Não é surpresa para ninguém as discussões nos bastidores em relação às escolhas de Paulo Bento e aos problemas que tem tido com alguns jogadores. Este texto não pretende apenas esmiuçar o rendimento e as escolhas de alguns jogadores, mas também falar sobre o que (não) joga a selecção de Portugal.
É confrangedor ver jogar esta equipa 90 minutos. Não é exagero. Portugal joga pouco, joga mal, e depende sempre de um lance individual bem definido para superar problemas. Não esperamos que existam grandes rotinas ou um modelo de jogo apelativo do nosso país. Impossível esperá-lo. Basta olhar para a nossa Liga e para as divisões secundárias. Quantos treinadores partilham das mesmas ideias? Quantas equipas têm um modelo de jogo semelhante? Qual é a base formativa da FPF nas suas diversas equipas? Modelos de jogo transversais? Sistemas tácticos semelhantes?
Bem, a resposta é quase sempre o número mais baixo possível. E basta olhar para a selecção sub-21. É uma boa geração de jogadores, é verdade, sobretudo para o rendimento que oferecem em idade ainda prematura. A margem de alguns não é elevada, ressalve-se. Nunca fomos a favor da corrente e sempre encontramos problemas em Ivan Cavaleiro para ser jogador de Benfica (basta pesquisar no blog). Mas justifica-se jogar uma selecção num 4x4x2 quando todas as outras o fazem em 4x3x3?
Que dinâmicas são transversais ou adaptáveis a um e outro sistema? Falando em modelos. E pegando no Paulo Oliveira, dos sub-21 e do Vitória de Guimarães. Como queremos que o modelo do sair a jogar, do passe curto e futebol apoiado transversal às selecções seja interpretado por um jogador que todos os dias encarna um modelo no clube onde o futebol directo é prioridade e passa a sua acção específica a bater bolas longas na figura do avançado (primeiro Amido Baldé e agora Maazou)?
Aqui entraríamos na forma como o jogo é visto em Portugal pelos seus intervenientes e pelos media/adeptos mas deixemos para uma outra oportunidade ou para a caixa de comentários. Vamos para as escolhas de Paulo Bento.
O povo não reclama, e a imprensa pouco fala. Mas um jogador, que é claramente top3 em termos de qualidade do jogador português, não entrar numa lista de 18/20 jogadores de uma selecção é brincar ao futebol e a outros interesses instalados. Sim, falamos de Danny do Zenit. As pessoas não acompanham o futebol russo e por isso desconhecem muitas delas o seu futebol. Mas vamos apresentá-lo, só pelo que fez esta época. 15 jogos, 10 golos. Sim, como extremo.
É um jogador tremendo quando joga entre-linhas. Por vezes peca em querer adornar em demasia mas em tudo o resto é fortíssimo. Tomada de decisão, qualidade em progressão, técnica, drible. É muito mais jogador do que Nani. E falamos em top3 exactamente para falar sobre o extremo do Manchester United.
O que faz actualmente para justificar o estatuto? Poucas são as vezes que vence uma situação de 1x1 ou cruza com qualidade. As decisões continuam a não estar ao nível do exigível e em termos físicos parece algo desgastado e longe da forma que o notabilizou. Quando oiço comentadores dizer que Varela já merecia o lugar de Nani na selecção, não referindo Danny, é indesculpável.
Mas há mais. Manuel Fernandes tem sempre lugar em qualquer selecção. Pelo que joga e faz jogar. Passou ao lado de uma carreira brilhante muito pelo feitio e más decisões que tomou, mas tem qualidade que sobre para jogar em muitos clubes da elite europeia. Estará a regularidade (nível médio/baixo) do Miguel Veloso acima do que poderia acrescentar o Manuel Fernandes ao futebol da equipa? Até como 6?
A questão do avançado. Postiga é o tipo de jogador que faz tudo bem menos marcar. Não vale a pena continuar a encontrar teorias e explicações para o seu insucesso na finalização. A verdade é que Nelson Oliveira está a fazer uma época muito boa e desapareceu das escolhas. Problemas, dizem alguns...
As internacionalizações de Licá e Josué são questionáveis. Razão pela qual perguntamos nunca foi Vítor chamado enquanto brilhava no Paços. É preciso atingir um certo estatuto para integrar as escolhas? É que o rendimento parece continuar a ser deixado de parte.
O nosso melhor 11 da selecção seria, hoje, este: Rui Patrício; Sílvio, Pepe, Bruno Alves e Coentrão; Manuel Fernandes, Moutinho e Meireles; Danny, Vieirinha e Ronaldo.