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segunda-feira, 2 de maio de 2011

A estratégia dos equilíbrios que Mourinho não soube manter

Mourinho é realmente o melhor treinador do Mundo. Li muitas pessoas criticar abertamente a forma como abordou o último Real-Barça para a LC e a colocação de Pepe no meio-campo, abdicando de Ozil e Kaka. O Real Madrid é a melhor equipa do Mundo em transição ofensiva. Ver o jogo do Mestalla é um regalo para qualquer treinador que gosta de ver a sua equipa ter um controlo sem posse e acima de tudo os mecanismos e combinações colectivas que existem a partir do primeiro momento de recuperação da bola e definição do momento a seguir.



O Real é talvez a melhor equipa da história em transição ofensiva. Jogou frente a um Barcelona que é a melhor equipa da história em ataque posicional. Pensando bem, Mourinho analisou que a principal forma de anular o jogo ofensivo dos culés seria encurtar as linhas e sobretudo permitir sempre um jogador de equilíbrio à pressão no centro de jogo do Barcelona de forma a evitar as suas rápidas variações para criar desequilíbrio noutro espaço em 2x3 ou 1x2. Mourinho só o podia fazer com jogadores fortes defensivamente e disponíveis para correr porque não estando a equipa rotinada nesse sentido os princípios fundamentais, para além da qualidade defensiva, teriam naturalmente de ser a entrega e a disponibilidade para correr metros e metros atrás da evidente superioridade táctica do Barcelona.

A equipa do Barcelona tacticamente é a melhor do Mundo e é por isso que os seus jogadores são os que menos se desgastam, também porque mantêm a bola, e daí a pergunta de com um plantel tão curto se conseguir este ritmo com quase nenhuma rotatividade. Explica-se facilmente. Qualidade táctica + Capacidade de ter bola. O Real estava a realizar um jogo eficiente até à expulsão de Pepe. É contranatura Mourinho querer empatar em casa para resolver na 2ª mão. Naturalmente todos esperariam ao contrário. Mas a estratégia do técnico português era essa. O Real jogar com o melhor de si, transições rápidas, e explorar essa estratégia até ao fim.

A chave do jogo, quanto a mim, não está só na expulsão, está na abordagem errada que Mourinho faz da sua própria estratégia aquando da expulsão de Pepe. O Real altera o seu posicionamento para um 4-4-1, com duas linhas bem definidas de 4, e perde o jogo aí. O Barça é fortíssimo entre-linhas com a capacidade de Messi, Pedro, Villa e sobretudo de Iniesta que nem jogou. A aparecer de frente para os defesas, em velocidade, vence a técnica e o virtuosismo e o Barça está muito rotinado nesse sentido. Posse de bola, posse de bola, posse de bola, até passe de ruptura ou em apoio frontal no espaço entre as linhas do adversário e definição de penetração ou novo passe de ruptura nas costas das defesas. Mourinho com duas linhas bem definidas anulou a sua própria (boa) estratégia até à expulsão de Pepe, onde faz um triângulo com dois pivots muito fortes nos equilíbrios a não permitir espaço para os jogadores do Barça entrarem em zonas de decisão com possibilidade de desequilíbrio.




Erro 1: Lassana sai em pressão e não faz rápida cobertura defensiva ao 1x1 de Afellay vs. Marcelo.




Erro 2: Saída em pressão ao portador da bola de Lassana, desequilíbrio do seu espaço, Messi ganha as costas da 2ª linha e de frente para a linha defensiva, após péssima abordagem de Albiol, resolve.

As duas linhas fizeram com que quem saísse ao portador da bola para fazer o pressing criasse espaço na sua zona, onde aparecia imediatamente outro jogador a causar o desequilíbrio. Quem saía em pressão rapidamente desequilibrava a sua zona. A estratégia dos equilíbrios defensivos estava assim eliminada. O Barça jogou como quis. E o Real queixou-se apenas do árbitro. Quanto a mim, Mourinho foi rei até à expulsão de Pepe. Menos especial, a partir daí.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Derby: Gerações muito peculiares


Quem assistiu ao derby de Juniores de hoje entre Benfica e Sporting, fica mesmo com poucas razões para sorrir. Quem se lembra das gerações de 87, 88, 89 ou 90, e olha para o que existe agora em ambas as equipas, pensa que realmente o decréscimo de qualidade é bastante evidente. Mais preocupante é a falta de capacidade de (quase) todos os jogadores das duas equipas estarem completamente fora do ritmo e da exigência necessária para o futebol profissional.

Equipas maduras e coesas sob o ponto de vista do preenchimento do espaço e dos processos de jogo, contudo, pouca qualidade individual, poucos rasgos, poucos jogadores a dar o clique para merecerem algo mais do que a "pasmaceira" que é ver um jogo neste escalão, um ritmo baixo, pouco dinâmico, pouco intenso, com movimentos colectivos poucas vezes acertados, e uma preocupação excessiva em corresponder tacticamente esquecendo a parte fundamental, o desequilíbrio depois de se equilibrarem.

Olhando para o Benfica, e com alguns negócios e nomes completamente desfasados da exigência que tem de ter um clube como o Benfica, aparecem nomes como Diego Lopes, Alipio, Jean Silva, Francisco Junior e Ruben Pinto. Diego Lopes é um talento nato, jogador de recursos técnicos muito interessantes, ainda em idade juvenil, mas com pouca chama, poucos rasgos de explosão e pouca eficiência nas suas acções ofensivas. Alipio é o protótipo do colega anterior, embora lhe reconheça qualidades de execução extremamente interessantes. Jean está fora de forma e não me parece mais valia em nenhum aspecto. Junior é muito lutador, mas quanto a mim fora do exigível. Raramente joga curto e simples, faz com que a pressão da equipa contrária seja feita de forma que melhor convém, permite à equipa contrária equilibrar. Corre muito mas raramente preenche o espaço correcto. Ruben Pinto é claramente um jogador de outra divisão em relação aos demais, mas há 6 meses que precisa de outra exigência competitiva. Porque a que tem, fá-lo perder muito tempo para estar preparado para o futebol profissional de alto rendimento.

No Sporting, Bruma é claramente o elemento mais, veloz, tecnicista, desequilibrador, embora não sendo tudo o que a comunicação social tem feito dele, parece-me um jogador que a ganhar consistência física, se pode tornar num valor interessante para o Sporting. Zezinho é forte a executar, pensa bem, na zona de construção assume sempre opção válida e de fácil recurso. Contudo, tem de aumentar o seu ritmo de jogo. Esgaio aparece cada vez mais acostumado à lateral direita e parece não ter grandes problemas com isso neste escalão. Contudo, quer-me fazer crer que o Sporting perdeu um potencial médio ala de elevado potencial, para ter um defesa lateral interessante nesta altura mas sem a capacidade física e posicional para voos mais altos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O "novo" Sidnei


Post recuperado do dia 28 de Julho de 2010

http://vidadofutebol.blogspot.com/2010/07/benfica-analise-de-ritmos.html

"Começando por trás. Para mim Sidnei é o melhor defesa central do Mundo. Para ele, do pescoço para cima. E isso atira-o para o banco de suplentes do Benfica. A concorrência é forte, sem dúvida, mas Sidnei é daqueles jogadores que conseguem aliar todas as características fundamentais de um defesa central. Para além disso ultrapassa-as e explora-as melhor do que quase todos os outros. Porque não singra ao mais alto nível? O primeiro ponto de debate está encontrado. "O pescoço para cima". Sidnei tem de se capacitar das suas funções e das suas necessidades.

Faz-me lembrar um pouco David Luiz em alguns lances de abordagem errados. Sidnei é um central rápido (o chamado falso lento, e digam-me quantos o ultrapassam em velocidade?), forte no jogo aéreo, muito forte fisicamente e no corpo a corpo, dotado tecnicamente (central do futuro), forte em transição e na forma como sai em ataque rápido (centralão do futuro), muito inteligente na leitura e ocupação do seu espaço, forte no desarme, e muito difícil de bater no um contra um.
A pouca capacidade de esforço, a forma como se parece "encostar" à sombra das qualidades que tem, a pouca exigência e ambição consigo mesmo, fazem dele um jogador mediano comparativamente ao que poderia ser. Já dizia o seu treinador no Internacional: "Se o Sidnei trabalhasse no duro, era o melhor central do Mundo". Eu corroboro."

Sidnei quis trabalhar. E os resultados estão à vista.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Ramires e Kalou, eis a questão


Numa altura em que, cinco anos depois, o nome de Salomon Kalou volta a surgir como hipótese para ingressar no Benfica, e olhando para a opinião pública geral, existe muito pouca receptividade para que o costa marfinense possa vestir de encarnado. Porque não resolve jogos, dizem alguns.

Tomemos o exemplo de Ramires. Independentemente do ano de adaptação, natural num jogador brasileiro adaptado a uma filosofia de jogo por si só diferente, no Benfica, é quase um peixe fora de água no meio-campo blue. Ramires, pela sua capacidade de ocupação de espaço e de equilíbrios que garante à sua equipa nos 4 momentos do jogo, era elemento fulcral na estratégia do Benfica de Jesus. E o mau início de época deve-se, na minha opinião, à dificuldade que o treinador do Benfica teve em "remendar" essa sua saída. Olhamos para o Chelsea, uma equipa que joga quase sempre em ataque posicional, mas debilitada nas suas transições defensivas pelo volume ofensivo que cria sem equilíbrio da zona de cobertura.

Ramires que até preenche esses requisitos, tem 2 jogadores semelhantes em termos de capacidade com bola, no entanto, já adaptados, com outra bagagem e também outra qualidade, se quisermos. Essien e Obi Mikel não dão muitas possibilidades ao brasileiro. Até porque Lampard já não é o mesmo em progressão e ocupação de espaço e as rotinas já estão criadas.

Tentando estabelecer um ponto de comparação, se Ramires era fundamental no Benfica e no Chelsea é reserva, porque a reserva Kalou, que soma minutos largos, não seria fundamental no Benfica? A mim parece-me claro. Jogador de corredor lateral, forte nas penetrações interiores, drible explosivo, tecnicamente forte, e veloz.

Já todos percebemos que Salvio não vai ficar. Kalou era a peça ideal.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O modernismo de Salvio a Dí Maria


O extremo moderno desaparece cada vez mais do corredor lateral e faz do corredor central o oásis das suas arrancadas e penetrações para conseguir causar desequilíbrios nas estruturas adversárias. Cada vez mais desaparece de moda a possibilidade de um cruzamento largo para a área, e ganha consistência a situação de 1x1 ou 1x2 a partir do corredor lateral para penetração em zona de decisão/finalização.

Uma das grandes irregularidades que se apontava no jogo de Dí Maria era a forma como o argentino tinha dificuldade em decidir bem, e com eficiência, na zona de decisão. Era um dos mais fortes do Mundo na zona de construção através das suas arrancadas e da capacidade de progressão em alta rotação, mas raramente decidia bem na hora decisiva. Hoje, vemos um Dí Maria com grande mestria na zona de decisão e com uma capacidade acima da média para continuar a desequilibrar no um contra um em quase todos os momentos.

Assume-se hoje como um jogador cada vez mais de espaço curto e de desequilíbrio no espaço também sem bola. Sempre que a tem, resolve ou com passes decisivos (não posso deixar de mencionar Ozil como o jogador do futebol actual com mais critério e espectacularidade na zona de decisão a par de Messi) ou com penetrações para a criação de momentos de finalização favoráveis à sua equipa.

Outro argentino, este encarnando a personalidade do "novo jogador argentino", a que Dí Maria foge um pouco, de agressividade no espaço curto e de grande embalagem num jeito meio "atabalhoado", que vem fazendo crescer o Benfica de Jesus é Salvio.

Na direita deste 4-1-3-2 vem apresentando melhorias evidentes sob o ponto de vista posicional nos vários momentos de jogo da equipa, mas é com bola que explode e queima metros de uma forma impressionante. Muito rápido, permite não só à equipa subir e aproximar-se com variadas linhas para a decisão, como também ele próprio em penetração no espaço curto consegue criar desequilíbrios para aparecer.

E como o Benfica tem um dos melhores do Mundo no jogo entre-linhas, de seu nome Saviola, Salvio cresce a olhos vistos pois os espaços que anula em penetração compensam-se imediatamente em outros locais pela movimentação quase sempre certeira de Saviola. E muito têm para dar ao Benfica estes 2 em simultâneo. Tal como Messi e Villa. Tal como Hulk e Falcão. A génese é a mesma.

domingo, 12 de dezembro de 2010

O melhor do Mundo

Li há alguns dias que Iniesta poderia ser considerado o melhor jogador do Mundo do ano de 2010. Olhando para a lista de principais favoritos, iria ficar espantado se Wesley Sneijder não estivesse entre os 3 primeiros pois ganhou... tudo, exceptuando o Campeonato de Mundo, esse ganho com um golo de Iniesta, que amealhou assim pontos importantes na luta pelo título.

Mais estupefacto fiquei com as críticas à sua nomeação como MVP. Iniesta é um jogador com uma capacidade técnica fantástica, com tempo, rigor, critério e decisão em tudo o que faz. É de loucos vê-lo jogar. Confiram:

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A eficácia do "mini Barcelona"


Quando o treinador do Rapid Viena apelidou o Porto de Villas Boas de um "mini Barcelona", não deixou de ter o seu sentido lógico. É que as semelhanças entre uma equipa e outra parecem surgir pela forma como o Porto joga em largura e profundidade e, sobretudo, no momento da transição ofensiva onde o seu tridente ofensivo é extremamente forte.

Continuo a dizer que o Porto vale, sobretudo, pela sua capacidade de jogar em transição e dos seus jogadores ofensivos terem metros para correr e decidir no individual sem serem colocados em situações de demasiada inferioridade numérica que tenham de recorrer a um ataque mais organizado.

A grande diferença está - com toda a gente a ter entendido a grande força do Porto -, a eficácia com que o FC Porto destrói as equipas contrárias nas situações que consegue dar uso às suas principais armas. Jogar num bloco médio em transição ofensiva faz parte do seu quotidiano, incrível sim a forma como as vezes que o fazem, mais de 50% conseguem jogar em contra-ataque ou ataque rápido em situações variadas de 3x4. Aqui, Hulk e Varela pela sua velocidade e capacidade de aceleração, ganham relevância pois com Falcão, as hipóteses de golo são bem mais do que a percentagem normal de qualquer outro jogador em Portugal nos últimos anos.

Para isto não esquecer a dimensão que Moutinho ganhou no meio-campo do Porto pela qualidade de equilíbrio e de decisão que dá ao FC Porto na zona de construção, tal como Belluschi pela capacidade de penetração e de jogar nas entre-linhas do adversário saindo muitas vezes da sua posição natural para explorar zonas fracas da equipa adversária.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Clássico: O ataque rápido do Inter e do Real de Mourinho


Penso que todos os amantes do futebol tiveram particular interesse em assistir ao clássico de ontem. O Barcelona de Guardiola, num processo totalmente finalizado, e que vai procurando, ano após ano, limar arestas e perfis quanto aos seus jogadores e à forma como encaixam dentro do perfil de jogo "blaugrana", e um Real Madrid de Mourinho, a jogar de forma interessante para pouco tempo de trabalho mas ainda a crescer e longe de ter dado provas de eficácia a um nível competitivo mais elevado. Este seria o primeiro teste "a sério" (e quantos mais surgirão a uma equipa quase de outro planeta) do Real de Mourinho.

Primeiramente há que abordar o jogo pela forma inicial como o Real o fez. Abdicou de jogar em ataque organizado, para não permitir ao Barcelona ataques rápidos e, fundamentalmente, metros nas costas da defesa madridista, evitando que jogadores como Pedro, Messi e Villa, extremamente rápidos em todos os capítulos, tanto na velocidade de deslocamento, como na rapidez com que pensam e executam, tivessem espaço para penetrar e criar desequilíbrios ao Real. Acontece que o Barça não é uma equipa de apenas um método e são os melhores do Mundo em alguns deles: Contra-ataque, ataque rápido e ataque organizado. E utilizando os três métodos ofensivos conseguiram dizimar um Real que cometeu imensos erros.

A começar pela forma como não soube interpretar o bloco médio que Mourinho pediu, tentando evitar que a bola chegasse em condições de decisão ao tridente da frente do Barça. O espaço que a os duplos-pivot (Khedira e Alonso) do Real permitiram nas suas entre-linhas com Ronaldo-Ozil-Di Maria e sobretudo com a linha de 4 defensiva, foi fatal. Raramente existiu um encurtamento de espaço correcto e sempre que tal existia, o Barça conseguia rodar rapidamente desposicionando e desequilibrando a equipa do Real pois o centro de jogo era bem conseguido mas as posições de equilíbrio raramente estavam correctas, até porque poucas vezes se viu Benzema em pressão ou a matar linhas de passe.

O Inter de Mourinho na edição da Liga dos Campeões passada fez exactamente uma abordagem semelhante à do Real ontem. A diferença esteve na forma como a equipa italiana soube jogar num bloco, para além de mais baixo, mais junto e com menos espaços nas suas entre-linhas. Uma equipa de topo como o Real, não pode permitir que Xavi, Iniesta, Pedro, Messi e Villa, tenham aparecido tantas vezes nas costas de Alonso e Khedira com espaço para decidir muitas das vezes em situações de 2x3 ou 3x4.

Regressando ao Inter, numa abordagem semelhante, mas com outros argumentos sob o ponto de vista táctico e estratégico. A qualidade de Cambiasso continua a ser muito pouco evidenciada pelos média mas, na minha opinião, foi a peça fundamental de um Inter que muitas das vezes acabou por fechar defensivamente numa linha de 5, com pressão constante de 3 jogadores em zonas de construção e decisão do Barcelona, retirando metros e espaços ao tiki-taka, que se sentiu curto e pouco produtivo. Basta olhar para a ficha de jogo e ver: Maicon, Samuel, Lucio e Chivu; Motta, Cambiasso, Zanetti e Sneidjer; Eto'o e Milito; No processo defensivo Cambiasso e algumas vezes Zanetti equilibravam a linha de 4 tornando-a numa linha de 5, baixando Eto'o no lugar de Zanetti, jogando praticamente com um 5x4x1; Isto aniquilou o Barça não pela defesa massiva mas sobretudo pelo massivo equilibrio defensivo e fecho de linhas de passe na zona de decisão do Barça.

O erro de Mourinho não esteve na forma como abdicou do ataque organizado e deu "o jogo" ao Barça, que é mortífero em ataque organizado. Muito menos teve no escalonamento da sua equipa. Acabou por estar associado à forma como a sua equipa não soube equilibrar-se e jogar como um bloco defensivo único, procurando queimar metros aos catalães para então sair em ataques rápidos. O Real partiu-se sempre num 4x2+3x1, com Ronaldo, Ozil, Di Maria e Benzema sempre longe de Khedira, Alonso e da linha de 4. Fundamentalmente a diferença esteve que Cambiasso e Khedira não são comparáveis a nível de cobertura e equilibrio defensivo, tal como Zanetti e Xabi Alonso não são comparáveis, tal como Motta e Ozil são tudo menos a semelhança defensiva, tal como Eto'o e a agressividade e disponibilidade defensiva que evidenciou sempre com Mourinho não são comparáveis com a que Di Maria ou o próprio Ronaldo mostraram ontem.

Não poderia terminar deixando de evidenciar aqueles que ao longo dos meses que escrevo neste blog são para mim os melhores do Mundo: Xavi e Iniesta. Incrível a forma como seduzem pela capacidade de protecção de bola, pelo critério em tudo o que fazem, pela qualidade técnica soberba. São, sem dúvida, irmãos gémeos, e o espelho real daquilo que é o futebol do Barcelona, que só joga assim porque tem estes dois génios. Sou capaz de dizer que Xavi e Iniesta nos seus dias, dizimam qualquer equipa, independentemente das estratégias técnico-tácticas que qualquer treinador possa ter para os parar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Benfica a insistir nos mesmos erros


Texto recuperado do dia 21 de Agosto, data da derrota do Benfica na Madeira aos pés do Nacional.

Momento Transição Ofensiva:

O Benfica aqui perde. E muito. Primeiro porque não podemos diferenciar de forma estruturada os vários momentos do jogo da equipa. Ambos dependem uns dos outros para subsistir e dar aos jogadores as condicionantes necessárias para os abordarem. O Benfica pela deficiente forma como se equilibra defensivamente actualmente, encontra problemas na forma como efectua as suas transições por um aspecto: não tem capacidade de progressão sustentada em cobertura. Os jogadores são deixados demasiadas vezes soltos em acções individuais de um contra um e o apoio próximo em acção de cobertura ofensiva não existe. Isto porque não há o fôlego do tal jogador de equilíbrios para permitir aos outros elementos sair da sua zona de forma a não terem constante preocupação em caso de perda de bola numa altura em que a equipa não se encontra equilibrada recuarem e preencherem os posicionamentos da organização estrutural defensiva da equipa.


Momento Transição Defensiva:


A grande lacuna do Benfica actual. Completamente partido em 2. E passo a explicar. Quando o Benfica sofre transições rápidas ou contra-ataques dos adversários, normalmente, pelo volume ofensivo que apresenta e pelo seu modelo de jogo incutir imensas subidas e penetrações dos laterais, o 6, jogador de primeiro equilíbrio, acaba por ter de se posicionar numa zona de apoio à ultima linha defensiva, desguarnecendo a zona central, de cobertura ao 10 e aos 2 médios alas agora em acção de médios interiores. Essa zona se for rapidamente ocupada por um deles permite à equipa um equilíbrio maior na zona de pressão e na zona onde existe bola. Caso o centro de jogo seja rapidamente variado, há tempo para a equipa se equilibrar e organizar correctamente. Este Benfica erra vezes sem conta neste aspecto. O 6 vai fazer equilíbrio da organização estrutural defensiva, o 10 tem dificuldade em recuar rápido para essa zona, e nenhum dos interiores fecha o espaço 6 - à frente dos centrais - correctamente. Os adversários exploram-no muitas vezes.


Momento Organização Defensiva:


O Benfica aqui continua bem. Estruturado e com qualidade. O grande problema está na forma como a equipa demora a equilibrar-se. E neste campeonato com contra-ataques rápidos e transições a serem a principal forma das equipas utilizarem o seu método da fase ofensiva, faz com que o Benfica seja vulnerável sob o aspecto da forma como defende. Até porque continua Jesus a jogar num bloco alto e de pressão subida, mas sempre que o adversário se organiza e espera a altura certa para explorar a zona do corredor central em transição ofensiva, cria problemas.


http://vidadofutebol.blogspot.com/2010/08/o-novo-benfica-partido-em-2.html

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Os mesmos princípios em diferentes modelos


Ando há algum tempo a procurar ver jogar Arsenal e Barcelona. É sempre objecto de estudo para qualquer pessoa interessada em observar e estudar o jogo. Para além de dois dos melhores treinadores do Mundo, acredito que a diferença é que um já conseguiu encontrar forma de equilibrar a sua equipa defensivamente, também pela maior qualidade de que dispõe. O outro, propriamente, ainda não.

É que ver Barcelona e Arsenal é ver duas equipas com princípios bem definidos. Um retrato real do futebol simples e bem jogado. Demasiado fácil até, diria. Movimentos quase sempre rotinados, posições de mobilidade definidas, desequilíbrios individuais sempre criados pelo individual na forma como pensa e executa rápido.

Contudo, ambos jogam da mesma forma, com sentidos e objectivos distintos no seu modelo. Ver o Barcelona é observar uma equipa em posse e circulação, de certa forma mais lenta e pensada na fase de transição e construção, mas que acelera, e de que forma, na zona de decisão, em movimentos entre-linhas e de ruptura sem bola dos seus elementos da frente, onde se junta, invariavelmente, um quarto elemento, de nome Iniesta, quando um dos defesas laterais faz penetração no corredor central com bola.

O Barcelona define o corredor lateral como o seu meio preferencial para atingir o golo, através do toque curto e da capacidade de colocar no centro de jogo, quase sempre superioridade numérica em relação ao seu adversário. Não em termos do número, mas da forma como ganham metros e crescem no campo pela dinâmica e intensidade na zona de decisão dos seus mais fantásticos artistas.

O Arsenal difere aqui. O corredor lateral funciona apenas como uma extensão do seu predilecto corredor central. Quase como definindo os corredores laterais como zonas desocupadas onde só entram os "jokers" para fazerem posse de bola. O Arsenal, ao contrário do Barcelona em largura, fazendo "campo grande", joga de forma mais estruturada no corredor central, oferecendo-lhe muita profundidade e num jogo então semelhante ao Barcelona mas com penetração e progressão, invariavelmente, pelo corredor central. O que talvez lhe dê, também, pior capacidade defensiva pois a equipa pouco tempo tem para fazer a recuperação e se equilibrar defensivamente.

Como os mesmos princípios e os mesmos métodos (ataque rápido e ataque posicional), podem ter vivências diferentes dentro dos corredores e sectores de um campo de futebol. O Arsenal joga a todo o gás na zona de construção e decisão, espaçando e pensando mais a sua zona de transição. Algo que daria horas e horas para estudar...

Jorge Jesus de cachecol não é o mesmo


É um Benfica ainda à procura da sua identidade. Não única e exclusivamente pela derrota de hoje, mas também. Independentemente da boa exibição na Madeira e do crescendo motivacional, em grande parte verificado pela vitória frente ao velho rival na semana anterior. O problema está na forma como esta época foi e continua a revelar-se mal preparada.

Como o Benfica procura encontrar um esquema de jogo alternativo para anular, de certa forma, a inexistência de duas peças fundamentais para o seu modelo no esquema anterior (ou actual), a potenciação de Coentrão num lugar onde se revelou realmente muito forte - e como extremo continuo a dizer que também o é -, mas o avançar e recuo de ideias face a esse plano de jogo. É que Coentrão joga onde o Mister quiser, é verdade. Mas o Benfica procura agora disfarçar e atenuar a saída de Dí Maria e encontrar alguém que faça as suas funções. Impossível, digo eu.

Até porque jogar uma Champions debilitando um corredor lateral em constante pedido de auxílio, fazendo Coentrão imensos movimentos de apoio ao defesa esquerdo, pois ter Farfán ou Rakitic em constantes situações de um para um com Peixoto anula qualquer possibilidade de exploração desse flanco em superioridade numérica em transição ofensiva, pois qualquer dos jogadores que abandone o corredor central para intervir no centro de jogo (com bola no corredor), oferece à outra equipa possibilidades várias de desequilibrar no contra golpe.

Está visto que Cardozo não tem perfil para este tipo de jogos. E até pode fazer 3 ou 4 golos no próximo jogo europeu. Mas continuo a dizer que no contexto europeu em que o Benfica tem de ter entre 75 a 85% dos seus lances nos momentos de transição ofensiva e organização defensiva, Cardozo torna-se pouco útil pela forma como raramente oferece possibilidade de desequilíbrio no primeiro toque, e na forma pouco capaz com que dificulta o trabalho dos defesas contrários e essencialmente os obriga a recuar no terreno pelos seus movimentos de ruptura que permitam à equipa ganhar metros e encurtar linhas para não ter os sectores tão distantes como hoje se verificou.

Os grandes também erram e no futebol quem não ganha torna-se alvo fácil da crítica.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Di Maria e Canales: Os elos mais fracos


Hoje ao observar o Maiorca-Real Madrid e a ver o desenrolar das alterações que o jogo foi proporcionando, tenho de referir dois nomes que dentro do que se passou em campo foram, na minha opinião, o grande entrave à vitória de Mourinho na estreia e que não souberam entender o que o jogo precisava na altura que a batata quente lhes chegava aos pés. Não esquecendo a ineficácia de Higuain e a perdida incrível de Ronaldo, Benzema (duvido que com Mourinho volte tão cedo), mas Sergio Canales e Di Maria foram jogadores a mais dentro do jogo, à parte dos companheiros.

O jogo decidiu-se na forma como o Maiorca, inspirado na excelente exibição dos seus dois cérebros a meio-campo, ratos, fortes no preenchimento de espaço, inteligentes na posse e com muita eficácia nos seus processos, falo do canadiano De Guzman e do experiente José Luis Martí, souberam controlar e anular a pouca inteligência que Di Maria e Canales apresentaram no jogo, sobretudo na altura da sua decisão (os primeiros 65 minutos).

Canales parecia estar em todo o lado mas aqui começa a grande diferença entre o correr muito e o correr bem. Para além de posicionalmente demorar a aparecer na sua zona, demorou muito a executar. Pensou muitas vezes bem, soube dar linhas aos colegas, mas demorou a reagir e a decidir. Num jogo onde se pedia velocidade e rapidez de processos, não foi de estranhar que Mourinho o tenha substituído na sua primeira mexida. E isto não retira de Canales o grande valor que ele tem. 19 anos apenas.

Di Maria, a história não é de agora. Mourinho já o disse esta semana, que tacticamente não pensava que ele estivesse tão abaixo do exigível para um jogador de alto nível. Não é novidade para ninguém. Posicionalmente é mau. Eficazmente é mau. Em espaço curto é mau. Tudo bem que é um jogador com uma velocidade de ponta e capacidade de execução totalmente acima da média, mas as minhas reticências quanto a uma transferência para um colosso sempre estiveram aqui: Di Maria não tem ainda a maturidade nas dimensões eficácia/qualidade/regularidade das suas acções para jogar ao mais alto nível de forma constante. A ver vamos.

Mourinho corrigiu e apresentou uma nuance táctica ao seu 4x2x3x1 já aqui explorado, http://vidadofutebol.blogspot.com/2010/08/um-real-carborar.html, fez entrar Ozil para vagabundear à frente do duplo pivot defensivo constituído depois por Xabi Alonso e Khedira, embora fisicamente o alemão contratado ao Werder Bremen por 15 milhões de € não esteja ainda com a intensidade e o fulgor que o caracterizam, sobretudo a forma como consegue pensar e executar rápido, com qualidade, invariavelmente, mudaram o jogo do Real então num 4x2x1x3. Benzema pela lentidão e sobretudo pela pouca agressividade de abordagem aos lances não terá dias fáceis com Mourinho. O Real não ganhou o jogo pela pouca eficácia de Higuaín, que até fez um bom jogo, e por uma perdida incrível de Ronaldo por manifesta pouca coragem na hora da finalização, preferindo abordar o drible perante o guarda-redes.

Mau teste para o Real mas nada de preocupante. A equipa está ainda à procura das suas rotinas e dois jogadores fundamentais na forma de jogar desta equipa estiveram hoje grande parte do tempo de jogo no banco de suplentes, falo de Khedira e Ozil. E falta também ao Real a contratação de um avançado diferente de Higuaín e Benzema. É que o argentino está um jogador de grande classe, e até pode explorar mais de si no apoio directo a outro elemento mais de corredor central e zona de finalização na frente de ataque. Não sei porquê mas acho que Mourinho vai voltar a ir às compras...

domingo, 29 de agosto de 2010

Hleb - Driblando pensando


Apesar de já se arrastarem as negociações há alguns dias, parece que só um volte face grande retiraria ao Benfica a possibilidade de contratar o jogador bielorrusso Alieksandr Hleb ao Barcelona, ele que esteve na época passada emprestado ao Estugarda da Alemanha. Aos 29 anos, depois de uma formação no BATE, colocou o seu talento ao serviço do Estugarda, de onde se transferiu para o Arsenal.

Falar de Hleb é o mesmo que pensar o drible puro e a execução de fintas constantes enquadrando essa acção técnica individual no campo colectivo da decisão e do pensar no momento seguinte da acção ofensiva da equipa. Pensar em Hleb com bola é imaginar um cérebro no último terço, idealizando a zona de decisão, utilizando o drible como necessidade para expor os seus recursos.

Talvez surja como um dos jogadores mais fortes nesta dimensão. Perdeu espaço no Arsenal, primeiro, depois no Barcelona, mas não será por isso que retira a qualidade que este jogador denota. Nem teve das épocas mais felizes, na temporada passada, no "seu" Estugarda, pelo que espera, este ano, relançar a carreira, pois ainda vai a tempo de se sentir útil e importante em algo.

Hleb não é um jogador de curva descendente, pois pela forma como pensa e executa ainda vai perdurar nos próximos anos. Ao contrário do que fazem alguns dos jogadores que utilizam a finta como necessidade e forma de construir e desamarrar, sempre, zonas de pressão defensiva, Hleb utiliza-a como forma de chegar ao que pretende. É como se estivéssemos a imaginar um 10 de construção, mas que aborda o drible para chegar ao espaço que pretende, idealizando o lance que escolheu para definir.

Nos dois sistemas mais utilizados por Jesus esta temporada, o 4-1-3-2 ou o 4-3-3 mais posicional, Hleb poderá fazer a faixa esquerda ou a faixa direita do ataque, dependendo dos objectivos e das necessidades posicionais que Jesus pretenda. Não será nunca um jogador de equilíbrio defensivo, ou de contenção. Hleb é um criativo. Também faz a posição 10, onde considero ser o lugar que mais explora o que tem. Protótipo do 10 moderno.

De qualquer das formas, continuo a pensar que este Benfica necessita de um jogador de maior equilíbrio e que permita ligar de forma mais próxima os variados momentos de jogo do Benfica de acordo com as suas mudanças estruturais derivadas dos equilíbrios e organizações posicionais que apresenta.

Agora, com a possibilidade de Hleb ser reforço, e que reforço, creio que entraria imediatamente para top 3 deste campeonato. Em forma e com poder de decisão, liberdade de mobilidade para pensar e executar nos espaços que ele próprio os constrói, este Benfica cresce muito na sua zona de construção, algo que estava a perder de certa forma com a ainda não explosão de Gaitán. Jogadores totalmente diferentes mas facilmente conciliáveis. Imaginar Hleb é pensar Aimar na cabeça e Di Maria nos pés.

O tosco, e o toscano


Apenas algumas notas em relação aos últimos dias. O Zenit, com um Danny a revelar o porquê de ser dos melhores jogadores portugueses da actualidade em grande parte dos aspectos, acabou por ficar fora da Liga dos Campeões pela forma desactualizada e incrivelmente preparada com que o técnico do Zenit abordou o jogo em França.

Não sei se foi ocasional ou esta é a sua forma de entender o jogo, mas uma equipa de alta roda a fazer marcação individual em lances de bola parada defensiva (nomeadamente, e sobretudo, os cantos), deixa-me a pensar bastante. A defesa à zona, hoje, e sempre, vem resolver muito dos problemas que as equipas enfrentam nas bolas paradas. Há um espaço definido, uma zona de acção que os jogadores defensivos irão preencher e abordar com eficiência - esperada - e quase um bloco colectivo, cada um com a sua missão, de forma a conseguirem retirar o perigo iminente de um lance desse tipo.

Fiquei estupefacto ao ver jogadores como o Bruno Alves e o Fernando Meira, sem olhar para a bola (o principal do jogo), a correrem atrás do seu alvo de marcação. Eu pergunto. Se o jogador que olha exclusivamente a bola, é ou não mais rápido que o adversário, tem ou não melhor tempo de salto, consegue ou não, em movimento, coordenar melhor a sua corrida de forma a chegar à bola em primeiro lugar, cria natural perigo. O Zenit foi eliminado e os dois golos do jogo surgiram de dois cantos a favor do Auxerre. Dá que pensar.

No dia de hoje chamou-me à atenção a gestão vimaranense. Bebé foi vendido por 9 milhões de € ao Manchester United, o maior encaixe de sempre de um clube não-grande em Portugal, e arrisco dizer, o maior valor de sempre pago por um jogador tão desconhecido, e os responsáveis do Vitória, com tudo planeado e com uma velocidade de acção sempre importante nestes casos, assumiram a compra, por 500 mil euros, de um jogador brasileiro, que Manuel Machado era perfeito conhecedor, pois elogiou-o e frisou as suas melhores e principais características antes da compra, 26 anos, de nome Toscano.

Hoje quem viu o jogador brasileiro a vagabundear por toda a frente de ataque e com uma velocidade de processos e acima de tudo qualidade na execução acima da média, ficou com claras certezas que o Guimarães ganhou em todas as vertentes. Eu acho que Bebé iria rebentar neste campeonato como aliás escrevi na pré-época. Ele e João Ribeiro de quem acho Portugal poder aproveitar bem mais nos próximos anos. Mas 9 milhões vs. 500 mil euros, e qualidade semelhante, ou rendimento actual talvez a favor do brasileiro, faz-nos pensar.

Toscano assumiu a batuta e com poucos treinos com os colegas, deitando para trás tempos de adaptação, e mostrando o seu futebol, ganhou um jogo com 3 golos e deu os primeiros pontos à sua equipa. Promete dar mais. E os grandes que comecem a olhar com atenção a este jogador.


Nacional 1-1 V. Guimaraes

Simão | Vídeo do MySpace



Nacional 1-3 V. Guimaraes

Simão | Vídeo do MySpace

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A aposta na formação


Bom Dia. Hoje é dia 26 de Agosto. Faltam 6 dias para o fecho do mercado e os clubes, alguns, já há mais de um mês que têm o plantel fechado. As rotinas começam a ser criadas. O modelo de jogo implementado com aquilo que existe. As políticas e objectivos definidos. Os jogadores ganham o seu espaço e outros perdem-no. Uns cimentam a aposta do técnico, e vão agarrando as oportunidades. E há os outros...

Hoje falo de um dos outros. Considerado aos 16 anos (onde foi internacional sub-19) uma das maiores promessas do futebol português dos últimos anos, Nelson Oliveira, uma das caras que integra o futebol profissional do Benfica, no que ao seu quadro de activos diz respeito, encontra-se sem clube. Ou melhor, tem contrato com o Benfica, mas chega ao dia 26 sem ter colocação.

Nelson Oliveira num possível sistema de 4-3-3 que Jesus está a carborar, teria todas as condições para se assumir como uma opção útil. Não estaria em pé de igualdade com Salvio, Jara, Kardec, Cardozo ou Saviola, é certo, mas pelo menos as mesmas condições face ao talento-potencial teria do que Rodrigo, Weldon ou Nuno Gomes.

O miúdo é bom de bola, e sempre o mostrou. Jogador de movimentos de ruptura interiores, onde explora a sua capacidade física, com qualidade técnica, bom em progressão e com um remate forte na zona de finalização, tem todas as condições para marcar uma geração no protótipo de avançado de futuro, coisa que há muitos anos não existe em Portugal.

A aposta na formação foi feita desta forma. Gastaram-se 6 milhões de € num jogador de fora, com a mesma idade e os mesmos requisitos do Nelson Oliveira, ele treina com o plantel, mantém o ritmo, não se sabe se fica ou se sai, e o português... que é feito dele?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O futuro de África


Todos sabemos que ao longo dos tempos, o grande suporte de algumas das mais fortes selecções europeias têm sido os jogadores que acabam por importar em África, quer seja por raízes coloniais, quer por estes jovens saírem cedo do seu continente e procurarem a sorte na Europa. Acontece que um dos países que tem revelado maior aptidão para o lançamento de talentos no futebol está agora a erguer-se e a mudar de política.

Norton de Matos assume a selecção da Guiné-Bissau e revela uma mudança radical nas perspectivas daquele país. Foi às convocatórias das selecções jovens de Portugal e recrutou os seus melhores jogadores. Com ascendências guineenses e que ficam agora "presos" à Guiné, pois em caso de realizarem a primeira internacionalização, já não poderão jogar por outra selecção.

Na nova lista do técnico português constam os nomes de Éder da Académica, um ponta-de-lança já aqui falado no blog:

Éder (Académica)
Idade: 22 anos
Peso: 81kg
Altura: 188cm
Nacionalidade: Guineense

Formado no Oliveira do Hospital e com passagem pelo Tourizense, Éder aparece como uma das principais apostas da briosa para esta época. Jogador de grande porte físico, veloz e que oferece muito trabalho aos centrais, tem características pouco vistas no nosso futebol e que o podem catapultar para uma carreira interessante no nosso país. Neste segundo ano de Briosa, a aposta é outra, e ele vai fazendo por merecer, sendo uma das peças chaves na estrutura de Villas Boas. Vamos ver a sua evolução, mas que há potencial, isso parece-me indiscutível.

Cícero e Ivanildo, duas promessas adiadas do futebol nacional, com possibilidades de se afirmarem agora na sua selecção natural. Pelé, do Belenenses, um jovem produto de talento que promete construir boa carreira em Portugal. Zezinho do Sporting, estrela dos Juniores. Danilo, o badalado ex-Junior do Benfica transferido para Itália. Baldé, um jovem do Porto. Lassana Camará, ex-Junior do Benfica. Kaby, jogador das camadas jovens do Chelsea. Ednilson do Dinamo Tiblisi e Moreira do Partizan.

Muita atenção a estes nomes e ao crescimento que a Guiné Bissau vai certamente revelar.

sábado, 21 de agosto de 2010

O novo Benfica partido em 2


Não era difícil de adivinhar o que iria acontecer. Não foi uma debilidade assim tão gritante como, por exemplo, no jogo da Supertaça, mas a falta de ligação e de equilíbrios deste Benfica nos seus momentos de jogo é gritante, e os resultados surgem naturalmente para uma equipa que joga num bloco tão alto e de pressão constante sem alguém que lhe confira equilíbrios e permita jogar dessa forma.

O Benfica voltou a apostar no 4-1-3-2, com a variante do 4-1-2-3 em organização ofensiva a meio da primeira parte, melhorou substancialmente, mas com o decorrer dos minutos, e sobretudo nesta fase inicial da época, iria-se colocar a nu as fragilidades de uma equipa que não encontra forma de se equilibrar. Tudo isto por faltar um jogador com características para o fazer. Não porque as dinâmicas colectivas estejam erradas. Erro é mantê-las, não tendo forma de as fazer executar.

Momento Organização Ofensiva:

Até acaba por ser das melhores fases deste Benfica. Será natural pelos jogadores que tem e sobretudo pela qualidade de penetração dos executantes. Saviola, Coentrão, Aimar, por exemplo, garantem imprevisibilidade e qualidade no espaço, dando algo mais à organização estrutural da equipa, com tremenda mobilidade. O Benfica este ano sem a presença de Di Maria, fundamentalmente um jogador de linha, de largura e profundidade, joga demasiado pelo corredor central, não o explorando da melhor forma pois concentra nele, sempre, uma imensidão de jogadores em cobertura defensiva do adversário. Falta um jogador diferente de Gaitán, pois já o disse várias vezes, não será jogador para aquele lugar frente a adversários fechados.

Momento Transição Ofensiva:

O Benfica aqui perde. E muito. Primeiro porque não podemos diferenciar de forma estruturada os vários momentos do jogo da equipa. Ambos dependem uns dos outros para subsistir e dar aos jogadores as condicionantes necessárias para os abordarem. O Benfica pela deficiente forma como se equilibra defensivamente actualmente, encontra problemas na forma como efectua as suas transições por um aspecto: não tem capacidade de progressão sustentada em cobertura. Os jogadores são deixados demasiadas vezes soltos em acções individuais de um contra um e o apoio próximo em acção de cobertura ofensiva não existe. Isto porque não há o fôlego do tal jogador de equilíbrios para permitir aos outros elementos sair da sua zona de forma a não terem constante preocupação em caso de perda de bola numa altura em que a equipa não se encontra equilibrada recuarem e preencherem os posicionamentos da organização estrutural defensiva da equipa.

Momento Transição Defensiva:

A grande lacuna do Benfica actual. Completamente partido em 2. E passo a explicar. Quando o Benfica sofre transições rápidas ou contra-ataques dos adversários, normalmente, pelo volume ofensivo que apresenta e pelo seu modelo de jogo incutir imensas subidas e penetrações dos laterais, o 6, jogador de primeiro equilíbrio, acaba por ter de se posicionar numa zona de apoio à ultima linha defensiva, desguarnecendo a zona central, de cobertura ao 10 e aos 2 médios alas agora em acção de médios interiores. Essa zona se for rapidamente ocupada por um deles permite à equipa um equilíbrio maior na zona de pressão e na zona onde existe bola. Caso o centro de jogo seja rapidamente variado, há tempo para a equipa se equilibrar e organizar correctamente. Este Benfica erra vezes sem conta neste aspecto. O 6 vai fazer equilíbrio da organização estrutural defensiva, o 10 tem dificuldade em recuar rápido para essa zona, e nenhum dos interiores fecha o espaço 6 - à frente dos centrais - correctamente. Os adversários exploram-no muitas vezes.

Momento Organização Defensiva:

O Benfica aqui continua bem. Estruturado e com qualidade. O grande problema está na forma como a equipa demora a equilibrar-se. E neste campeonato com contra-ataques rápidos e transições a serem a principal forma das equipas utilizarem o seu método da fase ofensiva, faz com que o Benfica seja vulnerável sob o aspecto da forma como defende. Até porque continua Jesus a jogar num bloco alto e de pressão subida, mas sempre que o adversário se organiza e espera a altura certa para explorar a zona do corredor central em transição ofensiva, cria problemas.

Momento Bolas Paradas:

A acção e coragem do guarda-redes é fundamental. No primeiro golo há um erro posicional defensivo da equipa. A zona do primeiro poste nunca pode ficar descoberta seja de que forma for. Ainda por cima numa bola que de forma perspectiva iria ser colocada naquela zona. Roberto não está isento de culpas, mas a equipa é culpada pelo golo. O segundo... não há muito a dizer. Incrível, incrível!

Drenthe mas não para solucionar


O Benfica está a um passo de assinar a contratação do holandês do Real Madrid Drenthe. Dispensado por José Mourinho, tal como já tinham sido dispensados do clube madrileno Javi Garcia ou Saviola, parece que o destino do holandês será mesmo o Benfica.

O reforço de Drenthe vem encaixar numa política de fortalecimento do plantel, sendo claramente um acréscimo de qualidade. Atenção a um ponto. O Benfica não garante com Drenthe um titular absoluto mas é um jogador com todas as condições para ser figura aqui. É que ser dispensado do Real não é necessariamente um mau predicado. Um plantel de topo, onde só os melhores dos melhores têm lugar. E qualquer dispensável daquele grupo, é figura de cartaz de uma equipa do nosso campeonatozinho.

A grande diferença do Benfica do ano passado para este prende-se com a falta de equilíbrios e de ligação entre linhas nos vários momentos do jogo do Benfica. Será um dos próximos posts, provavelmente depois do jogo na Madeira onde mais uma vez essas debilidades ficarão a nu (em menor expressão se jogar Amorim).

Drenthe é um jogador de faixa esquerda, capaz de jogar como lateral esquerdo ou extremo esquerdo. Será como Extremo que poderá potenciar de forma mais eficaz o que tem. Aliás, não creio que a expectativa seja de o colocar como lateral. Drenthe virá fazer duo com Gaitán e ambos encaixam bem no mesmo sistema e na mesma forma de jogar. Drenthe é um jogador de maior largura, de profundidade, um jogo mais vertical, capaz de esticar e proporcionar outras opções que Gaitán não dá em certo tipo de jogos.

Gaitán pela forma equilibrada como desenvolve as suas acções, pelo futebol mais de posse e circulação e de inteligência posicional, sobretudo em roturas com e sem bola, irá jogar muitas vezes neste Benfica na faixa direita e no apoio aos dois avançados, não tenho grandes dúvidas. Com Drenthe, o Benfica ganha uma opção à imagem de Di Maria. Com a mesma qualidade? Eu digo que não em perspectiva, mas com potencial para equiparar.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O muito mau contagiante


Numa altura de nova descrença absoluta no reino leonino, em que depois da derrota em Paços, voltam a perder, e logo em casa, frente aos dinamarqueses do Brondby, por 2-0, complicando e muito as contas do acesso às competições europeias esta temporada, resta-me fazer uma análise fria e objectiva aos grandes problemas do actual Sporting.

Muito Mau (Colectivo):

- Incapacidade de criar zonas de pressão e fazê-lo de forma colectiva. A pressão do Sporting é esporádica e espaçada. Ainda não entendi de que forma o bloco se organiza em pressão de acordo com os momentos do adversário. Sai um jogador em pressão correcta para encurtar espaço e queimar linhas aqui e ali, e o culpado é ele, pois não houve seguimento, e ele criou um espaço para o adversário progredir.

- Distância de linhas. Incompreensível a forma como o Sporting não encontra soluções na sua transição ofensiva. Jogam muito distantes, sobretudo o duplo pivot a meio-campo dos avançados. Os movimentos interiores dos jogadores dos corredores laterais que o técnico exploram não são aproveitados pois não existe um apoio frontal imediato de um dos dois avançados, e quando o há, a bola morre ali. Solicitação quase sempre (perdida) do passe longo directo nos homens da frente. O bloco está muito recuado e as segundas bolas são uma miragem.

- Transição defensiva. Péssimo, péssimo, péssimo! Maniche e André Santos demoram eternidades a recuperar, não existindo um ponto fixo de equilíbrio do jogo da equipa em transição defensiva que deveria permitir aos colegas recuperar. Sobem de forma descoordenada e encontram-se quase sempre mal posicionados. Já para não falar dos laterais. A equipa está quase sempre partida em 2 em contra-pé.

- Não será certamente do treino mas o Sporting é das piores equipas do Mundo na zona de finalização. Raramente existem soluções, e quando elas aparecem, alguém as desperdiça. Mal sob o ponto de vista de criação e mobilidade no último reduto. Isto é trabalho e potenciação do modelo de jogo.

Muito Mau (Individual):

- Os sportinguistas adoram a raça e as correrias de João Pereira. Para mim, é mau demais como jogador. Primeiramente instável e sem estofo mental para estas competências. Em adversidade já sabemos quem erra e faz asneira ao nível disciplinar. Depois, muito mau em termos de ocupação do espaço interior e da cobertura defensiva. Fecha mal o seu espaço e é frequentemente batido por mau posicionamento.

- Nuno André Coelho é jovem, tem a sua qualidade, mas longe de ser um jogador de uma equipa que se considera grande. Mediano em quase tudo. A compleição física ajuda a disfarçar mas em antecipação é nulo, em leitura nem se fala.

- Maniche parece não querer assumir nada neste Sporting. Lento a recuperar, mal sob o ponto de vista posicional, sem fôlego para queimar metros entre linhas, fraco no último terço e na organização, tenta invariavelmente os mesmos desequilíbrios: passe para o lateral. Muito curto.

- Postiga é dos melhores avançados da Liga na recepção, no drible sob pressão, na protecção da bola. Apesar de continuar a achar que se trata de um problema de confiança e instabilidade, é o pior da Liga a finalizar. Muito mau.

- Liedson até subiu de rendimento, mas não chega. Não pressiona, não apresenta mobilidade, não cria desequilíbrios, não ganha vantagem em quase nada, e ainda finaliza mal. O que se passa?

Ainda assim...

- É o capitão e está em quase tudo o que existe de correcto no jogo do Sporting. Luta, essencialmente compreende o seu papel dentro de campo, muito inteligente nas abordagens e na forma como consegue fazer subir a equipa a partir de trás. Falo de Carriço.

- Vukcevic já se cansou de ser segunda opção. Vinha a ser dos melhores do Sporting e insiste-se em colocá-lo como reserva. Alguém explique a Paulo Sérgio que ele como segundo avançado e com mobilidade de exploração entre linhas, ia dar que falar.

- Jaime Valdés é o melhor jogador do Sporting. Muito forte no critério, na forma como assume o jogo e encara de frente os adversários. Normalmente jogadores assim, de fino recorte, só correm com bola. Errado. Jaime Valdés também vai atrás dela e luta pela sua posse. Uma surpresa.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eduardo Salvio em 4x3x3


O país voltou a ficar agitado mas, desta vez, bastaram apenas dois segundos para uma decisão ser tomada. Salvio assina pelo Benfica, um empréstimo válido por uma temporada sem opção de compra aparente no contrato de cedência.

Parece-me agora lógico que o Benfica vai estruturar um 4-3-3 posicional em organização ofensiva com a entrada deste jogador. Não faz sentido Jesus pensar nele como avançado, no 4-1-3-2, pois para além de existirem já opções de sobra (e com qualidade evidente), Salvio assume-se como 2ª opção em termos qualitativos para já. Aqui colocaria-o na mesma escala de Jara, pois ambos desempenhariam as mesmas funções e as mesmas perspectivas de opção.

Num 4-3-3 as coisas mudam de figura. Salvio é um jogador agressivo, muito mexido. É um dos avançados da nova linhagem argentina de pressão alta e qualidade técnica no espaço curto. Pode servir bem descaído numa das alas em constantes movimentos de ruptura interiores. Não me parece que possa ser opção no 4-1-3-2 como extremo direito ou extremo esquerdo, até porque o Benfica nesse sistema (e em qualquer outro) precisa obrigatoriamente de um jogador de equilíbrios e esse ainda está para vir, ou de largura e profundidade, e esse será Gaitán ou o próprio Coentrão.

Salvio vem acrescentar qualidade, parece-me notório, não se perspectiva comparação possível com Urreta, pois Salvio no imediato é melhor opção, pensamos sim no facto de existir um empréstimo de ambos os atletas com o Benfica a perder hipótese de explorar o seu produto para importar um jogador que, à primeira vista, fará apenas um ano na Luz.