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domingo, 28 de dezembro de 2014

A observar o "tango" na Argentina

O blog tem estado inactivo mas a observação de jogos continua a ser uma coisa prioritária para nós. Hoje demos um salto à Argentina, e em altura de mercado de inverno, vamos falar sobre alguns dos jogadores que mais nos saltaram à vista nas últimas observações feitas.

Marcus Acuña (Racing)

É um caso do tipo de jogador que só atinge a maturidade no seu futebol mais tarde do que os restantes. Mas Acuña ainda é jovem. Tem apenas 21 anos, mas foi passando despercebido aos principais clubes e só agora chegou ao primeiro escalão. Pé esquerdo que tem "olhos", joga sobre as duas faixas, sempre com o esférico colado ao pé da mesma forma como imagina o jogo e executa com a qualidade que o seu cérebro idealiza os lances. Muito agressivo no 1x1, cruza com muita qualidade e é bastante intenso também sem bola. Um talento, que se for aposta, pode crescer muito.


Gustavo Bou (Racing)




Ponta-de-lança de área, um matador, tem 24 anos e está a atingir um patamar de qualidade que exige o futebol europeu. Tem 10 golos nesta edição do campeonato argentino e é um dos grandes destaques do campeonato. Apesar de não ser muito alto (1,78cm) é exímio no jogo de cabeça. Excelente impulsão e técnica de cabeceamento, sabe pressionar também no processo defensivo e nunca se esconde do jogo. Finaliza com serenidade, tem qualidade técnica também para procurar ele as situações de finalização. Qualidade.


Lucas Romero (Velez)

Aos 20 anos é um dos principais talentos a sair do país em breve, certamente. A formiguinha do meio-campo do Velez é um jogador muito culto a nível táctico, sabe e compreende cada momento do jogo mas também com bola se destaca com qualidade no passe e na progressão. Não é um jogador potente a nível físico e a baixa estatura pode fazer com que muitas pessoas na Europa o olhem de lado pelo facto de jogar na zona defensiva do meio-campo mas o talento que tem e a intensidade que mete no jogo dissipam qualquer dúvida.

                                                       
Joaquin Correa (Estudiantes)



O médio criativo dos Estudiantes já foi associado ao Benfica e é um dos jogadores mais fortes a actuar no campeonato. 20 anos, tem todo o perfume e requinte de um jogador que se pode tornar de alto nível. Pensa o jogo de forma anormal para a sua idade, pode jogar na faixa ou por dentro, decide quase sempre bem e tem uma qualidade técnica muito alta. Vasto leque de recursos, finaliza muito bem de longe, imagina lances e sai de situações à partida impossíveis. Um jogador de alto quilate.


Jonathan Calleri (Boca)

É impossível não olhar para ele e ver os últimos grandes nomes que saíram do futebol argentino na posição de ponta-de-lança. Jogador que pode atingir um patamar muito alto na Europa. Tem a bravura dos grandes e isso nota-se quando entra em campo.Apenas 21 anos já é a referência do histórico argentino. Grande capacidade de finalização e de ler o jogo, o espaço onde tem de aparecer e com frieza na finalização. Forte de cabeça, marca de toda a forma e dá muito trabalho às defesas. Craque.





Jaime Ayovi (Godoy)


Joga numa equipa modesta mas é um dos grandes destaques do campeonato. Já tem 26 anos e um percurso "estranho" pois já andou por vários campeonatos secundários, mas ainda vai a tempo de poder fazer estragos na Europa. É um finalizador nato, tem compleição física assinalável e um instinto incrível para o golo. Para além disso, deve ser dos melhores cabeceadores na América. Técnica de cabeceamento incrível, parecem que põe a bola com a mão, grande capacidade de impulsão e frieza na hora de encarar a finalização. Jogador de equipa grande que trabalhe para ele.



Emanuel Insua (Boca)



Lateral esquerdo, posição tão desejada em Portugal, e que qualidade tem este jogador de 23 anos. Fisicamente é um "bicho". Robusto, tem aceleração e velocidade de ponta e é muito agressivo nas abordagens. Sobe bem no terreno, dá profundidade ao jogo da equipa, gosta de entrar por dentro e por fora e tem qualidade técnica para se integrar no processo ofensivo. Uma locomotiva.


Kranevitter (River)



Jogador incrível do ponto de vista da recuperação de bolas. Joga na posição 6 com cultura táctica, elegância, e uma qualidade absurda na forma como usa o corpo - e bem - na recuperação e desarme aos seus adversários. Para além disso assume com qualidade a 1ª fase e construção do jogo da equipa e é um jogador agressivo e forte também pelo ar. Qualidade para voar para o futebol europeu.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Uma questão de contextos




Jorge Jesus permite um Benfica mais forte e mais capaz de defrontar qualquer equipa. Contudo, noutro contexto competitivo, as fragilidades individuais de alguns jogadores demonstram as fraquezas que o conjunto tem para patamares mais elevados de exigência. O Zenit para além de ser uma equipa muito completa e de muita valia individual, é extremamente bem organizada e bem conhecedora de todos os momentos do jogo. Para além disso, os seus jogadores interpretam perfeitamente a questão qualidade vs experiência e assume-se este ano como o grupo mais forte do projecto milionário dos russos dos últimos anos.

O Benfica não pode ambicionar a triunfar na Europa e jogar com Artur, Jardel e Eliseu. Artur não tem condições para jogar em Portugal quanto mais fora de portas. Jardel a nível defensivo faz quase tudo bem e oferece garantias de top naquilo que se pretende para um plantel. Assumir a titularidade neste contexto é outra conversa, e as dificuldades porque passou hoje no momento da saída de bola, revelam falta de qualidade dele para este nível competitivo. Eliseu é outro caso. Em Portugal vai disfarçar as suas limitações mas apanhando pela frente um jogador da valia de Hulk sente enormes dificuldades e muita sorte acabou por ter o Benfica pelo Zenit ser uma equipa de organização ofensiva e não saber jogar de outra forma.

Noutro âmbito, importa falar do Mónaco. Bernardo Silva teve direito a meia hora e encantou os franceses. Bola colada ao pé, o jogo ganha dimensão quando o pequenino jogador ex-Benfica assume a batuta. Criatividade, imprevisibilidade, tomada de decisão, capacidade de penetração, condução, qualidade passe...enfim, esgotam-se os elogios. O que será preciso para Leonardo Jardim dar-lhe a titularidade e oferecer qualidade a esta equipa francesa que bem necessita?

No lado oposto está Ivan Cavaleiro. A vitória do Corunha frente ao Eibar esta segunda-feira não apaga a paupérrima exibição do extremo português. Muitas dificuldades na recepção, problemas técnicos evidentes para se catapultar para outro nível competitivo. Saiu, e bem, pelo pouco que deu ao jogo. Rapidamente, a continuar assim, perderá o lugar para Cuenca. Quanto a Sidnei, foi o melhor em campo e é um case study. Pode até nem ser preciso chegar a muitas conclusões, mas custa entender o porquê da sua carreira não estar noutro patamar. O treinador gosta dele e é fácil perceber porquê: lê o jogo como poucos, sai a jogar com qualidade de nº10, antecipa-se e recupera bolas de todas as formas e a continuar assim, mantendo o nível exibicional, vamos ver se ainda haverá tempo para ele. Numa equipa com bloco baixo, que não o exponha a situações de metros nas costas para correr, pode ser top.

sábado, 2 de agosto de 2014

Emirates Cup day 1



Não se pode dissociar as fases do jogo nem os seus momentos uns dos outros, mas a verdade é que este Benfica parece quase uma equipa de duas caras e de dois níveis distintos. Mas tudo é fácil perceber e de ser explicado pelo nível individual dos jogadores dos diferentes sectores da equipa.


Tinha sido possível observar dificuldades do Benfica no processo ofensivo e na inexistência de mobilidade e dinâmicas que permitissem jogo entre-linhas e combinações directas em progressão como as equipas de Jesus sempre nos habituaram. Hoje foi possível ver melhorias nesse aspecto e graças à inclusão de Gaitán sempre pelo corredor central, algo que já aqui vem sendo dito desde o primeiro dia de pré-época. É realmente o jogador mais forte da equipa no corredor central na penetração e agressividade com bola e qualidade de critério e decisão.

Com as rotinas já criadas e pelos lances que foi inventando com Lima e Salvio, que mesmo ainda a níveis baixos de produtividade face ao que já mostraram em outra altura, foi possível ver um Benfica mais ligado entre sectores na fase ofensiva e a permitir alguns lances interessantes. Mesmo gostando de Ola John, não agarrando estas oportunidades, fica difícil para ele. Quase sempre a decidir mal (coisa que não é normal) e a ter problemas em combinar com os colegas.


Mas o que explica os números e o baixíssimo grau colectivo da equipa no dia de hoje é o processo defensivo. Não é normal em Jesus, mas explica-se pelos nomes. Artur, Maxi, Sidnei, César e Eliseu. São 4 elementos novos, mais Maxi que nem sempre jogou o ano passado. Sidnei e César não controlam o espaço e não conseguem ter referências espaciais para jogar, abrindo constantemente espaços e tendo problemas na reacção aos maus posicionamentos que ocupam. O próprio Eliseu, que revela qualidade com bola, tem problemas graves a nível defensivo, coisa que já se sabia, mas que é possível melhorar com Jesus.

Basicamente este quarteto nunca se encontrou nem consegue jogar de forma coesa e concentrada, algo que existia o ano passado. Não é pelo trabalho nem pelo modelo, é pela (não) qualidade dos elementos citados para perceber o que é a exigência do jogar de Jorge Jesus. Mais, com Artur a revelar tantos problemas na comunicação e controlo da área, o Benfica jogando tão subido e com tantos metros nas costas arrisca-se a ter problemas face à sua improdutividade e pouca confiança também fora dos postes.


Anderson Talisca. Hoje como 6, algo que acredito sempre esteve na mente do treinador pelas condições atléticas e técnicas do jogador. Perdido, também, sem rotinas para o lugar, a demorar a compreender o que o jogo exigia, e claramente desaparecido. É um talento e se continuar a trabalhar pode crescer muito, mas o Benfica terá problemas a atacar jogos de exigência altos com ele neste ou no outro lugar do meio-campo.

Salvio. O Benfica vai ser diferente com o argentino. Certo é que Markovic é um super talento e um jogador claramente nível mais. Mas Salvio terá problemas para dar à equipa o que o sérvio se habituou a dar. Desde logo na transição defensiva e na forma como o sérvio equilibrava a equipa. E sobretudo a inexistência de capacidade do argentino para progredir para o corredor central e dar superioridades numéricas em progressão. O Benfica perderá aqui e sem 2 alas capazes de perceber e jogar como poucos pelo corredor central (Nico e Markovic) as dinâmicas colectivas serão naturalmente muito diferentes.

4x3x3. Tem de ser olhado por Jesus com outros olhos porque não tem neste momento jogadores para interpretar o seu modelo e jogar da forma como gosta. Sobretudo garantir uma capacidade e coesão defensiva em inferioridade top como existia o ano passado, e também qualidade no processo ofensivo com a inclusão de vários jogadores pelo corredor central. Essa deve ser a sua principal preocupação neste momento. Os melhores jogadores deste Benfica actual são os jogadores que conseguem ter bola e controlar o jogo pela posse. E sem um avançado de grande nível que consiga ligar sectores e jogar entre-linhas, Nico Gaitán não pode andar a jogar encostado ao corredor lateral muito mais tempo.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

A não adaptabilidade dá nisto



...4-0 do Real Madrid na sua própria casa. Nada que não tivesse sido já debatido neste espaço nos últimos dias e até mesmo em outros momentos. Este modelo de Guardiola não exequível de acordo com os jogadores que tem à disposição acabaria por dar para o torto e de forma clamorosa. Esta não foi só a derrota mais pesada do técnico espanhol a este nível como foi também a que mais expõe as suas fragilidades.

Qualquer modelo de jogo deve ser direccionado para potenciar as características dos jogadores. Uma equipa como o Bayern que ganha tudo no ano passado, trucidando adversários (inclusivé a geração de Guardiola no Barcelona por 7-0), não pode mudar de forma tão radical como fez este ano apenas para ir ao encontro de um futebol de um treinador que acabou por recolher mais críticas do que propriamente elogios palpáveis num contexto onde seria difícil que isso acontecesse.

A componente estratégica é fundamental no jogo e sobretudo nos momentos das decisões. Jogar num bloco tão subido e em constantes igualdades posicionais nos momentos de transição defensiva frente a uma equipa que tem um jogador a decidir como Modric, um jogador que liga sectores de forma tremenda e que pela sua capacidade de aceleração garante rápidamente vantagem posicional em transição ofensiva chamado Di Maria, e jogadores que com espaço nas costas como Ronaldo e Bale, é garantir suicídio, e garantir a humilhação que se verificou hoje.

Mais grave ainda é abdicar do ADN da equipa, que fazia dos esquemas tácticos um dos seus alicerces, e que sofre três golos dessa forma. Guardiola não soube explorar o que a sua equipa tinha de mais forte, e isto não se resume a um jogo. Ganhar o campeonato alemão onde o único rival actual é o principal fornecedor de jogadores para a própria equipa não pode ser nunca um elogio. É apenas a sua obrigação. E fazer a figura que fez em alguns jogos do campeonato, recolhendo críticas constantes de todos os quadrantes do futebol e do próprio clube, e sair da forma como o fez hoje na Champions, mostrou um Guardiola derrotado e sobretudo demasiado agarrado a ideias que agora (tal como no ano passado no Barcelona x Bayern) se provam estar equivocadas.

O futebol está em constante mudança e a adaptação/evolução de treinadores e seus intérpretes é o garante de sucesso duradouro de estratégias e filosofias daqueles que ganham em todos os contextos possíveis. E se Mourinho, tão criticado nos dias de hoje, vencer este ano em Lisboa com um plantel muito inferior aos demais concorrentes, vamos ver quem tão cedo ganhará 3 champions em 3 países diferentes, 3 contextos diferentes...veremos!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Duelo táctico na Luz: Padrão vs Adaptação



Assistimos hoje na Luz a um jogo soberbo a nível táctico entre duas equipas tremendas. Sobretudo a um jogo de enorme exigência para ambos os conjuntos e seus treinadores de forma a procurar maior equilíbrio e maior controlo do espaço. Sistemas em tudo diferentes e que colocavam a nu as principais debilidades colectivas de cada um dos conjuntos sempre que havia sucesso no momento em que as equipas chegavam à zona de decisão. Arrisco dizer que se tivesse existido maior qualidade individual em alguns momentos o jogo de hoje teria ficado com 5 ou 6 golos no placar.

Juventus, a padronização

A Juve é uma equipa totalmente padronizada no seu momento ofensivo. À primeira vista poderia permitir uma maior facilidade ao adversário em encaixar nessas combinações tácticas mas a dificuldade é tanta que seria necessário mudar de tal forma que permitiria aos italianos terem sucesso noutra das opções que poderiam assumir na zona de construção.

Abordaram o jogo com um momento ofensivo muito organizado, sobretudo, em duas combinações padronizadas. Jogando com três defesas pelo corredor central, garantido equilíbrio posicional, e duas referências de largura pelo corredor lateral (Lichtsteiner e Asamoah), a definição era sempre pelos três médios. Normalmente Pirlo e Marchisio a esticar jogo no outro médio, Pogba.

Para isso a referência de largura de um dos corredores abria no máximo procurando arrastar consigo o defesa lateral do lado contrário à bola. Esse espaço deixado entre o central/lateral era atacado pelo médio interior, quase sempre Pogba, que ao receber procurava uma combinação directa com um dos avançados de forma a conseguir uma situação de 2x1.


Benfica, a adaptação

Jesus correu o risco e teve sucesso. Não abdicou da sua identidade nem virou a cara à filosofia da equipa. Pressionou alto e deu-se bem. Podia ter garantido equilíbrio espacial não pressionando 3x3 na 1ª fase de construção dos italianos. Mas fê-lo. Para isso adaptou André Gomes, que passou a acompanhar sempre os movimentos de ruptura dos interiores (quase sempre Pogba). Recuou Enzo para esse lugar e baixou também Rodrigo fechando a linha para rodar rápido por fora - que normalmente Pirlo oferecia.


A Juve tornou-se mais pragmática e mais fácil de controlar pelo corredor mais perigoso: o central. Quase não construiu momentos de perigo através desse tipo de combinações onde é mais forte que os adversários e potencia o seu futebol.

Juventus, a re-adaptação ao Padrão

Podemos até chamar plano B. Não estava fácil entrar da forma padrão, foram pela segunda via: explorar a referência de largura do lado contrário que era deixado sem marcação. Foi por isso muito evidente, sobretudo na 2ª parte, situações de superioridade numérica pelo corredor lateral em que o jogador que dava maior largura recebia só e tinha espaço para progredir e cruzar.

O Benfica confiou na capacidade de antecipação dos centrais e teve de sofrer mas evitava situações de penetração pelo corredor central onde os seus centrais fizeram também um grande jogo. Foi um jogo muito exigente a nível defensivo para os laterais do Benfica que foram gigantes também na forma como apoiaram a equipa em termos ofensivos.

Não tivesse existido o erro de Markovic a esquecer-se de fechar o espaço interior e a evitar que a Juventus entrasse por dentro, hoje os italianos teriam criado ocasiões de golo (por imensa qualidade colectiva e individual), mas dificilmente seria um resultado tão curto para o Benfica como se tornou este.

Foi um prazer assistir a tudo isto no Estádio da Luz.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Beckenbauer, fala quem sabe



«A posse de bola de nada serve se o adversário consegue criar tantas ocasiões de golo. Devemos dar-nos por satisfeitos por só termos sofrido um golo».

Não é que esteja de acordo que se fale assim da equipa neste momento. A protecção ao treinador deve ser total de qualquer figura de um clube. No entanto, não posso estar mais de acordo com a ideia do Kaiser.

Já por aqui referi várias vezes que é um crime ensinar isto aos miúdos. Sobretudo porque os prepara para um contexto que não será possível realizar na maioria dos contextos, ou seja, é estar a prepará-los para o insucesso porque um modelo tão exigente de variados pontos de vista só é possível quando se é claramente melhor que os outros a nível individual.

E quando essa capacidade não surge e há tão pouco espaço para se jogar, acontece o que se passou hoje. Um Bayern totalmente fora daquilo que são as suas capacidades e uma equipa totalmente padronizada num tipo de futebol completamente contrário às ideias do seu treinador.

Lançamentos longos para a área? Cruzamentos atrás de cruzamentos à procura de superioridades do avançado ao 2º poste no futebol aéreo? 

Será isto que os novos teóricos do futebol têm nos seus apontamentos como o certo e o errado sobre o jogo?

Sou a favor da adaptabilidade e do facto do Bayern encontrar forma de potenciar aquilo que tem de melhor. E isso é o jogo aéreo do seu avançado Mandzukic. A criação de espaço para Robben decidir em situações de 1x1. A capacidade de Muller estar entre-linhas e acelerar jogo. Um futebol rápido e de intensidade do seu sector ofensivo. Mas nada disto se vê actualmente porque a própria equipa parece estar a entrar em choque com as ideias do treinador.

Do 8 ao 80, ou o extremo, que conseguimos encontrar no futebol que Guardiola mete as suas equipas a jogar, está longe de ser modelo certo e universal para o futebol. O segredo do jogo está na eficácia e na capacidade de criar mais momentos de finalização do que a equipa adversária.

O Real não tendo bola, jogando quase sempre em organização defensiva e em transição ofensiva, conseguiu criar mais oportunidades de golo e situações de finalização que o Bayern que passou o jogo entre passes à entrada da área adversária e cruzamentos ao 2º poste, não encontrando outro tipo de solução para os problemas que lhe eram criados.

Será o controle do jogo através da posse a forma mais segura de se ser superior em jogo? Retirando liberdade de processos aos seus principais jogadores de forma a padronizá-los num jogo que não estão habituados ou simplesmente projectados para tal?

Os assassínios a Mourinho



O título do post é forte. Mas olhando para a globalidade do "falar futebol" do mundo cibernáutico vemos críticas imensas ao treinador mais marcante dos últimos anos a par de Guardiola.

Vamos ver Mourinho. A incapacidade ofensiva do Chelsea nos jogos mais difíceis vem sendo criticada de forma sistemática. Eu critico Mourinho no discurso. Na forma como se está constantemente a colocar abaixo dos rivais. Como perdeu o interesse pela guerra e se dá por vencido à partida. Como entra numa postura de choramingas sem evidenciar o espírito lutador e vencedor que sempre mostrou. Está diferente.

Mas futebolisticamente falando continua no auge. Porque ganha. Mourinho é o treinador mais forte do Mundo na componente estratégica do jogo. Não é só sorte. Nos momentos cruciais raramente desilude e mesmo partindo em inferioridade perante os adversários consegue superiorizar-se pela forma como a sua equipa se dispõe em campo e consegue estar nos variados momentos do jogo.

O futebol não pode ser apenas dominar todos esses momentos mas sim ser globalmente mais forte. O futebol é um jogo de eficácia e nem sempre quem tem uma filosofia inquebrável ganha. Mourinho adapta e adequa em função do momento e no contexto que o jogo lhe coloca. E consegue resultados.

Foi a Madrid jogar completamente a defender mas até para isso ele tem de ser bom. Anulou todas e quaisqueres valências do futebol do Atlético e simplesmente colocou-os em situações em que não estão habituados e não sabiam como sair delas. Mourinho saiu com um 0-0 que lhe pode ser muito útil. De que interessava jogar bem, de forma atraente e a permitir um grande espectáculo e não partir em vantagem para a 2ª mão junto dos seus adeptos?

Para além disso a sua obsessão pelo momento defensivo é deveras interessante. O Chelsea é a equipa da Liga Inglesa com menos golos sofridos (26 em 35 jogos) e consegue oferecer uma segurança e um controle do jogo muito grande, mesmo sem a bola. Abdicando em grande parte de muitos momentos de organização ofensiva, consegue nesse momento ou em transição ser das equipas mais venenosas e eficazes e possivelmente das que melhor taxa de aproveitamento têm relativamente ao número de situações de finalização que criam (mesmo sem um avançado de top).

Este Chelsea de Mourinho pode ser odiado mas a filosofia do português não se tem alterado e ela já era visível em Madrid. Um futebol mais seguro, de maior controle especial e de menos posse, mas muito cínico e direccionado para o objectivo máximo do jogo: Vencer. Mesmo que no jogo de Londres o Chelsea volte a fraquejar do ponto de vista do espectáculo, saberá ser extremamente competitivo o suficiente para marcar presença em mais uma final da Champions.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Como o modelo de jogo evidencia os talentos



E as notas mais relevantes do futebol europeu, passando pelo novo Bayern Munique, o modelo do CSKA, uma curta de Madrid e o que importa realmente falar: Rodrigo.

Basta escrever o nome de Rodrigo Moreno no nosso item de pesquisa para perceber o que achamos sobre o espanhol que joga no Benfica. Não estamos a escrever este texto para voltar a evidenciar as qualidades que acreditamos que tem, neste momento muito positivo para ele, mas sim procurar dissecar o porquê de ter voltado a aparecer num momento decisivo, assim como outras notas sobre o futebol actual.

Entrando aos 87 minutos de um jogo que está empatado, e que só é aceitável a vitória e, sem querer dar qualquer tipo de amadorismo a Jorge Jesus, é óbvio que por muitas indicações que sejam dadas, o avançado que entra só pretende ter uma bola de golo para ficar na história. Em detrimento das missões colectivas e dos posicionamentos desejados pelo técnico, o jogador quer acima de tudo evidenciar-se.

E Rodrigo entrou para fazer o que mais gosta e que tanta vez é proibido de fazer no Benfica: jogar como elemento mais ofensivo e experimentar alguns movimentos de ruptura sem bola pedindo bola nas costas da defesa. Continuamos a dizer que é o melhor avançado do Benfica no seu todo e entrou para a história ao marcar o golo decisivo da primeira vitória de sempre no terreno do Anderlecht. Não se espante, contudo, se nos próximos 2 ou 3 jogos, apenas vir Rodrigo a aquecer sem ter qualquer minuto de jogo.



Olhando para o CSKA-Bayern. Os russos somos fãs do seu futebol. Jogo apoiado, um misto de posse e transições, quase sempre bem definido pelo seu cabeça de cartaz - o japonês Honda - com outro tipo de argumentos a nível ofensivo, sobretudo se estivessem em jogo Dzagoev e Dumbia a história podia ter sido outra. 

Parece-me que ganharão com relativa facilidade o campeonato e continuarão a ser a equipa mais forte da Rússia. Bom treinador, equipa bem organizada e com processos muito interessantes, modelo agradável para os fãs da posse e aqueles que procuram um futebol mais vertical e objectivo. Para continuar a seguir.

Guardiola continua a colocar o seu cunho pessoal na equipa que me parece, neste momento, mais forte do que alguma vez foi o "seu" Barcelona. Sobretudo pelas individualidades que dão dinâmicas ao modelo de jogo impossíveis dos espanhóis terem. Refiro-me naturalmente à aceleração do jogo e à objectividade dos alemães em processos rápidos e que exploram muito mais o desequilíbrio do adversário.

Mas continuo sem perceber a fixação de Guardiola em alguns momentos. Bater cantos curtos, todos os que dispõe, quando tem jogadores fortíssimos no jogo aéreo? Não pode cair no exagero sob pena de tornar a equipa mais fraca do que poderia ser. É que fazê-lo num Barcelona onde a média é o metro e setenta e cinco, é aceitável. Neste Bayern não.

E para os fãs de um futebol "barcelonizado", basta ver a forma como surge o primeiro golo. Velocidade, explorar o desequilíbrio do adversário, cruzamento (muito criticado) e finalização. Processos eficazes que não podem cair no campo do exagero.



Falando de Bale. Sou defensor que um jogador quando atinge patamares de excelência não deve mudar o contexto. Quero com isto dizer que se o fez, tirando excepções, é porque o modelo da equipa o potenciou e as dinâmicas colectivas foram criadas para lhe dar situações de sucesso e em que ele fez toda a diferença pela qualidade individual.

Foi assim com Bale no Tottenham. Arrisco dizer que em termos de desempenho individual foi top3 na temporada passada, daquilo que eu vi. Números excelentes para o rendimento global do colectivo e sempre a ser chamado nas alturas das decisões num colectivo sem grandes argumentos e em que ele tinha de tirar coelhos da cartola de forma regular e foram tantas as vezes que o conseguiu...

Mas no Real o futebol é outro e sobretudo a equipa está mecanizada de outra forma. Ronaldo é e tem de ser o centro das atenções mas Bale, apesar da qualidade e do acrescento de qualidade que pode originar, acabará por estar menos em foco e com um rendimento individual menor face ao que poderia estar se, porventura, estivesse numa equipa moldada em seu redor.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Continuamos a acertar...

...e a esperar pelo dia que o Japão surpreenda o Mundo... e pode ser já em 2014. A forma personalizada com que jogam e vencem a poderosa Bélgica pode ser vista aqui.

     

Futebol de alta qualidade, colectivo, apoiado, intenso. E com golos de Osako e Kakitani

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Adivinhe quem vimos hoje...



Sim, ele mesmo. Lisandro Lopez ao serviço do Al Gharafa do Qatar. Parado, paradinho. E aos 30 anos. Pergunto-me, pela sua qualidade, em quantas equipas de nível médio/alto na Europa poderia estar a jogar. Talento puro e qualidade técnica em quase tudo o que fazia. E aqui conjugamos no passado pois não acreditamos que volte ao que era.

Sobretudo porque o jogador de futebol vive da competição. Das suas exigências, das suas ambições, dos seus objectivos. Não é preciso pensar muito para perceber qual a actual motivação do argentino no médio oriente. Mas custa vê-lo tão longe do que já foi. E com tanto para dar. Vamos recordá-lo pelo que já foi (num tempo não muito distante).

sábado, 16 de novembro de 2013

O futebol apoiado do Japão


Há muito que os acompanhamos. Os talentos nipónicos começam a aparecer em grande destaque na Europa e agora será a sua selecção que promete surpreender o Mundo no Brasil. Quando aqui falámos em alguns dos nomes ainda escondidos naquele campeonato (OgiharaKakitaniNagai), sabíamos ao que íamos.

Quem acompanhou como fizemos os últimos jogos nipónicos frente à Sérvia e à Holanda percebe que há ali muito futebol para mostrar. Sobretudo pela continuidade que existe entre o jogo realizado no campeonato local e o transfer que há para a sua selecção. Uma clara amostra de que investir e desenvolver a sua formação trás resultados.

O Japão é uma equipa muito próxima do futebol europeu, sobretudo do futebol espanhol e alemão. Não é por acaso que muitos nipónicos estão na Bundesliga. Zona de construção ao nível dos melhores. Futebol apoiado, criatividade, dinâmicas colectivas, e tudo sempre em alta rotação (o que mais surpreende). Tem ainda intervenientes de grande nível no 1x1 e na forma como pensam o jogo.

Hoje o Japão empatou a Holanda e ridicularizou os europeus na 2ª parte. Domínio absoluto de todos os momentos do jogo. Com Uchida, Nagatomo, Hasebe, Okazaki, Honda, Kiyotake e Kagawa fica mais fácil. Continuem a seguir que vai valer a pena.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O padrão no jogo grego



O Benfica joga amanhã na Grécia cartada decisiva na época num ambiente que se espera de grande dificuldade para os portugueses. Mas não é só com o ambiente que os homens de Jorge Jesus têm de se preocupar. O Olympiakos é uma equipa muito organizada e para Jesus não correr o risco de voltar a ser surpreendido, como diz ter sido pela movimentação de Ibrahimovic no jogo em França, vamos de forma muito sintética abordar a fase ofensiva do jogo dos gregos.

O Olympiakos é uma equipa muito inteligente e com um futebol bastante objectivo. Jogue quem jogar, há 3 jogadores e 3 movimentações que são transversais ao jogo da equipa e ao seu modelo. Acreditamos que não seja por acaso e que seja uma padronização em ataque posicional fácil de identificar. Weiss, Mitroglou e Saviola.

Após recuperação de bola, o Olympiakos lateraliza normalmente o jogo, de forma directa. Não preveligia a posse no corredor central ou a criação de desequilíbrios a partir daí. Joga de forma simples e objectiva no corredor lateral. Objectivo: desposicionar o adversário e distanciar sectores/posicionamentos. Aí entram em cena 2 jogadores: O jogador no corredor lateral que recebe - normalmente Weiss -, e a chave deste processo, Saviola.

Já sabemos que o argentino é temível entre-linhas e Michel também o sabe. Aparece normalmente pelo corredor central no espaço morto, fruto do desposicionamento que os gregos procuram criar, e aí, com espaço para decidir, é letal. Normalmente surge uma penetração com bola, ou uma combinação directa com o outro elemento fundamental: Mitroglou.

O jogo grego é eficaz e assertivo nesta situação. Há muitas situações de cruzamentos a partir do corredor lateral, e de 2x1 após entrada no corredor central na zona de finalização. O Benfica tem de ter especial atenção ao espaço à frente do seu sector defensivo onde o Olympiakos é muito forte pela facilidade com que coloca 2 ou 3 jogadores em condições de combinar com o elemento mais avançado ou procurar a penetração/meia distância.

Outra situação a ter em conta são as bolas paradas. Os gregos apesar de não terem uma equipa especialmente forte do ponto de vista físico, trabalham-nas bem e criam boas situações através de esquemas tácticos bem definidos e com alguns lances estudados que podem surpreender. Veremos como o Benfica se adapta a tudo isto. Pelo menos surpreendido, não acredito que volte a ser.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O triângulo do centro de jogo: Versão sucesso

Quem leu o post anterior sobre a primeira parte do Benfica na Madeira percebeu que houve um conjunto de erros de entendimento do jogo da parte dos jogadores do Benfica. Uma questão de não cumprir princípios e de um momento de jogo (organização ofensiva) totalmente fora do contexto que o Benfica tem habituado quem os assiste. Muitas pessoas podem ter-se perguntado do porquê da necessidade de certos jogadores terem de cumprir determinados procedimentos ou posicionarem-se noutros espaços. Hoje, numa óptica semelhante, e em versão sucesso, analisamos o golo do Barcelona.

Sou adepto do futebol que Tata Martino. Já no Newell's tinha uma proposta de jogo muito interessante face à realidade que costuma ser possível ver na Argentina. Hoje vimos um Barcelona em alguns momentos de jogo procurar acelerar o seu ataque posicional como não fazia de forma regular. Mas centremos-nos no golo.


Fabregas é quem define o início do lance. Em poucos segundos a equipa acaba por fazer golo, mas tudo começa aqui. O centro de jogo está bem definido, com o triângulo evidente. Duas coberturas ofensivas ou apoios, e fora do centro de jogo, jogadores a garantir largura e possíveis movimentos de ruptura para o sucesso da circulação. Esta imagem em que o Atlético se posiciona com uma linha bem definida em termos defensivos não é muito diferente do que fez o Marítimo. A diferença está em quem ataca.


Xavi recebeu o passe. Fabregas prepara-se para dar nova dimensão ao centro de jogo da equipa porque o passe de Xavi vai para o lado direito onde um elemento garante a largura. O jogador que se encontra à direita da imagem é também importante, para impedir o encurtamento do espaço por parte do Atlético.


O lateral do Barcelona recebeu a bola. Há um espaço aberto neste lance porque o Atlético saiu com 2 jogadores ao portador. Esse espaço será fundamental no lance, mas será fundamental não pelo passe ter saído para lá, mas sim porque Fabregas (assinalado na imagem) percebeu que era ali que devia estar para garantir o centro de jogo com um triângulo e fixar ali os defesas, abrindo também a possibilidade da linha de passe. Xavi, inteligente como é, progride para receber e jogar de frente.


O passe entrou em Xavi, e Fabregas já está na zona decisiva de todo o processo. Decisiva porque o seu posicionamento abre duas hipóteses à decisão de Xavi. Ou faz passe de ruptura para Fabregas, ou lateraliza para o lateral. Quem não sabe e fica na dúvida é o defesa do Atlético. Essa dúvida faz com que se posicione num lugar intermédio e abra as duas hipóteses tentando ainda interceptar qualquer uma das hipóteses, obrigando Xavi à decisão de risco. No outro lado da imagem vemos a forma como Neymar (inteligente) vai percebendo onde pode intrometer-se no lance. É que o triângulo continua a ser realizado perto da bola, mas o seu garante são os movimentos exteriores a ele, também.


O lateral recebeu a bola. O defesa do Atlético tenta fechar a possibilidade de passe mais próxima mas toda a equipa está em basculação num sentido. Um passe longo, na zona morta, e para onde Neymar se prepara para atacar, pode ser fatal. E foi. O Barcelona percebeu em todos os momentos do jogo onde estava o ganho, e os jogadores foram complementando entre si os posicionamentos de forma a criarem dúvida no adversário mas garantirem sempre o sucesso ao seu portador da bola, o fundamental para a manutenção da posse e a progressão.

Veja tudo isto em velocidade real:

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Descodificando Funes Mori


O Benfica anunciou hoje a contratação de Funes Mori ao River Plate para reforçar a sua equipa. O avançado argentino de 22 anos chega numa altura em que era criticado pelos adeptos do River, despertando a normal desconfiança em Portugal por quem não o conhece. O último jogo de Funes Mori ao serviço do River data do dia 17 de Junho quando a sua equipa saiu derrotada do campo do Lanús por 5-1. Nesse mesmo mês, no dia 3, jogou frente ao Argentino Juniors. E foi esse o jogo que fomos ver.

1ª Parte:

1' Sai em pressão ao portador da bola originando um mau passe e recuperação da posse.

2' Canto ofensivo, foge bem à marcação mas guarda-redes antecipa-se quando se preparava para finalizar.
6' Livre lateral ofensivo, foge à marcação e tem um bom cabeceamento, ainda distante da baliza, para defesa apertada do guarda-redes.
7' Transição ofensiva, entra em mobilidade no centro de jogo, recebe em rotação com o pé esquerdo, toca num colega e procura espaço para receber.

8' Disputa bola no ar, ganha e joga de cabeça para colega, entrando em ruptura, recebendo na frente, procurando nova tabela com o avançado que é interceptado.
10' Recebe, roda, toca num colega e desmarca-se entre-linhas para receber.
11' Lançamento, sai da posição, vem buscar jogo, recebe no peito, joga com colega e desmarca-se para receber.
11' Novo lançamento, recebe no peito, fixa defesa em protecção à bola e joga para colega procurando devolução que não acontece.
13' Recupera bola dentro do seu meio-campo, sai em transição rápida em progressão com bola, procura a tabela para ir receber nas costas do defesa, recebe, roda e joga no lado contrário originando uma situação de 3x2 favorável. O colega que recebeu perde a bola.
15' Alívio do defesa da sua equipa, bola difícil mas antecipa-se ao defesa, tocando a bola para um colega.
18' Baixa para receber, falha recepção mas colega fica com a posse.

19' Recebe sobre a esquerda, toca num colega e vai buscar na frente, adversário intercepta.
19' Lançamento estudado, recebe dentro da área depois de combinação com colega, muito pressionado remata por cima.

21' De costas procura rodar para passar mas acaba desarmado.
22' Recebe descaído pela esquerda dentro da área, trabalha sobre o defesa mas remata de pé esquerdo muito por cima.
22' Ganha bola de cabeça a meio-campo.
25' Toca e desmarca-se.
26' Sai da posição para arrastar defesa, lançando o seu colega o passe nas suas costas para avançado.
29' Recebe e combina com colega para saída em transição.
32' GR pontapeia bola, ganha nas alturas no meio de 2, criando situação para passe de ruptura interceptado.
37' Recebe bola na esquerda, alguma dificuldade na recepção junto à linha, fazendo passe para trás quando podia ter arriscado 1x1.
41' Passa para colega e desmarca-se.

2ª Parte:

50' Disputa bola no ar.
51' Perde bola mas recupera de seguida e passa para colega em apoio frontal.
52' Recebe no peito, combina com colega e vai buscar na frente, joga 1x1, faz o drible e sai para situação de finalização mas sofre falta.
57' Baixa no campo para receber, toca no colega e desmarca-se.
59' Começa a jogar como elemento mais fixo pelo corredor central.
60' Transição ofensiva do River, sobre a direita vem em ruptura, consegue ultrapassar o adversário mas é carregado.
66' Vem buscar jogo, recebe o passe e tenta jogar de primeira mas erra o passe.
73' Recebe bola dentro da área, num movimento de saída para ganhar espaço, roda sobre defesa, tenta o remate já em queda interceptado. Consegue a recuperação, fixa o defesa em progressão, toca no colega mais próximo que remata por cima.
76' Depois de canto defensivo, passe para fora da zona de pressão.
77' Cruzamento largo, ganha as costas do lateral, recebe de peito dentro da grande área e em excelente posição remata para grande defesa do guarda-redes do Argentinos. Era o 1-0.
94' Disputa bola no ar.

O Argentinos venceu por 2-0, com dois golos já para lá do minuto 80. Funes Mori teve nos pés o golo que colocaria a sua equipa em vantagem pouco tempo antes. Eclipsou-se do jogo a partir desse momento, muito por culpa de uma equipa do River desarticulada, sem dinâmica colectiva e com um futebol muito pouco pensado e objectivo.

Neste jogo em particular, a equipa então treinada por Ramón Diaz jogou em 4x3x3 com Funes Mori a ocupar o lado esquerdo do ataque, embora com liberdade de movimentos para procurar o jogo interior e dar um apoio mais directo ao avançado Luna. Teve 3 ou 4 situações de finalização que desperdiçou, mas só uma delas de flagrante golo, num River que pouco ou nada rematou à baliza para além do agora reforço do Benfica. Não tenho problema pois, em avaliá-lo como o melhor elemento ofensivo da equipa no jogo.

Numa análise mais global aos jogos observados de Funes Mori, sobretudo pelo River Plate, importa perceber que o contexto não era o melhor para si. Equipa desarticulada, sem um modelo atractivo e pouco jogo exterior, e sobretudo interior, a servir os avançados. Futebol directo, pouco pensado, muito na base da luta e de situações individuais.

A confiança do jogador. Ao longo do tempo foi sofrendo vários problemas com os adeptos e com a própria estrutura técnica e de desconfiança com as suas qualidades. Teve alguns falhanços comprometedores e acabou por deixar-se arrastar numa espiral negativa em seu redor. Contudo, e analisando globalmente as suas características:

Jogador dotado. Alto, possante, veloz, não tem medo de ir ao choque, disputa sempre bolas difíceis e sabe segurar a bola em protecção. É rápido, daí ter jogado alguns jogos fora do corredor central. Bom poder de impulsão.

Parece algo trapalhão, por vezes, sobretudo na recepção, mas tem qualidade em progressão. Sabe jogar, passa bem, tem técnica de remate, tem capacidade aérea, boa técnica de cabeceamento, trabalha bem os lances.

Percebe o jogo e tem uma cultura acima da média da restante equipa. Bom poder posicional, procura sempre boas opções, sabe jogar entre-linhas e em combinações directas (movimentação preferencial). Por vezes incompreendido pelos colegas em muitos lances.

Em termos psicológicos parece claramente condicionado em muitos momentos. Poucas vezes arrisca uma situação de 1x1 tendo qualidade para sair vencedor e em situações vantajosas, não tem muito tempo a bola nos pés, procura sempre uma opção próxima. Mas é inteligente ao fazê-lo, passa e procura receber em zonas que lhe permitam progredir.

No River, como nem sempre jogava como avançado posicional, andava longe da área, o que lhe retirava do seu habitat natural, embora demonstrasse qualidade a jogar numa posição mais recuada ou mais lateral. Finaliza bem de cabeça, tem qualidade de movimentação dentro da área, mas falta-lhe maior frieza e serenidade a finalizar, o que surge, muitas vezes, nos avançados, só a partir de uma certa idade, ou em outros casos, só através de confiança e de atingir determinado estatuto que o permita libertar e tranquilizar.

Fazendo o transfer para o Benfica, Funes Mori vem para jogar como elemento mais posicional ou no apoio a outro jogador mais fixo. Pode jogar pelo centro ou pela ala (mas sempre como avançado), até entre-linhas, acaba por ser um jogador completo em termos daquilo que é a margem que tem para ser potenciado em determinada função.

Tem qualidade, está longe de ser o jogador que os adeptos do River pintam dele, mas não se espere que seja o jogador para fazer esquecer um passado mais recente do Benfica de Óscar Cardozo. Pode ser uma opção válida e ainda me parece um produto totalmente inacabado de um jogador que ganhando tranquilidade, estatuto e serenidade em muitas das suas decisões, poder constituir uma boa surpresa (face às expectativas) de um Benfica que não está, neste momento, numa fase positiva para dar confiança a este tipo de atletas.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A magia Nacho


Já passaram mais de três anos da altura em que aqui falei sobre um dos jogadores que despontava numa das divisões secundárias do futebol europeu. Nacho Scocco pode até ter passado ao lado de uma grande carreira europeia mas vai brilhando pela América do Sul e, noutro nível, marcando um trajecto claro daquele que é, na minha opinião, um dos melhores jogadores a actuar hoje em dia pelo continente americano.

Scocco saiu do AEK em 2011 para o Al Ain. O clube do golfo não se arrependeu da aposta num jogador que precisou de pouco mais de mil minutos de jogo para fazer dez golos. Assim se despediu para regressar ao clube que o "revelou", o Newell's. Vi muitos jogos da equipa do agora treinador do Barcelona, Tata, e se o sucesso que obteve no clube argentino o fez catapultar para um dos maiores clubes mundiais, em muito se deve também ao que lhe deu Scocco.

O futebol é assim, relação de partilha, de troca, do momento, e o avançado argentino acabou por no seu percurso conseguir elevar para outro nível (e fixando-se como avançado, nesta fase da carreira) o rendimento de uma equipa moldada à sua imagem, e à do seu treinador, onde os números não mentem: 33 jogos, 24 golos, melhor época pessoal de sempre em termos de concretização e um estatuto difícil de manter outros emblemas afastados. Foi por isso que o Internacional que conta já com D'Alessandro e Forlán avançou para a sua compra e ontem, no jogo de estreia, mais 2 golos.

Uma qualidade técnica muito acima da média, mas não só. Inteligente, gosta de jogar um futebol apoiado e de requinte em combinações directas. Venenoso sempre que procura espaço para finalizar, onde demonstra enorme frieza, remata de igual forma com o pé direito ou esquerdo, é um jogador que continuará a marcar um percurso muito interessante de alguém que tinha tudo para poder, no futebol europeu, ter escrito outra história.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Como foi mau ver este Depor


Jogou-se hoje o V Troféu Antonio Puerta, que opôs Sevilha e Deportivo. Oportunidade para ver duas equipas de primeira liga espanhola, com alguns nomes interessantes, e poder ver a que nível se prometem projectar para esta nova temporada. Quando se procura ver as individualidades, não podemos nunca esquecer o colectivo e o modelo em que se inserem. Daí ser injusto tecer opinião sobre qualquer jogador do conjunto que nesta altura da época, se candidata a ser um dos despromovidos: Deportivo. Dinâmica quase inexistente. Mobilidade e profundidade, são princípios quase invisíveis no jogo dos espanhóis. Torna-se então impossível ver qualquer combinação táctica digna desse registo. Previsível. Não ajuda também a forma como Nelson Oliveira joga. Não basta esperar que a bola seja colocada no espaço para ele entrar em jogo.

Neste modelo baseado no 4x2x3x1, com variante de 4x4x2 em organização ofensiva, que o Depor joga, o avançado tem de ser muito mais do que aquilo que fez o português. Sobretudo não pode jogar na zona dos centrais do adversário sob o risco de acontecer aquilo que é evidente: a quase inutilidade de estar em campo. Há que sair daquela zona, baixar para a zona de construção da sua equipa, arrastar os defesas do adversário, abrir espaço através de movimentos procurando a bola. Defensivamente tem de procurar fechar linhas de passe para um futebol espanhol cada vez mais pré-definido para a manutenção e circulação de bola através da 1ª fase de construção. Procurar lutar com os defesas. Assim, será difícil que Riki (o melhor do Depor) ou Bodipo não sejam as principais apostas para aquela posição.

O outro português esteve ligado ao primeiro golo do Sevilha. Concentração, um dos princípios fundamentais do jogo. Roderick parece esquecê-lo, por vezes. Pouco fez para evitar que Negredo fizesse um dos golos mais fáceis que certamente marcou nos últimos tempos. Quando o português pensava que o espanhol estava nas suas costas, já ele estava na marca de penalty a atirar para o golo. Outros lances em que mostrou pouca certeza e presença no seu raio de acção. 

André Santos continua a basear as suas acções naquilo que tornam o seu futebol pouco produtivo. Apesar de se posicionar bem e ter uma cultura táctica interessante, quando tem a bola nos pés, usa quase sempre o passe, e com 2 condicionantes: ou é para o lado, ou para trás. Não desequilibra. Não assume o jogo. Não explora os corredores. Não cria situações de penetração para libertar bola. Contudo, repito: resta perceber se esta falta de dinâmica colectiva, de mobilidade, de confiança dos jogadores do Depor é porque ainda estão numa fase de conhecimento e com poucas rotinas, ou longe ainda de compreender o modelo de jogo a que o clube se predispõe a jogar, ou realmente não têm condições, nesta fase, para elevar o nível de um Depor que não deve fugir à 2ª metade, e para baixo, da tabela esta época.

O Sevilha, atenção, pouco mais mostrou. Medel é um jogador interessante, tal como foi bom ver Cicinho novamente a carburar pelo corredor. Jesus Navas continua sem esconder a razão porque não sai de Sevilha. Irregular nas decisões e na forma como assume o que tem de fazer. Produtividade é relativa, nele. Bom foi ver Baba, quase sempre esclarecido, o jogador que passou pelo Marítimo.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Montpellier: Uma questão de identidade


Numa altura em que o futebol mundial vai sendo invadido pelas novas tendências económicas e desportivas, em que as empresas de investimento tomam posse dos clubes e investem neles, à procura de os tornar uma referência, esta é uma discussão que está muito em voga nos dias de hoje e faz algum sentido olhar para ela. Podia ser feita uma retrospectiva daquilo que está a acontecer em Málaga, onde os habitantes daquela cidade não esparariam ver o seu clube a ingressar na Liga dos Campeões, fruto do investimento do dinheiro árabe, ou do renascimento do gigante adormecido Paris St Germain que se assume actualmente como o clube mais poderoso do Mundo. É que já nem o Manchester City, recuperado pelo mesmo dinheiro árabe, parece ter andamento para as loucuras de mercado dos franceses e, estabilizou as suas compras, depois de ter gasto quase 500 milhões de euros, num espaço de tempo curto, naquilo que foi a expansão de um clube, então refugiado ao potencial e rendimento do rival de Manchester, o United.

Mas hoje, o que me leva a escrever, é uma questão muito delicada. Envolve investimento. Aposta na formação. Aposta no produto nacional. Boa gestão e organização. Factores fundamentais, claro, difíceis de dissociar da ideia do adepto de futebol, mas quase impossíveis de os interligar. O Montpellier, veio, na época passada, e num mercado com concorrentes de peso (PSG, Marselha, Lyon, Lille), dar um exemplo claro daquilo que pode ser a gestão bem operacionalizada de um clube de futebol.

Chegámos ao final e viu-se festa. O clube da cidade francesa, fundado apenas em 1974, sagrou-se pela primeira vez na sua história campeão de França, quando em 2009 andava pela 2ª divisão do campeonato. O presidente do clube apostou em Rene Girard para comandar a equipa e construí-la à sua imagem. Fundamentalmente deu-lhe tempo e liberdade para colocar o seu plano em prática. Desde logo a aposta no perfil de Girard, um ex-técnico das selecções jovens francesas, portanto um homem apto a trabalhar jovens talentos e poder rentabilizar o investimento feito nos mesmos.

Logo na sua primeira época, apostou, da formação do clube, em alguns jogadores que se viriam a revelar fundamentais para o seu sucesso. Foram eles Yanga-Mbiwa, Stambouli, Cabella e Belhanda e ficou logo no 5º lugar. No ano seguinte voltou a manter a aposta na prata da casa, tendo terminado numa modesta 14ª posição. A confiança e o crédito manteve-se. O perfil estava encontrado e era uma questão de tempo, acreditavam todos.

Nesta época que agora findou, o clube francês, dos 18 jogadores mais utilizados ao longo do ano, que lhe valeu o seu primeiro título francês, 7 foram produtos da formação do clube, 7 foram recrutados fora (como Giroud), mas os dois mais caros, juntos, custaram 4 milhões de €, e mais 4 reforços a custo 0. A base estava montada, e em termos de contratações, o plantel custou 7 milhões de € nessa época.


O onze titular era quase sempre o mesmo, com uma base bastante bem definida. O guarda-redes Jourdren era da formação do clube. Bocaly aparece no futebol senior no Montpellier. Yanga-Mbiwa, da formação, era o esteio defensivo. O interior Stambouli era outro produto da formação. Belhanda, Saihi e Ait-Fana, outros três produtos da formação. E as cartas todas lançadas na contratação de um jogador às divisões secundárias: Olivier Giroud, que aqui falei dele quando ainda se encontrava no Tours, tendo sido transferido este ano para o Arsenal.

O Montpellier fez um percurso impressionante, mesclando um plantel com experiência, e uma base jovem, irreverente, ambiciosa e de muita qualidade, e construiu um grupo sem grandes nomes, mas muito rendimento e, acima de tudo, bastante aceitação dos papéis de cada um, construindo uma filosofia e identidade bem patentes num trabalho fantástico do técnico francês Girard.

Construir um grupo vencedor está muitas vezes, ou quase sempre, associado aquilo que são os valores de grupo, aceitação dos seus elementos, e ambição dos mesmos. O Montpellier exempleficou na perfeição o que significa a mentalidade de um clube, direccionada para a sua identidade, que lhe permitiu, com tempo de espera, com confiança e com uma boa gestão e rentabilização de activos, fazer a Europa render-se aos seus resultados.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Como jogou o Porto no Mónaco




Em pressão alta, com bloco subido e procurando recuperação de bola o mais rapidamente possível. Lembrando o que aqui escrevi sobre a forma como jogou o Real Madrid e em comparação...


"O Barça dava largura máxima, parecia quase uma equipa de futebol de 7 a sair desde o pontapé de baliza. Essas eram as duas únicas opções que o Real deixava livre, os 2 centrais. A partir daí, fechada todas as linhas. Não em basculação defensiva, mas sim subindo as várias linhas de pressão."


O Porto não. Procurava imediatamente subir os seus médios de forma a pressionar a saída de bola a partir do corredor central. Kléber saia ao central de um lado, quando havia variação, ou Guarín ou Moutinho pressionavam imediatamente tentando reduzir o tempo de decisão e procurando o erro. Boa estratégia e pensamento do treinador procurando que a bola fosse chegando consecutivamente em condições desfavoráveis aos médios do Barça. E também ao contrário do que fez o Real, o Porto defendeu em basculação defensiva, não jogando ao homem e anulando as opções através do homem, procurando através do espaço. Aqui o Barça sentiu-se mais à vontade pois o Porto procurou retirar profundidade, mas o Barça imprimiu largura, colando Dani Alves e Pedro em cima da linha lateral, obrigando o Porto e o seu bloco defensivo, caso os movimentos de equilíbrio não fossem suficientemente rápidos, a dar espaço para penetração através desse corredor.


"O Real procurou ganhar sempre a bola o mais à frente possível pois só assim conseguiria retirar metros e espaço para pensar ao Barça. O Barça é a melhor equipa do Mundo a jogar sob pressão. Mas sentiu muitas dificuldades. Erraram alguns passes (coisa rara) em transição e em organização. O Real recuperou muitas bolas dentro do meio-campo do Barça através da sua 2ª e 3ª linha de pressão."


O Porto não o conseguiu. Enquanto o Real procurou recuperar em todas as zonas do campo, dando menos ênfase ao corredor central em transição (defesas centrais), focando a sua área nos jogadores seguintes, da 2ª fase de construção, procurando então o desequilíbrio defensivo que o Barça poderia ter através da recuperação da 1ª zona de construção do Barça, o Porto tentou anular logo essa 1ª zona, pressionando os centrais, o que deixou a equipa mais exposta, menos junta, o que acabou também por dar mais espaço ao Barça para sair. Mesmo que o primeiro passe saia deficitário (o que aconteceu algumas vezes), a superior capacidade técnica e de movimentação de Dani Alves, Xavi, Iniesta, resolveriam os problemas.


"O difícil de tudo isto foi a forma como os jogadores se conseguiam manter próximos e com grande equilíbrio entre si. Raramente se desposicionaram. Quando recuperavam havia rapidamente junto a si várias opções de passe para sair rápido em ataque rápido."


O Porto também não o conseguiu. A linha defensiva esteve subida, mas a saída em pressão de um dos médios interiores, acompanhando o movimento do avançado, fez com que os extremos do Porto, o seu 6, e o outro interior, estivessem algo longe desses 2 primeiros elementos na saída de pressão. Foi uma zona desarticulada e sobretudo longíncua, o que fez com que sempre que houve recuperação de bola, em vez de passe de ruptura ou em apoio frontal, ou penetração, tenha existido quase sempre uma temporização, ou para trás, ou para o lado, o que fez com que o Barça rapidamente se posicionasse.

PS1: Não quero com este post dizer que o Porto deveria ter jogado como o Real, mas sim realçar que dentro do mesmo princípio, podem haver várias formas de o interpretar, através dos seus sub-princípios, e colocar em práctica a estratégia posicional dessa forma de jogar. A estratégia das equipas é sempre diferente, porque os jogadores são diferentes, as características diferentes, as necessidades diferentes, as armas e respostas diferentes, tudo isso diferente, mesmo defendendo as mesmas formas de jogar.

PS2: O Porto precisa de um avançado de topo, no imediato. Mesmo que Kléber venha a ser, daqui por 1 ou 2 anos, um grande avançado do nosso campeonato.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A pressão alta em Camp Nou


Devia ser escrito um livro sobre a primeira parte do Barça-Real para a Supertaça Espanhola para entrar nos manuais de como defender alto, próximo, de forma sufocante, anulando opções do adversário, e saindo quase sempre em superioridade numérica para o contra-ataque! E a grande dificuldade está aqui.

Já ouvi muitos treinadores dizerem que jogar em pressão alta com o Barcelona é suicídio, porque eles conseguem arranjar facilmente soluções e se está a desproteger a zona defensiva e a dar espaço entre-linhas para os grandes criativos do Barça se superiorizarem.

Mourinho foi genial. O Barça dava largura máxima, parecia quase uma equipa de futebol de 7 a sair desde o pontapé de baliza. Essas eram as duas únicas opções que o Real deixava livre, os 2 centrais. A partir daí, fechada todas as linhas. Não em basculação defensiva, mas sim subindo as várias linhas de pressão. 1ª - Benzema e Ozil. Com o francês a sair sempre à zona da bola no primeiro passe e o alemão a tentar dificultar imediatamente na recepção do portador quando havia passe vertical, a procurar progressão. 2ª - Di Maria, Ronaldo, Khedira e Xabi Alonso com uma diferença: nos corredores laterais, procuraram antecipação, agressivos (Dí Maria nos primeiros minutos ganhou algumas bolas) Khedira e Alonso no corredor central mais em contenção, não deixando virar, procurando evitar que Xavi ou Iniesta tivessem tempo para pensar. 3ª, junto ao meio-campo, de igual forma. Sérgio Ramos e Coentrão agressivos e procurando antecipar. Carvalho e Pepe igual.

O Real procurou ganhar sempre a bola o mais à frente possível pois só assim conseguiria retirar metros e espaço para pensar ao Barça. O Barça é a melhor equipa do Mundo a jogar sob pressão. Mas sentiu muitas dificuldades. Erraram alguns passes (coisa rara) em transição e em organização. O Real recuperou muitas bolas dentro do meio-campo do Barça através da sua 2ª e 3ª linha de pressão.

O difícil de tudo isto foi a forma como os jogadores se conseguiam manter próximos e com grande equilíbrio entre si. Raramente se desposicionaram. Quando recuperavam havia rapidamente junto a si várias opções de passe para sair rápido em ataque rápido. E aqui o princípio de Mourinho preconizado em treino é muito difícil de se parar.

Mesmo em pressão e garantido o equilíbrio - o tal homem dos equilíbrios - (ler este post de Maio http://vidadofutebol.blogspot.com/2011/05/tera-mourinho-errado.html), o jogador próximo do centro de jogo era rapidamente solicitado aquando da recuperação de bola procurando ser ele a decidir o lançamento do ataque rápido desposicionando a cobertura ofensiva do Barça e explorando alguma má organização da última linha do Barça (o que acontece muito poucas vezes).

O Barcelona dando muita largura fez com que os seus jogadores estivessem algo afastados, e quando procuravam os apoios para progredir, aproximando-se, fossem rapidamente abafados pela zona de pressão do Real, procurando a antecipação.

Ainda hoje li um texto sobre a questão da pressão alta e este jogo no dia de hoje fez todo o sentido. Sem dúvida que o principal para se efectuar é haver uma boa ocupação do espaço e proximidade entre sectores e linhas. É o mais importante pois permite a cada jogador correr menos, mas de forma mais eficiente. Contudo nesta altura da época, a dimensão física é fundamental, e estar em grande ritmo na fase defensiva e ofensiva do jogo, torna-se papel extremamente difícil. O tempo que o Real aguentou fazê-lo, foi a melhor equipa a jogar contra este Barcelona que me lembro de ter visto jogar.

PS: Claro que numa equipa onde pontificam jogadores como Messi, Iniesta e Xavi, por muito que se jogue bem, por muito que se cresça tacticamente, por muito bons que também se seja, é quase missão extra-terrestre superiorizar-se a eles.

PS2: O Real precisa urgentemente de um avançado de classe Mundial. Hoje tinha feito golos em Camp Nou e a Taça era de Mourinho.

PS3: Estou farto de ver Busquets e Dani Alves constantemente no chão a pedir faltas e cartões. De ver Messi a chutar bolas para longe e a enervar os adversários. E de ver o Barça a vitimizar-se.

domingo, 14 de agosto de 2011

Uma estreia nada especial


A pouca irreverência dos jogadores ofensivos não explica tudo. Ver este Chelsea foi como ver uma equipa bem organizada, forte no passe, mas lenta, pragmática e sem capacidade de encontrar soluções na zona de decisão. Sempre sem recursos, sem ideias...

Uma organização ofensiva capaz a nível posicional mas muito fraca em termos de mobilidade. Tanto que nem foi possível perceber a quem assistiu ao encontro descortinar que tipo de combinações tácticas o Chelsea fazia. A pouca capacidade dos laterais penetrarem com qualidade, aliada a uma zona de construção sem irreverência, sem lances de rasgos, sem capacidade para penetrar na última linha defensiva do Stoke.

A nota da estreia é negativa para Villas Boas. Mas não só porque este Chelsea precisa urgentemente de um extremo e de um avançado de classe mundial.