancando-se por ser o parceiro ideal, e o mais fiél retrato, de como um jogador se pode complementar com outro: Iniesta e Xavi são como dois irmãos quase gémeos que espalham magia por esses relvados foras. Só não os considero gémeos pois as qualidades de cada um individualmente, são ainda mais valorizadas pelas qualidades do outro.

Messi ganhou com 1073 pontos, Ronaldo foi segundo com 352, Xavi terceiro com 196, Kaká quarto com 190 e Iniesta a fechar o top five com 134. No campo feminino, a brasileira Marta venceu logicamente a disputa, ela que até confessou preferir Ronaldo a Messi na hora de eleger o melhor do Mundo.

Ronaldo venceu o prémio Puskas - pela primeira vez entregue - que homenageia o melhor golo do ano. Mais uma vez sabe-me a pouco esta escolha. Para mim o melhor golo da temporada teria sido, eventualmente, este:



De resto, não houve mais surpresas na noite, com a equipa do ano a ser a seguinte: Casillas (Real Madrid/Espanha), Dani Alves (Barcelona/Brasil), Vidic (Manchester United/Croácia), John Terry (Chelsea/Inglaterra), Evra (Manchester United/França), Xavi (Barcelona/Espanha), Iniesta (Barcelona/Espanha), Gerrard (Liverpool/Inglaterra), Ronaldo (Real Madrid/Portugal), Fernando Torres (Liverpool/Espanha) e Messi (Barcelona/Argentina).

Perfume do futebol de Marta, a melhor do Mundo: