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domingo, 12 de agosto de 2012

Os B: Braga e Benfica


- É certo que o jogo era entre duas equipas carregadas de jovens, mas ficou evidente as diferenças que existem entre um campeonato de juniores e uma liga profissional, para a esmagadora maioria destes jogadores. Basta para isso dizer que a 2ª parte foi amplamente diferente da 1ª, a nível de mobilidade e acções tácticas, porque simplesmente foi jogada na base de um jogo partido e sem referências.

- O Benfica não pode abordar esta liga com um central junior e um lateral esquerdo adaptado a central. É demasiado arriscado e pode causar dissabores. Até porque parece o sector mais frágil neste momento, também porque todos os atletas têm idades inferiores a 22 anos e não existe uma referência, pelo perfil apresentado de todos eles. 

- Pouca maturidade apresentaram os encarnados em algumas situações. Equipa curta sob o ponto de vista de rendimento, e da própria margem. O Braga fez-se apresentar por jovens nas mesmas circunstâncias dos encarnados, uns com experiência de campeonatos seniores, outros a começar a despontar, mas as circunstâncias foram semelhantes entre as duas formações.

- O Braga tem dois dos centrais mais fortes das equipas B, e da própria Liga. Gonçalo Silva e Aníbal Capela têm jogos nas pernas entre os adultos, e essa rotina e exigência nota-se. Para além disso são dois jogadores que encaixam bem nos ideais dos minhotos: guerreiros. Assumiram-se no jogo em quase todos os momentos.

- Manoel e Zé Luís foram os jogadores mais, pelo upgrade de serem jogadores superiores aos demais em quase tudo. Nível de maturidade diferente do resto da miudagem, outra agressividade e experiência. O Braga pode ter a ganhar com esta aposta de jogadores a necessitar de minutos.

- Continuo a achar que Guilherme é um jogador que não tem grandes fãs pelo minho, mas parece-me jogador a mais para esta equipa B. Faz lateral, interior, extremo, trinco, e sempre com a mesma competência. Cultura táctica, agressividade, poder no desarme, sabe utilizar o corpo em tudo o que faz, e um pé esquerdo de grande valia. 

- João Cancelo foi o jogador mais de todo o jogo de ontem. Apesar dos erros que comete, fruto de inexperiência, de achar que pode fazer todo o jogo a mil, com constantes subidas pelo corredor, de esquecer-se de defender em algumas alturas fulcrais, é um talento como o Benfica tem demonstrado poucos. Capacidade técnica, abnegação pelo jogo, irreverência, tem tudo para ser jogador do plantel principal dentro de algum tempo.

- Miguel Rosa e Ivan foram dos melhores dos encarnados. Pelo ritmo e decisões que foram evidenciado durante o jogo, por não se contentarem com o resultado. Miguel Rosa merecia mais, para poder mostrar o que pode render ao Benfica. Ivan continua a ser uma boa surpresa e a crescer. Vamos ver o que esperar dele este ano.

Os talentos dos leões


Ontem foi dia de futebol a toda a escala, mas Benfica e Sporting apresentaram a nível oficial as suas equipas B em dois jogos distintos, mas que permitiram para tirar as ilações que teoricamente já se esperavam.

- Vendo o Oliveirense-Sporting, há que realçar a inteligência demonstrada pelos caseiros pela forma como entregaram o jogo ao Sporting. Não seria possível manter o ritmo e a capacidade de mobilidade que os jovens leões demonstraram na 1ª parte, durante os 90 minutos. Foram inteligentes os nortenhos, que acabaram por ganhar 1-0.

- O Sporting revelou qualidade, mais do que o seu rival da 2ª circular, por esta altura. Assente num 4-3-3 com algumas variantes, conforme os momentos de jogo, está a basear o seu jogo naquilo que é os anos de formação que todos estes atletas têm: respeitam os princípios da largura e profundidade, posse e circulação, mobilidade, bloco médio de pressão. Falta experiência e alguma maturidade, mas esta equipa do Sporting tem coisas positivas para dar. Imagino este grupo com Ié e Cá, que entretanto saíram para o Barça.

- Bruma à cabeça. Parece que o aparecimento no futebol senior o catapultou para outra dimensão. Tem de ganhar outro sentido de objectividade, mas a velocidade e aceleração com e sem bola, os pormenores técnicos, a forma irreverente como aborda os adversários, como chama a si o poder do jogo, vai fazer dele um caso sério desta divisão.

- Filipe Chaby. Que pé esquerdo! Assim comece a entrar nas rotinas e dimensão do futebol de adultos, tem tudo para chegar onde quiser. Capacidade técnica muito acima da média, bola sempre colada ao pé, decisões simples e tremendamente eficazes. Muita atenção.

- João Mário. Já se sabia que iria chegar e vencer, pelo simples facto de ser um jogador com uma maturidade no seu jogo muito desenvolvida, desde sempre. O pêndulo de todo o jogo ofensivo, a referência da 1ª fase de construção. Qualidade de passe e visão de jogo fora do normal.

- Do outro lado esteve Avto. Principal desequilibrador da zona de decisão dos homens de João de Deus, que já tinha avisado para este talento. Dinâmica e intensidade, repentismo, drible e segurança nas suas acções. Vamos continuar a acompanhar.

sábado, 11 de agosto de 2012

Melga e Ola John: Tomada decisão x execução


Dois dos casos mais bicudos desta pré-época do Benfica chamam-se Melgarejo e Ola John. Se a adaptação a lateral do paraguaio parece-me bastante inteligente da parte do treinador, assim ele aprenda os aspectos tácticos e as missões defensivas que terá de executar dentro deste modelo do Benfica, não deixa de ser evidente algumas lacunas que ainda apresenta no seu jogo.

Partindo desta dimensão da tomada de decisão, é bom ver que Melgarejo toma quase sempre a opção mais correcta. É inteligente na abordagem aos lances e sempre que é chamado a decidir. Pensa rápido e toma a decisão, normalmente, mais simples, mas sempre a mais eficaz. Contudo, demora a ganhar consistência nas suas execuções. Em transição ofensiva, ou mesmo em situações de organização, sem grande densidade do adversário em pressão, erra em passe, sobretudo curto. Muitas vezes por dificuldade de comunicação ou de interpretação semelhante com os colegas. Mas não deixa de ser algo duvidoso, nesta altura, ver Melgarejo ter dificuldade a executar quase tudo o que é lance com bola no pé. Vai a tempo de melhorar, e muito.

Ola John, na mesma dimensão, é o oposto. Jogador que denota margem de progressão elevada, rendimento ainda curto, mas muito para dar. Contudo, há alguns factores que condicionam a tomada de decisão, nomeadamente a confiança. Ola John parece pouco confiante, pouco irreverente, pouco decidido. Isso reflecte-se no seu jogo, e de que maneira.

Raras são as vezes que aborda o adversário no um contra um. Quando o faz, fruto de boa progressão com bola, executa bem, mas poucas vezes toma a decisão mais correcta. Ou deriva para dentro quando deveria manter a largura. Ou faz passes a pedir movimentos de ruptura em profundidade para Cardozo, o que mostra desconhecimento absoluto do modelo de jogo e características dos colegas. Ou temporiza quando deve acelerar, chegando coberturas e perdendo a bola.

Dois produtos em bruto, para Jesus trabalhar, com enorme margem, mas que o rendimento actual está muito condicionado.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Melgarejo a lateral


Melgarejo impressiona. Tornou-se evidente, pela época que fez no Paços, que se trata de um jogador com muito para dar ao futebol português. No Benfica, encontra algo totalmente novo. Modelo de jogo. Disposição dos adversários. Exigência competitiva. Jesus reconhece-lhe o talento e tornou-o numa das polémicas de pré-época deste Benfica ao estar a querer torná-lo lateral esquerdo. Melgarejo não é um jogador muito forte tecnicamente, a nível da recepção e da condução. Também em termos de drible não é nada de especial. Contudo, é fortíssimo na velocidade, especialmente de ponta. Acelera bem, mas é com metros para correr que faz essa diferença. 

E, como extremo, no Benfica, poucas seriam as vezes que teria esse espaço, poucas as vezes que não jogaria 1x2, com superioridade para o adversário, e que teria espaço, sobretudo, para poder correr pelo corredor. A adaptação de Jesus parece formidável se, e se, o paraguaio for inteligente e conseguir reter com brevidade as noções defensivas e posicionais que terá de aprender, pode rapidamente assumir-se como  lateral esquerdo titular do novo Benfica. Jesus pode até não conseguir. Mas se o fizer, Melgarejo tem talento que sobre para se assumir como um dos melhores do campeonato naquele lugar, e ambicionar outros voos.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Como jogou o Porto no Mónaco




Em pressão alta, com bloco subido e procurando recuperação de bola o mais rapidamente possível. Lembrando o que aqui escrevi sobre a forma como jogou o Real Madrid e em comparação...


"O Barça dava largura máxima, parecia quase uma equipa de futebol de 7 a sair desde o pontapé de baliza. Essas eram as duas únicas opções que o Real deixava livre, os 2 centrais. A partir daí, fechada todas as linhas. Não em basculação defensiva, mas sim subindo as várias linhas de pressão."


O Porto não. Procurava imediatamente subir os seus médios de forma a pressionar a saída de bola a partir do corredor central. Kléber saia ao central de um lado, quando havia variação, ou Guarín ou Moutinho pressionavam imediatamente tentando reduzir o tempo de decisão e procurando o erro. Boa estratégia e pensamento do treinador procurando que a bola fosse chegando consecutivamente em condições desfavoráveis aos médios do Barça. E também ao contrário do que fez o Real, o Porto defendeu em basculação defensiva, não jogando ao homem e anulando as opções através do homem, procurando através do espaço. Aqui o Barça sentiu-se mais à vontade pois o Porto procurou retirar profundidade, mas o Barça imprimiu largura, colando Dani Alves e Pedro em cima da linha lateral, obrigando o Porto e o seu bloco defensivo, caso os movimentos de equilíbrio não fossem suficientemente rápidos, a dar espaço para penetração através desse corredor.


"O Real procurou ganhar sempre a bola o mais à frente possível pois só assim conseguiria retirar metros e espaço para pensar ao Barça. O Barça é a melhor equipa do Mundo a jogar sob pressão. Mas sentiu muitas dificuldades. Erraram alguns passes (coisa rara) em transição e em organização. O Real recuperou muitas bolas dentro do meio-campo do Barça através da sua 2ª e 3ª linha de pressão."


O Porto não o conseguiu. Enquanto o Real procurou recuperar em todas as zonas do campo, dando menos ênfase ao corredor central em transição (defesas centrais), focando a sua área nos jogadores seguintes, da 2ª fase de construção, procurando então o desequilíbrio defensivo que o Barça poderia ter através da recuperação da 1ª zona de construção do Barça, o Porto tentou anular logo essa 1ª zona, pressionando os centrais, o que deixou a equipa mais exposta, menos junta, o que acabou também por dar mais espaço ao Barça para sair. Mesmo que o primeiro passe saia deficitário (o que aconteceu algumas vezes), a superior capacidade técnica e de movimentação de Dani Alves, Xavi, Iniesta, resolveriam os problemas.


"O difícil de tudo isto foi a forma como os jogadores se conseguiam manter próximos e com grande equilíbrio entre si. Raramente se desposicionaram. Quando recuperavam havia rapidamente junto a si várias opções de passe para sair rápido em ataque rápido."


O Porto também não o conseguiu. A linha defensiva esteve subida, mas a saída em pressão de um dos médios interiores, acompanhando o movimento do avançado, fez com que os extremos do Porto, o seu 6, e o outro interior, estivessem algo longe desses 2 primeiros elementos na saída de pressão. Foi uma zona desarticulada e sobretudo longíncua, o que fez com que sempre que houve recuperação de bola, em vez de passe de ruptura ou em apoio frontal, ou penetração, tenha existido quase sempre uma temporização, ou para trás, ou para o lado, o que fez com que o Barça rapidamente se posicionasse.

PS1: Não quero com este post dizer que o Porto deveria ter jogado como o Real, mas sim realçar que dentro do mesmo princípio, podem haver várias formas de o interpretar, através dos seus sub-princípios, e colocar em práctica a estratégia posicional dessa forma de jogar. A estratégia das equipas é sempre diferente, porque os jogadores são diferentes, as características diferentes, as necessidades diferentes, as armas e respostas diferentes, tudo isso diferente, mesmo defendendo as mesmas formas de jogar.

PS2: O Porto precisa de um avançado de topo, no imediato. Mesmo que Kléber venha a ser, daqui por 1 ou 2 anos, um grande avançado do nosso campeonato.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O erro na posição 6 de Jesus


Em transição defensiva. E vão 3 anos que a equipa sofre golos, ou se desequilibra, sempre da mesma forma. E quem estuda bem o Benfica de Jesus, torna-se fácil explorar uma das poucas debilidades notórias que tem dentro do seu modelo de jogo. Continuo a defender que o erro é seu, porque apesar da forma como estuda e entende a fase defensiva, no momento da transição defensiva, o princípio que escolhe, apesar de ser acertado, é muito difícil de colocar em prática.

Fruto do envolvimento ofensivo dos laterais, em transição defensiva, Javi equilibra a linha de 4 na zona em que falta um jogador (normalmente o defesa lateral). É difícil equilibrar rápido e sair da mesma forma ao portador da bola conseguindo fechar rápido o corredor central e garantir proximidade e cobertura defensiva correcta. Jesus consegue-o. Continua sem o conseguir é equilibrar a zona 6, de onde saiu Javi. Normalmente porque a velocidade do contra-ataque é elevada. Javi não é propriamente veloz. E demora eternidades alguém a equilibrar a zona 6. E o golo do Twente hoje acontece novamente fruto disso (lentidão de Javi, ou alguém, a fechar o espaço 6 próximo dos centrais).


szólj hozzá: Twente 1-0 Benfica

É pena não dar para ver no vídeo o momento anterior em que o Benfica tentava o ataque rápido. Com um passe vertical o Twente consegue ultrapassar as 2 primeiras linhas de pressão do Benfica. Em apoio frontal os holandeses conseguem situação de 3x4. Impensável. Maxi aberto permitiu espaço. E Javi foi muito lento a recuperar e estar próximo dos centrais (movimento fundamental em organização defensiva). E a linha de 4 defensiva nem estava com muitos metros atrás de si. Demoraram os 4 jogadores a fechar o corredor central. Errou no posicionamento Javi que permite que o jogador do Twente receba de frente para os 2 centrais, no corredor central. E erra também Luisão que abre espaço interior para a penetração ou o remate como se viu. Tentando remediar o erro primário de Maxi, não pode nunca descurar a proximidade do outro central, no caso Garay. E Luisão fê-lo.

Desconcentração e erro básico que a outro nível ditaria certamente muitas dificuldades do Benfica frente a um adversário frágil como os holandeses desta noite.

domingo, 14 de agosto de 2011

Jeffrén e Nolito: Levem a bola para casa


Os processos são em tudo idênticos. A formatização dos extremos da cantera do Barcelona é centrada nisto. Desengane-se o leitor que pensa que o título reproduz algum sentimento negativo quanto ao individualismo dos dois jogadores. Errado. Centramos sim a nossa visão na casa pródiga do jogo de futebol, o corredor central, onde os 2 espanhóis definem como meta quase todos os seus lances.

Jeffrén terá certamente um espaço de claro destaque no Sporting. Mais do que Capel, sem qualquer tipo de dúvida. E talvez mais do que qualquer outro jogador do actual plantel dos leões, apenas a par do rendimento grande que certamente Domingos saberá retirar de Izmailov e Rinaudo.

A forma como o jogador dos leões desenvolveu o seu futebol hoje frente ao Olhanense deixou os adeptos do Sporting, certamente, com um grande sorriso. O corredor central não é a sua casa de partida mas a sua finalidade. Procurou-o vezes sem conta. No entanto é capaz também de oferecer verticalidade e largura. Velocidade de ponta, grande aceleração. Certamente que o Sporting há muitos anos não tinha um extremo com esta qualidade. Arrisco-me mesmo a dizer desde a vaga Quaresma/Ronaldo/Nani.

Já Nolito, sem a velocidade de ponta do leão, continua a assumir-se como um dos grandes destaques do Benfica. O corredor central e a facilidade com que executa no mesmo, são estonteantes. Já se sabe que quando Nolito recebe aborda a penetração. Vira-se sempre para a baliza e vai para cima. Aí procura o apoio frontal, lateral, ou a cobertura ofensiva. Raras vezes o drible como Jesus até já quis fazer crer. Mas quando o faz, também é difícil de parar. Acima de tudo é a sua intensidade, dinâmica e constante capacidade de mobilidade que fazem a diferença.

PS: Por falar em Mobilidade, um princípio fundamental na fase ofensiva do jogo, alguém me explica se o meio-campo da selecção nacional de sub-20 com Júlio Alves, Pelé e Danilo conhece esse princípio?

sábado, 13 de agosto de 2011

O homem Jesus


Jorge Jesus é um dos melhores treinadores portugueses da actualidade. Considero que em termos tácticos, de concepção de jogo, leitura, organização das suas equipas, sistematização, modelo de jogo, está o nível dos melhores do Mundo. Tem um problema grave e que pode desarticular tudo isso: a gestão de recursos.

Não vou entrar por questões de saturação de jogadores em relação a ele. Não conheço, abstenho-me de o fazer. Mas como é possível em análise ao jogo frente ao Gil Vicente ler isto, dito pelo técnico do Benfica:

"Depois os jogadores que entraram na segunda parte também não o fizeram muito bem."

Qual é a reacção possível de um atleta ao ouvir isto? Tanto os que jogaram na 2ª parte, ao que ele se refere, como os que possivelmente podem vir a jogar outras 2ªs partes menos conseguidas?

"Não nos podemos esquecer de que Nolito veio do Barcelona B. E uma coisa é jogar no Barcelona, outra é jogar no Barcelona B"
Como é possível vir a público dizer tamanha barbaridade sobre um jogador da sua equipa, na qual ele tem de sentir que é o técnico o seu principal motivo de motivação, ambição, superação? O que sentiu Nolito ao ouvir isto da parte da pessoa que para ele tem de ser considerada como o seu nº1?
Ausência de Capdevila na UEFA: "Não me interessa o passado"

O que sente o Capdevila, campeão do Mundo e da Europa, numa altura delicada, que procura atingir índices físicos aceitáveis, motivar-se, ambientar-se a uma realidade diferente, quando não está imediatamente a jogar e a fazer o que mais gosta, e ainda ler uma frase destas do seu novo treinador?

Para não falar da pré-época de David Simão, um jogador com 15 anos de Benfica, que nem um minuto teve direito no jogo de apresentação da equipa no Estádio da Luz, para jogarem 45 minutos atletas que nem 1 treino tinham feito com a equipa.

Para não falar que um jogador castigado pelo seu clube por ter assinado pelo Benfica, chega, e faz 45 minutos em jogos de pré-época, no total, e sendo a única opção para o ataque no 1º jogo para o campeonato, não entra. Falo de Mora.

Para não falar da insistência em desvalorizar e esquecer Urreta. O melhor extremo do plantel em perspectiva futura.

Para não falar do esquecimento de Bruno César que custou ao clube 6 milhões de euros.

Para não falar das correrias e dos espectáculos de show-off que produs no banco quando a equipa está em vantagem em clara procura de protagonismo.

PS1: O Benfica tem fabulosos jogadores de futebol.

PS2: Qualquer insucesso desta época deve-se apenas ao treinador. E eu em todas as outras temporadas critiquei a direcção.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Destaques e Previsões: SL Benfica


Melhor Jogador - Pablo Aimar. É indispensável no Benfica e parece caminhar para mais uma grande época de sucesso. A forma como dizima o sector defensivo do Arsenal é elucidativo daquilo que ainda pode dar a este Benfica. Tanto no 4-1-3-2 como no meio 4-3-3 meio 4-4-2 clássico que Jesus está a testar, fruto do posicionamento do argentino, será fundamental.

Melhor Reforço - Alex Witsel. É jogador da cabeça aos pés, disso nunca houve dúvidas. Com bola e sem ela. Muito inteligente, ocupa muito bem o espaço em cobertura ofensiva, na forma como equilibra a equipa, como sai em pressão, e como tecnicamente é forte em progressão. Ele e Aimar + 9.

Melhor Criativo - Nico Gaitán. Característica fundamental no balanceamento ofensivo que as equipas de Jesus têm. O argentino vai explodir este ano e estou em crer que vai ser dos jogadores mais em foco dos campeonatos europeus nesta época. Notável poder de criar algo de génio no jogo, cada vez melhor sob o ponto de vista da zona de decisão, e da forma como executa, é certo que tem de ganhar outra agressividade e dinâmica, mas é um jogador fabuloso. E pode jogar em todas as posições ofensivas deste Benfica exceptuando a 9.

Melhor Equilíbrio - Maxi Pereira. De Agosto de 2010: "Para além disso, apresenta-se muito forte em progressão, o que permite à equipa subir linhas e ter opções mais próximas em transição. No espaço interior, e em espaço curto, faz a diferença. Neste 4x1x3x2, a forma como equilibra constantemente as saídas em pressão de Ramires, ou aparece como referência posicional no corredor lateral direito em profundidade, segurando bem e partindo melhor em progressão, faz com que o Benfica jogue mais próximo e mais forte no típico jogo do passe curto e ruptura rápida posicional."

Mais Oportunidades - Urreta. Insisto. Com oportunidade vai dar alegrias aos adeptos. É o único extremo vertical do plantel, de largura e profundidade. Capaz de dar alternativas diferentes ao modelo de jogo do treinador.

Vai Explodir - Nolito. Impressionante a intensidade e dinâmica do seu jogo. Mas se olharmos para Jeffren ou Pedrito percebemos o ADN do seu futebol. Muito talento, muito forte na zona de decisão, a manter o nível que tem apresentado, é outra das figuras em perspectiva do próximo campeonato.

Fora Dela - Oscar Cardozo. Naquilo que é o futebol do Benfica, e até porque os extremos do plantel derivam invariavelmente para o corredor central, e fazem dele o corredor mais importante para a organização ofensiva da equipa, Cardozo perde espaço. Porque não terá ninguém que faça 5 ou 6 cruzamentos por jogo. E porque isso deixou de ser princípio preconizado pelo modelo de jogo.

Pior do 11 - Enzo Pérez. Não está a ter uma adaptação fácil e acima de tudo não está a demonstrar as qualidades que são precisas para aquele espaço. Jogador veloz, mas incapaz de alternar movimentos interiores com capacidade de largura. Deriva sempre para dentro e pouca diferença tem feito na zona de decisão. Vamos ver.

Contra a Corrente - Bruno César tem muito para dar. Pensa muito bem o jogo, revela pormenores de jogador adulto. Assim tenha tempo e espaço para se adaptar ainda vai calar muito boa gente. Como 10.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Manuel Machado, a transição e a bola parada


Se há golos em que os treinadores acabam por deter certo tipo de responsabilidade são os de bola parada. Quer os lances ofensivos, como defensivos. Certo que tudo depende do jogador, da forma como define a zona pré-definida, como ataca a bola, como protege a linha da baliza ou as linhas que podem ser escolhidas pelo atacante para procurar o remate.

Contudo, Manuel Machado ainda não entendeu que o futebol evoluiu e ele está a ficar para trás. Tudo bem que qualquer treinador tem o seu modelo de jogo e defende os seus princípios. Contudo, a forma como Machado se recusa em evoluir a sua forma de jogar faz um dos melhores Vitórias dos últimos anos em termos de opções de plantel ser uma equipa facilmente fragilizada pelo adversário.

A zona defensiva, em transição, é um exemplo. Se repararmos, o Vitória raramente pressiona o portador da bola ou sai em sua direcção. A primeira preocupação defensiva dos jogadores é organizar rapidamente a linha e fechar os espaços do corredor central. Contudo, permitindo espaço, progressão, penetração, ao portador da bola, faz com que os defesas recuem, defendem mais atrás, e estejam mais fragilizados. Tudo bem que não desequilibram a zona. Mas vão contra o primeiro princípio fundamental da defesa: pressão. Saída ao portador da bola. Fechar espaços e linhas. Diminuir tempo para pensar e executar.

As bolas paradas então é incrível. Defesa individual? Coloca a nu a fragilidade de um jogador em relação a outro. Pela velocidade de deslocamento. Pela capacidade de se desmarcar em função da bola e não do homem. Machado ainda não o entendeu. E os golos por responsabilidade sua e do seu modelo preconizado em treino, sucedem-se. Vamos ver alguns:



Todos os jogadores procuram seguir os seus adversários de marcação. Só quando a bola está a chegar perto é que olham para ela. Anderson Santana quando a tenta atacar já perdeu posição e tempo de salto para Maicon que facilmente desequilibra todo o lance.




Todos os defesas se preocuparam em marcar, em cima, sem espaço, o adversário. Esqueceram-se de defender o espaço mais importante: o seu mesmo. Bola no primeiro poste sem um único jogador para a interceptar.




Momento fundamental do golo, ou erro principal, está em Alex. Quando a bola chega para Álvaro Pereira, se o primeiro objectivo de Alex, em vez de ser, correr para trás, e organizar a linha, impossível num contra-ataque, tem saído na pressão ao portador da bola, diminuindo o seu tempo de execução, tinha permitido à cobertura defensiva chegar mais rápido perto de Hulk e evitar que este tivesse espaço, sobretudo, e tempo para variar o centro de jogo e encontrar James sozinho.



Um homem no primeiro poste. Tudo o resto em marcação individual. Basta o choque entre uns, a falta de coordenação dos outros, para o desequilíbrio individual acontecer. Quem sabe onde a bola vai cair e mais rapidamente a ataca (quem joga em função dela) desequilibra.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O Vit. Setúbal e os princípios de jogo


Olhando para este Vitória de Setúbal de Bruno Ribeiro, que conseguiu inverter a tendência, na época passada, e registar alguns resultados interessantes, a verdade, é que olhando para a constituição do plantel e observando a pré-época dos sadinos, vemos alguns problemas claros na sua constituição.

Velhos são os trapos. E no futebol ainda mais. O Setúbal conta com a experiência de Ricardo Silva (35 anos), Anderson do Ó (30 anos), Zé Pedro (32 anos), Hugo Leal (31 anos), Neca (31 anos) e Cláudio Pitbull (29 anos). Uma base experiente e sólida com muitos anos de 1ª divisão. Mas isso não chega.

O Setúbal jogando num sistema assente no 4-3-3 (com Hugo Leal a 6, Neca e Zé Pedro como Interiores), com o triângulo invertido, apresentando um 6, e 2 interiores, tem de ter muito mais dinâmica e intensidade desse sector. Mesmo que Pitbull baixe em apoio frontal para a zona de construção, o Setúbal apresenta grandes lacunas em transição ofensiva, a sua grande arma perspectivável, sobretudo.

Observando os princípios ofensivos, em termos de progressão, é demorada, Neca, Hugo Leal e Zé Pedro demoram muito a acelerar o jogo e são raros os movimentos que executam em penetração (princípio específico), a cobertura ofensiva demora, pois são lentos a reagir, espaço não pode ser largo e profundo, pois abre muito espaço no corredor central que ambos os três médios têm dificuldade em explorar, pela falta de mobilidade.

Defensivamente, a condição física, ou falta dela, sobretudo em ocupar rapidamente a zona desprotegida em pressão, ou o equilíbrio defensivo, faz deste Setúbal uma equipa desprotegida e facilmente atacável nos 3 corredores do jogo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A Orangina (Belenenses)


O Belenenses volta a ter uma época onde só pode ser candidato à subida. Pelo seu historial, pela experiência do técnico, por grande parte do plantel ser transitório do ano anterior, e pelo investimento feito.

Ainda assim é uma equipa com lacunas, sem grandes rasgos criativos e ainda com muito trabalho pela frente. Nomeadamente em organização ofensiva são poucas as opções mecanizadas pelos jogadores, ainda à procura de conseguir aumentar o seu nível exibicional em relação a momentos anteriores.

Na baliza Coelho, emprestado pelo Paços de Ferreira, deverá ter tarefa difícil perante a concorrência do brasileiro Paulo César. No sector defensivo, Pedro Ribeiro, ex-Trofense, com formação no FC Porto, pode ser um dos líderes do grupo. Jogador de qualidade. Léo Kanu ex-Benfica não me parece que venha a ser opção. Fraco tecnicamente, denota problemas posicionais, é também lento de movimentos. Faz valer a sua estrutura física (1,96 cmg e 88kg) e pouco mais. André Pires, um dos produtos de mais valia da formação do Belém, tem ainda muito que trabalhar para ser uma opção clara do onze. Até para explicar isso o Belém acaba de garantir Igor Pita (ex-Nacional, Beira-Mar e Marítimo).

No sector intermediário, Rodrigo António, ex-Marítimo, pode assumir um papel de destaque, denotando ainda assim os problemas de dinâmica e intensidade de jogo que faz com que o Belém em transição ofensiva pareça uma equipa lenta sempre que a 1ª fase de construção começa na sua zona de acção. Zázá quanto a mim seria uma opção mais forte para o lugar de 6. Celestino e Miguel Rosa são dois jogadores para outras andanças e vão assumir papel fundamental na equipa.

Ofensivamente, atenção à irreverência e velocidade do ex-Junior Ricardo Viegas, mas será na já experiência de azul de Fredy e Abel Camará que o Belém procurará resolver problemas. Os reforços Tomané (ex-Sporting e Tourizense) e Maranhão procuram ser opções claras para o técnico José Mota.

À partida parece-me que as possibilidades de subida dos azuis do Restelo não são as maiores, ainda assim, a aposta na juventude portuguesa, aliada à experiência do seu treinador, fundamental para estas divisões, podem valer uma surpresa no final da temporada.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O desarticulado campo curto do Benfica


"Defensivamente fomos muito mais capazes. Chegaram alguns jogadores que actuam nas devidas posições e isso notou-se".

A frase é de Jorge Jesus em comentário ao jogo de apresentação frente ao Toulouse.

Não concordo em nada com o treinador do Benfica. A equipa encarnada continua com muitos problemas no seu sector defensivo e esses mesmos problemas dependem exclusivamente das opções do técnico. E continua a ter 2 pontos chaves: falta de redução de espaços entre-linhas e pouca capacidade posicional da linha defensiva.

Se a importância de Javi Garcia na posição 6 era extrema, e continua a sê-lo, facilmente percebemos que não há nenhum jogador na equipa do Benfica capaz de compreender a necessidade posicional que um 6 de um sistema totalmente balanceado para o ataque e com os laterais a oferecer constante profundidade tem de ter.

O 6 neste Benfica tem de ser aquilo que é o médio espanhol. Um jogador de contenção, inteligente na fase ofensiva, que procure muitas vezes fazer uma linha de 3, com os laterais a fazer campo grande, mas essencialmente que em transição defensiva procure equilibrar a linha de 4, reduzindo os espaços no corredor central.

Quem vê este Benfica em transição defensiva é como ver um mapa da batalha naval com as águias a mostrar-nos a zona onde estão os submarinos. Nestes jogos de pré-época, qualquer que seja o jogador criativo da equipa adversária que consiga penetrar no corredor central, vê um Benfica demasiado preocupado em correr para trás, e pouco preocupado em fazer a saída ao portador da bola, fechando o corredor central, e eliminado as suas linhas de passe em rotura.

Chega a ser confrangedor o distanciamento que a linha defensiva tem do seu 6, ou do primeiro jogador que em transição defensiva venha a ocupar o espaço deixado pelo mesmo (entramos novamente no erro constante da época passada).

Olhando para o jogo de hoje com o Toulouse, percebe-se o porquê de Emerson ter feito, em todo o jogo, talvez, duas ou três recuperações de bola. O seu posicionamento esteve ao nível de qualquer Escola ou Infantil de um clube da AF Lisboa. Nunca fechou o corredor central. Raramente dobrou em cobertura defensiva o central do seu lado. Poucas vezes ganhou, pela inteligência, a posição. Hoje contra Hulk ou Varela o resultado era favorável em 9 em cada 10 arrancadas para os portistas.

1- Jesus tem de perceber rapidamente que Matic não é opção para a posição 6, apesar de ser um óptimo reforço, não tem cultura posicional defensiva para desempenhar papel tão importante de um sistema como este.

2- Emerson vai a tempo de melhorar, e muito, claro! Mas se Jesus dizia que ele valia pela sua capacidade defensiva, então nem preciso de ver mais nada do mesmo ofensivamente (Nem um treino fez, porque jogou? Com tempo parece-me ter potencial).

3- André Almeida não faz nada de correcto ao longo do tempo que está em campo. Vai ficar no plantel?

4- Este post não pretende justificar a falta de criatividade ofensiva e de opções que os jogadores detêm em campo na zona de decisão.

5- Javi García, Gaitán, Aimar, Witsel e Nolito são os 5 pilares do Benfica de momento. Se lhes juntarmos, Luisão, Garay, Maxi, Capdevilla, sobra apenas um elemento de campo para o onze. E eu apostaria ou Jara, ou Saviola.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A Orangina (Leixões)


Leixões - A força dos Bebés

O Leixões é, apesar da permanência ao longo dos anos pelas divisões secundárias do nosso futebol, um dos clubes mais acarinhados do norte do país. Uma força que os seus responsáveis quiseram agora recuperar com a aposta clara em produtos da casa. E com uma política que deveria ser seguida por alguns dos grandes. Se não reparem:

Para a baliza, tem 2 portugueses, formados no Leixões, e um brasileiro, Waldson, 21 anos, que se acredita poder ser uma mais valia. Sector defensivo conta com Zé Pedro e Paulinho (20 anos, vieram dos Juniores do clube depois de toda a formação no FC Porto), Nuno Silva (7 anos de casa), Nélson Sampaio e Sequeira (produtos dos Juniores do clube, resultantes da aposta do Dep. Prospecção) e Joel, aos 31 anos, com toda a formação no Leixões. Hanin, ex-jogador do Le Havre e William, recrutado ao Boavista, são os 2 estrangeiros do sector defensivo.

O sector intermediário é também elucidativo. Capela foi recrutado ao Milhoeirense. André Carvalho ao Varzim. Jean Sony cumpre o 4º ano de clube e Tiago Borges o 2º depois de formação no FC Porto. Pedro Santos recrutado ao Casa Pia continua a experiência em Matosinhos, a passo que Paulo Tavares, João Patrão e Pedro Seabra fizeram toda a formação no clube a que se junta o ex-junior Luís Silva.

Wesllem foi recrutado ao Penafiel. Diego Mourão ao Vizela e Hernâni ao União da Madeira. Fangueiro, produto da casa, continua, tal como Tiago Cintra, que fez toda a formação no Leixões até sair enquanto Juvenil para o FC Porto. João Beirão é outro ex-Junior com formação nos bebés.

No final do ano faremos contas.

O que nos diz a experiência da saúde financeira do Porto

Confesso que foi com alguma surpresa que vejo o FC Porto confirmar a contratação de Danilo por um valor de 13 milhões de €. Da mesma forma como ficarei surpreendido quando confirmarem oficialmente a compra de Alex Sandro por 9,5 milhões de €. Com isto, o FC Porto gasta quase o mesmo, com dois jogadores para o sector defensivo, que, por exemplo, o Benfica pagou por Witsel, Enzo Pérez, Bruno César e Garay... juntos!

Pode ser uma nova forma de o Benfica abordar as guerras de verão com os azuis e brancos. Inflacionando o passe de jogadores que, do meu ponto de vista, em nada viriam acrescentar mais valias desportivas aos encarnados.

Mas vai uma aposta que até final do Mercado o FC Porto igualará, ou mesmo duplicará, em vendas, o valor que agora dispendeu? Nomes: Álvaro Pereira, Cristian Rodriguez e Fucile. Secalhar Falcão.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Urretaviscaya


Testes a sério. Este não foi o primeiro. O primeiro acontece na Luz, num dia de chuva, sem extremos disponíveis, e com o uruguaio a rubricar uma grande exibição frente ao FC Porto. Hoje voltou, pela segunda vez, desde que Jesus é treinar, a integrar-se num grupo já rotinado e com experiência, excepção feita a Bruno César.

Tem sido uma odisseia a carreira de Urretaviscaya na Luz. Se o primeiro empréstimo ao Peñarol é discutível, o segundo ao Deportivo compreende-se e aplaude-se, novo empréstimo ao Peñarol é não mais se não voltar a atrasar a adaptação europeia do jogador. No meio desta indefinição, com o Benfica ao barulho, também, brilha pelas selecções jovens do Uruguai.

Novamente no Benfica, e numa pré-época carregada de jogadores, um dos destaques tem de ser ele. Pela diferença que trás à equipa. É o único extremo do plantel. Extremo na verdadeira acepção da palavra. Jogador vertical, de corredor lateral, predominância clara de linha, procura da linha de fundo e capacidade de servir os colegas na área.

Poucos existem na equipa com a sua velocidade. Ainda por cima Urreta vem mostrando também uma grande capacidade de jogar ao primeiro toque e procurar acelerar o processo ofensivo. Em transição está-se a revelar também importante pela forma como consegue rapidamente descortinar uma boa opção (a imaturidade leva-o por vezes a perder algumas bolas por ser prático nas suas acções).

Se compreendo a vinda de Witsel, claramente necessário, até pelo jogador que é, se Enzo Pérez é um jogador claramente mais, de qualquer equipa, já não se pode perceber a não permanência do uruguaio no plantel. Porque em qualquer que seja o sistema, ele cabe. Até porque é o único do plantel com características únicas para dar largura e profundidade ao jogo da equipa pelos corredores laterais. E se Jesus o pede em várias fases do jogo, tem de ter alguém que o faça.

Aimar é dono do 10. Witsel espreita, também podendo jogar na direita. Gaitán faz os 4 lugares ofensivos. Bruno César (que vem decrescendo) idem. Nolito na esquerda. Enzo Pérez na direita e também a 10. E Urreta, diferente de todos, ou na direita ou na esquerda. Há lugar para todos e tem de haver espaço para o uruguaio.

domingo, 17 de julho de 2011

Guadiana dia 3


- Dois Benficas. Um a partir de Witsel e Matic para a frente, e destes para trás. Uma linha ofensiva com qualidade técnica muito acima da média (o facto de não jogar Cardozo dá outra mobilidade e outra qualidade de movimentação à fase ofensiva do Benfica), com bons apontamentos, bom entendimento, bons lances, e uma linha defensiva fraca, para além de não ter rotinas a falhar situações básicas de ocupação de espaço.

- Urreta acaba por ser o melhor da segunda metade. Muito veloz, um quebra-cabeças para a defesa belga, apesar de algumas más decisões que resultaram em perdas de bola, fez um bonito golo, criou dois ou três lances de perigo para a sua equipa. Assim não se entende o seu empréstimo. Tem de ficar.

- David Simão adaptado não pode dar mais do que aquilo. Ainda assim, certinho, excelente lance na assistência para o golo de Urreta.

- Nolito e Aimar algo afastados do jogo. Ainda assim bons apontamentos quando chamados a intervir. Bruno César viu-se mais em decisões erradas do que outra coisa.

- Artur mostrou o que falei no outro dia. Lento de movimentos e pouco capaz no 1x0. Assim se viu no primeiro e segundo golo dos belgas. De qualquer forma seguro e sereno nas restantes vezes que foi chamado a intervir, muito bem em algumas acções na 2ª parte.

- André Almeida é muito fraco. Continua a fazer quase tudo mal. A atacar e a defender (inexistente). E Wass?

- Matic é reforço, já se sabia. No 4-4-2 que o Benfica apresentou na primeira parte ganha outra capacidade em progressão por não jogar a 6. No 2º tempo a sua capacidade física e inteligência posicional fizeram com que recuperasse inúmeras bolas.

- Witsel sem bola é um dos melhores dos últimos anos da Liga. Fantástico na cobertura ofensiva e equilíbrio, recuperou muitas bolas na primeira zona de construção dos belgas, tecnicamente dotado, muito bom na forma como protege a bola em progressão. É craque!

- Enzo Perez fez os melhores 45 minutos da pré-época. Muito veloz, aqui e ali com uma ou outra má decisão, mas outro portento físico para Jesus explorar.

- Gaitán é isto. Muita classe, excelente visão e leitura. Bons apontamentos ao nível do passe. Parece quase desaproveitado encostado ao corredor lateral.

- Jara tem de melhorar urgentemente no primeiro toque e depois será um dos melhores do Benfica. Saviola continua muito preso de movimentos, lento e pouco astuto nas decisões. De qualquer forma, capacidade de movimento e leitura posicional ao nível dos melhores do Mundo.

sábado, 16 de julho de 2011

Guadiana dia 1


Há coisas por de mais evidentes e mesmo que a insistência na utilização massiva dos mesmos jogadores, quando, talvez, se pretendia, uma maior observação de alguns atletas ainda a necessitar de mostrar o que valem, vale sim a ideia de Jesus que já mostrou que todos os jogos para ele são finais de Liga dos Campeões e não abdica da vitória e de jogar com aqueles que mais confiança lhe dão. No entanto tem de haver espaço para algumas observações e os insistentes, que continuam a mostrar ao técnico serem merecedores de um lugar de relevo.

Os insistentes:

- Nolito foi o melhor jogador em campo no Estádio do Algarve. E ainda não foi hoje que se estreou inserido num grupo rotinado e com outra experiência. Grande intensidade em todas as suas acções, agressividade na procura da bola, pressão alta, grande qualidade técnica e poder de drible, inteligente, e com mentalidade. Esteve nos 2 golos da segunda metade. Muita atenção!

- Jara continua a somar pontos. Atabalhoado em algumas circunstâncias, mas com um pulmão gigante, rápido, tecnicamente forte, e com muita classe. Excelente golo.

- Urreta. Recuperou bolas, lançou situações de ataque, bons atributos técnicos, verticalidade no seu jogo. Tem de merecer lugar neste plantel.

Outros:

- Artur tem tido uma pré-época muito descansada em comparação, por exemplo, ao que foi a do ano passado com Roberto. Segurança e muita serenidade acima de tudo. Algo lento de movimentos quando enfrenta situações de 1x1. Vamos ver.

- André Almeida faz uma primeira parte ao nível do jogador que é. Desenganem-se os que acharam que esteve em bom plano na 2ª parte. O PSG com a expulsão abdicou do flanco esquerdo e abriu-se uma passadeira para o português.

- Fábio Faria continua sem comprometer mas não dá para mais do que o razoável. Miguel Vítor assinou o jogo mais completo da temporada e talvez tenha ganho um lugar, apesar dos erros de posicionamento aqui e ali que ainda apresenta. Para nº4 do sector defensivo parece-me a melhor escolha.

- Matic nunca será um 6. Bruno César nunca será um extremo. Dois jogadores fora de posição, com talento para muito mais, mas fora de contexto natural.

- Gaitán jogou hoje num lugar por onde poderá passar com alguma regularidade ao longo da época face às muitas opções de qualidade para o meio-campo. Tem de jogar mais sem bola e mostrar mais inteligência na leitura de jogo para explorar as debilidades posicionais dos adversários. Se o conseguir tem tudo para desempenhar o lugar melhor que Saviola.

- Aimar não sabe jogar mal, critério, na batuta do futebol ofensivo. Enzo fez uma exibição esforçada com um ou outro bom momento mas ainda algo aquém do que pode fazer.

- Witsel fez 45 minutos muito bons face o conhecimento que tem dos colegas. Sem comprometer, recuperou algumas bolas, forte na transição ofensiva, sentiu-se um Benfica ligado nos seus momentos o que numa altura de cansaço físico foi notório. Um problema resolvido para Jesus.

- Saviola. O excelente golo não espelha uma exibição muito apagada do argentino. Quase sempre lento a pensar e a executar, perdeu algumas bolas, falhou passes, esteve alheado de toda a 2ª parte até ao momento em que fez das suas. Falta de confiança? Motivação?

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Jesus e os insistentes


Não lhe quero chamar teimosia. Mas insistir em David Simão como Lateral Esquerdo é dar ritmo e minutos ao jogador, certo, mas de forma totalmente desfasada e sem contexto sobre o que é o seu futebol. É que se existiam dúvidas sobre a forma como Simão singraria no futebol profissional ele tem sabido dissipa-las e mostrar o que vale.

É que mesmo numa posição totalmente fora do normal para si, foi dos mais esclarecidos do Benfica. A reclamar uma utilização coerente e de acordo com as suas características. É que inventou o golo de Urreta e teve outros bons pormenores. Se não fica este ano tem lugar em qualquer equipa em Portugal tirando o Porto e o Sporting.

Urreta parece afastado do grupo. Ou pelo menos é como se coloca perante a falta de interesse do treinador. É que não é surpresa para ninguém que Jesus não é seu fã. E basta ver as expressões do técnico sempre que o uruguaio executa algo em jogo. Sempre que chamado vimos um Urreta algo descrente, mas claramente com qualidade. Rápido, vertical, objectivo, e talentoso. Se não ficar no plantel como opção válida é porque algo mais escapa aos olhos dos adeptos.

Franco Jara. Chamem-lhe inconsequente e pouco objectivo. A verdade é que preenche todas as zonas ofensivas da sua equipa. Sempre inconformado e agressivo. Embora com clara falta de qualidade em algumas das suas decisões, erradas, mas com um talento enorme. Este ano com o Saviola que temos visto o lugar de nº2 da frente de ataque é dele.

Rodrigo Mora finalmente apareceu e confirmou o esperado. Passada curta, bom tecnicamente, boa ocupação de espaço, agressivo, jogador de área. Deixem-no jogar. O º4 do ataque é ele!

Isto se Jesus deixar de ser teimoso com aqueles que insistem em lhe baralhar as contas.

Com um Joker teremos Sporting


Partindo do pressuposto que Domingos Paciência vai apostar no mesmo 4x2x3x1 que o caracterizou com a variante do 4x1x3x2, a verdade é que este Sporting, apesar da dança de contratações e reformulação clara do plantel, que necessitava, não conseguiu, ainda, cobrir aquelas que seriam as principais lacunas da equipa e deixou sair, ainda que de forma quase invisível, aqueles que seriam, nos últimos momentos do leão, os jogadores mais esclarecidos que detinham: Jaime Valdés, Vukcevic e Pedro Mendes.

Olhando para os reforços, Boeck vem trazer qualidade na luta pela titularidade na baliza do Sporting, até porque Rui Patrício é capaz do melhor e do pior, Onyewu e Rodriguez são dois jogadores experientes, Schaars afigura-se como o principal reforço dos leões, um jogador de selecção holandesa, muita qualidade, assim como Rinaudo e Luis Aguiar, este último já totalmente identificado com o campeonato português. Bojinov e Ricky trazem ao ataque dos leões algo que há uns anos a esta parte já não existia: novidade.

Se Bojinov tem créditos firmados, um jogador a fazer lembrar pelo estilo de jogo um ex-leão, Marius Niculae, Ricky aparece como grande aposta do Sporting para os golos, até pelo valor que custou.

Parece claro que o trabalho de Domingos será árduo pois não será tarefa fácil fazer de todos estes jogadores um grupo coeso, unido e de qualidade. Se os egos do balneário estão a ser eliminados, vamos ver como a possível falta de um líder dentro do grupo consegue ser colmatada. É algo que falta ao Sporting desde a saída de Sá Pinto, e já andámos muitos anos para trás.

O que é certo é que este parece ser um dos melhores meios-campos que os leões viram nos últimos anos. E certamente do nível de grande parte das melhores equipas da Europa. Vamos ver como Domingos conjuga Schaars, Izmailov, Matías, Rinaudo, Luis Aguiar e André Santos. Falta, acima de tudo, um criativo para jogar pelos corredores laterais. E se vier Quaresma, como se especula, o Sporting assume-se como um verdadeiro candidato ao título. Sem esse jogador, é apenas o principal candidato ao 3º lugar.