Numa altura que se volta a falar com insistência na possível saída de Felipe Menezes por empréstimo, é com bastante gosto que vejo essas notícias mas algum receio pelo rumo que se possa dar à sua carreira pelas poucas hipóteses de mercado que existem actualmente no futebol português.
Também pela qualidade que Menezes tem e que é notória, a sua situação tem de ser gerida com maior atenção e perspicácia, sob possibilidade de se perder um talento que pode ainda dar muito ao Benfica.
Menezes é um 10 com características modernas, com excelente capacidade técnica e de drible no último terço, embora ainda sem a objectividade e as dinâmicas necessárias para jogar ao mais alto nível no futebol europeu. Contudo, tem todas as condições para com ritmo e experiência, e isso só se ganha competindo, aumentando os seus níveis de dinâmica e intensidade nas suas acções, para ser figura principal desta equipa do Benfica daqui por 2 ou 3 anos.
Neste sistema de Jesus pode fazer a posição 10, preferencialmente, embora lhe reconheça características de um jogador mais interior e onde pode também actuar com qualidade, embora penso que seja na zona de decisão que deva ser potenciado pela sua excelente capacidade técnica e espontaneidade no remate com ambos os pés.
Não o percam de vista e saibam gerir-lhe a carreira... e que medo tenho eu que seja mais um dos "emprestadados" para a casa mãe, o futebol brasileiro... não cometam esse erro.
Parece estranho o rótulo, mas olhando friamente às estatísticas e ao número de golos que o até então mais eficaz jogador do campeonato português apresenta faz-nos questionar o que esteve por detrás de todos estes meses em que um jogador de grande talento foi encostado vezes sem conta sem poder fazer aquilo que mais gosta. E, ressalve-se, que excelente profissional, que sempre que foi chamado, correspondeu.
Ernesto Farías, embora enfrentando sempre grande concorrência, foi, talvez, o jogador mais valioso menos valorizado nos últimos anos em Portugal. Jogadores com as suas características escasseiam e a forma como o Porto se desfez de um excelente jogador abre imensas questões.
El Tecla, jogador para poder jogar sozinho na frente, ou no apoio a outro jogador mais fixo, podendo também desempenhar essas funções, encaixa em todos os sistemas e esquemas de jogo que um treinador pode escolher, sendo bastante forte em espaços curtos onde resolve com muita qualidade. Exímio no jogo de cabeça, é um verdadeiro rato de área sempre no local certo para facturar. Muito inteligente e tremendamente eficaz, saiu a custo zero para o Brasil, onde vai certamente continuar a fazer muitos golos.
Estou a escrever este texto dia 21 de Maio, um dia antes de José Mourinho e o seu Inter se sagrarem campeões europeus. Não pela grande equipa e pela espectacularidade do seu futebol - que fica a alguma distância da equipa do Bayern Munique - mas sim por tudo aquilo que faz de Mourinho o melhor do Mundo, e que nem Van Gaal, que o conhece tão bem, tem conseguido entender.
A forma como a equipa do Inter se sagrou campeã na última jornada do campeonato italiano e a reacção de Mourinho ao sucedido fez ver a todos os amantes das loucuras do génio português que algo estava ele a preparar por detrás da expressão sobranceira e fria que denotou assim que o árbitro italiano apitou para o fim da partida.
A mensagem foi clara: "Para a semana temos uma competição para ganhar, não vou festejar e desviar atenções do nosso principal objectivo". Os jogadores foram os primeiros a entende-la e certamente que esta semana encararam com a máxima intensidade e obrigatoriedade competitiva. Certamente que Mourinho já deve ter dito para um dos seus fiéis escudeiros que compõe a sua equipa técnica: "Estes tipos estão no máximo, todos querem jogar!". Já o tinha dito em Sevilha, num Celtic-Porto, final da Uefa.
A forma de encarar a pressão e a exposição mediática de uma final europeia são um pré-match essencial na preparação e estruturação não só de abordagem ao jogo em termos tácticos, estratégicos, e tudo o que advém dos comportamentos utilizados em jogo da parte de uma equipa, mas sobretudo no campo psicológico e motivacional, cada vez mais essencial hoje em dia.
A um dia da final da competição, e com uma semana passada, não se vê um único comentário ao jogo. Uma única palavra em relação a jogadores do Inter, a sistemas, a onzes, a estratégias. Toda as pessoas falam numa só coisa: Mourinho vai para o Real. E foi a forma que o técnico português encontrou de dispersar atenções, chamar para si os holofotes, e libertar os seus jogadores de um dos momentos mais tensos da sua vida desportiva.
Mourinho não faz as coisas por acaso. Seria um rude golpe para o seu grupo, o seu plantel, a sua equipa, saber que num dia em que todos têm de estar unidos e fortes para ultrapassar as adversidades, o seu líder ameaça sair e expressa-o claramente. Estratégico. Está a usar, mais uma vez, a Comunicação Social e o seu poder em seu proveito.
Eu digo-o sinceramente. Vão jogar os dois melhores jogadores do ano de 2009/2010 em termos de rendimento. Tirando Messi que é extra-terrestre. Wesley Sneijder e Arjen Robben. E será uma extraordinária final. Mas, Mourinho vencerá. Sim, Mourinho! E no final, chegará ao pé dos jornalistas e exclamará bem alto: "Já ganhei tudo o que tinha para ganhar em Itália. Vou sair!". À campeão!
É certo que o pré-sucesso do Inter de Milão nesta temporada se deve a um nome: Wesley Sneijder. Também é uma realidade que Eto'o tem feito esquecer Zlatan Ibrahimovic, ou que Lúcio deu uma segurança e liderança defensiva que não existia. Mas hoje, e também na primeira mão, há um nome incontornável a vencer o jogo do Nou Camp: Claro, o special one!
Todos erram. Mas ele, acerta muito mais vezes do que os outros. A forma como abordou a estratégia para os dois encontros e, essencialmente, as noções de espaço e de leitura dos variados momentos do jogo que enfrentaram e a adaptação simples e lógica a todos esses factores, fazem-me pensar de que forma Mourinho fez a antevisão destes dois jogos: Terá treinado todas as condicionantes possíveis e imaginárias que poderiam acontecer neste jogo?
Tal como referiu, e tocou num ponto fundamental, estes jogadores estão, a um nível de idade, no auge dos seus momentos áureos no futebol. Mourinho tem uma equipa adulta, rotinada, coesa, muito inteligente, capaz de compreender os delírios - fantásticos - do seu maestro. Mourinho fez do Inter, uma equipa desapaixonada pelo jogo e sem a criatividade dos fantasistas, um grupo metódico, tremendamente eficaz, e com as peças que ele encontrou para compor o seu puzzle. Milito, Eto'o, Lúcio, Sneijder, são os exemplos mais crassos. Está longe Mourinho de ter os fantasistas da bola, mas muito perto de atingir o expoente máximo dos fantasistas do futebol. E são coisas diferentes. Estes últimos, os instintivamente magos dos espaços, das movimentações, dos momentos, das vivências, das rotinas, dos processos... Uma equipa desenhada por Mourinho.
E como dizia Jesus, enquanto o futebol não for um desporto de nota artística, será totalmente plausível que Eto'o volte a fechar como lateral esquerdo a funcionar como primeiro elemento de transição ofensiva (que raramente existiu), ou Zanetti e Cambiasso a fazer de tampões única e exclusivamente das triângulações ofensivas dos catalães. Mourinho, a jogar com 10, fechou um bloco de 5-3-1, a desdobrar-se num 4-4-1, que em organização defensiva mais se assemelhava a um 6-2-1. Foi, do ponto de vista táctico, estratégico e organizacional, um dos melhores jogos que me lembro de ter assistido no futebol. Tudo bem que fez um remate ao longo do jogo e teve 26% de posse de bola.
Quando o árbitro apitou, correu fulgurante, festejou exuberantemente, abraçou os seus heróis, que também o acham a si um dos seus... e ele foi esse, o do jogo feio, do autocarro, da retranca... eu chamo-lhe mestria: José Mourinho, abriu o livro! E fechou-o, imediatamente, para o Bernabéu.
Tem sido usual nos últimos dias na minha área de estudo surgirem questões de discussão sobre a maturação e o desenvolvimento sustentado dos jovens face a contextos que os rodeiam e que influenciam de forma significativa e decisiva o seu rendimento quer cognitivo, motor ou psico-social. Muito se vem falando de "queimar etapas" e do contra-senso que isso vem sendo mas, eu, pelo contrário, entendo que essa é apenas uma questão efémera que será sempre guiada para um trajecto social e afectivo que influenciará o rendimento propriamente dito em termos desportivos.
Isto porque um grande jogador precocemente terá, até pelas exigências que ele próprio vai procurando, de saltar certas etapas e conhecer ritmos e desafios diferentes para ter estímulos e obrigações mais exigentes que lhe permitam ter uma maturação mais adequada à qualidade de rendimento que terá de apresentar. Ou seja, o jovem de 8 anos, muito forte tecnicamente, pelo menos mais capaz do que todos os outros da sua idade, terá obrigatoriamente de passar para a etapa seguinte (jogar contra meninos que lhe coloquem dificuldades diferentes, logicamente maiores) de forma a não se correr o risco do menino virtuoso sentir demasiadas facilidades com os seus e descurar certo tipo de intensidades e gestos técnicos que terá sempre de trabalhar e que contra os da sua idade (num nível bastante mais baixo que o dele), bastará o "meter a bola para a frente" e correr ou o simular que chuta para cortar para dentro. São necessárias exigências e intensidades adequadas àquilo que são os estímulos que as crianças procuram face ao seu rendimento.
Enquadrando o meu texto de hoje nesta matéria de reflexão, proponho-me a falar de dois nomes: Miralem Pjanic e Neymar. Quero com isto dizer que os dois, enquadrados numa avaliação de talento precoce, demonstram em idade de maturação rendimentos díspares face às perspectivas criadas sobre eles ainda em idade de desenvolvimento e formação. Pegando na frase de José Mourinho, "Um treinador que só percebe de futebol, de futebol nada sabe", é essencial existir um acompanhamento permanente e uma modelagem de comportamento fundamental da parte daqueles que são os modelos estruturais do comportamento dos jovens: as figuras do poder e, essa figura, no contexto do futebol, será sempre o treinador.
Miralem Pjanic chegou muito cedo a França, nasceu num contexto de guerra (Bósnia Herzegovina) e teve, certamente, um tipo de acompanhamento psicológico diferente daquele que foi dado à grande maioria dos jogadores das camadas jovens do Metz e Lyon. Hoje em dia olhamos para um jogador a quem desde cedo foram reconhecidas capacidades muito acima da média, claramente evoluído sob o ponto de vista da própria inteligência e maturidade que apresenta em todos as suas acções no jogo, na vida, e no contexto de desenvolvimento enquanto futebolista profissional de alto nível.
Neymar, que muito jovem viu os holofotes da fama apontarem-se efervescentemente para si, tem aparecido de forma sustentada no Santos onde assume papel de destaque, mas muitas têm sido as notícias que têm saído a público sob a sua conduta fora dos relvados e muito se vem questionando o facto de ainda não ter dado o salto qualitativo que se esperava dele quando tem já 18 anos - e eram apontadas qualidades claramente ao nível dos predestinados para ele -, tal como, aliás, sempre o reconheci.
Acontece que, num básico exercício que vise compreender a capacidade mental, que se reflecte em campo e origina determinados comportamentos, face a acontecimentos que vão surgindo, porque Neymar - o melhor goleador até então - fez apenas dois golos desde que Robinho está de regresso ao Vila Belmiro?
Porque tem Neymar mantido um comportamento, nem sempre humilde, perante as suas exibições? Ao perder uma bola frente ao Palmeiras, faz uma entrada despropositada e recebeu ordem de expulsão. Insultou o árbitro, fala-se em 18 jogos de suspensão. Numa altura tão fundamental da carreira, Neymar vai sendo falado, e muito, é verdade, mas nem sempre pelos melhores motivos e a um nível que já se esperava que ele tivesse ultrapassado até para a própria imprensa.
Quanto a Pjanic, surge como uma das principais figuras do Lyon e da selecção da Bósnia, embora em ambas não seja ainda um titular indiscutível. Acontece que suportando esse factor emocional, sempre que é chamado, corresponde com boas exibições. Veja-se, até ao momento, nos seus maiores níveis de obrigatoriedade e exigências, a forma como correspondeu: Carregou a Bósnia às costas frente a Portugal na Luz e em Sarajevo. Foi peça de xadrez fundamental na forma como o Lyon eliminou, recentemente, o Real Madrid num Bernabéu desesperado por uma vitória na Liga Milionária.
É importante referir a necessidade de se potenciar ao máximo a capacidade dos atletas. O talento natural que detém, contudo, é uma ínfima parte daquilo que necessitarão para consolidar o seu rendimento no topo - de resto, tenho escrito ao longo deste blog vários exemplos disso mesmo. Pjanic é, hoje em dia, um jogador totalmente completo sob o ponto de vista da maturidade vs. talento.
Neymar, apesar de, talvez, ser o mais talentoso jogador mundial da sua idade, denota ainda índices de maturidade nas suas acções técnicas, psicológicas e sociais, completamente distintas da linha orientadora certa, se assim se pode delinear. Será sempre um caminho doloroso. E terminando com uma frase que visa fazer uma retrospectiva a tudo o que tem sido feito ao nível do futebol de formação por alguns técnicos formadores:
"O bom treinador é aquele que prescinde dos resultados competitivos sob a necessidade de trabalhar e formar os seus atletas com a finalidade de vir a colher todos esses frutos anos mais tarde". Para recordar...
Hoje foi uma noite diferente. Não que estivesse à espera de algo semelhante, mas sim pela constatação de vários factores que fazem qualquer apaixonado do futebol, o verdadeiro futebol, sorrirem e pensarem que a essência do jogo ainda pode ser recuperada. Estou a assistir à Liga dos Campeões, a competição milionária que não significa dinheiro = sucesso, embora a UEFA continue a ter muitas políticas que nos fazem pensar, afinal, quem controla o jogo - veja-se a forma como o Chelsea é completamente roubado na meia-final do ano passado sob a necessidade de colocar frente a frente Messi e Ronaldo.
Hoje, embora não me tenha surpreendido, assisti a uma coisa que agradou a todos os amantes do futebol verdadeiro, jogado pelo jogo, pela tradição (já que o meu vídeo da semana apela a tal facto), pelo amor às cores e à glória conquistada pelo mérito das suas raízes.
O Real Madrid foi eliminado frente a um Lyon que lhe concedeu meia parte de avanço e que pode-se dar por satisfeito pela forma irrisória como os blancos foram falhando golos atrás de golos e aniquilando as suas hipóteses de resolver uma eliminatória que se viraria contra eles. Pellegrini não acertou, manteve a sua postura metódica e conformista, Puel veio para cima, subiu o bloco, deu a batuta a um jogador que há muito me enche o olho, e ainda o conheci nas camadas jovens do Lyon, falo de Pjanic, teve um exterminador de defesas na frente de ataque em grande forma (é incrível a forma como faz movimentos de rotura atrás dessas próprias situações e se converte no primeiro ele defensivo da transição da sua equipa), sendo que Lisandro assume neste Lyon as nuances fundamentais do processo quer ofensivo quer sobretudo de recuperação defensiva da equipa. Se ele pressiona alto, o bloco sobe, as linhas ficam coesas, o que trás por vezes dificuldade aos franceses pela falta de rapidez e lucidez de alguns elementos mais experientes da sua defesa, refiro-me a Cris, por exemplo. Contudo, hoje resultou em pleno e o Lyon saiu de Madrid com a vitória (na eliminatória).
Fiquei os últimos 15 minutos à procura de Ronaldo. A tentar descobrir em si um ponto de alegria, um ponto de entusiasmo, de satisfação ou mesmo concretização. Tudo isso desapareceu nele. Mas vejamos. Mudei de canal. Vi um Manchester United a "dar" 3 ao Milan, e os adeptos a descerem lençóis das bancadas bem expressivos: "AMO-TE UNITED, ODEIO-TE GLAZER" em referência ao milionário americano proprietário do clube. E isto faz-me regressar atrás e ver a forma como os manifestantes (é desfasado usar esta palavra, corrijo-me a mim próprio escrevendo ADEPTOS) queriam impedir a sua entrada no clube, formaram um novo United, muitos deles deixaram de compactuar com a estratégia comercial adoptada pelo clube, hoje em dia fazem-se ver nos estádios por onde jogam os red devils com cachecóis verdes e amarelos, em homenagem às cores do clube que originou a fundação do Manchester United. É, de facto, um mundo à parte, de paixão, fervorosos adeptos, glória e triunfos.
E eu estava a pensar: Estão os adeptos do Manchester em protesto porque entendem que os valores do clube não estão a ser prestigiados nem protegidos, mesmo que no meio de tantas categóricas vitórias. Voltei a mudar de canal, e pensei: Os 250 milhões que Florentino gastou, e os salários exorbitantes - e já agora, perfis e estatutos dos intocáveis de Madrid - que a muitos deles não lhes permitem serem substituídos mesmo que a jogar dentro do seu metro quadrado, irão os super craques para casa arranjarem-se para saírem à discoteca mais próxima para desfilarem esta madrugada, os seus fãs estarão amanhã à porta do campo de treinos para pedir autógrafos e fotografias com as lendas (de quê?) que vestem as cores blancas, e nada se passa.
É este o futebol que Ronaldo (o peixe fora de água) prefere? Fica a questão.
Apesar dos grandes nomes ainda presentes nesta Uefa Europe League, considerada por muitos como a nova segunda divisão europeia da Liga dos Campeões, uma eliminatória entre portugueses e franceses - e tudo o que isso acarreta em termos de culturas e tradições (veja-se que Paris é a segunda cidade mundial com mais portugueses, à frente do Porto) - e, sobretudo, um reavivar da história dos saudosos anos 90, quando o Benfica eliminou o Marselha com um golo com a mão de Vata, chegando a nova final europeia, traça contornos muitos especiais para este jogo que todos anseiam.
Os relatos que surgem dessa eliminatória em que Mozer, então ao serviço do Marselha, afirmou que os seus colegas estavam cheios de medo de entrar no relvado da Luz, contando com nomes como Jean Pierre Papin, Chris Waddle, Francescoli, Deschamps (hoje o treinador) ou Tigana, e um Inferno da Luz com 120 mil vozes vibrantes, levaram o Benfica ao colo até um golo que acabaria por ser polémico mas ditar a passagem dos «encarnados». Dizem, hoje em dia, alguns conhecidos adeptos do Marselha, que essa foi a eliminatória que para sempre mudou a mentalidade dos adeptos do clube e a mentalidade vivida no Velodrome, tamanho foi o "massacre" que os franceses sofreram na Luz ao nível da animosidade com que foram recebidos jogadores e adeptos.
Este Marselha é muito diferente da verdadeira dream team que constituía o seu plantel nos anos passados, mas está longe de ser um adversário fácil para o Benfica de Jesus. Didier Deschamps é um treinador com história europeia, experiência, e já experimentou uma final no comando técnico de uma equipa, então ao serviço do Mónaco, derrotado pelo FC Porto.
Começando pela baliza, Mandanda, apesar dos 24 anos, é um guarda-redes de grande valia, muito sereno e eficaz nas suas acções. É forte nos reflexos, nas saídas dos postes, na agilidade. Um guarda-redes de muita valia que já serviu o seu país a nível internacional.
O sector defensivo surge, à primeira vista, como a principal debilidade que o plantel do Benfica pode explorar. Gabriel Heinze é o maior nome da linha recuada, sem dúvida um jogador com tarimba e muita classe, mas já sem o fulgor de outrora. Taiwo é um lateral esquerdo muito interessante sob o ponto de vista das bolas paradas e das tentativas de visar a baliza de longe, mas alternando a impetuosidade com pouca intensidade em muitas situações. Pode aqui o Benfica explorar. Diwara e Julien Rodriguez são dois centrais cultos, experientes, fortes pelo ar e inteligentes, mas já algo duros de rins, pouco móveis e que, sobretudo na segunda mão, o Benfica pode explorar em transições rápidas.
Olhando para o sector de meio-campo, salta desde logo à vista um jogador que dispensa apresentações: Lucho González. Apesar de ainda não ter convencido totalmente os adeptos marselheses, até pelas lesões que tem tido é, sem dúvida, um garante de qualidade e eficácia em todos os processos de organização ofensiva da equipa. Jogador de mestria táctica e qualidade de rigor e critério muito acima da média. Cheyrou, com um pé esquerdo interessante sob o ponto de vista da criação em espaços curtos, Mbia, que também pode jogar como central mas deve jogar a trinco, forte na agressividade e capacidade de desarme que coloca nos seus lances, Abriel, "um Lucho diferente", mais jogador de último terço, tudo em trabalho para os dois criativos principais da equipa, Valbuena, um jogador típico de flanco, rápido, forte no um para um, fantasista e eficaz, e Hatem Ben Arfa, muito forte nos desequilíbrios, na capacidade técnica e na facilidade de drible para espaço interior.
Na frente, embora falte a este Marselha desde a saída de Drogba um finalizador nato, capaz de materializar em golo o bom futebol que a equipa pratica, até porque Morientes vai caindo e Brandão não é jogador para estas andanças, Bakary Koné e Niang são duas setas extremamente velozes e muito perigosas, sobretudo para o jogo da primeira mão. Jogador de uma espontaneidade muito forte, muito velozes, finalizadores. Atenção também no futuro a Gnabouyou e Chris Gadi, capazes de fazer render o ataque dos marselheses durante muitos e bons anos.
Parece-me que será uma das eliminatórias mais disputadas da prova nesta nova ronda europeia a começar na semana de 11 de Março, até pela espectacularidade que o seu futebol deve apresentar. Prevê-se também uma chama envolvente muito grande a este jogo, pois os adeptos franceses e portugueses irão querer certamente reviver outros tempos, em que nem todos saíram a ganhar. Futebol espectáculo, é o que se espera.
Muito mais do que compreender certo tipo de negócios, como por exemplo o empréstimo de Rentería ao Braga pelo Porto (o terceiro classificado a emprestar e a reforçar o primeiro é algo que nunca vi) é importante olhar para o nível de preparação antecipado que o Benfica vem demonstrando esta época e que finalmente começa a dar os seus frutos.
O trabalho preparatório, de pré-época, até antes dela se começar a desenrolar, surge como 50% dos fundamentos necessários para a realização de uma época de qualidade, na minha opinião. Aliás, basta olhar para este simples exercício: Benfica com um Verão de tranquilidade, finalmente, e os resultados são estes. Um Braga estruturado e sem mudanças (equipa base), aí está. Porto e Sporting com "receio" de dar um abanão - necessário -, sobretudo pelas perdas dos primeiros e pela fraca qualidade dos segundos, vêm-se agora numa situação delicada de ter de despender grandes quantias, pois nenhum clube gosta de ver os seus melhores intérpretes sair a meio da época, e um Porto à deriva, que pelo que trarão Ruben Micael e Kléber ao jogo dos azuis a metodologia de jogo da equipa terá de ser naturalmente diferente, até o próprio sistema táctico, que se deverá fixar agora num possível 4-4-2 em Losango (é o que melhor potencia os jogadores) mas são formas e conteúdos completamente inatingíveis numa altura tão essencial da fase competitiva em que nos encontramos.
Conheço bem o Kléber e o Porto garantiu, sem sombra de dúvida, um grande jogador. No entanto, tenho algumas dúvidas. Elas prendem-se com o baixo ritmo de jogo a que está habituado e desenvolve o seu futebol. É certo que é um jogador mexido (a espaços), de desequilíbrios, um quebra-cabeças, jogador de corredor central para jogar no apoio ao avançado ou a municiá-lo, não tanto um 9, mas que vai ter de jogar na frente, ao lado de Falcão. São dois jogadores que se poderão complementar bem, mas estão longe de serem gémeos perfeitos ou, sobretudo, parceiros ideais. Neste Porto encaixava que nem uma luva um jogador ao estilo de Jankauskas. E parece-me má gestão de activos a forma como se desprendem de Farias, possivelmente, o jogador mais sub-aproveitado dos últimos anos em Portugal.
Quanto ao Sporting, a péssima gestão de Bettencourt conhece agora, finalmente, aqui e ali frutos positivos. Os mais cépticos questionam a origem do dinheiro, muitos falam no contrato com a Sagres, outros na dependência financeira que obtiveram com o empréstimo da câmara do dinheiro para o pavilhão que pode estar a ser usado neste mercado.
Para já, mais de 6 milhões de euros por Pongolle é uma brutidade. Gosto do jogador, tem talento, mas está longe de ser um jogador a valer tamanha franquia e até questiono se será um jogador assim tão superior a Yannick Djaló ou Liedson. Djaló é outro problema, não o acho mau jogador, mas adiante.
Pedro Mendes surge como alternativa a Ruben Micael e sem dúvida alguma um grande reforço. É um estratega, um jogador de espaços recuados na zona de construção, de critério e qualidade do passe. Hoje em dia, é um 6, num Losango pode ser um Interior. Como encaixará com Moutinho e Veloso? Parece-me lógica a medida do Sporting precavendo a saída de Veloso no final do ano.
E para o imediato? Como coabitarão Veloso e Mendes no mesmo espaço de terreno? É que Pedro Mendes até pelos seus ritmos e conhecimentos do jogo, procurará um espaço muitas vezes pisado pela batuta que Miguel Veloso gosta de por no jogo. Um caso para Carvalhal resolver, e vamos ver de que forma (Se isto não obrigará à fixação do 4-3-3).
A Bola Branca assegura hoje que Franco Jara é reforço do Benfica. Já aqui tive oportunidade de falar nele e nesta altura parece-me, de longe, o jogador mais forte que o Benfica ou qualquer outro clube em Portugal poderia fechar para a frente de ataque. Eu quando vejo Jara actuar continuo à procura de défices no seu jogo. Não encontro pontos fracos. É um jogador demasiado completo para a idade, penso ter tudo para fazer uma grande carreira de águia ao peito.
Para o Benfica, que parece que terá uma debandada de nomes fortes no final do ano, o futuro começa a ser visível. Só gostaria que o colega de equipa de Jara, Ivan Marcone, tivesse a possibilidade de seguir viagem com ele. O Benfica ganharia um jogador para 10 anos ao mais alto nível.
O título não é sugestivo, eu aceito, muito menos condizente com a realidade, também é verdade, mas Manuel Fernandes, no dia que quiser ser o melhor do Mundo na sua posição, vai sê-lo. Desde sempre fui um grande admirador das suas qualidades e a sua última passagem por Inglaterra potenciou por completo o seu futebol.
Ninguém fica indiferente à forma como um ainda Junior chega aos Séniores do Benfica e marca um golo da vitória no habitualmente difícil Adelino Ribeiro Novo. Um médio todo o terreno, que Camacho muito quis trabalhar, ganhou expressão no Benfica mas tem demonstrado uma falta de tanta coisa exterior ao seu futebol, que ficaríamos aqui o resto do dia a enumerar...
Manuel Fernandes pouco fez em termos de gestão da sua carreira, tomou quase sempre as opções erradas e a forma como forçou, duplamente, as suas saídas do Benfica, espelham a forma como muitos se perdem e passam ao lado de grandes carreiras. Até pela idade dele, estou em crer que ainda vai a tempo. Mas só dele depende.
A sua passagem pelo Inter espera-se que não seja efémera. Espera-se também que não seja mais um Pelé (ex-Vit. Guimarães) e seja realmente Manuel Fernandes. Ambos têm em comum o facto de terem realizado a sua formação no Benfica e opções de carreira pouco felizes que andam a adiar a sua explosão. E dois jogadores tão semelhantes...
Manuel Fernandes, como médio, considero-o um jogador excepcional. Jogador da posição 8, Médio Interior, excelente no preenchimento de espaços, no capítulo técnico e da progressão, na facilidade de recuperação de bolas, e na meia distância. Perde fora do campo, na pouca inteligência que tem demonstrado em gerir a sua carreira e falta de humildade em momentos chave.
No dia que Manuel Fernandes tiver um treinador que o chame à Terra e lhe faça crer que ou muda radicalmente de comportamento, ou passará ao lado de uma grande carreira, ao nível dos predestinados como realmente sempre ambicionou, ele será o Melhor do Mundo. O também best of the World José Mourinho, reza a lenda, não terá muita paciência para indefinições deste tipo. Gosta de jogadores feitos, de homens de carácter e responsabilidade.
Manuel Fernandes no Inter terá o desafio mais decisivo da sua carreira. Não só em termos de personalidade, como em termos de seguimento futuro da sua vida profissional. A forma como vai ser encarado, "apenas mais um", ou neste caso, o "tal", o último, em nada é condizente com a personalidade e ambição do jogador português, que gosta de assumir riscos e ser cabeça de cartaz.
Estou em crer que esta será a sua derradeira oportunidade. Uma de se tornar um jogador de equipa, um homem realmente, um senhor jogador, e deixar o rótulo de eterna promessa, e outra na forma como pode ou não singrar numa das mais fortes equipas do Mundo. O tapete é curto, pois Manuel Fernandes é "reserva" e apenas para o Calcio. Já não pode actuar na Europa, e será sempre um recurso, ainda para mais entrado já no fim de Janeiro.
Como sempre, e ainda mais neste caso, tudo está nas suas mãos. Finalizando, digo: Um dia espero contar a história de um jogador formado no Benfica que tomou muitas opções erradas e se restabeleceu e tornou-se o melhor do Mundo naquilo que fazia. Contudo, a história encarregou-se, ao longo dos tempos, de mostrar um role de nomes e nomes nas mesmas condições e que invariavelmente passaram ao lado de grandes carreiras. Será Manuel Fernandes a escrever a sua história. Não perca os próximos capítulos.
Cada vez mais vou formulando uma ideia que finalmente começa a transparecer como um motivo de discussão correcto sob o ponto de vista daquilo que é a principal qualidade que um treinador tem de demonstrar: preparação. Um dos pontos fundamentais de uma boa preparação, que se faz normalmente antes do início dos trabalhos de campo, ou seja, na pré-época, prende-se com a necessidade que o treinador tem de escolher um plantel.
Já lá vai o tempo em que os clubes definiam a meta de 25 a 26 jogadores por temporada. No entanto, hoje em dia, ainda sou surpreendido com notícias que dão conta de 31 (!) jogadores num treino do FC Porto neste mês de Janeiro, ou na quantidade de jogadores que todos os dias estão à disposição de Jorge Jesus no Benfica: 32 jogadores.
São realmente números absurdos para aquela que é, na minha óptica, a forma mais correcta de se preparar uma equipa de futebol sénior. Hoje em dia, os espaços são curtos, a dimensão de futebol dos jogadores tem de ser cada vez mais forte sob o ponto de vista das dinâmicas e intensidades em reduzidos espaços de jogo, e os plantéis não devem fugir à regra.
Um treinador que tenha no seu plantel cerca de 21 ou 22 jogadores (o que lhe confere 2 atletas por posição) irá centrar o seu trabalho, primeiro do que tudo, em exercícios mais completos e mais exigentes nas dinâmicas e intensidades que lhes imprime pelo facto de, imaginando, num exercício de repetições, os jogadores estarem mais vezes em "treino" e o treinador possa estar mais atento e disponível para correcções ou atenções para com eles.
Torna-se, por outro lado, mais fácil a integração de jogadores jovens nos trabalhos. Não só nos treinos (o que é essencial para o seu desenvolvimento pois integram espaços mais fortes, que lhes conferem mais motivação e empenho sob as suas exigências) como também possivelmente em jogo, caso alguém falhe por lesão ou castigo.
É também bem mais fácil formar um grupo forte, unido e coeso se houverem poucos elementos e todos tiverem de demonstrar, naturalmente, um conhecimento maior entre si. 20 jogadores terão mais oportunidades de conviver juntos, criar laços entre si, do que 30 ou 32...
Também no compromisso que eles próprios traçam não só com eles, como com os treinadores, com os colegas, ou com o grupo. 22 jogadores é um número curto, onde a qualquer momento todos podem ser chamados a desempenhar qualquer função e isso garante-lhes não só maior motivação, como maior interesse e espírito de entre-ajuda entre todos.
Há também um outro factor que mais salta à vista. Devido ao reduzido número de jogadores, todos os integrantes terão naturalmente maiores oportunidades, logo maior competitividade e uma modelagem evolutiva muito maior, não só ao nível da metodologia do treino como em termos de ritmos e intensidades competitivas, estando sempre prontos a qualquer altura para desempenharem funções do interesse do grupo, com resultados mais positivos.
O melhor exemplo de tudo isto é o Barcelona de Guardiola, que tem no seu plantel, e antes de somar, escrever: Valdés e José Pinto; Dani Alves, Piqué, Marquéz, Puyol, Milito, Maxwell, Chygrynsky e Abidal; Xavi, Iniesta, Keita, Sergio e Touré; Ibrahimovic, Messi, Bojan, Henry e Pedro. Eu contei 20. Juntando os miúdos da cantera que aos poucos vão integrando os trabalhos: Jeffrén, Thiago Alcantara e Assulin, chegamos ao número de 23 jogadores, já contando, portanto, com os atletas que muitas vezes nem com o plantel principal trabalham.
É sem dúvida um óptimo exemplo. Guardiola quando lança um suplente, ele entra sempre com perspectivas de poder resolver. E é isso que não vemos nem no Benfica, nem no Porto, nem em Portugal de uma forma geral. Tudo bem que a qualidade é naturalmente diferente. Mas a diferença está exactamente na forma como se prepara psicologica e metodologicamente um jogador para uma competição, ou para um simples treino.
Há pelo menos uma coisa no Mundo que não abdico. Seja no futebol, na vida, ou em qualquer outro espaço assim à primeira vista não observável. Pode ser traduzida por muitos adjectivos. Mas há um que encaixa bem: tradição.
Preso muito o espírito humilde, de agradecimento, dos valores e da história. Algo que o dinheiro não compra - ou não o deveria fazer. Esta crónica vem no sentido de falar sobre um caso que assola o Mundo do Desporto faz alguns anos e chegou agora, irremediavelmente, ao futebol. Eu sempre fui um amante do atletismo e vi com alguma mágoa um país de nome Qatar aparecer cada vez mais na linha da frente das corridas de fundo. Os quenianos, craques na matéria, muitos deles sem grandes posses, venderam o nome, o talento, as raízes e a tradição. Ou Bernard Lagat, por exemplo, ex-campeão do Mundo e Olímpico, queniano, naturalizado americano.
O dinheiro não deveria ser tão importante numa coisa tão bonita como é o desporto. Mas ele chegou ao futebol e é disso que vamos falar. Os clubes do médio oriente estão a ser cada vez mais assolados por grandes milionários árabes que tomam conta de clubes sem qualquer expressão mas capazes de pagar tão bem ou melhor do que clubes da alta roda do futebol europeu.
Para além dos investidores de clubes ingleses, muitos são os que querem levar os seus clubes locais, e onde sentem boas oportunidades de negócio, ao topo. Hoje em dia, deixou de ser menos comum observar os grandes talentos dos países sul americanos rumar a paragens arábias para assegurar o seu futuro de vida.
Olhando para o campeonato do Qatar, país apostado em desenvolver o seu sector desportivo, são vários os nomes que saltam à vista, pelo que fizeram na Europa ou pelas esperanças que tinham em lá chegar.
O líder do campeonato, o todo poderoso Al-Sadd, tem como principal referência ofensiva o brasileiro Afonso Alves, lembram-se dele? Fez uma grande época no Hereenven da Holanda, custou bastante dinheiro ao Middlesbrough de Inglaterra, esteve com um pé no Benfica, e aos 28 anos brilha pelas arábias.
Seu companheiro de ataque, mais desconhecido de alguns, mas que vai aparecendo, é Leandro, brasileiro recém chegado das ligas japonesas (onde defrontou Hulk) e melhor marcador da prova. 24 anos, fará o mesmo trajecto do actual jogador do Porto? Pelo seu talento, muitos europeus teriam certamente a ganhar.
Numa viagem vertiginosa até ao último classificado, observamos apenas um estrangeiro a jogar regularmente. É Lima, ex-jogador do Sp. Braga, lembram-se dele? Regressando aos da frente, observamos alguns nomes compreensíveis, em final de carreira. Juninho Pernambucano, ex-Lyon, vai matando o bichinho e ganhando um bom dinheiro, Adil Ramzy, em grande destaque nos PSV's europeus está por lá também aos 32 anos, mas voltamos aos casos (in)compreensíveis: Diane, formado no PSG, aos 27 anos, na sua plenitude, anda pelas arábias. Marcinho, com passagens por Cruzeiro e Flamengo, na flor dos seus 25 anos, ganha a vida. Pisculichi, apontado como o "novo" Messi e com a mesma idade de Marcinho, joga no Al-Arabi e um dos jogadores que tantas vezes falei para o Benfica, quando faltava o badalado Extremo-Direito, Pascal Feindouno, grande craque do St.Etienne, aos 28 anos no Al-Rayyan.
Observando um pouco mais ao lado, os três clubes mais poderosos dos Emirados Árabes Unidos, os nomes são ainda mais surpreendentes. No Al Jazira, clube com tradição local, observamos os nomes de Ricardo Oliveira, ex-jogador do AC Milan, Betis, Zaragoza ou Valência, e que aos 29 anos vai brilhando nos EAU e Rafael Sóbis, uma das maiores promessas brasileiras da nova geração, que aos 24 anos, depois de três anos no Betis, seguiu as pisadas do seu ex-companheiro.
O Al Wadah, apresenta nas suas fileiras Pinga (formado no Torino) e Magrão (um dos melhores do Internacional de PA nos últimos anos), e o Al Ain com um dos matadores dos últimos torneios argentinos, José Sand, e Valdivia, o craque chileno que passou pelo Palmeiras e aos 26 anos está a passar ao lado de uma das carreiras mais promissoras em perspectiva para um chileno depois de Marcelo Salas.
É estranho tentar perceber, ou procurar fazer perceber, a diferença entre uma grande carreira e uma grande carreira. Se perguntarem a qualquer um destes jogadores eles vão-vos responder que tiveram uma grande carreira porque ganharam mais em termos monetários enquanto profissionais de futebol do que muitos craques que brilham nos principais campeonatos da europa. Depois há os que dizem ter tido uma grande carreira com títulos e prémios individuais de nomeada.
As diferenças, no nosso quotidiano, começam a desaparecer. O dinheiro está a comandar o Mundo, e não há tradições ou valores que resistam. Se este caminho se mantiver, o que teremos daqui a 20 anos? O troféu de melhor jogador do Mundo a ser discutido entre os craques do Al-Jazeera e do Al-Said? Ou as grandes marcas de roupa deixaram os patrocínios das equipas de meio da tabela de Portugal, França, Holanda, Grécia, etc, para verem os seus nomes em todos os desíginios das equipas da Qatar Stars League, deixando assim esses clubes em maiores dificuldades?
As categorias de base do Santos têm formado, ao longo dos anos, alguns dos melhores jogadores brasileiros de sempre. É do Vila Belmiro que saem grande parte dos craques das novas gerações da canarinha, como são exemplos Pelé, Chulapa, Coutinho, Pepe e mais recentemente, Diego, Renato e Robinho.
Muitos, ainda com idade de pré-adoloscência, já ganham mais num mês, do que os seus país num ano inteiro de trabalho e sacrifício.
A esperança dos adeptos em terem novos produtos formados na cantera é enorme, e muitos apelidam mesmo a formação santista como a melhor do planeta. Há cerca de três anos, vi uma reportagem pela internet da formação do Santos e a apresentação de algumas das suas pérolas. Uns já os vi brilhar na equipa principal, outros já vi em DVD nas categorias de base, um deles ao vivo, e outros o Youtube faz o enorme favor de os apresentar. Ficam então, os principais candidatos a nova geração dourada no Vila Belmiro...
Nome: Neymar 17 anos Extremo/Avançado
Neymar aparece já como uma confirmação. Ainda não é maior de idade, mas já joga entre os profissionais do Santos e espalha todo o seu perfume no Brasileirão. É um jogador muito forte tecnicamente, com uma capacidade de drible fora do comum. Faz ambas as faixas, ou apoio ao ponta-de-lança, finaliza bem, aparece muito bem em zonas de golo com bola controlada e em desequilibrio. Sem dúvida um grande nome para a próxima década do futebol Mundial.
Nome: Jean Carlos Chera 14 anos Médio Ofensivo
Camisa 10 das categorias juvenis do Santos, aparece em tenra idade como um fenómeno de popularidade e talento. Só para se ter uma ideia, aos 13 anos já recebia no Santos qualquer coisa como 7 mil euros mensais, mais patrocínios, escola, e alimentação. Vivia no Paraná e trouxe toda a sua família para Santos, pois a directoria do clube santista evidenciou todos os esforços para contar com ele. Aos 9 anos os vídeos colocados na internet das suas habilidades fizeram sucesso e Chera é um fenómeno de popularidade no Brasil. Jogador com um pé esquerdo muito forte para idade, revela uma enorme maturidade para quem tem ainda tão poucos anos de vida. Marcador de golos, craque enorme, vamos ver se vai evoluir da forma esperada para confirmar todas as expectativas sobre ele.
Nome: Victor Andrade 14 anos Avançado
Vi o Victor pela primeira vez ao vivo, no Algarve. O Benfica disputou lá o Mundialito e o Santos permitiu que o miúdo talentoso viesse a Portugal defender as cores do Benfica. Foi o melhor jogador da prova, venceu o troféu de melhor marcador, e o Benfica ganhou o seu escalão, a clubes como Ajax, Inter, Chelsea, entre outros. Jogador prodígio, muito faz lembrar as pedaladas de Robinho e Neymar e parece ir na mesma onda. Gosta de se posicionar sobre corredores laterais, ir para cima e fazer estragos. Grande talento.
Nome: Gabriel 12 anos Avançado
Um dos técnicos que treinou Robinho no Santos, afirma estar aqui um dos maiores prodígios que lhe passaram pelas mãos. Gabriel tem um dom natural, é rápido, tem uma técnica fantástica para idade, muito forte no drible e na hora de finalizar. Em 2005, passou pelo São Paulo onde marcou mais de 100 golos. Tem um talento nato, se corresponder à evolução natural que nem sempre é como se espera, vai ser um jogador de top.
Lionel Messi recebeu hoje das mãos de Blatter e, no fundo, de todos os seleccionadores e capitães das equipas pertencentes à FIFA, o prémio de melhor jogador do Mundo. Não havia dúvidas, muito menos grandes expectativas contrárias, pois desde há muito que se sabia que Messi seria o vencedor do mais desejado galardão para premiar um jogador de futebol.
Messi ganhou tudo o que havia para ganhar, mas mais uma vez insisto na tremenda descredibilização que se faz dos grandes artistas que o Barça tem mais atrás, e que são os verdadeiros motores de todo o jogo ofensivo da equipa e permite moldar toda a fisolofia de jogo e estrutura colectiva em prol de dois nomes: Andrés Iniesta e Xavi.
Na minha opinião, e se me dessem um jogador à escolha para a minha equipa, seria Iniesta. Se me dessem um par, seria Iniesta e Xavi. Iniesta teve o condão de acrescentar a dimensão seguinte ao nível da imprevisiabilidade e qualidade de progressão na organização ofensiva ao futebol do Barcelona, destancando-se por ser o parceiro ideal, e o mais fiél retrato, de como um jogador se pode complementar com outro: Iniesta e Xavi são como dois irmãos quase gémeos que espalham magia por esses relvados foras. Só não os considero gémeos pois as qualidades de cada um individualmente, são ainda mais valorizadas pelas qualidades do outro.
Messi ganhou com 1073 pontos, Ronaldo foi segundo com 352, Xavi terceiro com 196, Kaká quarto com 190 e Iniesta a fechar o top five com 134. No campo feminino, a brasileira Marta venceu logicamente a disputa, ela que até confessou preferir Ronaldo a Messi na hora de eleger o melhor do Mundo.
Ronaldo venceu o prémio Puskas - pela primeira vez entregue - que homenageia o melhor golo do ano. Mais uma vez sabe-me a pouco esta escolha. Para mim o melhor golo da temporada teria sido, eventualmente, este:
De resto, não houve mais surpresas na noite, com a equipa do ano a ser a seguinte: Casillas (Real Madrid/Espanha), Dani Alves (Barcelona/Brasil), Vidic (Manchester United/Croácia), John Terry (Chelsea/Inglaterra), Evra (Manchester United/França), Xavi (Barcelona/Espanha), Iniesta (Barcelona/Espanha), Gerrard (Liverpool/Inglaterra), Ronaldo (Real Madrid/Portugal), Fernando Torres (Liverpool/Espanha) e Messi (Barcelona/Argentina).
Hoje, na faculdade, um professor meu disse: "O futebol não é de quem brilha, é de quem ganha". Foi o tópico ideal para escrever sobre esta temática que tantas vezes se confunde e discute no Mundo do Futebol mas que faz toda a diferença.
Têm ficado pelo caminho, ao longo dos anos, muitos jogadores virtuosos, com excelentes capacidades no um para um, mas que não conseguem dar a dimensão seguinte ao seu futebol, fruto de baixos índices de objectividade e produtividade em prol do colectivo. Hoje em dia diz-se que não há espaço no jogo, e realmente isso acontece. As equipas, os treinadores, os jogadores, compreendem hoje muito melhor o jogo, existe uma preparação e uma metodologia cada vez mais preparada para se dar um equilíbrio no espaço de jogo, que tem de ser "desmontado" pelos tais virtuosos, talentosos jogadores capazes de aparecer entre linhas, fazer um drible e ficar na cara do guarda-redes, fazer um passe a isolar um companheiro... os que resolvem jogos.
Mas, existe também os que fazem tudo isso, só que pela irregularidade com que o fazem e a pouca cultura de jogo e pouca dimensão que acrescentam ao seu futebol ao nível das decisões que tomam, acabam por nunca atingir o ponto qualitativo que se esperaria deles. E é sobre alguns desses casos que vou falar a seguir.
Di María (SL Benfica) - O argentino que todos bem conhecem, constitui hoje na minha opinião um dos casos mais flagrantes de contraste existente entre o talento e a objectividade de um jogador de futebol. É um jogador muito veloz, com uma capacidade de aceleração como se vê pouco nos dias de hoje.
Bom no drible e na capacidade de penetração, é um jogador que aos 21 anos pouco ou nada evoluiu sob o ponto de vista táctico e de cultura do jogo para poder dar o salto que o seu talento exigia. Na maioria das vezes decide mal, tem dificuldade em perceber os ritmos de um encontro, é pouco voluntarioso defensivamente e revela um íncide baixíssimo de qualidade no remate.
Di María tem no Benfica 100 jogos oficiais e... 6 golos apontados. Saíram da Luz sem convencer, sem deixar saudades à maioria dos adeptos, mas os números falam por eles (em idênticas situações competitivas e posicionais com o argentino, e em comparação com este): José António Reyes - 35 jogos, 6 golos -, Laurent Robert - 15 jogos, 3 golos - e Freddy Adu - 19 jogos, 5 golos.
Não é a principal função de um extremo fazer golos, correcto. Mas nem aí Di Maria impressiona. O número de assistências que realiza para os seus colegas só este ano são relevantes no Benfica, mas as más decisões do argentino com bola, os lances que não ganha aos seus adversários, ou que não lhes dá objectividade no jogo, são inúmeros. Para juntar, esta época, os casos de pura e simples "burrice" em campo, quando chuta a bola contra o banco do Braga e gera toda uma confusão que prejudicou o Benfica no jogo e nos seguintes, e agora em Olhão, que prejudicou essencialmente o Benfica nesse jogo, e não vou dizer para os seguintes... porque não originou a expulsão de mais nenhum colega.
Celsinho (Sporting CP) - O que é feito dele? Chegou ao Sporting rotulado de craque. No Brasil os vídeos de inúmeros lances de magia no drible, facilidade de remate e qualidade na criação de espaços de finalização, faziam dele uma das grandes promessas do futebol brasileiro - foi inúmeras vezes comparado a Ronaldinho Gaucho. Nos dois anos que esteve na Rússia, no Lokomotiv, fez apenas 6 jogos. No Sporting 7... todos em competições de menor importância e onde sempre destacou o seu desfazamento da realidade do futebol actual. Pouca intensidade, muito jogador de espaços curtos e dribles rápidos, mas sem o passo seguinte... a dimensão de ocupação de espaços com bola, de objectividade nos seus movimentos e lances... ainda é jovem, tal como o exemplo de Di Maria... mas há coisas que não se aprendam, e a objectividade no futebol é uma delas.
D'Alessandro (Internacional) - Chegou a ser comparado, como tantos outros, a Diego Armando Maradona. Estreou-se em 2001, com 19 anos, na Selecção "A" Argentina. Rendeu muito aos cofres do River, na sua transferência para o actual campeão da Alemanha, Wolfsburg, devido à sua qualidade com bola, os espaços que criava no jogo, a capacidade de drible e penetração em progressão... um pé esquerdo que fazia maravilhas. Na Alemanha apareceu pouco, apenas a espaços e com rasgos aqui e ali mas sem a regularidade exigida, foi emprestado ao Portsmouth (o maior entreposto de jogadores da última década) onde fez meia época, passando dois anos no Saragoça de Espanha, onde nunca convenceu e ficou ligado à descida de divisão do clube (tal como Pablo Aimar).
Regressou à Argentina e hoje joga no Internacional do Brasil. A pouca dinâmica e intensidade que dá ao seu futebol, a também débil condição física (poder de choque e resistência) e as dificuldades que demonstrou sempre em traduzir para a equipa os seus argumentos técnicos, foram as principais razões que o fizeram passar ao lado de uma grande carreira. Ainda é jovem, mas já não vai a tempo de atingir o ponto qualitativo que obtiveram alguns dos seus companheiros na então campeã do mundo de sub-20 argentina, onde foi considerado um dos melhores da competição. Falo de Javier Saviola, Coloccini ou Maxi Rodriguez.
Leandro Romagnoli (San Lorenzo) - Outro dos colegas de D' Alessandro na selecção sub-20 argentina que brilhou em 2001. Chegou ao Sporting com muitas 'ganas', as mesmas que os adeptos tinham de o ver jogar. Dotado de inegáveis qualidades técnicas, nunca mostrou em Alvalade a objectividade que se exigia a um jogador da sua posição. Com o talento de poder decidir uma partida, Paulo Bento nunca foi grande apreciador das qualidades do argentino. A falta de ritmo que evidenciava, a pouca objectividade que metia no seu jogo, onde raramente encontrava espaços para penetrar e finalizar, a dificuldade que apresentava em decidir o rumo da organização ofensiva da equipa, tudo foram factores que o levaram a fazer passar quase como um despercebido pela história do clube. E qualidade ele tinha...
Álvaro Recoba (Panionios) - Recoba foi apresentado ao Mundo do futebol como um dos melhores pé esquerdos que a bola conheceu. Dotado de inegáveis capacidades técnicas, revelou, contudo, um cariz de jogo completamente oposto ao rumo que o seu talento apontava. Era um jogador pouco culto tácticamente, que precisava de espaço para brilhar. Quando era alvo de maior marcação ou de algo que o fizesse ter de procurar adoptar um estilo diferente ao seu jogo, nunca foi capaz de concretizar.
Procurava sempre resolver de meia distância com o seu forte pontapé, apresentava algumas limitações ao nível da objectividade que se pretendia, pois sempre valorizou dar mais um toque, meter mais um drible no lance, procurar o golo bonito, do que jogar simples e de forma objectiva. Passou ao lado de uma grande carreira, apesar de ter sido dos meus favoritos que vi jogar.
Nem de propósito. O clube grego anunciou esta noite em comunicado a rescisão amigável do contrato que ligava o Panionios a Álvaro Recoba, pelo que este poderá ter sido o fim da carreira do uruguaio de 33 anos.
E é com ele que termino o grosso do meu post.
Todos os jogadores que foquei são amplamente conhecidos pelos nossos adeptos, e todos têm em comum o facto de terem nascido na América do Sul. Coincidência. O produto sul americano é mais fantasista, foca-se mais o talento individual do que a cultura táctica e sentido de objectividade (que muitos mostraram ao longo da sua carreira pela aprendizagem europeia, como Messi, Ronaldo, Rivaldo, Romário, Ronaldinho, Verón, Crespo entre outros).
Daí ser mais comum aparecerem sul americanos com ritmos diferentes (que os seus futebóis têm), espaços de acção diferentes, intensidades diferentes, sentidos de objectividade também diferentes. Hoje em dia, um jogador menos talentoso e com menor índice de criatividade, tem, sempre, vantagem sobre o outro, caso apresente maiores capacidades de leitura de jogo, cultura táctica e objectividade.
"O futebol não é dos que brilham, é dos que ganham".
O recente sucesso do 'Mengão' no Brasileirão fez a imprensa brasileira e também internacional exaltar os feitos dos canarinhos recém sagrados campeões brasileiros depois de quase duas décadas de interregno. Porém, muitos se esqueceram de destacar o regresso para o próximo ano de um dos históricos do futebol brasileiro: O Vasco da Gama.
O histórico clube onde se formou Romário, que já venceu por quatro vezes o escalão maior do futebol brasileiro e o Estadual do Rio de Janeiro por vinte e duas vezes, está de regresso e com o elenco que tem ao seu dispôr promete fazer um campeonato muito promissor.
O Vasco foi claramente superior a todos os outros na Série B 2009, onde se destacaram alguns jogadores de que já falei neste espaço e que na próxima época irão exponenciar, certamente, todo o seu futebol a uma maior dimensão. Um deles parece estar já mesmo de saída e logo para o... Benfica. Alan Kardec, segundo a imprensa, é reforço confirmado.
Nomes para o Brasileirão 2010 e Estadual Carioca:
Élton
Foi, talvez, a figura maior dos cariocas na época agora finda. Marcou 27 golos, arrecadou o prémio de melhor marcador da prova e resolveu muitas partidas para os vascaínos. Aos 24 anos assumiu-se seriamente como uma das próximas figuras do brasileirão. Tem um pé esquerdo mortífero na hora de finalizar. Apesar de possuir capacidade técnica assinalável, não é um jogador muito forte no poder de finta, concentrando-se em espaços centrais, onde procura com rápidos movimentos explosivos o pé esquerdo para visar a baliza.
Tem um porte físico invulgar para tanta agilidade (185cm, 84kg), joga bem de cabeça, muito frio a executar grandes penalidades e com óptimo sentido de posicionamento na altura de aparecer em espaços de finalização. Um Cardozo à brasileira... sem dúvida o melhor avançado da Série B no ano agora findo.
Ramon
Já aqui falei nele e quanto a mim será um dos próximos jogadores brasileiros a ter sucesso na Europa. Lateral Esquerdo de raíz, pode-se considerar ambidestro, é um dos maiores talentos formados recentemente no Brasil. Com 21 anos, é um jogador todo o terreno, com uma invulgar capacidade física de jogar numa intensidade de jogo muito alta durante os 90 minutos. Defende de forma agressiva e disputa todos os lances, ataca bom mestria e revela grande poder técnico para efectuar cruzamentos. Se a Europa ainda não o tiver descoberto, ele vai brilhar no próximo Brasileirão.
Dedé
Chegou agora ao Vasco e tem um porte físico que impressiona. 1,92cm e 88kg de força, agressividade, capacidade de desarme. Joga bem de cabeça e tem apenas 20 anos. Vai aparecer aos poucos...
Souza
Foi um dos mais utilizados nos sub-20 do Brasil no último Mundial. Jogador de amplos recursos técnicos, é também um destruidor de jogo com grande leitura táctica, sendo quase sempre o primeiro jogador da zona de transição ofensiva da sua equipa. Agressivo q.b., boa qualidade de passe, boa cultura táctica, apenas 19 anos. Vai brilhar!
Alex Teixeira
Também já aqui falei dele e quanto a mim é um dos jogadores da equipa mais próximos do perfil de jogador europeu, pronto a dar o salto. Alex é um jogador explosivo, com fino recorte técnico e capacidade de drible, mas que sabe usar o corpo e a capacidade de aceleração para criar desequilibrios. Não joga a um ritmo de brasileiro, sabe gerir bem o esforço e aparece muitas vezes em boas situações para finalizar. Vai ser o seu ano de afirmação absoluta!
Carlos Alberto
Sobejamente conhecido na Europa, o antigo jogador do FC Porto foi um dos grandes destaques da última Série B, onde apontou 9 golos. Aos 25 anos fez o processo inverso num rumo de carreira que aparentava estar em claro crescendo, sobretudo depois de se ter sagrado campeão europeu ao serviço do Porto. A ida para a Alemanha não correu bem e voltou de imediato ao Brasil. Jogador rápido e com grande qualidade técnica, joga bem sobre as faixas mas é como 10 que melhor explana o seu futebol. Ainda vai a tempo de inverter o rumo... muito talento!
Alan Kardec
Nunca se assumiu na equipa do Vasco como titular mas, graças ao grande Mundial sub-20 que fez, onde se destacou como a principal figura da equipa canarinha, a sua reputação aumentou - e de que maneira. Meia Europa falou nele, e parece que o Benfica ganhou a concorrência. Do que vi dele pareceu-me um jogador de área, mas capaz de procurar outros espaços. É um falso lento, finaliza bem com os dois pés, mas é de cabeça que mais se destaca. Frio e eficaz na hora de procurar o golo.
Philippe Coutinho
Esse mesmo. Para quem não o conhece, tem 16 anos. Vi-o com 14, numa altura que os responsáveis pela formação do Benfica assinaram um protocolo com o Vasco e sonharam com ele. Joga na posição 10, tem uma invulgar maturidade e qualidade de gerir os ritmos de jogo da sua equipa. Ao nível dos predestinados. Grande capacidade de drible em progressão e facilidade de penetrar em zonas de golo. É no entanto a assumir a batuta da organização do processo ofensivo da equipa que mais se destaca. Pelo que se fala, já terá assinado com o Inter de Milão mas apenas irá para a capital italiana aos 18 anos. Para o ano, aos poucos, poderá ser integrado nos profissionais e brilhar.
Ao fim de 113 anos de história, o modesto clube da província de Buenos Aires, sagrou-se pela primeira vez campeão da Argentina, apesar da derrota por duas bolas a zero no terreno do Boca Juniores. Há quem ainda não acredite, mas a verdade é que o Banfield fruto de um projecto sólido e de aposta em jogadores experientes, conseguiu o impensável. No estádio do Boca, e por respeito ao adversário, os jogadores do Banfield recusaram-se a dar a habitual volta ao relvado festiva.
Principais peças do Banfield
Santiago Silva
Aos 29 anos, e no seu segundo ano de Banfield, sagrou-se pela primeira vez campeão argentino. O uruguaio que passou pelo Beira-Mar em 2004/05 foi o melhor marcador da competição com 14 golos, o que lhe conferiu uma média de um golo por partida. Jogador de área, muito forte fisicamente e que disputa cada lance como se fosse o último. Trabalha muito bem para os seus companheiros mas foi na arte do golo que se destacou. Revelou um excelente sentido de oportunidade, remate seco e fácil com ambos os pés e, sobretudo, uma grande qualidade no jogo aéreo. O melhor jogador da prova, em termos de rendimento/eficiência/objectividade.
Christian Luchetti
Talvez pelo seu temperamento algo imprevisível tenha passado ao lado de uma grande carreira. O Chilavert argentino como é conhecido, passou toda a sua carreira no Banfield - onde apenas se aventurou dois anos no México - e aos 31 anos sagrou-se campeão da argentina, também pela primeira vez. É um guarda-redes com grandes recursos técnicos, daí ser habitual vê-lo a marcar grandes penalidades. Baixo para o lugar, mas muito ágil e com óptimos reflexos, foi uma das peças essenciais do Banfield.
Sebastian Méndez
Outro jogador da velha guarda, 32 anos, passagem por Espanha - 5 épocas no Celta de Vigo - destacou-se pela voz de liderança na defensiva, muita cultura de posicionamento e garra dentro da quadra. Deu a segurança defensiva necessária para a equipa conseguir pontos importantes fora de casa.
Walter Erviti
A estrela da companhia. Argentino que passou os últimos seis anos no México, voltou a casa para ser campeão. Formado no forte San Lorenzo da década de 90, tem um pé esquerdo muito talentoso, sendo um jogador que quando necessário pegou no jogo e carregou o Banfield à procura dos seus intentos. Já a caminhar a largos passos para as trinta primaveras, foi uma das peças mais importantes do título.
James Rodríguez
Já aqui falei nele, foi uma das surpresas da prova. 18 anos, o jogador mais novo da equipa, contribuiu decisivamente para os bons resultados do Banfield com excelentes exibições. A marcação cerrada de que Erviti era alvo fez com que ele assumi-se em muitas situações no processo de jogo ofensivo a batuta da sua equipa, tendo terminado a época com três golos e uma mão cheia de assistências para os seus companheiros. Tem um futuro muito risonho e o primeiro título da sua carreira tem certamente um sabor muito especial e aumentará certamente a cotação do seu passe.