O guarda-redes do Grémio Vitor que falei aqui foi o vencedor do prémio para o melhor guarda-redes do Brasileirão do ano de 2009. A competição agora finda elegeu ainda Diego Souza do Palmeiras - ex-Benfica - como o melhor jogador da prova, Adriano e Tardelli como os melhores marcadores e Dário Conca (do Flu) o ídolo da torcida.
O prémio de melhor "goleiro" gerou muitas reacções, pois apesar de não ser surpresa para mim a vitória do Vítor - que já venceu o ano passado -, o Bruno do Flamengo esperava ganhar. Eis a reacção do 'mengão' ao troféu conquistado pelo seu colega...
O recente sucesso do 'Mengão' no Brasileirão fez a imprensa brasileira e também internacional exaltar os feitos dos canarinhos recém sagrados campeões brasileiros depois de quase duas décadas de interregno. Porém, muitos se esqueceram de destacar o regresso para o próximo ano de um dos históricos do futebol brasileiro: O Vasco da Gama.
O histórico clube onde se formou Romário, que já venceu por quatro vezes o escalão maior do futebol brasileiro e o Estadual do Rio de Janeiro por vinte e duas vezes, está de regresso e com o elenco que tem ao seu dispôr promete fazer um campeonato muito promissor.
O Vasco foi claramente superior a todos os outros na Série B 2009, onde se destacaram alguns jogadores de que já falei neste espaço e que na próxima época irão exponenciar, certamente, todo o seu futebol a uma maior dimensão. Um deles parece estar já mesmo de saída e logo para o... Benfica. Alan Kardec, segundo a imprensa, é reforço confirmado.
Nomes para o Brasileirão 2010 e Estadual Carioca:
Élton
Foi, talvez, a figura maior dos cariocas na época agora finda. Marcou 27 golos, arrecadou o prémio de melhor marcador da prova e resolveu muitas partidas para os vascaínos. Aos 24 anos assumiu-se seriamente como uma das próximas figuras do brasileirão. Tem um pé esquerdo mortífero na hora de finalizar. Apesar de possuir capacidade técnica assinalável, não é um jogador muito forte no poder de finta, concentrando-se em espaços centrais, onde procura com rápidos movimentos explosivos o pé esquerdo para visar a baliza.
Tem um porte físico invulgar para tanta agilidade (185cm, 84kg), joga bem de cabeça, muito frio a executar grandes penalidades e com óptimo sentido de posicionamento na altura de aparecer em espaços de finalização. Um Cardozo à brasileira... sem dúvida o melhor avançado da Série B no ano agora findo.
Ramon
Já aqui falei nele e quanto a mim será um dos próximos jogadores brasileiros a ter sucesso na Europa. Lateral Esquerdo de raíz, pode-se considerar ambidestro, é um dos maiores talentos formados recentemente no Brasil. Com 21 anos, é um jogador todo o terreno, com uma invulgar capacidade física de jogar numa intensidade de jogo muito alta durante os 90 minutos. Defende de forma agressiva e disputa todos os lances, ataca bom mestria e revela grande poder técnico para efectuar cruzamentos. Se a Europa ainda não o tiver descoberto, ele vai brilhar no próximo Brasileirão.
Dedé
Chegou agora ao Vasco e tem um porte físico que impressiona. 1,92cm e 88kg de força, agressividade, capacidade de desarme. Joga bem de cabeça e tem apenas 20 anos. Vai aparecer aos poucos...
Souza
Foi um dos mais utilizados nos sub-20 do Brasil no último Mundial. Jogador de amplos recursos técnicos, é também um destruidor de jogo com grande leitura táctica, sendo quase sempre o primeiro jogador da zona de transição ofensiva da sua equipa. Agressivo q.b., boa qualidade de passe, boa cultura táctica, apenas 19 anos. Vai brilhar!
Alex Teixeira
Também já aqui falei dele e quanto a mim é um dos jogadores da equipa mais próximos do perfil de jogador europeu, pronto a dar o salto. Alex é um jogador explosivo, com fino recorte técnico e capacidade de drible, mas que sabe usar o corpo e a capacidade de aceleração para criar desequilibrios. Não joga a um ritmo de brasileiro, sabe gerir bem o esforço e aparece muitas vezes em boas situações para finalizar. Vai ser o seu ano de afirmação absoluta!
Carlos Alberto
Sobejamente conhecido na Europa, o antigo jogador do FC Porto foi um dos grandes destaques da última Série B, onde apontou 9 golos. Aos 25 anos fez o processo inverso num rumo de carreira que aparentava estar em claro crescendo, sobretudo depois de se ter sagrado campeão europeu ao serviço do Porto. A ida para a Alemanha não correu bem e voltou de imediato ao Brasil. Jogador rápido e com grande qualidade técnica, joga bem sobre as faixas mas é como 10 que melhor explana o seu futebol. Ainda vai a tempo de inverter o rumo... muito talento!
Alan Kardec
Nunca se assumiu na equipa do Vasco como titular mas, graças ao grande Mundial sub-20 que fez, onde se destacou como a principal figura da equipa canarinha, a sua reputação aumentou - e de que maneira. Meia Europa falou nele, e parece que o Benfica ganhou a concorrência. Do que vi dele pareceu-me um jogador de área, mas capaz de procurar outros espaços. É um falso lento, finaliza bem com os dois pés, mas é de cabeça que mais se destaca. Frio e eficaz na hora de procurar o golo.
Philippe Coutinho
Esse mesmo. Para quem não o conhece, tem 16 anos. Vi-o com 14, numa altura que os responsáveis pela formação do Benfica assinaram um protocolo com o Vasco e sonharam com ele. Joga na posição 10, tem uma invulgar maturidade e qualidade de gerir os ritmos de jogo da sua equipa. Ao nível dos predestinados. Grande capacidade de drible em progressão e facilidade de penetrar em zonas de golo. É no entanto a assumir a batuta da organização do processo ofensivo da equipa que mais se destaca. Pelo que se fala, já terá assinado com o Inter de Milão mas apenas irá para a capital italiana aos 18 anos. Para o ano, aos poucos, poderá ser integrado nos profissionais e brilhar.
Ao fim de 113 anos de história, o modesto clube da província de Buenos Aires, sagrou-se pela primeira vez campeão da Argentina, apesar da derrota por duas bolas a zero no terreno do Boca Juniores. Há quem ainda não acredite, mas a verdade é que o Banfield fruto de um projecto sólido e de aposta em jogadores experientes, conseguiu o impensável. No estádio do Boca, e por respeito ao adversário, os jogadores do Banfield recusaram-se a dar a habitual volta ao relvado festiva.
Principais peças do Banfield
Santiago Silva
Aos 29 anos, e no seu segundo ano de Banfield, sagrou-se pela primeira vez campeão argentino. O uruguaio que passou pelo Beira-Mar em 2004/05 foi o melhor marcador da competição com 14 golos, o que lhe conferiu uma média de um golo por partida. Jogador de área, muito forte fisicamente e que disputa cada lance como se fosse o último. Trabalha muito bem para os seus companheiros mas foi na arte do golo que se destacou. Revelou um excelente sentido de oportunidade, remate seco e fácil com ambos os pés e, sobretudo, uma grande qualidade no jogo aéreo. O melhor jogador da prova, em termos de rendimento/eficiência/objectividade.
Christian Luchetti
Talvez pelo seu temperamento algo imprevisível tenha passado ao lado de uma grande carreira. O Chilavert argentino como é conhecido, passou toda a sua carreira no Banfield - onde apenas se aventurou dois anos no México - e aos 31 anos sagrou-se campeão da argentina, também pela primeira vez. É um guarda-redes com grandes recursos técnicos, daí ser habitual vê-lo a marcar grandes penalidades. Baixo para o lugar, mas muito ágil e com óptimos reflexos, foi uma das peças essenciais do Banfield.
Sebastian Méndez
Outro jogador da velha guarda, 32 anos, passagem por Espanha - 5 épocas no Celta de Vigo - destacou-se pela voz de liderança na defensiva, muita cultura de posicionamento e garra dentro da quadra. Deu a segurança defensiva necessária para a equipa conseguir pontos importantes fora de casa.
Walter Erviti
A estrela da companhia. Argentino que passou os últimos seis anos no México, voltou a casa para ser campeão. Formado no forte San Lorenzo da década de 90, tem um pé esquerdo muito talentoso, sendo um jogador que quando necessário pegou no jogo e carregou o Banfield à procura dos seus intentos. Já a caminhar a largos passos para as trinta primaveras, foi uma das peças mais importantes do título.
James Rodríguez
Já aqui falei nele, foi uma das surpresas da prova. 18 anos, o jogador mais novo da equipa, contribuiu decisivamente para os bons resultados do Banfield com excelentes exibições. A marcação cerrada de que Erviti era alvo fez com que ele assumi-se em muitas situações no processo de jogo ofensivo a batuta da sua equipa, tendo terminado a época com três golos e uma mão cheia de assistências para os seus companheiros. Tem um futuro muito risonho e o primeiro título da sua carreira tem certamente um sabor muito especial e aumentará certamente a cotação do seu passe.
Ramon (Vasco da Gama) Idade: 21 anos Peso: 65kg Altura: 173cm Nacionalidade: Brasileiro
Ramon surge nos dias de hoje como uma das maiores figuras do clube vascaíno e um dos grandes responsáveis pela sua subida de divisão e regresso à divisão maior do futebol brasileiro. Indisciplinado tacticamente, Ramon ganhou a alcunha de monstro pela forma como actua em campo. É um autêntico guerreiro, que disputa cada lance como se fosse o último da sua vida, aplicando em cada momento do jogo uma intensidade incrível. Joga como Lateral Esquerdo mas pode fazer também a posição do lado oposto pois joga facilmente com os dois pés. Defensivamente é forte, aguerrido, muito dificil de transpor em velocidade ou em duelos individuais é, contudo, no ataque que marca a diferença. Embalado é imparável, tem uma capacidade física acima da média e tira muito bem cruzamentos para a área. Ainda é algo desconhecido do público mas apreciem as qualidades do rapaz... que jeitaço dava em muitos clubes da Europa rica...
A psicologia no futebol é um dos temas mais falados dos dias actuais. Existem inúmeros clubes onde existem gabinetes de psicologia ou pelo menos uma pessoa formada na área costuma acompanhar as suas equipas e os seus jovens atletas. Não só existe uma preocupação cada vez maior com os jogadores que em situações de pressão falham, como também as escolhas erradas que muitos fazem e deitam as suas carreiras ao lixo, ou por vezes não atingem a dimensão que o seu talento é capaz.
Existem no futebol português inúmeros exemplos de jogadores que pelo seu talento e qualidade poderiam ter atingido carreiras de topo no futebol europeu e acabaram nas ruas da amargura, sem troféus, sem fama, sem dinheiro, sem glória e em muitos casos, sem clube.
Falaremos de Dani. A história do ex-jogador de Sporting e Benfica é sobejamente conhecida mas nunca é de mais relembrá-la para os hoje aspirantes a jogadores profissionais. Craque dos escalões jovens do Sporting, tinha tudo o que os outros jovens ambicionavam. Os pais viviam bem, ele para a idade já recebia bastante bem, era assediado pelas miúdas, enfim... aparentava ter tudo o que os mais novos procuram. Dani era figura dentro e fora de campo mas foi com a camisola de Portugal que se começou a destacar num Mundial de Juniores no Qatar onde foi eleito o segundo melhor jogador do torneio e tendo-se sagrado também o segundo melhor marcador.
Estreou-se ainda como Junior no plantel principal do Sporting e a fama que tinha fazia-o ser um dos jogadores com maior estatuto no balneário. Passagens de modelos e noitadas eram colocadas ao mesmo nível da sua carreira de futebolista e o seu pouco empenho nos treinos e falta de espírito de sacrifício fizeram com que o Sporting o emprestasse ao West Ham. Lá voltou a revelar os mesmos problemas, apareceu algumas vezes de directas nos treinos e regressou ao Sporting. Os responsáveis do clube desacreditaram o jogador e venderam-no ao Ajax.
Um clube com grande tradição na aposta de jovens jogadores recebeu o prodígio português e foi lá que Dani atingiu o melhor período da sua carreira, tendo feito 10 jogos por Portugal e atingido boas performances no clube de Amesterdão. A fama que trazia de Alvalade, era sempre apontada como factor decisivo para as exibições mais apagadas que o jogador continuava a fazer. A falta de hábitos e rotinas de treino num futebol de alto nível ditava uma irregularidade constante exibicional o que fez o Ajax voltar a desistir do jogador. Vendeu-o ao Benfica, onde pouco ou nada fez, jogando de águia ao peito apenas alguns meses, saindo para o Atlético de Madrid onde terminou carreira aos 17 anos.
Tinha futebol para ser dos melhores de sempre a jogar em Portugal, talento e qualidade para marcar uma era. Não o fez porque não quis. Porque ninguém conseguiu alertá-lo para o que estava a perder.
Não é caso único. Hoje, em Portugal, Sidnei do Benfica continua no banco de suplentes de uma defesa muito forte, é certo, mas potencial tem, que sobre, para poder ser dos melhores do mundo. O seu antigo treinador no Internacional disse mesmo: "Se Sidnei for melhor profissional pode ser o melhor do Mundo como defesa central".
É agressivo, tem qualidade técnica, forte fisicamente, é um falso lento, muito forte na antecipação dos lances, tem muita classe para a posição que ocupa. Reza a lenda que o ano passado chegou a um treino embriagado e saiu da equipa de Quique Flores por esse facto. A verdade é que Sidnei tarda em impor-se no lugar que poderia ser seu (o de titular indiscutível) e ainda na recente chamada ao onze, depois de alguns meses de inactividade competitiva, lesionou-se.
Fábio Paim é apenas mais um dos casos. Disseram os responsáveis do Sporting que com a idade de Juvenil, Paim era melhor jogador do que Cristiano Ronaldo. Ronaldo ia treinar às escondidas para o ginásio, treinava sempre a mil, empenhava-se em ser o melhor em todos os aspectos, tinha uma vontade imensa de ultrapassar todos os obstáculos. Paim dormiu à sombra do aparente sucesso - sublinho aparente - e foi arrastando o estatuto. Nos últimos três anos jogou em 5 (!) clubes, tendo passado inclusivamente por um período experimental na Rússia onde não convenceu. Hoje joga na II Divisão B, no Real Massamá, emprestado (pela 5ª vez), pelo Sporting.
Um jogador de futebol para atingir o nível da profissionalização, nem sempre precisa de ter um dom. Pode atingi-o pelo trabalho, pelo esforço, pelo sacríficio, pela sorte... Um jogador para ser de grande qualidade tem naturalmente de ter um dom. Mas o dom com trabalho, com esforço, com sacríficio, com vontade de ultrapassar barreiras, com empenho... transforma os bons, nos grandes jogadores.
Os ídolos apareceram porque trabalharam muito, esforçaram-se muito, e batalharam muito para conquistarem o sucesso. Outros com tudo nas mãos - neste caso, nos pés -, deitaram tudo a perder.
Sou uma pessoa que ao ver futebol, raramente consigo colocar um jogador à frente do clube. Não há ninguém maior do que uma instituição, não há ninguém mais importante ou mais valoroso do que um grande clube de futebol. Neste caso, não houve, nunca, nenhum jogador mais importante do que o Sport Lisboa e Benfica e confesso que me faz alguma confusão algumas mentalidades actuais, de idolatrar e venerar jogadores de futebol, quando a real paixão devia ser do clube.
Há casos, muito poucos, em que as duas coisas não podem ser dissociadas. Como foi Eusébio no Benfica, como foi Jorge Costa no Porto, como foram os 5 violinos no Sporting. Isto tudo para dizer que há os jogadores que elevam o nome do clube, e há aqueles que envolvem-se tanto na mística e na história de um clube que mesmo não vencendo com as suas cores, têm definitivamente de entrar na sua história. E o jogador de que vou falar, sem dúvida que entrou na do Benfica.
Lembro-me do dia que se confirmou a vinda de Miccoli para o Benfica. Fiquei satisfeito, o Benfica precisava e tinha muito a ganhar com um jogador das suas qualidades. Era Verão e fui ao Jamor um ou dois dias depois ver o primeiro treino do italiano ao serviço do Benfica. Recordo-me como se fosse hoje dos comentários vindo de alguns espectadores: "Epá, mas fomos contratar um Infantil?!"; "Este é que vai marcar golos??"; "O homem está gordo, precisa de trabalhar muito!".
Eu ria-me. Ria-me porque conhecia bem o ragazzo, mas acima de tudo ria-me da impaciência e inutilidade da perspectiva de algumas pessoas que olham à primeira vez e acham que tiram logo todas as conclusões e mais algumas. O treino continuou (só se tinha efectuado corrida à volta do campo) e depois de alguns exercícios com bola o apronto chegou à desejada peladinha.
Miccoli mexia bem na bola, procurava bem os espaços, mostrava velocidade, e recebia os primeiros aplausos. Mas nunca me vou esquecer de um momento, que estava para vir. Bola na direita no Beto, cruzamento com o Nuno Gomes a tocar para o Miccoli que rematou à meia volta à barra. A bola subiu... o italiano virou-se... e aplicou uma fantástica bicicleta com a bola a entrar mesmo ao ângulo da baliza defendida pelo Quim. O treino acabou, e o mesmo Jamor, os mesmos adeptos, acabaram o apronto de pé a aplaudir esse gesto técnico.
Fabrizio começou logo a conhecer o que era o Benfica e a interagir com o público, agradecendo o apoio e no fundo, mesmo sem saber, a dar uma chapada sem mão aos primeiros críticos que por ventura nunca sonhou que tenham existido.
Miccoli estreou-se com a camisola do Benfica num jogo para a Liga dos Campeões contra o Lille. Fez um jogo fantástico, dos melhores em termos individuais que me lembro de ter visto um jogador fazer na Luz. Esteve em todo o campo, e coroou a sua exibição com um golo de cabeça a terminar o jogo a dar a vitória ao Benfica. O estádio acabou o jogo de pé a gritar por si!
Essa primeira época ficou bastante fustigada com lesões, pelo que o pequeno bombardeiro fez apenas 17 jogos no campeonato, marcando 4 golos. A empatia que criou com os adeptos e a qualidade de jogo demonstrada nos minutos que teve fez do tribunal da Luz um estranho ritual de apoio a um jogador que nada tinha ainda provado de águia ao peito mas que entrou definitivamente nas graças dos adeptos.
No ano seguinte o Benfica voltou a requerer o seu empréstimo e Miccoli numa segunda parte da época longe dos problemas físicos fez 10 golos em 22 jogos e conquistou definitivamente todos os adeptos. As manifestações de apoio eram constantes, o italiano era um dos preferidos da exigente massa adepta «encarnada» e foi com muita tristeza de todos, incluíndo do próprio que só lhe faltou pedir "comprem-me", que o italiano não continuou no Benfica. Palermo foi o seu destino, e por lá continua a brilhar. 10 vezes internacional pela sua Itália, fez 2 golos, um contra Portugal... de canto directo.
Alimento o sonho de ainda o voltar a ver vestido de vermelho e branco. A idade já não é a mesma de outrora, o valor do passe e ordenado também não... mas Miccoli é especial, sempre o demonstrou. Um dia... quem sabe. Resta con Noi Piccolo!
Mais alguns nomes, amantes da arte dos golos, todos muito fortes fisicamente mas capazes de dizimar qualquer defensiva com o seu poderio na hora de finalizar.
A girafa da próxima era
Romelo Lukaku (Anderlecht) Idade: 16 anos Peso: 95kg Altura: 192cm Nacionalidade: Belga
O nome não é desconhecido para alguns, mas a verdade é que Lukaku vem surpreendendo tudo e todos com as suas proezas. Aos 16 anos estreou-se no plantel principal do Anderlecht, onde ainda jogou na equipa de Juniores, depois de se transferir do Lierse, onde fez grande parte da sua formação. Lukaku tem origens congolesas, mas foi a Bélgica que o viu crescer. Considerado um fenómeno, é um portento físico que alia à grande capacidade morfológica uma excelente velocidade e apurada técnica individual. Esquerdino, é um ponta-de-lança de área, não se limitando aos espaços centrais, procurando muitas vezes bola nos corredores laterais para desequilibrar no um para um. Pode jogar sozinho na frente, mas é com companhia que melhor se sente. Aos 16 anos e no seu primeiro ano como Sénior, é o terceiro melhor marcador da 1ª liga Belga, onde já apontou 8 golos, tendo realizado 7 jogos a titular e 6 como suplente utilizado.
Outro esquerdino, Giroud assume-se nesta altura como o melhor marcador da 2ª divisão francesa. Típico jogador de área e de último toque, revela uma imensa facilidade e espontaneidade no remate, o que faz dele a principal figura da sua equipa e, pela sua idade, uma das grandes atracções do próximo mercado de Janeiro no campeonato francês. Tem 13 golos em 17 jogos, foi formado no Grenoble, e em breve dará o salto.
Lekic, no seu primeiro ano fora do seu clube de sempre, o FC Zuman, estará prestes a assumir-se como uma das grandes figuras do seu novo clube, o Red Star de Belgrado, que viu nascer outrora grandes finalizadores no clube rival Partizan, os reis da área, como foram os casos de Mijatovic ou Kezman. Lekic quer quebrar a tradição e para já é um dos principais responsáveis pela grande campanha do Estrela Vermelha na 1ª divisão sérvia. Deu nas vistas no Zuman, dotado de uma apreciável técnica individual para a envergadura física, é rápido, procura os corredores, aparece muito bem em zonas de finalização e denota uma surpreendente excelente capacidade de finta para criar desequilibrios. A Europa está atenta...
São os primeiros passos de uma carreira que se prevê risonha. Os jogadores de quem falarei neste texto são muito jovens, mas já a dar os primeiros momentos de grande alegria aos adeptos das principais equipas dos seus países. O futuro será certamente muito promissor.
Desde muito novo profissional
James Rodriguez (Banfield) Idade: 18 anos Peso: 68kg Altura: 180cm Nacionalidade: Colombiano
Começou muito cedo a vida de profissional para este jovem jogador. Aos 16 anos estreou-se na 1ª divisão da Colômbia, ao serviço do Envigado. Os seus talentos foram desde cedo apreciados e consumou uma transferência para a Argentina, para jogar no Banfield. Jogou o primeiro jogo do campeonato, e no jogo seguinte deu mesmo a vitória à sua equipa, com um portentoso remate de fora da área e a selar a vitória do seu conjunto. Na selecção jogou nos sub-17 a Sul Americana com apenas... 15 anos. É um jogador muito versátil, pode ocupar quer os corredores laterais, quer a zona central (nº10 moderno e avançado móvel). Dono de apreciável técnica individual, tem um senhor pé esquerdo que põe a bola onde quer. Não fica muito mais tempo no Banfield.
De Robinho versão 2, a mais um Pelé em potência... pela imprensa
Neymar (Santos) Idade: 17 anos Peso: 61kg Altura: 174cm Nacionalidade: Brasileiro
É sempre um risco falar de jovens promessas, e perspectivar o futuro de jovens que estão na fase decisiva de definição da sua carreira (idades entre os 16 e os 20). Aos 17 anos, e com físico de Juvenil, que o é, Neymar assumiu-se no plantel principal do Santos como uma das maiores promessas do futebol brasileiro da próxima década. Ainda nas categorias de base do clube que lançou Pelé, Robinho, Diego, e outros, estes dois últimos mais recentemente, Neymar sempre se destacou pela sua enorme técnica individual e capacidade de drible. Muito rápido com bola, ainda algo 'molengão' sem ela, mas com um virtuosismo e criatividade muito acima da média, Neymar terminou o campeonato brasileiro com 10 golos em cerca de 1600 minutos de jogo. Pode jogar nas alas, nas costas do avançado ou como vagabundo pela frente de ataque. Selo de craque. Este chega muito longe.
A técnica da força na força da técnica
Alex Teixeira (Vasco da Gama) Idade: 19 anos Peso: 68kg Altura: 173cm Nacionalidade: Brasileiro
Em 2007 esteve perto de se transferir para os Juniores do Benfica, mas o Vasco da Gama soube guardar bem uma das suas jóias da coroa. Vi-o nessa altura e achei-o fantástico. Dois anos depois continua no Vasco, e nos sub-20 da canarinha. Alex Teixeira é um jogador que gosta de actuar nos dois flancos, aliando uma excelente velocidade e grande capacidade de drible, a uma óptima capacidade de explosão e capacidade física, coisa rara nos dias que correm no futebol brasileiro. Usa e abusa dos lances individuais, não tem medo de ir para cima - de onde sai a maioria das vezes vitorioso. Demorou a convencer nos Seniores do Vasco, um clube com uma torcida muito exigente face aos anos de glória serem passado, e o clube enfrentar uma das maiores crises desportivas de sempre. Alex actualmente impôs-se, é absoluto no 'time' e em breve vai render muito dinheiro aos cofres do clube. É só uma previsão...
O sucesso de uma equipa de futebol depende cada vez mais de ter um guarda-redes de qualidade, capaz de no último instante efectuar uma estirada que lhes garanta os três pontos num jogo. Em Portugal o exemplar de grande guarda-redes vai demorando a ressurgir, mas a Europa esconde (ou revela) alguns dos nomes de grande aposta para o futuro.
Sucessor de Saint Michell
Logan Bailly (Borussia M'Gladbach) Idade: 23 anos Peso: 85kg Altura: 190cm Nacionalidade: Belga
Logan Bailly assume-se como uma das principais promessas europeias para a posição de guarda-redes. Carreira toda no Genk da Bélgica, está há duas épocas na Alemanha onde se tem destacado como uma das principais figuras do histórico Gladbach, onde figuram nomes como Juan Arango ou Neuville. Para um ainda miúdo - ainda para mais na posição que ocupa - não se perspectivava fácil a adaptação mas tem correspondido... e de que maneira. Fortíssimo entre os postes, tem excelentes reflexos e é muito seguro nas saídas a cruzamentos. Como encaixaria bem no Benfica dos dias de hoje.
Baliza germânica com nº1 à vista para a próxima década
A grande escola alemã de guarda-redes continua a formar talentos puros de enorme qualidade. Depois de Kahn e Lesmann, o futuro está totalmente assegurado por uma série de nomes que trás à baliza germânica muita segurança e capacidade. Rene Adler é um dos grandes responsáveis pela óptima campanha do Leverkusen na Bundesliga (onde é primeiro classificado) e o seu futuro na selecção germânica anteve-se brilhante. Alto, como se exige, muito forte em todos os capítulos de guarda-redes, oferece enorme segurança à sua defesa e é capaz de defender o "impossível". Não é que seja um desconhecido, mas vai ser, certamente, um dos próximos guarda-redes de uma das equipas de top da Europa.
Brasil com nome forte para as balizas
Victor (Grémio) Idade: 26 anos Peso: 84kg Altura: 193cm Nacionalidade: Brasileiro
Os últimos dois anos foram os do lançamento deste nome que a breve trecho, e já se falou em alguns grandes europeus, estará certamente noutra equipa de maiores aspirações. Victor é brasileiro, joga no Grémio, e é um dos mais cobiçados guarda-redes do brasileirão. Não é um portento técnico, parece pouco ortodoxo, na maioria das vezes, mas a verdade é que defende muito... quase tudo. Seja com os pés, com as mãos, Victor exibe-se sempre com uma excelente elasticidade e sentido de concentracção. Se em Portugal os três grandes não têm guarda-redes nº1 definido... encontrariam aqui a melhor solução.
O cada vez mais falado talento do futebol de rua é outra das espécies em vias de extinção. O futebol metódico e rígido tacticamente vai imperando, mas há sempre lugar, e tornou-se essencial, nas equipas, ter um jogador criativo, capaz de romper com as linhas defensivas do adversário, dotado de técnica e poder de finta individual para num rasgo de genialidade decidir uma partida. É desses jogadores que irei falar neste post.
Mais um dos muitos sucessores de Maradona? Ou um Kempes, Ortega, ou Aimar?
Diego Buonanotte (River Plate) Idade: 21 anos Peso: 56kg Altura: 160cm Nacionalidade: Argentino
Buonanotte já não é propriamente um desconhecido, pois os jornais em Portugal falam com frequência do interesse do Benfica nos seus serviços. Eu vi a sua estreia com a camisola do River e o golo que marcou não me saiu mais da cabeça. Poderia estar ali um craque e realmente veio-se a confirmar. Buonanotte está a demorar a dar o salto (vai no seu 4º ano no River como profissional) mas as qualidades não se podem questionar. Dotado de uma extraodinária capacidade técnica, joga na esquerda, ao meio, ou à direita com a mesma eficiência. Muito forte no um para um e no drible curto, bom executante de bolas paradas, muito rápido (ou não fosse pequenino e magrinho) e bom finalizador. A sua compleição física, digna de um Iniciado de 13 ou 14 anos, tem feito com que, na minha opinião, os grandes clubes europeus olhem ainda para ele com alguma desconfiança... mas o futuro vai-me dar razão. Buonanotte é um dos craques em ascenção do futebol sul americano.
Talento puro num virtuosismo nato
Juan Pablo Pino (Mónaco) Idade: 22 anos Peso: 66kg Altura: 176cm Nacionalidade: Colombiano
Quem acompanhou as opiniões que costumava dar no site Serbenfiquista certamente está a par do 'amor antigo' que tenho por este jogador. Por razões familiares via alguns jogos do campeonato colombiano através de DVD's e quando ele estava no Medellin teci algumas considerações sobre o seu valor. Ao início desacreditaram a situação... mas ao ver Pino jogar concordaram que estava ali um talento que trabalhado poderia dar jogador a sério. Juan Pablo Pino transferiu-se depois para o Mónaco onde tem tido algumas dificuldades em se impor. Joga sobre uma das duas alas, é um jogador de uma grande qualidade técnica e poder de finta, muito rápido com bola, excelente nos desequilibrios individuais. Um pouco menos à moda antiga, usa imenso as diagonais para jogar em espaço interior. Muito talento.
O exemplar máximo do futebol de rua
Ibrahim Yattara (Trabzonspor) Idade: 29 anos Peso: 67kg Altura: 175cm Nacionalidade: Guiné-Conacri
Conheci este jogador ao ver alguns jogos da Guiné Conacri na Taça das Nações Africanas para ver um jogador que sempre admirei e que anda perdido pelas arábias... Feiundono ex-St.Etiénne. Yattara é um jogador que aos 29 anos nunca jogou num clube da média-alta Europa nem nunca andou nas bocas do Mundo. Fez uma carreira sem os holofotes da fama virados para ele mas de qualidade, embora bem menor do que a poderia ter atingido. Ainda vai a tempo de terminar em beleza... Tem um poder de finta fantástico. Joga como Extremo Direito. Desequilibrador nato, recria-se imenso com a bola, usa e abusa do seu vasto leque de argumentos técnicos para corar de vergonha os seus adversários. Os críticos apontam-lhe pouca cultura táctica e pouco sentido de objectividade no seu futebol. Talvez... mas a genialidade que tem é fantástica. Driblador puro, muito veloz, um autêntico quebra-cabeças... ainda vai a tempo!
"Não jogo porra nenhuma, mas eu sei fazer gol!", Mário Jardel
Impossível não gostar ou admirar o estilo único do brasileiro. À sua maneira, e dos que vi jogar, foi um dos melhores avançados que passou pelo futebol europeu. Não era brilhante como foram outros em termos técnicos, não fez uma carreira internacional de grande sucesso, não foi estrela de anúncios televisivos nem cartaz de estilistas ou marcas de roupa... mas facturava, e de que maneira!
Estabeleci sempre com Jardel uma "relação" de amor-ódio, pois sempre esteve do outro lado da barricada mas nunca deixei de admirar e desejar algo parecido no meu Benfica. O grande artilheiro da última década a jogar em Portugal tinha um estilo único, dentro e fora dos relvados, daí atribuir-lhe também o estatuto de Lenda. As super estrelas são isso. Brilhantes em campo, irreverentes e problemáticos fora dele. Jardel não fugia à regra e, infelizmente para si e para os amantes do seu futebol, desviou-se cedo de mais do caminho certo.
Formado no Vasco da Gama, foi no Grémio que despontou. O seu estilo de matador e eficácia com que actuava fizeram dele uma das grandes apostas de um Porto em ascenção e liderança do panorama nacional, que os seus inúmeros golos ajudaram a cimentar. Jardel fazia golos para todos os gostos. Vi-o fazer chapéus de cabeça, vi-o fazer chapéus com o pé esquerdo e o pé direito, vi-o fuzilar guarda-redes, vi-o marcar golaços de fora da área, vi-o matar no peito e atirar sem hipótese vezes sem conta, vi-o apenas encostar ainda mais, vi-o fazer gestos técnicos de cabeça espectaculares, coroados em golo, vi-o ter pormenores técnicos fanásticos. Enfim, vi Super Mário Jardel.
Guardo atravessado na garganta o momento que Manuel Vilarinho, então recém eleito presidente do Benfica, anuncia e mostra um cheque onde iria contratar este portento brasileiro, a jogar então na Turquia (onde ganhou uma Supertaça Europeia ao Real Madrid) no Galatasaray, onde jogavam então Hasan Sas, George Hagi, Taffarel, Popescu, Bezologlu Emre, Okan, entre outros.
Jardel era a estrela da companhia não pelo facto de ser mais famoso que os outros, porque não era, não pelo facto de vender mais camisolas que os outros, porque não vendia, não pelo facto de receber mais dinheiro que os outros, porque não recebia, não pelo facto de ser mais mediático do que os outros porque não o era, e muito menos por ter tido uma carreira internacional de maior sucesso... porque também não a teve.
Super Mário tinha apenas um dom... marcar golos. E esse talento natural, fazia-o decidir jogos e dar conquistas aos clubes por onde passou. Há cada vez menos no plantela alguém como ele, questiono mesmo se voltará a haver no futebol Mundial um jogador com a sua qualidade na hora de decidir um lance, de matar um desafio.
No seu primeiro ano de Sénior, Jardel teve como treinador... Luis Felipe Scolari, tendo jogado ao lado de Paulo Nunes (ex-jogador do Benfica). Foi no Grémio, e a equipa jogava para ele (como aconteceu sempre ao longo da sua carreira). Ganhou nesse ano a Copa América onde fez 12 golos. Foi, no entanto, no Porto, que consolidou e aumentou o seu estatuto, no ano seguinte. Jogou 4 épocas no FC Porto, foi campeão nacional três vezes, ganhou duas Taças de Portugal e uma Supertaça. Ganhou nesses quatro anos, por quatro vezes, o prémio de melhor marcadador da Liga, num total de 136 golos em 125 jogos. Absolutamente fantástico! Marcou ainda 14 golos na Europa ao serviço dos «dragões» em 24 partidas.
Ganhou uma bota de ouro nesses quatro anos (36 golos numa época), tendo ficado em 2º lugar dessa distinção em 1997. Ficou no 3º lugar do pódio 3 anos depois. O dinheiro que o Galatasaray quis investir nele deixou o Porto sem argumentos e os euros acenaram mais alto para o brasileiro que se transferiu para a Turquia. Na estreia fez... 5 golos. Marcou 24 golos em 22 jogos na Liga Turca. Foi vice-campeão e ganhou uma Supertaça ao Real Madrid, tendo sido decisivo marcando os dois golos dos turcos. Ganhou ainda uma Taça Uefa (no ano anterior).
Problemas pessoais que se começaram a evidenciar fizeram-no sair precocemente da Turquia e o Sporting era o seu novo destino. Jardel na sua primeira época acabou com o jejum de 18 anos do clube de Alvalade e fez a tripla: Ganhou o Campeonato, a Taça e a Supertaça. Fez 42 golos em 30 jogos. Voltou a vencer a bota de ouro. O sucesso que atingiu nem sempre foi positivo para ele, como hoje diz sem receios. Fizeram-se ecos de uma transferência para um grande clube europeu, que não se chegou a concretizar. Jardel acumulou problemas pessoais e disciplinares no clube, desleixou-se, perdeu peso, parecia acomodado e perturbado por não ter dado o salto... nessa época entrou a espaços, foi um jogador de fogachos, sendo suplantado por Fary então no Beira-Mar, na luta pelo prémio de melhor marcador.
Saiu, sem surpresa, no final do ano para Inglaterra, onde teve uma passagem fugaz pelo Bolton. Jogou apenas 7 jogos. Foi emprestado no ano seguinte ao Ancona de Itália, onde durou... 4 jogos. A sua condição física nunca convenceu os responsáveis italianos. Chegou a prestar provas (!) no Corinthians, mas foi rejeitado pelo excesso de peso. Foi então emprestado ao Palmeiras, onde nunca chegou sequer a jogar... fugiu do clube e regressou a Inglaterra.
Vendido ao Newell's da Argentina, onde fez apenas três jogos, conseguindo contudo somar o título de campeão do Torneio de Abertura de 2004. Saiu, passado seis meses, para o Alavés da 2ª divisão espanhola, não chegando a jogar pois não se tinha desvinculado do Newell's que pedia muito dinheiro por ele.
Esteve novamente à experiência no Nancy de France, passado poucos meses, mas o dinheiro dos turcos do Ankaraspor e a esperança de Jardel fazer novo brilharete num país que dele só guarda grandes memórias, foi deitada por terra. Jardel atrasou-se nos papéis e na burocracia, deixou andar, e chegou já depois do tempo, impedindo os turcos de o inscrever. Jogou ainda no Góias três jogos, fazendo um golo, antes de regressar a Portugal... e ao Beira-Mar de Augusto Inácio, seu treinador no Sporting.
Fez 3 golos em 11 jogos pelos aveirenses, saindo do clube no final do ano. A sua forma física e problemas pessoais não convenceram novamente. Jardel foi então para o Chipre, onde fez um golo em 4 jogos, tendo ganha uma Taça do Chipre. Foi para a Austrália passado 6 meses, tendo estado apenas 4 meses no Newcastle Jets, jogando 11 jogos, sem qualquer golo.
Voltou ao Brasil, Criciúma, onde fez 6 golos em 26 jogos, saiu para o Ferroviário onde fez 2 golos em 9 jogos, acabando o ano de 2009 no América. Actualmente está desempregado. Assumiu publicamente o consumo de drogas e todos os problemas psicológicos que enfrentou. Jardel como qualquer outro grande jogador, foi um atleta de altos e baixos, com a parte negra da sua vida pessoal a manchar-lhe uma carreira que poderia ter ficado marcada na história como um dos melhores futebolitas do Mundo no seu auge.
Ficam os golos, ficam as memórias, fica o bom do Super Mário Jardel.
Libertadores da América, 1995 Repoca Sul Americana, 1996 Campeonato Gaúcho, 1995-1996 e 1996-1997
Porto:
Campeonato Português, 1996/97, 1997/98 e 1998/99 Taça de Portugal, 1997/98 e 1999/00 Supertaça de Portugal, 1996/97, 1997/98 e 1998/99
Galatasaray:
Taça Uefa, 1999/00 Supertaça Europeia, 2000/01
Sporting:
Campeonato Português, 2001/02 Taça de Portugal, 2001/02 Supertaça de Portugal, 2001/02
Newell's Old Boys:
Campeonato Abertura, 2004/05
Góias:
Campeonato Goiano 2005/06
Anarthosis:
Taça do Chipre, 2006/07
Prémios:
Melhor jogador do campeonato português, 1996/97, 1997/98, 1998/99 e 2001/02 Bola de Ouro do Jornal A'Bola, 1996/97 e 1997/98 Bota de Ouro, 1999 e 2002 Melhor marcador da Libertadores, 1995 Melhor marcador do campeonato português, 1996/97, 1997/98, 1998/99 e 2001/02 Melhor marcador da Taça Uefa, 1999/00
O papel dos 10's à antiga, vai sendo cada vez apagado dos terrenos do futebol actual. As linhas de pressão e o encurtamento dos espaços pelas equipas retirou grande parte do brilhantismo e da qualidade de execução que traziam às equipas os denominados 10's românticos. Rui Costa, Zidane e Riquelme foram os últimos da 'espécie'.
Hoje em dia exige-se cada vez mais um oito e meio, jogadores denominados como Médios Interiores, capazes de carregar a equipa de trás para a frente e definir critérios tanto no passe como na leitura e ritmos do jogo. São raros... mas ainda os há... os 10's... disfarçados de 8.
O título não vem por acaso. Colman é, em jogo, em tudo idêntico ao bem conhecido de todos nós Deco. Actua na equipa turca do Trabzonspor (que tem outro belo jogador de quem falarei em breve), sendo o principal comandante de toda a organização ofensiva dos turcos. Joga na posição 8, e é no critério e qualidade de desequilibrar através de passes de ruptura que faz o seu futebol. Pela qualidade que tem, e potencial que tem, não faltará muito para dar o salto. Esta época é o segundo melhor marcador do campeonato, com 7 golos em 14 jogos. Uma média fantástica para um centro campista.
Artista Venezuelano
Ronald Vargas (Clube Brugge) Idade: 23 anos Peso: 76kg Altura: 174cm Nacionalidade: Venezuelano
Um 10 moderno na verdadeira acepção da palavra. Gosta de pisar os terrenos laterais e desequilibrar no um para um, mas é na qualidade de passe e virtude na finta curta que delineia todo o seu futebol. Joga actualmente na Bélgica, mas pode crescer em breve na Europa. Leva 5 golos na Liga Belga. Assume a batuta do futebol da sua equipa, é o dono da bola nos lances de bola parada, e figura de destaque, ao lado de Juan Arango Vargas do Gladbach, na sua selecção. Rei das assistências da Liga Belga, tem um futuro muito risonho. Assim apostem nas suas qualidades.
17 anos feitos há um mês e pouco. Ananidze promete ser um dos melhores jogadores europeus da próxima década. Figura de proa nas actuais fortes selecções jovens da Geórgia (e Portugal que o diga), Jano estreou-se com 16 anos na equipa principal dos russos do Spartak e na selecção principal do seu país - frente à Itália -, onde brilhou em todos os momentos que vestiu a camisola vermelha. Não é um jogador que goste especialmente de aparecer em zonas de finalização, mas assume-se como um estratega e pensador da organização ofensiva da sua equipa, destacando-se por observar espaços para colocar os seus passes teleguiados onde poucos vêm. Lutador, aguerrido, talentoso e criativo, este jovem da Geórgia promete dar que falar... e de que maneira. No que vi dele, não tenho grandes dúvidas. Tem talento para dar e vender.