quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Os meninos prodígios do Santos (vale a pena ver os vídeos)



As categorias de base do Santos têm formado, ao longo dos anos, alguns dos melhores jogadores brasileiros de sempre. É do Vila Belmiro que saem grande parte dos craques das novas gerações da canarinha, como são exemplos Pelé, Chulapa, Coutinho, Pepe e mais recentemente, Diego, Renato e Robinho.

Muitos, ainda com idade de pré-adoloscência, já ganham mais num mês, do que os seus país num ano inteiro de trabalho e sacrifício.

A esperança dos adeptos em terem novos produtos formados na cantera é enorme, e muitos apelidam mesmo a formação santista como a melhor do planeta. Há cerca de três anos, vi uma reportagem pela internet da formação do Santos e a apresentação de algumas das suas pérolas. Uns já os vi brilhar na equipa principal, outros já vi em DVD nas categorias de base, um deles ao vivo, e outros o Youtube faz o enorme favor de os apresentar. Ficam então, os principais candidatos a nova geração dourada no Vila Belmiro...


Nome: Neymar
17 anos
Extremo/Avançado


Neymar aparece já como uma confirmação. Ainda não é maior de idade, mas já joga entre os profissionais do Santos e espalha todo o seu perfume no Brasileirão. É um jogador muito forte tecnicamente, com uma capacidade de drible fora do comum. Faz ambas as faixas, ou apoio ao ponta-de-lança, finaliza bem, aparece muito bem em zonas de golo com bola controlada e em desequilibrio. Sem dúvida um grande nome para a próxima década do futebol Mundial.


Nome: Jean Carlos Chera
14 anos
Médio Ofensivo

Camisa 10 das categorias juvenis do Santos, aparece em tenra idade como um fenómeno de popularidade e talento. Só para se ter uma ideia, aos 13 anos já recebia no Santos qualquer coisa como 7 mil euros mensais, mais patrocínios, escola, e alimentação. Vivia no Paraná e trouxe toda a sua família para Santos, pois a directoria do clube santista evidenciou todos os esforços para contar com ele. Aos 9 anos os vídeos colocados na internet das suas habilidades fizeram sucesso e Chera é um fenómeno de popularidade no Brasil. Jogador com um pé esquerdo muito forte para idade, revela uma enorme maturidade para quem tem ainda tão poucos anos de vida. Marcador de golos, craque enorme, vamos ver se vai evoluir da forma esperada para confirmar todas as expectativas sobre ele.


Nome: Victor Andrade
14 anos
Avançado

Vi o Victor pela primeira vez ao vivo, no Algarve. O Benfica disputou lá o Mundialito e o Santos permitiu que o miúdo talentoso viesse a Portugal defender as cores do Benfica. Foi o melhor jogador da prova, venceu o troféu de melhor marcador, e o Benfica ganhou o seu escalão, a clubes como Ajax, Inter, Chelsea, entre outros. Jogador prodígio, muito faz lembrar as pedaladas de Robinho e Neymar e parece ir na mesma onda. Gosta de se posicionar sobre corredores laterais, ir para cima e fazer estragos. Grande talento.


Nome: Gabriel
12 anos
Avançado



Um dos técnicos que treinou Robinho no Santos, afirma estar aqui um dos maiores prodígios que lhe passaram pelas mãos. Gabriel tem um dom natural, é rápido, tem uma técnica fantástica para idade, muito forte no drible e na hora de finalizar. Em 2005, passou pelo São Paulo onde marcou mais de 100 golos. Tem um talento nato, se corresponder à evolução natural que nem sempre é como se espera, vai ser um jogador de top.

Mercado: Nani? Depressão pelo Benfica? Emprestados?

Veio ontem a público uma notícia que dava conta do interesse de Sir Alex Ferguson em Di Maria e que o Man United estava disponível a ceder o passe do internacional português Nani ao Benfica, mais 10 milhões de euros pela promessa argentina do Benfica. Segundo consta, a proposta chegou mesmo, e Luis Filipe Vieira rejeitou-a de pronto.

Vamos por partes:

- Concordo com a decisão de Vieira, caso ela tenha mesmo acontecido.
- Nani é melhor jogador do que Di Maria.

Em termos desportivos, Nani parece-me um jogador claramente superior ao Di Maria. É um jogador que no nosso campeonato, ainda com tenra idade, conseguiu demonstrar uma qualidade e regularidade pouco normal para um jogador tão jovem e com tão poucas rotinas a nível profissional, o que levou o United a "estourar" vários milhões para o ter.

Muitos acusam Nani de ser um jogador irregular e de não se ter imposto no Manchester. Vamos recordar que até aqui havia Cristiano Ronaldo e Tevez, e ainda há Rooney, Park (que é um jogador de equipa fantástico) ou Berbatov. No entanto, Nani não é o flop que muitos querem fazer passar. É um jogador trabalhador, esforçado, que gosta de aprender e claramente tem muito talento.

Graças à sua elevada cultura táctica e facilidade de perceber os vários momentos do jogo, é um jogador que joga (ou faz parte) numa das melhores equipas do Mundo e que pode encaixar em todos os sistemas e metodologias de jogo. Pode jogar como Extremo em ambos os lados em 4-4-2, pode jogar como Extremo num 4-3-3, pode jogar a 10 num Losango ou a Interior (como fazia no Sporting). Sabe esticar o jogo, é versátil, e tem uma grande qualidade técnica e poder de finta.

Di Maria é, na minha opinião, e como já aqui o referi, um jogador com tremendo potencial mas que no Benfica tem demorado a encontrar a regularidade de exibições e que este ano ficou ainda mais evidente a crispação entre o espectacular, e o inacreditável. Di Maria tem um índice de produtividade muito baixo, é um jogador de linha, de criar espaços, de procurar desequilíbrios, mas a verdade é que muitas vezes se torna um jogador inconsequente e com uma incrível dificuldade para perceber os variados momentos do jogo e tomar as decisões correctas.

Face ao potencial que tem e à valorização que é feita do seu passe, compreendo a decisão e parece-me a mais acertada sob o ponto de vista de gestão de activos e do potencial de mercado. Agora, não pode ninguém dizer que não queriam o Nani nem dado, e que o Di Maria vale muito mais, porque isso não é correcto. Di Maria é o jogador da moda, Nani caiu em desuso por aparecer menos. Mas estou crente que o português (coisa tão rara no Benfica), seria um dos melhores reforços que o Benfica poderia ter. Talvez por 20 ou 25 milhões de € + Nani. Aí acho que todos os benfiquistas racionais aceitariam essa possibilidade, embora duvide plenamente dela, pois o Man Utd gastou ainda nem há 5 anos, 25 milhões de € no Português.

A depressão continua?


Ficou célebre uma frase de Paulo Bento no dia em que abandonou o Sporting. Segundo o ex-treinador do clube de Alvalade, os adeptos do Sporting entraram em depressão e assistiu-se a uma pressão exacerbada interna pelo facto do Benfica estar a ter óptimas exibições. Isso foi, no seu ponto de vista, um dos factores que levaram o clube de Alvalade a ter más prestações esta época. Isso e o facto de em 50 anos só terem vencido 8 títulos nacionais... o que não caiu bem em algumas hostes leoninas.

Porquê o título desta análise? João Pereira acaba de ser anunciado como reforço leonino. O jogador formado no Benfica e responsável por alguns gestos que certamente não caíram nada bem ao clube de Alvalade quando representava o Benfica, envergou um cachecol na sua apresentação que tinha escrito "Benfica é merd*!". Falou-se no Benfica no dia da apresentação à imprensa. E o Benfica voltou a ser o tema principal. Aposta coerente ou facada ao rival, por 3 milhões de €?

João Pereira é, sem dúvida, um óptimo lateral direito, talvez o melhor que o Sporting tinha à disposição neste mercado. Isso é inquestionável. Não me parece que seja contudo problemático para o Benfica, que tem nas suas fileiras Maxi Pereira, aquele que é o melhor lateral do campeonato. Não é vistosos nem dono de grandes momentos de magia, mas é um jogador tremendamente eficaz pela capacidade táctica e defensiva, e facilidade de abrir espaços em progressão. Raçudo e de grande entrega. Algum adepto do Benfica ficou melindrado?

Emprestados


O Porto prepara-se para voltar a receber o novo internacional argentino Mário Bolatti. Quanto a mim, um dos erros da gestão do clube do norte nos últimos anos é a sua incapacidade para recuperar e integrar jogadores emprestados (tantos que são) por esse país fora. Foi assim com Vieirinha que mereceu, claramente, uma aposta no seu talento, pelo que fez fora e dentro do clube, foi assim com Paulo Machado, um jogador à Porto, com mística e qualidade, tem sido assim com Hélder Barbosa, foi assim com Alan, e ficaria aqui o resto do dia a escrever os "desaproveitados" do Dragão.

Bolatti não me parece opção coerente nesta óptica. É um jogador valorizado e que já provou não deter os ritmos e as exigências dimensionais do seu futebol para jogar na Europa. O Porto face ao potencial de mercado do atleta (vem aí o Mundial) deveria vendê-lo e fazer algum dinheiro. Deve, contudo, olhar com outros olhos para os seus próprios valores.

Mariano González é um jogador muito forte sob o ponto de vista táctico e daquilo que pode acrescentar ao jogo em determinados momentos. Na actual filosofia de jogo dos azuis e brancos, Ukra, emprestado ao Olhanense, não poderia ter um papel mais preponderante e acrescentar algo que neste momento não existe no Porto - um Extremo puro, de linha, de desequilíbrios e assistências? Varela é um jogador de espaços mais centrais, Hulk igual, Belluschi é um 10...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Lendas: O melhor da década

Numa altura em que quase todos os sites desportivos online realizam votações para se elegerem os melhores da década nas mais variadas quadrantes do desporto, quero destacar hoje, aqui, neste espaço, aquele que na minha opinião é o melhor desportista da década, o melhor jogador de futebol do Mundo durante, pelo menos, três anos consecutivos, mas que nunca o chegou a ser reconhecido como tal.

Fruto do facto de internacionalmente nada ter ganho ao nível de clubes, de nunca ter sido alvo de excesso de mediatização ou pelo simples facto de não usar penteados extravagantes nem ser notícia pelos piores motivos, a sua carreira fica, para quem o conheceu, como um dos melhores de sempre que viu jogar, mas certamente que em termos de números e reconhecimentos poderia ter, para os que não viram, acrescentado muito mais ao papel.

Já devem ter percebido de quem estou a falar, chama-se Thierry Henry.



Henry nasceu em França há 32 anos, sendo mais um dos muitos franceses com raízes fora do continente europeu. A jogar no US Palaiseau, Henry dava nas vistas e todos falavam de si. Um olheiro do Mónaco deu as melhores referências daquele menino de 13 anos, na altura um prodigio, ao presidente do clube, que evidenciou todos os esforços para garantir o seu concurso, não sendo sequer necessário para Henry fazer os habituais testes no seu novo clube.

Já com idade de Juvenil conheceu Arsene Wenger, então treinador nos monegáscos. O lendário treinador francês tornou-se imediatamente admirador das capacidades do miúdo e chamou-o sem rodeios à equipa principal em 1995, onde Henry se estreou com 18 anos. Em 96-97 conseguiu o seu primeiro título como Sénior, marcando 9 golos nessa temporada, o que o levou a ser chamado à Selecção sub-20 francesa onde disputou o campeonato do Mundo, então ao lado de William Gallás, David Trézeguet, Anelka, Sagnol ou Silvestre, onde foram eliminados nos quartos-de-final frente ao Uruguai.


Henry fez 3 golos e impressionou o seleccionador francês dos 'A', que o convocou quatro meses depois. Estreou-se em grande nível, no ano de 1997, o que levou o técnico a convocá-lo para o Campeonato do Mundo de 1998, precisamente em França, onde se sagrou campeão Mundial ao vencer o Brasil por 3-0, ele que ficou marcado por ter sido substituído ainda muito cedo no jogo face à expulsão de Desailly.

Em 98-99, Henry é um dos principais destaques do Mónaco que chega à Meia-Final da Liga dos Campeões com Tiganá como treinador, onde constavam figuras como Trezeguet, Lamouchi ou Barthez. No final desse ano, a Juventus pagou cerca de 12 milhões de € pelo promissor francês. Henry não se adaptou ao futebol italiano, onde fez apenas três golos e não foi opção na maioria dos jogos dos italianos, pelo que Wenger, profundo apreciador e conhecedor das qualidades do jovem extremo, não hesitou em recuperá-lo pelos mesmos 12 milhões de € na entrada do novo milénio para o Arsenal.


É então que se dá toda a mudança na carreira de Henry. Ele que até aqui era um extremo, passou a ocupar espaços mais centrais e começou aí uma das mais brilhantes carreiras de um jogador estrangeiro na Premier League Inglesa.

Logo no ano de estreia Henry foi insuficiente para levar o Arsenal ao título mas terminou a época com 26 golos apontados. Em grande cotação, Henry sagrou-se campeão da europa no Euro 2000, com um golo de Trezeguet no prolongamento depois de uma grande recuperação dos franceses contra os italianos.

Em 2001-2002, Henry dissipou todas as dúvidas. Marcou 32 golos em todas as competições, levando o Arsenal ao título e à vitória na taça de inglaterra. Em 2002-2003 um dos seus melhores anos de sempre, apesar do Arsenal só ter vencido a FA Cup, fez um total de 42 golos em todas as provas e... 23 assistências... amazing!



Na Taça das Confederações de 2003, levou a França ao título, marcando na final, sagrando-se o melhor marcador da prova e sendo eleito homem do jogo em três dos cinco jogos disputados. Em 2003-2004, no auge da sua forma, Henry fez 30 golos em 37 jogos na Premier League e conseguiu um feito histórico: ao lado de Bergkamp, Vieira, Robert Pires e tantos outros, o Arsenal foi a primeira equipa em mais de um século a vencer a Liga Inglesa sem qualquer derrota.

No ano seguinte, os gunners regressaram à 'seca' de títulos, mas Henry faz 32 golos em todas as competições. Em 2005, depois do abandono internacional de Patrick Vieira, Henry assume a braçadeira da selecção francesa. Bate o record de melhor marcador de sempre do Arsenal, até então record detido por Ian Wright com 185 golos, batendo novo record, desta vez de Cliff Bastin de melhor marcador de sempre do clube na Liga Inglesa, que tinha 151 golos.


O Arsenal voltou a não vencer a Liga no ano seguinte mas Henry levou os gunners à final da Liga dos Campeões, que acabariam por perder para o Barcelona. Dois anos sem títulos, fizeram especular que Henry quereria sair do Arsenal para ser reconhecido todo o seu futebol em termos individuais. A verdade é que o presidente do Arsenal recusou duas propostas (do Barça e do Real na ordem dos 60 milhões de €) e Henry declara fidelidade ao clube renovando por mais quatro temporadas.

Henry leva a França à final do Mundial de 2006, onde perdem nos penaltys para a Itália, e o sonho de repetir o triunfo de 98 desvanece-se. Em 2006-2007 Henry tem então um calvário de lesões (coisa que era rara na sua carreira) e acaba a época em Março, num dos seus piores registos desportivos de sempre. Wenger volta a não vencer nada e em 2007 Henry acaba contratado pelo Barcelona, depois de muita polémica em torno da situação. A gratidão do clube para com o jogador fez com que fossem relutantes em libertá-lo o que deixou os adeptos num estado de nervos.


O seu trajecto no Barcelona tem sido marcado também por títulos, embora não tenha o fulgor individual de outros tempos no Arsenal. É, no entanto, sempre uma das principais figuras dos culés, onde já venceu a Liga Espanhola, a Champions, a Supertaça Europeia e o Mundial de Clubes.

Em termos individuais nunca conquistou o prémio de melhor jogador do Mundo pela FIFA, o que para muitos e, eu afirmo-o plenamente, ter sido uma enorme injustiça. Para mim, é o melhor da década, um dos melhores de sempre.

Henry é o único jogador a ter ganho a Football Writers' Association Footballer of the Year três vezes (2003, 2004, 2006), e já foi eleito o Jogador Francês do Ano quatro vezes, um recorde. Em termos de golos marcados, Henry venceu a Bota de Ouro em 2004 e 2005 (dividindo o prémio com Forlán em 2005), e foi o primeiro jogador na história a ganhar duas vezes seguidas o prémio. Henry também foi o artilheiro da Premiership por quatro temporadas (2002, 2004, 2005, 2006). Em 2006, tornou-se o primeiro jogador a marcar mais de vinte gols na liga por cinco temporadas consecutivas.

Thierry Henry destacou-se por ser um exímio jogador de ataque, capaz de percorrer todos os espaços na fase ofensiva da sua equipa. À esquerda, à direita, ao centro, foi sempre um quebra-cabeças pela sua estonteante velocidade e capacidade de aceleração, um dos jogadores com melhor técnica individual que esteve no mundo do futebol, também dotado de uma grande capacidade de drible. Uma das suas principais virtudes sempre foi a facilidade de remate, encontrando formas e feitios, às vezes inimagináveis, para marcar grandes golos. Era o dono da bola no mítico Highbury Park, antigo estádio do Arsenal, possivelmente o melhor jogador de sempre a actuar naquele relvado. Detém o record de golos pelo Arsenal, com 226 tiros certeiros, algo que dificilmente será quebrado.

Escolham vocês também, num leque de 20, o melhor golo da carreira do internacional francês.

Futebol de Rua: Romarinho


O futebol de rua ganhou um dos seus expoentes máximos e mediáticos no Mundo do futebol com o DVD "Ginga Futebol Brasileiro" onde participou um jovem com a alcunha de Romarinho, que viu o seu "skatch" ser candidato no festival de cinema de Cannes.

As oportunidades para miúdos talentosos que jogam à bola na rua, que fogem às tristezas da pobreza pela alegria de uma bola de futebol e que vivem o seu dia-a-dia atrás dela, a criatividade e talento nato, os esforços e sacrifícios dos miúdos pobres das favelas para realizarem os sonhos comuns a todos, de ser craque no futebol, tudo isto foi abordado naquele DVD e Romarinho foi um dos jogadores que despertou o interesse de alguns clubes europeus, tendo estado inclusivamente no Mallorca de Espanha a prestar provas.



Joga actualmente no Duque de Caxías do Rio de Janeiro, e espera dar o salto para o futebol de alto nível no Brasil, ele que conta actualmente com 20 anos. Já jogou no Chile, onde não se adaptou e está agora a brilhar nas divisões secundárias brasileiras. Lá mostrou grande talento, apesar de um estilo de jogo de futebol pouco apropriado à Europa, devido à pouca dinâmica e intensidade de movimentos, mas com muito perfume e talento no pé esquerdo que potenciado e explorado, pode vir a dar um jogador muito interessante.

Observem por vocês próprios:

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O(s) vencedor(es) lógico(s)


Lionel Messi recebeu hoje das mãos de Blatter e, no fundo, de todos os seleccionadores e capitães das equipas pertencentes à FIFA, o prémio de melhor jogador do Mundo. Não havia dúvidas, muito menos grandes expectativas contrárias, pois desde há muito que se sabia que Messi seria o vencedor do mais desejado galardão para premiar um jogador de futebol.

Messi ganhou tudo o que havia para ganhar, mas mais uma vez insisto na tremenda descredibilização que se faz dos grandes artistas que o Barça tem mais atrás, e que são os verdadeiros motores de todo o jogo ofensivo da equipa e permite moldar toda a fisolofia de jogo e estrutura colectiva em prol de dois nomes: Andrés Iniesta e Xavi.

Na minha opinião, e se me dessem um jogador à escolha para a minha equipa, seria Iniesta. Se me dessem um par, seria Iniesta e Xavi. Iniesta teve o condão de acrescentar a dimensão seguinte ao nível da imprevisiabilidade e qualidade de progressão na organização ofensiva ao futebol do Barcelona, destancando-se por ser o parceiro ideal, e o mais fiél retrato, de como um jogador se pode complementar com outro: Iniesta e Xavi são como dois irmãos quase gémeos que espalham magia por esses relvados foras. Só não os considero gémeos pois as qualidades de cada um individualmente, são ainda mais valorizadas pelas qualidades do outro.

Messi ganhou com 1073 pontos, Ronaldo foi segundo com 352, Xavi terceiro com 196, Kaká quarto com 190 e Iniesta a fechar o top five com 134. No campo feminino, a brasileira Marta venceu logicamente a disputa, ela que até confessou preferir Ronaldo a Messi na hora de eleger o melhor do Mundo.

Ronaldo venceu o prémio Puskas - pela primeira vez entregue - que homenageia o melhor golo do ano. Mais uma vez sabe-me a pouco esta escolha. Para mim o melhor golo da temporada teria sido, eventualmente, este:



De resto, não houve mais surpresas na noite, com a equipa do ano a ser a seguinte: Casillas (Real Madrid/Espanha), Dani Alves (Barcelona/Brasil), Vidic (Manchester United/Croácia), John Terry (Chelsea/Inglaterra), Evra (Manchester United/França), Xavi (Barcelona/Espanha), Iniesta (Barcelona/Espanha), Gerrard (Liverpool/Inglaterra), Ronaldo (Real Madrid/Portugal), Fernando Torres (Liverpool/Espanha) e Messi (Barcelona/Argentina).

Perfume do futebol de Marta, a melhor do Mundo:

Um clássico de contrastes


Numa semana atribulada, com muitas lesões e castigos, o Benfica deu este Domingo uma prova cabal do que deve ser uma equipa de futebol e porque princípios se deve reger. Sem os dois extremos que melhor esticam o jogo da equipa, sem o municiador e principal jogador que define critério e qualidade com bola na organização ofensiva da equipa e com as mais recentes incógnitas das exibições menos conseguidas ultimamente de jogadores como César Peixoto, Quim, ou mesmo as dúvidas sobre Menezes e Weldon, o Benfica mostrou hoje toda a qualidade e toda a vontade de uma equipa que tem de lutar por um só objectivo: ser campeão nacional.

O Benfica mostrou ter essencialmente união. Um plantel não são 11 jogadores. São 25/26/27, tanto faz. Todos têm de estar preparados física e psicologicamente para integrar as escolhas do técnico nos mais variados momentos, seja em que jogo for. E hoje Jesus manteve a metodologia de jogo colectivo e as directrizes da equipa nos seus variados momentos, alterando apenas os jogadores que foi obrigado a colocar em campo.

Individualmente o destaque vai para Saviola, que é na minha opinião o jogador mais importante na estrutura da equipa do Benfica. A forma como o Benfica faz a sua transição ofensiva e processa a sua organização ofensiva, é essencial ter um jogador das características do Saviola e com a sua inteligência e leitura de jogo. A qualidade com que desposiciona os jogadores defensivos contrários, a subtileza e imensa qualidade com que aproveita e explora as entre-linhas dos adversários, a qualidade de drible curto e progressão com bola... sem dúvida um fantástico jogador... e admito que quando saiu a confirmação da sua contratação torci o nariz. Já me provou que os grandes homens, joguem onde jogarem, têm brio e amor ao que fazem e é impossível não se render a um clube com a dimensão do Benfica.

Javi Garcia, autêntico patrão da equipa, arrisco-me já a dizer. Um lutador com inegável qualidade posicional e de cultura de jogo, um exímio recuperador de bolas e com uma garra e vontade incríveis. À Benfica, à antiga, realmente! David Luiz fez um jogo muito forte sob o ponto de vista de maturidade que por vezes lhe falta, inteligente e astuto a adivinhar muitas das movimentações do ataque do Porto em progressão, grande jogo. E, claro, Urreta não me surpreendeu, fez 50 minutos de muita qualidade, tem muito talento e para mim ele e Coentrão devem ser os donos daquele lugar.

Não podia deixar de destacar Ramires. Faltam-me adjectivos para qualificar a forma como sai de uma lesão grave e passado 6 dias está a jogar o clássico. Jogadores com este querer e vontade fazem falta ao futebol e à sociedade em geral. Incansável, um posso de força e qualidade!

O Porto apresentou-se demasiado receoso, continuo sem perceber a inexistência de uma aposta acertiva no Belluschi, pois o Porto sem ele joga claramente em inferioridade. Belluschi é um jogador com critério e qualidade na organização, remata bem de fora, sabe pautar os ritmos de jogo da sua equipa, é inteligente... não percebendo a insistência em Guarin, o jogador fetiche de Jesualdo.

Hulk está claramente fora de forma, é um jogador que na minha opinião com um trabalho sustentado de evolução das suas características pode ser de top mundial, mas que esta época tem tardado a dar o salto. Hoje foi preterido no assalto final do Porto, nunca esteve em jogo, sendo anulado com maior ou menor dificuldade pela defensiva do Benfica.

Bruno Alves e Raul Meireles são os melhores jogadores do Porto nesta altura, têm qualidade e identificação com as estratégias e exigência de um clube que nos últimos anos tem sido muito forte dentro e fora de portas.

Por falar em identidade, resta-me, para terminar, abordar a temática desta forma (que uma mensagem que recebi no telemóvel - não sei de quem, alguém que se acuse - me alterou para este facto): Nos 22 jogadores que entraram em campo, apenas 6 portugueses no onze, três para cada lado: Quim, César Peixoto e Carlos Martins no Benfica; Raul Meireles, Bruno Alves e Rolando no Porto. Que futuro para o futebol nacional?

sábado, 19 de dezembro de 2009

Alex Teixeira no Shakthar


O extremo Alex Teixeira que já aqui falei dele e que se encontra na barra lateral do blog (vídeo da semana), está muito perto dos ucranianos por uma verba a rondar os 6 milhões de € e irá aumentar o contingente brasileiro em Donetsk. O Vasco vende uma das suas maiores jóias da coroa e vamos ver como será a adaptação do brasileiro à Europa.

Prospecção Nacional (Médios)

Porque não há nada como o bom produto português tanta vez desvalorizado e deixado para segundo plano...

Ruben Micael (Nacional)
Idade: 23 anos
Peso: 73kg
Altura: 175cm
Nacionalidade: Português


Assume-se actualmente, na minha opinião, como o melhor médio português do campeonato, a par de Raul Meireles. Ruben Micael, formado no União da Madeira, cumpre este ano a sua segunda época na 1ª divisão que tem servido para o confirmar totalmente como um dos grandes valores portugueses para os próximos anos. É um jogador que mescla a cultura táctica e sentido de preenchimento de espaços de um '8' com o rigor e critério no passe de um '10'. Gosta de aparecer em zonas de finalização, onde demonstra muita frieza. Faz golos, faz assistências, joga e faz jogar. Sem dúvida um jogador a mais para o Nacional. Os grandes ou o estrangeiro irão ser certamente o seu destino. É o 2º melhor marcador da Liga Europa, onde o Nacional foi eliminado, com 5 golos.

Paulo Regula (Vit. Setúbal)
Idade: 20 anos
Peso: 71kg
Altura: 184cm
Nacionalidade: Português


Apareceu a época passada no Vitória mas tem tardado a ser aposta esta temporada. Mesmo assim, com Manuel Fernandes, já vai aparecendo. Conheci-o como Junior e sempre mostrou muito talento. Jogador da posição 10, muito forte no passe e intenso no seu futebol. Gosta de organizar todo o futebol da sua equipa e aparecer com qualidade em situações de um para um para abordar o drible e rematar, ou procurar passes de ruptura para os colegas. Um jogador muito forte, vai fazer certamente excelente carreira em Portugal.

Miguel Rosa (Carregado)
Idade: 20 anos
Peso: 67kg
Altura: 174cm
Nacionalidade: Português


A Liga Vitalis é pequena demais para ele. Depois de na época transacta cumprir o seu primeiro ano de Senior no Estoril, onde esteve na luta pelo prémio de melhor marcador da equipa, ascendeu rapidamente a um nível competitivo, de resto esperado para quem o conhecia, a nível profissional. É um jogador muito aguerrido, um recuperador de bolas, mas também muito forte no passe longo ou curto e na forma como anda um pouco por todo o campo. Actualmente leva 4 golos na Vitalis, é o melhor marcador do último - o Carregado - e o Benfica deverá estar certamente de olho na sua evolução para, quem sabe, poder alterar algo em Janeiro. É que se na época passada o seu Estoril andou até às últimas jornadas na luta para poder subir, este ano não se justifica um retrocesso no colectivo em que foi inserido, quando o seu percurso exigia algo mais. Tem muito talento e para quem se sente familiarizado com a expressão... "Um jogador à Benfica!"

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Prospecção Internacional (Avançados)

O futebol em Portugal continua cada vez mais condicionado pelas jogadas de bastidores de empresários e dirigentes e os mercados de acção nas épocas de transferência mantêm-se, ao longo dos anos, intactos: a aposta no Brasil veio para durar (hoje em dia é o Benfica que aposta em larga escala nos canarinhos) e parece não ter fim.

Hoje vou falar de alguns jogadores, de mercados alternativos, com qualidade para fazer boa carreira por essa Europa fora, já que em Portugal, não se aprende com os constantes erros.

Nemanja Nikolic (Kaposvár)
Idade: 21 anos
Peso: 79kg
Altura: 184cm
Nacionalidade: Sérvia


O sérvio de 21 anos a cumprir a sua segunda temporada na liga húngara está a brilhar a grande escala naquele país. Actualmente lidera a lista dos melhores marcadores com 12 golos marcados (a actuar no 7º classificado da Liga) e é comparado frequentemente a David Villa. A sérvia vem formando ao longo dos anos (mais concretamente a região de Belgrado - de onde Nikolic é natural) grandes avançados e a olhar ao futebol que Nemanja apresenta tem os requisitos necessários para cumprir essa linha de sucessão. Dotado de excelente inteligência táctica, joga sobretudo como avançado móvel, nos espaços entre linhas e nas costas dos defesas. Gosta de ter bola e definir lances em progressão, revelando um grande sentido de baliza e uma frieza incrível na hora de finalizar. É ainda dotado de uma apreciável técnica individual. Tem futuro.



Artjoms Rudnevs (Zalaegerzseg)
Idade: 21 anos
Peso: 70kg
Altura: 178cm
Nacionalidade: Letã (Letónia)


O designado 'rato de área'. Este jogador nascido na Letónia, uma das antigas repúblicas soviéticas, vem impressionando também na Hungria, a actuar no quatro classificado da liga local. Já marcou 11 golos, segue na perseguição a Nikolic e destaca-se por muitos dos atributos em cima descritos para o sérvio. Só que Rudnevs é um trabalhador nato, exímio no jogo de cabeça (para a baixa estatura) e consegue criar muitos desequilibrios pelo seu excelente posicionamento a enganar os defesas. Tem uma grande facilidade de remate com ambos os pés, não fazendo cerimónia na hora de visar a baliza. Com oportunidade, pode crescer como jogador.



Mostafa Karim (Al Sharjah)
Idade: 22 anos
Peso: 67kg
Altura: 176cm
Nacionalidade: Iraquiano
Os petro-dólares fazem a diferença no rumo da economia Mundial e já chegaram ao futebol. Existem muitos bons jogadores 'perdidos' pelos países ricos da Ásia, depois de boas carreiras na Europa, de onde se transferiram para clubes sem qualquer expressão mas que pelo salário que auferem e para olharem pelo seu futuro preteriram uma boa carreira desportiva em prol do dinheiro. Nem só de jogadores já conhecidos da Europa (que um dia destes falarei) são dotados os clubes ricos do médio oriente. Mostafa Karim surge aos 22 anos como uma das maiores esperanças do futebol iraquiano (a par de um cérebro seu companheiro de selecção a jogar na Holanda) onde disputa com argentinos e brasileiros o topo da lista dos melhores marcadores da 1ª Liga dos Emirados Árabes Unidos. Karim é um jogador móvel, de corredores, que utiliza a sua velocidade e capacidade no um para um para causar perigo às defesas adversárias. É muito objectivo no seu futebol, ataca a baliza sem pedir licença e é dotado de um forte remate. É daqueles que caso alguém decida apostar nele... pode triunfar. E anda gente bem pior do que ele por essa Europa fora nos clubes ditos de nomeada.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Opinião: Talento vs. Objectividade - Reverso da Medalha


Ontem, dei alguns exemplos de jogadores que apesar da sua genialidade e criatividade técnica, não conseguiram, ainda, apurar o seu estilo de jogo de forma a terem objectividade para acrescentar à equipa. Para uns, o talento que têm nos pés não chegou para terem invariavelmente passado ao lado de uma grande carreira, para outros o futuro ainda lhes reserva a esperança de ver a sua fantasia triunfar.

Hoje, irei abordar esta temática pelo outro lado. Observando os jogadores que apareceram como grandes fantasistas e apaixonados pelo drible e pelo lado - se é que o há - perfeito do futebol, e que conseguiram adquirir os ensinamentos necessários para moldar o seu jogo ao que é exigido a alto nível. Por o terem feito ainda enquanto jovens, ganharam o seu espaço no topo do futebol mundial de todos os tempos.



Cristiano Ronaldo é um desses maiores exemplos. Apareceu no Sporting como um jogador apaixonado pelo drible, que sempre que pegava na bola procurava ir para cima do adversário e deixá-lo pelo caminho. Perdia algumas vezes a bola, é certo, mas também vencia muitas vezes esses duelos.

A sua transferência para Manchester foi o que deu o click que faltava no seu futebol. Alex Ferguson tinha em mãos um diamante bruto, para ser lapidado e, Ronaldo, pela vontade de aprender e de procurar sempre mais, alterou muito do seu estilo de jogo em prol do colectivo, o que o fez crescer imenso como jogador. Já dizia um treinador que conheci que "Um jogador só consegue atingir os seus objectivos pessoais se a equipa em que está inserido atingi-los no campo colectivo".

E defacto, assim foi. Cristiano deixou de ser um malabarista nato, um fantasista, para passar a ser, num espaço de 2 ou 3 anos, um jogador "programado". Mais rápido, mais forte fisicamente, mais inteligente, mais conhecedor dos espaços mas, acima de tudo, muito mais objectivo. Hoje em dia olhamos para o Cristiano e já não vemos um drible com tanta frequência. Vemos um jogador mais astuto na procura dos espaços para desequilibrar e na tentativa de procurar com os colegas encontrar os caminhos da baliza.

A adaptação que teve de fazer do seu futebol foi essencial para se ter tornado no melhor jogador do Mundo. No Sporting, outro jogador que apareceu um pouco antes do Cristiano e que também melhorou muito nesse aspecto foi o Quaresma. Apareceu como um dos maiores fantasistas de sempre formados em Portugal, e alterou o seu estilo de jogo.

Antes procurava a linha e lá driblava, até mais não. Hoje é um jogador que moldou o seu espaço de jogo numa óptica de colectivo. Procura o drible para dar frutos. Tenta as trivelas e os lances de magia para criar lances de perigo para as balizas adversárias. Não atingiu nem irá atingir o nível do Cristiano... mas isso são outras praias.


Robinho nasceu com o talento nato do fantasista e predestinado jogador brasileiro. Apareceu no Santos a fazer bicicletas e brilham no youtube os vídeos dos seus malabarismos. Mas Robinho deu a dimensão seguinte ao seu futebol. Deixou de ser um jogador individual e passou a sê-lo para o colectivo.

Hoje em dia, os espaços no futebol estão muito reduzidos, os desequilibradores têm cada vez maior dificuldade e as linhas de pressing e cobertura estão cada vez mais exigentes sob o ponto de vista de anular o tempo de pensar e executar e o espaço no futebol. É por isso que os jogadores fantasistas têm de ter lugar para desamarrar esses factores. Se integrados numa cultura de jogo colectivo, com as dinâmicas de um colectivo que tem de jogar sempre em bloco, e não dividido por blocos, irão fazer a diferença.

Pegando num último exemplo, no Futsal, Falcão, o melhor jogador do Mundo, chegou a afirmar que quando era mais novo, só queria dribles e "sacanear" os adversários. Não fazia golos. Aprendeu a usar a sua habilidade em prol da equipa, num sentido de objectivo muito direccionado para a baliza contrária. Continua a "sacanear", mas da melhor forma: vai terminar invariavelmente em lance perigoso ou mesmo em golo. E nada vale mais do que isso.

No tempo que vejo futebol, só conheci um jogador que nunca diferenciou o seu estilo de jogo. Sempre conseguiu triunfar no futebol de alto rendimento da mesma forma: fantasista, driblador, irrequieto, desamarrado das exigências tácticas dos dias de hoje. Sempre teve a sua objectividade q.b., porque se não a tivesse não era nem 1/10 do que foi, mas sempre que tinha oportunidade, metia um drible mais vistoso, procurava um lance mais bonito. Teve, sempre, consciência de fazer tudo isso em prol do grupo. Para mim, foi e é um dos melhores de sempre. Chama-se Ronaldinho Gaúcho.


Prospecção Nacional (Extremos)

Ukra (Olhanense)
Idade: 21 anos
Peso: 68kg
Altura: 175cm
Nacionalidade: Português

Vi o Ukra pela primeira vez quando era Junior do FC Porto, ao lado de Castro, Fredson, Rui Pedro - hoje todos em bom destaque nos nossos campeonatos - e foi ao Seixal jogar com o Benfica de Bruno Lage, que os «encarnados» venceram por 1-0. Desde aí, assistiu-se a uma evolução muito grande do jogador. Hoje, assume-se como um dos extremos mais promissores para a selecção principal nos próximos anos. Jogador ambidestro, pode jogar em ambos os flancos, veloz e com grande qualidade técnica, é muito forte no um para um e cada vez mais forte nas bolas paradas. É humilde e gosta de trabalhar, e isso reflecte-se. Para já, os sub-21 são a sua praia e está a crescer a passos largos para poder atingir o rendimento necessário para a equipa principal dos «dragões».

Fredy (Belenenses)
Idade: 19 anos
Peso: 73kg
Altura: 174cm
Nacionalidade: Português


Acompanho o Fredy desde o seu 1º ano de Juvenil. As características mantém-nas: Muito rápido, agressivo, forte na explosão e no drible e na facilidade de remate com os dois pés. Num Belenenses a fazer, mais uma vez, um ano fraquinho, é um dos jogadores em maior foco na equipa azul. Assinou contrato de formação desde muito cedo (o que afastou os grandes de si) e está a crescer a olhos vistos no Belenenses. Também já está nos sub-21 e promete crescer como atleta. Dinâmico e com intensidade, pode fazer uma carreira muito interessante no nosso futebol.

Wang Gang (Beira-Mar)
Idade: 20 anos
Peso: 78kg
Altura: 187cm
Nacionalidade: Chinês


A locomotiva de Chaves, assim era conhecido o Chinês que ajudou a subir os nortenhos e brilha agora em Aveiro, ao serviço do Beira-Mar. Leonardo Jardim sempre o entendeu como uma arma secreta. É um jogador de espaços laterais, mas também joga pelo corredor central. É muito veloz e dinâmico, tem uma intensidade de jogo fora do normal. Embalado é dificil de parar. Está a fazer uma boa época, leva 3 golos, sendo que apenas por uma vez foi titular. Com tempo e oportunidade, faz-se jogador no nosso campeonato.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Opinião: Talento vs. Objectividade


Hoje, na faculdade, um professor meu disse: "O futebol não é de quem brilha, é de quem ganha". Foi o tópico ideal para escrever sobre esta temática que tantas vezes se confunde e discute no Mundo do Futebol mas que faz toda a diferença.

Têm ficado pelo caminho, ao longo dos anos, muitos jogadores virtuosos, com excelentes capacidades no um para um, mas que não conseguem dar a dimensão seguinte ao seu futebol, fruto de baixos índices de objectividade e produtividade em prol do colectivo. Hoje em dia diz-se que não há espaço no jogo, e realmente isso acontece. As equipas, os treinadores, os jogadores, compreendem hoje muito melhor o jogo, existe uma preparação e uma metodologia cada vez mais preparada para se dar um equilíbrio no espaço de jogo, que tem de ser "desmontado" pelos tais virtuosos, talentosos jogadores capazes de aparecer entre linhas, fazer um drible e ficar na cara do guarda-redes, fazer um passe a isolar um companheiro... os que resolvem jogos.

Mas, existe também os que fazem tudo isso, só que pela irregularidade com que o fazem e a pouca cultura de jogo e pouca dimensão que acrescentam ao seu futebol ao nível das decisões que tomam, acabam por nunca atingir o ponto qualitativo que se esperaria deles. E é sobre alguns desses casos que vou falar a seguir.

Di María (SL Benfica) - O argentino que todos bem conhecem, constitui hoje na minha opinião um dos casos mais flagrantes de contraste existente entre o talento e a objectividade de um jogador de futebol. É um jogador muito veloz, com uma capacidade de aceleração como se vê pouco nos dias de hoje.

Bom no drible e na capacidade de penetração, é um jogador que aos 21 anos pouco ou nada evoluiu sob o ponto de vista táctico e de cultura do jogo para poder dar o salto que o seu talento exigia. Na maioria das vezes decide mal, tem dificuldade em perceber os ritmos de um encontro, é pouco voluntarioso defensivamente e revela um íncide baixíssimo de qualidade no remate.

Di María tem no Benfica 100 jogos oficiais e... 6 golos apontados. Saíram da Luz sem convencer, sem deixar saudades à maioria dos adeptos, mas os números falam por eles (em idênticas situações competitivas e posicionais com o argentino, e em comparação com este): José António Reyes - 35 jogos, 6 golos -, Laurent Robert - 15 jogos, 3 golos - e Freddy Adu - 19 jogos, 5 golos.

Não é a principal função de um extremo fazer golos, correcto. Mas nem aí Di Maria impressiona. O número de assistências que realiza para os seus colegas só este ano são relevantes no Benfica, mas as más decisões do argentino com bola, os lances que não ganha aos seus adversários, ou que não lhes dá objectividade no jogo, são inúmeros. Para juntar, esta época, os casos de pura e simples "burrice" em campo, quando chuta a bola contra o banco do Braga e gera toda uma confusão que prejudicou o Benfica no jogo e nos seguintes, e agora em Olhão, que prejudicou essencialmente o Benfica nesse jogo, e não vou dizer para os seguintes... porque não originou a expulsão de mais nenhum colega.

Celsinho (Sporting CP) - O que é feito dele? Chegou ao Sporting rotulado de craque. No Brasil os vídeos de inúmeros lances de magia no drible, facilidade de remate e qualidade na criação de espaços de finalização, faziam dele uma das grandes promessas do futebol brasileiro - foi inúmeras vezes comparado a Ronaldinho Gaucho. Nos dois anos que esteve na Rússia, no Lokomotiv, fez apenas 6 jogos. No Sporting 7... todos em competições de menor importância e onde sempre destacou o seu desfazamento da realidade do futebol actual. Pouca intensidade, muito jogador de espaços curtos e dribles rápidos, mas sem o passo seguinte... a dimensão de ocupação de espaços com bola, de objectividade nos seus movimentos e lances... ainda é jovem, tal como o exemplo de Di Maria... mas há coisas que não se aprendam, e a objectividade no futebol é uma delas.

D'Alessandro (Internacional) - Chegou a ser comparado, como tantos outros, a Diego Armando Maradona. Estreou-se em 2001, com 19 anos, na Selecção "A" Argentina. Rendeu muito aos cofres do River, na sua transferência para o actual campeão da Alemanha, Wolfsburg, devido à sua qualidade com bola, os espaços que criava no jogo, a capacidade de drible e penetração em progressão... um pé esquerdo que fazia maravilhas. Na Alemanha apareceu pouco, apenas a espaços e com rasgos aqui e ali mas sem a regularidade exigida, foi emprestado ao Portsmouth (o maior entreposto de jogadores da última década) onde fez meia época, passando dois anos no Saragoça de Espanha, onde nunca convenceu e ficou ligado à descida de divisão do clube (tal como Pablo Aimar).

Regressou à Argentina e hoje joga no Internacional do Brasil. A pouca dinâmica e intensidade que dá ao seu futebol, a também débil condição física (poder de choque e resistência) e as dificuldades que demonstrou sempre em traduzir para a equipa os seus argumentos técnicos, foram as principais razões que o fizeram passar ao lado de uma grande carreira. Ainda é jovem, mas já não vai a tempo de atingir o ponto qualitativo que obtiveram alguns dos seus companheiros na então campeã do mundo de sub-20 argentina, onde foi considerado um dos melhores da competição. Falo de Javier Saviola, Coloccini ou Maxi Rodriguez.

Leandro Romagnoli (San Lorenzo) - Outro dos colegas de D' Alessandro na selecção sub-20 argentina que brilhou em 2001. Chegou ao Sporting com muitas 'ganas', as mesmas que os adeptos tinham de o ver jogar. Dotado de inegáveis qualidades técnicas, nunca mostrou em Alvalade a objectividade que se exigia a um jogador da sua posição. Com o talento de poder decidir uma partida, Paulo Bento nunca foi grande apreciador das qualidades do argentino. A falta de ritmo que evidenciava, a pouca objectividade que metia no seu jogo, onde raramente encontrava espaços para penetrar e finalizar, a dificuldade que apresentava em decidir o rumo da organização ofensiva da equipa, tudo foram factores que o levaram a fazer passar quase como um despercebido pela história do clube. E qualidade ele tinha...


Álvaro Recoba (Panionios) - Recoba foi apresentado ao Mundo do futebol como um dos melhores pé esquerdos que a bola conheceu. Dotado de inegáveis capacidades técnicas, revelou, contudo, um cariz de jogo completamente oposto ao rumo que o seu talento apontava. Era um jogador pouco culto tácticamente, que precisava de espaço para brilhar. Quando era alvo de maior marcação ou de algo que o fizesse ter de procurar adoptar um estilo diferente ao seu jogo, nunca foi capaz de concretizar.

Procurava sempre resolver de meia distância com o seu forte pontapé, apresentava algumas limitações ao nível da objectividade que se pretendia, pois sempre valorizou dar mais um toque, meter mais um drible no lance, procurar o golo bonito, do que jogar simples e de forma objectiva. Passou ao lado de uma grande carreira, apesar de ter sido dos meus favoritos que vi jogar.

Nem de propósito. O clube grego anunciou esta noite em comunicado a rescisão amigável do contrato que ligava o Panionios a Álvaro Recoba, pelo que este poderá ter sido o fim da carreira do uruguaio de 33 anos.

E é com ele que termino o grosso do meu post.



Todos os jogadores que foquei são amplamente conhecidos pelos nossos adeptos, e todos têm em comum o facto de terem nascido na América do Sul. Coincidência. O produto sul americano é mais fantasista, foca-se mais o talento individual do que a cultura táctica e sentido de objectividade (que muitos mostraram ao longo da sua carreira pela aprendizagem europeia, como Messi, Ronaldo, Rivaldo, Romário, Ronaldinho, Verón, Crespo entre outros).

Daí ser mais comum aparecerem sul americanos com ritmos diferentes (que os seus futebóis têm), espaços de acção diferentes, intensidades diferentes, sentidos de objectividade também diferentes. Hoje em dia, um jogador menos talentoso e com menor índice de criatividade, tem, sempre, vantagem sobre o outro, caso apresente maiores capacidades de leitura de jogo, cultura táctica e objectividade.

"O futebol não é dos que brilham, é dos que ganham".