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domingo, 28 de dezembro de 2014

O Mito Nani - versão 2

Vamos voltar a um dos temas que já nos fez abordar aqui o internacional português Nani. Esta semana fomos citados por um blog, que em tempos era visita diária para nós pela qualidade e capacidade de observação dos seus autores. Ora, referem os actuais proprietários do espaço, que devíamos "cortar os dedinhos para não voltar a escrever".

Não lhes fazemos a vontade, e por isso vamos tecer algumas considerações. O blog é actualmente gerido por algumas pessoas que temos estima mas outras não as conhecemos. E não conhecemos (referimo-nos ao nickname que nos citou) até pela ausência de qualquer mérito ou crédito no panorama desportivo nacional. Não fizeram nada, não demonstraram nada, não deram provas de nada e os resultados apresentados são até agora 0. No entanto, sentem-se no direito de atacar pessoas com outras opiniões, como se os seus paradigmas e conceitos fossem uma ciência exacta de certeza no futebol. Querem reinventar o jogo e fazem ataques pessoais e cerrados a imensas personalidades - algumas destaque não só na 1ª liga como em outros países do Mundo - que já deram mais ao futebol do que eles alguma vez darão na vida.

Mas vamos passar à fase seguinte. Nani. É este o jogador que nos leva a escrever este texto. Respeitamos a pessoa em si e o seu valor enquanto jogador. Contudo, está muito longe do que já foi outrora e do que se quer fazer dele. Desaproxima a equipa do golo, toma decisões más a maioria das vezes, coloca-se em situações de perda de bola e desprotege constantemente a equipa. Um jogador assim, como vamos descrever em vídeos, porque as imagens valem mais do que mil palavras, não pode nunca ser considerado top.



Ora é escrito no referido espaço, algumas pérolas em relação a este jogo:

"Nani é o melhor jogador da Liga porque é muito superior a todos porque finaliza melhor, cria mais e... sendo um extremo, é decisivo até no processo de construção.

Não é pelos dribles, remates e macacadas. É pelo que desconheces que Nani é estratosférico na Liga Portuguesa. De cada vez que toca na bola, cria situações muito mais vantajosas para a sua equipa. Ao nível a que se vem apresentando, em Portugal, só Deco.P.S. - Um desafio a quem tiver tempo. Escolher qualquer jogo da Liga dos Campeões do Sporting, FC Porto e SL Benfica, e montar um video com todas as acções na partida de Nani, Brahimi, Salvio e Gaitán. Enviar para o mail que partilharemos."

A verdade é que já enviámos o email. Vamos ver se partilham.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Anderson Talisca



Já aqui tínhamos atestado a sua qualidade. Jogador que dentro da anarquia que ainda oferece pode acrescentar muito ao jogo ofensivo do Benfica. Mas o perfil psicológico que parece apresentar poderá atrasar a sua adaptação a uma posição mais recuada que acreditamos ter tudo o que as suas características físicas e técnicas pedem.

Talisca tem jogado, e bem, no apoio ao avançado, como elemento sem grande capacidade posicional como gosta Jesus mas tem aparecido muito bem em zonas de finalização o que lhe tem dado destaque grande neste Benfica. É de realçar que vem de um campeonato diferente e a forma como se está a impor é um facto de assinalar.

Contudo vamos tentar perspectivar o futuro. Talisca pela capacidade que tem de progredir com bola, jogando de frente, é um elemento muito perigoso para as equipas contrárias. Exemplo disso é o golo ao Estoril e o lance que origina a expulsão frente ao Moreirense. Vendo o jogo de frente, partindo em penetração, é difícil de parar e a qualidade na progressão que apresenta, também a passada larga que queima metros e junta sectores, tem de ser explorada.

O modelo do Benfica pode ganhar com as características que o ex-Bahia vem dar à equipa, mas é importante também que Talisca compreenda as missões - sobretudo defensivas - que não deve descurar a este nível competitivo. Ainda é lento a recuperar e pouco pro-activo na recuperação. Pela agilidade e estrutura física pode ser facilmente uma "aranha" nas recuperações, capaz de se destacar também aí.

A frieza na hora de finalização tem sido de assinalar e podem-nos levar a perceber que Talisca tem também golo. Mas pode muito bem, conforme for crescendo, ir ganhando rotinas de jogar mais por trás, acrescentando a este Benfica movimentações e posicionamentos de nº10, coisa que Jesus tem insistido em não ter ao longo dos anos, mas que pode com o brasileiro ser uma obrigatoriedade face à sua afirmação na equipa encarnada.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Uma questão de contextos




Jorge Jesus permite um Benfica mais forte e mais capaz de defrontar qualquer equipa. Contudo, noutro contexto competitivo, as fragilidades individuais de alguns jogadores demonstram as fraquezas que o conjunto tem para patamares mais elevados de exigência. O Zenit para além de ser uma equipa muito completa e de muita valia individual, é extremamente bem organizada e bem conhecedora de todos os momentos do jogo. Para além disso, os seus jogadores interpretam perfeitamente a questão qualidade vs experiência e assume-se este ano como o grupo mais forte do projecto milionário dos russos dos últimos anos.

O Benfica não pode ambicionar a triunfar na Europa e jogar com Artur, Jardel e Eliseu. Artur não tem condições para jogar em Portugal quanto mais fora de portas. Jardel a nível defensivo faz quase tudo bem e oferece garantias de top naquilo que se pretende para um plantel. Assumir a titularidade neste contexto é outra conversa, e as dificuldades porque passou hoje no momento da saída de bola, revelam falta de qualidade dele para este nível competitivo. Eliseu é outro caso. Em Portugal vai disfarçar as suas limitações mas apanhando pela frente um jogador da valia de Hulk sente enormes dificuldades e muita sorte acabou por ter o Benfica pelo Zenit ser uma equipa de organização ofensiva e não saber jogar de outra forma.

Noutro âmbito, importa falar do Mónaco. Bernardo Silva teve direito a meia hora e encantou os franceses. Bola colada ao pé, o jogo ganha dimensão quando o pequenino jogador ex-Benfica assume a batuta. Criatividade, imprevisibilidade, tomada de decisão, capacidade de penetração, condução, qualidade passe...enfim, esgotam-se os elogios. O que será preciso para Leonardo Jardim dar-lhe a titularidade e oferecer qualidade a esta equipa francesa que bem necessita?

No lado oposto está Ivan Cavaleiro. A vitória do Corunha frente ao Eibar esta segunda-feira não apaga a paupérrima exibição do extremo português. Muitas dificuldades na recepção, problemas técnicos evidentes para se catapultar para outro nível competitivo. Saiu, e bem, pelo pouco que deu ao jogo. Rapidamente, a continuar assim, perderá o lugar para Cuenca. Quanto a Sidnei, foi o melhor em campo e é um case study. Pode até nem ser preciso chegar a muitas conclusões, mas custa entender o porquê da sua carreira não estar noutro patamar. O treinador gosta dele e é fácil perceber porquê: lê o jogo como poucos, sai a jogar com qualidade de nº10, antecipa-se e recupera bolas de todas as formas e a continuar assim, mantendo o nível exibicional, vamos ver se ainda haverá tempo para ele. Numa equipa com bloco baixo, que não o exponha a situações de metros nas costas para correr, pode ser top.

domingo, 7 de setembro de 2014

O mito Nani


Chega. O nível dos jogadores portugueses decresce cada vez mais e valoriza-se em demasia certos jogadores pelo que em tempos fizeram ou pela atenção que lhes é despendida pela comunicação social. Os últimos 2 anos de Nani em Manchester e o facto de quase nunca ser utilizado não acontece por acaso.

É pela fraca utilidade actual do jogador face ao que já fez no passado. Nani estagnou como jogador e adoptou vícios que o tornaram pior jogador. Não compreende o jogo, pensa mal e sobretudo executa quase sempre mal. É um jogador demasiado inconsequente, sem critério nas suas acções, pouco regular e que tem uma taxa de sucesso dos seus lances a rondar o horrivelmente.

Nani deixou de ser o jogador que era e é necessário alguém o apontar de forma assertiva. O futebol não é fazer umas fintas e dar uns toques giros na bola. Nani mesmo a nível técnico demonstra limitações grandes sobretudo ao nível do cruzamento, situação que explora muito no seu jogo. Dos imensos que tira, poucos são aproveitados não só por não haver quem os finalize, mas essencialmente porque despejar bolas para a área é diferente de encontrar a melhor situação para permitir finalização a um colega.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Bryan Cristante




O Benfica, no último dia de mercado, fecha um objectivo antigo, apenas agora concretizável face à lesão de Ruben Amorim e ao empréstimo de Van Ginkel ao Milan. Cristante vem para o Benfica e vamos procurar perspectivar aquilo que acrescentará.

Cristante inicia esta temporada o seu primeiro ano como Senior. Formado no Ac Milan, estreou-se a temporada passada ainda enquanto Junior na 1ª equipa do grande de Milão onde participou em três partidas e marcou um golo à Atalanta.


Jogador da posição 6, é a referência da primeira fase de construção, embora também possa jogar mais à frente, como 8. Contudo, é a jogar mais recuado, assumindo o jogo desde trás que se sente mais confortável. Tem capacidade de desarme e recuperação de bola pela excelente capacidade física que tem. Protege bem a bola, sabe usar o corpo, mas é nos argumentos técnicos que se destaca.

Dotado a nível de recepção, assume o passe curto, médio e longo com qualidade, sendo forte no drible e na capacidade de manter a posse. Apenas tem ainda alguns problemas ao nível da intensidade de jogo e na execução quando pressionado, daí gostar de pisar terrenos menos "preenchidos" de jogadores adversários.


É culto tacticamente e tem excelente sentido posicional. Assume o jogo, gosta de ter bola e nunca se esconde. Oferece constantemente opções para manter a posse e progredir - é aliás aqui que se destaca sobremaneira, na forma como oferece coberturas ofensivas ao portador da bola e toma opções seguras.

Cristante fruto da capacidade física e técnica que tem pode também ser olhado para a posição 8 pois é forte em progressão e chega bem à área contrária. É um jogador parecido a André Gomes até na fisionomia mas com maiores argumentos a nível técnico e que pode atingir outra dimensão. O Benfica ganha aqui um jogador de valia para as duas posições do meio-campo, tal como Samaris.

sábado, 30 de agosto de 2014

Falando de Samaris



O derby de amanhã vai trazer muitos aliciantes e um dos principais é a possível estreia do grego Samaris com a camisola do Benfica. Teoricamente um desconhecido para o público português, vamos tentar perspetivar o que vale, onde encaixa e o que pensar sobre ele.

A expectativa é grande, até pelos 10 milhões de € pagos para garantir o seu concurso, após uma época ao serviço do Olympiacos. E importa analisar o contexto: o campeonato grego é nivelado por baixo, sendo o Olympiacos de um nível muito superior ao dos seus adversários. Os 17 pontos de avanço para o 2º classificado assim o revelam, e por isso é importante perceber em que situação se inseria Samaris.

Numa equipa de muita propensão ofensiva, com bastante volume atacante e num modelo que prioriza a posse de bola e o jogo apoiado, jogava normalmente numa das posições de médio interior (tanto à direita como à esquerda). É um jogador com porte atlético (1,89cm), muito disponível fisicamente, rápido sobre a bola, agressivo no desarme, bom recuperador, mas com argumentos a nível técnico na recepção e especialmente no passe curto, médio e longo.

Sabe jogar simples a um/dois toques, sendo bastante prático de processos, mas gosta por vezes de adornar e dar um toque de classe na forma como sai a jogar. Pela robustez física e capacidade de protecção de bola, pode ser utilizado na posição 6 (onde acreditamos que se vá fixar no Benfica) porque apesar de gostar de subir e ser usual aparecer em zonas mais adiantadas, não é forte na penetração e no drible em progressão, característica importante para a posição 8 do modelo de Jorge Jesus.

Contudo, a passada que tem, capacidade de preenchimento do espaço, qualidade táctica e desarme, aliando à forma como sabe jogar de costas e também decidir de frente para o jogo, utilizando a excelente capacidade de passe que detém, pode fixar-se de caras no onze da equipa e tornar-se uma figura importante da estrutura do Benfica.

Importa contudo analisar que a pressão adversária existente na sua zona de acção no tempo que passou no Olympiacos era praticamente nula fruto das equipas baixarem normalmente o bloco quando jogavam contra o campeão grego, pelo que não é ainda possível perceber ao nível da tomada de decisão e execução sob pressão de que forma se pode comportar, daí fazer sentido enquadrá-lo sobretudo para o lugar 6 do Benfica onde teoricamente teria um maior transfer daquilo que foi habituado a fazer não só no Olympiacos como também no Panionios.

Samaris é ainda um excelente executante de bolas paradas, tendo uma meia distância de qualidade, gostando de tentar visar, sempre que com espaço, a baliza contrária, com ambos os pés. O Benfica ganha aqui também um jogador muito importante na cobrança de bolas paradas e na meia distância, embora pela sua estatura possa ser utilizado dentro da área para finalizar este tipo de situações.

sábado, 9 de agosto de 2014

WBA x Porto



- Notas muito positivas dos azuis e brancos. Equipa joga muito alto, com sectores muito próximos e bastantes coberturas para manter a posse. Largura dada quase sempre pelos laterais e/ou Tello, com bastante mobilidade pelo corredor central de Brahimi muito agressivo a penetrar o corredor central.

- Equipa bastante agressiva após perda, equilibrados e sempre à procura de retirar tempo à decisão do oponente. Herrera forte na transição defensiva pela capacidade de ocupar o espaço, mas mais lento que os companheiros de sector na tomada decisão em posse.

- Danilo e Alex Sandro neste modelo têm tudo para fazer um ano grande no Porto. A equipa joga de forma paciente para explorar combinações tácticas explorando a sua largura e o movimento interior dos alas abrindo-lhes o corredor.

- Brahimi é um craque. Muito forte com bola, excelente na tomada de decisão, criativo e com capacidade no 1x1. Vai ser difícil não ser figura neste Porto.

- Tello apesar de não sermos fãs pela fraca tomada de decisão e partir invariavelmente para situações de 1x1 e finalização quando tem melhores opções, pode ser importante neste Porto se crescer também mentalmente e em termos de maturidade do seu jogo. Mudança de velocidade que pode desbloquear muitos problemas.

- Jackson muito incorporado no momento de organização ofensiva, nunca estático e sempre à procura de bola para jogar de frente - na senda dos modelos espanhóis de não haver avançado posicional nesse momento do jogo.

- Quaresma vai ser sempre um jogador diferente deste modelo de Lopetegui. Menos combinações colectivas, menos integração nos lances ofensivos, menos situações de manutenção da passe, mais passes de risco, mais situações individuais...mas é isto: qualidade de improvisação e de execução como ninguém. O Porto vai ter mais situações de perda de bola com ele, mas também pode ganhar se contar com a sua inspiração.

- Quintero é um jogador de uma qualidade absurda. Tomada de decisão, execução, a forma como pensa e interpreta o jogo, a qualidade de tudo o que faz... a equipa tem de jogar muito daquilo que pode oferecer o colombiano. Seja como ponto de partida na ala ou pelo corredor central - ele acaba por ir lá dar de qualquer das formas.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Como sabe bem ver João Mário



O Sporting está quase a terminar a sua pré-temporada e apesar dos sinais serem positivos, há ainda algumas coisas a melhorar. Sobretudo a forma como a equipa vai passar a articular um meio-campo diferente, até pela entrada imediata de William nas contas. Mas em qualquer onze que se faça da equipa de Marco Silva tem de estar João Mário. O jogo de ontem no Egipto é só mais uma demonstração cabal daquilo que pode acrescentar à equipa. Destaco-o como o melhor jogador sub-21 português e dentro de campo mostra porquê. Tecnicamente é uma coisa absurda, a forma como pensa o jogo também o é. O Sporting ganha com André Martins alguma irreverência na terceira fase, mas com João Mário ganha uma criatividade e controlo da posse que mais nenhum jogador da equipa consegue oferecer.

domingo, 3 de agosto de 2014

As referências de Benito



Loris Benito chegou ao Benfica praticamente como um desconhecido. Ainda há algumas dúvidas relativamente ao seu valor mas a nossa opinião está formada. Não é questão dos restantes companheiros do sector defensivo não ajudarem. Há casos de fracasso colectivo. E há outros de completo desajuste individual face às exigências. O lance do 5-0 de Sanogo ontem é um exemplo disso.

A principal preocupação de um jogador de futebol tem de ser a bola. É a base de todos os princípios do jogo. Um jogador que está neste contexto não pode ter um desconhecimento tão grande sobre o jogo como o suiço demonstra. Senão vejamos:



Passe longo para a sua zona de acção e Benito esquece a bola. Deixa de olhar para ela, não a ataca, sequer. Procura posicionar-se. A recepção de Campbell a antecipar-se deixou-o aos papéis e fora de qualquer chance para jogar. Estando em superioridade numérica, devia fechar o espaço e posicionar-se de forma a dificultar a decisão do jogador do Arsenal. O que faz? Sai ao portador desprotegendo as costas, originando uma situação de finalização para os ingleses. Quais são as referências dele, afinal?



Atentem na forma como posiciona os apoios e sai na bola. É um grande lance de Cazorla, mas é também demasiado infantil a forma como Benito aborda o espanhol e procura fazer não se sabe bem o quê. Lembrar que este lance terminou com um remate ao poste.

O suiço pode até ter disfarçado nos primeiros jogos ser um jogador aparentemente competente, por ter alguma velocidade, e ser forte a nível físico. Mas um jogador com uma escassez tão grande de argumentos a nível ofensivo e com tantos problemas nas abordagens defensivas (algumas a roçar o distrital, como esta) não auguram nada de positivo para a sua carreira em Portugal.

E agora Lopetegui?



É indiscutível que o FC Porto está a construir o melhor plantel em Portugal. Com a qualidade dos nomes e as opções à disposição, provavelmente um dos melhores dos últimos anos do nosso futebol, apenas de possível comparação ao do Benfica 09/10 e 13/14 e ao FC Porto de André Villas Boas. Tal é a qualidade e a imensidão de opções para o treinador.

A questão está na ideia de jogo e na sua forma de gerir recursos. É fácil trabalhar com tanta qualidade mas é difícil gerir tantos egos. E um deles é Quaresma. Não é possível ficar indiferente ao seu talento, mas é também notório que os seus melhores anos já passaram e se tornou um jogador descontextualizado da exigência actual do futebol de alta roda pelas fracas decisões que toma e dificuldade em se inserir num jogo colectivo que naturalmente terá de ser este.

O Porto faz hoje um jogo de qualidade, sobretudo na 2ª parte, no terreno do Everton, e quando não esteve Quaresma. O exemplo do golo é o ADN que pretende o técnico espanhol de futebol controlado pela posse com opções várias para jogar próximo do centro de jogo e em constante mobilidade. Sempre com opções.



E com a qualidade ofensiva destes laterais tudo se torna mais fácil. É difícil nesta altura perspectivar um onze azul e branco, mas estes nomes têm de ser peças fundamentais na manobra da equipa: Danilo, Alex Sandro, Herrera, Brahimi, Quintero, Oliver, Adrián e Jackson. Com tanta qualidade individual, o Porto parte claramente muito à frente dos outros rivais.

sábado, 2 de agosto de 2014

Emirates Cup day 1



Não se pode dissociar as fases do jogo nem os seus momentos uns dos outros, mas a verdade é que este Benfica parece quase uma equipa de duas caras e de dois níveis distintos. Mas tudo é fácil perceber e de ser explicado pelo nível individual dos jogadores dos diferentes sectores da equipa.


Tinha sido possível observar dificuldades do Benfica no processo ofensivo e na inexistência de mobilidade e dinâmicas que permitissem jogo entre-linhas e combinações directas em progressão como as equipas de Jesus sempre nos habituaram. Hoje foi possível ver melhorias nesse aspecto e graças à inclusão de Gaitán sempre pelo corredor central, algo que já aqui vem sendo dito desde o primeiro dia de pré-época. É realmente o jogador mais forte da equipa no corredor central na penetração e agressividade com bola e qualidade de critério e decisão.

Com as rotinas já criadas e pelos lances que foi inventando com Lima e Salvio, que mesmo ainda a níveis baixos de produtividade face ao que já mostraram em outra altura, foi possível ver um Benfica mais ligado entre sectores na fase ofensiva e a permitir alguns lances interessantes. Mesmo gostando de Ola John, não agarrando estas oportunidades, fica difícil para ele. Quase sempre a decidir mal (coisa que não é normal) e a ter problemas em combinar com os colegas.


Mas o que explica os números e o baixíssimo grau colectivo da equipa no dia de hoje é o processo defensivo. Não é normal em Jesus, mas explica-se pelos nomes. Artur, Maxi, Sidnei, César e Eliseu. São 4 elementos novos, mais Maxi que nem sempre jogou o ano passado. Sidnei e César não controlam o espaço e não conseguem ter referências espaciais para jogar, abrindo constantemente espaços e tendo problemas na reacção aos maus posicionamentos que ocupam. O próprio Eliseu, que revela qualidade com bola, tem problemas graves a nível defensivo, coisa que já se sabia, mas que é possível melhorar com Jesus.

Basicamente este quarteto nunca se encontrou nem consegue jogar de forma coesa e concentrada, algo que existia o ano passado. Não é pelo trabalho nem pelo modelo, é pela (não) qualidade dos elementos citados para perceber o que é a exigência do jogar de Jorge Jesus. Mais, com Artur a revelar tantos problemas na comunicação e controlo da área, o Benfica jogando tão subido e com tantos metros nas costas arrisca-se a ter problemas face à sua improdutividade e pouca confiança também fora dos postes.


Anderson Talisca. Hoje como 6, algo que acredito sempre esteve na mente do treinador pelas condições atléticas e técnicas do jogador. Perdido, também, sem rotinas para o lugar, a demorar a compreender o que o jogo exigia, e claramente desaparecido. É um talento e se continuar a trabalhar pode crescer muito, mas o Benfica terá problemas a atacar jogos de exigência altos com ele neste ou no outro lugar do meio-campo.

Salvio. O Benfica vai ser diferente com o argentino. Certo é que Markovic é um super talento e um jogador claramente nível mais. Mas Salvio terá problemas para dar à equipa o que o sérvio se habituou a dar. Desde logo na transição defensiva e na forma como o sérvio equilibrava a equipa. E sobretudo a inexistência de capacidade do argentino para progredir para o corredor central e dar superioridades numéricas em progressão. O Benfica perderá aqui e sem 2 alas capazes de perceber e jogar como poucos pelo corredor central (Nico e Markovic) as dinâmicas colectivas serão naturalmente muito diferentes.

4x3x3. Tem de ser olhado por Jesus com outros olhos porque não tem neste momento jogadores para interpretar o seu modelo e jogar da forma como gosta. Sobretudo garantir uma capacidade e coesão defensiva em inferioridade top como existia o ano passado, e também qualidade no processo ofensivo com a inclusão de vários jogadores pelo corredor central. Essa deve ser a sua principal preocupação neste momento. Os melhores jogadores deste Benfica actual são os jogadores que conseguem ter bola e controlar o jogo pela posse. E sem um avançado de grande nível que consiga ligar sectores e jogar entre-linhas, Nico Gaitán não pode andar a jogar encostado ao corredor lateral muito mais tempo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Formação e as vitórias das selecções



Portugal voltou a realizar uma grande campanha ao nível das selecções jovens, depois do Mundial de sub-20 onde se sagraram vice-campeões. Desta vez foram os sub-19 na Hungria que apenas foram batidos pela Alemanha na final. Estes são, contudo, resultados que não nos mostram a realidade do que se passa no nosso futebol.

O talento de rua está cada vez em mais risco de desaparecer. Mas a culpa não é só das novas modas e da nova sociedade. A culpa é também dos clubes, dos treinadores, dos dirigentes, dos modelos competitivos, da cultura do próprio país. Em Portugal continua a brincar-se à formação, às vitórias e ao sucesso, quando se devia desenvolver um trabalho sério ao nível da formação de jovens talentos e da preparação das suas competências para o futebol profissional.

São poucos os clubes que abdicam de uma vitória esporádica para potenciar um jogador. O problema não está só na questão de "saltar etapas", ou como defendemos, preparar o jogador no contexto competitivo que lhe permite maiores estímulos e que coloca o jogador perante as dificuldades ideais para uma maior evolução. Está também nos modelos que os treinadores praticam actualmente. Coisas fechadas, sem espaço para o improviso, para a liberdade, para o erro, porque o resultado final continua a ditar processos no nosso futebol.


Portugal hoje jogou com a Alemanha na final de uma prova europeia que se deu ao luxo de não convocar os 5 melhores jogadores da idade (Leon Goretzka, Serge Gnabry, Timo Werner, Max Meyer e Jonathan Tah) por considerarem que estão já em outro patamar. Não se importaram com o resultado final. Quiseram formar, e acabaram a ganhar. Jogadores já noutro patamar, como alguns dos seleccionados, já com bagagem de 1ª e 2ª Liga alemã.

Honra feita ao FC Porto por ter Ivo Rodrigues e Tomás Podstawski todo o ano a competir na 2ª Liga, tal como esporadicamente Rafa e André Silva, ou Riquicho no Sporting. Do outro lado é um iate, onde as máximas exigências são num campeonato nacional de Juniores que prepara muito pouco os jogadores para outros patamares de exigência.

Desengane-se quem pensar que este resultado fará as pessoas mudar a sua forma de dirigir ou de apostar no jovem talento nacional. Vamos analisar os 11's de Portugal e Brasil que disputaram a final do Mundial sub-20 e perceber onde estão os jogadores nos dias de hoje:


Há comparação possível? Tendo em conta que falta, ainda, por exemplo, Phillipe Coutinho, do Liverpool, que acabou por ser substituído neste jogo? Não é só questão de falta de aposta, é questão de em Portugal se preveligiar modelos resultadistas em vez de modelos que permitam a evolução dos atletas.

Chega-se a estes momentos e as selecções até acabam por ter alguns resultados de qualidade mas pelo facto dos seus atletas raramente serem colocados em níveis de exigência que lhe permitam outros níveis de maturação e reais possibilidades de evolução, o seu talento momentâneo a certo momento acaba por se diluir e perder no tempo.


O que teria sido desta geração de 2011 na Colômbia com outro trabalho de base e outra continuidade de aposta neles? Hoje é fácil apontar pouca qualidade a quase todos os seus intervenientes. Pois. Depois do mal estar feito, realmente não há como voltar atrás.

Portugal precisa urgentemente reformular todos os seus modelos e todas as ideias impostas na nossa sociedade, que por vezes são o que define e condiciona qualquer tipo de trabalho que se pretenda fazer a nível de clubes e selecções.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Benfica na Suiça



- Equipa ainda longe da capacidade de outros tempos, sobretudo devido à falta de jogadores cruciais na manobra ofensiva da mesma. Pouca capacidade de ligação intersectorial e dinâmica ofensiva apenas a espaço quando Nico Gaitán aparece de frente com bola pelo corredor central.

- Amorim é um jogador tremendo do ponto de vista da manutenção da posse e de oferecer linhas para jogar curto, mas não pode ser um jogador para a posição 6 de um Benfica a nível de Europa pela pouca capacidade que oferece a nível do preenchimento de espaços e das coberturas que oferece.


- Eliseu está pesado mas continua a notar-se a capacidade que tem de entrar por dentro e procurar jogo interior com os companheiros. Um jogador mais do ponto de vista da compreensão do jogo e que pode ser muito útil.



- Franco Jara continua a ser uma decepção pelos minutos que continua a ter. Um jogador com a sua pouca competência ao nível da compreensão e tomada de decisão em jogo não pode jogar numa equipa da dimensão do Benfica, sobretudo se também não for especialmente forte em mais nenhum aspecto.

- João Teixeira, tal como escrevemos atrás, é ali que pode acrescentar algo à equipa, na posição 8. Pela agilidade, capacidade de acelerar e de progredir com bola. Mas atenção, é um teste com o Sion. No entanto, tem qualidade.


- Bebé voltou a jogar encostado à faixa mas parece-nos que crescerá muito jogado pelo corredor central. Tem de perceber mais o jogo e saber que espaços pisar e de que forma jogar mas tem muitas condições pela capacidade de jogar entre-linhas e na forma como sai do drible para a finalização.

- Ola John teve um jogo apagado, ao contrário do que vinha fazendo, mas a qualidade está lá. Há um lance na 2ª parte que parte em progressão pelo corredor central, com a movimentação fixa o defesa e cria o espaço para a entrada do médio que isola com um passe letal. Definidor do que pode acrescentar.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Benfica pré-época 2



Ola John. Basta pesquisar na caixa do blog pelo nome do holandês para ser fácil perceber a ideia que temos dele. Extremo de qualidade, forte em largura mas também por dentro, tem tomada de decisão como nenhum e talento para arranjar espaços como poucos. É descredibilizado por não ser um jogador repentista como os colegas, mas a temporização, tomada de decisão e capacidade de jogar 1x1 tornam-no um elemento que tem de ganhar destaque na equipa do Benfica.
Eliseu vai ser figura da equipa a breve espaço. Primeiro pela qualidade que tem, segundo pela confiança que o treinador deposita nele. Pode até ter alguns kilos a mais mas um jogador tão rotinado a jogar numa das ligas mais competitivas do Mundo, semana após semana, vai facilmente fazer a diferença. E porque encaixa na perfeição no que o treinador pede. Capacidade de jogar por dentro e por fora, velocidade, um leque de opções vasto a nível de drible e uma meia distância que pode ser um upgrade a esta equipa.

Franco Jara é a antítese do que vemos em Ola John. Qualidades físicas mas perdeu muito do que mostrou nos primeiros anos na Argentina. A irreverência e capacidade individual quase anárquica de resolver lances foi-se diluindo no tempo e é agora um jogador sempre em esforço, com péssima tomada de decisão e extremamente irregular nas suas acções. Um pouco à imagem do que achamos de Urreta.

sábado, 26 de julho de 2014

As primeiras notas da pré-época



Talisca - Jogador que no Brasil era um avançado, sem responsabilidades defensivas, que jogava também por vezes no apoio directo a um jogador mais fixo ou descaído numa ala. As suas qualidades são muitas e JJ está a tentar ensinar-lhe como jogar a 8 no modelo do Benfica. Competência tem para isso. Qualidade técnica, agressividade, potência em progressão e penetração e uma passada que queima imensos metros e junta sectores com uma facilidade incrível. Pode até demorar, mas é um grande jogador em perspectiva.

César - O jogador que mais tem impressionado. Ainda algo verde em termos posicionais e com algumas dificuldades em perceber certos posicionamentos mas com uma margem muito grande. Muito forte em antecipação, tanto por baixo ou pelo ar, tem qualidade técnica e atrevimento de jogador de equipa grande. Precisa trabalhar e dosear a necessidade de sair com bola em todas as situações. Pode vir a ser uma excelente surpresa.

Luis Filipe - É o que já tínhamos visto dele no Palmeiras. Dá profundidade pelo corredor mas sem grandes argumentos técnicos. Baseia-se na agressividade e atitude. Alguns problemas a nível defensivo e terá dificuldade em assumir-se no Benfica.

Derley - Jogador diferente dos restantes do plantel. Um "bicho" de área, agressivo, forte tecnicamente, bom de cabeça e com sentido de baliza. Sabe jogar de costas, segurar e sair também em drible direccionado para a baliza. Pode ter alguns problemas de adaptação inicialmente por ter muito menos espaço e metros até à baliza mas tem perfil de equipa grande.

Bebé - O mais recente reforço do Benfica é um jogador de qualidade que pode crescer muito no Benfica. Assume o jogo como poucos e chama a si os momentos do jogo. Deixou de ser um extremo para passar a ser um jogador interior, anarca, ainda, mas com capacidade como poucos para partir no um contra um e dotado de enorme capacidade de remate com ambos os pés. 

João Teixeira - Nunca foi um 6 mas percebe-se a ideia por alguma escassez de capacidade ofensiva e drible. Ainda assim muito forte em progressão e na forma como pega no jogo e assume o mesmo. É ainda algo cru em termos posicionais e na tomada de decisão.

Loris Benito - Um bom lateral mas não para titular. Dá alguma qualidade ofensiva, embora sem grande talento. Não é forte por dentro, mas dá largura e sabe cruzar com qualidade. Defensivamente pode ter problemas quando apanhar jogador rápidos.

Candeias - Sempre pensei que o iríamos ver como lateral. É curto para a posição de ala, mas um jogador perfeitamente adaptado ao nosso campeonato e em fase de rendimento total. Cruza bem e aparece em zonas de finalização, mas parece-nos que enfrentará problemas para se assumir no clube.

Víctor Andrade - Não compreendo o sentido da contratação de um jogador com a sua (não) qualidade. Algo preso de movimentos e sem a capacidade de ter jogo de outrora.

João Cancelo - Um jogador que embora tenha uma margem enorme continua a tornar-se banal. Tomada de decisão horrível, não só com bola, mas na forma como desprotege todo o sector defensivo da sua equipa. Com Jesus vai ter muita dificuldade.

Jardel - Continua a ser descredibilizado por muita gente que não compreende a qualidade que acrescenta a esta equipa. Extremamente rápido, inteligente nas abordagens, muito forte na antecipação e que dá qualidade nas bolas paradas. Um jogador que se pode assumir no Benfica e que discutirá com César uma das vagas da defesa caso Lisandro não conte.

Noutra vertente, parece-nos fundamental que o Benfica volte a contar com Nico Gaitán para a nova época. Jogador a atingir o auge da sua carreira, um virtuoso, capaz de dar qualidade extra ao Benfica neste modelo pela forma como se incorpora por dentro e se torna um terceiro médio a ligar sectores. Já para não falar de Enzo e de tudo o que seria diferente no Benfica sem ele. Mesmo após as muitas saídas, o sucesso do Benfica este ano pode estar na permanência, ou não, destes dois jogadores.

terça-feira, 20 de maio de 2014

A convocatória e sobretudo Vieirinha e Rafa


Paulo Bento divulgou hoje a lista de convocados para o Mundial do Brasil. Apesar de haver um seleccionador em cada português esta é uma lista que apoiamos a 100%. Sobretudo pelo facto de Danny e Tiago, dois titulares de caras na nossa óptica, não estarem dentro do enquadramento de possíveis seleccionáveis.

Mas este post é para falar dos nomes mais discutidos no dia de hoje: Vieirinha e Rafa. Vamos começar pelo segundo. Rafa fez uma grande época ao serviço do Braga. É o elemento mais jovem a par de William Carvalho dos eleitos. Mas leva-nos a uma discussão muito mais abrangente do que questionar ou não a sua qualidade para estar nos eleitos.


Rafa é um jogador de muita qualidade e com características ainda abertas ao trabalho. Pode jogar por dentro ou por fora com o mesmo rendimento e oferece diversas possibilidades ao seleccionador. Mas como é possível um talento tão grande como acreditamos ser o seu, ter andado pelo pelado do Alverca e pelo Povoense, sem ter despertado à atenção dos grandes?

Já aqui e aqui abordámos esta questão e voltamos a fazê-lo. Porque motivo este jogador em contextos teoricamente onde cresceria menos, não teria os melhores treinadores, os melhores treinos, os melhores colegas, as melhores condições, evoluiu mais que todos os outros da sua geração ao ponto de estar nos convocados para o Mundial? E aqui sempre acreditámos nele para isto. Leia aqui

Outro assunto é o de Vieirinha e importa perceber esta escolha. Sabemos que um grupo não se faz de 23 titulares. E Vieirinha ambiciona sê-lo mas sabe, primeiramente, qual o seu lugar. E o seu discurso após a chamada revela isso mesmo:

"Sinceramente não esperava ser convocado. Só tenho de agradecer a Paulo Bento e prometer-lhe que vou dar o máximo para justificar esta aposta".


Paulo Bento sabe que Nani e Ronaldo serão os titulares. Sabe que tem Varela, até Rafa. Mas tirou o joker Vieirinha. Um jogador que enfrentou uma grave lesão, ninguém dava nada por ele esta época, e agora é convocado? Paulo Bento faz uma jogada de mestre a nível psicológico e sabe que pelo menos Vieirinha, dará tudo o que tiver e não tiver em campo em forma de agradecimento por esta aposta. Ah! E qualidade tem mais que muita!

terça-feira, 6 de maio de 2014

Lopetegui e a oportunidade formação



O Porto oficializou hoje o treinador Lopetegui como a nova aposta da estrutura para o próximo ano. É um treinador experiente ao nível do trabalho com jovens e parece estar aqui encontrada uma oportunidade muito interessante para o Porto começar a dar desenvolvimento ao nível da equipa principal ao bom trabalho que tem realizado na sua formação.

Trabalhar bem na formação não é ganhar campeonatos. O Porto até tem conquistado alguns, mas este ano voltou a provar que essa não é a sua prioridade. Exemplos disso são os jogadores Juniores que lançou na sua equipa B a competir de forma regular com jogadores mais experientes, acelerando o seu processo de maturação e permitindo-lhes estímulos para evoluírem de forma mais sustentada.

Com a entrada de um treinador habituado a lidar com jovens e que parece ter especial interesse e apetência para essa área, o Porto tem aqui uma oportunidade para se destacar, finalmente, como clube que ganha/luta por títulos e que aposta na juventude e prata da casa. Até porque qualidade tem, e o trabalho que tem desenvolvido assim o exige.

A formação do Porto neste momento tem um modelo de jogo transversal, que permite uma continuidade aos seus atletas, pelo menos maior que os outros dois rivais. Faz um trabalho continuado e com bastante critério.

Primeiras notas em relação ao novo treinador: O contexto. Não é por ter ganho títulos jovens pela Espanha que é atestado de competência. Também não é por apenas ter tido sucesso nesse contexto, que é um atestado de incompetência. As primeiras palavras são reveladoras de algo que desde sempre defendemos, a adaptabilidade:

«Primeiro tenho de analisar muitas coisas que passaram este ano e vamos depois tomar decisões. Temos uma ideia de jogo, filosofia, mas também tenho de ver o contexto dos jogadores que vamos encontrar.»


Vamos ver e falar sobre alguns nomes de jogadores que estarão à espreita para a nova cara 2014/15.

Rafa - Lateral esquerdo, ainda Junior, já teve minutos na equipa B dos dragões que lhe permitiu maior maturidade. Jogador culto, fecha bem, agressivo qb, mas sobretudo muito capaz ofensivamente. Dá largura e profundidade ao corredor, cruza muito bem e integra-se bem em todos os momentos do jogo.

Leandro Silva - Tem vindo em crescendo. Pode jogar como 6 ou 8, embora seja como médio de ligação que melhor se exprime. Boa capacidade de desarme, agressivo e uma tremenda meia distância. Jogador intenso e rotativo.

Joris Kayembe - Recrutado ao Standard Liége, é um dos jogadores mais fortes da equipa B do Porto. Pé esquerdo mas que joga pela faixa direita, muito forte no último terço. Capacidade de drible, bastante intenso nas abordagens, parte para cima, dotado técnicamente e muito abnegado. Jogador para acompanhar.

Ivo Rodrigues - Uma das apostas do Porto. Ainda Junior, esteve fixo o ano todo nos B. Tem bastante qualidade, joga em ambos os flancos, veloz, forte no drible e que chega muito bem a zonas de finalização. Um produto de muita qualidade.

Gonçalo Paciência - O jogador que mais esperanças parece reunir. Muito forte fisicamente, regressou bem de lesão e assume-se fundamentalmente como um jogador diferente para a posição. Joga fixo na área, excelente capacidade de movimentação e qualidade técnica, joga bem de cabeça, é agressivo e finaliza bem. Cuidado com ele.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Duelo táctico na Luz: Padrão vs Adaptação



Assistimos hoje na Luz a um jogo soberbo a nível táctico entre duas equipas tremendas. Sobretudo a um jogo de enorme exigência para ambos os conjuntos e seus treinadores de forma a procurar maior equilíbrio e maior controlo do espaço. Sistemas em tudo diferentes e que colocavam a nu as principais debilidades colectivas de cada um dos conjuntos sempre que havia sucesso no momento em que as equipas chegavam à zona de decisão. Arrisco dizer que se tivesse existido maior qualidade individual em alguns momentos o jogo de hoje teria ficado com 5 ou 6 golos no placar.

Juventus, a padronização

A Juve é uma equipa totalmente padronizada no seu momento ofensivo. À primeira vista poderia permitir uma maior facilidade ao adversário em encaixar nessas combinações tácticas mas a dificuldade é tanta que seria necessário mudar de tal forma que permitiria aos italianos terem sucesso noutra das opções que poderiam assumir na zona de construção.

Abordaram o jogo com um momento ofensivo muito organizado, sobretudo, em duas combinações padronizadas. Jogando com três defesas pelo corredor central, garantido equilíbrio posicional, e duas referências de largura pelo corredor lateral (Lichtsteiner e Asamoah), a definição era sempre pelos três médios. Normalmente Pirlo e Marchisio a esticar jogo no outro médio, Pogba.

Para isso a referência de largura de um dos corredores abria no máximo procurando arrastar consigo o defesa lateral do lado contrário à bola. Esse espaço deixado entre o central/lateral era atacado pelo médio interior, quase sempre Pogba, que ao receber procurava uma combinação directa com um dos avançados de forma a conseguir uma situação de 2x1.


Benfica, a adaptação

Jesus correu o risco e teve sucesso. Não abdicou da sua identidade nem virou a cara à filosofia da equipa. Pressionou alto e deu-se bem. Podia ter garantido equilíbrio espacial não pressionando 3x3 na 1ª fase de construção dos italianos. Mas fê-lo. Para isso adaptou André Gomes, que passou a acompanhar sempre os movimentos de ruptura dos interiores (quase sempre Pogba). Recuou Enzo para esse lugar e baixou também Rodrigo fechando a linha para rodar rápido por fora - que normalmente Pirlo oferecia.


A Juve tornou-se mais pragmática e mais fácil de controlar pelo corredor mais perigoso: o central. Quase não construiu momentos de perigo através desse tipo de combinações onde é mais forte que os adversários e potencia o seu futebol.

Juventus, a re-adaptação ao Padrão

Podemos até chamar plano B. Não estava fácil entrar da forma padrão, foram pela segunda via: explorar a referência de largura do lado contrário que era deixado sem marcação. Foi por isso muito evidente, sobretudo na 2ª parte, situações de superioridade numérica pelo corredor lateral em que o jogador que dava maior largura recebia só e tinha espaço para progredir e cruzar.

O Benfica confiou na capacidade de antecipação dos centrais e teve de sofrer mas evitava situações de penetração pelo corredor central onde os seus centrais fizeram também um grande jogo. Foi um jogo muito exigente a nível defensivo para os laterais do Benfica que foram gigantes também na forma como apoiaram a equipa em termos ofensivos.

Não tivesse existido o erro de Markovic a esquecer-se de fechar o espaço interior e a evitar que a Juventus entrasse por dentro, hoje os italianos teriam criado ocasiões de golo (por imensa qualidade colectiva e individual), mas dificilmente seria um resultado tão curto para o Benfica como se tornou este.

Foi um prazer assistir a tudo isto no Estádio da Luz.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Ainda a zona de criação do Porto


No seguimento de um artigo que colocámos mais atrás sobre o insucesso do futebol do Porto de Paulo Fonseca, e olhando rapidamente para o jogo de Coimbra, resta-nos dizer que mais uma vez se confirmou que a equipa está muito longe de apresentar um futebol colectivo de qualidade, e que o mesmo se deve única e exclusivamente ao modelo de jogo e más decisões que têm sido tomadas pelo treinador.

Foi estranho ver Quintero neste jogo e perceber o quão alheado está no jogo da equipa. A sua qualidade é inquestionável quanto a nós, mas aflige-nos ver um jogador da sua dimensão ter de receber a bola e não saber o que lhe fazer. Ou porque a equipa não se movimenta como ele espera. Ou porque os colegas dão más opções. Ou porque ele está num lugar que não devia estar. Muita coisa haveria para questionar acerca do posicionamento dele em Coimbra: Extremo esquerdo? Terá tentado Paulo Fonseca colocá-lo à força no onze de forma a calar a crítica?

Quintero andou desaparecido do jogo e raramente pisou as zonas onde pode realmente fazer a diferença: corredor central ou flanco direito em penetrações interiores. Até o pode ter feito algumas vezes mas inserido num modelo de jogo inexistente de dinâmicas colectivas e sem qualquer tipo de criatividade na zona de construção e decisão. Mais uma vez se prova que posse de bola em excesso quando não objectiva e direccionada para a criação de espaços e superioridades numéricas dá nisto: futebol horrível.

E hoje, vimos jogar Juan Iturbe. Já o tinhamos visto em outros jogos da Série A este ano mas sobretudo temos algumas notas do seu desempenho na pré-época. Apesar das decisões não serem as melhores em alguns lances, o Porto necessita de um jogador com este perfil. Capaz de pegar no jogo e assumi-lo, encarar adversários sem receio do erro e procurar o desequilíbrio através de armas que a equipa não dispõe.

Iturbe fez um golaço à Fiorentina, no seguimento de outros excelentes apontamentos que teve na pré-temporada, e a única questão com a sua não inclusão no plantel só se pode dever a algum caso de dificuldade em inserir-se como uma alternativa no grupo de trabalho ou qualquer outro handicap que tenha em relação ao perfil psicológico ou de trabalho para o que o Porto pretende. Não encontro outra razão, porque futebol Iturbe tem muito para dar a vender.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O ADN que Fonseca desligou



Não tem tido vida fácil no campeão nacional Paulo Fonseca. Depois de um trajecto brilhante ao serviço do Paços de Ferreira, a sua mudança para o Porto não tem sido tão produtiva como seria de esperar. Alguns maus resultados, poucas exibições conseguidas, e uma desconfiança em relação ao novo modelo do Porto começa a ser evidente nas hostes azuis e brancas.

Este artigo e o eventual sucesso que Fonseca venha a ter, passa por interligar factores, alguns tópicos que têm ligação óbvia, mas o técnico ainda não os conseguiu ligar: Hulk, James, Lucho e Quintero. Confusos? Vamos desenvolver.

O modelo de jogo do Porto parece transversal a treinadores e jogadores. Os anos passam e algumas nuances vão surgindo, lógico que com jogadores diferentes são criadas dinâmicas e pequenas alterações, mas a base prolonga-se época após época.

O 4x3x3 do Porto continua a ser de posse, mas incaracterístico face ao passado. Isto porque desapareceu a criatividade na zona de decisão. E é aí que o Porto tem sentido as principais dificuldades. Fonseca deu o seu cunho pessoal a um Porto que não pressiona tão alto, não privilegia tanto a posse, mas joga mais largo e de forma mais vertical.

O sucesso passado do Porto deveu-se a uma nuance do seu modelo, interpretada pelos seus melhores intérpretes, que este ano ainda não apareceu. Falamos da posição de extremo direito. Mas antes de falar desse lugar específico, falemos de Lucho.

Com mobilidade, capacidade de progressão e agilidade, foi sempre um dos melhores do campeonato. Continua a ser, mas menos. Hoje não é um jogador tão móvel, e o modelo ressente-se disso. Já se ressentia antes, mas Vítor Pereira é muito melhor treinador do que a maioria julga.

Lucho não consegue estar tão disponível para ligar o sector intermediário ao ofensivo, não consegue ser rápido o suficiente para criar desequilíbrios na zona de decisão, para fazer com que a equipa adversária não tenha tempo para se posicionar, e para conseguir entrar em transições de forma mais recorrente colocando os avançados em contextos de menor inferioridade face à linha defensiva.

O espaço entre os três médios e os três avançados, sobretudo pelo corredor central, mesmo que ocupado a espaços, é fundamental neste modelo, e a capacidade que o Porto tinha em o preencher e o desequilibrar, desequilibrando os adversários, fazia o seu sucesso.

E tudo começou com Hulk. Diagonais venenosas, penetrações interiores a colocar igualdade ou superioridade numérica pelo corredor central. O transporte que fazia, a criatividade que acrescentava, deixava os defesas em situações de igualdade ou superioridade zonal de apenas um elemento. Com o talento individual a vir ao de cima, o sucesso era inevitável para os dragões.

Passou para James. O colombiano desequilibrava o sistema ofensivo de forma propositada. Em organização ofensiva eram inúmeras as vezes que se colocava entre os três médios e o avançado, diminuindo o espaço, permitindo-lhe jogar de frente e pelo corredor central: James e o Avançado contra 2 defesas centrais e um trinco.

Este Porto demora a entender isso. Paulo Fonseca até o tenta pensar, mas não executa nem há adaptabilidade possível com Josué. Falta-lhe repentismo, agilidade e mobilidade para isso. O tempo que demora a chegar, a pouca aceleração, o 1x1 que não é tão imprevisível, facilita a tarefa de quem defende.

E o sucesso estará dependente de Quintero. O jogador que o Porto foi buscar a Itália será, se Fonseca quiser, a chave do puzzle. Repentismo, criatividade, inteligência, qualidade passe, capacidade de remate, capacidade de drible...tudo ao dispor, mas sobretudo, ao dispor do colectivo e elevando o seu nível para outra eficácia. É que Danilo é fortíssimo na zona de decisão, e com Quintero a vir sempre dentro, vai abrir-lhe todo o espaço, também, para aparecer. Jackson não estará tão sozinho, terá mais companhia, menos pressão zonal, menos inferioridade face aos defesas. Com isto, Fonseca resolverá o problema.