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domingo, 7 de setembro de 2014

O mito Nani


Chega. O nível dos jogadores portugueses decresce cada vez mais e valoriza-se em demasia certos jogadores pelo que em tempos fizeram ou pela atenção que lhes é despendida pela comunicação social. Os últimos 2 anos de Nani em Manchester e o facto de quase nunca ser utilizado não acontece por acaso.

É pela fraca utilidade actual do jogador face ao que já fez no passado. Nani estagnou como jogador e adoptou vícios que o tornaram pior jogador. Não compreende o jogo, pensa mal e sobretudo executa quase sempre mal. É um jogador demasiado inconsequente, sem critério nas suas acções, pouco regular e que tem uma taxa de sucesso dos seus lances a rondar o horrivelmente.

Nani deixou de ser o jogador que era e é necessário alguém o apontar de forma assertiva. O futebol não é fazer umas fintas e dar uns toques giros na bola. Nani mesmo a nível técnico demonstra limitações grandes sobretudo ao nível do cruzamento, situação que explora muito no seu jogo. Dos imensos que tira, poucos são aproveitados não só por não haver quem os finalize, mas essencialmente porque despejar bolas para a área é diferente de encontrar a melhor situação para permitir finalização a um colega.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Formação e as vitórias das selecções



Portugal voltou a realizar uma grande campanha ao nível das selecções jovens, depois do Mundial de sub-20 onde se sagraram vice-campeões. Desta vez foram os sub-19 na Hungria que apenas foram batidos pela Alemanha na final. Estes são, contudo, resultados que não nos mostram a realidade do que se passa no nosso futebol.

O talento de rua está cada vez em mais risco de desaparecer. Mas a culpa não é só das novas modas e da nova sociedade. A culpa é também dos clubes, dos treinadores, dos dirigentes, dos modelos competitivos, da cultura do próprio país. Em Portugal continua a brincar-se à formação, às vitórias e ao sucesso, quando se devia desenvolver um trabalho sério ao nível da formação de jovens talentos e da preparação das suas competências para o futebol profissional.

São poucos os clubes que abdicam de uma vitória esporádica para potenciar um jogador. O problema não está só na questão de "saltar etapas", ou como defendemos, preparar o jogador no contexto competitivo que lhe permite maiores estímulos e que coloca o jogador perante as dificuldades ideais para uma maior evolução. Está também nos modelos que os treinadores praticam actualmente. Coisas fechadas, sem espaço para o improviso, para a liberdade, para o erro, porque o resultado final continua a ditar processos no nosso futebol.


Portugal hoje jogou com a Alemanha na final de uma prova europeia que se deu ao luxo de não convocar os 5 melhores jogadores da idade (Leon Goretzka, Serge Gnabry, Timo Werner, Max Meyer e Jonathan Tah) por considerarem que estão já em outro patamar. Não se importaram com o resultado final. Quiseram formar, e acabaram a ganhar. Jogadores já noutro patamar, como alguns dos seleccionados, já com bagagem de 1ª e 2ª Liga alemã.

Honra feita ao FC Porto por ter Ivo Rodrigues e Tomás Podstawski todo o ano a competir na 2ª Liga, tal como esporadicamente Rafa e André Silva, ou Riquicho no Sporting. Do outro lado é um iate, onde as máximas exigências são num campeonato nacional de Juniores que prepara muito pouco os jogadores para outros patamares de exigência.

Desengane-se quem pensar que este resultado fará as pessoas mudar a sua forma de dirigir ou de apostar no jovem talento nacional. Vamos analisar os 11's de Portugal e Brasil que disputaram a final do Mundial sub-20 e perceber onde estão os jogadores nos dias de hoje:


Há comparação possível? Tendo em conta que falta, ainda, por exemplo, Phillipe Coutinho, do Liverpool, que acabou por ser substituído neste jogo? Não é só questão de falta de aposta, é questão de em Portugal se preveligiar modelos resultadistas em vez de modelos que permitam a evolução dos atletas.

Chega-se a estes momentos e as selecções até acabam por ter alguns resultados de qualidade mas pelo facto dos seus atletas raramente serem colocados em níveis de exigência que lhe permitam outros níveis de maturação e reais possibilidades de evolução, o seu talento momentâneo a certo momento acaba por se diluir e perder no tempo.


O que teria sido desta geração de 2011 na Colômbia com outro trabalho de base e outra continuidade de aposta neles? Hoje é fácil apontar pouca qualidade a quase todos os seus intervenientes. Pois. Depois do mal estar feito, realmente não há como voltar atrás.

Portugal precisa urgentemente reformular todos os seus modelos e todas as ideias impostas na nossa sociedade, que por vezes são o que define e condiciona qualquer tipo de trabalho que se pretenda fazer a nível de clubes e selecções.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Benfica x Bilbao



Jogo exigente para o Benfica, uma vez mais, acrescentando dificuldade pela proximidade do jogo anterior e os problemas já notados.
- Cansaço evidente na tomada de decisão e nas dinâmicas colectivas. Jogadores quase sempre a demorarem eternidades a pensar e a soltar bola. Pouca capacidade de oferecer opções de progressão em posse na 1ª fase construção sob pressão. O Bilbao é extremamente organizado e sobe muito as linhas mas o Benfica sempre foi das melhores equipas a sair dessas situações. Sem a qualidade individual de outros tempos, as coisas complicam-se.

- Falta de um 6 de qualidade inegável. André Almeida é um jogador normal, sem qualidade, que se torna competente e não compromete numa equipa do nível de trabalho e qualidade que tem o Benfica. É curto na ocupação de espaço, na qualidade e segurança na saída sob pressão e no pensamento/criatividade de resolução de problemas. Fortíssimo nesse aspecto é Amorim mas perde imenso defensivamente. João Teixeira não pode ser opção para o lugar.

- Sem criatividade e mobilidade ofensiva. Neste modelo o jogador de ligação na 3ª fase, o chamado 9,5 é fundamental. No Benfica actual não há esse jogador. O Benfica precisa de se reforçar fortemente aqui, ou esperar que Bebé ganhe rotinas para jogar ali ou Pizzi revele apetência perspectivada para jogar nesse lugar. Equipa dependente dos movimentos interiores de Gaitán como já referido.

- Primeiros minutos a sério para Bernardo Silva e é o que se sabe. Qualidade técnica, na decisão e no transporte como poucos. Mas um jogador com tamanha qualidade com bola não pode jogar tão longe da área, sobretudo pela dificuldade que tem depois na recuperação fruto da limitação física que tem. Aqui não se percebe o facto de Djuricic nunca ter sido aposta na posição 8, e Bernardo não estar a ser na 9,5.

- Derley. Ainda não vimos nada do que mostrou no Marítimo. Talvez dificuldade de adaptação, talvez problemas de afirmação fruto de um volume ofensivo muito curto do Benfica face ao normal. Ainda assim é um jogador com qualidade mas precisa de se encontrar e esperar que este Benfica comece a carburar.

- Oscar Cardozo. Não pode continuar a ser opção neste Benfica. Podia até ser fruto de uma lesão o paupérrimo rendimento que demonstrou no final do ano passado. Mas parece que é para continuar. A equipa perde porque não tem ligação com ele em campo.

Os próximos jogos serão conclusivos relativamente a algumas situações. Serão também os primeiros de um Benfica mais próximo daquilo que poderemos ver em competição. Mas não se perspectivam coisas nada boas, nomeadamente para o primeiro jogo com o Arsenal.

terça-feira, 20 de maio de 2014

A convocatória e sobretudo Vieirinha e Rafa


Paulo Bento divulgou hoje a lista de convocados para o Mundial do Brasil. Apesar de haver um seleccionador em cada português esta é uma lista que apoiamos a 100%. Sobretudo pelo facto de Danny e Tiago, dois titulares de caras na nossa óptica, não estarem dentro do enquadramento de possíveis seleccionáveis.

Mas este post é para falar dos nomes mais discutidos no dia de hoje: Vieirinha e Rafa. Vamos começar pelo segundo. Rafa fez uma grande época ao serviço do Braga. É o elemento mais jovem a par de William Carvalho dos eleitos. Mas leva-nos a uma discussão muito mais abrangente do que questionar ou não a sua qualidade para estar nos eleitos.


Rafa é um jogador de muita qualidade e com características ainda abertas ao trabalho. Pode jogar por dentro ou por fora com o mesmo rendimento e oferece diversas possibilidades ao seleccionador. Mas como é possível um talento tão grande como acreditamos ser o seu, ter andado pelo pelado do Alverca e pelo Povoense, sem ter despertado à atenção dos grandes?

Já aqui e aqui abordámos esta questão e voltamos a fazê-lo. Porque motivo este jogador em contextos teoricamente onde cresceria menos, não teria os melhores treinadores, os melhores treinos, os melhores colegas, as melhores condições, evoluiu mais que todos os outros da sua geração ao ponto de estar nos convocados para o Mundial? E aqui sempre acreditámos nele para isto. Leia aqui

Outro assunto é o de Vieirinha e importa perceber esta escolha. Sabemos que um grupo não se faz de 23 titulares. E Vieirinha ambiciona sê-lo mas sabe, primeiramente, qual o seu lugar. E o seu discurso após a chamada revela isso mesmo:

"Sinceramente não esperava ser convocado. Só tenho de agradecer a Paulo Bento e prometer-lhe que vou dar o máximo para justificar esta aposta".


Paulo Bento sabe que Nani e Ronaldo serão os titulares. Sabe que tem Varela, até Rafa. Mas tirou o joker Vieirinha. Um jogador que enfrentou uma grave lesão, ninguém dava nada por ele esta época, e agora é convocado? Paulo Bento faz uma jogada de mestre a nível psicológico e sabe que pelo menos Vieirinha, dará tudo o que tiver e não tiver em campo em forma de agradecimento por esta aposta. Ah! E qualidade tem mais que muita!

domingo, 17 de novembro de 2013

Problemas na Selecção: Vamos mais longe



Não é surpresa para ninguém as discussões nos bastidores em relação às escolhas de Paulo Bento e aos problemas que tem tido com alguns jogadores. Este texto não pretende apenas esmiuçar o rendimento e as escolhas de alguns jogadores, mas também falar sobre o que (não) joga a selecção de Portugal.

É confrangedor ver jogar esta equipa 90 minutos. Não é exagero. Portugal joga pouco, joga mal, e depende sempre de um lance individual bem definido para superar problemas. Não esperamos que existam grandes rotinas ou um modelo de jogo apelativo do nosso país. Impossível esperá-lo. Basta olhar para a nossa Liga e para as divisões secundárias. Quantos treinadores partilham das mesmas ideias? Quantas equipas têm um modelo de jogo semelhante? Qual é a base formativa da FPF nas suas diversas equipas? Modelos de jogo transversais? Sistemas tácticos semelhantes? 

Bem, a resposta é quase sempre o número mais baixo possível. E basta olhar para a selecção sub-21. É uma boa geração de jogadores, é verdade, sobretudo para o rendimento que oferecem em idade ainda prematura. A margem de alguns não é elevada, ressalve-se. Nunca fomos a favor da corrente e sempre encontramos problemas em Ivan Cavaleiro para ser jogador de Benfica (basta pesquisar no blog). Mas justifica-se jogar uma selecção num 4x4x2 quando todas as outras o fazem em 4x3x3?

Que dinâmicas são transversais ou adaptáveis a um e outro sistema? Falando em modelos. E pegando no Paulo Oliveira, dos sub-21 e do Vitória de Guimarães. Como queremos que o modelo do sair a jogar, do passe curto e futebol apoiado transversal às selecções seja interpretado por um jogador que todos os dias encarna um modelo no clube onde o futebol directo é prioridade e passa a sua acção específica a bater bolas longas na figura do avançado (primeiro Amido Baldé e agora Maazou)?

Aqui entraríamos na forma como o jogo é visto em Portugal pelos seus intervenientes e pelos media/adeptos mas deixemos para uma outra oportunidade ou para a caixa de comentários. Vamos para as escolhas de Paulo Bento.

O povo não reclama, e a imprensa pouco fala. Mas um jogador, que é claramente top3 em termos de qualidade do jogador português, não entrar numa lista de 18/20 jogadores de uma selecção é brincar ao futebol e a outros interesses instalados. Sim, falamos de Danny do Zenit. As pessoas não acompanham o futebol russo e por isso desconhecem muitas delas o seu futebol. Mas vamos apresentá-lo, só pelo que fez esta época. 15 jogos, 10 golos. Sim, como extremo.



É um jogador tremendo quando joga entre-linhas. Por vezes peca em querer adornar em demasia mas em tudo o resto é fortíssimo. Tomada de decisão, qualidade em progressão, técnica, drible. É muito mais jogador do que Nani. E falamos em top3 exactamente para falar sobre o extremo do Manchester United.

O que faz actualmente para justificar o estatuto? Poucas são as vezes que vence uma situação de 1x1 ou cruza com qualidade. As decisões continuam a não estar ao nível do exigível e em termos físicos parece algo desgastado e longe da forma que o notabilizou. Quando oiço comentadores dizer que Varela já merecia o lugar de Nani na selecção, não referindo Danny, é indesculpável.

Mas há mais. Manuel Fernandes tem sempre lugar em qualquer selecção. Pelo que joga e faz jogar. Passou ao lado de uma carreira brilhante muito pelo feitio e más decisões que tomou, mas tem qualidade que sobre para jogar em muitos clubes da elite europeia. Estará a regularidade (nível médio/baixo) do Miguel Veloso acima do que poderia acrescentar o Manuel Fernandes ao futebol da equipa? Até como 6?

A questão do avançado. Postiga é o tipo de jogador que faz tudo bem menos marcar. Não vale a pena continuar a encontrar teorias e explicações para o seu insucesso na finalização. A verdade é que Nelson Oliveira está a fazer uma época muito boa e desapareceu das escolhas. Problemas, dizem alguns...

As internacionalizações de Licá e Josué são questionáveis. Razão pela qual perguntamos nunca foi Vítor chamado enquanto brilhava no Paços. É preciso atingir um certo estatuto para integrar as escolhas? É que o rendimento parece continuar a ser deixado de parte.

O nosso melhor 11 da selecção seria, hoje, este: Rui Patrício; Sílvio, Pepe, Bruno Alves e Coentrão; Manuel Fernandes, Moutinho e Meireles; Danny, Vieirinha e Ronaldo.

sábado, 16 de novembro de 2013

O futebol apoiado do Japão


Há muito que os acompanhamos. Os talentos nipónicos começam a aparecer em grande destaque na Europa e agora será a sua selecção que promete surpreender o Mundo no Brasil. Quando aqui falámos em alguns dos nomes ainda escondidos naquele campeonato (OgiharaKakitaniNagai), sabíamos ao que íamos.

Quem acompanhou como fizemos os últimos jogos nipónicos frente à Sérvia e à Holanda percebe que há ali muito futebol para mostrar. Sobretudo pela continuidade que existe entre o jogo realizado no campeonato local e o transfer que há para a sua selecção. Uma clara amostra de que investir e desenvolver a sua formação trás resultados.

O Japão é uma equipa muito próxima do futebol europeu, sobretudo do futebol espanhol e alemão. Não é por acaso que muitos nipónicos estão na Bundesliga. Zona de construção ao nível dos melhores. Futebol apoiado, criatividade, dinâmicas colectivas, e tudo sempre em alta rotação (o que mais surpreende). Tem ainda intervenientes de grande nível no 1x1 e na forma como pensam o jogo.

Hoje o Japão empatou a Holanda e ridicularizou os europeus na 2ª parte. Domínio absoluto de todos os momentos do jogo. Com Uchida, Nagatomo, Hasebe, Okazaki, Honda, Kiyotake e Kagawa fica mais fácil. Continuem a seguir que vai valer a pena.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A esperança (em) Ivan Cavaleiro


Ivan Cavaleiro assume-me como uma das principais figuras da nova geração de jogadores dos sub-21 portugueses. Por aqui vimos o Ivan jogar pela primeira vez quando tinha 13 anos ao serviço do Benfica. O seu futebol mudou muito, passou por uma dispensa e repescagem, mas mantém a génese do poderio físico e da entrega em cada lance que disputa. Parte para a sua segunda época como Senior e a experiência adquirida na temporada passada ao serviço do Benfica B foi muito positiva para a sua afirmação. Mas vamos explorar a nossa opinião.

A irregularidade exibicional, fruto da idade e de estar ainda longe da fase de rendimento enquanto jogador, faz com que as opiniões que surgem sobre ele sejam de enorme discrepância. É também por isso que o próprio Rui Jorge o vem testando como Avançado, procurando também perceber o que ele tem para dar nas várias formas possíveis de jogar. 

Numa altura em que se vai falando na falta do talento, o Ivan tem de ser um deles. Não o é pelos enormes recursos técnicos (que não tem), ou pela genialidade que (não) apresenta. É um jogador que vai moldando o talento. Velocidade, explosão, capacidade física, irreverência... Ivan quanto a mim não será, a curto prazo, jogador para equipa grande. Não tem ainda tomada de decisão de nível aceitável para outras exigências. Falta-lhe alguma qualidade a jogar com menos espaço e em ataque posicional declarado. Contudo, assume-me para já como um jogador muito forte em transição, com espaço nas costas da defesa, em situações que propiciem situações de 1x1 quer pelo corredor lateral ou pelo central.

Numa altura em que se reclama a falta de jogadores da formação no plantel do Benfica, o Ivan Cavaleiro assume-se como um dos possíveis futuros seleccionáveis, embora não acredite que possa atingir o nível de titular do Benfica, num futuro próximo. É um jogador para explorar e que pode continuar a crescer porque tem uma margem ainda, aparentemente, grande à sua frente. Contudo, tem de ter outro tipo de exigências e estar inserido noutros níveis competitivos. Este ano, mais uma época na 2ª Liga, pode ser atrasar o crescimento de um jogador que precisa claramente de ir subindo degraus até se ver o que pode alcançar.

Da nova geração dos sub-21, já aqui falei no Lucas João ainda não fazia parte dos seleccionáveis. Tomem atenção a este jogador que tem condições para crescer muito dentro de Portugal. E jogadores de equipa grande, figuras, terão de ser Rafa Silva, João Mário e Tiago Silva. Portugal e o futebol nacional agradecem.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Anarquia globalizada


Disputa-se por esta altura na Argentina o Sudamericano sub-20, prova onde têm despontado alguns dos jogadores sul-americanos que nos últimos tempos têm transitado para a Europa. Quem teve a oportunidade de assistir ao primeiro tempo do Argentina-Paraguai, até por curiosidade de observar alguns dos nomes que vêm sendo ligados aos grandes em Portugal, fica muito desiludido não com a qualidade individual dos atletas, mas com o nível em que se encontram, isto se tivermos em conta as indubitáveis qualidades técnicas que denotam.

Ver o jogo da Argentina é o que não se deve mostrar a quem pretende aprender sobre futebol. Um primeiro tempo com cerca de 75% posse de bola a favor e 1 remate à baliza. 2, talvez. Isto porque o jogo da selecção azul assenta num estilo rendilhado, de muitos adornos, e uma objectividade a transpor para o nulo, também devido à pouca qualidade na tomada de decisão. Contudo, ela está intimamente ligada ao aparente desconhecimento de processos de jogo, fluidez  padronização colectiva, organização sectorial concreta. Tudo se dilui em lances individuais sem expressão e quase sempre com erros nessa mesma tomada de decisão.

Uma equipa que tem, no ataque, Centurión, Alan Ruiz, Vietto ou Iturbe, tem de ser capaz de dar mais. Capaz de assegurar uma referência posicional de progressão em posse. Ser capaz de garantir um posicionamento entre-linhas do adversário de forma a permitir penetrações interiores. Referência para fixar os defesas contrários e garantir uma maior liberdade dos jogadores que caem nas faixas de forma a penetrarem para o espaço interior e garantir, aí, soluções de 2x1. Largura aceitável do jogo e não uma tendência desmesurada de pisar terrenos interiores sempre que a bola chega ao corredor lateral, não existindo, depois, a referência numa linha avançada para progredir, apoiar-se, ou criar as situações de 2x1 na zona de finalização a fim de visar a baliza, tal como citado.

A Argentina joga bem, de facto, mas falta-lhe muita coisa, e acima de tudo, muito trabalho colectivo. A desorganização dificilmente vence uma prova, vai dando para ganhar uns jogos, pois a qualidade individual dos jogadores é acima da média. Custa ver Alan Ruiz sempre a procurar apoio, sempre a procurar uma referência, sempre bem posicionado e a gerir os momentos da equipa, mas com pouco (de colectivo) a acompanhar o seu pensamento. Assim, a tomada de decisão está condenada ao fracasso.

domingo, 7 de agosto de 2011

Portugal no Mundial sub-20

Não sei se reflexo daquilo que são muitos dos erros que aconteceram na formação em Portugal nos últimos anos, mas a verdade é que a geração que se encontra a disputar o Mundial da categoria é das mais fracas que Portugal conheceu nos últimos anos. Sim, a opinião é contra a corrente mas vejamos quantos são os jogadores daquele grupo que podem aspirar a uma carreira de dimensão, digo, sequer, média, a nível europeu.

Em zona de construção são muito poucos os recursos que esta equipa apresenta. Se Pelé erra quase tudo o que são acções técnicas de jogo, mesmo Danilo continua com alguns problemas a nível de posicionamento e, sobretudo, fraco no primeiro toque e passe, então deixemos que Saná, sem dúvida um talento, mas que estagnou aos 17 anos, assuma um futebol demasiadamente defensivo e de recurso ao jogo directo para criar problemas.

Desta Selecção podemos retirar:

- Caetano pela grande intensidade que coloca nas suas acções. Sempre em alta rotação, inteligente, muito forte sem bola, veloz, criativo.

- Nelson Oliveira, o maior talento dos últimos anos em Portugal. Tem tudo para atingir um patamar alto nos próximos 10 anos. Velocidade, técnica, fisicamente muito dotado, facilidade de remate. Contudo, nunca será um 9 puro.

- Mika, seguro, tranquilo, boas estiradas, capaz de assumir a liderança de uma equipa. Pode vir a ser uma boa surpresa.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O futuro de África


Todos sabemos que ao longo dos tempos, o grande suporte de algumas das mais fortes selecções europeias têm sido os jogadores que acabam por importar em África, quer seja por raízes coloniais, quer por estes jovens saírem cedo do seu continente e procurarem a sorte na Europa. Acontece que um dos países que tem revelado maior aptidão para o lançamento de talentos no futebol está agora a erguer-se e a mudar de política.

Norton de Matos assume a selecção da Guiné-Bissau e revela uma mudança radical nas perspectivas daquele país. Foi às convocatórias das selecções jovens de Portugal e recrutou os seus melhores jogadores. Com ascendências guineenses e que ficam agora "presos" à Guiné, pois em caso de realizarem a primeira internacionalização, já não poderão jogar por outra selecção.

Na nova lista do técnico português constam os nomes de Éder da Académica, um ponta-de-lança já aqui falado no blog:

Éder (Académica)
Idade: 22 anos
Peso: 81kg
Altura: 188cm
Nacionalidade: Guineense

Formado no Oliveira do Hospital e com passagem pelo Tourizense, Éder aparece como uma das principais apostas da briosa para esta época. Jogador de grande porte físico, veloz e que oferece muito trabalho aos centrais, tem características pouco vistas no nosso futebol e que o podem catapultar para uma carreira interessante no nosso país. Neste segundo ano de Briosa, a aposta é outra, e ele vai fazendo por merecer, sendo uma das peças chaves na estrutura de Villas Boas. Vamos ver a sua evolução, mas que há potencial, isso parece-me indiscutível.

Cícero e Ivanildo, duas promessas adiadas do futebol nacional, com possibilidades de se afirmarem agora na sua selecção natural. Pelé, do Belenenses, um jovem produto de talento que promete construir boa carreira em Portugal. Zezinho do Sporting, estrela dos Juniores. Danilo, o badalado ex-Junior do Benfica transferido para Itália. Baldé, um jovem do Porto. Lassana Camará, ex-Junior do Benfica. Kaby, jogador das camadas jovens do Chelsea. Ednilson do Dinamo Tiblisi e Moreira do Partizan.

Muita atenção a estes nomes e ao crescimento que a Guiné Bissau vai certamente revelar.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O potencial tremendo dos Meninos da Vila e cia.


O novo Brasil estreou-se esta madrugada frente aos Estados Unidos e venceu o teste por 2-0. Mano Menezes, aposta de recurso, ou não, entrou com o pé direito à frente do escrete e venceu sem margem para dúvidas.

Os Estados Unidos foram presa fácil ao longo de todo o encontro, parecendo-me uma equipa totalmente desfasada da alta roda competitiva a que qualquer equipa que chegue aos oitavos-de-final de um recente Mundial deveria apresentar.

Ainda assim, o destaque da noite vai para o potencial tremendo dos brasileiros, sobretudo a apontar baterias para a próxima década de grandes competições internacionais ao nível de selecções. O destaque vai para a terceira geração dos meninos da vila, com o capitão da segunda, incógnita constante pela irregularidade, mas para quem gosta do estilo, fundamental em qualquer sistema. Falo de Robinho.

O mais velho em campo (27 anos), lidera uma equipa de meninos com imenso talento. O Brasil dispôs-se num 4-1-2-3, com triângulo invertido a meio-campo, com muita mobilidade. O típico futebol canarinho, de toque curto e imprevisibilidade, muito assente no princípio fundamental da posse de bola e circulação.

É um regalo ver Paulo Henrique Ganso, o futuro grande médio centro mundial dos próximos dez anos. Não é uma questão de jogar muito bonito e por vezes pouco eficiente, mas a forma como trata a bola, como joga no espaço curto e, sobretudo, como dá dimensão ao sentido pensar-decidir-executar, juntando a forma como executa e dá início rapidamente ao seu processo seguinte (movimentação), fazem-me acreditar que está aqui um dos melhores do Mundo para os próximos anos.

Neymar está a crescer a olhos vistos. Começa a perceber cada vez mais a eficiência e objectividade que tem de dar ao seu futebol. Velocidade de ponta com e sem bola, muito virtuoso, dono da bola, assume aos 18 anos sem receio ir para cima de qualquer adversário, tendo especial apetite pelo golo. Que talento.

Alexandre Pato até nem é surpresa, não foi ao Mundial, mas promete continuar a crescer e a afirmar-se. Tecnicamente muito dotado, frio e eficaz na hora de decidir, muito talento. Apenas 20 anos.

Lucas Leiva (23 anos), sob o ponto de vista dos equilíbrios que este sistema tem de ter, assumiu com Ramires (23 anos) um papel de critério e qualidade importante no primeiro toque em transição, fundamental também pelos apoios exteriores dos jogadores dos corredores laterais, nomeadamente André Santos (27 anos) e Daniel Alves (27 anos).

A forma como este Brasil procura o seu primeiro elemento de transição constantemente no corredor lateral a partir de um movimento de ruptura de um lateral, abrindo espaço no flanco oposto, e tendo jogadores capazes de decidir rápido na zona de construção explorando esses espaços com elementos muito fortes no drible e na criatividade, não deixam dúvidas quanto ao potencial deste novo Brasil, se a filosofia se mantiver. É que faltam 4 anos para a Copa 2014 e faz todo o sentido escolher o lote base e trabalhar-se sobre ele com o sentido de o fazer crescer conjuntamente.

Está aí a nova vaga de talentos dos próximos cabeças de série a nível Mundial: Ganso (Brasil - 20 anos), Neymar (Brasil - 18 anos), Ozil (Alemanha - 21 anos), Thomas Muller (Alemanha - 20 anos), Sergio Canales (Espanha - 19 anos) e Dani Pacheco (Espanha - 19 anos).

sábado, 3 de julho de 2010

Que se passa Alemanha, alguém falou em nervosismo?


Absolutamente fantástico. Frios, cínicos, eficazes. Estar sentado a ver o Alemanha-Argentina e ver a forma como os alemães escondem as suas ideias, as suas concepções, e sempre que exploram as suas estratégias, fazem estragos, faz-nos pensar na beleza do futebol estratégico e metódico dos treinadores vidrados na organização e no resultado.

Grande capacidade de organização defensiva e estruturação do seu bloco, totalmente intransponível. Tremeram nos minutos finais da primeira parte? Não concordo. Penso que foi um recuo estratégico e claramente à espera de "enervar" e explorar a fraca organização dos argentinos, sobretudo em transição defensiva pela incrível falta de rigor e disciplina táctica de Maradona no seu onze. Onde existia a primeira zona de construção? Em Messi? Como exploravam os argentinos a velocidade e eficácia dos seus homens da frente? Que tipo de organização defensiva e mestria na zona de criação pode existir se nem os próprios jogadores as definiram bem?

A Alemanha baixou o bloco, deu o jogo aos argentinos, e fez aquilo que mais gosta. Qual muro de Berlim, fantásticos sob o ponto de vista da ocupação do espaço e da percepção dos vários momentos do jogo, num 4-2-3-1 totalmente vocacionado para um futebol de basculação e organização, venenoso em transições, onde ganhou realmente o jogo. Schweinsteiger na batuta e a gerir os ritmos, sempre que o seu jogo se encontrava mais pausado e numa fase de organização, Ozil sempre que era necessário esticar e explorar as costas dos argentinos em rápidas transições, Thomas Muller, hoje até nem esteve em grande destaque, mas com as rotações de sempre, ao mais alto nível.

E quem tem um Klose, rápido, veloz, exímio finalizador e com bastante inteligência táctica, aspira claramente a ter a equipa mais forte do Mundial até ao momento. E ainda não falei de Khedira. Que excelente surpresa. Neuer, claramente o nº1 desta prova. Vamos ver a verdadeira final antecipada, entre espanhóis e alemães. O pouco ritmo e a pouca intensidade que os espanhóis parecem apresentar, fazem-me crer que, mais uma vez, os alemães vão triunfar. Até porque Xavi e Iniesta poderão ser facilmente neutralizados, e a Alemanha poderá, ou não, perder essa ligação de criação e transição dos seus pivots. A ver vamos o que nos espera.

E venceu a zona de decisão


Confesso que não me surpreendi pelo resultado, mas estava expectante para observar as naturais dificuldades que os holandeses iriam enfrentar hoje frente ao Brasil. Sempre foi uma velha máxima: se não podes marcar, tenta não sofrer. Se estás por baixo, tenta não descer ainda mais. Até que haja uma mudança.

Como todas estas expressões fazem sentido observando um Holanda-Brasil do Mundial, duas selecções favoritas, longe de ser um jogo empolgante de quem entra na frente nas casas de apostas rumo à vitória neste Mundial.

O Brasil de Dunga apareceu muito equivalente à Selecção Holandesa onde os seus jogadores da zona de decisão parecem ser donos e senhores de uma mecânica bem oleada pelos seus principais jogadores mas com claros défices sobretudo na sua fase defensiva.

Ambos num 4-5-1 em organização defensiva, embora existissem nuances desse sistema passando para um 4-2-3-1 em transição defensiva. Aqui, Van Bommel numa pressão mais subida, também com missões de maior apoio na fase de construção e circulação, exactamente o mesmo do outro lado, desta vez orquestrado por Gilberto Silva ou Felipe Melo, conforme as suas zonas de acção.

Primeira parte, sistemas iguais, formas semelhantes, diferentes nas dinâmicas e posturas. Um Brasil mais mastigado, de maior segurança, maior controlo, claramente surpreendente na forma como conseguiu incorporar Robinho e Dani Alves em zonas de finalização com frequência, o que facilmente poderia ter transformado em golo por mais do que uma ocasião. A Holanda explorando as costas dos brasileiros, numa estratégia mais de contenção com saídas rápidas pelos seus principais elementos (Robben e Van Persie em ataque rápido), apenas faltava a tal mudança, o clique para funcionar: E ele residia na libertação de Sneijder.

O técnico holandês baralhou ao intervalo e conseguiu explorar mais eficientemente o potencial de Sneijder. Foi então que a zona de decisão holandesa fez toda a diferença. Incrível como Sneijder e Robben, na minha opinião, a par de Messi, o top 3 forma/rendimento da época 2009/2010, parecem ser capazes de ganhar jogos sozinhos.

Pela sua mestria e qualidade técnica, irreverência e enorme inteligência de processos, derrotaram um Brasil com muito pouca irreverência no último reduto, talvez sofrendo a perda de Elano mas, claramente, sem o brilho e o virtuosismo de outrora. O futebol e organização defensiva nas diferentes fases de jogo de ambas as selecções pareciam o seu elo mais fraco, claramente do lado brasileiro Michel Bastos e Juan (apesar do grande Mundial) foram muitas vezes alvo de opção prioritária para penetrar, do outro lado, Ooijer e Van der Wiel, sem pedalada para estas andanças.

Ganhou o futebol ofensivo, criativo e irreverente, veloz, essencialmente esta última a chave do encontro. E claro, a posse e a capacidade de penetração de Robben, o que permitiu à Holanda muitos metros conforto pela facilidade que ele tem de explorar zonas fechadas do jogo, permitindo à equipa subir e fechar rapidamente as zonas de cobertura aos seus lances. O Brasil perdeu, aqui, pela forma como se deixou ir na onda, o que libertou Sneijder para começar a aparecer com a sua batuta de ritmos frenéticos, sempre com um vasto leque de recursos para decidir.

Estou bastante expectante para ver o que vai acontecer no Alemanha-Argentina. Por um lado, o cinismo, a organização e a tremenda eficácia dos alemães fazem-me crer que se tornam os principais favoritos. Mas, a relação de amor infinito que os pupilos de Maradona têm pelo seu Deus, fazem-me crer que o jogo e o poder psicológico conseguem ultrapassar todas as barreiras organizacionais e estruturais de uma selecção e jogadores claramente acima nos aspectos tácticos e posicionais do jogo. Excelente duelo, futebol total vs. futebol eficaz. Quem sairá vencedor?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Que confusão Mister...


Os portugueses têm o dom de esquecer rápido, viver depressa, e avaliar tudo pelos momentos. Hoje, todos querem ver Queiroz pelas costas. Algum dia, mostrou, ser seleccionador à altura de representar todos os portugueses e colocar a selecção - ou mantê-la - no ponto em que tem todas as condições para lá estar? Estamos a falar da 3ª classificada do ranking Fifa que sai deste Mundial desta forma triste e desrespeitosa para com o seu habitual bom futebol e bons executantes.

Agora é fácil falar e fazer conjecturas face ao que de errado correu, mas vamos por pontos. Como é possível alguém entender que o menino mimado e irresponsável Cristiano Ronaldo tem perfil de capitão? Eu até defendo a escolha no timming em que foi, pois nós nunca sabemos que tipo de postura e respeito existe entre ele e os restantes colegas. Hoje viu-se, é nula. Ronaldo como líder e como "voz de comando", simplesmente, não existe. Portugal nunca teve um líder. Nem no banco, nem dentro de campo. Porque não atribuir a braçadeira a Ricardo Carvalho ou a Bruno Alves? Ou mesmo ao próprio Simão?

A confusão de sistemas e de formas de jogar deixaram-me, também, bastante confuso. Como pode Queiroz ter explorado ao longo da fase de qualificação um sistema sem alas, com grande preponderância de futebol pelo corredor central, quando o melhor e mais consagrado ADN de jogador português é o extremo rápido, irreverente, técnicista e desequilibrador?

Portugal até chegou ao Mundial, ainda a perguntar-se como, e enfrentou uma Costa do Marfim onde fez um jogo muito aquém das expectativas, e que não é uma goleada frente a uma fragilizada Coreia que apaga a má imagem deixada, sobretudo ao nível de processos e metodologias de jogo. Pois a qualidade está lá, mas se ela não for guiada... dificilmente se retira algo do potencial dos jogadores.

Outro aspecto: Ronaldo não bateu os pontapés de baliza porquê? A selecção foi para o Mundial para o menino mimado e birrento brilhar e fazer coisas boas, aparecer nas revistas, ser capa de jornal, ou para juntos, enquanto grupo, revelarem toda a sua qualidade e vontade de cumprimento de objectivos?

Queiroz foi muito forte numa coisa: a união de grupo. Soube juntar todos os atletas e criar um espírito muito forte entre eles. Agora, a relação com o técnico? O acreditar nas suas opções? O respeito e o sentido de liderança que um treinador tem de colocar, sempre, em qualquer grupo?

Portugal tem de mudar rapidamente. A começar, pelo Seleccionador. A terminar, nas ideias e nas concepções. Somos realistas, ou pelo menos temos de o ser. A equipa das quinas vai enfrentar um período de alguns anos de grande dificuldade. As últimas gerações são fracas e sem talento para aspirar a seleccionáveis. É dar oportunidade a alguns nomes de cimentarem o seu lugar e criarem bases sustentadas para um futuro que tem de ser melhor do que este.

Nomes a reter: Eduardo, Raul Meireles, Hugo Almeida, Fábio Coentrão, Cristiano Ronaldo, Nani, Varela, Ruben Micael, Manuel Fernandes, Miguel Veloso, Bosingwa, Ruben Amorim, Danny e Vieirinha... poderá ser por aqui.

domingo, 27 de junho de 2010

Thomas Muller, o melhor do Mundial


É quase um contra-senso fazer esta análise e não escolher como cartaz principal um jogador de brilhantismos e números artísticos de fazer encher estádios. Desde o primeiro jogo frente à Austrália que me chamou a atenção aquele que estava, juntamente com Ozil, a dar a dimensão seguinte ao futebol germânico em termos de eficácia e qualidade de processos no último terço.

Jogando num 4-2-3-1 em organização defensiva, desdobrando rapidamente num 4-1-4-1, tendo como principal elemento de decisão e e aceleração na transição ofensiva Mezut Ozil, com o acompanhamento de Schweinsteiger no critério e batuta dos ritmos dos alemães, a verdade é que Thomas Muller vem-se apresentando como um elemento chave da selecção alemã e, quanto a mim, o melhor até ao momento do Mundial.

Muito forte em organização defensiva e no auxílio que oferece em zonas de pressing, pela sua grande capacidade física, muito importante em lances de bola parada, denota ainda uma imensa capacidade física capaz de o fazer percorrer kilómetros e kilómetros (sempre bem) ao longo do jogo. Muito inteligente e sempre certo em todos os seus movimentos, forte em progressão e na criação de espaços através de situações de toque rápido e desmarcação, já conta com 3 golos na prova, e vem aparecendo cada vez mais na ribalta deste Mundial.

Não tem a mestria de outros nem a elegância dos grandes nomes, mas ao nível da simplicidade e eficácia dos seus processos, aliando ainda a qualidade técnica que realmente é assinalável, pode estar aqui um sério candidato ao prémio de melhor da prova - nem que seja dos mais jovens. É que tem apenas 21 anos.

sábado, 26 de junho de 2010

Decisão 1: Febre sul americana vs. ?


Muita atenção a este Uruguai. Já o tinha referido em conversas informais que estas selecções sul americanas estavam a ser as que mais água na boca tinham deixado nestes primeiros jogos de Mundial. A sua irreverência táctica, embora sempre bem organizados e estruturados nos processos básicos dos seus métodos de jogo, aliando a qualidade técnica e de criatividade de algumas das suas principais peças, estavam a colocar estas selecções nas bolsas de apostas como confirmação de outsiders a levar em conta na prova.

A selecção chilena vem demonstrando muita qualidade e ontem voltou a fazê-lo frente à Espanha. Os espanhóis tiraram o pé do acelerador, geriram o jogo a seu belo prazer no segundo tempo, mas a forma como os chilenos pressionaram e ousaram discutir o jogo com a Espanha - e que teve os seus custos numa fase prematura de jogo - adivinham que se numa altura de maior decisão e abdicando da "febre" sul americana e adoptando os processos mais "europizados" da selecção Uruguaia, por exemplo, podem ser um caso sério.

O Uruguai, com uma das frentes de ataque mais temíveis da prova, ou não fosse Luis Suárez um dos melhores pontas-de-lança mundiais do momento e Diego Forlán um génio na batuta e decisão dos lances, isto aliando à sua excelente organização e experiência de jogadores como Diego Lugano, Eguren ou Diego Perez, não esquecendo que de um momento para o outro há dois jovens jogadores prestes a explodir em posições de decisão dos momentos ofensivos... Cavani e Lodeiro.

Está nesta altura a começar o outro jogo dos oitavos de final, Estados Unidos - Gana, eu aposto na vitória da organização e da estrutura americana, até porque jogadores como Dempsey e Donovan têm muito futebol nos pés... O Gana surpreendeu-me do que vi, embora não lhe reconheça a qualidade de outrora, até pelas baixas que apresenta. Mas muito futebol tem no pé esquerdo André Ayew...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Semi-balanço Mundial

Confesso que ainda não vi um jogo deste Mundial. Talvez vá ver hoje o primeiro, se estiver emotivo, entre o Brasil e a Costa do Marfim. Não está a ser uma prova repleta da espectacularidade e irreverência que têm de ter estas provas. Muito alarido, muita palhaçada, muito mercado, e pouco futebol, a essência de tudo isto estar reunido.

Estou farto das vuvuzelas. A barulheira e confusão que fazem a quem quer observar os jogos e ouvir os cânticos das bancadas e as emoções do relvado, faz-me crer que vou ter de desligar o som do televisor para poder assistir a 90 minutos desta prova africana... Mundial, perdão!

Sinal +

- Uruguai: Não é surpresa para mim. Bom seleccionador, boas ideias, bom futebol de culto, boas estratégias. Estão a ser a equipa que - do que vi - mais está a aliar a capacidade de sacrifício com os rasgos de bom futebol. E quem tem Lugano, Maxi Pereira, Suarez e Forlan, só pode ambicionar a ser uma boa surpresa.

- México: Se os deixarem, vão ser a maior surpresa desta prova. Mesclam experiência com irreverência, e tem uma geração de "meninos da bola" cheia de talento. Gio dos Santos, Javier Hernandez (que falei nele há uns meses na coluna "prospecção") ou Carlos Vela... muita atenção.

- Holanda: Não estão a defraudar as expectativas de ninguém. Para mim, no top 3 dos favoritos. Quem tem Sneidjer, Robben, Van Persie... habilita-se a ter muitas probabilidades de sucesso. E a laranja mecânica, se garantir uma solidez e coesão defensiva que ainda não tem, vai chegar muito longe neste Mundial.

- Alemanha: Apesar da última derrota, surgem no mesmo top que a Holanda, na minha opinião. Excelente futebol que apresentaram no primeiro jogo, souberam esconder os ritmos e a mestria de Ballack para ter um Ozil estonteante no drible e na classe das suas acções, com a certeza e tremenda eficácia dos mesmos do costume: Schweinsteiger, Klose, Podolski, Lahm,


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Na rota da CAN: Gedo


Gedo (Ittihad)
Idade: 26 anos
Peso: 70kg
Altura: 178cm
Nacionalidade: Egípcio

Mohamed Gedo surge como uma das, se não mesmo a maior, surpresas da CAN. Chegou à selecção quase como um desconhecido para alguns dos principais jogadores do Egipto e cedo tem revelado todo o seu talento. Não é opção inicial de Shehata, muito por culpa da valia de Mohammed Zidan mas, Gedo, sempre que entrou, mostrou argumentos muito interessantes e lidera, actualmente, a lista de melhores marcadores da CAN com 3 golos.

Avançado de posição, pode jogar no apoio directo a outro jogador ou sozinho na frente, completando-se bem com outro elemento lado a lado. Jogador veloz, agressivo, muito interessante tecnicamente (ambidestro) e com boa frieza na finalização e na forma como aparece em espaços de decisão, parece-me, até pelos seus 26 anos e pelo trabalho táctico que o Egipto sempre oferece, um jogador totalmente preparado para o futebol europeu. A seguir.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Na rota da CAN: Pitroipa


Pitroipa (Hamburgo)
Idade: 23 anos
Peso: 56kg
Altura: 176cm
Nacionalidade: Burkinense

Surpreendeu-me nesta CAN o melhor jogador da equipa de Paulo Duarte, o Burkina Faso. Jogador de corredor lateral, tanto direito como esquerdo, está actualmente a jogar na Alemanha, onde de resto, tem feito grande parte da sua carreira. Talvez por isso mesmo apresente um futebol diferente dos seus colegas em termos de maturação. Rápido, explosivo no drible, muito perigoso em situações de contra-ataque em que a sua equipa joga em bloco baixo, tem-me parecido um jogador objectivo e muito incisivo sobre o último reduto do adversário. Para observar novamente.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Na rota da CAN: Gilberto


Gilberto (Petro Luanda)
Idade: 27 anos
Peso: 70kg
Altura: 176cm
Nacionalidade: Angolano

Manuel José sabia o que dizia. Quando referiu ser este um jogador que teria lugar em qualquer clube em Portugal, Gilberto sempre o provou e exponenciou totalmente o seu futebol nesta CAN. Jogador de linha, tem uma cultura táctica acima da média para jogador africano. Conhecedor de todos os momentos do jogo e com inequívoca frieza de movimentos europeia, tem a fantasia do mais belo futebol africano nos pés, revelando-se principal artista com bola nos pés, em progressão e em constantes movimentos de ruptura entre linhas do adversário.

Joga também bem colado ao corredor, como possível lateral esquerdo ou a fazer todo o corredor, mas é na posição 11 que mais se destaca. Está numa fase de maturação futebolística já avançada, o que faz dele, actualmente, um jogador feito. Sem dúvida um bom reforço para qualquer emblema de nível médio da Europa.